Sumaia binte Hubate

Sumaia binte Hubate (em árabe: سمية بنت حبات; romaniz.: Sumayya bint Hubbat; m. 615), cujo nome do pai também é dado como Caite, foi uma das companheiras do profeta islâmico Maomé.

Vida

Sumaia nasceu em data incerta ao longo do século VI e era filha de Hubate ou Caiate. Era escrava de Abu Hudaifa ibne Almuguira, tio de Abu Jal. Iacir, pertencente ao ramo iamita da tribo alancita do Iêmem, viera a Meca com seus irmãos Harite e Maleque em busca de um irmão desaparecido. Como, para se estabelecer ali, era necessário obter a proteção de alguém, Iacir firmou um pacto de proteção (ḥilf) com Abu Hudaifa. Algum tempo depois, Abu Hudaifa casou Sumaia com Iacir, e dessa união nasceu Amar. Conforme as normas vigentes, por estar ligado à condição materna, Amar tinha o estatuto de escravo, mas Abu Hudaifa o manumitiu.[1] Sumaia, Iacir e Amar estavam entre os quarenta primeiros companheiros muçulmanos (Ibne Sade, III.227). Além disso, Sumaia e Amar são mencionados entre as sete primeiras pessoas que declararam abertamente o Islã em Meca (Musnade, I.404; Ibne Hajar, IV.335). Com exceção do profeta Maomé e de Abacar, os demais eram escravos ou pessoas sem protetores que os defendessem; por isso, nos primórdios do Islã, sofreram duras torturas: eram vestidos com armaduras de ferro e deixados durante horas sob o sol escaldante (Musnade, I, 404).[2] Sabe-se que Abu Jal levou Iacir e sua família a um lugar fora de Meca chamado Abta ou Bata, onde os deitavam sobre areia e pedras incandescentes para torturá-los.[1]

Abu Hudaifa entregou Sumaia a seu sobrinho Abu Jal, e assim ela passou a ser escrava deste. Iacir, estando sob a autoridade do clã de Abu Jal, era humilhado e submetido a torturas. Certa vez, quando Maomé foi a Ebta com Otomão, Iacir, estendido sobre a areia ardente, perguntou: "Ó Mensageiro de Deus, isso continuará assim?". Maomé o consolou, dizendo: "Sê paciente!", e fez a súplica: "Ó Deus, perdoa a família de Iacir! Tu já os perdoaste" (Musnade, I.62). Em outra ocasião, disse-lhes: "Sede pacientes, ó família de Iacir; em verdade, vosso lugar de encontro é o Paraíso!" (Ibne Sade, IV.137). Segundo alguns eruditos, entre aqueles a quem se refere o versículo "Há pessoas que se sacrificam para obter o agrado de Deus; e Deus é, em verdade, misericordiosíssimo para com tais servos" (Albacara 2/207) estariam Iacir e sua família (Assuiuti, II.487).[1] Embora idosa, Sumaia resistiu às torturas e não cedeu às exigências dos idólatras. Abu Jal, além da violência física, insultou-a, afirmando que sua conversão se devia a motivos imorais e atacando sua honra. Por fim, transpassou-a com uma lança em suas partes íntimas, matando-a como mártir. Assim, Sumaia tornou-se a primeira mulher muçulmana a alcançar o martírio na história do Islã (Ibne Abi Xaiba, VIII.42). Esse episódio provavelmente ocorreu em 615. O fato de uma mulher ter alcançado pela primeira vez o martírio na história islâmica é considerado de grande importância.[2]

Diz-se que Maomé, ao vencer a Batalha de Badre e matar Abu Jal, disse a Amar ibne Iacir: "Deus vingou tua mãe daquele que a matou" (Ibne Hajar, IV. 335). Ao anunciar que Amar também seria martirizado no futuro, referiu-se a ele como "o filho de Sumaia" (Muslim ibne Alhajaje, Fitan, 70–71). Iacir foi martirizado sob tortura logo após Sumaia, e seu filho Amar caiu mártir na Batalha de Sifim. Há também relatos segundo os quais Iacir teria sido martirizado antes de Sumaia (Albaladuri, I.160). Algumas fontes registram que, após Iacir, Sumaia teria se casado com Asraque, escravo de Alharite ibne Calada, e que dessa união teria nascido um filho chamado Salama (Ibne Cutaiba, p. 256; Albaladuri, I, 157). Contudo, trata-se de uma confusão com a homônima, mãe de Ziade ibne Abi (Ibne Abede Albar, IV.1863–1864; Assuaili, IV.264; Ibne Hajar, IV.335).[2]

Referências

  1. a b c Efendioğlu 2013, p. 341.
  2. a b c Uraler 2010, p. 134.

Bibliografia

  • Uraler, Aynur (2010). «Sumeyye bint Hubbât». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 43. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 30 de dezembro de 2025 
  • Efendioğlu, Mehmet (2013). «Yâsir b. Âmir». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 43. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 30 de dezembro de 2025