Iáia ibne Abi Becre
Iáia ibne Abi Becre (em árabe: يحيى بن أبي بكر; romaniz.: Yaḥyā ibn Abī Bakr) foi um nobre e oficial do Império Almorávida, ativo nos reinados dos emires Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106) e Ali ibne Iúçufe (r. 1106–1143).
Vida
Iáia era filho de Abu Becre (apelidado Sir), um dos filhos do emir Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106).[1] Aparece pela primeira vez após a morte de O Cid, em 10 de julho de 1099, quando partiu do Magrebe rumo ao Alandalus com o intuito de conduzir uma expedição contra os cristãos. Reuniu-se com Sir ibne Abi Becre e Maomé ibne Alhaje e dirigiram-se para Toledo. A expedição buscava conquistar Toledo do Reino de Castela, mas os invasores não alcançaram esse objetivo. No entanto, foram capazes de tomar Consuegra, na zona fronteiriça.[2] Em algum momento durante o reinado de seu avô, Iáia foi nomeado como governador de Fez. Após a morte de Iúçufe, Iáia recusou-se a aceitar a ascensão de seu tio Ali ibne Iúçufe (r. 1106–1143), apesar de saber que o novo emir havia sido reconhecido em todas as partes do Império Almorávida. Iáia sublevou-se, com apoio de indivíduos de sua tribo, os lantunas.[3]
A sublevação poderia tornar-se um grande problema à unidade dos almorávidas, caso obtivesse apoio das tribos gomaras, que fizeram frente a Iúçufe durante seu reinado, no entanto, Iáia não parece ter obtido apoio fora de sua capital. Quando Ali partiu de Marraquexe rumo a Fez, a cidade permaneceu indecisa se iria apoiar o rebelde ou o emir. É possível que Ali tenha acampado em Maguila, na estrada de Ceuta para Fez, onde pode ter escrito ao sobrinho, convidando-o a prestar-lhe juramento de obediência. Outra mensagem pode ter chegado aos xeiques da cidade, intimando-os à submissão. A cidade capitulou sem resistência, e Ali entrou nela em 7 de dezembro de 1106. Iáia, no entremeio, ciente de que sua causa era perdida, fugiu da cidade pelo corredor de Taza em direção a Tremecém.[3]
Iáia, no caminho de Fez para Tremecém — talvez em Agarsife (Guercife), às margens do Mulucha —, encontrou com o governador de Tremecém, Masdali ibne Tilancane, que se dirigia para prestar juramento de fidelidade a Ali. Iáia explicou-lhe a situação e Masdali se ofereceu a intermediar o diálogo dele com o emir, assegurando que conseguiria obter um perdão. Iáia aceitou, e, regressando a Fez, aguardou, escondido numa alcaria próxima da cidade, o resultado. Masdali foi bem sucedido e Iáia decidiu jurar lealdade a Ali. O emir o proibiu de permanecer em qualquer cidade do Magrebe ou Alandalus sem supervisão e Iáia decidiu realizar a peregrinação (haje) a Meca, de onde regressou algum tempo depois. Ali ordenou que vivesse em Marraquexe, mas ao temer que seu sobrinho estava a conspirar, ordenou que fosse desterrado para Algeciras, onde viveu seus últimos dias sob supervisão.[4]
Referências
- ↑ Lagardère 1978, p. 55.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 162-163.
- ↑ a b Vilá & López 1998, p. 175.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 176.
Bibliografia
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516