Hemigaleus australiensis
Hemigaleus australiensis
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| Estado de conservação | |||||||||||||||||||||
![]() Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1] | |||||||||||||||||||||
| Classificação científica | |||||||||||||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||||||||||||
| Hemigaleus australiensis W. T. White [en], Last [en] & Compagno [en], 2005 | |||||||||||||||||||||
| Distribuição geográfica | |||||||||||||||||||||
![]() Área de distribuição do Hemigaleus australiensis[1]
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Hemigaleus australiensis é uma espécie incomum de tubarão da ordem Carcharhiniformes e da família Hemigaleidae [en]. Habita águas rasas do norte da Austrália até uma profundidade de 170 metros; tubarões menores frequentam áreas arenosas e habitats de ervas marinhas, migrando para recifes de coral à medida que envelhecem. Espécie esguia e de coloração opaca, atinge um comprimento de 1,1 metro e possui barbatanas em forma de foice com pontas escuras na segunda barbatana dorsal e no lobo superior da barbatana caudal. Seus dentes superiores são largos, com serrilhas fortes apenas na borda posterior. A linha lateral em cada lado é proeminente e apresenta uma curvatura descendente abaixo da segunda barbatana dorsal.
Alimentando-se quase exclusivamente de polvos e outros cefalópodes, Hemigaleus australiensis caça principalmente próximo ao fundo do mar. É vivíparo, com os embriões em desenvolvimento nutridos por uma conexão placentária e nascidos após um período de gestação de seis meses. Esta espécie é produtiva para um tubarão, com fêmeas dando à luz ninhadas de 1 a 19 filhotes, geralmente duas vezes por ano. O tubarão Hemigaleus australiensis é capturado por arrastões e, em menor grau, por redes de emalhar e palangres, mas não em quantidades que ameacem sua população. Assim, foi classificado como pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).[2]
Taxonomia
Originalmente considerado conspecífico com a espécie Hemigaleus microstoma, o tubarão Hemigaleus australiensis foi identificado como uma possível espécie distinta por John Stevens e Glen Cuthbert em 1983.[3] Sua descrição científica foi publicada por William Toby White [en], Peter R. Last [en] e Leonard Compagno [en] em 2005, na revista científica Zootaxa. Eles atribuíram o epíteto específico australiensis com base em sua distribuição geográfica e designaram como espécime-tipo um macho adulto de 92 cm capturado a 41 metros de profundidade em Geraldton, Austrália Ocidental.[4]
Descrição
Com até 1,1 metro de comprimento, Hemigaleus australiensis possui um corpo esguio em forma de fuso e uma cabeça moderadamente longa com um focinho grosso e arredondado. Os olhos ovais e grandes têm membrana nictitante e bordas posteriores entalhadas. Pequenos espiráculos estão localizados atrás e acima dos olhos. As narinas amplas são precedidas por abas de pele triangulares relativamente longas. A boca curta e curvada apresenta sulcos proeminentes nos cantos. Há 28–30 fileiras de dentes superiores e 46–52 inferiores, não visíveis quando a boca está fechada; os dentes superiores são largos e angulados, com serrilhas grandes apenas na borda posterior, enquanto os dentes inferiores são finos, retos e de bordas lisas. Há cinco pares de fendas branquiais relativamente curtas.[4][5]
Todas as barbatanas, especialmente as barbatanas peitorais estreitas, são falciformes (em forma de foice) em algum grau. A primeira barbatana dorsal de tamanho médio origina-se logo atrás das extremidades posteriores das barbatanas peitorais. A segunda barbatana dorsal tem cerca de dois terços da altura da primeira, e não há crista mediana entre elas. As barbatanas pélvicas são largas e ligeiramente maiores que a barbatana anal. A barbatana anal possui uma forte incisura na margem posterior e está posicionada ligeiramente atrás da segunda barbatana dorsal. O pedúnculo caudal apresenta uma incisura em forma de crescente na origem superior da barbatana caudal. A barbatana caudal assimétrica tem um lobo inferior bem desenvolvido e um lobo superior longo e estreito com uma incisura ventral próxima à ponta. A linha lateral proeminente curva-se para baixo abaixo da segunda barbatana dorsal. A pele é densamente coberta por pequenos dentículos dérmicos sobrepostos, cada um com cinco cristas horizontais que levam a dentes marginais. A coloração é cinza-claro a bronze na parte superior, escurecendo nas pontas da segunda barbatana dorsal e do lobo superior da barbatana caudal (embora isso possa ser menos evidente em tubarões maiores), e pálida na parte inferior. A face ventral é esbranquiçada, e a primeira barbatana dorsal tem uma margem posterior clara.[4][5]
Distribuição e habitat
Hemigaleus australiensis habita plataformas continentais e insulares no norte da Austrália, de Geraldton, na Austrália Ocidental, até Brunswick Heads, em Nova Gales do Sul.[5] Registros de Papua-Nova Guiné ainda não foram confirmados. A espécie parece ser naturalmente rara.[2] Tende a nadar próximo ao fundo do mar e pode ser encontrada desde águas costeiras até 170 metros de profundidade.[4] Filhotes e adultos menores geralmente ocorrem em áreas arenosas com cobertura de ervas marinhas, enquanto adultos maiores são mais comuns em torno de recifes de coral.[6]
Biologia e ecologia

Hemigaleus australiensis alimenta-se predominantemente de polvos, como espécies do gênero Callistoctopus [en], engolindo-os inteiros ou removendo os braços primeiro. Polvos tornam-se cada vez mais importantes em sua dieta com a idade, de modo que tubarões com mais de 90 cm de comprimento comem quase exclusivamente esses cefalópodes; essa especialização alimentar crescente é acompanhada por uma mudança de habitat para recifes de coral, o que pode reduzir a competição entre indivíduos mais velhos e mais jovens. Lulas da ordem Sepiolida são uma fonte alimentar secundária menor, especialmente para tubarões menores. Além disso, outros cefalópodes, crustáceos da infraordem Thalassinidea, caranguejos e equinodermos são consumidos raramente.[3][6] Esta espécie provavelmente caça principalmente ao amanhecer e ao entardecer; geralmente busca presas bentônicas, mas também pode subir na coluna de água se houver oportunidade, como durante agregações sazonais da lula Uroteuthis etheridgei.[6] Parasitas conhecidos de Hemigaleus australiensis incluem as tênias Nybelinia mehlhorni,[7] Paraorygmatobothrium kirstenae,[8] e P. taylori,[9] e os copépodes Perissopus dentatus e Pseudopandarus australis.[10]
Como outros membros de sua família, o tubarão Hemigaleus australiensis é vivíparo, com os embriões em desenvolvimento sustentados por uma conexão placentária com a mãe. Fêmeas maduras possuem um único ovário e dois úteros funcionais.[3] O período de gestação dura seis meses, e geralmente são produzidas duas ninhadas anualmente, uma por volta de fevereiro e outra por volta de setembro.[5] O tamanho da ninhada varia de 1 a 19 filhotes (média de 8).[2] Os embriões perdem suas brânquias externas com 13 cm de comprimento, desenvolvem coloração com 23 cm e nascem com cerca de 30 cm. Machos e fêmeas atingem a maturidade sexual com aproximadamente 60 cm e 65 cm de comprimento, respectivamente.[3][5]
Interações com humanos
Inofensivo para humanos,[11] o tubarão Hemigaleus australiensis é frequentemente capturado por arrastões de camarão e peixes no norte da Austrália. Números menores também são capturados em redes de emalhar e em palangres. Como esta espécie tem uma taxa reprodutiva relativamente alta e as perdas para pesca não são graves o suficiente para afetar sua população, foi classificada como pouco preocupante pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN).[2]
Referências
- ↑ a b Simpfendorfer, C.; White, W.T.; Smart, J.J. (2016). «Hemigaleus australiensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T161539A68624897. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T161539A68624897.en
. Consultado em 11 de novembro de 2021
- ↑ a b c d Simpfendorfer, C.; White, W.T.; Smart, J.J. (2016). «Hemigaleus australiensis». Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas. 2016: e.T161539A68624897. doi:10.2305/IUCN.UK.2016-1.RLTS.T161539A68624897.en
. Consultado em 11 de novembro de 2021
- ↑ a b c d Stevens, J.D.; Cuthbert, G.J. (1983). «Observations on the Identification and Biology of Hemigaleus (Selachii: Carcharhinidae) from Australian Waters». Copeia. 1983 (2): 487–497. JSTOR 1444394. doi:10.2307/1444394
- ↑ a b c d White, W.T.; Last, P.R.; Compagno, L.J.V. (2005). «Description of a new species of weasel shark, Hemigaleus australiensis n. sp. (Carcharhiniformes: Hemigaleidae) from Australian waters» (PDF). Zootaxa. 1077: 37–49. doi:10.11646/zootaxa.1077.1.3
- ↑ a b c d e Last, P.R.; Stevens, J.D. (2009). Sharks and Rays of Australia second ed. [S.l.]: Harvard University Press. 238 páginas. ISBN 978-0-674-03411-2
- ↑ a b c Taylor, S.M.; Bennett, M.B. (2008). «Cephalopod dietary specialization and ontogenetic partitioning of the Australian weasel shark Hemigaleus australiensis White, Last & Compagno». Journal of Fish Biology. 72 (4): 917–936. doi:10.1111/j.1095-8649.2007.01771.x
- ↑ Palm, H.W.; Beveridge, I. (2002). «Tentaculariid cestodes of the order Trypanorhyncha (Platyhelminthes) from the Australian region». Records of the South Australian Museum. 35 (1): 49–78
- ↑ Ruhnke, T.R.; Healy, C.J.; Shapero, S. (2006). «Two new species of Paraorygmatobothrium (Cestoda: Tetraphyllidea) from weasel sharks (Carcharhiniformes: Hemigaleidae) of Australia and Borneo». Journal of Parasitology. 92 (1): 145–150. PMID 16629328. doi:10.1645/GE-3498.1
- ↑ Cutmore, S.C.; Bennett, M.B.; Cribb, T.H. (2009). «Paraorygmatobothrium taylori n. sp. (Tetraphyllidea: Phyllobothriidae) from the Australian weasel shark Hemigaleus australiensis White, Last & Compagno (Carcharhiniformes: Hemigaleidae)». Systematic Parasitology. 74 (1): 49–58. PMID 19633931. doi:10.1007/s11230-009-9201-y
- ↑ Simpfendorfer, C.A. (1993). «Pandarid copepods parasitic on sharks from north Queensland waters». Memoirs of the Queensland Museum. 33 (1). 290 páginas
- ↑ Froese, R.; Pauly, D., eds. (2013). «Hemigaleus australiensis, Australian weasel shark». FishBase. Consultado em 29 de novembro de 2013


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