Flauta alto

A extensão da flauta alto. Seu alcance (F1) está entre a flauta soprano (C2) e a flauta tenor (C1).

Flauta alto (ou flauta contralto) é um instrumento musical do grupo das madeiras. Tem um som muito melodioso[carece de fontes?] e sua função na orquestra é fazer somente a parte do contralto. O instrumento possui duas variações: flauta doce e flauta transversal. A versão transversal é formada por três partes sendo que primeira é o bocal, a segunda 8 chaves e 2 válvulas, e a terceira 1 chave e 2 válvulas.

Possuem dois modelos de cabeça, curva e reto. A cabeça curvada é usualmente destinada a músicos menores, pois requer menor alongamento para os braços. A versão reta ainda assim é mais comumente usada para melhor entonação geral.[1]

História

Embora não exista uma data exata para a criação da flauta alto, flautas de grande porte existem há vários séculos. Entre os problemas dos primeiros modelos estavam o comprimento excessivo do tubo, digitações cruzadas difíceis, afinação inconsistente, orifícios muito afastados e a grande distância que o braço precisava alcançar, especialmente a mão esquerda.[2]

As maiores inovações para a flauta alto foram desenvolvidas por Theobald Boehm, na década de 1850, quando ele criou a flauta alto em sol (G) — considerada por muitos sua flauta favorita. Pesquisas indicam que isso aconteceu por volta de 1854–1855, quando Boehm tinha cerca de 60 anos.[3] Seu objetivo era eliminar os problemas das flautas de tessitura grave existentes até então. O novo projeto incluía:[2]

  • sistemas de chaves e alavancas organizados de maneira racional,
  • mecanismos que reduziam a distância necessária para alcançar as chaves,
  • modificação do diâmetro interno (bore) para fortalecer o registro grave em sol,
  • novo posicionamento e tamanhos diferentes das chaves para se adequar ao tubo ampliado.

A primeira flauta alto produzida em larga escala foi desenvolvida pela empresa Rudall Carte & Co., em Londres, em 1891. Eles incorporaram muitos dos ajustes e ideias de Boehm. Esta flauta alto era o instrumento mais grave da família na época, apenas acima da “Bass Flute G”.[2]

Design e construção

Uma flauta alto transversal de cabeça curva.

Assim como outras flautas ocidentais, a flauta alto é construída em três partes principais: o cabeçote (head-joint), o corpo (body joint) e o pé (foot joint). Essas peças incluem o orifício de embocadura, os orifícios de som, as chaves e o mecanismo que movimenta essas chaves. O cabeçote pode ser reto ou curvo; cabeçotes curvos geralmente são fabricados em duas partes. O cabeçote reto é mais fácil de afinar no registro agudo devido ao seu formato cônico perfeito, algo que não é possível com o cabeçote curvo.[4] Já o cabeçote curvo pode ser uma opção melhor para flautistas com braços e/ou mãos menores, sendo frequentemente preferido por esses músicos, pois reduz a distância necessária para alcançar o instrumento e torna-o mais leve, deslocando o centro de gravidade para mais perto do executante.[5] O cabeçote é levemente cônico (conical bore) para garantir precisão no timbre e inclui o orifício de embocadura. O corpo e o pé da flauta alto podem ter chaves de orifício fechado ou aberto. A maior parte das flautas alto é fabricada com orifícios fechados; porém, modelos do sistema Kingma incluem orifícios abertos.[2] Flautas alto com orifícios abertos oferecem mais possibilidades de técnicas estendidas.[6]

Tamanho

Uma flauta alto transversal de cabeça reta.

A flauta alto, assim como as outras flautas graves, é construída com um comprimento maior do que o da flauta transversal de concerto; quanto maior a flauta, mais grave é sua afinação.[7] A flauta alto possui cerca de 1 polegada de diâmetro e 34 polegadas de comprimento.[8] Em comparação com a flauta de concerto, ela é aproximadamente ¼ de polegada mais larga e quase 8 polegadas mais longa.[9] Os orifícios da flauta alto são ligeiramente menores que os da flauta moderna em dó, proporcionalmente ao seu tamanho. Como afirma Davis (1997), p. 26: “As flautas alto analisadas mostram que seus orifícios são relativamente menores quando comparados aos da flauta em dó (C flute)”.[6] A disposição dos orifícios pode variar de acordo com o fabricante do instrumento.[10]

Referências

  1. Phyllis Avidan Louke. «Getting Started Playing Alto, Bass and Contrabass Flutes». Consultado em 11 de fevereiro de 2017. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2009 
  2. a b c d «The Kingma System Alto Flute: A Practical Guide for Composers and Performers». www.altoflute.co.uk. Consultado em 13 de novembro de 2025 
  3. «What Is An Alto Flute? | tonebase Flute». www.tonebase.co (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 6 de outubro de 2024 
  4. Potter, Christine (2016). Alto Flute Method. ISBN 9781530126583. OCLC 1052898722.
  5. «Phyllis Louke - Article: Getting Started Playing Alto, Bass and Contrabass Flutes». palouke.home.comcast.net. Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2009 
  6. a b Davis, John Edward, 1954- (1997). «The extended alto flute: The history and development of the alto flute, with a study of modern alto flute design and its effect on extended techniques in alto flute repertoire and pedagogical materials» (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025 
  7. «LIGO Wave Physics». labcit.ligo.caltech.edu (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 10 de agosto de 2024 
  8. Music, Phamox (19 de outubro de 2022). «Alto Flute - Musical Instrument Guide». Phamox Music (em inglês). Consultado em 13 de novembro de 2025 
  9. «Phyllis Louke - Article: Getting Started Playing Alto, Bass and Contrabass Flutes». palouke.home.comcast.net. Consultado em 13 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de fevereiro de 2009 
  10. «A guide to the lengths of flutes». www.mcgee-flutes.com. Consultado em 13 de novembro de 2025