Saxotrompa

Uma saxotrompa alto, uma saxotrompa barítono e um eufônio.

Os saxhorns ou saxotrompas são uma subfamília de instrumentos de sopro de metal com tubo cônico. São, de certa forma, a versão da tuba criada por Adolphe Sax.

Um músico que toca saxhorn/saxotrompa é chamado de saxhornista ou saxotrompista.[1]

História

Esses intrumentos foram desenvolvidos por Adolphe Sax, e resultam da adaptação de pistões à trompa de postilhão. O objectivo de Sax era de desenvolver uma família homogénea de instrumentos (à imagem de o que ele tinha feito com os saxofones), para serem usados como substitutos dos metais de orquestra, para as bandas militares e as bandas de metais. Posto isto, em 1844 foram apresentados[2] uma série de instrumentos indo desde o (mais agudo) sopranino até o (mais grave) sub-contrabaixo. Nem todos os tamanhos chegaram a ser frequentemente utilizados, mas sabe-se que foram utilizados, por exemplo[3], em bandas militares dos Estados Unidos. Alguns tamanhos foram gradualmente abandonados, ou devido a problemas de afinação[4], ou devido à qualidade sonora superior de outros instrumentos. Hoje em dia, as bandas utilizam as cornetas de pistões para substituir as saxotrompas mais agudas e as tubas (ou alternativamente os helicons ou os sousafones) para substituir as saxotrompas mais graves. As saxotrompas mais vistas hoje em dia são a saxotrompa alto e a saxotrompa tenor (barítono).[5][6]

Tipos

Os saxhorns formam uma família de sete instrumentos, sendo os dois mais agudos chamados de fliscornes e os outros cinco de saxhorns. São afinados descendentemente, em quartas e quintas, na seguinte ordem:[7]

  • Petit bugle (Saxhorn sopranino) em Mi
    Petit bugle ou saxhorn sopranino, em Mi — Sua campana está voltada para a frente. É relativamente incomum em orquestras clássicas devido à sua técnica de execução um tanto delicada. É mais facilmente encontrado em conjuntos mais populares, como as bandas musicais do sul da Itália, embora esteja se tornando menos comum em favor do cornetim soprano em Mi.
    Fliscorne Yamaha YFH-8310Z
  • Saxhorn alto Yamaha YAH-203
    Fliscorne ou saxhorn soprano, em Si bemol — uma quarta abaixo do sopranino. Sua campana está voltada para a frente. Possui a mesma extensão que o trompete ou o cornetim em Si mas com um som mais suave (o tubo do trompete é predominantemente cilíndrico, o som "metálico" é produzido com mais facilidade do que em uma corneta com tubo cônico). É frequentemente encontrado em bandas de metais e, às vezes, em orquestras de concerto. É um instrumento muito popular no jazz.
  • Saxhorn alto, em Mi — uma quinta abaixo do soprano e uma oitava abaixo do sopranino. É o instrumento por excelência da família e o menor, com a campana voltada para cima. É bastante raro em orquestras de concerto, onde desempenha o mesmo papel que a trompa em Fá, mas é muito difundido em todo o mundo graças ao seu uso essencial em bandas de metais. Na Grã-Bretanha, seu nome comum é trompa tenor, enquanto nos Estados Unidos (onde é muito mais raro), é chamado de trompa alto. Na França, é frequentemente referido pelo termo coloquial "pichotte".
  • Saxhorn barítono, em Si — uma quarta abaixo do alto e uma oitava abaixo do clarim. Está se tornando cada vez mais raro fora das bandas de metais. Este instrumento produz o mesmo tom fundamental que o saxhorn baixo, mas seu calibre mais estreito lhe confere um som específico. Geralmente equipado com três válvulas (mais raramente quatro), ele não consegue descer cromaticamente até o fundamental.
    Saxhorn baixo Cortois 166 com 5 pistos
  • O saxhorn baixo é construído com a mesma afinação do barítono, mas com um calibre mais largo, e capaz de alcançar o fundamental. Possui a mesma extensão que o eufônio, mas apresenta um som mais brilhante no registro grave, devido ao calibre cilíndrico da seção anterior à primeira válvula. Os modelos modernos se distinguem visualmente do eufônio pelo fato de o tubo, com exceção da campana, estar inteiramente localizado abaixo das válvulas (design aberto). Outrora muito comum em orquestras de sopro, agora é mais raro, competindo com o eufônio e o saxhorn barítono.
  • Saxhorn contrabaixo em Mi ou bombardão, uma quinta abaixo do saxhorn barítono ou baixo, uma oitava abaixo do alto.
  • Saxhorn contrabaixo em Si uma quarta abaixo do anterior (adicionado à família em 1851).

Os saxhorns contrabaixos são raramente encontrados hoje em dia, tendo sido substituídos pelas tubas em Mi e Si.[8]

Um saxhorn baixo de seis válvulas em Dó, também chamado de tuba francesa, era muito comum em orquestras sinfônicas e operísticas francesas durante a primeira metade do século XX. Caiu em desuso, sendo gradualmente substituído por tubas baixo e contrabaixo de fabricação alemã. Um repertório substancial foi criado para este instrumento, incluindo numerosas peças publicadas em duas versões para tuba em Dó ou saxhorn baixo em Si e piano, encomendadas pelo Conservatório de Paris para seus concursos de formatura.[9]

Foote[10] Berlioz[11] Forsyth[12] Nomenclatura moderna (Jachino)[13] Altura
--- Sopranino em Do/Si♭ --- --- C5/B♭4
--- Soprano em Mi♭ Sopranino em Mi♭ Sopranino em Mi♭ E♭4
--- Alto em Si♭ Soprano em Si♭ Soprano em Si♭ B♭3
Alto em Mi♭ Tenor em Mi♭ Alto em Mi♭ Contralto em Mi♭ E♭3
Tenor em Si♭ Barítono em Si♭ Tenor em Si♭ Tenor em Si♭ B♭2
Barítono em Si♭ Baixo em Si♭ Baixo em Si♭ Baixo em Si♭ B♭2
Baixo em Mi♭ Contrabaixo em Mi♭ Baixo em Mi♭ Baixo Grave em Fá o Mi♭ E♭2
--- Contrabaixo em Si♭ Contrabaixo em Si♭ Contrabaixo em Si♭ B♭1
Contrabaixo em Mi♭ Contrabaixo em Mi♭ grave --- --- E♭1
--- Bourdon em Si♭ --- --- B♭0

Técnica

Como em todos os instrumentos de sopro de metal, o som é produzido pela vibração dos lábios no bocal, criando vários harmônicos de uma frequência fundamental, que pode ser reduzida pressionando as válvulas.[14]

A digitação básica é idêntica à do trompete ou do cornetim. A quarta válvula é uma combinação da primeira e da terceira válvulas e reduz a frequência fundamental em dois tons e meio. Alguns saxhorns baixos possuem uma quinta válvula que reduz a frequência fundamental em três tons e meio, um tom a mais do que a maioria dos instrumentos com válvulas.[15]

Diferenciação com os fliscornes e tubas

As saxotrompas são frequentemente confundidas e com as tubas, mas existem diferenças entre esses dois grupos de instrumentos.

  • As saxotrompas são sobretudo um desenvolvimento franco-belga enquanto que os fliscornes e as tubas desenvolveram-se na Áustria e na Alemanha.
  • As saxotrompas foram desenvolvidas em conjunto, como uma família homogénea, os fliscornes e as tubas desenvolveram-se separadamente.
  • As saxotrompas desenvolveram-se adaptando pistões à trompa de postilhão, enquanto que o fliscorne desenvolveu-se adaptando pistões à trompa de chaves e a tuba desenvolveu-se adaptando pistões ao oficleide.
  • Por ser um desenvolvimento da trompa de postilhão, as saxotrompas possuem uma tubagem cónica mais estreita (o que confere um som mais brilhante), enquanto que os fliscornes e as tubas possuem uma tubagem cónica mais larga.
  • As saxotrompas usam um bocal semi-esférico enquanto que os fliscornes e as tubas usam um bocal com a forma de uma semi-elipsóide (o que confere um som menos brilhante).
  • Por ter um tubo ligeiramente mais comprido, as saxotrompas têm facilidade em produzir mais harmónicos; por ter um tubo mais largo as tubas têm mais facilidade em produzir as notas pedais.
  • Por ser um desenvolvimento franco-belga, é mais raro encontrar saxotrompas com válvulas rotativas.

Repertório

O repertório está relacionado ao da tuba orquestral francesa. Inclui numerosas peças encomendadas para concursos pelo Conservatório de Música de Paris. Cabe ressaltar que muitas peças são publicadas conjuntamente para a "tuba francesa" e o saxhorn baixo.[16]

Saxhorn e piano:

  • Elsa Barraine – Andante & Allegro para saxhorn em si e piano (Peça para Concurso do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris 1958) – Éditions Salabert EAS 16141
  • Eugène Bozza – Concertino para tuba em Dó ou saxhorn em si - Editions Leduc AL 23643 - 1967.
  • Jacques Castérède – Sonatina para tuba em Dó ou saxhorn baixo em si e piano op.47 (Peça para Concurso do Conservatório Nacional Superior de Música de Paris) - Editions Leduc AL 23337 - 1963[1].
  • Claude Pascal – Sonata em seis minutos e trinta para tuba ou saxhorn em si (ou trombone baixo) e piano – Éditions Durand DF 13865 – 1958.

Referências

  1. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  2. Página em francês sobre a história das saxotrompas graves e as tubas [1] Arquivado em 12 de janeiro de 2008, no Wayback Machine.
  3. The History of the Baritone (em inglês)[2]
  4. The History of the Cornet (em inglês)[3]
  5. «Home - Yamaha - Portugal». pt.yamaha.com. 21 de outubro de 2025. Consultado em 22 de novembro de 2025 
  6. «AMATI - Denak / Brass Instruments / Alto Horns». www.amati.cz. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 9 de junho de 2007 
  7. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  8. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  9. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  10. Beecher, Bob. «Variations on the Baritone Horn and Euphonium». home.att.net. Consultado em 22 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 27 de dezembro de 2009 
  11. Hector Berlioz (1948). Treatise On Instrumentation. [S.l.: s.n.] Consultado em 22 de novembro de 2025 
  12. Forsyth, Cecil (1982). Orchestration. Internet Archive. [S.l.]: New York : Dover Publications. Consultado em 22 de novembro de 2025 
  13. Jachino, Carlo, Gli strumenti d'orchestra, Milano, Edizioni Curci, 1978.
  14. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  15. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025 
  16. «Saxhorn». Wikipédia (em francês). 30 de janeiro de 2025. Consultado em 26 de novembro de 2025