Batá

Batá é um tambor coberto com couro nas duas extremidades, sendo um dos lados maior que o outro. O instrumento de percussão é usado principalmente em ritos religiosos ou semirreligiosos da cultura iorubá na Nigéria, bem como por praticantes de Santeria em Cuba, Haiti, Porto Rico, e no Estados Unidos. É relativamente raro nas religiões afro-brasileiras, com a exceção do Tambor de Mina do Maranhão, onde é extensivamente usado.
Tanto na África como no Novo Mundo, o batá é tradicionalmente associado ao orixá Xangô ou a seu equivalente Badé. O tambor Batá na sua versão afro-cubana foi introduzido no Brasil por praticantes brasileiros da Santeria. Existem no Rio de Janeiro dois batás consagrados, "de fundamento".
História
Há muitas diferenças entre os tipos de Batás existentes no mundo. Ocasionalmente, nativos de culturas aonde os batás foram originados, como no caso do iorubá, usado para rituais religiosos e, desde a sua introdução em cuba em 1820, tem se entendido em parte a cultura do povo sudoeste da Nigéria.
Os batás remontam há aproximadamente 500 anos, e se acredita que tenham sido introduzidas pelo rei Xangô. Apesar da longa história anterior, o instrumento não se espalhou até 1800 com o comércio dos escravos africanos, que foram algo em torno de 300 000 que foram para Cuba. Suas religiões e crenças dos iorubás foram levadas com eles e eventualmente se tornou base para o que é conhecido como Santeria (ou Santería de Cuba). Esta religião gerou a criação do primeiro batá sagrado em Cuba por volta de 1830 por um iorubá com o nome de Anhabi.
O Batá foi demoradamente introduzido na cultura cubana dentro de algum tempo, quando começou a ser usada em outras coisas, como em uma gravação em uma radio cubana em 1932 aonde o Batá foi usado para performar musica folclórica. Usos como esses tem sido cada vez mais usados devido ao aumento do conhecimento sobre o instrumento, muitos músicos tem utilizado os Batás em gravações ou em performances ao vivo.
No Tambor de Mina do Maranhão, os batás ou abatás[1] são tambores horizontais feitos de madeira, compensado ou zinco, encourados com pele nas duas extremidades, apoiados sobre um cavalete de madeira, afinados por torniquete e tocados com as mãos. Seus tocadores são chamados de batazeiros ou abatazeiros.
Gênero e sexualidade
Segundo Kenneth George Schweitzer, professor associado do Washington College, qualquer homem heterossexual pode potencialmente ingressar na fraternidade cubana Añá, que possui e toca os tambores consagrados e mantém a tradição.[2] As mulheres, no entanto, são proibidas de tocar o batá em cerimônias religiosas. Katherine Hagedorn, etnomusicóloga norte-americana, explica que existe um forte temor de que os poderes reprodutivos das mulheres, bem como seu sangue menstrual, possam enfraquecer os poderes do tambor.[3] Añá é dito possuir uma energia feminina e, para manter o equilíbrio, homens devem tocar os tambores consagrados.[4] Quando Hagedorn escreveu seu livro seminal sobre o batá, as poucas mulheres que tocavam o tambor eram estrangeiras.[5]
Vicky Jassey explica que crenças religiosas relacionadas à menstruação são centrais para o tabu que restringe mulheres de entrar em contato com os batá consagrados. No entanto, Jassey relata que não encontrou nenhuma razão religiosa clara para que mulheres na menopausa continuem proibidas. A maioria dos percussionistas rituais acredita que tanto as mulheres quanto a divindade Añá que reside no tambor seriam prejudicadas se entrassem em contato. Além disso, homens são obrigados a se abster de relações sexuais com mulheres na noite anterior à cerimônia, pois essa “contaminação” é considerada prejudicial aos tambores consagrados. Homens gays também são proibidos de tocar o tambor, embora a razão não seja clara e igualmente não pareça ter origem religiosa.[6][7]
Recentemente, no entanto, houve um aumento de percussionistas mulheres, incluindo o grupo Obiní Batá. Em outro livro, Hagedorn descreve que muitos líderes religiosos ficaram irritados com a quebra da tradição quando o grupo foi formado no início dos anos 1990.[8] Eva Despaigne, fundadora do grupo, e suas colegas insistem que não pretendem competir com os homens nem desrespeitar a tradição religiosa. Pelo contrário, buscam lembrar o público da importância das mulheres na cultura africana que deu origem à tradição.[9] Elas tocam tambores não consagrados, chamados aberícula, como é costume em apresentações não rituais. O grupo já se apresentou internacionalmente, tanto na Europa quanto na África.[10]
Referências
- ↑ batás
- ↑ Schweitzer, Kenneth George (2013). The artistry of Afro-Cuban batá drumming: aesthetics, transmission, bonding, and creativity. Col: Caribbean studies series. Jackson: University Press of Mississippi. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Hagedorn, Katherine J. (2001). Divine utterances: the performance of Afro-Cuban Santería. Washington: Smithsonian Institution Press. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Calvo, Damian (5 de dezembro de 2017), OBINI BATÁ: Women of the Drums, consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Hagedorn, Katherine J. 2001. Divine Utterances: The Performance of Afro-Cuban Santería. Washington D.C.: Smithsonian Institution Press.
- ↑ Jassey, Vicky. Tambor Reverberations: Gender, Sexuality and Change in Cuban Batá Performance, PhD, 2019. https://orca.cardiff.ac.uk/id/eprint/125012/8/Tambor%20Reverberations_Gender%2C%20Sexuality%20and%20Change%20in%20Cuban%20Bata%CC%81%20Performance_V.Jassey%20.pdf.
- ↑ «The Rise of Female Batá Drummers». Smithsonian Center for Folklife and Cultural Heritage (em inglês). Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Villepastour, Amanda (1 de dezembro de 2015). The Yoruba God of Drumming: Transatlantic Perspectives on the Wood That Talks (em inglês). [S.l.]: Univ. Press of Mississippi. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Robinson, Circles (10 de dezembro de 2009). «Women Playing the Bata Drums?». Havana Times (em inglês). Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ Calvo, Damian (5 de dezembro de 2017), OBINI BATÁ: Women of the Drums, consultado em 20 de novembro de 2025
Bibliografia
- Mason, John (1992) Orin Orisa: Songs for Selected Heads. Brooklyn, NY: Yoruba Theological Archministry
- Amira, John & Cornelius, Steven (Re-Issued 1999) The Music Of Santería: Traditional Rhythms Of The Batá Drums: The Oru Del Igbodu White Cliffs Media
- Ajayi, Omofolabo S. (1998) Yoruba Dance: The Semiotics of Movement and Body Attitude in a Nigerian Culture Trenton, NJ: Africa World Press