Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga

O Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga (FIMCMA) é um evento musical realizado anualmente na cidade brasileira de Juiz de Fora (Minas Gerais).

Dedicado ao estudo e interpretação da música antiga e organizado pela Pró-Reitoria de Cultura e o Centro Cultural Pró-Música da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), é um dos mais importantes e tradicionais eventos do gênero no Brasil.[1][2][3] Em 2018 estava em sua 29ª edição. Sua programação inclui concertos vocais e instrumentais, inclusive óperas, choro e canção popular integrados ao repertório de música antiga, sempre gratuitos, além de oficinas de estudo, master classes, cursos, palestras, exposições, lançamento de publicações e gravações, e regularmente conta com seminários e congressos paralelos de musicologia.[2][3][4] O Encontro de Musicologia Histórica ocorre a cada dois anos, apresentando pesquisas sobre o tema proposto para a edição daquele ano.[4][5]

O festival conta com a participação de professores, intérpretes e conjuntos estrangeiros e de várias partes do país, e oferece instrução para centenas de alunos.[1][3][6] A partir de 2000 a Orquestra Barroca, formada por professores, passou a ser regida pelo maestro e violinista Luís Otávio Santos, educado na Holanda e lá distinguido com o prestigioso prêmio Diapason d'Or por sua gravação de sonatas de Jean-Marie Leclair. Sob sua direção a orquestra elevou o nível técnico das apresentações e tem realizado muitas gravações, elogiadas pela sua qualidade e pela sua importância como documentos.[1][3][7][8]

O festival contribuiu para uma renovação no campo da música antiga no Brasil, introduzindo conceitos de interpretação histórica e formando um novo público. O festival foi tombado como Patrimônio Cultural Imaterial da cidade de Juiz de Fora por meio do decreto municipal nº 9793/2009.[3][9][10]

Histórico das Edições

A 27ª edição do festival ocorreu em julho de 2016 marcada pelo grande sucesso de público e pela diversidade de atividades formativas e artísticas. Cerca de 7.000 pessoas participaram das atividades, incluindo estudantes, músicos e ouvintes, enquanto os concertos realizados em espaços como o Cine-Theatro Central e a Capela do Museu Mariano Procópio. As oficinas especializadas, especialmente de instrumentos históricos, como cordas dedilhadas, teve mais de 200 inscritos. O evento contou com apresentações da Orquestra Barroca do Festival, regida por Luís Otávio Santos, e de grupos convidados de várias partes do país. Além dos concertos, houve palestras, masterclasses e exposições dedicadas à preservação e interpretação histórica da música colonial.[11]

Em julho de 2019 foi realizada a 30ª edição do Festival com uma programação especial em comemoração às três décadas de existência do evento. A programação incluiu concertos, cursos e oficinas em vários espaços culturais de Juiz de Fora, destacando-se o Cine-Theatro Central como palco principal das apresentações. O concerto de encerramento foi protagonizado pelo Conjunto de Música Antiga da Universidade de São Paulo (USP), que realizou a estreia latino-americana de obras de Haydn, Mozart e Beethoven executadas com instrumentos de época. O evento também contou com a Orquestra Barroca do Festival, grupos vocais convidados e alunos participantes das oficinas.[12]

A 31ª edição, que ocorreu em 2020, foi realizada de forma virtual devido à pandemia de COVID-19, como alternativa para manter a continuidade do festival. Foram gravados concertos nacionais e internacionais e transmitidos online pelo canal oficial da UFJF no YouTube. A programação incluiu dez concertos gravados, com participação de diversos artistas, como o quarteto de cravo, oboé barroco, violino formado por arquitetos musicais da Holanda, viola da gamba, o organista italiano Giulio Mercati, o duo de teorba e flauta doce como Giulio Quirici e Isabel Favilla, o duo de cravo e canto com Marco Brescia e Rosana Orsini, o duo de flautas doces como Cesar Villavicencio e Paula Callegari (Uberlândia), o trio chileno de teorba, viola da gamba e oboé bar­roco. Uma parceria foi firmada com o Festival Internacional de Órgão de Vila Nova de Famalicão e Santo Tirso (FIO), de Portugal, para ceder gravações de concertos realizados em igrejas portuguesas com órgãos de tubos históricos.[13]

A 34ª edição, em 2023, teve programação especial que se estendeu para além de julho, com concertos até agosto, com entrada gratuita para o público. A abertura oficial do evento ocorreu no Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) com o tema “Nacionalismo em Música”, reunindo a soprano Rosana Orsini (Brasil/Itália) e o violonista espanhol José Manuel Dapena, num repertório que incluiu obras dos compositores Manuel de Falla, Enrique Granados e Heitor Villa‑Lobos.[14] O evento incluiu concertos noturnos em diversos espaços de Juiz de Fora, tais como o Cine‑Theatro Central, o Teatro Paschoal Carlos Magno, a Capela da Academia do Comércio e a Igreja do Rosário. A edição incorporou também oficinas e masterclasses voltadas à formação musical de ópera, piano, violão, canto lírico, violino barroco e cravo com participação da professora Margareth Darezzo, José Manuel Dapena, Marco Brescia, Rosana Orsini, Roberto Santamarina e Bruno Procópio, realizadas no campus e espaços da UFJF. Uma das atrações-chave dessa edição foi a montagem da ópera “A Noite de São João”, considerada a primeira ópera brasileira, com coprodução com o Conservatório de Tatuí (São Paulo). Nessa edição, o festival reforçou um tema de valorização da música brasileira e latino-americana, dentro do contexto do bicentenário da Independência do Brasil (1822-2022).[15][16]

Em novembro de 2024 foi realizada a 35ª edição do festival, com abertura solene no Cine-Theatro Central, em Juiz de Fora (MG). O destaque da edição foi a encenação da ópera “Uma Noite no Castelo” (1861), composta por Henrique Alves de Mesquita (1830–1906), uma das primeiras óperas românticas brasileiras, baseada em poema de Antônio de Castro Alves. A montagem foi realizada pela Orquestra Barroca do Festival, sob a regência do maestro Luís Otávio Santos, com direção cênica de Rubens Ricciardi, reafirmando o caráter de resgate histórico e valorização da música nacional do evento. Além da ópera, o festival contou com mais de 30 concertos gratuitos, oficinas de música antiga, masterclasses e o Encontro de Musicologia Histórica, que reuniu pesquisadores brasileiros e estrangeiros para discutir novas abordagens interpretativas da música colonial luso-brasileira. As apresentações ocorreram em diferentes espaços culturais da cidade, como o Museu Mariano Procópio, a Casa de Cultura da UFJF, o Museu de Arte Murilo Mendes (MAMM) e o Theatro Central. O evento reuniu cerca de 400 músicos, professores e estudantes, incluindo convidados internacionais da França, Portugal, Itália e Alemanha, consolidando-se como um dos maiores festivais de música antiga da América Latina. A programação também incluiu concertos didáticos abertos ao público escolar e oficinas de iniciação musical para jovens da rede pública, reforçando o compromisso do festival com a formação de novos públicos e a difusão cultural. A Pro-Reitoria de Cultura da UFJF (PROCULT) e o Centro Cultural Pró-Música coordenaram a edição, em parceria com o SESC Minas e o Instituto João Guedes, com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet). O festival manteve sua tradição de unir pesquisa acadêmica, prática artística e difusão do patrimônio musical brasileiro e ibérico, celebrando o legado de mais de três décadas dedicadas à preservação e renovação da música colonial e antiga.[17]

Ver também

Referências

  1. a b c "Mostra em MG recebe música antiga e colonial". Folha de S.Paulo, 16/07/2005
  2. a b "23º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga". Agência FAPESP, 15-29/07/2012
  3. a b c d e Cruz, Luiz. "Pró-Música de Juiz de Fora". Gazeta de São João del-Rei, 26/05/2012
  4. a b Ribeiro, Douglas. "Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga começa neste domingo". Diário Regional, 10/07/2018
  5. «Diversidade musical marca 29ª edição do Festival de Música colonial e Antiga». Notícias UFJF. 31 de julho de 2018. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  6. "Juiz de Fora sedia festival com 30 concertos gratuitos". Portal do Governo do Brasil, 25/07/2014
  7. "Orquestra Barroca revisita Beethoven em novo CD". Tribuna de Minas, 11/12/2014
  8. Natali, João Batista. "De volta ao Brasil, regente Luís Otávio Santos cria Orquestra Barroca". Folha de S.Paulo, 31/01/2012
  9. Lima, Helô. "21° Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga". Jornal GGN, 05/07/2010
  10. «Juiz de Fora – Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga | ipatrimônio». Consultado em 26 de outubro de 2025 
  11. «27º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga registra sucesso de público». Notícias UFJF. 1 de agosto de 2016. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  12. «Conjunto de Música Antiga da USP encerra Festival com estreia latino-americana de repertório histórico – Cine-Theatro Central». theatrocentral.com.br. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  13. «Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga tem edição virtual». Notícias UFJF. 12 de novembro de 2020. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  14. «Mamm sedia abertura do 34º Festival Internacional de Música Colonial Brasileira e Música Antiga». Notícias UFJF. 21 de julho de 2023. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  15. «34º Festival de Música Colonial Brasileira e Música Antiga tem programação especial com concertos até agosto». Pró-Reitoria de Cultura. 10 de julho de 2023. Consultado em 26 de outubro de 2025 
  16. https://www2.ufjf.br/procult/wp-content/uploads/sites/159/2023/07/PROGRAMA%C3%87%C3%83O-COMPLETA-34%C2%BA-FESTIVAL.pdf
  17. «Pró-Reitoria de Cultura - Site Institucional da Universidade Federal de Juiz de Fora». Pró-Reitoria de Cultura. Consultado em 26 de outubro de 2025