Pamplona (futebolista)

Pamplona

Retrato de Pamplona em 1930, com camisa
com brasão do antigo Botafogo Football Club
Informações pessoais
Nome completo Estanislau de Figueiredo Pamplona
Data de nascimento 24 de março de 1904
Local de nascimento Soure, Pará, Brasil
Nacionalidade brasileiro
Data da morte 13 de dezembro de 1973 (69 anos)
Local da morte Rio de Janeiro, Guanabara, Brasil
Informações profissionais
Posição Volante[1]
Clubes de juventude
Remo[2]
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1921–1923
1923
1924–1935
Remo
Fluminense
Botafogo

00001 0000(0)
Seleção nacional
1925–1930 Brasil 00003 0000(0)[1][3]

Estanislau de Figueiredo Pamplona, ou simplesmente Pamplona, (Soure,[4] 24 de março de 1904Rio de Janeiro, 13 de dezembro de 1973), foi um futebolista brasileiro que atuou como lateral-direito.[5]

Carreira

Remo

Nasceu na Ilha do Marajó, como filho caboclo de Anacleto da Silva Pamplona e de Alzira Figueiredo Pamplona, casal de pecuaristas.[4]

Estudando na na capital Belém, conciliou nela a formação no Colégio Marista Nossa Senhora de Nazaré com prática de futebol no Clube do Remo,[4] participando a partir de 1921 dos clássicos Re-Pa.[6] Embora o rival Paysandu conseguisse um tetracampeonato seguido entre 1920 e 1923 no campeonato paraense,[7] Pamplona pôde marcar dois gols em vitória de 5-1 em clássico travado em 15 de outubro de 1922 válido pelo estadual daquele ano.[8] Esse dérbi foi histórico também por render o que à altura do século XXI segue sendo o gol mais rápido da história da rivalidade, marcado antes do primeiro minuto por Santana;[9] curiosamente, este veio a ser outro paraense a defender a Seleção Brasileira.[5][10]

Quando o Remo voltou a ser campeão paraense, em 1924, Pamplona já não estava presente;[5][11] havia se mudado ao Rio de Janeiro para graduar-se na Escola Militar do Realengo, ainda passando uma temporada em Londres antes de, regressado ao Rio,[4] defender inicialmente o Fluminense.[12] Contudo, jogou somente uma vez pelo Tricolor, em amistoso com o Juiz de Fora vencido por 4-1 em 1º de novembro de 1923.[13]

Os jogos pela Seleção

Foi em 1925 que ele, já no Botafogo, começou a destacar-se:[4] terminou o ano convocado à Copa América de 1925. Fez naquele ano suas três partidas pela Seleção Brasileira: na vitória de 2-1 sobre o Paraguai em 17 de dezembro e no empate em 2-2 com a Argentina em 25 de dezembro, pelo torneio; e em empate em 2-2 em amistoso não-oficial contra o clube Newell's Old Boys, em 20 de dezembro.[14] Curiosamente, naquelas partidas atuou ao lado de Nilo,[15][16][17] também paraense.[18][19][20][21][22][23][24][25][26]

No jogo ocorrido em pleno natal de 1925, no estádio que o Boca Juniors possuía antes de erguer La Bombonera, o Brasil abriu 2-0 no placar, resultado que forçaria um jogo-extra com a anfitriã Argentina. Ela, porém, conseguiu empatar,[27] em jogo marcado por discussões que com o tempo ganharam narrativas crescentemente exageradas como "Guerra do Barracas", em dissonância com registros da própria época.[28] Ainda assim, Pamplona foi apontado como um dos personagens mais exaltados nos episódios de rispidez efetivamente ocorridos na partida, juntamente a Arthur Friedenreich e Hélcio pelos brasileiros e Ramón Muttis e Antonio Cerrotti pelos argentinos.[29]

Botafogo e Copa de 1930

Apesar de Pamplona não chegar a ser campeão na década de 1920 com o Botafogo, fez-se presente em resultados expressivos do clube, a exemplo de sua maior vitória no clássico com o Flamengo, o 9-2 (com quatro gols do mesmo conterrâneo Nilo) pelo certame carioca de 1927 - triunfo que serviu também de revanche exatamente à maior goleada do Flamengo nesse duelo, o 8-1 precisamente no encontro anterior entre ambos.[30][5] Seu primeiro título carioca deu-se no campeonato de 1930,[4] ano em que também foi convocado à primeira Copa do Mundo FIFA,[5] tal como Nilo. A convocação tinha ainda Ivan Mariz,[31] também paraense.[5]

Pelo Brasil como segundo jogador em pé na Copa América de 1925. O penúltimo agachado, Nilo, era também nativo do Pará e iria com Pamplona à Copa do Mundo FIFA de 1930.

Pamplona não chegara a estar inicialmente imaginado para a Copa, ausente da lista de jogadores que realizaram treinos prévios entre 14 e 28 de maio. Em junho, a Confederação Brasileira de Desportos oficiou o que parecia ser a convocação final, com quinze jogadores de clubes paulistas e oito de times cariocas - sem que Pamplona e Ivan figurassem entre esses oito, somente Nilo.[32] Contudo, desdobramentos entre dirigentes de ambos os lados levariam a CBD a enviar ao Uruguai uma seleção somente com jogadores do Rio.[31] Pamplona, de fato, acabaria não entrando em campo no Mundial,[12] assim como Ivan, o segundo mais novo da delegação,[33] só estrearia pela seleção em 1931.[34] Ainda assim, tornou-se junto a ele e a Nilo o primeiro paraense convocado à competição,[4] havendo ainda críticas na imprensa pela não-convocação de outro, o vascaíno Santana,[33] ex-colega de Pamplona no Remo.[9]

Uma contusão impediu que Pamplona tomasse parte da temporada de 1932 do Botafogo,[4] mas pôde regressar e integrar o título carioca de 1933 e o de 1934.[5] Nessa campanha, contudo, figurou em somente uma partida, com Long estabelecido como novo titular na posição de lateral.[4]

Estabelecido no Rio de Janeiro, faleceu nessa cidade em 1973.[4]

Títulos

Botafogo

Referências

  1. a b «Pamplona... Ex-volante do Botafogo». Terceiro Tempo. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  2. «Pamplona». Estatísticas em Sambafoot. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  3. a b «Todos os brasileiros 1930». Folha de S. Paulo. 9 de dezembro de 2015. Consultado em 15 de setembro de 2018 
  4. a b c d e f g h i j DA COSTA, Ferreira (2013). Pamplona - Caboclo do Marajó jogou até na Seleção Brasileira. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 230-232
  5. a b c d e f g BRANDÃO, Caio (12 de janeiro de 2016). «Nos 400 anos de Belém, um timaço só com grandes jogadores paraenses que serviram a Seleção». Trivela. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  6. DA COSTA, Ferreira (2015). 1921. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 18-19
  7. DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233
  8. DA COSTA, Ferreira (2013). 1922 - Paysandu aplica goleada recorde e festeja o Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 33-34
  9. a b DA COSTA, Ferreira (2015). 1922. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 19-21
  10. DA COSTA, Ferreira (2013). Santana - Craque foi campeão pela Seleção do Rio. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 274-276
  11. DA COSTA, Ferreira (2013). 1924 - Fácil, fácil para o Remo conquistar o 8º título. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 37-38
  12. a b «O "onze" do Botafogo, campeão de 1930». A Noite. 22 de dezembro de 1930. Consultado em 25 de março de 2025 
  13. «Pamplona 1923». Fluzão. Consultado em 25 de dezembro de 2025 
  14. «PAMPLONA». Placar n. 1094, p. 96. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  15. «JOGO 45 - BRASIL 3 X PARAGUAI 1». Placar n. 1094, p. 9. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  16. «JOGO 46 - BRASIL 2 X NEWELL'S OLD BOYS 2». Placar n. 1094, p. 9. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  17. «NILO». Placar n. 1094, p. 94. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  18. «NILO É PARAENSE». Jornal dos Sports. 19 de setembro de 1931. Consultado em 26 de março de 2025 
  19. «APELIDOS (2)». Manchete Esportiva n. 89, p. 38. 3 de agosto de 1957. Consultado em 31 de janeiro de 2025 
  20. «UM LIVRO ESTUPENDO». Gazeta. 22 de agosto de 1925. Consultado em 25 de março de 2025 
  21. «Um gesto cativante de Nilo Murtinho Braga». Diario de Noticias. 14 de junho de 1931. Consultado em 25 de março de 2025 
  22. «EXPLICAÇÃO». Jornal do Commercio. 15 de abril de 1973. Consultado em 25 de março de 2025 
  23. «EM TODA A ÁREA DO BRASIL». O Governador. 17 de fevereiro de 1955. Consultado em 25 de março de 2025 
  24. DA SILVA, Geraldo Romualdo (6 de novembro de 1974). «NO PRINCÍPIO ERAM SÓ AS ONZE CAMISAS». Jornal dos Sports. Consultado em 25 de março de 2025 
  25. «De Mimi Sodré a Sócrates». Jornal dos Sports. 27 de junho de 1979. Consultado em 25 de março de 2025 
  26. «BELEM, 13». Jornal dos Sports. 14 de junho de 1931. Consultado em 26 de março de 2025 
  27. «Argentina y una feliz navidad en 1925: el día que ganó su segunda Copa América». El Gráfico. 25 de dezembro de 2024. Consultado em 25 de dezembro de 2025 
  28. «90 anos de um tumultuado Brasil-Argentina na Copa América». Futebol Portenho. 25 de dezembro de 2015. Consultado em 25 de dezembro de 2025 
  29. AIRA, Carlos (2015). SUDAMERICANO 1925: UN FRÍO FESTEJO. Héroes de Tiento. Buenos Aires: Fabro, pp. 282-285
  30. 6 pra lá, 6 pra cá (maio de 2005). Placar Especial 35 Anos - Coleção de Aniversário n. 2, "Os Grandes Clássicos". Editora Abril, pp. 26-31
  31. a b LYNCH, Júlio (28 de maio de 1986). «1930 - Briga entre cariocas e paulistas abala a seleção». Diário do Pará. Consultado em 25 de março de 2025 
  32. GEHRINGER, Max (set. 2005). CARIOCAS VERSUS PAULISTAS. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, pp. 16-22
  33. a b GEHRINGER, Max (set. 2005). O "team" de 1930. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 33
  34. «IVAN MARIZ». Placar n. 1094, p. 86. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 

Ligações externas