Santana (futebolista)

Santana
Santana
Santana retratado em 1929
Informações pessoais
Nome completo Sebastião Rodrigues Sant'Anna
Data de nascimento 5 de junho de 1906
Local de nascimento Belém, Brasil
Data da morte 1 de outubro de 1971 (65 anos)
Local da morte Belém, Brasil
Informações profissionais
Posição Ponta-esquerda
Clubes profissionais
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1922-1927
1928-1933
1933
Remo
Vasco da Gama
Flamengo

149 (61)[1]

Sebastião Rodrigues Sant'Anna, mais conhecido como Santana (Belém, 5 de junho [2] de 1906 [3] – Belém, 1 de outubro de 1971),[4] foi um futebolista brasileiro que jogava como ponta-esquerda.[3]

Destacou-se sobretudo pelo Remo e pelo Vasco da Gama, os quais defendeu na década de 1920.[3] No Remo, foi autor do gol mais rápido da história dos Re-Pa, abrindo antes do primeiro minuto de jogo vitória de 5-1 em clássico travado em 1922 válido pelo campeonato paraense daquele ano;[5] no Vasco, terminou considerado como o primeiro brasileiro a marcar um gol olímpico.[6][7]

Santana também realizou uma partida pela Seleção Brasileira, em 1930,[8] sendo um dos raros paraenses a defendê-la.[9]

Carreira

Remo e seleção paraense

Começou a jogar futebol em 1921, ainda em partidas escolares pelo Colégio Nossa Senhora do Carmo, onde estudava na sua cidade-natal de Belém.[3]

Aos 17 anos de idade, passou a pratica-lo no Clube do Remo, inicialmente na equipe B, pelo qual disputou duas partidas antes de logo ser promovido ao time principal.[3] Seus primeiros registros no clássico Re-Pa datam de 1922; o primeiro em que esteve ocorreu em 16 de agosto de 1922 pela "Taça Sacadura Cabral", programada em homenagem aos aviadores portugueses Sacadura Cabral e Gago Coutinho, que naquele ano realizaram a primeira travessia aérea do Atlântico Sul.[5]

Aquele clássico terminou sem gols e o seguinte, válido pelo estadual, ocorreu em 15 de outubro. Nele, Santana abriu o placar antes do primeiro minuto, recorde que perdura até o século XXI na história do clássico.[5] O Remo venceu por 5-1, com Pamplona, outro paraense que defenderia a Seleção Brasileira,[10] marcando outros dois dos gols remistas.[11]

Embora o rival seguisse sendo o campeão estadual seguidamente entre 1920 e 1923,[12] Santana passou a ser convocado em 1923 pela Seleção Paraense, mesmo ainda sendo adolescente - sendo precisamente o mais jovem dela a integrar o elenco convocado ao Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais daquele ano.[3] Nesse certame, marcou em 23 de setembro de 1923 o segundo gol de vitória dentro do Recife sobre a Seleção Pernambucana.[13]

Em 1924, Santana mudou-se provisoriamente com a família ao Acre, ausentando-se da campanha azulina campeã paraense daquele ano.[3] Regressado em 1925, tomou parte de novo título estadual do Remo - das dez partidas, esteve em oito, marcando nove gols, que incluíram hat trick em 8-1 sobre a equipe do Brasil Sport.[14] Em 1925, também esteve com o Pará em novo Brasileiro de Seleções,[13] em campanha semifinalista, encerrada somente diante da Seleção Paulista de Friedenreich.[15]

No regresso da competição, em amistoso contra o Vasco da Gama, marcou o gol da vitória paraense por 3-2 no estádio de General Severiano.[15] Em 1926, Santana foi novamente campeão paraense com o Remo; dois oito jogos, esteve em cinco, contribuindo com quatro gols,[16] inclusive em Re-Pa (em derrota de 2-1).[17] Pela Seleção Paraense, novamente destacou-se no Brasileiro: o Pará foi terceiro colocado, com Santana tendo marcado na campanha duas vezes em um 5-1 no Maranhão e três no 7-0 no Amazonas.[15]

O Paysandu voltou a ser campeão estadual em 1927,[12] mas Santana seguiu presente na Seleção Paraense novamente "campeã" do Norte no Brasileiro de Seleções, o que incluiu gol em 12-2 sobre Alagoas,[15] em 16 de outubro, no estádio de São Januário.[13] Acabou sendo requisitado pelo Vasco da Gama para 1928.[3]

Vasco da Gama e Flamengo

Vasco da Gama que venceu o Campeonato Carioca de 1929. Santana é o último agachado.

Santana entrou rapidamente para a história do Vasco da Gama.[3] Em 31 de março de 1928, marcou o único gol do duelo noturno que se fez no Brasil, no amistoso de inauguração dos refletores do estádio de São Januário.[7] A ocasião, contra o Montevideo Wanderers, também foi histórica pelo tento ter sido o primeiro gol olímpico do futebol brasileiro, inclusive difundindo-se entre os vascaínos que a própria expressão "gol olímpico" teria surgido a partir dali e não do lance pioneiro ocorrido ainda em 1924 entre as seleções da Argentina e do Uruguai.[6] A respeito do lance, Santana declararia em 1929 que aquela foi sua maior emoção esportiva.[3]

Destacando-se desde o início com os cruzmatinos,[3] Santana logo estreou ainda em 1928 pela Seleção Carioca.[15] Com ela, venceu o Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais, tornando-se assim um dos primeiros paraenses a ser campeão nacional de futebol.[3] Curiosamente, ali jogou ao lado de Nilo Murtinho Braga,[18] também paraense,[19][20][21][22][23][24][25][26][27] cujo irmão Frederico "Fred" Murtinho havia sido colega de Santana no Remo.[28] Santana tornou-se ali o primeiro egresso do futebol paraense a ser campeão nacional,[3] visto que Nilo já se desempenhava no futebol carioca desde torneios infantis.[29]

O título carioca com o Vasco veio em 1929,[3] com Santana integrando um ataque capaz de fazer 60 gols em 23 jogos.[30] Nos anos seguintes, Santana deixou gols nas maiores goleadas do clube nos clássicos com o Fluminense e clássicos com o Flamengo, respectivamente o 6-0 em dezembro de 1930 e o 7-0 em março de 1931.[15] Em 1933, passaria brevemente pelo próprio Flamengo, disputando três partidas do estadual da AMEA e um amistoso. Nas quatro partidas, ocorridas entre março e abril, somou sete gols.[2]

Após parar de jogar, Santana voltou a Belém.[3] Em 1953, o Vasco visitou a cidade como convidado às festividades dos 50 anos da Tuna Luso, aproveitando a ocasião para prestar homenagem solene a Santana.[31][15] Ele faleceu nove anos depois, sendo sepultado em um dos cemitérios da Ilha de Mosqueiro.[3]

Seleção

Seleção Brasileira em 1930 com Santana, o último em pé. O quarto em pé, curiosamente, também era paraense - Nilo Murtinho Braga.

Santana disputou uma partida pelo Brasil, em 10 de agosto de 1930,[8] já após a Copa do Mundo daquele ano. Foi em amistoso ocorrido no estádio das Laranjeiras contra a Iugoslávia. Entrou em campo no decorrer da vitória brasileira de 4-1, substituindo Teóphilo.[32]

Sua ausência do Mundial, bem como de outros componentes do ataque do Vasco da Gama recém-campeão (em 24 de novembro) do campeonato carioca de 1929, chegou a ser questionada,[30] especialmente pelo fato de desentendimentos entre a Confederação Brasileira de Desportos (comandada por cariocas) e a Associação Paulista de Esportes Atléticos (que desejava ver-se representada no comando técnico da Seleção) se desdobrar na convocação somente de futebolistas inscritos de equipes da cidade do Rio de Janeiro ou estado de mesmo nome.[33]

Ainda assim, houve preferência à convocação de jogadores de Botafogo e Fluminense, supostamente melhor tratados por atuarem em clubes vistos como "aristocráticos".[34] Destes dois clubes haviam inclusive três nativos do Pará: além de Nilo Murtinho, o também botafoguense Pamplona,[35] bem como Ivan Mariz,[33] tricolor,[36] embora este só viesse a jogar em 1932.[9]

Do ataque vascaíno campeão em 1929 com 60 gols em 23 jogos, somente Russinho terminou convocado ao Mundial, e ainda assim foi subutilizado no torneio; isso fez com que até mesmo a imprensa paulista, cuja tendência foi de torcer implícita ou abertamente contra o Brasil, concluir de antemão que "o selecionado da CBD não representava nem o máximo do valor do futebol carioca" - em texto assinado por Thomaz Mazzoni.[30] Quando enfim jogou pelo Brasil, Santana pôde atuar ao lado de Nilo.[32]

Títulos

Remo
Vasco da Gama[37]
Seleção Paraense
Seleção Carioca

Campeonato Brasileiro de Seleções Estaduais: 1928

Referências

  1. «124 anos do nascimento de Sebastião Sant'anna; atacante fez 149 jogos». http://m.supervasco.com. Consultado em 6 de julho de 2025 
  2. a b «SANTANA». FlaEstatística. Consultado em 24 de março de 2025 
  3. a b c d e f g h i j k l m n o p DA COSTA, Ferreira (2013). Santana - Craque foi campeão pela Seleção do Rio. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 274-276
  4. «Há 124 anos nascia Sant'anna, campeão carioca de 1929 pelo Vasco». http://NetVasco.com. Consultado em 6 de julho de 2025 
  5. a b c DA COSTA, Ferreira (2015). 1922. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 19-21
  6. a b REIS, Rafael (27 de julho de 2021). «Gol olímpico nasceu como provocação a rival... e não foi nas Olimpíadas...». UOL. Consultado em 24 de março de 2025 
  7. a b «São Januário completa 93 anos: dez curiosidades e motivos para o Vasco se orgulhar do estádio». Globo Esporte. 21 de abril de 2020. Consultado em 24 de março de 2025 
  8. a b «SANT'ANNA». Placar n. 1094, p. 101. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  9. a b BRANDÃO, Caio (12 de janeiro de 2016). «Nos 400 anos de Belém, um timaço só com grandes jogadores paraenses que serviram a Seleção». Trivela. Consultado em 24 de março de 2025 
  10. DA COSTA, Ferreira (2013). Pamplona - Caboclo do Marajó jogou até na Seleção Brasileira. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 230-232
  11. DA COSTA, Ferreira (2013). 1922 - Paysandu aplica goleada recorde e festeja o Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 33-34
  12. a b DA COSTA, Ferreira (2015). Campeonato Paraense de Futebol 1908-2015. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 227-233
  13. a b c DA COSTA, Ferreira (2013). A seleção do Pará através dos tempos. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 306-331
  14. DA COSTA, Ferreira (2013). 1925 - Só o volante União "beliscou" o Remo na campanha do Bi. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 39-40
  15. a b c d e f g Convidado (8 de maio de 2020). «Há 30 anos, a Bulgária de Stoichkov visitava o Mangueirão sem vencer a seleção paraense». Trivela. Consultado em 5 de fevereiro de 2025 
  16. DA COSTA, Ferreira (2013). 1926 - Remo, sem muito trabalho, levanta o Tricampeonato. Parazão Centenário. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 41-42
  17. DA COSTA, Ferreira (2015). 1926. Remo x Paysandu - Uma "Guerra" Centenária. Belém: Valmik Câmara, pp. 19-21
  18. «O "onze" do Botafogo, campeão de 1930». A Noite. 22 de dezembro de 1930. Consultado em 25 de março de 2025 
  19. «NILO É PARAENSE». Jornal dos Sports. 19 de setembro de 1931. Consultado em 26 de março de 2025 
  20. «APELIDOS (2)». Manchete Esportiva n. 89, p. 38. 3 de agosto de 1957. Consultado em 31 de janeiro de 2025 
  21. «UM LIVRO ESTUPENDO». Gazeta. 22 de agosto de 1925. Consultado em 25 de março de 2025 
  22. «Um gesto cativante de Nilo Murtinho Braga». Diario de Noticias. 14 de junho de 1931. Consultado em 25 de março de 2025 
  23. «EXPLICAÇÃO». Jornal do Commercio. 15 de abril de 1973. Consultado em 25 de março de 2025 
  24. «EM TODA A ÁREA DO BRASIL». O Governador. 17 de fevereiro de 1955. Consultado em 25 de março de 2025 
  25. DA SILVA, Geraldo Romualdo (6 de novembro de 1974). «NO PRINCÍPIO ERAM SÓ AS ONZE CAMISAS». Jornal dos Sports. Consultado em 25 de março de 2025 
  26. «De Mimi Sodré a Sócrates». Jornal dos Sports. 27 de junho de 1979. Consultado em 25 de março de 2025 
  27. «BELEM, 13». Jornal dos Sports. 14 de junho de 1931. Consultado em 26 de março de 2025 
  28. «O football no Pará». Gazeta de Notícias. 4 de janeiro de 1927. Consultado em 26 de março de 2025 
  29. «APELIDOS (2)». Manchete Esportiva n. 89, p. 38. 3 de agosto de 1957. Consultado em 31 de janeiro de 2025 
  30. a b c GEHRINGER, Max (set. 2005). CARIOCAS VERSUS PAULISTAS. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, pp. 16-22
  31. DA COSTA, Ferreira (2013). A REINAUGURAÇÃO DO ESTÁDIO. Memorial Cruzmaltino. Belém: ArtGráfica, pp. 56-63
  32. a b «JOGO 33 - BRASIL 4 X IUGOSLÁVIA 1». Placar n. 1094, p. 9. Maio de 1994. Consultado em 26 de janeiro de 2025 
  33. a b LYNCH, Júlio (28 de maio de 1986). «1930 - Briga entre cariocas e paulistas abala a seleção». Diário do Pará. Consultado em 25 de março de 2025 
  34. GEHRINGER, Max (set. 2005). Panelinha ou discriminação?. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 36
  35. DA COSTA, Ferreira (2013). Pamplona - Caboclo do Marajó jogou até na Seleção Brasileira. Gigantes do futebol paraense. Teresina: Halley S.A. Gráfica e Editora, pp. 230-232
  36. GEHRINGER, Max (set. 2005). O "team" de 1930. Placar Especial "A Saga da Jules Rimet fascículo 1 - 1930 Uruguai". São Paulo: Editora Abril, p. 33
  37. «Celebra-se hoje o aniversário de 124 anos de Sant'anna, campeão carioca de 1929 pelo Vasco.». http://www.meuvasco.com.br. Consultado em 6 de julho de 2025