Escândalo!
| Escândalo! | ||||
|---|---|---|---|---|
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| Álbum de estúdio de Angela Ro Ro | ||||
| Lançamento | 1981 | |||
| Gênero(s) | MPB | |||
| Duração | 40:27 | |||
| Idioma(s) | Português | |||
| Gravadora(s) | PolyGram | |||
| Produção | Antonio Adolfo | |||
| Cronologia de Angela Ro Ro | ||||
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Escândalo! é o terceiro álbum de estúdio da cantora e compositora brasileira Angela Ro Ro , lançado em 1981 pela PolyGram, dentro do selo Polydor Records. A obra surgiu em um período em que a artista recebia intensa atenção da imprensa, especialmente em razão do relacionamento com a cantora Zizi Possi, iniciado em 1980. Na época, revistas e jornais noticiaram o término da convivência das duas no apartamento que dividiam no edifício Tambá e relataram o episódio que se transformou em um escândalo midiático.
O álbum apresenta onze faixas que articulam referências do rhythm and blues, rock, jazz e samba-canção, refletindo a linguagem musical que Ro Ro consolidava no início da década de 1980. A faixa-título, composta por Caetano Veloso, ocupa posição central dentro da proposta estética do disco. A capa e o encarte adotam visual inspirado em manchetes jornalísticas, e a artista incluiu no encarte uma carta à imprensa na qual discute a separação entre vida pessoal e obra, mencionando que o contexto de ampla exposição midiática influenciou a concepção do projeto.
A recepção crítica destacou elementos formais da obra, como arranjos, repertório e coerência estética, com avaliações publicadas em jornais como o Diario de Pernambuco e Diário da Manhã. No desempenho comercial, de acordo com o Jornal do Brasil, os álbuns de Angela Ro Ro lançados até 1983 — incluindo Escândalo! — alcançaram no mínimo cerca de 20 mil cópias cada no mercado brasileiro.
Antecedentes e contexto
Angela Ro Ro e Zizi Possi, iniciaram um relacionamento amoroso em 1980, que foi marcado por conflitos noticiados pela imprensa ao longo de 1981.[1] Revistas como Manchete e O Cruzeiro noticiaram o término da convivência das duas no apartamento que dividiam no edifício Tambá e relataram o episódio em que, ao retornar ao local para buscar pertences, Ro Ro e Possi acabaram conduzidas à delegacia após a chamada da polícia.[1]
Publicações da época descreveram diferentes versões para o incidente, mencionando suposta agressão, arrombamento e embriaguez — elementos contestados por Ro Ro, que alegou possuir chave do apartamento, negou estar alcoolizada e afirmou que o exame de corpo de delito de Possi não indicara lesões.[1]
Detalhes do álbum
Escândalo! constitui o terceiro álbum de estúdio da cantora e apresenta um repertório de onze faixas que combina elementos de rhythm and blues, rock, jazz e samba-canção.[2] Essa articulação de referências musicais aparece integrada à identidade autoral da cantora, que já explorava a fusão entre gêneros brasileiros e internacionais em seus trabalhos anteriores.[2] A presença do samba-canção, em especial, funciona como eixo estruturante na forma de interpretação e na construção melódica do disco.[2] A faixa-título, composta por Caetano Veloso especialmente para o projeto, insere-se como peça central dentro do conjunto e dialoga com o conceito proposto para o álbum.[3]
A capa de Escândalo! foi concebida com diagramação que simula uma manchete de jornal, enquanto o encarte mantém essa proposta, reforçando o diálogo entre o objeto musical e o universo da cobertura pública que cercava a artista.[2] Dentro do encarte, Ro Ro inclui uma carta redigida no formato de release, destinada à imprensa, na qual discute a separação entre sua atuação artística e aspectos de sua vida pessoal.[2] O texto destaca expressões como "E isto é Música”", sublinhadas em maior evidência gráfica, e registra que as circunstâncias de exposição pública influenciaram a elaboração do álbum.[2]
Em 1984, a faixa "Tão Beata, Tão à Toa" ganhou uma regravação no estilo rock, da cantora brasileira Marina Lima, que serviu como abertura da telenovela Corpo a Corpo, da TV Globo, de 1984.[4] Em 2002, a Universal Music relançou o álbum em uma versão remasterizada em compact disc (CD), na série intitulada Tudo, que incluía os seis primeiros álbuns que a cantora lançou na PolyGram.[5]
Recepção crítica
Sérgio Nona, do Diario de Pernambuco, considerou que a artista se expõe de forma crua e consciente, rejeitando preocupações comerciais ou com listas de sucesso.[6] Nona destacou que Ro Ro assume o controle narrativo sobre sua própria criação, apresentando-se como "a mulher criadora" em estado de graça poética, e elogiou os arranjos de Antônio Adolfo como parte essencial de um disco que priorizou a expressão artística genuína em detrimento de convenções ou expectativas externas.[6]
Em sua crítica, o redator do Diário da Manhã escreveu que Escândalo! representa o álbum mais vigoroso da primeira fase de Angela Ro Ro, destacando-o como um clássico absoluto da cantora.[7] O jornal enfatizou que a força do disco se manifesta tanto na intensidade lírica quanto na fusão singular entre blues, samba-canção e nuances do samba carioca, observando que faixas como "Perdoai-os Pai" e "Came e Case" consolidam a combinação avassaladora de dramaticidade e musicalidade que marca a artista.[7] A publicação ressalta ainda o triunfo representado pela canção-título, descrita como escrita sob medida para a voz e expressividade de Ro Ro.[7] Para o Diário da Manhã, a diversidade estética do lado B — que vai da crueza bluesy de "Vou Lá No Fundo" ao lirismo elegante das faixas finais — confirma Escândalo! como um dos grandes marcos da discografia da chamada "rainha do blues brasileiro".[7]
Listas
| Publicação | Lista | Classificação | Ref. |
|---|---|---|---|
| Revista Manchete | Os Melhores de 82 / Discos (MPB) | 8 | [8] |
Desempenho comercial
De acordo com o Jornal do Brasil, os álbuns de Angela Ro Ro lançados até 1983 — incluindo Escândalo! — alcançaram no mínimo cerca de 20 mil cópias cada no mercado brasileiro.[9]
Lista de faixas
- Créditos adaptados do encarte do LP Escândalo!, de 1981.[10]
| Lado 1 | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |||||||
| 1. | "Perdoai-os, Pai" |
|
3:42 | |||||||
| 2. | "Came e Case" |
|
4:40 | |||||||
| 3. | "Escândalo" | 4:18 | ||||||||
| 4. | "Tão Beata, Tão à Toa" |
|
3:36 | |||||||
| 5. | "Na Cama" |
|
4:01 | |||||||
| Lado 2 | ||||||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| N.º | Título | Compositor(es) | Duração | |||||||
| 6. | "Vou Lá no Fundo" |
|
3:38 | |||||||
| 7. | "Perco o Rumo" |
|
2:56 | |||||||
| 8. | "Fraca e Abusada" |
|
2:03 | |||||||
| 9. | "Coitadinha, Bem Feito" |
|
4:22 | |||||||
| 10. | "Passarinho" |
|
3:13 | |||||||
| 11. | "Mistério" |
|
3:41 | |||||||
Duração total: |
40:27 | |||||||||
Créditos
Créditos adaptados do encarte do LP SEscândalo!, de 1981.[10]
- A&R [Arregimentador] – Clovis Mello
- Violão Acústico [7 Cordas] – Dino (faixa: B3)
- Arranjos, Produção – Antonio Adolfo
- Baixo – Jorjão
- Cavaquinho – Alceu (faixa: A3)
- Clarinete – Netinho (faixas: B1, B3)
- Capa – Artistas Gráficos Ltda
- Bateria – Mamão
- Guitarra – Rick (faixas: A1, A2, A5, B4)
- Corte de Laca – Ivan Lisnik
- Mixado por – Ary Carvalhaes, Jairo Gualberto
- Pandeiro – Jorginho (faixa: B3)
- Percussão – Ariovaldo Contesini, Peninha
- Piano, Piano Elétrico – Antonio Adolfo
- Gravação – Jairo Gualberto, Luis Cláudio Coutinho
- Saxofone, Flauta – Oberdan Magalhães (faixas: A1, A2, A4, B6)
- Cordas – Orquestra de Cordas Polygram (faixa: B6)
- Trompete – Formiga (faixa: B1), Nilton Rodrigues (faixas: A1, A4)
Referências
- ↑ a b c Oliveira, Augusta da Silveira de (9 de setembro de 2025). «O "Escândalo" de Angela RoRo: a imprensa ataca a lesbianidade». História da Ditadura. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d e f «Escândalo». Democracia em Disputa. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 13 de maio de 2025
- ↑ Vidigal, Raphael (24 de outubro de 2024). «Angela Ro Ro: Relembre as polêmicas e os sucessos da compositora». Esquina Musical. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 5 de agosto de 2025
- ↑ Xavier, Nilson. «Corpo a Corpo». Teledramaturgia. Consultado em 9 de dezembro de 2025
- ↑ «A volta da ex-boêmia». O Pioneiro 8.284 ed. 2 de julho de 2002. p. 12. Consultado em 13 de dezembro de 2025
- ↑ a b Nona, Sérgio (26 de novembro de 1981). «Música popular». Diario de Pernambuco (320): B-6. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ a b c d «'Escândalo' abrasileira blues com dor de cotovelo». Diário da Manhã. 10 de abril de 2020. Consultado em 2 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 2 de dezembro de 2025
- ↑ «Os Melhores de 82». Manchete (1.603): 57. 8 de janeiro de 1983. Consultado em 2 de dezembro de 2025
- ↑ Caballero, Mara (3 de junho de 1983). «Joanna: Brilho e paixão no novo disco». Jornal do Brasil (56): 5 (Caderno B). Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ a b (1981) Créditos do álbum Escândalo por Angela Ro Ro [LP]. Brasil: Polydor (2451 180).


