Cuzaima ibne Tabite
Abu Omara Cuzaima ibne Tabite Alfaqui Alançari Alatemi (em árabe: أبو عُمارة خُزَيْمَة بن ثابت بن الفاكه الأنصاري الحاتمي; romaniz.: Abū ʿUmāra Khuzayma b. Thābit b. al-Fākih al-Anṣārī al-Ḥātmī; m. 657) foi um dos companheiros do profeta islâmico Maomé.
Vida
Cuzaima pertencia ao ramo hatimaíta da tribo dos aucitas. Sua mãe era Cubexa (Cubaixa) binte Aus, uma das mulheres companheiras que prestaram o juramento de fidelidade a Maomé. Sabe-se que Cuzaima, um dos primeiros a abraçar o Islã, juntamente com Omair ibne Adi, destruiu os ídolos de sua tribo. Participou da Batalha de Uude e de todas as campanhas posteriores, e, na Conquista de Meca, carregou o estandarte de sua tribo. Em algumas tradições também se menciona sua participação na Batalha de Badre. Zaide ibne Tabite, encarregado por Abacar (r. 632–634) da compilação do Alcorão, declarou que os dois últimos versículos da sura al-Tawba e o versículo 23 da sura al-Aḥzāb foram apresentados por escrito apenas por Cuzaima, e que ele os incluiu no muxafe sem exigir uma segunda testemunha. A razão dessa decisão de Zaide foi o fato de Maomé ter reconhecido o testemunho de Cuzaima numa disputa entre Maomé e um credor acerca do pagamento de uma dívida. Em vista disso, Maomé lhe concedeu o epíteto de Du Axaadataim (ذو الشهادتين, Dhū al-Shahādatayn; "aquele cujo testemunho equivale ao de duas pessoas"). Desde então, Cuzaima passou a ser conhecido por esse título. A tribo dos aucitas fez dessa característica motivo de orgulho diante da tribo dos cazerajitas.[1]
Nas batalhas do Camelo e de Sifim, Cuzaima posicionou-se nas fileiras de Ali (r. 656–661), embora inicialmente não tenha participado ativamente do combate. Contudo, em Sifim, ao recordar o hádice segundo o qual Amar ibne Iacir seria morto por um grupo rebelde, passou a lutar após o martírio de Amar, vindo ele próprio a morrer como mártir nessa batalha. Há também tradições que afirmam que Cuzaima teria morrido durante os califados de Omar (r. 634–644) ou de Otomão (r. 644–656)n. Dos trinta e oito hádices que transmitiu, constam relatos no Musnade de Amade ibne Hambal, nos Sunan de Adarimi, Atirmidi, Abu Daúde Assijistani e Ibne Maja, no al-Adab al-mufrad de Albucari, e no al-Jāmiʿ al-Ṣaḥīḥ de Muslim. Transmitiram hádices de Cuzaima seu filho Omara, Abedalá ibne Iázide Alhatemi, Anre ibne Maimune, Jabir ibne Abedalá e Ata ibne Iaçar. Alguns versos compostos por Cuzaima em determinadas ocasiões também são preservados nas fontes.[1]
Referências
- ↑ a b Çubukcu 1998, p. 436.
Bibliografia
- Çubukcu, Asri (1998). «Huzeyme b. Sâbit». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 18. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 4 de janeiro de 2026