Conquista do Bié
| Conquista do Bié | |||
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| Segunda Guerra Luso-Ovimbundo | |||
| Data | Novembro de 1890 | ||
| Local | Bié, Angola | ||
| Desfecho | Vitória Portuguesa | ||
| Beligerantes | |||
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| Comandantes | |||
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| Forças | |||
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A batalha do Bié, também chamada de conquista do Reino de Bié pelos portugueses, deu-se em 1890, ação militar considerada a primeira parte da Segunda Guerra Luso-Ovimbundo que, por sua vez, estava inserida nas Campanhas de Pacificação e Ocupação que levaram à formação de Angola.
História
Portugal tinha presença em Angola desde que Paulo Dias de Novais fundara Luanda em 1575, embora mercadores e clérigos portugueses já se encontrassem no território há algum tempo.
Após a independência do Brasil, o governo português determinou desenvolver e expandir os seus restantes territórios em África e pacificar ou ocupar potências hostis. Em meados do séc. XIX, porém, outras potências europeias lançaram-se na partilha de África e a Conferência de Berlim impôs o princípio de ocupação efectiva do território, repudiando os direitos de Portugal com base na descoberta.
No Planalto Central de Angola, Paiva Couceiro e Justino Teixeira da Silva a caminho do Barotse estabeleceram-se com um corpo de tropas em Belmonte (actual Cuíto), o que desagradou ao régulo do Bié, Cikunyu, melhor conhecido como Ndunduma I ("o Trovão"), que tolerava negociantes como Silva Porto no seu reino mas não os militares.[3]

A 28 de Março de 1890, Ndunduma I exigiu a saída de Paiva Couceiro e Teixeira da Silva do seu reino e no dia seguinte Silva Porto deslocou-se a Ecovongo, capital do Bié, a 30 quilómetros de Belmonte, a parlamentar mas foi desrespeitado.[1][4] Humilhado, na noite de 30 para 31 Silva Porto cometeu suicídio na sua embala fazendo explodir o paiol.[1] Paiva Couceiro encontrou o corpo do sertanejo a 1 de Abril coberto pela bandeira nacional.[1]
A morte de Silva Porto teve eco na sociedade portuguesa e motivou três novas expedições militares no Planalto Central.[1] Uma delas foi a expedição de Paiva Couceiro que, até Outubro de 1890 explorou o rio Cubango e distribuiu bandeiras portuguesas entre os sobas e régulos que aceitavam a soberania portuguesa até Mucusso, antecipando-se ao magnata Cecil Rhodes da British South Africa Company, que disputava o território.[1] Outra foi a conquista de Bié, levada a cabo por Artur de Paiva com 591 combatentes, dos quais 218 eram mercenários bóeres, 2 metralhadoras e 4 canhões.[1]
Artur de Paiva encontrou-se em Huíla a reunir tropas, animais, carroças e mantimentos até a coluna ter partido para o Bié a 8 de Agosto.[5] Pela manhã de 30 de Outubro a coluna atravessou o rio Cutato e entrou em território do Bié.[6] Ecovongo foi arrasada a 4 de Novembro de 1890 e, a 4 Dezembro no mês seguinte, Ndunduma I foi capturado e desterrado para Cabo Verde.[1][7] No Bié foi fundado o forte Silva Porto com 100 soldados e 4 canhões, tenho a coluna partido de regresso a Huíla a 22 de Dezembro.[8]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g h Alberto Oliveira Pinto: História de Angola. Da Pré-História ao Início do Século XXI, Mercado de Letras Editores Lda, 2019, p. 605.
- ↑ Paiva, Sousa Dias, 1938, p. 209.
- ↑ Pinto, 2019, p. 604.
- ↑ Maria da Conceição Neto: "Kuíto/Cuíto [Silva Porto/Belmonte]" in hpip.org.
- ↑ Artur de Paiva, Adalberto Gastão de Sousa Dias: Artur de Paiva, Divisão de Publicações e Biblioteca, Agência Geral das Colónias, 1938, p. 189.
- ↑ José Francisco Quintino Rogado: Angola: expedição do Bié de 14 de outubro a 29 de dezembro de 1890, 1933, Divisão de Publicações e Biblioteca, Agência Geral das Colónias, p. 16.
- ↑ Infopédia. «Bié - Infopédia». Dicionários infopédia da Porto Editora. Consultado em 27 de junho de 2025
- ↑ Rogado, 1933, pp. 35-36.