Ciclo ozônio-oxigênio

Ciclo ozônio-oxigênio, mais conhecido como ciclo do ozônio, é o processo de interconversibilidade entre o ozônio e o oxigênio, o qual ocorre na estratosfera. Este ciclo é responsável pela absorção da maior parte da radiação ultravioleta solar, que pode causar sérios problemas aos seres vivos, como mutações genéticas, câncer e até catarata[1]. O ciclo ozônio-oxigênio pode ser resumido pela equação química:

  • O3 ⇌ O2 + [O]

Na reação direta, o ozônio absorve grande quantidade de radiação ultravioleta, e na reação inversa, há pequeno desprendimento de energia térmica. Este equilíbrio químico é responsável pela filtração desta radiação.

Formação do ozônio

(Ciclo de Chapman) Esquema das reações de produção e destruição não catalítica do ozônio.
  • Processo não Catalítico:

Acima da estratosfera, o ar é muito leve e a concentração de moléculas é tão baixa que a maioria do oxigênio existe na forma atômica, resultado da dissociação das moléculas de oxigênio por fótons UV-C de luz solar. Mais abaixo, na estratosfera é mais comum encontrar o oxigênio na forma diatômica (O2), pois já não existe tanta radiação. As moléculas atômicas do nível superior acabam por colidir com as diatômicas abaixo, gerando assim o ozônio (O3).[2]

Da mesma maneira acontece a destruição do ozônio, qual absorve radiação UV-B e libera novamente moléculas diatômicas e atômicas. Funcionando como um ciclo, chamado de ciclo de Chapman.[2]

  • Processo Catalítico:

Alguns catalisadores aceleram a destruição do ozônio. Tais catalisadores em sua maioria são poluentes derivados da atividade humana, entre eles o mais preocupante são as moléculas que contém Cloro (Cl), que em sua forma atômica, age como catalisador da reação desequilibrando o ciclo de Chapman. Está representado pelas seguintes equações químicas:[3]

  • Cl(g) + O3(g) → ClO(g) + O2(g)
  • ClO(g) + O3(g) → Cl(g) + 2 O2(g)

Reação global:

  • 2 O3(g) → 3 O2(g)

Até o final dos anos 80, não se sabia desta reação que, ao ser descoberta, moveu uma grande preocupação alimentada pela depleção do ozônio na Antártida, e acabou movendo muitos países que classificaram a situação como crise ambiental. O cloro provinha da utilização de clorofluorocarbonetos (CFC) muito utilizados em aerossóis e gases para refrigeração.[4] O Protocolo de Montreal foi idealizado para que os países signatários diminuíssem a emissão dos compostos catalisadores do ciclo ozônio-oxigênio.[2]

Papel no aquecimento global

A eficiência do cloro como catalisador é bastante elevada, chegando a quebrar 100.000 moléculas de ozônio em um ano. Como o bom ozônio (da estratosfera) absorve grande quantidade de radiação solar no ciclo ozônio-oxigênio, a sua degradação pode intensificar o efeito estufa em muito. Por isso o CFC é considerado um gás de efeito estufa (GEE), mesmo que sua ação seja indireta. O Global Warming Factor (GWF) dos CFCs é 5000 a 14000 [1], o que significa que é de 5000 a 14000 vezes mais eficiente que o CO2 na intensificação do efeito estufa. Porém, não há grande preocupação na comunidade científica internacional quanto a estes compostos, devido a dois fatores: a concentração deles na atmosfera é menor que 1 ppb [2], e, com o Protocolo de Montreal, sua produção e utilização estão sendo diminuídas a valores muito baixos.

Ver também

Referências

  1. Roger Dobson (1 de dezembro de 2005). «Ozone depletion will bring big rise in number of cataracts» (HTML) (em inglês). British Medical Journal. Consultado em 2 de dezembro de 2012 
  2. a b c Baird, Colin (1999). Environmental Chemistry (em inglês) 2ª ed. Estados Unidos: W. H. Freeman and Company. pp. 39–68 
  3. Dr. Glenn Carver. «Part III. The Science of the Ozone Hole» (HTML) (em inglês). Centre for Atmospheric Science. Consultado em 2 de dezembro de 2012 
  4. Karin L. Gleason (20 de março de 2008). «Science: Ozone Basics» (HTML) (em inglês). National Oceanic and Atmospheric Administration. Consultado em 2 de dezembro de 2012