Cessar-fogo entre Estados Unidos e Houthis
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O cessar-fogo entre Estados Unidos e Houthis iniciou-se em 6 de maio de 2025 com um acordo de cessar-fogo firmado entre os Estados Unidos e o movimento iemenita Houthis (mediado por Omã) encerrando os ataques aéreos estadunidenses ao Iêmen — a Operação Rough Rider, que durou de março a maio de 2025 — no contexto da crise do Mar Vermelho. Os Houthis concordaram em interromper seus ataques a embarcações estadunidenses que transitavam no Mar Vermelho,[1] mas enfatizaram que o cessar-fogo não se aplicava de "nenhuma forma" a Israel, que havia começado a lançar seus próprios ataques ao Iêmen.[2]
Contexto
O movimento Houthi começou a visar o transporte marítimo internacional em outubro de 2023, após Israel invadir a Faixa de Gaza em resposta aos ataques do Hamas em 7 de outubro. Alegando solidariedade aos palestinos e com o objetivo de pressionar Israel a concordar com um cessar-fogo e suspender o bloqueio a Gaza,[3] os Houthis lançaram mísseis e drones contra embarcações que navegavam perto do Iêmen, e também dispararam mísseis balísticos e lançaram ataques com drones contra cidades israelenses, matando pelo menos um civil em Tel Aviv e atingindo o perímetro do Aeroporto Internacional Ben Gurion.[4][5] Em resposta, os Estados Unidos, o Reino Unido e uma coalizão multinacional iniciaram a Operação Guardião da Prosperidade, combinando escoltas navais com ataques aéreos episódicos à infraestrutura militar e civil dos houthis.[6] Em 12 de janeiro de 2024, os Estados Unidos, juntamente com o Reino Unido, começaram a lançar mísseis de cruzeiro e ataques aéreos contra alvos houthis no Iêmen em resposta aos ataques a navios no Mar Vermelho.[7]
Os Houthis interromperam seus ataques a embarcações após o cessar-fogo da guerra de Gaza em 2025, mas retomaram os ataques imediatamente após Israel encerrar o cessar-fogo bombardeando a Faixa de Gaza em março de 2025. Como resultado, os Estados Unidos lançaram uma grande campanha de ataques aéreos e navais contra alvos houthis no Iêmen em 15 de março de 2025, incluindo sistemas de radar, defesas aéreas e locais de lançamento balístico e de drones usados pelos Houthis.[8]
Acordo de cessar-fogo
Em 6 de maio de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou o fim dos ataques ao Iêmen, afirmando que haviam terminado, "com efeito imediato", como resultado de um cessar-fogo entre os Estados e os Houthis, mediado por Omã.[9] O anúncio ocorreu durante uma reunião com o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, no Salão Oval.[10] Os Houthis concordaram em interromper os ataques a embarcações no Mar Vermelho, mas enfatizaram que o cessar-fogo não se aplicava de "nenhuma forma" a Israel.[2] Enquanto Trump enquadrou a trégua como se os Houthis tivessem "capitulado" e não "querendo mais lutar", além de terem demonstrado "muita bravura", os Houthis alegaram que, na verdade, foram os Estados Unidos que "recuaram".[11] As autoridades governamentais entrevistadas pelo New York Times alegaram que Trump concordou com o cessar-fogo porque os ataques aéreos não estavam atingindo seus objetivos e os Estados Unidos não conseguiram alcançar superioridade aérea contra os Houthis.[12] Segundo relatos, o Irã desempenhou um papel importante em persuadir os Houthis a chegarem a uma trégua com os Estados Unidos para ajudar a criar "impulso" para as negociações nucleares EUA-Irã em 2025.[13]
Em resposta à reação israelense, o embaixador estadunidense em Israel, Mike Huckabee, afirmou que os Estados Unidos não exigem a aprovação israelense para chegar a um acordo de cessar-fogo, afirmando que os Estados Unidos tomarão medidas contra ameaças a cidadãos norte-americanos e não necessariamente a Israel.[14]
Análise
De acordo com o ex-enviado dos Estados Unidos para o Oriente Médio, Dennis Ross, a trégua entre Estados Unidos e Houthis marginalizou o governo israelense, indicando que "o governo Trump pensa nos interesses da América".[15] Analistas também observaram que os Houthis são os "maiores vencedores" do cessar-fogo, pois continuarão a atacar Israel e embarcações ligadas a Israel.[16]
Referências
- ↑ «Institute for the Study of War»
- ↑ a b «Yemen's Houthis say attacks on Israel not in US ceasefire deal in 'any way'». Al Jazeera (em inglês)
- ↑ «Trump launches large-scale strikes against Yemen's Houthis». Reuters. 15 de março de 2025
- ↑ «Israel military says it intercepts missile, Yemen's Houthi rebels confirm targeting Eilat». France 24 (em inglês). 21 de julho de 2024. Cópia arquivada em 17 de setembro de 2024
- ↑ Michaelson, Ruth (19 de julho de 2024). «Israel shaken as fatal Houthi drone hits Tel Aviv after interception failure». The Guardian (em inglês). ISSN 0261-3077
- ↑ Price, Michelle L.; Baldor, Lolita C.; Magdy, Samy (15 de março de 2025). «Trump orders strikes on Iran-backed Houthi rebels in Yemen and issues new warning». AP News (em inglês). Cópia arquivada em 15 de março de 2025
- ↑ «U.S. Forces, Allies Conduct Joint Strikes in Yemen». CENTCOM. 3 de fevereiro de 2024. Consultado em 3 de fevereiro de 2024
- ↑ Schmitt, Eric; Wong, Edward; Ismay, John (4 de abril de 2025). «U.S. Strikes in Yemen Burning Through Munitions With Limited Success». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331
- ↑ «Trump says bombing of Yemen to stop as Oman confirms US-Houthi ceasefire». Al Jazeera (em inglês). 6 de maio de 2025
- ↑ Holland, Steve (6 de maio de 2025). «Trump announces deal to stop bombing Houthis, end shipping attacks». Reuters
- ↑ «Houthis say US 'backed down' and Israel not covered by ceasefire». BBC News (em inglês). 7 de maio de 2025
- ↑ Cooper, Helene; Jaffe, Greg; Swan, Jonathan; Schmitt, Eric; Haberman, Maggie (12 de maio de 2025). «Why Trump Suddenly Declared Victory Over the Houthi Militia». The New York Times. Consultado em 14 de maio de 2025
- ↑ ToI Staff; Agencies. «Reports: Iran pressed Houthis into truce with US to build 'momentum' in nuclear talks». www.timesofisrael.com (em inglês)
- ↑ «US doesn't need Israeli approval for Houthi ceasefire deal: Ambassador». www.aa.com.tr
- ↑ Liebermann, Eugenia Yosef, Oren (8 de maio de 2025). «Israel vows to 'defend ourselves alone' after Trump strikes truce with Houthis». CNN (em inglês)
- ↑ AFP and ToI Staff. «After relentless US bombing campaign, Yemen's Houthis are biggest victors of truce». www.timesofisrael.com (em inglês)