Cerco de Almeida (1762)
| Cerco de Almeida (1762) | |||
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| Guerra Fantástica | |||
![]() Plano da praça-Forte de Almeida. | |||
| Data | 5 a 25 de Agosto de 1762 | ||
| Local | Praça-forte de Almeida | ||
| Desfecho | Vitória espanhola | ||
| Beligerantes | |||
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O cerco de Almeida de 1762 teve lugar em Agosto quando uma força espanhola sitiou e capturou a cidade de Almeida durante a Guerra dos Sete Anos. A cidade foi tomada a 25 de Agosto como parte da invasão de Portugal por um exército espanhol comandado pelo marquês de Sarriá.[1]
A força que conquistou Almeida fazia parte de uma grande ofensiva franco-espanhola para ocupar Portugal. Uma parte da tenaz atravessou o Douro e invadiu Portugal ao passo que a força sul transpôs a fronteira em Cidade Rodrigo e seguiu para a grande fortaleza de Almeida.[2] Fernando Vélaz de Medrano y Bracamonte, 4º marquês de Tabuérniga, tornou-se uma figura-chave no cerco de Almeida.[3]
Já antes os espanhóis haviam tentado conquistar Almeida: em Maio tentaram conquistar a praça-forte por via de um golpe-de-mão, mas falharam e sofreram 600 baixas.[4] Em inícios de Junho, um destacamento de 8000 soldados acampou a uma légua da cidade entre Vale da Coelha e Vale da Mula e começou a saquear os campos e aldeias circundantes, tendo as milícias e os guerrilheiros matado ou cativado mais de 200.[5] As deserções entre os espanhóis eram elevadas mas eles mantiveram-se acampados naquele local até ao mês seguinte a capturar gado, a reconhecer o terreno, a receber reforços e artilharia vinda de Cidade Rodrigo e a combater contra guerrilheiros, espoliando as aldeias indefesas em redor e cometendo "barbaridades inéditas", circulando a notícia de terem massacrado os habitantes de cinco ou seis aldeias.[5]
A 30 de Julho o exército franco-espanhol de 40,000 homens transpôs a fronteira e a 4 aproximaram-se de Almeida.[6] A sua guarnição era constituída por dois batalhões do Regimento de Almeida, um regimento de cavalaria com 150 cavalos, quatro terços de auxiliares e uma força de artilharia, totalizando cerca de 3000 homens, comandados pelo sargento-mor de batalha Alexandre Palhares Coelho de Brito, com 81 anos.[6]
A 5 de Agosto iniciou-se o cerco.[6] Dois dias depois, dava-se entretanto a rendição de Castelo Rodrigo, guarnecida apenas com 40 homens. A 11 de Agosto rendeu-se Alfaiates a duas companhias de 30 cavaleiros, tendo o governador de Alfaiates Simão Monteiro acreditado que a força inimiga era muito maior.[6] Os populares tentaram recuperar Alfaiates no dia 13 mas foram rechaçados pelos ocupantes.[6]
Em Almeida, os franco-espanhóis instalaram uma bateria de 14 morteiros no dia 12 e abriram uma trincheira à frente dos bastiões de Santo António e São Pedro na noite de 15 para 16.[6] Começaram, porém, a perder muita gente por deserção e fogo inimigo, tendo o duque de Banhos opinado ao Marquês de Sarriá que o tiroteio era tão violento que teriam de voltar para Espanha.[6] A 17, os atacantes colocaram em posição uma bateria de 16 canhões e outra de 14 canhões de 24 libras e a 23, uma bateria de dez canhões e dois morteiros.[6]

O grosso do exército anglo-português encontrava-se concentrado na região do Zêzere e Abrantes, em preparação para um planeado ataque à Estremadura Espanhola com 3 regimentos de cavalaria e 8 de infantaria, mas este plano exigia que Almeida resistisse.[6] A 24 de Agosto é dada a ordem de marcha, a 26 alcança o Gavião e dois dias depois encontram-se em Nisa, estabelecendo-se ali o quartel-general.[6] A marcha foi penosa por carências logísticas, tendo o conde de Lippe manifestado publicamente a sua satisfação para com as tropas pela maneira como suportaram os rigores da deslocação.[6]
Em Almeida, o sargento-mor Alexandre Palhares, decidiu não evacuar a população civil, refugiou civis nas casamatas destinadas aos militares e não conseguiu evitar a deserção dos auxiliares, que informaram o inimigo do estado da defesa.[6] Após ter reunido os seus oficiais para darem o seu voto, Alexandre Palhares rendeu-se a 25, alegando alegando a abertura de uma brecha nas muralhas e a falta de homens para resistir ao ataque, porém em carta para o Secretário de Estado da Guerra o conde dos Arcos acusou-o de não ter chegado sofrido falta de mantimentos, pólvora ou balas.[6]

Após a queda de Almeida, o conde de Lippe decidiu cancelar o planeado ataque à Estremadura Espanhola e mandar regressar a Abrantes o exército anglo-português.[6] Após a tomada de Almeida, o marquês de Sarriá foi substituído pelo conde de Aranda e o exército franco-espanhol partiu para sul, enviando uma divisão para Alcântara e outras unidades para Sabugal e Penamacor.[6] De Penamacor, avançaram para Castelo Branco.[6]
O avanço espanhol foi travado pela perturbação que os anglo-portugueses causaram na logística espanhola na Batalha de Vila Velha de Ródão e Batalha de Valência de Alcântara.[2] A cidade de Almeida foi guarnecida por Aranda mas manteve-se como a única grande fortaleza em mãos espanholas aquando do fim das hostilidades. Foi devolvida a Portugal mediante o Tratado de Paris em troca da devolução a Espanha de Havana e Manila pelos britânicos.[7]
Ver também
- O Reino Unido na Guerra dos Sete Anos
- Invasão Espanhola de Portugal (1762)
- Choque do Alvito
Referências
- ↑ Dull p.222
- ↑ a b Jaques p.37
- ↑ Téllez Alarcia, Diego (2017). "Intriga cortesana y represión política en el reinado de Carlos III: el caso de D. Fernando Bracamonte Velaz de Medrano (1742-1791)". Magallánica: revista de historia moderna. 3 (6 (Enero-Junio 2017)): 226–242. ISSN 2422-779X.
- ↑ "Extract of a letter from Lisbon, May 29. (…) at Almeida, which is a place of some strength, having six regular bastions, and three half moons besides a well-built fort with four bastions; they have received a check, and in their attempt to take it by a coup the main, have lost, it is said, 600 men, (...)" Published in The London Chronicle for The Year 1762, Vol. XII (from June 30, to December 31), number 86 (from June 29 to July 1), p. 6.
- ↑ a b "[Province of] Beira. Almeida, June 12, …the Enemy [Spaniards], to the number of eight thousand has entered the frontier… several parties have rallied forth from the camp, and had pillaged the villages upon that frontier, and had not even spared the churches; but that these parties had been driven back by the Portuguese militia, who had killed and taken prisoners upwards of two hundred Spaniards;" in Martin, Benjamin – Miscellaneous Correspondence, vol. IV, London, 1764, p. 904.
- ↑ a b c d e f g h i j k l m n o p Barrento, António. Guerra Fantástica, 1762: Portugal, o Conde de Lippe e a Guerra dos Sete Anos. Lisboa, Tribuna, 2006, pp. 64-68
- ↑ Petrie p.111
Bibliografia
- Brown, Peter Douglas. William Pitt, Earl of Chatham: The Great Commoner. George Allen & Unwin, 1978.
- Dull, Jonathan R. The French Navy and the Seven Years' War. University of Nebraska, 2005.
- Jaques, Tony. Dictionary of Battles and Sieges. Greenwood Press, 2007.
- Petrie, Sir Charles. King Charles III of Spain. Constable, 1971.
