Batalha de Vila Velha de Ródão

Batalha de Vila Velha de Ródão
Guerra Fantástica

Cavaleiro do 16º Regimento Britânico de Dragões Ligeiros, também conhecidos como os Cavaleiros Ligeiros de Burgoyne.
Data6 de Outubro de 1762
LocalVila Velha de Ródão, Portugal
DesfechoVitória portuguesa
Beligerantes
Portugal
Reino Unido
Espanha
Comandantes
Charles Lee Desconhecido
Forças
100 granadeiros portugueses
200 soldados de linha britânicos
50 dragões britânicos
200 granadeiros
100 cavaleiros
8 canhões
Baixas
1 morto e 10 feridos 100 mortos ou feridos
150 prisioneiros
6 canhões
60 mulas

A Batalha de Vila Velha de Ródão deu-se em Outubro de 1762, quando uma força anglo-portuguesa liderada por John Burgoyne e Charles Lee surpreendeu e recapturou Vila Velha de Ródão dos invasores espanhóis durante a Guerra dos Sete Anos, como parte da invasão espanhola de Portugal. Burgoyne, que dois meses antes tinha tomado a base espanhola em Valencia de Alcântara, marchou contra as forças que se preparavam para atravessar o rio Tejo e entrar no Alentejo.

Eventos

Contexto

De Castelo Branco, o conde de Aranda determinou atravessar o Tejo em Vila Velha de Ródão em finais de Setembro.[1] O conde de Lippe enviou Burgoyne e Lourenço António de Sousa da Silva e Meneses, conde de Santiago de Beduído, a impedi-lo mas o conde de Aranda avançou e rechaçou as tropas do conde de Santiago em Alvito da Beira, alcançando assim Vila Velha de Ródão.[1]

Antecipando uma ofensiva espanhola através do rio Zêzere contra o quartel-general português em Abrantes, a 3 de Outubro de 1762 o conde de Lippe, instruiu George Townshend a marchar para a região da Beira Baixa, marchando ao longo da margem esquerda do rio Zêzere, para se juntar às forças de Lord George Lennox e ameaçar as linhas de comunicação espanholas com Almeida e Cidade Rodrigo, avançando sobre Belmonte e Penamacor. Esta nova marcha foi prontamente executada e os soldados portugueses de Townshend passaram pelas maiores privações mas os seus homens atacaram com sucesso uma força francesa que escoltava um comboio perto de Sabugal, capturando muitos mantimentos.

Ataque surpresa

No mesmo dia 3 de Outubro, as forças espanholas, que haviam tomado Vila Velha no dia 2, avançaram sobre Porto Cabrão, deixando para trás oito peças de artilharia guardadas por 200 granadeiros e 100 cavalos. O general Burgoyne, responsável pela defesa da margem sul do Tejo nesta zona, reparou que apenas uma pequena força guardava a bateria espanhola em Vila Velha e mandou o tenente-coronel Charles Lee atravessar o Tejo e atacar aquela posição com 100 granadeiros portugueses, 200 homens do 85.º Regimento de Infantaria e 50 homens do 16.º Regimento de Dragões Ligeiros. Um granadeiro português do 2.º Regimento de Infantaria de Cascais atravessou corajosamente o Tejo com uma corda para facilitar a passagem de uma barcaça, sacrificando a sua vida nesta acção.

Aproveitando o elemento surpresa, às 2 da manhã de 6 de Outubro, o destacamento de Lee lançou um ataque nocturno e com uma carga de baionetas surpreendeu o acampamento espanhol em Vila Velha.[1][2] A surpresa ajudou os britânicos e portugueses a dominar e dispersar a cavalaria e a infantaria espanhola, infligindo-lhes perdas consideráveis embora eles estivessem entrincheirados. Além de 250 espanhóis mortos, feridos ou capturados, foram capturadas 6 armas e 60 mulas de artilharia. O alvo principal de Lee, no entanto, era o depósito de artilharia, que foi quase todo queimado, sendo parte dele capturado. Isto foi conseguido com o custo de apenas 1 homem morto e 10 feridos. A cidade foi mantida sob controlo até à chegada dos reforços portugueses e britânicos no dia seguinte. A reconquista de Vila Velha efectivamente encerrou a campanha de invasão espanhola e francesa.[3]

Rescaldo

Em meados de Outubro, o exército franco-espanhol decidiu retirar-se para Espanha, com Lippe e Townshend a persegui-los. Os espanhóis foram obrigados a deixar para trás os seus doentes e, em 24 de Outubro, os exércitos espanhol e francês estavam de volta a Espanha. Houve algumas escaramuças ao longo da raia, enquanto ambos os lados se dirigiam para os quartéis de Inverno. Ainda assim, os espanhóis tentariam invadir Portugal uma vez mais em Novembro, em Olivença, Marvão e Ouguela, mas foram repelidos. A 22 de Novembro, o comandante espanhol Conde de Aranda propôs uma trégua a Lippe, chegando assim a campanha ao fim.

Ver também

  • O Reino Unido na Guerra dos Sete Anos

Referências

  1. a b c Danley, Mark; Speelman, Patrick (9 de novembro de 2012). The Seven Years' War: Global Views (em inglês). [S.l.]: BRILL. p. 447. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  2. Daughan, George C. (13 de maio de 2008). If By Sea: The Forging of the American Navy--from the Revolution to the War of 1812 (em inglês). [S.l.]: Basic Books. Consultado em 31 de agosto de 2025 
  3. Jaques p.1075

Bibliografia

  • Jaques, Tony. Dictionary of Battles and Sieges. Greenwood Press, 2007
  • Kirby, Mike, The Portuguese Army - Seven Years' War, Seven Years' War Association Journal, Vol. XII No. 3
  • Pereira Sales, Ernesto Augusto; O Conde de Lippe em Portugal, Vila Nova de Famalicao: Publicacoes da Comissao de Historia Militar, 1936, pp. 55–62
  • McHugh, Don, and Mike Kirby, The Portugal Campaign 1762 - France and Spain Invade, Seven Years' War Association Journal Vol. XII No.
  • Howson, Gerald. Burgoyne of Saratoga, Times Press, 1979