Conde de Santiago de Beduído

Conde de Santiago de Beduído
Conde de Santiago de Beduído
Criação Afonso VI de Portugal
12 de novembro de 1667
1.º titular D. Lourenço de Sousa e Meneses
Linhagem Daun e Lorena
Actual titular Pedro de Carvalho Daun e Lorena

Conde de Santiago de Beduído foi um título criado por carta de 12 de Novembro de 1667, do Rei D. Afonso VI de Portugal, a favor de D. Lourenço de Sousa e Menezes, 3.º Comendador de Santiago de Beduído na sua família.[1][2]

António de Carvalho Melo e Daun de Albuquerque e Lorena, 6.º Marquês de Pombal e 5.º Conde de Santiago de Beduído (1899)

História

Foi o 1.º Conde, D. Lourenço de Sousa e Meneses (falecido em 1675), filho de Aleixo de Sousa da Silva e Meneses, 5.º Aposentador-mor, Senhor de Alfaiates e do Reguengo de Arronches, Comendador de Santiago de Beduído e de Guilhofrei, na Ordem de Cristo, e de sua mulher, D. Luísa de Távora.[1][2][3]

O 1.º Conde serviu como 6.º Aposentador-mor da Casa Real, cargo em que serviu a D. João IV, e foi Comendador das comendas de seu pai. Serviu na Guerra da Restauração, primeiro como Capitão de Cavalos, depois como Mestre de Campo, e posteriormente como General de Batalha no Exército do Alentejo.[1][2]

O título foi renovado por Carta de 3 de Janeiro de 1728, por D. João V, a D. António de Sousa da Silva e Meneses (1708–1786), que viria a ser o 3.º Conde de Santiago de Beduído. O título foi igualmente renovado por Carta, por D. Maria I, em 27 de Julho de 1786, ao 4.º Conde, D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Meneses.[1]

Uma irmã do 3.º e do 4.º Condes, D. Joana Inês Vicência de Meneses, casou com D. Brás Baltasar da Silveira, Senhor de S. Cosmado, e deste casamento teve duas filhas que ambas, sucessivamente, desposaram Nuno Gaspar de Távora. Da primeira foi bisneto o 9.º Marquês das Minas, e da segunda filha, D. Francisca de Paula do Pópulo de Lorena, que casou com o 3.º Marquês de Pombal. Esta senhora herdou os vínculos da Casa de Minas e, por morte de sua tia, D. Luísa de Meneses, também irmã dos referidos Condes de Santiago de Beduído, de quem herdara os vínculos, bem assim como os da Casa dos Condes de Santiago de Beduído, que assim se incorporaram na dos Marqueses de Pombal.[1][4][5]

O título foi renovado por Decreto de 31 de Julho de 1865, por D. Luís I, ao 5.º Conde, D. António de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena, que foi igualmente 8.º Conde de Oeiras e 6.º Marquês de Pombal.[1]

Propriedades

A Quinta Velha de Pedrouços pertenceu aos Condes de Santiago de Beduído, que a conservaram até ao final do século XVIII, período durante o qual o imóvel manteve a designação que então lhe foi atribuída. D. Aleixo de Sousa da Silva e Menezes, 2.º Conde de Santiago de Beduído (1675–1744) recebeu a propriedade por herança de D. Antónia de Sousa de Menezes.[3] Após o falecimento de D. Aleixo, a quinta permaneceu na posse da sua viúva, D. Leonor Maria Josefa de Menezes (1680–?), passando posteriormente para o seu filho primogénito e herdeiro, D. Lourenço António de Sousa Silva e Menezes, 3.º Conde de Santiago de Beduído (1708–1786).[3][6] Com a morte do 3.º Conde de Santiago, a propriedade passou para o seu irmão, D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Menezes, 4.º Conde de Santiago de Beduído (1713–1798). Após o falecimento deste último, a quinta transitou para a posse da sua irmã, D. Luzia de Menezes, a qual, em Julho de 1797, procedeu à doação do imóvel à Infanta D. Maria Francisca Benedita.[3][6]

Armas

Até ao 4.º Conde: escudo esquartelado: 1.º e 4.º, dos Sousas de Arronches; 2.º e 3.º, dos Silva. Coroa de Conde.[1]

Para os restantes: as armas dos Marqueses de Pombal.[1]

Conde de Santiago de Beduído (1667)

# Titular Datas Títulos Notas
1 D. Lourenço de Sousa e Meneses Faleceu em 1675 1.º Conde de Santiago de Beduído Criado 1.º Conde por Afonso VI de Portugal; Casou duas vezes: a primeira com D. Joana da Silva, Dama da Rainha D. Luísa de Gusmão; e a segunda, em 1667, com D. Luísa Maria de Mendonça e Távora, que também serviu como Dama da mesma Rainha, filha do 2.º Conde de Vale de Reis; Teve descendência deste segundo casamento;[1]
2 D. Aleixo de sousa da silva e Meneses 1675 — 1744 2.º Conde de Santiago de Beduído Filho primogénito do segundo casamento do 1.º Conde; Foi 7.º Apopsentador-mor da Casa Real e deputado da Junta dos Três Estados; Casou, em abril de 1695, com D. Leonor Maria de Menezes, Dama da Rainha D. Maria Sofia, filha do 2.º Marquês de Fronteira;[1]
3 D. Lourenço António de Sousa da Silva e Meneses 1708 — 1786 3.º Conde de Santiago de Beduído Filho do 2.º Conde; Foi governador da Torre de São Julião da Barra; Casou, em 1749, com D. Josefa de Noronha (1731 – 1791), filha do 2.º Marquês de Angeja;[1]
4 D. Nuno Aleixo de Sousa da Silva e Meneses 1713 — 1798 4.º Conde de Santiago de Beduído Filho secundogénito do 2.º Conde; Foi cónego patriarcal de Lisboa e foi dispensado das ordens para poder suceder na sua Casa; Casou, em 1788, com D. Francisca Leonor de Castro, filha do 1.º Conde de Resende; O título foi-lhe renovado por Carta em 1786, por D. Maria I; Não teve descendência deste casamento;[1][4][5]
5 D. António de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena[7] 1850[7] — 1911 5.º Conde de Santiago de Beduído[2][7] Nasceu na freguesia de S. Mamede; Bisneto de D. Francisca da Silveira e Lorena, Marquesa de Pombal, a qual era neta de D. Joana Inês Vicência de Menezes, irmã do 3.º e do 4.º Condes de Santiago de Beduído; Foi também 6.º Marquês de Pombal e 8.º Conde de Oeiras;[1][8] Foi Par do Reino, Mestre-Sala da Casa Real, Camarista de D. Fernando II e de D. Carlos I, e Grã-Cruz da Ordem de Cristo; Casou, no oratório particular dos Marqueses de Pombal, em 1873, com D. Maria do Carmo Fernandes (1858 – 1931), Dama da Rainha D. Maria Pia;[8] Teve descendência deste casamento;[1][7][8]
6 D. Joaquim de Carvalho e Melo Daun Albuquerque e Lorena 1878 — 1954[1] 6.º Conde de Santiago de Beduído Filho secundogénito do 5.º Conde e irmão do 7.º Marquês de Pombal;[1][7] Foi Comendador das Ordens de São Gregório Magno, de Roma, e da Coroa da Roménia; Casou, em 1924, na capela particular da residência do Visconde de Santarém, com D. Maria Amália de Barros de Saldanha da Gama (1879 –?), filha do 2.º Visconde de Vila Nova da Rainha,[1] não tendo havido descendência deste casamento;[1][7] O título de Conde de Santiago de Beduído foi-lhe concedido por Decreto de 21 de Abril de 1906, confirmado por alvará de 20 de Abril de 1947, do Conselho de Nobreza;[1]

Representantes do título na República

# Titular Datas Títulos pretendidos Notas
7 Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena 1903 — ? 7.º Conde de Santiago de Beduído Filho do 7.º Marquês de Pombal;[7] Foi também representante dos títulos de 8.º Marquês de Pombal e de 11.º Conde de Oeiras;[7] Casou em Lisboa, em 1927, com sua prima D. Maria da Nazaré Monteiro de Almeida (n. 1909);[7] Teve descendência deste casamento;[7]
8 Manuel Sebastião de Almeida de Carvalho Daun e Lorena[7][9][10] 1930[7] — 2021[9] 8.º Conde de Santiago de Beduído[9] Filho do anterior; Foi também representante dos títulos de 9.º Marquês de Pombal[10] e de 12.º Conde de Oeiras;[9] Casou com Mariana João Cabral Daun e teve descendência deste casamento;[9] Foi sucedido, na representação dos títulos de Marquês de Pombal e de Conde de Oeiras, pelo seu filho primogénito, Sebastião José de Carvalho Daun e Lorena (n. 1955), e, na representação do título de Conde de Santiago de Beduído, pelo seu segundo filho, Pedro de Carvalho Daun e Lorena (n. 1956);[9][10]
9 Pedro de Carvalho Daun e Lorena n. 1956 9.º Conde de Santiago de Beduído[9] Atual representante do título;

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s Zuquete, Afonso Eduardo Martins (1961). Nobreza de Portugal. 3. Lisboa: Editorial Enciclopédia, Limitada. p. 305-306 
  2. a b c d Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha Das Familias Titulares e Grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 586 
  3. a b c d «Wayback Machine» (PDF). www.researchgate.net. Consultado em 5 de novembro de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 19 de abril de 2021 
  4. a b Teles, João Bernardo Galvão (1 de janeiro de 2011). «Aspectos da vida familiar na estratégia de ascensão social e politica do 1.º marquês de Pombal». Armas e Troféus. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  5. a b Saldanha, Sandra Costa (1 de janeiro de 2009). «2009 - D. Fernando de Sousa e Silva (1779-1786)». Os Patriarcas de Lisboa. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  6. a b «III Conde de Santiago – D. Lourenço António de Sousa Silva e Menezes (1708-1786), Governador da Torre de S. Julião da Barra», in *Armorial Lusitano: Nobreza de Portugal e do Brasil*, Edição Enciclopédica, vol. III, p. 305, Lisboa, 1961; cf. também I.A.N./T.T., *Índice da Chancelaria de D. José (Próprios)*, vol. 138, p. 163.
  7. a b c d e f g h i j k l da Silva Canedo, Fernando de Castro (1946). A descendência portuguesa de El-Rei D. João II. 3. Lisboa: Edições Gama, Limitada. p. 320-322 
  8. a b c Pinto, Albano da Silveira (1890). Resenha Das Familias Titulares e Grandes de Portugal. 2. Lisboa: Empreza Editora de Francisco Arthur da Silva. p. 275-294 
  9. a b c d e f g Ferro, Mafalda (14 de setembro de 2021). «Newsletter Nº 176 / 14 de Setembro de 2021». www.fundacaoantonioquadros.pt. Consultado em 5 de novembro de 2025 
  10. a b c «Entrevista a Manuel Sebastião de Almeida de Carvalho Daun e Lorena». Consultado em 5 de novembro de 2025