Carlo Ancelotti

Carlo Ancelotti
Carlo Ancelotti
Ancelotti em 2026, segurando a bola Adidas Trionda
Informações pessoais
Nome completo Carlo Ancelotti[1]
Data de nascimento 10 de junho de 1959 (66 anos)
Local de nascimento Reggiolo, Itália
Nacionalidade italiano
Altura 1,79 m
destro
Apelido Carletto[2]
Don Carlo[3]
Informações profissionais
Atividade 1976–1992 (jogador)
1995–presente (treinador)
Posição volante
Clube atual Brasil
Profissão atual treinador
Categoria de base
Período Clube
1973–1975 Reggiolo
1975–1976 Parma
Profissional
Período Clube Jogos Gol(o)s
1976–1979 Parma 55 13
1979–1987 Roma 227 17
1987–1992 Milan 160 1
Total 442 31
Seleção
Período País Jogos Gol(o)s
1980 Itália Sub-21 3 0
1979–1988 Itália Olímpica 11 1
1981–1991 Itália 26 1
Treinador
Período Clube
1992–1995 Itália (auxiliar técnico)
1995–1996 Reggiana
1996–1998 Parma
1999–2001 Juventus
2001–2009 Milan
2009–2011 Chelsea
2012–2013 Paris Saint-Germain
2013–2015 Real Madrid
2016–2017 Bayern de Munique
2018–2019 Napoli
2019–2021 Everton
2021–2025 Real Madrid
2025– Brasil
Assinatura
Assinatura de Carlo Ancelotti
Medalhas
Competidor da Itália
Copa do Mundo FIFA
Prata Estados Unidos 1994 Auxiliar técnico
Bronze Itália 1990 Jogador

Carlo Ancelotti Cavaliere OMRI, Ufficiale OSI (Reggiolo, 10 de junho de 1959) é um treinador e ex-futebolista italiano que atuava como volante. Desde 26 de maio de 2025 comanda a Seleção Brasileira.

Em 2019, foi nomeado um dos 10 maiores treinadores da história do futebol, em lista divulgada pela France Football.[4]

Em 2022, tornou-se o treinador com mais conquistas em torneios interclubes da UEFA (oito conquistas), e também o treinador com o maior número de conquistas da Liga dos Campeões da UEFA (cinco vezes). Somando-se estas cinco conquistas da Champions como treinador, aos dois títulos conquistados enquanto era jogador, Ancelotti superou Francisco Gento (que conquistou a competição por seis vezes como jogador) como o maior vencedor da Liga dos Campeões.

Carreira como jogador

Parma

Jogador com qualidade no passe e boa saída de bola, Ancelotti começou sua carreira em 1976, no Parma. Ele realizou sua estreia profissional na Serie C durante a temporada 1976–77, aos 18 anos de idade. Sob o comando do técnico Cesare Maldini, era frequentemente escalado como um meia-ofensivo, atuando atrás dos atacantes, ou até mesmo como um segundo atacante, devido à sua habilidade de marcar gols.[5][6]

Carletto destacou-se nesses papeis e ajudou o Parma a conquistar o segundo lugar no girone A da Serie C1 durante a temporada 1978–79, o que garantiu à equipe uma vaga nos playoffs da Serie B. No jogo decisivo em Vicenza, contra a Triestina, Ancelotti marcou dois gols quando o placar estava empatado em 1–1, o que deu ao Parma uma vitória por 3–1 e assegurou sua vaga na Serie B na temporada seguinte.[5][6]

Em 11 de outubro de 2023, ao receber o título de Mestrado Honorário em Ciências e Técnicas de Atividades Motoras, o ex-jogador, em seu discurso, resgatou uma matéria de jornal que citava o jogo em questão:[7][8][9]

Depois de destacar-se com a camisa do Parma, o jogador chamou a atenção de tradicionais equipes da Itália como a Internazionale. Apesar de ter recebido proposta do clube de Milão, a equipe da Capital Italiana havia mostrado número melhores ao clube de Parma e o negócio foi fechado no início da temporada 1979–80.[10]

Nils Liedholm, treinador sueco, descobriu o jogador enquanto este ainda estava sob contrato com o Parma. O ex-jogador havia acabado de concluir seu retorno ao comando da Roma e pediu para que Luciano Tessari, outro técnico, opinasse sobre o meio-campista:[11]

Roma

Em 1979 transferiu-se para a Roma, onde viveu seu auge, formou uma grande dupla ao lado de Falcão e conquistou uma Serie A (Campeonato Italiano) e quatro Copas da Itália.[12]

Ancelotti na temporada 1983–84 pela Roma.

Com o elenco Giallorossi, Ancelotti tivera seus primeiros grandes momentos na Elite do Futebol. Em 1981, apenas dois anos após sua chegada, integrou pela primeira vez a Seleção Italiana e garantiria, pela segunda vez consecutiva, o título de Campeão da Coppa Italia.[11]

Apesar dos bons momentos, em especial a grande conquista do Campeonato Italiano de 1982–83 – esta que ele chamou de "minha primeira grande vitória", Carletto também tivera de amargar lesões que o deixaria de momentos importantes daquela década. Em 1981, sofreu uma lesão no menisco que o deixaria de fora dos gramados até o ano seguinte, onde venceu o Scudetto, mas ficando de fora do tricampeonato na Copa do Mundo FIFA de 1982. Entretanto, em 1983, tivera mais uma séria injúria no mesmo local que o impediria de disputar a final da Taça dos Campeões Europeus contra o Liverpool[11] – vencida pelos ingleses nas penalidades.[13]

Recuperado, Carlo não foi mais acometido por tais problemas, e voltou a conquistar mais dois troféus de Coppa Itália até deixar a equipe em 1987.[11]

Ancelotti foi condecorado ao integrar no Hall da Fama da Roma em 2014. Agradecido pela homenagem, o ex-capitão da equipe agradeceu ao prêmio, afirmando estar "honrado" com o reconhecimento:[11]

Após muitos anos, Ancelotti decidiu escrever sua autobiografia Preferisco la Coppa, e por lá fizera um comentário sobre sua passagem gloriosa na Roma:[11]

Milan

Após seus anos na Roma, Arrigo Sacchi se interessou pelo atleta e o chamou para integrar o Milan na época 1987–88. Rapidamente o médio sentiu a diferença nos treinamentos e afirmou que Sacchi "mudou a metodologia".[14] Ele também chegou a afirmar que ele era um marciano e que havia aprendido a jogar em equipe. Ademais, afirmou que ele tinha força de inovar neste jogo.[9]

Munido de um elenco lendário, como Franco Baresi, Paolo Maldini e Ruud Gullit, o Milan atuou de maneira consistente na Série A de 1987–88 e liderou a tabela na reta final do Campeonato e concluiu a edição com o título nacional – o primeiro de Carlo com a equipe Rossonera.[14]

Ancelotti fizera dupla com Frank Rijkaard na final da Taça dos Campeões em 1989.

Na segunda temporada, o jogador comemorou mais um título ao derrotarem a Unione Calcio Sampdoria na Supercopa da Itália.[15] Apesar de não terem conquistado novamente troféus em solo italiano, Carletto finalmente vencera sua primeira Taça dos Campeões ao bater o Steaua Bucareste na decisão por 4–0.[16]

Na semifinal, fizera seu único gol na edição ao abrir o placar na goleada de 5–0 contra o Real Madrid no Estádio Giuseppe Meazza.[17]

Ainda em 1989, entrou em campo durante 100% do tempo na vitória diante o Atlético Nacional por 1–0 na prorrogação da Copa Europeia/Sul-Americana de 1989.[18]

Na temporada de 1989–90, Ancelotti viveu um período cheio de finais, mas deixou de participar de alguns momentos importantes. Inicialmente, fico de fora do jogo diante o Barcelona na conquista da Supercopa Europeia de 1989.[19] Também deixou de participar da final da Copa da Itália em 1990 quando perderam para Juventus[20] por ter sofrido uma lesão no joelho na Taça dos Campeões;[21] perdeu a reta final da Série A onde o clube acumulou resultados negativos e perdeu a liderança nos últimos jogos;[22] e ainda esteve lesionado na disputa da Copa Europeia/Sul-Americana de 1990, mas ali o Milan conseguiu o título vencendo o Olímpia por 3–0.[23]

Mesmo retornando de lesão, Ancelotti foi titular na final da Taça dos Campeões em 1990.

Recuperado da injúria, Carletto retornou aos gramados para disputar a final da Taça dos Clubes Campeões Europeus de 1989–90. Por lá, disputou a decisão por 74 minutos e comemorou o bicampeonato continental após derrotar o Benfica por 1–0.[24]

Entre os biênios de 1990–91, Carlo venceu apenas a Supercopa Europeia de 1990 contra a Sampdoria.[25] Nesse período, passou a abdicar de alguns jogos por conta de lesões – algo que seria ainda mais acentuado na época posterior.[26] Arrigo tratou de poupar o craque em alguns jogos para colocar Alberico Evani, Frank Rijkaard e Roberto Donadoni ocupando a faixa de campo quando necessário.[27][28]

Então, na época que marcaria sua despedida dos gramados, voltou a comemorar a Série A em 1992. Apesar do título, Ancelotti tivera muitas dificuldades em seguir jogando regularmente nesse período. Entre lesões e opção do comandante Fabio Capello, o médio de 32 anos decidiu que abdicaria do restante de sua carreira após aquela época.[26]

Mesmo tendo sido o último treinador de Ancelotti, Fabio tratou de elogiar muito o compatriota, ainda que as lesões tivessem impedido jogos regulares:[26]

Encerrou a carreira como jogador no dia 19 de maio de 1992, aos 32 anos, em um amistoso contra a Seleção Brasileira realizado no San Siro. Na ocasião, o Milan perdeu para o Brasil por 1–0, com gol de Careca.[29]

Seleção Italiana

Bearzot foi o primeiro treinador a convocá-lo à Seleção Italiana.

Carletto começou sua carreira na Seleção Italiana de Futebol em 1981, aos 19 anos, enquanto ainda performava com a camisa da Roma; na ocasião foi chamado por Enzo Bearzot. Seu primeiro jogo aconteceu em janeiro e o atleta foi titular contra os Países Baixos em um amistoso. Já no debut, acertou um chute de longa distância aos sete minutos de jogo e abriu o placar no empate por 1–1.[30]

O jogador passou a ser chamado nos demais jogos, mas deixou de participar da Copa do Mundo FIFA de 1982, vencida pelos italianos, por conta de uma lesão sofrida ainda sob contrato com a Roma.[11] Outros problemas físicos fizeram com que o jogador não estivesse no elenco dos próximos anos,[11] mas voltou a atuar pela equipe nos últimos amistoso de 1986 – o que o fizera constar na lista de convocados à Copa do Mundo FIFA de 1986. Apesar disso, Enzo não o colocou em nenhum jogo da competição e Carlo contemplou a eliminação da Itália perante a França de Michel Platini nas oitavas de final.[31]

Eventualmente, o jogador retornou aos gramados pela Itália durante as Eliminatórias da Euro e participou da edição de 1988 sendo titular em todos os quatro jogos da Azurra na competição. Em seu segundo jogo, na primeira vitória dos italianos, Carletto deu uma assistência para Gianluca Vialli abrir o placar aos 73 minutos diante a Espanha e dar números finais ao jogo.[32] No futuro, Ancelotti seria eliminado nas semifinais diante a Seleção Soviética de Futebol.[33]

Em 1990, o italiano faria um de seus últimos jogos pela Azurra. Atuando pelo Milan, ele integrou o elenco de Azeglio Vicini para Copa do Mundo e novamente viu a equipe rumar à semifinal, mas fazendo apenas dois jogos – pois havia se lesionado no jogo inaugural – até a eliminação da equipe diante a Argentina de Diego Maradona nas penalidades. Após ficar de fora deste jogo, Carletto retornou para disputa de 3º lugar e contemplou Roberto Baggio e Salvatore Schillaci fazerem os gols na vitória por 2–1 diante a Inglaterra de Gary Lineker.[31]

Carlo deixou de atuar com frequência pela Seleção a partir deste período. No entanto, fizera seu 26º, e último, jogo nas Eliminatórias da Eurocopa um ano depois. Na ocasião, foi titular em um empate por 1–1 contra a Noruega.[34]

Carreira como treinador

Auxiliar técnico na Seleção Italiana

Times escalados para final da Copa de 1994.

Após concluir sua carreira como jogador, Carlo Ancelotti assumiu o posto de auxiliar técnico de Arrigo Sacchi na Seleção Italiana de Futebol em 1992. Ambos ficaram no cargo até 1995.[10] Nesse período, os dois levaram a Itália à final da Copa do Mundo de 1994, mas viram Roberto Baggio errar o pênalti decisivo, garantindo o tetracampeonato ao Brasil.[35][36]

Em 2016, Carlo disse que um retorno à Seleção Italiana "seria ótimo". Ainda na entrevista, afirmou que trabalhar com Arrigo em 1994 foi "inesquecível", mas que havia faltado "a cereja do bolo" (título).[37]

Reggiana

Iniciou sua carreira de treinador no Reggiana, em 1995.[10] Por lá ficou pouco tempo e tivera um desempenho aquém. Atuando pela Série B de 1995–96, Carletto não venceu nenhum dos cinco jogos disputados na competição – duas derrotas e três empates – e foi eliminado pelo Bologna Football Club 1909 na Coppa Itália por 3–0 nas oitavas de final.[38] Além disso, havia eliminado o Trapani Calcio nas penalidades no jogo de estreia do treinador e o Società Sportiva Calcio Bari por 2–0. Carmelo La Spada, atleta de Ancelotti, foi o primeiro jogador a marcar um gol sob o comando dele. Isso aconteceu no empate por 1–1 diante do Trapani na Coppa.[39]

Carletto trouxe ao clube o acesso à Série A.[40][10] Repetindo o esquema que já conhecia com Arrigo Sacchi, o italiano colocou o time para jogar em um 4-4-2[41] e aproveitou os gols marcados pelo russo Igor Simutenkov para arrancar pontos em busca da primeira divisão.[42]

Em entrevista no ano de 2024, Ancelotti lembrou do começo de sua carreira e afirmou ter tido uma incerteza sobre a continuidade dela em meio a um ambiente com tamanha pressão e resultados igualmente adversos:[43]

Ao final da temporada, foi seduzido pelo projeto da Parmalat e decidiu assinar com o Parma. Em apenas uma temporada, concluiu a passagem com 17 vitórias, 14 empates e 10 derrotas em 41 jogos, com 52,8% de aproveitamento.[10]

Parma

Ancelotti pelo Parma na temporada 1996–97.

Na temporada seguinte foi técnico do Parma e chegou a ser vice-campeão italiano.[10] No Parma, encontrou um grande elenco. A equipe contratou Hernán Crespo ao ataque na mesma época que Carletto assumiu o elenco.[44][45] Pietro Strada, ala que havia trabalhado com ele no clube anterior, também foi chamado para integrar o elenco.[46] Na sua segunda temporada, recebeu do time a camisa 10.[47] Crespo viria a afirmar que ouvi-lo é uma boa escolha e que Carletto o ensinara a ter uma vida de atleta:[41]

Além deles Dino Baggio, Fabio Cannavaro, Enrico Chiesa e Lilian Thuram performaram ao longo da temporada. Ademais, foi nessa temporada que Ancelotti utilizou de Gianluigi Buffon,[44][45] que estava no profissional há um ano e sem sequência no time titular. O goleiro viria a dizer que Ancelotti era o treinador a quem ele mais devia:[48]

Cannavaro e Buffon pela Seleção Italiana em 1998.

Fabio Cannavaro, zagueiro que venceu a Ballon d'Or após o Copa do Mundo de 2006, junto de Buffon, afirmou que aprendeu a marcação por zona com Ancelotti e que por ele foi ensinado ter a correta postura:[41]

Carlo voltou à rigidez do seu 4-4-2 na equipe do Parma e quase alcançou o troféu nacional.[41] A equipe venceu a Juventus no primeiro turno, mas amargaram um empate na segundo e não obteve o título obtiveram por apenas três pontos na tabela final.[45][44]

Eventualmente no ano de 1997, o treinador se arrependeria de não ter feito mudanças na formação por conta de sua falta de flexibilidade. A equipe teve chance de obter Roberto Baggio, mas o receio de Ancelotti de transitar por outras táticas impediu de aceitar o negócio. Na série A de 1997–98, o atleta jogou pela ponta direita e marcou 23 gols pelo Bologna, sendo convocado à Copa do Mundo de 1998.[49][41][45]

No biênio de 1997 e 1998, Ancelotti classificou a equipe a fase de grupos da Liga dos Campeões da UEFA, mas sequer avançou de fase. Eles não tiveram uma boa temporada na Série A e alcançaram apenas a 6.ª colocação, conseguindo apenas vaga na Copa da UEFA. Sua melhor chance ocorreu na Coppa Itália, pois chegou a semifinal. Contudo, foram derrotados pelo Milan pela regra do gol fora de casa.[44][45]

Da esquerda para direita: o presidente Stefano Tanzi, o dirigente Riccardo Sogliano, o treinador Ancelotti e o "patrão" Calisto Tanzi.

Após uma temporada abaixo do esperado, o Parma decidiu demitir Ancelotti. A não contratação de Roberto Baggio, os maus resultados na Liga dos Campeões e o baixo desempenho no Campeonato Italiano geraram insatisfação em Calisto Tanzi; determinado a elevar o nível da equipe patrocinada pela Parmalat, ele dispensou o treinador promissor e seguiu com o projeto de colocar o clube entre os principais da Itália. Stefano Tanzi também criticou as atuações do time sob o comando do técnico, afirmando que não bastava vencer: era necessário jogar um bom futebol.[44][45]

Dessa forma, Ancelotti deixou a equipe e Alberto Malesani assumiu o cargo na sequência.[44] O treinador deixou o clube após 87 partidas, com 42 vitórias, 23 empates e 22 derrotas, alcançando 57,1% de aproveitamento.[10]

Juventus

Entre 1999 e 2001, treinou a Juventus.[10] Lá conquistou a Copa Intertoto da UEFA de 1999, seu primeiro título como treinador.[50] Sua chegada à Juventus ocorreu na reta final da temporada 1998–99, logo após a demissão de Marcello Lippi.[51] A equipe tinha uma pontuação relativamente baixa, o que a deixava no meio da tabela já no segundo turno, mas havia alcançado as quartas de final da Liga dos Campeões da UEFA de 1998–99. Nessa fase, eliminou o Olympiacos FC,[52] mas acabou superada pelo Manchester United, treinado por Alex Ferguson, na semifinal.[53]

Sua passagem pela Juventus não foi proveitosa. Além do título em 1999, Ancelotti não conquistou outros troféus e tampouco chegou tão perto do título da Liga dos Campeões quanto em sua estreia.[41] Nesse período, protagonizou uma das maiores perdas de título do Campeonato Italiano. Na temporada encerrada em 2000, a Juventus liderava a Série A na reta final e tinha vantagem considerável sobre a Lazio, que viria a ser campeã após a 34.ª rodada. O time de Carletto passou a oscilar e perder jogos importantes até que, na última rodada, foi derrotado pelo Perugia — enquanto a Lazio vencia a Reggina — e acabou ultrapassado por apenas um ponto.[54]

Na temporada 2000–01 da Série A, voltaram a brigar pelo título, mas a Roma de Fabio Capello mostrou-se mais consistente e terminou campeã com dois pontos de vantagem.[55] Além disso, o clube sequer obteve vaga nas fases seguintes da Liga dos Campeões, sendo eliminado ainda na fase de grupos.[56] Já em 1999, durante a breve campanha na Copa da UEFA, foi eliminado pelo Celta de Vigo nas oitavas de final, após uma goleada por 4–0.[57] Ao fim da Série A de 2001, Ancelotti foi demitido após não alcançar bons resultados nas competições disputadas. Ainda assim, o italiano afirmou que sua passagem pelo clube de Turim foi importante para a mudança de seu perfil como treinador, sobretudo por conta do talentoso meia-atacante e campeão da Copa do Mundo de 1998, Zinédine Zidane.[41]

Ao chegar à cidade, encontrou o craque francês motivado a deixar a Itália, mas conseguiu convencê-lo a permanecer. A atitude também serviu de aprendizado ao próprio treinador, que percebeu que a comunicação e a flexibilidade com seus atletas são de suma importância para que eles compreendam as decisões do Mister.[41]

Além de Zidane, Carlo também treinou outros futuros técnicos quando comandou a Juventus; Antonio Conte[58] e Didier Deschamps foram seus jogadores, embora este último tenha dividido o vestiário com ele por apenas alguns meses.[[59] Apesar do curto período, Carletto afirmou posteriormente que mantinha um bom relacionamento com o francês e que o considerava “um bom treinador”. Em resposta, o então técnico do Olympique de Marseille também comentou positivamente sobre as partidas sob a tutela do italiano:[59]

Em 2001, deixou a Juventus após 114 jogos, com 63 vitórias, 33 empates e 18 derrotas, alcançando 64,9% de aproveitamento. Nesse período, conquistou a Copa Intertoto de 1999[10] e o prêmio de Melhor Treinador da Série A na temporada 2000–01.[60]

Milan

Ancelotti em uma coletiva de imprensa pelo Milan.

Comandou o Milan de novembro de 2001, quando sucedeu Fatih Terim, até o fim da temporada 2008–09. Sua chegada ao clube de Milão também marcou o cumprimento de uma sugestão feita pelo próprio ex-jogador ao presidente Silvio Berlusconi em 1992:[61]

Retornando ao Milan pela primeira vez desde sua aposentadoria, agora como treinador, o ex-volante reencontrou seu antigo companheiro de equipe, o já lendário Paolo Maldini, que assumia a braçadeira de capitão e atuava essencialmente como zagueiro do time. No futuro, o treinador diria que o defensor, com quem dividiu os gramados nas décadas de 1980 e 1990, foi um atleta “especial” para ele:[62]

Apesar de já conhecer a filosofia de jogo do Milan e de Maldini, Ancelotti não obteve bons resultados em sua primeira temporada. A equipe somou apenas 55 pontos, um a mais que o Chievo Verona, garantindo a última vaga italiana na Liga dos Campeões.[63] No mesmo período, chegou às semifinais da Copa da UEFA e da Coppa Italia, mas foi eliminado, respectivamente, pelo Borussia Dortmund[64] e pela Juventus.[65]

Na temporada seguinte, contudo, Ancelotti teve sua melhor campanha até então. Na Itália, liderou a Série A até janeiro de 2003, mas acabou superado por Juventus e Internazionale, garantindo apenas a 3.ª colocação.[66][67] Na Coppa Italia, venceu todos os adversários e conquistou o título ao derrotar a Roma na final.[68] Por fim, voltou a levantar um troféu ao superar a Juventus nos pênaltis na final da Liga dos Campeões de 2002–03.[69] Em 2024, ao relembrar sua carreira à France Football, Carletto afirmou que aquela decisão europeia é a “primeira vitória que vem à cabeça”. Nesse período, a equipe italiana acumulou diversas vitórias — perdendo apenas quatro em 17 jogos — e saiu dos play-offs até a final, eliminando os rivais Inter e Juventus nas duas últimas fases.[70]

Na temporada 2003–04, o Milan tornou-se uma sensação europeia. Apesar de não ter repetido os feitos da época anterior, Carlo Ancelotti soube potencializar seus jogadores de tal modo que a nova aquisição Kaká rapidamente firmou-se no time – superando grandes nomes como Rui Costa e seu compatriota Rivaldo – e tornou-se peça-chave na conquista da Série A daquele ano.[71][72][73]

Em sua biografia Liderança Tranquila, Ancelotti comentou que a passagem de Rivaldo sob seu comando, até a chegada de Kaká, foi intensa. O brasileiro, campeão do mundo em 2002, não concordava com as decisões do treinador italiano de colocá-lo no banco de reservas e, em certa ocasião, chegou a deixar a concentração por não ser titular em uma partida do Milan. Quando o também pentacampeão chegou à Itália e assumiu a titularidade, o pernambucano rescindiu seu contrato em janeiro de 2004. No futuro, em entrevista concedida em 2025, Ancelotti revelou que teve “problemas” com apenas um brasileiro, mas não citou o nome do atleta.[74] Apesar da tensão, o ex-meia demonstrou apreço pelo técnico, afirmando no mesmo ano que ele era “um dos melhores” e que teve “o privilégio de ser comandado” por Carlo.[75] Outros brasileiros, como Cafu, Dida e Serginho, também atuaram com frequência no elenco,[76] mas foi Andriy Shevchenko quem se tornou o grande nome do time. Com 29 gols, além dos títulos do Campeonato Italiano — no qual foi artilheiro com 24 gols — e da Supercopa da UEFA de 2003, o ucraniano conquistou a Bola de Ouro de 2004.[72][73]

Ainda que tivesse contado com grandes jogadores e atuações notórias ao longo da temporada, além de vencer o prêmio de Melhor Treinador da Série A, Ancelotti sofreu um revés improvável. Em setembro de 2003, a equipe viajou ao Japão para disputar a Copa Intercontinental contra o Boca Juniors. Os italianos abriram o placar aos 23 minutos com Jon Dahl Tomasson, mas, aos 28, o argentino Matías Donnet deixou o marcador igualado até o fim da prorrogação. Assim, nos pênaltis, o time sul-americano superou os europeus e comemorou a conquista mundial. Carlo lamentou a derrota em entrevista e assumiu a responsabilidade pela escolha dos batedores:[77]

A temporada 2004–05 reservou apenas um título ao elenco italiano. Logo no início da temporada, com um hat-trick do vencedor da Bola de Ouro, a equipe derrotou a Lazio na Supercopa da Itália de 2004, e Carlo conquistou o último troféu necessário para vencer todas as taças italianas.[78] O restante, no entanto, foram desempenhos menos vitoriosos, e a equipe só chegou perto de conquistar a Liga dos Campeões da UEFA de 2004–05.[79]

Na partida que ficaria conhecida como O Milagre de Istambul,[80] Maldini e Hernán Crespo levaram o placar a 3–0 para o time de Ancelotti contra o Liverpool. No entanto, a equipe de Rafael Benítez fez um segundo tempo primoroso e empatou a partida aos 60 minutos da etapa complementar. Persistindo o empate na prorrogação, os italianos foram derrotados nos pênaltis após erros de Serginho, Andrea Pirlo e Shevchenko.[79][80] A vantagem no placar e o mau segundo tempo fizeram circular entre os torcedores um boato de que o clube italiano havia “comemorado” no intervalo do jogo. Em entrevista, Ancelotti negou a comemoração e afirmou que a lucidez da equipe acabou nas penalidades, o que resultou na derrota.[79]

Após uma modesta temporada de 2005–06, na qual a equipe esteve envolvida no escândalo Calciopoli[81] e perdeu pontos nesta e na edição seguinte da liga, o time voltou a viver um grande momento na Liga dos Campeões de 2006–07.[82] Mesmo sem o ucraniano vencedor da Bola de Ouro no elenco, já que havia sido vendido ao Chelsea antes do início da temporada por 42 milhões de euros,[83] a equipe contou com o brilho de Pippo Inzaghi para chegar à final da Champions novamente contra o Liverpool de Rafa Benítez.[84]

O elenco do Milan campeão da Champions em 2007.

Agora em Atenas, a equipe italiana voltou a começar o jogo vencendo, com Inzaghi marcando dois gols, um aos 45 e outro aos 82 minutos. Aos 89, Dirk Kuyt diminuiu o placar, mas o árbitro apitou o fim da partida com o marcador ainda indicando a vantagem do Milan.[84] Ancelotti concluiu essa edição tornando-se bicampeão continental.[82] Os dois gols de Inzaghi na final tiveram grande influência do próprio Carlo dias antes. O atacante ainda não se sentia preparado para atuar por estar se recuperando de uma lesão. Carletto, no entanto, conhecia o talento do irmão de Simone e garantiu a Adriano Galliani, diretor do Milan, que o centroavante marcaria dois gols diante do Liverpool:[79]

Pippo, por sua vez, confirmou que Ancelotti o encontrou às vésperas da partida e garantiu que ele entraria em campo na decisão. A escolha do treinador mostrou-se eficaz logo quando o centroavante desviou uma bola para dentro do gol após cobrança de falta de Pirlo e, na reta final do segundo tempo, quando Kaká lhe deu um passe que permitiu a Inzaghi superar Pepe Reina e garantir o título que havia perdido anos antes, também por lesão.[79]

Kaká venceu a Bola de Ouro de 2007 e se tornou o primeiro atleta a superar Cristiano Ronaldo e Lionel Messi na disputa do prêmio. Pelos 11 anos seguintes, nenhum jogador conseguiu repetir esse feito.[82] Em entrevista, o brasileiro elogiou o comandante e disse que ele era um dos melhores que já teve:[71]

Na temporada 2007–08, Carlo voltou a vencer a Supercopa da UEFA ao bater o Sevilla por 3–1.[85] Em dezembro de 2007, retornaram ao Japão para disputar sua segunda “vingança” em competições mundiais.[86] Após vencer o Urawa Red Diamonds por 1–0 na semifinal,[87] a equipe reencontrou o Boca Juniors e viu o clube argentino empatar o jogo em 1–1 aos 22 minutos do primeiro tempo — apenas um minuto após Pippo abrir o placar. Em seguida, Alessandro Nesta ampliou, seguido de Kaká, e o próprio Inzaghi completou os gols do Milan aos 71 minutos. Mesmo com Pablo Ledesma marcando aos 85, o placar final foi 4–2, e Ancelotti conquistou o único título que faltava em sua lista de troféus.[88]

Ronaldinho, Beckham, Kaká e Ancelotti em uma coletiva de imprensa.

Apesar desses grandes momentos, a equipe italiana passou a não ter mais sucesso. Eliminado rapidamente de todas as competições de mata-mata, caindo em ambas nas oitavas de final, o time também obteve apenas a 5.ª colocação na Série A, ficando fora da Liga dos Campeões seguinte.[89] Na temporada 2008–09, Carlo ampliou sua lista de brasileiros no elenco, o que tornou o Milan um verdadeiro lar para jogadores nascidos no Brasil, ao contratar Alexandre Pato e Ronaldinho Gaúcho.[76] David Beckham, um dos grandes nomes do futebol inglês, também chegou ao clube.[90] Apesar dos bons números individuais, a equipe falhou em conquistar grandes resultados, mas garantiu vaga na Liga dos Campeões ao terminar na 3.ª colocação.[91][92]

Sua permanência no cargo era uma incógnita. Carlo havia negado publicamente sua demissão ainda em 2009, mas, ao fim da última rodada da Série A, anunciou oficialmente sua saída. Assim, deixou o Milan após 420 jogos, com 238 vitórias, 101 empates e 81 derrotas, tornando-se o segundo treinador com mais partidas na história do clube.[10][93] Seu legado como técnico e jogador também o levou a integrar o Hall da Fama do Milan.[94] Desse modo, o italiano passou a figurar entre os ídolos de duas grandes equipes da Itália, já que também entrou para o Hall da Fama da Roma em 2014.[11]

Chelsea

Ancelotti em uma coletiva de imprensa pelo Chelsea em 2010.

Foi para o Chelsea em junho de 2009. Carlo assinou com o clube após a saída de Guus Hiddink, que acumulava os cargos de treinador do time londrino e da Seleção Russa após a demissão de Luiz Felipe Scolari no mesmo ano.[95][96] Antes da contratação de Felipão, Roman Abramovich, bilionário proprietário do Chelsea na época, cogitou Ancelotti para assumir o cargo em 2008. No entanto, a pouca experiência do treinador com o idioma inglês afastou o dirigente da contratação. Após a demissão do brasileiro, o interesse do clube foi retomado, e Carlo se dispôs a fazer um curso intensivo do idioma durante dois dias inteiros nos Países Baixos. Rapidamente, o resultado apareceu, e o italiano concedeu sua primeira entrevista coletiva na Inglaterra em inglês, apesar do nervosismo.[97]

Ancelotti iniciou sua trajetória no Chelsea conquistando a Supercopa da Inglaterra de 2009, ao derrotar o Manchester United nos pênaltis. A equipe de Sir Alex Ferguson vinha construindo uma forte hegemonia no futebol inglês, tendo vencido as três últimas edições do campeonato, enquanto o Chelsea não conquistava o título desde 2006.[98] O duelo entre o escocês e o italiano marcou a Premier League de 2009–10, até que Carletto encerrou a competição como campeão, com apenas um ponto a mais que o United (86 contra 85).[96][98]

Ancelotti e o capitão do Chelsea John Terry comemorando os títulos nacionais.

No time azul, Carlo soube aproveitar ao máximo o poder ofensivo da equipe. Contando com Didier Drogba e Nicolas Anelka,[97] variando as formações com frequência para acomodar os atacantes,[99] o italiano acumulou três partidas em que marcou sete gols e um expressivo placar de 8–0 na 38.ª rodada.[100] Assim, com 27 vitórias em 38 jogos, conquistou o título nacional em sua estreia na Inglaterra e alcançou a marca de 103 gols marcados..[98][100] Os principais artilheiros da equipe foram Drogba, que terminou a competição como artilheiro máximo com 29 gols, e o meio-campista Frank Lampard, com 22 gols.[101]

Mesmo com a eliminação para o Blackburn Rovers nas quartas de final da Copa da Liga,[102] Carlo conduziu a equipe ao título da FA Cup de 2009–10, sofrendo apenas um gol em toda a campanha.[103] Após vencer o Portsmouth por 1–0 na final da competição mais antiga do futebol, o treinador conquistou aquele que seria seu último troféu pelo Chelsea.[104][105] Permaneceu no cargo até ser demitido ao fim da Premier League de 2010–11, temporada em que a equipe foi vice-campeã. Nessa edição, apesar do início fulminante, com 12 gols marcados nos dois primeiros jogos,[106] o time passou a apresentar queda de rendimento pouco antes da virada do ano.[107][108] Posteriormente, melhorou os números, mas sem repetir o desempenho anterior, encerrando a campanha com 71 pontos, nove atrás do líder Manchester United.[98]

Sem sucesso na Supercopa, na Copa da Liga e na FA Cup, Carletto buscou conquistar mais um título continental na Liga dos Campeões da UEFA de 2010–11.[108] Na edição anterior, havia sido eliminado pela Internazionale nas oitavas de final,[109] mas desta vez avançou ao derrotar o FC København por 2–0 no placar agregado.[110] Nas quartas, contudo, enfrentou o Manchester United e perdeu os dois jogos, resultando em sua segunda eliminação com o Chelsea.[111]

Em 22 de maio de 2011, o Chelsea anunciou, após a 38.ª rodada da Premier League — em que foi derrotado pelo Everton —, o desligamento do treinador, afirmando que “as atuações ficaram aquém das expectativas”[107] Assim, Ancelotti deixou o Chelsea com 109 partidas, 67 vitórias, 20 empates e 22 derrotas, alcançando 67,6% de aproveitamento — o melhor de sua carreira até então.[10]

Paris Saint-Germain

Ancelotti em 2012 pelo PSG.

Foi anunciado como substituto de Antoine Kombouaré no comando do Paris Saint-Germain em 30 de dezembro de 2011.[112] Sua estreia foi em 4 de janeiro de 2012, em uma derrota para o Milan por 1–0 nos Emirados Árabes Unidos, com gol de seu ex-jogador Alexandre Pato, na Dubai Challenge Cup, torneio amistoso em que ficou com o vice-campeonato.[113]

Seu início na França foi irregular. Mesmo com um começo positivo, o PSG passou a oscilar ao longo do segundo turno e viu o Montpellier Hérault Sport Club assumir a ponta da tabela da Ligue 1 ainda sob o comando do italiano. Apesar das vitórias, o PSG não conseguiu diminuir a diferença de pontos e também foi eliminado das demais copas francesas, acompanhando a conquista inédita do clube da cidade homônima.[114] Ainda que sem o troféu, Ancelotti viu o brasileiro Nenê — ídolo do Paris — liderar a artilharia junto com Olivier Giroud, ambos com 21 gols.[115]

Mesmo longe dos títulos franceses, o treinador teve seu trabalho mantido para a temporada seguinte, na qual o clube se classificou para a Liga dos Campeões da UEFA de 2012–13.[116] Ciente dos reforços necessários, o PSG investiu pesado na janela de transferências e levou ao time de Ancelotti os craques Zlatan Ibrahimović e Thiago Silva — ambos vindos do Milan.[117] Com a saída de Mamadou Sakho, antigo líder do elenco,[118] o italiano optou por colocar Thiago Silva, recém-chegado como capitão em alguns jogos. A decisão mostrou-se polêmica desde o início, e a mídia local questionava o mérito de um jogador tão recente assumir justamente o posto mais alto dentro de campo.[119] Apesar de repetir o insucesso nas copas, Carlo levou a equipe a conquistar resultados positivos com frequência na Ligue 1 de 2012–13. Com tantas vitórias, impulsionadas pelo artilheiro Zlatan, o clube passou a liderar a competição e permaneceu assim até a 38ª rodada, quando alcançou 83 pontos — 10 a mais que o vice-líder Olympique de Marseille.[120]

Ainda que tivesse vencido a Liga, o treinador amargou eliminações nas copas nacionais, com destaque para uma surpreendente eliminação nos pênaltis diante do Évian TG na Copa da França.[121] Nesse jogo, Ancelotti entrou no vestiário furioso e chutou uma caixa que atingiu a cabeça de Zlatan Ibrahimović, que nada fez por entender o lado do treinador italiano. Em entrevista, o ídolo sueco relembrou o dia:[97]

Pela Liga dos Campeões, Carlo passou da fase de grupos com apenas uma derrota em seis jogos. No entanto, entrou em atrito com o diretor Leonardo. Antes da segunda partida contra o Porto, válida pelo returno da fase de grupos da Champions, Leonardo ameaçou Ancelotti de demissão caso o PSG não derrotasse a equipe portuguesa. Na segunda rodada, o Porto havia vencido o Paris no Estádio do Dragão por 1–0, mas o clube já havia garantido a classificação às oitavas antes do fim da fase de grupos. Em sua autobiografia, Liderança Tranquila, Ancelotti revelou:[122]

Vencendo o Porto, avançou às oitavas, quando o clube enfrentou o Valencia e superou os espanhóis pelo placar agregado de 3–2. Nas quartas de final, disputaram duas partidas contra o Barcelona de Tito Vilanova. Os confrontos terminaram empatados, mas o Barça se classificou pela regra do gol fora de casa após um empate em 3–3 no agregado.[123] A reação de Leonardo causou um choque no treinador italiano. Ancelotti afirmou posteriormente que não entendeu a postura do brasileiro e que isso rompeu sua confiança ainda em fevereiro. Decidido a deixar o Paris, apesar do desejo do PSG de mantê-lo, acertou sua saída em junho de 2013. Um ano depois, Ancelotti voltou a falar sobre o tema, afirmando que os dirigentes não estavam felizes com ele:[123]

Após a conturbada passagem pelo clube parisiense, Ancelotti deixou o PSG com 77 partidas, 49 vitórias, 19 empates e apenas nove derrotas. Esses números lhe renderam um aproveitamento de 71,9%.[10]

Real Madrid

2013–14

Após mais de um mês de negociações, foi anunciado pelo Real Madrid em 25 de junho de 2013, assinando contrato válido por três anos.[124] Sua chegada evidenciava a ambição do clube espanhol de reconquistar a Europa, já que não vencia a Liga dos Campeões desde a temporada 2001–02 e havia visto o rival Barcelona conquistar os títulos em 2006 e 2009[125] Nesse período, o time falhou nas grandes competições, apesar de ter contado com um elenco considerado “galáctico” em meados dos anos 2000[126] e de ter formado uma equipe dominante que somou 100 pontos na La Liga de 2011–12 sob comando de José Mourinho.[127] As sucessivas frustrações levaram os merengues a buscar diversas alternativas até chegarem a Ancelotti, que substituiu Mourinho após este não cumprir a promessa de reconquistar a Champions League.[128]

Cristiano Ronaldo foi o jogador mais decisivo de Ancelotti durante suas duas temporadas no Real Madrid.

Em sua primeira temporada no Campeonato Espanhol, Carlo comandou uma equipe estrelada, mas que não conseguiu os resultados decisivos nos principais momentos. O time se destacou contra a maioria dos adversários, com grande desempenho de Cristiano Ronaldo em seu auge na rivalidade com Lionel Messi,[129][130] mas os confrontos diretos foram insuficientes. Diego Simeone, que levou o Atlético de Madrid ao topo da tabela com 90 pontos,[131] conquistou quatro pontos contra os merengues, enquanto o Barcelona de Gerardo Martino venceu todos os clássicos contra o Real na La Liga.[132] Assim, Real e Barça terminaram com 87 pontos, mas os critérios de desempate colocaram os catalães à frente, enquanto o Atlético de Madrid conquistou o título pela primeira vez desde 1996.[133][131]

Entretanto, teve desempenho mais positivo na Copa del Rey de 2013–14. Ancelotti repetiu o feito de sua estreia na FA Cup com o Chelsea e conduziu os merengues ao título, sofrendo apenas um gol em toda a campanha — marcado por Marc Bartra na final.[132][134] No caminho, eliminou o campeão da La Liga ao aplicar uma goleada de 5–0 no placar agregado na semifinal.[135] Na final, contra o Barcelona, viu Ángel Di María abrir o placar, antes de Marc empatar no segundo tempo. Aos 85 minutos, após passe de Fábio Coentrão, Ancelotti presenciou Gareth Bale correr cerca de 60 metros em menos de oito segundos, balançar as redes de José Manuel Pinto e garantir seu primeiro título no Real Madrid.[134]

Seu maior sucesso, no entanto, ocorreu na Liga dos Campeões da UEFA de 2013–14. Ciente do poder ofensivo do trio formado por Cristiano Ronaldo, Bale e Karim Benzema em um esquema vitorioso no 4-3-3, o treinador tratou de potencializar ao máximo o craque português.[136][137] O Real iniciou a campanha na fase de grupos goleando o Galatasaray por 6–1, com hat-trick de Cristiano,[138] antes de avançar às oitavas de final invicto.[139] Após marcar nove gols em dois jogos contra o Schalke 04, os merengues sofreram sua única derrota na competição no jogo de volta contra o Borussia Dortmund, por 2–0. No entanto, o placar favorável de 3–0 na ida os levou à semifinal contra o Bayern de Munique.[139] Depois de uma vitória simples no Estádio Santiago Bernabéu, o grande nome da temporada, Cristiano Ronaldo, marcou dois gols na Allianz Arena e quebrou o recorde de Lionel Messi de 14 gols em uma única edição da Liga dos Campeões.[140]

Na final, voltou a enfrentar o Atlético de Madrid no Estádio da Luz. Aos 36 minutos, o zagueiro Diego Godín abriu o placar para o time de Simeone, e o marcador só foi alterado nos acréscimos do segundo tempo, quando Sergio Ramos marcou de cabeça e levou a decisão para a prorrogação. Nela, superando o cansaço dos adversários, o Real ampliou o placar com mais três gols, incluindo o 17.º de Cristiano na competição,[141] e conquistou o 10.º título da história do clube merengue, o primeiro desde 2002.[142]

O elenco do Real Madrid comemorando o título da Champions.

Em janeiro de 2014, pelos grandes feitos antes da chegada de Carletto, Cristiano conquistou a FIFA Ballon d’Or de 2013. Já o excelente desempenho sob o comando do italiano na temporada 2013–14, somado às conquistas coletivas do time espanhol, fizeram com que o português vencesse novamente o prêmio em 2015,[143] além de receber o reconhecimento da UEFA como Jogador do Ano[144] e a Bota de Ouro da UEFA juntamente de Luis Suárez.[145] Assim, Cristiano tornou-se o terceiro jogador a conquistar a Bola de Ouro sob o comando do ex-jogador. Em entrevista, o tricampeão europeu — e pentacampeão considerando também suas conquistas como atleta — afirmou acreditar que Cristiano é o melhor da história:[146]

Além de aproveitar o talento já reconhecido pelos torcedores, Carlo também conseguiu consolidar um jogador antes muito questionado pela torcida do Real. Contratado na temporada anterior por 30 milhões de euros e considerado a pior contratação da Espanha naquele período,[147] o italiano fez com que o meio-campista Luka Modrić conquistasse a vaga de titular e nela permanecesse por muitas partidas.[148] Apesar do ceticismo inicial, foi sob o comando de Ancelotti que o croata — futuro vencedor da Bola de Ouro — mostrou seu verdadeiro valor à torcida merengue.[148] A insistência rendeu frutos, pois o jogador viria a se tornar capitão e o maior vencedor da história do clube espanhol.[149]

2014–15

Carlo precisou lidar com saídas no elenco e contratou grandes destaques da Copa do Mundo FIFA de 2014. O clube trouxe James Rodríguez, autor do gol mais bonito e artilheiro da competição, que assumiu a camisa 10 já em sua estreia. Keylor Navas, principal nome da Costa Rica no torneio, chegou para ser opção ao goleiro Iker Casillas. Toni Kroos, campeão mundial, foi outra contratação para fortalecer o meio-campo.[150][151] A chegada do alemão levou Carletto a negociar o experiente Xabi Alonso,[152] e, somada à vinda de James, fez o treinador adotar uma formação mais ofensiva, com Modrić e Kroos à frente da defesa e Rodríguez atuando atrás do centroavante — em contraste com o esquema anterior, no qual Xabi ou Sami Khedira jogavam como volantes, sem a presença de um meia-atacante.[137]

As contratações surtiram efeito em duas finais disputadas pelos merengues. Na Supercopa da UEFA de 2014, Cristiano Ronaldo marcou os dois gols contra o Sevilla, e o clube conquistou o troféu continental.[153] Em dezembro de 2014, venceram a Copa do Mundo de Clubes da FIFA ao derrotar o San Lorenzo pelo mesmo placar de 2–0.[154]

Apesar desse sucesso, a equipe voltou a ter dificuldades na La Liga de 2014–15. Mesmo com goleadas impressionantes, como o 9–1 sobre o Granada na 29.ª rodada, com destaque para os cinco gols de Cristiano,[155] os merengues oscilaram na reta final e perderam a liderança para o Barcelona, tendo inclusive sido derrotados uma rodada antes da memorável goleada.[156] Ao fim da La Liga de 2014–15, em que terminou com o vice-campeonato, sua demissão foi confirmada pelo presidente Florentino Pérez.[157][158]

A decisão não foi unânime. Após a rodada final, a torcida do Real Madrid ovacionou o treinador italiano, enquanto Cristiano Ronaldo publicou uma foto ao lado dele nas redes sociais e declarou o desejo de trabalhar novamente com Carletto “na próxima temporada”. As manifestações, porém, não sensibilizaram o dirigente do clube:[158]

Nas demais competições, o insucesso foi evidente. A equipe foi eliminada pelo Atlético de Madrid na Copa del Rey de 2014–15,[159] apesar de já ter conquistado a Supercopa da Espanha de 2014 por 2–1 no placar agregado,[160] e não conseguiu superar a Juventus na semifinal da Liga dos Campeões da UEFA.[161] Além disso, o Barcelona de Luis Enrique tornou-se a equipe mais dominante da Espanha. Lionel Messi, Luis Suárez e Neymar formaram um trio poderoso, que rivalizou com o do Real Madrid,[162][163] e conquistou todos os troféus disputados naquela temporada.[164]

Outro legado de Ancelotti no Real foi seu auxiliar técnico. Em julho de 2013, assim que assinou com os merengues, levou seu ex-jogador Zinédine Zidane para auxiliá-lo no comando da equipe.[165] Os dois trabalharam juntos até a final da Liga dos Campeões de 2014, quando a diretoria decidiu que o francês seria melhor aproveitado no Real Madrid Castilla, onde permaneceu após a demissão de Ancelotti do time principal.[166] Posteriormente, com o insucesso de Rafael Benítez como substituto do italiano,[167] Zidane foi promovido ao cargo de treinador e teve uma passagem marcante, com três títulos consecutivos da Champions League.[165]

Sua primeira passagem pelo Real Madrid terminou com quatro títulos, 119 jogos, 89 vitórias, 14 empates e 16 derrotas. Assim, o italiano alcançou um novo recorde de aproveitamento por um clube: 78,7%.[10]

Bayern de Munique

Ancelotti treinando o Bayern em 2017.

Em 20 de dezembro de 2015, foi anunciado pelo Bayern de Munique como substituto de Pep Guardiola, assumindo o cargo em 1.º de julho de 2016.[168] Na equipe alemã, reencontrou-se com Xabi Alonso, que havia sido incluído na transferência de Toni Kroos ao Real Madrid em 2014.[152] O italiano estreou conquistando a Supercopa da Alemanha de 2016 ao vencer o Borussia Dortmund por 2–0.[168]

Eventualmente, o treinador passou a comandar o time na Bundesliga de 2016–17 e logo repetiu as goleadas marcantes de sua carreira. Já na rodada de abertura, aplicou um 6–0 sobre o Werder Bremen,[169] resultado que se repetiu contra o Augsburg na 26.ª rodada[170] e diante do Wolfsburg, na 31.ª, quando confirmaram o título da Liga.[171] Contudo, a maior goleada ocorreu contra o Hamburgo, quando o Bayern marcou oito gols sem sofrer nenhum.[172] O ataque alemão foi liderado por Robert Lewandowski, artilheiro da equipe, que alcançou a marca de 30 gols em 33 partidas.[173] Seus gols e os dos demais jogadores levaram o time ao título da Bundesliga com 82 pontos, 15 a mais que o RB Leipzig.[168] O treinador conquistou a competição com apenas duas derrotas e sem perder nenhuma partida como mandante. Além disso, bateu os recordes de vitórias consecutivas em casa (10) e fora (11).[174]

O sucesso na liga, porém, não se repetiu nas copas nacionais e europeias. Em sua estreia na Copa da Alemanha, o clube chegou às semifinais, mas foi eliminado pelo Borussia Dortmund, comandado por Thomas Tuchel.[175] O Bayern também disputou a Liga dos Campeões da UEFA de 2016–17 e foram dominantes na fase de grupos, mas sofreram duas derrotas. A primeira ocorreu na segunda rodada, quando Yannick Carrasco balançou as redes de Manuel Neuer e garantiu o 1–0 para o Atlético de Madrid, treinado por Diego Simeone.[176] Depois, na quinta rodada, sofreram uma surpreendente derrota para o FK Rostov por 3–2.[177] A derrota, de virada, abalou o treinador italiano, ainda que o clube não tivesse sofrido eliminação alguma, apenas a impossibilidade matemática de alcançar a liderança do grupo. Após o apito final, Carlo encontrou-se com o executivo-chefe do Bayern, Karl-Heinz Rummenigge, e pediu desculpas; em resposta, o dirigente disse para não se preocupar e que Ancelotti tinha “nossa plena confiança”.[177] Classificados em segundo, enfrentaram o Arsenal de Arsène Wenger e os golearam. Após vencer ambos os jogos por 5–1,[178] Ancelotti chegou às quartas e reencontrou o Real Madrid pela primeira vez desde sua saída do clube. A equipe agora comandada por seu ex-jogador e auxiliar técnico, Zinédine Zidane, sobressaiu-se no jogo de ida por 2–1, mas viu o Bayern marcar dois gols fora de casa, incluindo um contra de Sergio Ramos, e levar o jogo à prorrogação após o placar final indicar o mesmo resultado do jogo de ida. O tempo extra, porém, reservou outro grande momento para Cristiano Ronaldo, que completou seu hat-trick antes de Marco Asensio fechar o placar em 4–2 e eliminar os alemães.[179]

Depois de encerrar a temporada e abrir a janela de transferências, Ancelotti recebeu novos atletas no time alemão para a temporada 2017–18. Entre eles, James Rodríguez, seu ex-jogador no Real Madrid, chegou por empréstimo para defender o clube alemão.[180] A boa relação de Ancelotti com James gerou descontentamento no restante do elenco alemão.[181] Lideranças do elenco como Manuel Neuer, Thomas Müller e Jérôme Boateng teriam reclamado ao diretor Karl-Heinz Rummenigge dos métodos do preparador físico de Ancelotti, que promovia apenas três minutos de aquecimento. Arjen Robben, de acordo com a revista alemã Kicker, teria dito que os treinos de seu filho Luka, que jogava no time infantil do Bayern, eram mais pesados do que os dos profissionais comandados por Ancelotti. Somado a isso, Carletto mantinha proximidade com James Rodríguez e o meio-campista Thiago Alcântara, pois o trio costumava fazer refeições juntos. Parte do elenco entendia que essa amizade influenciava nas escalações do time titular.[181][182][183] Ao ser questionado sobre as afirmações da revista alemã, Robben se irritou em sua resposta e negou publicamente o que foi dito.[184]

A segunda temporada foi curta. O italiano conquistou novamente a Supercopa da Alemanha de 2017 contra o Borussia Dortmund, agora comandado por Peter Bosz,[168] e obteve quatro vitórias em seis jogos da Bundesliga de 2017–18. Apesar do início positivo, em que também venceu nas estreias da Copa da Alemanha e da Liga dos Campeões, teve um péssimo resultado contra o Paris Saint-Germain na mesma competição, perdendo por 3–0 no Parc des Princes, e, após o jogo, foi demitido em 28 de setembro de 2017.[185] Ancelotti foi demitido de maneira surpreendente para a mídia da época. Porém, os relatos internos indicavam que os jogadores já não estavam satisfeitos com o comando do italiano, como Arjen Robben e Franck Ribéry; a situação se intensificou após o treinador deixar atletas importantes no banco de reservas, incluindo os já citados, na partida contra o Paris Saint-Germain. Uli Hoeneß, presidente do clube na época, confirmou posteriormente as reivindicações dos jogadores experientes:[182]

O zagueiro Mats Hummels foi um dos jogadores apontados pela mídia alemã como parte do grupo que teria se unido para derrubar o italiano. Ele, porém, em entrevista ao jornal Bild, negou ter tido qualquer conversa com os jogadores e disse não saber de onde tal informação vinha:[186]

Um mês após deixar a Alemanha, Ancelotti concedeu uma entrevista à Sky Sports Itália e comentou sobre sua saída do clube:[187]

Carlo Ancelotti deixou o Bayern de Munique após 60 jogos, 43 vitórias, oito empates e nove derrotas, encerrando a passagem com 76,11% de aproveitamento.[10]

Napoli

O elenco do Napoli comemorando um gol com Ancelotti em 2019.

Em 23 de maio de 2018, retornou ao futebol italiano para comandar o Napoli, assinando contrato por três temporadas.[188] Seu retorno à Itália elevou o nível do Napoli, tornando a equipe competitiva no cenário nacional. Apesar de contar com um elenco menos estrelado que o de Bayern ou Real Madrid, Ancelotti trabalhou com nomes consistentes como Lorenzo Insigne, Kalidou Koulibaly, Fabián Ruiz, Marek Hamšík, Dries Mertens e Arkadiusz Milik. Com o time, conseguiu potencializar especialmente os dois últimos, formando uma dupla artilheira responsável por 33 dos 74 gols do clube na Série A.[137][189][190]

Milik, artilheiro do Napoli com 17 gols no Campeonato Italiano, foi potencializado com a chegada de Carlo. O jogador vinha de temporadas menos brilhantes pelo clube, mas reviveu sua fase artilheira dos tempos de Ajax[191] e formou, ao lado do belga Mertens, um ataque poderoso.[137] Este último, por sua vez, liderou o ranking de assistências com 11 passes para gol, seguido por José Callejón, seu companheiro de equipe, que deu 10 assistências em 34 partidas.[137][189][190] Apesar da regularidade, a disputa pelo título mostrou-se um grande desafio. A Juventus havia contratado Cristiano Ronaldo para reforçar o ataque e confirmou a hegemonia construída anteriormente ao conquistar mais um campeonato.[192] Mesmo brigando ponto a ponto, a Juventus se sobressaiu diante dos adversários e venceu os dois confrontos contra o Napoli na Série A. Assim, a equipe de Turim terminou na liderança com 90 pontos, 11 a mais que o time de Ancelotti, que ficou com a segunda colocação.[190]

Sem sucesso na Coppa Italia, onde foram eliminados em duas partidas,[193] a equipe também teve dificuldades na Liga dos Campeões da UEFA de 2018–19. Disputando a vaga com Paris Saint-Germain, Estrela Vermelha e Liverpool, os italianos venceram apenas dois jogos e somaram nove pontos — insuficientes para avançar de fase. Assim, com a terceira colocação, foram para os 16 avos de final da Liga Europa.[194] Nela, eliminaram o FC Zürich,[195] seguido de uma classificação disputada contra o Red Bull Salzburg, com placar agregado de 4–3.[196] Nas quartas de final, porém, enfrentaram o Arsenal e foram derrotados em ambas as partidas, sendo eliminados por 3–0 no placar agregado.[197]

Em sua segunda temporada, realizou poucas movimentações no mercado,[198] mas reforçou o elenco com o zagueiro Kostas Manolas e o experiente centroavante Fernando Llorente.[199][200] Contudo, mesmo sem perdas significativas, o clube passou por péssimas sequências de resultados na Série A de 2019–20. O início foi irregular, com o Napoli vencendo apenas cinco das 15 primeiras rodadas.[198][201] Na Liga dos Campeões, porém, os italianos permaneceram invictos, mas somaram três empates em seis jogos — incluindo um 0–0 contra o Genk e um 1–1 contra o RB Salzburg no Estádio Diego Armando Maradona.[202]

Após uma goleada por 4–0 sobre o Genk, pela última rodada da fase de grupos da Liga dos Campeões, o treinador foi surpreendentemente demitido do Napoli em 10 de dezembro de 2019.[203] A saída inesperada ocorreu por motivos semelhantes aos de sua reta final no Bayern. Havia um clima tenso no vestiário, que resultou em desavenças entre o treinador e o presidente Aurelio De Laurentiis, conhecido também por seu comportamento inadequado com os atletas de Ancelotti.[198]

Inicialmente, o treinador recusou cinco propostas de renovação de contrato oferecidas pela diretoria do Napoli. Posteriormente, o presidente não investiu valores expressivos em grandes contratações, o que limitou o clube a apostar em nomes já consolidados e dificultou o cumprimento do objetivo de De Laurentiis de vencer a Série A. Somado a isso, problemas nas negociações de renovação de outros jogadores geraram desgaste do dirigente com o elenco após uma sequência sem vitórias, culminando na demissão de Carlo Ancelotti, mesmo após a quebra da fase negativa na Liga dos Campeões.[198]

Carlo deixou o Napoli com 67 jogos, 31 vitórias, 14 empates e 22 derrotas, alcançando 53,23% de aproveitamento em sua passagem de uma temporada e meia.[10] Essa foi a primeira vez desde sua passagem pelo Parma que o treinador deixou uma equipe sem conquistar nenhum título.[204]

Everton

Pouco após a demissão do Napoli, foi anunciado como novo técnico do Everton em 21 de dezembro de 2019.[205][206] Sua primeira partida no comando foi uma vitória em casa por 1 a 0 sobre o Burnley, em 26 de dezembro.[207] Ao chegar à Inglaterra pela segunda vez na carreira, o treinador encontrou uma situação delicada. O clube de Liverpool ocupava a 15.ª colocação, com 19 pontos, e a Premier League já se aproximava do fim do primeiro turno. Assim, buscando dar ao time esperança de evitar o rebaixamento, o italiano, então com 60 anos, passou a adotar diferentes táticas e posicionamentos para conquistar pontos com mais frequência.[208][209]

Inicialmente, Ancelotti optou por Dominic Calvert-Lewin como referência mais avançada que seus pontas, mas depois passou a adotar um esquema com dois centroavantes para aumentar a produtividade ofensiva. Assim, potencializou o brasileiro Richarlison ao lado do britânico, e ambos se tornaram peças fundamentais para elevar o nível de atuação da equipe azul.[137][210][211][212]

Richarlison se tornou um atleta de confiança para Ancelotti a partir da passagem deles pelo Everton.[211]

Mesmo com a pausa momentânea da liga devido à pandemia de COVID-19 no Reino Unido,[213] o time, ao retornar aos gramados, obteve bons resultados, incluindo empates contra Manchester United e Liverpool — futuro campeão nacional —,[213] e terminou o campeonato na 12.ª colocação.[214]

Em sua segunda temporada, buscou contratar jogadores com quem já havia trabalhado anteriormente. Para reforçar o meio-campo e o ataque, Ancelotti trouxe Allan, seu ex-jogador no Napoli, e James Rodríguez, com quem havia trabalhado no Real Madrid e no Bayern.[215][216] O clube passou a viver momentos mais tranquilos, pois não precisou brigar contra o rebaixamento na Premier League de 2020–21, embora o treinador tenha alternado a formação da equipe diversas vezes. Inicialmente, trabalhou com um time ofensivo, com Dominic novamente como referência central e Richarlison pelos lados. Posteriormente, diante de resultados menos positivos, retornou ao 4-3-3 habitual e encerrou a temporada com uma formação que novamente contava com dois atacantes.[137]

Em fevereiro de 2021, na 25.ª rodada da Premier League, comandou os Toffees na partida em que encerraram dois jejuns no Dérbi do Merseyside: dez anos sem vitórias no clássico contra o Liverpool e 22 anos sem triunfos em Anfield, onde venceram por 2–0.[217] Na ocasião, o treinador ousou na escalação ao povoar o meio-campo e a defesa. Com apenas Richarlison e James centralizados no ataque, o italiano utilizou três zagueiros e cinco meio-campistas, com Lucas Digne e Séamus Coleman — normalmente laterais — atuando pelas extremidades do meio.[218] A superioridade numérica do meio para trás fez com que o time de Jürgen Klopp encontrasse dificuldades para chegar ao gol de Jordan Pickford com seu 4-3-3. Somado a isso, Richarlison marcou o primeiro gol do jogo aos três minutos e viu Mohamed Salah, Sadio Mané e Roberto Firmino falharem em suas tentativas de dar-lhes o empate. Na reta final do jogo, aos 83 minutos, Gylfi Sigurðsson vê Carlvert-Lewin ser derrubado na área e o juiz marcar o pênalti. Na cobrança, o islandês estufa as redes de Alisson Becker e garante o 2–0 ao time azulado.[217][218]

Com outros bons resultados, o Everton fez uma temporada segura, mas sem chances de vaga em competições europeias — algo que parecia viável no início, quando a equipe alcançou cinco partidas de invencibilidade e chegou à liderança.[219][220] Assim, Ancelotti terminou a Premier League na 10.ª colocação, com 59 pontos.[221]

Sem sucesso nas copas, alcançando no máximo as quartas de final da Copa da Inglaterra em 2021[222] e a mesma fase da Copa da Liga um ano antes,[223] o treinador viu a diretoria do clube não cumprir determinados compromissos acordados anteriormente. Somado ao descumprimento de “contratos e acordos comerciais legais”, que culminaria em um processo dois anos depois,[224] o italiano passou a ser sondado pelo Real Madrid. Assim, conversou com os representantes dos Toffees para rescindir seu contrato no início de junho de 2021.[225] Encerrou sua passagem com 67 jogos, 31 vitórias, 14 empates e 22 derrotas, resultando em um aproveitamento de 53,23%.[10]

Retorno ao Real Madrid

2021–22

Após a saída de Zinédine Zidane, Carlo Ancelotti foi anunciado como novo treinador do Real Madrid em 1.º de junho de 2021.[225] O técnico italiano retornou ao clube espanhol após oito anos.[226]

Benzema como capitão do Real Madrid.

Quando retornou a Madrid, encontrou remanescentes da equipe que havia ajudado a vencer a Liga dos Campeões no passado. Toni Kroos e Luka Modrić ainda formavam o meio de campo, assim como Karim Benzema seguia atuando com a camisa merengue, agora usando a braçadeira de capitão. No entanto, as demais contratações feitas após a saída do ídolo Cristiano Ronaldo não renderam o esperado. Assim, depois de duas temporadas de desempenho negativo na principal competição de clubes da Europa, o presidente Florentino Pérez decidiu trazer novamente o italiano para o comando da equipe espanhola.[226] Compreendendo a importância do experiente centroavante francês, Ancelotti decidiu que o jogo teria foco nas finalizações de Benzema, ainda que ele tivesse apresentado momentos de instabilidade após a saída de Cristiano do clube.[227][228][226] A decisão mostrou-se acertada, já que Karim terminou a temporada como artilheiro do Real Madrid.[229][230]

Vinícius teve sua primeira temporada consistente sob o comando de Ancelotti. Antes da chegada do italiano, ele somava oito gols em 82 partidas.

Outra importante adição ao elenco foi o ponta-esquerda brasileiro Vinícius Júnior, que carecia de uma sequência de boas atuações sob Zidane, mas se tornou o principal coadjuvante do time merengue e justificou toda a expectativa que lhe era atribuída desde sua chegada. Na primeira temporada com o italiano, o brasileiro marcou 17 gols em 35 partidas. Contente com sua evolução profissional, o atacante comentou sobre o impacto de Carlo em sua carreira:[230]

O Real Madrid teve um início muito positivo na La Liga de 2021–22. Com Benzema assumindo a responsabilidade de balançar as redes, a equipe acumulou vitórias em sequência e liderou a competição durante praticamente todas as rodadas, ainda que tenha perdido para Barcelona e Atlético de Madrid em algumas ocasiões. Os 27 gols do francês foram essenciais para que o time alcançasse 86 pontos — 13 a mais que os Barça — e conquistasse o título espanhol.[228] Durante o percurso, a equipe também disputou a Supercopa da Espanha, vencendo o Barceloma comandado por Xavi na semifinal e o Athletic Club na decisão.[231]

Em sua temporada de reestreia, Carletto comandou o time nos títulos da Supercopa da Espanha e da La Liga, tornando-se o primeiro técnico a vencer as cinco principais ligas da Europa (La Liga, Ligue 1, Premier League, Bundesliga e Série A).[231] Apesar do insucesso na Copa del Rey,[232] o clube voltou a se destacar na Liga dos Campeões da UEFA. Na fase de grupos, a equipe de Ancelotti surpreendeu negativamente ao perder o segundo jogo contra o Futbolniy Klub Sheriff no Estádio Santiago Bernabéu, mas teve essa como sua única derrota nessa etapa[233] e classificou-se para as oitavas de final, onde enfrentou o Paris Saint-Germain.[234]

Na França, houve derrota nos acréscimos do segundo tempo, quando Neymar deu um passe para Kylian Mbappé superar Thibaut Courtois — que havia defendido um pênalti de Lionel Messi minutos antes — e abrir o placar.[234] Na partida de volta, em solo espanhol, Benzema voltou a ser decisivo, marcou um hat-trick e colocou o agregado em 3–2, classificando a equipe para as quartas de final;[235] onde novamente balançou as redes três vezes contra o Chelsea, repetindo o placar de 3–1 do jogo anterior.[236] Na volta, mesmo com a derrota, o agregado de 5–4 eliminou os Blues e levou o Real à semifinal pela segunda vez consecutiva — já que haviam sido eliminados na temporada anterior justamente pelo clube de Stamford Bridge.[237] Por lá, perderam o jogo de ida por 4–3 para o Manchester City de Pep Guardiola.[238] Na volta, porém, Rodrygo (duas vezes) e Benzema decidiram na prorrogação e classificaram a equipe para a final pela primeira vez desde 2018.[239]

Escalação para final da Liga dos Campeões em 2022.

Na decisão, montou a equipe no tradicional esquema 4-3-3, mas sem repetir as funções do meio de campo de 2014–15. Em vez de um camisa 10 entre os meias, o italiano posicionou o volante Casemiro entre Kroos e Modrić e, em uma improvisação, adicionou Federico Valverde, meio-campista de origem, na ponta direita.[240] A decisão pouco usual — ainda que o uruguaio já tivesse atuado em outras regiões do campo — mostrou-se crucial para o único gol da partida: aos 59 minutos, Vinícius Jr. recebeu passe justamente de Valverde e marcou o tento do título contra o Liverpool de Jürgen Klopp. Em 28 de maio de 2022, Carletto tornou-se o primeiro treinador a conquistar quatro vezes a Champions League.[241]

Ancelotti e Pérez posando para uma foto na igreja onde ofereceram seus troféus a Nossa Senhora de Almudena.

Após a conquista, o elenco se dirigiu a Madri e realizou sua tradicional festa do título na Praça de Cibeles, oferecendo a taça à Nossa Senhora de Almudena — algo que já havia sido feito em 2018.[242][243] A festa durou muitas horas e terminou quando chegaram ao Santiago Bernabéu, após o discurso do brasileiro Marcelo, um dos capitães do Real.[243] A comemoração do italiano com os demais jogadores tornou-se tradição ao longo de sua passagem na Espanha, e foi nesses momentos que a mídia mundial passou a destacar seu tratamento cordial com os atletas da equipe.[244]

Vencendo três troféus, a equipe voltou a ter uma grande temporada após a última conquista da Liga dos Campeões em 2018. Somado a isso, Carletto novamente teve sob seu comando um vencedor da Bola de Ouro. Artilheiro da Champions e da La Liga, Benzema superou Kevin De Bruyne (175 pontos) e Sadio Mané (193) e foi eleito pela France Football o Melhor Jogador do Mundo da temporada 2021–22, com 549 pontos. Posteriormente, também recebeu o prêmio de Jogador do Ano da UEFA referente à mesma temporada vitoriosa.[245][246] Após vencer o prêmio, Benzema concedeu entrevista ao canal oficial do Real Madrid e revelou um desafio que Carlo havia proposto no início da temporada, que não conseguiu cumprir, mas que o levou a marcar muitos gols, quase alcançando o acordo:[229]

Além de ver seu centroavante liderar a lista de Melhor Jogador, o próprio Ancelotti também foi condecorado com a principal premiação entre os treinadores. Em 22 de agosto de 2022, o técnico de 63 anos recebeu o troféu de Melhor Treinador do Ano da UEFA. Com 526 pontos, o comandante italiano superou Jürgen Klopp (210) e Josep Guardiola (108) na disputa. O júri responsável pela escolha foi composto por representantes dos clubes que disputaram a Liga dos Campeões e por um grupo de jornalistas selecionados pela European Sports Media.[246]

2022–23

Éder Militão e Ancelotti comemorando o título da Copa del Rey em 2023.

Ao abrir a janela de transferências, Carlo recebeu o zagueiro alemão Antonio Rüdiger e o meio-campista francês Aurélien Tchouaméni.[247] Os poucos reforços fizeram o clube não repetir os feitos da temporada passada, mas não impediram o crescimento individual de Vinícius e Rodrygo, especialmente após as várias ausências de Benzema por lesões.[248][249] Na estreia da equipe espanhola, os Merengues derrotaram o Eintracht Frankfurt na Supercopa da UEFA de 2022.[250] Em janeiro de 2023, Ancelotti coroou seu grande trabalho no Real Madrid ao conquistar a Copa do Mundo de Clubes da FIFA, disputada no Marrocos. Na final, realizada no Estádio Príncipe Moulay Abdellah, o clube merengue contou com o brilho de Vinícius Júnior e venceu o Al-Hilal por 5–3.[251][230]

No entanto, os resultados na La Liga e a derrota na final da Supercopa da Espanha de 2022–23 levaram o italiano a ser criticado por parte da mídia local.[252] Pela Liga, a ausência de Karim Benzema foi sentida, ainda que a dupla brasileira tivesse partidas de destaque, mas as mudanças de posição — especialmente de Rodrygo, que atuou pelas duas pontas e também centralizado — demonstravam uma inconsistência coletiva dos Merengues em obter grandes resultados em sequência.[253][254] Ao fim do campeonato, o Madrid terminou na segunda colocação com 78 pontos, um a mais que o Atlético de Madrid e dez a menos que o campeão Barcelona.[255]

Em 21 de maio de 2023, o Real sofreu uma derrota para o Valencia por 1–0 no Estádio de Mestalla. Na partida, Vinícius Jr. foi alvo de racismo por parte da torcida adversária, que o chamou de “mono” (macaco). Indignado com a atitude criminosa, o brasileiro denunciou em campo a ação de um torcedor do Valencia, o que gerou atrito com o goleiro Giorgi Mamardashvili e resultou em discussão ainda durante o jogo. Eventualmente, o árbitro tentou controlar a confusão e expulsou apenas o alvo das injúrias raciais nos acréscimos do segundo tempo; igualmente incomodado com os ataques, Ancelotti se posicionou fortemente contra os crimes cometidos na cidade de Valência naquela tarde:[256][257]

Em resposta, a Associação de Pequenos Acionistas do Valencia entrou com uma queixa contra o italiano. Mesmo com Carlo se retratando na mesma entrevista ao dizer que não havia sido todo o estádio, mas sim um grupo menor de torcedores, os acionistas afirmaram na denúncia que Ancelotti havia tratado “como racista um estádio inteiro de 46.002 espectadores”.[258] Mesmo com o insucesso nacional, a equipe conseguiu conquistar a Copa del Rey de 2022–23. Eliminando Villarreal, Atlético de Madrid e Barcelona na sequência, os Merengues chegaram à final, e Carletto viu o talento brasileiro garantir o troféu: Rodrygo marcou dois gols, o primeiro com assistência de Vini Jr., e decidiu o placar de 2–1 diante do Club Atlético Osasuna.[259]

Novamente na Liga dos Campeões da UEFA, a equipe passou de fase com apenas uma derrota.[260] O trajeto pelas eliminatórias foi menos intenso, e Ancelotti contou com grandes atuações de seus atletas, como a virada por 5–2 diante do Liverpool nas oitavas,[261] e outro doblete de Rodrygo no jogo de volta contra o Chelsea nas quartas.[262] Nas semifinais, no entanto, marcaram apenas um gol no jogo de ida, feito por Vini no empate por 1–1, e sofreram a eliminação diante do Manchester City na partida seguinte por 4–0 no Etihad Stadium.[263]

Com a temporada irregular, o cargo de Ancelotti passou a ser questionado após derrotas em eliminações e outros resultados negativos contra equipes menos qualificadas na Liga, o que culminou em momentos de pouco prestígio.[264][265] Ao mesmo tempo, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) se interessou pela contratação do treinador europeu. Inicialmente, o dirigente Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF, optou por aguardar a demissão de Ancelotti e deixou o cargo de treinador do Brasil ocupado pelo interino Fernando Diniz, que dividia o cargo como técnico do Fluminense, após a demissão de Tite.[266] A expectativa atingiu também o jogador Rodrygo, que deu entrevista revelando a forma como o italiano lidava com a possibilidade de assumir a Seleção Brasileira para o ciclo da Copa do Mundo FIFA de 2026:[267]

Houve intermediações com Ronaldo Nazário para que o comandante assumisse a Seleção Brasileira ainda em 2023. No entanto, Florentino Pérez decidiu não liberar o treinador, e as negociações com a Amarelinha foram encerradas, apesar de o desejo da CBF ter permanecido vivo durante todo o período em que o italiano comandou os Merengues.[266]

2023–24

Vinícius, Bellingham e Rodrygo foram os principais jogadores do Real Madrid nessa temporada.

Novamente, o italiano recebeu poucos reforços na primeira janela de transferências, mas contou com nomes relevantes, como o goleiro reserva Kepa Arrizabalaga, o lateral Fran García, a jovem promessa turca do meio-campo Arda Güler e o inglês Jude Bellingham, destaque do Borussia Dortmund. Com Benzema negociado ao futebol saudita em julho de 2023,[268] a equipe não possuía um centroavante de alto nível no elenco, e foi então que Ancelotti optou por uma mudança ousada, mas eficaz: retornou ao 4-4-2, deixando Vini e Rodrygo centralizados, enquanto Bellingham se infiltrava pelo meio como elemento surpresa.[269][270][137] A escolha mostrou-se excelente. Logo no início da temporada, o meia-atacante inglês mostrou todo o seu talento e passou a marcar muitos gols em sequência; sua comemoração característica, de braços abertos, conquistou uma legião de fãs e rendeu-lhe o apelido de “Belligol”.[270][271] Rodrygo também aumentou sua participação em gols em comparação à temporada passada,[253] mas foi Vinícius Júnior, agora vestindo a lendária camisa 7 do Real Madrid,[272][273] quem teve o maior protagonismo da equipe.[274][275] Apesar de algumas lesões terem limitado seu número de jogos, foi o brasileiro quem influenciou diversos resultados positivos ao longo da primeira metade da temporada.[274][276] O sucesso inicial levou Ancelotti a renovar seu contrato com o Real Madrid em dezembro de 2023, assinando um novo vínculo até junho de 2026.[277] Com isso, o técnico pôs fim às especulações sobre assumir a Seleção Brasileira. O dirigente Ednaldo Rodrigues, então presidente da CBF, chegou a garantir a contratação do italiano, mas Carlo sempre despistou sobre o assunto.[278]

Seguindo a temporada de sucesso, Vinícius Jr. passou a ser ainda mais alvo de racismo por parte de torcedores adversários, a ponto de precisar recorrer à UEFA para que medidas mais duras fossem tomadas. As recorrentes situações levaram Ancelotti a se posicionar novamente contra as atitudes criminosas direcionadas ao principal jogador brasileiro da época:[279]

Mesmo com os problemas vindos das arquibancadas rivais,[279] o Real Madrid fez uma grande temporada na La Liga de 2023–24. Bellingham marcou 19 gols e foi eleito o Melhor Jogador da La Liga;[280][281] ele e Vini integraram o Time da Temporada,[282] enquanto Ancelotti foi eleito duas vezes Treinador do Mês do campeonato.[283][284] Os Merengues também alcançaram 95 pontos, liderando a competição e abrindo vantagem de 10 pontos sobre o Barcelona, o vice-campeão.[285] A campanha poderia ter sido invicta, mas o Atlético de Madrid de Diego Simeone os derrotou na 6.ª rodada no Dérbi de Madrid por 3–1;[286] essa foi a única derrota em 38 partidas da equipe da capital espanhola.[285] O título também veio na Supercopa da Espanha de 2023–24, quando venceram Atlético de Madrid e Barcelona em sequência e comemoraram o troféu após uma goleada por 4–1 no El Clásico, com hat-trick de Vini Jr..[287] Já a Copa del Rey reservou um destino menos feliz, pois disputaram apenas dois jogos e foram eliminados pelo Atlético de Madrid por 4–2.[288]

Disputando a Liga dos Campeões da UEFA de 2023–24, Ancelotti teve um início tranquilo na fase de grupos. Em seis jogos, a equipe venceu todos os confrontos e avançou em primeiro lugar às oitavas,[289] onde encontrou seu primeiro empate na competição no jogo de volta contra o RasenBallsport Leipzig, mas o placar agregado de 2–1 levou a equipe espanhola às quartas.[290] Em 9 de abril de 2024, no jogo de ida das quartas de final da Liga dos Campeões — um empate em casa contra o então campeão Manchester City —, Carlo Ancelotti tornou-se o primeiro treinador a alcançar 200 jogos na competição.[291] Após novo empate no jogo de volta, desta vez por 1–1, o Real Madrid venceu por 4–3 nos pênaltis e eliminou o time inglês.[292] Após a quebra do recorde de longevidade, Ancelotti refletiu sobre como a modernização do futebol afetou o trabalho de técnico:[293]

Novamente, a equipe empatou o jogo de ida, desta vez por 2–2 contra o Bayern de Munique, mas conseguiu se classificar para a final após vencê-los por 2–1, com dois gols de Joselu, sendo o último nos acréscimos do segundo tempo — um lance que gerou debates sobre a regularidade de sua posição.[294]

Os elencos escalados para a final da Liga dos Campeões.

Na decisão, Ancelotti colocou o Real em sua formação mais utilizada no ano, com exceção de Andriy Lunin, que havia feito quase todo o percurso na competição após a lesão de Thibaut Courtois e a não utilização de Kepa no gol espanhol. Carlo optou pela experiência do goleiro, mesmo após um retorno tardio na temporada. O ucraniano também não viajou com o elenco para a Inglaterra por estar gripado.[295] Ao longo dos 90 minutos no Estádio de Wembley, Real Madrid e Borussia Dortmund, comandado por Edin Terzić, fizeram uma partida equilibrada. Os alemães foram ofensivos e buscaram o gol principalmente com Karim Adeyemi, mas o insucesso nas tentativas manteve o placar zerado no primeiro tempo. Na etapa final, Dani Carvajal recebeu cruzamento de escanteio de Toni Kroos e abriu o placar aos 74 minutos. Aos 83, após passe de Bellingham, Vinícius estufou as redes de Gregor Kobel e garantiu a quinta Liga dos Campeões para Ancelotti; a sétima contando também seu bicampeonato com o Milan, ainda como jogador, entre os anos 80 e 90.[296]

Após a decisão vencida, Ancelotti teve de lidar com a despedida de um atleta que havia sido trazido por ele uma década antes. Toni Kroos anunciou sua aposentadoria ao fim da temporada e a encerrou de forma especial ao dar uma assistência na vitória contra o Dortmund. Ovacionado pelos torcedores e pelos companheiros de equipe, o próprio Carlo apelou para que o meio-campista repensasse sua decisão, algo que o alemão não fez. Respeitando a escolha do camisa 8 de encerrar a carreira como um dos grandes atletas em atividade, o italiano disse:[297]

Após a conquista, Ancelotti viu Vinícius Júnior se tornar o jogador com mais assistências na Liga dos Campeões, empatado com Bellingham e com o meio-campista austríaco do Borussia, Marcel Sabitzer.[298] O italiano ainda viu Carvajal, Rüdiger, Jude Bellingham e Vini integrarem o Time do Torneio,[299] além de Vinícius vencer o prêmio de Melhor Jogador da competição,[300] enquanto Bellingham, estreante na equipe, foi condecorado como Melhor Jogador Jovem da Temporada na Champions.[301] Ainda em campo após a vitória, o italiano afirmou que não havia dúvidas de que Vini “é Bola de Ouro”. Em seguida, deu uma nota para o seu trabalho na temporada:[302]

Ancelotti chegando na Catedral de Almudena.

Retornando a Madrid, o time novamente rumou à Praça de Cibeles e ofereceu o troféu continental pela terceira vez na história à Nossa Senhora de Almudena. Por lá, Ancelotti dançou com os jogadores no trio elétrico que levou a equipe pela cidade, assim como se reuniu com todos os brasileiros do elenco para uma foto memorável, na qual aparecia com um charuto na boca ao lado do que chamou de “amigos”.[244]

Em outubro de 2024, a France Football organizou novamente o prêmio da Bola de Ouro, e as grandes performances das estrelas merengues fizeram com que Carvajal, Kroos, Vinícius e Bellingham fossem nomes do Real fortemente cotados para a conquista.[303] Na mesma noite, o italiano venceu o Troféu Johan Cruyff, simbolizando que havia sido o Melhor Treinador da Temporada 2023–24. Na cerimônia, o Real Madrid também recebeu o prêmio de Clube de Futebol Masculino do Ano. Nas redes sociais, Carlo agradeceu:[304]

À medida que eram reveladas as posições dos 30 melhores jogadores do ano, os atletas do Real Madrid alcançavam colocações elevadas: Federico Valverde foi o primeiro nome citado e terminou na 17.ª posição (58 pontos), enquanto Toni Kroos ficou em 9.º (291 pontos) e Dani Carvajal quase chegou ao pódio, ao alcançar a 4ª colocação (550 pontos).[305][306] O top 3 seria formado por Vinícius Júnior, Jude Bellingham e Rodri, este último volante espanhol do Manchester City que havia conquistado o o campeonato inglês e a Eurocopa de 2024. No entanto, após Florentino Pérez ter conhecimento antecipado da derrota do brasileiro, nenhum representante do clube viajou a Paris para a premiação. A imprensa informou que o presidente soube que Rodri seria o vencedor pela soma dos pontos e orientou os jogadores a não comparecerem à cerimônia. Didier Drogba, ídolo do Chelsea e ex-jogador de Ancelotti, anunciou no evento que o atleta do Manchester City havia sido o vencedor da Bola de Ouro.[306]

A premiação causou incômodo na imprensa brasileira, que acusou os votantes de terem tirado a Bola de Ouro do camisa 7, que ficou em segundo lugar, por motivos que iam além do que ocorreu em campo.[307] Os frequentes casos de racismo na Espanha, denunciados com a mesma veemência pelo sul-americano, também foram citados por comentaristas esportivos. O jornal espanhol Sport havia comentado sobre a possível vitória de Rodri antes do evento e afirmou que as reclamações constantes de Vinícius, suas provocações e seus atos reprováveis em campo “seguramente tiraram votos”. Já Vincent Garcia, chefe da Bola de Ouro, declarou apenas que a presença de Jude e Dani entre os cinco primeiros colocados retirou alguns pontos do brasileiro por uma questão matemática. Na divulgação oficial, o espanhol liderou com 1.170 pontos, seguido de 1.129 do atacante merengue, e 917 de Bellingham.[307][308]

Na época, Ancelotti não fez um pronunciamento sobre a perda da Bola de Ouro do favorito Vinícius; no entanto, um mês depois, após uma vitória pela La Liga com gol do brasileiro, o italiano publicou uma imagem nas redes sociais em que abraçava o camisa 7, com a legenda “Te quiero, Vini (Te amo, Vini)”.[309] Em diferentes entrevistas no mês de novembro, Carlo comentou sobre a premiação, sendo a última após a postagem da imagem em que abraçava o brasileiro:[310][309]

Já em dezembro de 2024, Vinícius Jr. foi premiado com o The Best FIFA, superando Rodri e Bellingham no top 3. Apesar de não ser a Bola de Ouro, esta foi a quinta vez que um jogador venceu o prêmio de Melhor Jogador da Temporada sob o comando de Ancelotti,[311] juntando-se à lista formada por Andriy Shevchenko (2004), Kaká (2007), Cristiano Ronaldo (2014) e Benzema (2022). Antes da premiação, Carlo chegou a dizer em entrevista que o jogador estava pronto para ser reconhecido com o troféu:[312]

Desse modo, Ancelotti concluiu a temporada com três títulos e afastou ainda mais as especulações que indicavam um acerto ou aproximação com a Seleção Brasileira. A CBF, então, optou pela demissão de Fernando Diniz após apenas seis partidas e escolheu Dorival Júnior para assumir o cargo e disputar a Copa América de 2024 — competição que o presidente da entidade havia afirmado que Ancelotti disputaria — além das partidas restantes das Eliminatórias.[266]

2024–25

Após o término de seu contrato com o PSG, o Real Madrid contratou Kylian Mbappé para reforçar o ataque espanhol e dar a Ancelotti um centroavante capaz de repetir os feitos de Benzema.[313] Além dele, Endrick chegou a Madrid em julho de 2024, quando completou 18 anos e cumpriu seu contrato com o Palmeiras até então.[314] As poucas contratações tornaram-se motivo de reclamação de Carlo ao longo da temporada, pois o time merengue precisou lidar com muitas baixas no setor defensivo.[313][315]

Mbappé rapidamente balançou as redes pelo clube, pois, em sua estreia, na vitória por 2–0 contra a Atalanta pela Supercopa da UEFA de 2024, marcou um gol aos 68 minutos, nove após Federico Valverde, e conquistou seu primeiro troféu continental na carreira.[316] Com o francês, a equipe voltou a formar um elenco “galáctico”. As quatro principais peças ofensivas do clube — Mbappé, Vinícius Júnior, Rodrygo e Jude Bellingham — geravam enorme expectativa, por serem capazes de balançar as redes com frequência.[313] Eventualmente, apesar de ser o atleta com menos tempo no elenco, Kylian tornou-se o principal finalizador dos merengues e terminou como artilheiro da La Liga de 2024–25, com 31 gols. Seu desempenho foi tamanho que superou Mohamed Salah e Viktor Gyökeres na disputa pela Bota de Ouro da UEFA, conquistando o prêmio com 62 pontos. O camisa 9 tornou-se o segundo jogador sob o comando de Ancelotti a alcançar tal feito.[317]

Durante a temporada, o Real Madrid dedicou o dia 18 de dezembro de 2024 para ir ao Catar enfrentar o Pachuca pela decisão da Copa Intercontinental da FIFA de 2024. Em 90 minutos, Mbappé, Rodrygo e Vinícius balançaram as redes dos mexicanos e garantiram o troféu com a vitória por 3–0. Esta foi a última vez que o clube conquistou um título sob o comando de Ancelotti.[318]

Apesar do sucesso individual, Ancelotti não conseguiu montar uma equipe que equilibrasse o talento de seus quatro principais nomes.[313] Vinícius não repetiu os grandes momentos que o levaram a ser eleito o Melhor do Mundo pela UEFA, assim como Bellingham também teve menor destaque. Rodrygo passou a ter menos protagonismo e sentia-se ofuscado pelos outros três; a mídia local passou a veicular notícias de que o jogador estava insatisfeito e cogitava deixar o clube.[319][320][313] Somado à dificuldade de gerir tantos talentos, a imprensa internacional questionava Ancelotti com frequência sobre a baixa utilização das promessas Endrick e Arda Güler, que muitas vezes sequer saíam do banco de reservas.[314] Os problemas se agravaram à medida que os defensores do Madrid passaram a sofrer com lesões, forçando improvisações para suprir as ausências de Éder Militão, Antonio Rüdiger, Dani Carvajal, Ferland Mendy e David Alaba no último El Clásico da La Liga, perdido por 4–3.[321][315] Além disso, o Barcelona passou por uma mudança em sua forma de jogar. Hans-Dieter Flick assumiu a equipe catalã, potencializou o talento da jovem promessa Lamine Yamal e deu a Raphinha sua melhor temporada desde que chegou à Europa.[322] Somados aos gols importantes de Robert Lewandowski, esses fatores levaram o alemão a conduzir o clube à conquista de todos os troféus nacionais da temporada — todos com o Real Madrid como vice-campeão.[321]

O Real Madrid contou com alguns desfalques para final da Copa del Rey de 2024–25.

Vencer o Barcelona tornou-se um desafio para Ancelotti e foi um dos fatores que culminaram em sua demissão naquela temporada. No primeiro confronto, o Barça goleou por 4–0; no segundo turno, voltaram a vencer, desta vez por 4–3. Na Supercopa da Espanha de 2024–25, os Merengues chegaram à final, mas ficaram com o vice após serem superados por 5–2, com gols do trio de ataque catalão e do zagueiro Alejandro Balde. Na mesma temporada, também terminaram como vice-campeões da Copa del Rey de 2024–25 após derrota por 3–2 para o Barça na prorrogação.[321]

Após a derrota na Copa del Rey, Ancelotti teve um encontro com Florentino Pérez para discutir seu futuro no clube.[323] Na época, o treinador era fortemente cotado para assumir a Seleção Brasileira, assim como recebia sondagens para comandar a Roma pela primeira vez na carreira.[324] Ao mesmo tempo, o presidente madrilenho se incomodou com a aproximação da CBF com o italiano e decidiu não atender ao desejo de Carletto de receber integralmente o valor previsto até o fim de seu contrato, em 2026.[325][323] No entanto, as derrotas nos momentos mais decisivos da temporada levaram o dirigente a cogitar a não continuidade de Carlo.[323][326]

A equipe também disputou a Liga dos Campeões da UEFA de 2024–25 pela primeira vez em seu novo formato. Em substituição dos grupos tradicionais, a UEFA criou uma fase de liga em que cada equipe disputaria oito partidas e somaria pontos contra outros 36 clubes.[327] Nos jogos, os Merengues tiveram resultados negativos e sofreram derrotas para o LOSC Lille,[326] Milan[328] e Liverpool.[329] Contudo, venceram as demais partidas e somaram 15 pontos, mas não se classificaram diretamente às oitavas de final,[327] tendo de eliminar o Manchester City para alcançar essa fase.[330] Nas oitavas, superaram o Atlético de Madrid nos pênaltis após uma cobrança anulada de Julián Álvarez por conta de um sutil toque do pé de apoio. Esse lance marcou uma mudança nas regras do futebol europeu, pois a norma sobre dois toques em cobranças passou a prever a repetição do pênalti.[331]

Nas quartas de final, porém, enfrentou o Arsenal de Mikel Arteta. No jogo de ida, Declan Rice marcou dois gols de falta antes de Mikel Merino fechar a vitória por 3–0 no Emirates Stadium.[332] No Bernabéu, Thibaut Courtois defendeu um pênalti de Bukayo Saka aos 13 minutos; mas, aos 65, o mesmo atleta abriu o placar. Mesmo com Vinícius Jr. empatando a partida dois minutos depois, o Arsenal voltou a marcar com Gabriel Martinelli e se classificou vencendo os dois jogos.[333] A eliminação aumentou ainda mais as especulações sobre uma possível demissão e um acordo com a Seleção Brasileira.[334][335] O italiano, porém, afirmou que não sabia qual seria seu futuro e que o Arsenal mereceu vencer as duas partidas da Liga dos Campeões.[333][335]

Os últimos jogos da equipe espanhola na temporada foram cercados de especulações. O Barcelona já havia se tornado o principal vencedor da Espanha, enquanto Mbappé liderava as estatísticas de gols na briga pela Bota de Ouro. Rodrygo tinha sua permanência incerta, enquanto Ancelotti já sabia que deixaria o clube ao final da La Liga. De maneira semelhante à temporada anterior, o meio-campista e capitão Luka Modrić decidiu deixar o Real Madrid após a partida de encerramento do Campeonato Espanhol, e a diretoria tratou de se despedir de ambos após o apito final da 38.ª rodada. Em uma homenagem marcada por aplausos, bandeiras e lágrimas, a dupla agradeceu aos torcedores e discursou antes de deixarem o lendário estádio pela última vez sob contrato com os Merengues. Ancelotti, grato pelo apoio, disse em discurso:[336]

Em 23 de maio de 2025, o Real Madrid anunciou a saída de Carlo Ancelotti. No comando do clube desde 2021 em sua segunda passagem, o italiano conquistou duas Liga dos Campeões, duas La Liga, duas Supercopas da UEFA, duas Supercopas da Espanha, um Mundial de Clubes, uma Copa Intercontinental e uma Copa do Rei.[337] Ele deixou a equipe antes da disputa da Copa do Mundo de Clubes da FIFA de 2025, uma nova competição. Para substituí-lo, Florentino Pérez decidiu contratar Xabi Alonso, após sua passagem marcada por recordes na Bundesliga. O nome do ex-jogador comandado por Carletto já era especulado desde que o Bayer Leverkusen quebrou a hegemonia do Bayern de Munique na temporada 2023–24, mas só foi confirmado após a saída de Ancelotti.[338]

Somadas todas as temporadas de Ancelotti pelo Real Madrid, ele disputou 353 jogos, com 250 vitórias, 50 empates e 53 derrotas, concluindo sua vitoriosa passagem com 75,54% de aproveitamento e 15 títulos conquistados.[339]

Seleção Brasileira

Ancelotti junto de Lula (Presidente do Brasil) e Gianni Infantino (Presidente da FIFA) em janeiro de 2026 com a camisa da Seleção Brasileira.

Em 12 de maio de 2025, Carlo Ancelotti foi anunciado por Ednaldo Rodrigues, na época presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), como novo treinador da Seleção Brasileira de Futebol.[340] Ancelotti foi contratado para comandar a equipe até o final da Copa do Mundo de 2026. O italiano tinha contrato com o Real Madrid até o ano de 2026, mas, devido a um ajuste entre as partes, o fim do contrato foi antecipado para o final da La Liga de 2024–25.[341] Ednaldo Rodrigues acelerou o anúncio de Ancelotti e deu um “furo” no Real Madrid, já que o combinado entre CBF e clube espanhol era divulgar apenas após a comunicação oficial do Real. A pressa ocorreu por causa da pressão jurídica que Ednaldo enfrentava, já que uma audiência marcada para o mesmo dia iria determinar seu futuro na presidência da CBF.[342][343] Embora a audiência daquele dia tenha sido cancelada,[342][344] ele acabou sendo destituído três dias depois, no dia 15.[345]

A contratação de Ancelotti pela CBF teve como intermediador o empresário e executivo do mercado financeiro Diego Fernandes, que atuou nas negociações entre o treinador e a entidade brasileira.[346] Fernandes, CEO da O8 Partners e sem histórico prévio no agenciamento de atletas, foi apresentado ao então presidente da CBF, Ednaldo Rodrigues, pelo pai do jogador Neymar, servindo como ponte para convencer o técnico italiano a assumir o projeto da seleção visando a Copa de 2026.[347] A influência de Fernandes foi descrita como decisiva para destravar as conversas em Madri, culminando no anúncio oficial em maio de 2025.[348] No entanto, a participação do empresário gerou controvérsias jurídicas, uma vez que ele não possuía a licença de agente da FIFA no momento da negociação, o que levou a federação internacional a notificar a CBF sobre o pagamento de comissões estimadas em 1,2 milhão de euros.[349]

A chegada do Europeu ao cargo foi tratado majoritariamente como uma grande aquisição da CBF ao cargo.[350] No entanto, por conta da tradição de técnicos brasileiros que lideraram a Amarelinha a cinco títulos mundiais, alguns nomes do futebol brasileiro demonstravam ressalvas pela contratação de Carlo. Entre eles, Cafu, seu antigo jogador do Milan, que havia indagado, em 2024 diante todas as especulações, se Carletto havia feito "alguma entrevista falando que é uma honra dirigir a Seleção" ou "honrado de vestir essa camisa amarela".[351] Com a iminência de sua chegada, em 2025, comentou sobre a escolha da Confederação Brasileira e o desejou sorte:[352]

A repercussão de sua chegada ao Brasil foi imediata, jornais do mundo todo elogiaram a decisão da Seleção Brasileira em contar com um dos técnicos mais vitoriosos em atividade para integrar a sua vasta história.[350]

Apenas dois dias depois de fazer seu último jogo pelo Real Madrid, Ancelotti foi oficialmente apresentado em 26 de maio, e mostrou ao mundo sua primeira convocação para disputa de dois jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo FIFA de 2026 contra o Equador e Paraguai. Dentre os nomes convocados, Ancelotti trouxe Richarlison pela primeira vez desde março de 2024 – onde foi chamado por Dorival Júnior, mas não entrou em campo. O italiano também trouxe de volta, após um hiato, atletas como Andrey Santos, Casemiro, Antony e Hugo Souza. Alexsandro, zagueiro do Lille que participara da vitória contra os Merengues na Liga dos Campeões, foi chamado pela primeira vez à Seleção. Rodrygo e Neymar foram ausências por questões físicas.[353][354]

Em coletiva ao assumir o cargo, Carlo comentou sobre o desafio de estar a frente de uma Seleção:[353]

A Seleção Brasileira estreou sob o comando de Ancelotti no dia 5 de junho de 2025, no Monumental Banco Pichincha, no Equador. Em um 4-3-3 sem um meia-atacante, e usando Richarlison como referência, a equipe não mexeu no placar e as Seleções empataram por 0–0.[355] Cinco dias depois, o europeu estreou em solo brasileiro atuando na Neo Química Arena e viu Matheus Cunha dar uma assistência para Vinícius Júnior marcar o único gol do jogo contra o Paraguai.[355] Nessa partida, utilizou justamente o artilheiro da partida como atacante centralizado entre Gabriel Martinelli e Raphinha; entre ambos, Cunha atuava atrás de Vini de modo parecido com que o treinador utilizou Bellingham na temporada 2024–25.[356]

O empate a vitória conquistados nessas duas partidas levaram o Brasil a obter 25 pontos e se garantir matematicamente na Copa do Mundo FIFA de 2026 com 16 partidas.[357] A reação da imprensa em relação aos jogos foi muito positiva[355] e o italiano se comprometeu, após cumprir férias, que observaria algo próximo de 70 jogadores até as próximas partidas de Eliminatórias – que ocorreria em cerca de três meses.[358]

Quando tornou a convocar seus jogadores para os últimos compromissos das Eliminatórias, encontrou dois momentos de grande diferença: contra o Chile, o Brasil entrou em campo e venceu o adversário por 3–0, com um dos tentos advindo da estrela em ascensão: Estêvão.[359][360][361][362] Na partida seguinte, foram derrotados pela Bolívia por 1–0 atuando em demasiada altitude.[363]

Em 4 de novembro de 2025, os treinadores brasileiros Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira causaram constrangimento durante o 2º Fórum Brasileiro dos Treinadores de Futebol, ao fazerem declarações apontadas como xenofóbicas diante de Carlo Ancelotti. O evento homenageava treinadores brasileiros e também Ancelotti, que recebeu uma placa da Federação Brasileira de Treinadores. No entanto, a homenagem acabou marcada por críticas à presença de técnicos estrangeiros no futebol brasileiro.[364][365][366] Emerson Leão foi o primeiro a falar. Ele afirmou que havia mudado de ideia sobre a presença de um treinador estrangeiro na seleção brasileira, mas, no mesmo discurso, fez um mea-culpa ao dizer que a “invasão” de técnicos estrangeiros estaria relacionada à queda na qualidade dos profissionais brasileiros.[364][365]

Outro homenageado, Oswaldo de Oliveira, fez coro a Emerson Leão. Ele também se posicionou contra a presença de estrangeiros, mas afirmou que, como “não tinha jeito”, torceu para que fosse Ancelotti no caso da escolha de um técnico estrangeiro. Antes de encerrar, desejou sucesso ao italiano na Copa do Mundo, mas deixou claro que queria um treinador brasileiro de volta ao comando da CBF.[364][365]

As falas de Emerson Leão e Oswaldo de Oliveira geraram grande repercussão e provocaram uma onda de manifestações de solidariedade a Carlo Ancelotti. Segundo apuração da ESPN, treinadores brasileiros como Luiz Felipe Scolari, Renato Gaúcho e Rogério Ceni, entre outros, ligaram diretamente para o italiano para repudiar as declarações, reforçando que a classe de treinadores do país não pensava da mesma forma. A pessoas próximas, Ancelotti demonstrou gratidão pelos gestos e afirmou que é dessa forma que estava sendo recebido no Brasil, com o entendimento, nos bastidores, de que se sentia confortável e acolhido no país. O presidente da CBF, Samir Xaud, também se pronunciou sobre a polêmica, afirmando que a entidade não aceitaria manifestações xenófobas e destacando que a escolha do treinador da seleção brasileira foi feita com base na competência, e não na nacionalidade. Segundo o dirigente, “conversei com ele [Carlo Ancelotti]. Ele está tranquilo. O episódio não afetou em nada o Ancelotti”.[366][364]

Ancelotti seguiu seus últimos compromissos em 2025 treinando a equipe em quatro amistosos – Estêvão continuou a brilhar e marcou cinco vezes em 11 partidas, tornando-se o artilheiro da equipe durante a "Era Ancelotti", fazendo gols no Chile, um doblete contra a Coreia do Sul (5–0), um diante Senegal (2–0) e Tunísia (1–1).[360] Estes gols ajudaram o italiano a ver a Seleção Brasileira conquistar vitórias relevantes, ao passo que também tropeçou diante o Japão, quando perderam por 3–2 de virada,[368] e viram um empate por 1–1 contra os tunisianos no amistoso final naquele ano.[369][370]

Confirmando sua fama de "camaleão" do esquema tático,[371][372] Carlo adotou um esquema formado por quatro defensores, dois meio-campistas e mais quatro atacantes.[373][374][375] Nessa maneira de jogar, a equipe conseguiu realizar todos os seus últimos amistosos em 2025 e mostrou enorme êxito já na estreia, ao vencerem a Coreia do Sul por 5–0.[376][377] Esta maneira de jogar potencializou também os volantes Casemiro, que havia retornado à Seleção como capitão,[378][379] e Bruno Guimarães – que superou as críticas que vinha recebendo durante os jogos com Dorival Júnior[380][381] e garantiu seu lugar essencialmente como titular no esquema de Ancelotti.[382][383][384]

Mesmo reconhecendo o talento de Neymar em entrevistas, Carlo não chamou o craque geracional nenhuma vez aos desafios ocorridos em 2025. Neste período, o camisa 10 enfrentava dificuldades em realizar performances de alto nível por problemas físicos que o acompanhavam desde o PSG, e o treinador deixou o ídolo do Santos ausente de suas convocações e trouxe dúvida aos torcedores brasileiros.[385][386][387] Atleta garantido em diversas convocações, e maior artilheiro do Brasil,[388] Neymar não ficava de fora da lista de convocados à Copa do Mundo desde 2010,[389] mas sua ausência com a camisa da Amarelinha sob o comando de Ancelotti acendeu debates na mídia brasileira sobre sua participação na equipe em 2026.[390][391][392][393][394]

Vida pessoal

Em maio de 2009, lançou o livro autobiográfico Preferisco la coppa. Vita, partite e miracoli di un normale fuoriclasse, escrito junto com Alessandro Alciato.[395]

O treinador tem dois filhos: Katia e Davide, frutos de seu matrimônio com Luisa Gibellini, que foi sua esposa por 25 anos.[396] Seu filho, por sinal, já chegou a trabalhar como preparador físico e atualmente é membro da sua comissão técnica.[397] Ancelotti é casado com a empresária canadense Mariann Barrena McClay desde 2014, mas não possuem filhos juntos.[398] Ancelotti é católico.[399]

Estatísticas como treinador

Atualizadas até 18 de novembro de 2025[10]

Clube Jogos Vitórias Empates Derrotas Gols pró Gols contra Saldo de gol Aproveitamento
Reggiana 41 17 14 10 45 36 +9 52.85%
Parma 87 42 27 18 124 85 +39 58.62%
Juventus 114 63 33 18 185 101 +84 64.91%
Milan 420 239 98 83 720 392 +328 64.68%
Chelsea 109 68 17 24 250 102 +148 67.58%
Paris Saint-Germain 77 49 17 11 156 72 +81 71%
Real Madrid 353 250 50 53 833 349 +482 75.54%
Bayern de Munique 60 43 8 9 161 54 +107 76.11%
Napoli 73 38 19 16 127 73 +54 60.73%
Everton 67 31 14 22 93 88 +5 53.23%
Brasil 8 4 2 2 14 5 +9 58.33%
Total 1.385 822 307 256 2615 1286 +1334 66.74%

Jogos pela Seleção Brasileira

Legenda:      Vitórias —      Empates —      Derrotas

Títulos como jogador

Roma[204]
Milan[204]

Títulos como treinador

Juventus[204]
Milan[204]
Chelsea[204]
Paris Saint-Germain[204]
Real Madrid[204]
Bayern de Munique[204]

Prêmios individuais

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