Dino Baggio

Dino Baggio

Em 2018, em jogo de veteranos
Informações pessoais
Nome completo Dino Baggio
Data de nascimento 24 de julho de 1971 (54 anos)
Local de nascimento Camposampiero, Itália
Altura 1,88 m
Informações profissionais
Posição Treinador (ex-Meia)
Clubes de juventude
1983-1989 Torino
Clubes profissionais1
Anos Clubes Jogos e gol(o)s
1989-1991
1991-1994
1991-1992
1994-2000
2000-2005
2003-2004
2004
2005-2006
2008-2009
Torino
Juventus
Internazionale (empr.)
Parma
Lazio
Blackburn Rovers (empr.)
Ancona (empr.)
Triestina
Tombolo
34 (2)
73 (9)
32 (2)
240 (27)
62 (1)
11 (1)
13 (0)
3 (?)
?
Seleção nacional3
1991-1999 Itália 60 (7)


1 Partidas e gols pelos clubes profissionais
contam apenas partidas das ligas nacionais.
Atualizadas até 17/12/2006.


3 Partidas e gols pela seleção nacional estão atualizadas
até 17/12/2006.

Dino Baggio (Camposampiero, 24 de julho de 1971) é um ex-futebolista italiano que participou das Copa do Mundo FIFA de 1994 e 1998.[1]

Considerado um dos melhores volantes do mundo em boa parte da década de 1990,[2] brilhou em especial na fase áurea do Parma, clube do qual é considerado entre os três maiores ídolos.[3][4][5] Também teve bons momentos na Juventus,[6] superando inclusive desconfianças por ter curiosamente defendido antes precisamente os dois principais rivais deste clube - que o havia adquirido junto ao vizinho Torino (contra quem trava o Derby della Mole) e emprestara-o à Internazionale,[2] contra quem faz o Derby d'Italia.[7]

Apesar de Dino e de Roberto Baggio portarem um sobrenome pouco comum no país,[2] e de serem ambos nativos da mesma região (a do Vêneto),[8][9] eles não têm parentesco conhecido.[2][6] Ainda assim, a parceria de ambos na Seleção e na Juventus rendeu na mídia a alcunha de Baggio Boys,[10][11][12][13][14] ao mesmo tempo em que a coincidência de sobrenomes representava um peso a Dino; ao longo da carreira, embora inevitavelmente comparado ao xará e frequentemente referido somente como "o outro Baggio" ou "Baggio 2", pôde demonstrar méritos próprios e sobressair-se mais de uma vez em relação ao colega.[2][6][15]

Carreira

Nos rivais da Juventus

Natural da região do Vêneto, Dino Baggio foi pinçado ainda aos 12 anos de idade pelo Torino,[8] formando-se ao longo de seis anos nas categorias de base deste clube.[2] Foi profissionalizado pelo Granata em 1989 e integrou a campanha vencedora da Serie B de 1989-90, ainda como coadjuvante.[8] Foi na temporada seguinte que firmou-se na titularidade no Toro,[2] demonstrando férrea noção de marcação e boa chegada ao ataque em um tridente meio-campista com Luca Fusi e Rafael Martín Vázquez.[8] Visto como capaz de guarnecer sozinho a retaguarda dos grenás,[2] contribuiu para título na Copa Mitropa e uma 5ª colocação na Serie A, desempenho que classificou a equipe à Liga Europa de 1991–92.[8]

O desempenho chamou atenção do outro clube de Turim: embora a contragosto do jogador, que se sentia identificado com o Torino,[8] a Juventus contratou-o rapidamente;[2] a despeito da rivalidade, a discrepância patrimonial das duas equipes desde a tragédia de Superga tornava negociações mútuas comuns, e Dino foi negociado por cerca de 10 bilhões de velhas liras italianas.[8] Ele não tornou-se bianconero de imediato, com o novo clube optando-o por inicialmente emprestá-lo por uma temporada à Internazionale.[2] A despeito da rivalidade que também envolve Juve e Inter,[8] ambas as diretorias também desenvolveram costume de permutar ativos;[7] Dino serviu como abatimento da multa rescisória por Giovanni Trapattoni devida pelos alvinegros à equipe de Milão.[8]

Apesar da dupla dele com Lothar Matthäus no meio-campo, a temporada nerazzurra não foi coletivamente brilhante. Ainda assim, Dino sobressaiu-se individualmente como interista,[2] logo sendo integrado em definitivo à Juventus.[8]

Juventus e a primeira Copa

Ainda que sofresse inicial resistência da torcida da Juventus diante do passado nos dois principais rivais da Vecchia Signora,[2] Dino firmou-se rapidamente como juventino, fazendo parceria de sucesso com o xará Roberto Baggio:[8] embora jogasse habitualmente recuado em relação a Roberto, em dupla de volantes com Antonio Conte, Dino foi um dos protagonistas do título da Liga Europa de 1992–93, marcando três gols nas finais contra o Borussia Dortmund;[2] um na partida de ida, na Alemanha, e dois no duelo da volta.[8]

Ao longo daquela campanha, contribuiu em especial em triunfo de 3-0 sobre o Benfica, marcando o segundo gol de triunfo que reverteu derrota de 2-1 em Lisboa para o time português. Já nas decisões contra o Dortmund, Dino, além dos seus gols, sobressaiu-se também pelo penúltimo passe na jogada que culminou em gol do xará Roberto no primeiro jogo.[6]

A temporada 1993–94 de Dino Baggio foi permeada por lesões, mas, contando com confiança e apreço do treinador Arrigo Sacchi, foi convocado à Copa do Mundo FIFA de 1994 - e disputou as sete partidas. Em dado momento, chegou a ser mais decisivo do que Roberto, cujo sobrenome em comum mais prejudicava do que ajudava Dino em reconhecimento público: fez o gol da vitória sobre a Noruega, evitando uma precoce eliminação da Azzurra na fase de grupos. Nas quartas-de-final,[2] os chamados Baggio Boys brilharam juntos:[16] Dino abriu o placar, de fora da área, e Roberto marcou no final do confronto (então empatado) o gol da vitória.[2]

No auge do Parma

Após o Mundial, Dino foi negociado com o ascendente Parma por 14 bilhões de liras para receber um dos maiores salários da época.[2] Curiosamente, se tornou carrasco da própria Juventus, ao fim da temporada pós-Copa, ao marcar gols nas duas finais da Liga Europa de 1994–95:[8] no jogo de ida, marcou logo aos 5 minutos de partida o único gol do duelo, aproveitando grande lançamento de Gianfranco Zola para efetuar toque sutil diante da investida do goleiro adversário; na revanche, fez, em mergulho para cabecear cruzamento de Roberto Mussi,[15] o gol do empate que valeu o título continental aos crociati.[2] Ao longo da campanha, ele já havia se destacado com gols sobre Athletic Bilbao (dois em vitória de 4-2 que reverteu derrota de 1-0 no País Basco), Bayer Leverkusen (o primeiro em 2-1 dentro da Alemanha).[3] A final, por sua vez, rendeu o curioso "duelo dos Baggios", prevalecendo o "Baggio 2".[15]

Seguiu no clube por seis temporadas, mantendo titularidade mesmo com frequentes trocas de treinadores,[3] bem como seguindo membro da Seleção - na Eurocopa 1996,[2] na qual foi ele e não Roberto o único Baggio do elenco convocado,[17] e na Copa do Mundo de 1998.[2] No álbum oficial da Panini para o Mundial de 1998, ele similarmente foi o único Baggio com figurinha,[18] com o xará vindo a reconquistar de última hora prestígio na seleção após declínio que este vivera entre 1995 e 1997.[9]

Em 1999, Dino obteve com o Parma uma nova Liga Europa e também a Copa da Itália; e, por fim, a Supercopa da Itália.[3] Ele, Antonio Benarrivo, Luigi Apolloni e Néstor Sensini foram os seleto quatro presentes nos dois títulos parmesões na Liga Europa, mas somente Dino foi titular absoluto em ambos os elencos campeões europeus; no primeiro deles, formou parceria de meio-campo com o próprio Sensini, ao passo que no segundo jogou habitualmente lado a lado de Alain Boghossian e de Juan Sebastián Verón.[4][5] Em meio à vitoriosa década de 1990, o Parma, porém, nunca pôde vencer o título do campeonato italiano, algo que Dino atribuía "a outras coisas envolvidas".[2]

Fim da carreira

Apesar dos troféus de 1999, Dino Baggio não foi chamado à Eurocopa 2000,[2] ano em que se despediu do Parma:[3] seu clube iniciava séria crise financeira decorrente da decadência da patrocinadora Parmalat e negociou-o com a Lazio,[2] que vinha de lograr na temporada anterior os dois títulos nacionais (campeonato e copa).[19] Com dificuldades para destronar os campeões Diego Simeone, Juan Sebastián Verón ou Dejan Stanković no elenco laziale, Dino preferiu ser emprestado - porém, sem obter destaque nem pelo Blackburn Rovers e nem pelo Ancona.[2]

Ele parou de jogar inicialmente na Triestina em 2006, atuando por três partidas na Serie B. Após dois anos, voltou a campo para mais uma partida, somente para defender o clube de sua terra natal - o Tombolo, da nona divisão e então treinado por um amigo de infância de Dino. Desde então, à exceção de uma passagem como assistente técnico no Padova em 2011, preferiu distanciar-se do futebol e enveredar por uma carreira no teatro.[2]

Títulos

Torino

Juventus

Parma

Lazio

Referências

  1. «Perfil na Sports Reference». Consultado em 14 de fevereiro de 2016 
  2. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x DELLAGIUSTINA, Caio (setembro de 2015). «Dino Baggio foi além do sobrenome famoso e construiu trajetória sólida». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  3. a b c d e DINIZ, Guilherme (março de 2016). «Os 10 maiores jogadores da história do Parma». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  4. a b OLIVEIRA, Nelson (junho de 2013). «Times históricos: Parma 1991-1995». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  5. a b DINIZ, Guilherme (julho de 2013). «Times históricos: Parma 1998-2000». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  6. a b c d COSTA, César (julho de 2021). «A Juventus contou com show de seus dois Baggios para superar o Dortmund na Copa Uefa de 1993». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  7. a b OLIVEIRA, Nelson (dezembro de 2018). «Corações ingratos: os jogadores que defenderam os rivais Inter e Juventus». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  8. a b c d e f g h i j k l m OLIVEIRA, Nelson (dezembro de 2018). «Corações ingratos: os jogadores que defenderam os rivais Juventus e Torino». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  9. a b MOREIRA, Braitner (março de 2010). «Roberto Baggio: o mais querido e discutido craque italiano». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  10. QUINN, Philip (17 de junho de 1998). «Troubled Italians silence Lions' roar». Irish Independent. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  11. GATES, Emmet (21 de setembro de 2019). «Remembering Dino, the other Baggio». These Football Times. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  12. «Baggio boys weave magic spell for national team». South China Morning Post. 2 de junho de 1995. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  13. «Roberto Baggio's Top Five European Goals». The Gentleman Ultra. 18 de fevereiro de 2022. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  14. WINTER, Henry (18 de novembro de 1993). «World Cup Football: French with tears». The Independent. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  15. a b c ARRAES, Cadu (maio de 2023). «No duelo dos Baggios, Dino brilhou e o Parma ganhou a Copa Uefa ao bater a Juventus». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  16. GATES, Emmet (6 de julho de 2021). «Spain manager Luis Enrique has a long and bloody history with Italy». The Guardian. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  17. OLIVEIRA, Nelson (abril de 2022). «Vitória apertada sobre a Rússia foi a única da Itália numa frustrante Euro 1996». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025 
  18. «Panini FIFA World Cup France 1998». Last Sticker. Consultado em 15 de setembro de 2025 
  19. DINIZ, Guilherme (maio de 2013). «Times históricos: Lazio 1997-2001». Calciopédia. Consultado em 13 de setembro de 2025