Parmalat
| Parmalat | |
|---|---|
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| Privada | |
| Atividade | alimentos |
| Fundação | 1961 (65 anos) |
| Fundador(es) | Calisto Tanzi |
| Sede | Collecchio, Itália |
| Proprietário(s) | Lactalis |
| Empregados | 13.788 (2009) |
| Produtos | laticínios |
| Faturamento | 3.964,8 mld € (2009) |
| Website | www |
Parmalat é uma empresa italiana de produtos alimentícios subsidiária da multinacional francesa Lactalis. Fundada por Calisto Tanzi em 1961 na cidade de Collecchio, na província de Parma, foi uma das maiores empresas europeias de produtos lacticínios antes de a justiça italiana declarar sua falência, em dezembro de 2003. Desde 2011, é uma subsidiária do grupo francês Lactalis, que obteve o controle total desde 2019.[1]
Calisto Tanzi, o ex-presidente do grupo italiano Parmalat, cuja falência em 2003 deixou uma dívida de 14 bilhões de euros, foi detido no dia 5 de maio de 2011 em Parma, depois de ter sido condenado de forma definitiva a oito anos e um mês de prisão.[2][3]
História
A empresa surgiu como uma fábrica de laticínios fundada na cidade italiana de Collecchio em 1961, pelo empresário Calisto Tanzi. Buscando ocupar espaço no mercado, a empresa passou a investir em tecnologias pioneiras no país como as caixas de leite longa vida Tetra Pak, seu principal diferencial na época.
Em plena ascensão, a marca entrou no mercado brasileiro no início da década de 70, além de passar a investir em esportes, se destacando como patrocinadora na Fórmula 1, como os pilotos Nelson Piquet e Niki Lauda. A Parmalat consolidou seu crescimento ao ser listada na bolsa de valores de Milão em 1990, globalizando ainda mais a marca ao adentrar no mercado norte-americano na mesma década, chegando a vinte países com sua presença.[4][5]
Crise financeira
Dominando o negócio de leites longa vida, Tanzi expandiu o grupo para investimentos em clubes de futebol, turismo e entretenimento nos anos 90. Nesse período, foi adquirida a Odeon TV, em um negócio que tinha como objetivo de competir com as redes de televisão de Silvio Berlusconi; esses investimentos, porém, se revelaram desastrosos para a empresa, com a Odeon TV tendo de ser vendida com um prejuízo de cerca de 45 milhões de euros, e os investimentos no clube Parma FC e na empresa de hotelaria Parmatour também gerando grandes prejuízos. Em 1999, foi estabelecida a Bonlat, empresa subsidiária com sede nas Ilhas Cayman, e que se tornou pivô de fraudes financeiras.[6]
Em 2003, o balanço da empresa revelou um 'buraco' financeiro, com os executivos prometendo sanar as dívidas dos investidores. A crise explodiu após questionamentos de auditores sobre um investimento de 600 milhões de dólares no fundo de risco Epicurum, outra empresa sediada em Cayman ligada à Parmalat. A empresa tentou resgatar 496.5 milhões de euros do fundo para sanar as dívidas, porém não obteve sucesso.
A crise se agravou após o Bank of America negar a autenticidade de documentos que mostravam 3,95 bilhões de euros na conta bancária da Bonlat, os classificando como uma falsificação. O escândalo revelou a escala da crise financeira pela qual passava a Parmalat, levando Tanzi a renunciar ao cargo de presidente e CEO, além da renúncia de diversos outros executivos. No Brasil, a crise causou atrasos em pagamentos a produtores de leite e demissões de funcionários, com uma ordem judicial sendo imposta para evitar a venda de ativos da empresa.[7][8]
Após o episódio, Enrico Bondi assumiu a Parmalat. O escândalo levou a falência da empresa, com uma dívida de 14 bilhões de euros.[3][6] Tanzi admitiu o desvio de 500 milhões de euros da Parmalat, que eram direcionados à outras empresas de sua propriedade que passavam por crises financeiras, e foi detido em 2011 após ser condenado a oito anos de prisão, acusado de manipulação de ações da Parmalat e contabilidade falsa.[9]
Recuperação judicial
Brasil
A subsidiária no Brasil, a Parmalat Brasil, assim como a Parmalat no mundo, entrou em colapso. Com a aprovação da nova lei de falências (Lei nº 11.101/2005), a Parmalat Brasil entrou em recuperação judicial, onde seu plano de recuperação foi aprovado dando fôlego à empresa para continuar suas operações tal como aconteceu com a Varig e a Vasp.

Neste cenário, a Laep Investments Ltd comprou a Parmalat por R$ 140 milhões e vendeu a Batavo que estava dentro do complexo Parmalat para a Perdigão por R$ 120 milhões, ou seja, a Parmalat toda custou 20 milhões à Laep.
Em 2007, veio a crise do mercado leiteiro com a apreensão de dois lotes de leite da Parmalat pela ANVISA, porque estavam com suspeita de adulteração com soda cáustica e peróxido de hidrogênio, H2O2. Foi um escândalo que desvendou a adulteração em duas cooperativas de Minas Gerais que vendiam leite para a Parmalat e também para outras grandes marcas.
Em 2 de julho de 2009 a Laep, controladora da Parmalat, anunciou um novo acordo com as empresas que assumiram o passivo. As debêntures detidas hoje pelo Fundo de Investimento em Direitos Creditórios Não-Padronizados Alemanha Multicarteira, que agora valem R$ 120 milhões, serão integralmente alienadas em favor do Emerging Market Special Situations 3 Limited ( ” EMSS ” ). O fundo, no entanto, só ficará com papéis representativos de R$ 85 milhões, que serão convertidos em uma dívida com vencimento em 31 de agosto de 2010. O EMSS receberá ainda uma opção de compra de até 50.893.994 ações classe A da Laep. Os R$ 35 milhões em debêntures restantes serão repassados do EMSS para a Companhia Brasileira de Agronegócios e Alimentação (CBAA). Mediante pagamento de um valor adicional não revelado, a CBAA ficará com as empresas Integralat e Companhia Brasileira de Lácteos. Esta última é dona de ativos como a chamada “unidade de fornos” da Parmalat, onde são produzidos biscoitos. Também é dona da fábrica de Itaperuna (RJ) e das marcas Duchen e Glória, entre outras, além de um centro de distribuição em São Paulo.
Um clima de otimismo ronda as ações da controladora da Parmalat Brasil, face esta ser considerada um porto seguro no cenário de crise econômica internacional, isto porque a Parmalat volta-se ao mercado consumidor interno com a venda de produtos de primeira necessidade. Em 16 de julho de 2009, a Nestlé iniciou o contrato de arrendamento da fábrica de Carazinho, a maior fábrica da Parmalat no país onde são produzidos leite longa vida, em pó e condensado, além de creme de leite. A Nestlé tomou posse da fábrica por 35 anos e este acordo é parte de um processo de fortalecimento de capital para a Parmalat. Para a Nestlé, é tratado como investimento para a entrada da empresa no ramo de laticínios. Em junho de 2010, o direito de uso da marca Parmalat no Brasil foi cedido para o consórcio Monticiano Participações S.A. e em dezembro de 2010, foi cedido à empresa de laticínios LBR - Lácteos Brasil S.A..
Portugal
A Parmalat Portugal foi fundada em 1993, tendo nesse ano adquirido a UCAL (União das Cooperativas Abastecedoras de Leite de Lisboa). A subsidiária portuguesa não foi em nada afetada pela falência da empresa-mãe italiana, sendo até um exemplo para a reestruturação desta última.
Comercializa as gamas Parmalat (Leite, natas, manteiga, produtos de culinária, sumos Santàl, biscoitos Grisbi), e UCAL/São Lourenço (leite simples e achocolatado, manteiga e natas).
Compra pela Lactalis
Em 2011, a Parmalat foi comprada pelo grupo francês Lactalis, que detinha cerca de 29% das ações a companhia. Após oferta de 2,5 bilhões de euros, ela adquiriu mais 54,3% da empresa, chegando a cerca de 80% de participação. Banqueiros e industriais italianos, com apoio do governo, tentaram impedir a compra da Parmalat pelo grupo, não conseguindo apoio de investidores suficientes para tal.[1] Em 2019, a Lactalis adquiriu controle total da Parmalat.[10]
Esporte
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Ficou bastante conhecida em todo o mundo por patrocinar a equipe Brabham de Fórmula 1 e clubes de futebol, além de elaborar modelos de co-gestão, contratando grandes jogadores para suas equipes. Patrocinou o Boca Juniors (Buenos Aires, Argentina), o Estudiantes (La Plata, Argentina), a Universidad Católica (Santiago, Chile), o Audax Italiano (La Florida, Chile), o Peñarol (Montevidéu, Uruguai), a LDU (Quito, Equador), o Olympique de Marseille (Marselha, França), o Real Madrid (Madrid, Espanha), o Dínamo de Moscou (Moscou, Rússia), o Benfica (Lisboa, Portugal), o Santa Cruz (Recife, Brasil), o Toros Neza (Nezahualcóyotl, México) e a Seleção dos Estados Unidos. Elaborou trabalho de co-gestão com o Parma (Parma, Itália), o Palmeiras (São Paulo, Brasil), o Juventude (Caxias do Sul, Brasil) e a Parmalat FC (Manágua, Nicarágua).
Campanha dos 'Mamíferos'

No Brasil, a empresa ficou famosa pela campanha dos "Mamíferos Parmalat". A campanha publicitária de 1996, criada pelos publicitários Erh Ray e Nizan Guanaes, consistia em comerciais envolvendo crianças fantasiadas de animais mamíferos, segurando caixas de leite. A campanha fez tanto sucesso que durou até o ano 2000. Em 1998, foi lançada uma linha de animais de pelúcia promocionais, que podiam ser resgatados pelos consumidores após acumular 20 códigos de barras das caixas de leite; essa ação levou as vendas da Parmalat a "explodir" no Brasil, com as pelúcias se tornando muito populares no país, com cerca de 15 milhões sendo confeccionadas. Em 2015, a francesa Lactalis, que adquiriu o controle da companhia, relançou a campanha, desta vez apostando em animais da fauna brasileira.[11]
Parmalat no mundo

Presença direta
- África do Sul
- Austrália
- Botswana
- Canadá
- Colômbia
- Cuba
- Equador
- Itália
- Moçambique
- Nicarágua
- Paraguai
- Portugal
- Roménia
- Rússia
- Essuatíni
- Venezuela
- Zâmbia
Presença com licença
Referências
- ↑ a b Francesa Lactalis garante controle acionário da Parmalat Revista Época - acessado em 14 de outubro de 2020 (Arquivado em 18 de fevereiro de 2017)
- ↑ «Itália: Detido ex-patrão da Parmalat, Calisto Tanzi». Expresso. 5 de maio de 2011. Consultado em 6 de maio de 2011[ligação inativa]
- ↑ a b «Tribunal italiano prende ex-dono da Parmalat». iG Economia. 5 de maio de 2011. Consultado em 6 de maio de 2011
- ↑ «História». Parmalat. Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Sponsors - Parmalat». Grand Prix. Consultado em 24 de dezembro de 2024
- ↑ a b Sophie Arie (4 de janeiro de 2004). «Parmalat dream goes sour». The Guardian. Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Entenda como surgiu a crise da Parmalat». Folha Online. Reuters. 24 de janeiro de 2004. Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Bank of America nega caixa da Bonlat e piora crise da Parmalat». Exame. 14 de outubro de 2010. Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Italian dairy boss gets 10 years». BBC. 18 de dezembro de 2008. Consultado em 24 de dezembro de 2025
- ↑ «Parmalat: sindacati, ad Bernier ha confermato centralita' attivita' in Italia». Radiocor. 8 de fevereiro de 2019
- ↑ «Dez curiosidades sobre o comercial dos Mamíferos Parmalat». Veja São Paulo. 5 de julho de 2018. Consultado em 24 de dezembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de janeiro de 2022
