Bienal de Música Brasileira Contemporânea
A Bienal Brasileira de Música Contemporânea é um festival de música organizado pela Funarte, vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), realizado desde 1975 no Rio de Janeiro, que reúne compositores e instrumentistas brasileiros ou residentes no país para execução de composições escritas para variadas formações musicais. Tradicionalmente o envento utiliza espaços importantes como a Sala Cecília Meireles, Teatro Dulcina e Sala Sidney Miller, e muitas vezes em parceria com a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EMUFRJ).[1]
Histórico
A iniciativa para realização da Bienal Brasileira de Música Contemporânea surgiu a partir dos I e II Festivais de Música da Guanabara, em 1969 e 1970, respectivamente, organizados pelo compositor Edino Krieger. Ele teve o apoio de Myrian Dauelsberg, então diretora da Sala Cecília Meireles, para realizar a primeira Bienal, ocorrida de 8 a 12 de outubro de 1975. As três primeiras Bienais foram organizadas pela Sala Cecília Meireles e a partir da quarta edição, elas foram encampadas pela Funarte, quando Edino Krieger dirigia a área musical dessa Fundação.[2]
Os concertos apresentam obras para as mais variadas formações musicais, desde solistas, música de câmara (duos, quartetos, etc.) e música eletroacústica, até grandes orquestras sinfônicas. Além dos concertos, as Bienais costumam incluir palestras, lançamentos de discos, debates e mesas redondas, proporcionando um ambiente de troca de experiências.
A Bienal ocorre sempre em anos ímpares no Rio de Janeiro e é precedida de convite a compositores brasileiros no país e no exterior, e a estrangeiros aqui residentes, para que proponham a apresentação de suas obras de criação recente. As propostas eram avaliadas por comissões de seleção constituídas por músicos de renome escolhidos pela Funarte.
Edições
As três edições iniciais do evento foram organizadas pela Sala Cecília Meireles. A quarta edição, em 1981, foi a primeira sob a tutela da Funarte.[3]
É um evento bienal (ocorre a cada dois anos) e é realizada ininterruptamente desde 1975.
I Bienal (1975)
A I Bienal Brasileira de Música Contemporânea marcou o início do mais importante e duradouro evento de música de concerto contemporânea no país. Realizada entre 8 e 12 de outubro de 1975, no Rio de Janeiro, o evento foi uma iniciativa da Sala Cecília Meireles, com a organização liderada por Myrian Dauelsberg e o patrocínio da Petrobras. A Bienal nasceu com o objetivo claro de documentar, apresentar e catalisar a produção musical erudita brasileira recente, preenchendo o vazio deixado pela extinção dos Festivais de Música da Guanabara (ocorridos em 1969 e 1970). Esta edição inaugural contou com a seleção de 35 compositores de diversas vertentes estéticas. O marco de abertura foi a obra "Estruturas Primitivas" (1975), do compositor Ricardo Tacuchian, simbolizando o propósito da Bienal de dar palco às novas criações nacionais.[4]
II Bienal (1977)
Dois anos após seu sucesso inicial, a II Bienal ocorreu em 1977, também sob a organização da Sala Cecília Meireles. A continuidade do evento demonstrou a necessidade e a aceitação da Bienal pela comunidade musical brasileira. Esta edição manteve a estrutura de convocatória e seleção de obras inéditas ou de pouca circulação, reforçando seu papel como um mecanismo de visibilidade essencial para os compositores brasileiros da época, que frequentemente enfrentavam dificuldades para ter suas obras executadas e ouvidas.
A Bienal de 1977 solidificou, de fato, a periodicidade bienal do evento.
III Bienal (1979)
A III Bienal, realizada em 1979 pela Sala Cecília Meireles, foi a última sob sua organização direta. O prestígio e a relevância alcançados pelo evento em suas três primeiras edições chamaram a atenção do governo federal para a necessidade de institucionalizar e garantir a permanência do projeto com um apoio mais robusto. Este evento finalizou a "fase pioneira" da Bienal, tendo sido crucial para estabelecer o formato pluralista e a seriedade curatorial que seriam posteriormente adotados pela instituição que assumiria sua gestão. A busca por espaço para a audição de obras de música de câmara, sinfônica e eletroacústica continuou a ser o foco principal.
IV Bienal (1981)
A partir de 1981, a Bienal sofreu uma importante transição institucional. A IV Bienal marcou a primeira edição sob a organização da Fundação Nacional de Artes (Funarte), que encampou o projeto e lhe conferiu estabilidade e recursos federais. Este movimento transformou o evento, que passou a ser visto como a Bienal oficial e institucionalizada do país, garantindo sua continuidade ininterrupta.
Além dos concertos, a edição de 1981 promoveu uma expansão das atividades, incluindo palestras, lançamentos de discos, debates e mesas redondas. Essa inclusão transformou a Bienal em um fórum abrangente de reflexão e intercâmbio sobre a música contemporânea brasileira. O evento manteve a Sala Cecília Meireles como sua principal sede no Rio de Janeiro.[3]
V Bienal (1983)
Realizada em 1983, a V Bienal consolidou o evento como o principal fórum de música erudita de vanguarda sob a coordenação da Funarte. Esta edição reafirmou o compromisso com a diversidade estilística. O corpo curatorial e de seleção continuou a atrair obras de compositores consagrados e novos talentos, apresentando-as em concertos com o apoio de orquestras de prestígio, como a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro.
Em um movimento que uniu a divulgação da nova produção à preservação histórica, a Funarte aproveitou a Bienal para relançar, em formato de disco, dois importantes álbuns em homenagem ao centenário do nascimento do musicólogo Mário de Andrade, originalmente editados pela Fundação em 1983. Este ato sublinhou a ligação da música contemporânea com a tradição modernista brasileira.[1]
VI Bienal (1985)
A VI Bienal, ocorrida em 1985, continuou a consolidar o papel da Funarte como grande agente de difusão musical. A edição reuniu 67 compositores, entre mestres consagrados e jovens novatos, e serviu como uma importante vitrine para a criação musical.[5]
O evento viu a estreia da obra "Clichê Music" (1985), de Tim Rescala, uma peça para barítono/narrador, instrumentos de câmara e fita magnética, que ficou notória por seu tom humorístico e metalinguístico, satirizando os próprios "fórmulas clichês" percebidas na música contemporânea da época.[6]
Foi também o palco para a apresentação de "O Canto Multiplicado" de Marlos Nobre e "Miniópera" de Henrique de Curitiba, demonstrando a pluralidade de gêneros.[5]
VII Bienal (1987)
Realizada entre 5 e 14 de novembro de 1987, predominantemente na Sala Cecília Meireles, a VII Bienal reuniu um total de 78 compositores brasileiros. Dos 12 concertos realizados, 23 obras eram estreias mundiais, mantendo a Bienal fiel à sua missão de apresentar a novíssima produção musical.[2]
O evento prestou uma homenagem póstuma ao compositor e musicólogo germano-brasileiro Bruno Kiefer (1923–1987), falecido em março daquele ano, reconhecendo sua enorme contribuição para a música de concerto do Sul do país e sua importância como professor e historiador.[3]
Entre os nomes de destaque que apresentaram obras estavam Gilberto Mendes, Willy Corrêa de Oliveira, Eduardo Guimarães Alves e Silvio Ferraz, indicando um forte diálogo com a vanguarda paulista, ao lado de outros grandes nomes como Jorge Antunes e Tim Rescala.
VIII Bienal (1989)
A década de 1980 se encerrou com a VIII Bienal entre os dias 22 a 30 de novembro1989, que celebrou a consolidação definitiva do festival, atingindo um pico de participação com obras de 85 compositores em 15 concertos. Essa edição utilizou grandes espaços como o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Sala Cecília Meireles e o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM).[4]
Esta edição foi um marco por comemorar os 20 anos do I Festival de Música da Guanabara (1969), o evento precursor da Bienal. O concerto inaugural, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro do Rio de Janeiro (em uma expansão dos locais de apresentação), foi dedicado exclusivamente à execução das obras que se classificaram nos primeiros lugares daquele festival histórico.
Foram revisitadas e interpretadas pelo Coro e Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal do Rio de Janeiro obras fundamentais como "Pequenos funerais cantantes" (com texto de Hilda Hilst) de Almeida Prado, e "Concerto breve para piano e orquestra" de Marlos Nobre, que também atuou como solista.
IX Bienal (1991)
A IX Bienal, realizada em 1991, deu continuidade ao formato já consolidado pela Funarte. O evento manteve o foco na apresentação de uma vasta produção, incluindo obras de compositores de diversas regiões do Brasil.
A musicóloga e compositora Kilza Setti (membro da Academia Brasileira de Música) teve obras apresentadas, refletindo seu trabalho que frequentemente utiliza materiais folclóricos e etnomusicológicos.
O compositor Carlos Kater foi um dos nomes de destaque na cena de música contemporânea paulistana, apresentando a instalação fonoluminosa "Cidade/city/cité" na mostra "Homenagem à Avenida Paulista" em 1991, no mesmo contexto de efervescência que a Bienal representava no Rio de Janeiro. As atividades e a diversidade de linguagens artísticas, incluindo música eletroacústica, eram uma constante nestas edições.[7]
X Bienal (1993)
A X Bienal foi realizada de 15 a 23 de outubro de 1993. O evento se expandiu para múltiplos locais de prestígio, incluindo o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, a Sala Cecília Meireles, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), a Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (EMUFRJ) e o Espaço Cultural Sérgio Porto, oferecendo um amplo painel da criação musical.
A edição contou com a participação de 86 compositores e prestou homenagem a grandes nomes da música brasileira, como Mário de Andrade, Ascendino Nogueira, Camargo Guarnieri e Breno Blauth.
No campo da Música Cênica, estreou a obra "A decadência da tuba", de Eduardo Guimarães Alves, que, seguindo o humor e a metalinguagem de compositores como Gilberto Mendes e Tim Rescala, utilizava fragmentos de libretos de óperas famosas em uma encenação humorística para satirizar a linguagem operística.[8]
XI Bienal (1995)
A XI Bienal, realizada em 1995, continuou a tradição de estreias e a apresentação de obras de vanguarda.
O catálogo desta edição, com concertos realizados no Theatro Municipal do Rio de Janeiro e na Sala Cecília Meireles, registrou a estreia mundial de "Metamorphosis" (1995), para violino e piano, do compositor João Guilherme Ripper.
A edição também apresentou a obra "HÕKREPÖJ" da compositora Kilza Setti, que teve sua inspiração em pesquisas etnomusicológicas realizadas com o povo indígena Timbira e o apoio do Centro de Trabalho Indigenista (CTI).
Um concerto marcante no Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi o da Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense (OSN UFF), regida por André Cardoso, que apresentou obras como "Movimento..." de Elferico Morquet e "Concerto do agreste" de Sérgio Oliveira de Vasconcellos-Corrêa.
A Bienal de 1995 também marcou a cerimônia de entrega do Prêmio Nacional de Música a importantes nomes da cena, como Almeida Prado e Hans-Joachim Koellreutter.[5]
XII Bienal (1997)
A XII Bienal, ocorrida entre 25 de outubro e 4 de novembro de 1997, foi um evento de grandes celebrações e recordações históricas.
O evento prestou homenagens a figuras centenárias importantes para a música brasileira: o centenário de nascimento de Francisco Mignone e de Oscar Lorenzo Fernandez. Além disso, celebrou os 90 anos de nascimento de Camargo Guarnieri.
O concerto de abertura, realizado no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, foi dedicado às obras de Mignone e Guarnieri, enchendo a sala e reforçando a ligação da música contemporânea com a tradição nacionalista.
A programação se destacou pela diversidade de grupos, incluindo o Grupo Música Nova da UFRJ, a Amazônia Jazz Ensemble, a Orquestra de Câmara da Bienal, o Grupo Contemposonoro, e concertos dedicados à Música Eletroacústica e Multimeios (realizado na Escola de Música da UFRJ). A mostra buscou englobar o repertório para as mais variadas formações.[6]
XIII Bienal (1999)
A XIII Bienal, em 1999, marcou a última edição do século XX. O evento buscou fazer um resgate da trajetória do nacionalismo musical brasileiro através dos tempos, revisitando as raízes que influenciaram a produção contemporânea.
A edição registrou um número crescente de compositores participantes e um grande público, consolidando a Bienal como um evento de alta importância para a difusão da produção musical brasileira e um pilar do calendário cultural da cidade.
O sucesso contínuo do festival garantiu que as Bienais adentrassem o século XXI como um dos principais eventos de música erudita do país.[9]
XIV Bienal (2001)
A XIV Bienal foi realizada em 2001, mantendo a tradição de ser o principal palco para a estreia e a audição de novas obras. Os números desta edição refletiram uma intensa atividade criativa no país, sendo que das 86 obras programadas, 64 foram estreias mundiais, demonstrando o vigor do evento na renovação do repertório nacional.
O evento continuou a valorizar compositores de todas as gerações. A obra "Partita brasileira (1994-2001)" de Marisa Rezende, foi uma das peças selecionadas para apresentação, destacando-se a contribuição feminina no cenário musical contemporâneo.
O compositor Alexandre Schubert teve sua "Tocata para harpa" em competição, e Heber Ricardo Stach Schonemann também apresentou obras, ambos representando a nova geração de músicos com formação em universidades do Rio de Janeiro.
A Bienal manteve seu caráter competitivo, com premiações em diversas categorias, como a de Trios e Quartetos, na qual Marcelo de Jesus conquistou o segundo lugar com uma de suas obras.[7]
XV Bienal (2003)
A XV Bienal foi realizada entre 9 a 16 de novembro de 2003 e continuou a ser um evento de grande visibilidade, com concertos em locais tradicionais como a Sala Cecília Meireles, além do Palácio Gustavo Capanema e a Sala Baden Powell.
Esta edição prestou homenagem In Memoriam a quatro figuras importantes que faleceram recentemente, reconhecendo suas contribuições: Ascendino Theodoro Nogueira (1913-2002), José Penalva (1924-2002), José Vieira Brandão (1911-2002) e Mário Tavares (1928-2003).
O programa do dia 10 de novembro, na Sala Cecília Meireles, destacou obras de compositores como Mário Ficarelli, Marisa Rezende, Eduardo Seincmann, Eduardo Guimarães Álvares e Sílvio Ferraz, demonstrando a pluralidade de estilos.[8]
XVI Bienal (2005)
A XVI Bienal, ocorrida em 2005, manteve o alto padrão de produção da Funarte, reunindo cerca de 280 intérpretes de solos, grupos de câmara e orquestras sinfônicas para a execução de 89 obras de 89 compositores selecionados pela Comissão.
As obras selecionadas demonstravam uma forte diversidade instrumental, refletindo a produção de nomes como Cesar Guerra-Peixe e Carlos Cruz, cujas composições e arranjos eram frequentemente executados em festivais da época.[9]
XVII Bienal (2007)
A XVII Bienal, em 2007, seguiu o formato bem sucedido das edições anteriores. Esta Bienal apresentou um total de 91 obras, sendo 89 de compositores selecionados por concurso e duas obras de compositores homenageados.[10]
A edição prestou homenagem a dois grandes compositores brasileiros pelo transcurso de seu centenário de nascimento: Camargo Guarnieri (1907-1993) e José Siqueira (1907-1985), resgatando suas contribuições para o repertório nacional e demonstrando a interligação entre a tradição e a vanguarda.
A logística continuou complexa, envolvendo cerca de 280 intérpretes (solistas e conjuntos) e quatro orquestras. O mecanismo de premiação (com júri e voto do público) manteve a característica de incentivo à criação.
XVIII Bienal (2009)
A XVIII Bienal foi realizada entre 23 de outubro e 1 de novembro de 2009, primariamente na Sala Cecília Meireles. O evento apresentou 110 novas composições, muitas delas estreias, selecionadas por uma comissão de regentes e compositores.[11]
O evento mobilizou uma força interpretativa impressionante: 12 concertos com a participação de quatro orquestras (incluindo a Orquestra Sinfônica Nacional da Universidade Federal Fluminense e a Orquestra Sinfônica da UFRJ), um coro, sete regentes, 33 cantores e 271 instrumentistas. Entre os solistas de destaque estavam a soprano Veruschka Mainhard e os pianistas Marcelo Thys e Kátia Baloussier.
A Bienal exibiu a grande diversidade de estilos, incluindo obras como "Abertura Festiva" de Ernst Mahle, "Suíte Orquestral" de Rafael Bezerra e "Filho da Floresta" de Ricardo Tacuchian (com solo de Veruschka Mainhard).
XIX Bienal (2011)
A XIX Bienal ocorreu em outubro de 2011. Devido às obras de reforma na Sala Cecília Meireles, que tradicionalmente sediava o evento, grande parte da programação foi transferida para a Sala Funarte Sidney Miller e o Teatro João Caetano.
O evento foi integralmente dedicado à memória do compositor José Antônio de Almeida Prado (1943–2010), falecido no ano anterior. Almeida Prado foi uma figura fundamental, tendo participado dos Festivais da Guanabara (precursores da Bienal) e das primeiras edições, e sua obra representava bem o ecletismo da música brasileira. No concerto de encerramento, no Teatro João Caetano, ocorreu a estreia mundial da última obra do compositor, "Paná-Paná III", encomendada pela Funarte antes de seu falecimento. A peça foi executada pelo Quarteto Radamés Gnatalli e outros instrumentos.
A Bienal manteve um forte segmento de Música Eletroacústica, com compositores como Paulo Guicheney, Marcus Alessi Bittencourt e Washington Denuzzo apresentando obras com difusão ao vivo e live electronics.
O professor Jorge Meletti (UFPel) teve sua peça "Não se pode esquecer" premiada no Concurso Funarte de Composição e selecionada para apresentação com interpretação do flautista Raul Costa d'Ávila.[12]
XX Bienal (2013)
A XX Bienal foi realizada de 27 de setembro a 6 de outubro de 2013. Esta edição marcou um grande avanço em termos de participação e difusão internacional. O evento recebeu um número recorde de 534 inscrições, demonstrando o crescente interesse e relevância da Bienal no cenário nacional.
Pela primeira vez, houve um esforço significativo para a difusão mundial dos concertos pela internet e uma divulgação junto a instituições musicais internacionais, promovendo a arte brasileira no exterior.
O concerto de abertura foi realizado no Salão Leopoldo Miguez, da Escola de Música da UFRJ, com a Orquestra Sinfônica da UFRJ, regida por Cláudio Cruz.
Outras obras notáveis na programação foram "Raw" de Danniel Ferraz e "Devaneio" de Eli-Eri Moura, ambas vencedoras do Prêmio Funarte de Composição.
A Bienal de 2013 inovou ao criar um colégio eleitoral de 67 compositores e regentes para votar nos autores mais representativos, que seriam contemplados com encomendas de obras, buscando maior representatividade.
O encerramento foi majestoso, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a Orquestra Petrobras Sinfônica, regida por Roberto Duarte. As obras do encerramento incluíram peças encomendadas pela Funarte, como "Tetragrammaton III" de Roberto Victorio, "Parasinfonia" de Mario Ficarelli, "Blocos sinfônicos" de Guilherme Bauer e "Jogos" de Ronaldo Miranda.[13]
XXI Bienal (2015)
A XXI Bienal foi realizada de 10 a 19 de outubro de 2015. Esta edição foi notável por suas grandes homenagens e por um número impressionante de estreias.
O evento celebrou dois expoentes da cultura brasileira: os 70 anos do falecimento de Mário de Andrade e o centenário de nascimento de Hans-Joachim Koellreutter (1915–2005). As homenagens incluíram mesas-redondas (Música e Política – entre Mário de Andrade e Koellreutter), recitais e a exibição da ópera "Café – tragédia secular", com texto de Mário e música de Koellreutter.[14]
O concerto de abertura ocorreu no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, com a performance da Orquestra Juvenil da Bahia (Neojibá), regida por Eduardo Torres e Ricardo Castro.
Foram apresentadas 67 obras em estreia mundial em dez concertos. Dentre as peças destacadas estavam obras encomendadas pela Funarte (2014) e vencedoras do Prêmio Funarte de Composição Clássica (2014), como: "A máquina do mundo", de Liduino Pitombeira; "E tornou-se fábula", de Alexandre Espinheira; "Sete flechas: um batuque concertante", de Paulo Costa Lima.
A programação de música de câmara, na Sala Cecília Meireles, incluiu obras de Silvio Ferraz, José Augusto Mannis e o duo de violoncelos Paulo e Ricardo Santoro (Duo Santoro).[15]
XXII Bienal (2017)
A XXII Bienal foi realizada em outubro de 2017, com foco novamente na Sala Cecília Meireles, reafirmando o compromisso com a diversidade de gêneros.
A Bienal manteve seu caráter nacional, reunindo compositores de diversos estados. O professor Paulo Costa Lima (da Universidade Federal da Bahia - UFBA), que já havia sido premiado em edições anteriores, estreou sua composição "Tempuê" no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, na abertura do evento. Um dos destaques interpretativos foi a atuação de músicos notáveis como o saxofonista Pedro Bittencourt (UFRJ).[16]
O evento continuou a valorizar compositores com trajetória consolidada, mas abriu espaço para a nova geração. A obra "Três peças saxofônicas" (2017) de Guilherme Bauer (compositor convidado), foi uma das estreias apresentadas.[17]
XXIII Bienal (2019)
A XXIII Bienal foi realizada entre 10 e 14 de novembro de 2019, em parceria com a Universidade Federal Fluminense (UFF).
Esta edição prestou homenagem a um grupo numeroso e representativo de 11 compositores que se tornaram referência na música brasileira. Entre os homenageados estavam nomes fundamentais para a história da Bienal, como Edino Krieger (um dos fundadores), Ernst Mahle, Edmundo Villani-Côrtes, Kilza Setti, Raul do Valle, Marlos Nobre e Ricardo Tacuchian.
Foram selecionadas 47 partituras em três categorias: orquestra sinfônica (podendo ter solista), música de câmara (com até nove intérpretes) e música mista e acusmática (eletroacústica).
Na categoria Eletroacústica, foram apresentadas obras experimentais de Jocy de Oliveira, César Traldi e Daniel Barreiro. Na música de câmara, estrearam obras de Tim Rescala e Gustavo Bonin.
A Funarte destinou um valor fixo de 1.300 reais para cada compositor selecionado, a título de direitos autorais.[18]
XXIV Bienal (2021)
A XXIV Bienal, realizada entre 13 e 21 de novembro de 2021, foi notável por ocorrer durante a pandemia da COVID-19, com o evento sendo transmitido majoritariamente pelo canal Arte de Toda Gente da UFRJ e Rádio MEC. Foi realizada em parceria com a Escola de Música da UFRJ.
Apesar das restrições, foram realizados 11 concertos, primariamente na Sala Cecília Meireles, com o concerto da Orquestra Petrobras Sinfônica sendo transmitido sem público presencial.
Foram executadas 75 partituras, sendo 44 em estreia mundial e 46 em estreia presencial, com obras de mais de 70 compositores vindos de 12 unidades da Federação.
A Bienal mobilizou um grande número de orquestras (seis no total), superado apenas pela 13ª edição, o que incluiu a Orquestra Sinfônica Jovem do Rio de Janeiro (OSJRJ) na abertura.
Foi prestada uma homenagem póstuma ao compositor Henrique David Korenchendler (1948–2021).
Entre os compositores convidados estavam os veteranos como Edino Krieger, Eli-Eri Moura, e Ernst Mahle.[19]
XXV Bienal (2023)
A XXV Bienal foi realizada em dezembro de 2023, marcando um retorno à plena capacidade presencial e celebrando um quarto de século do evento sob a coordenação da Funarte.
O evento utilizou espaços tradicionais como a Sala Cecília Meireles, para concertos orquestrais e grandes formações, e o Teatro Dulcina, para música de câmara e eletroacústica.
Na música de câmara, destacaram-se obras como "Trenzito do Iguazu", para quarteto de cordas, de Jhonatan França, e "Palavras não me são familiares" de Clara Lamonaca (ambas estreias).
O compositor Jorge Antunes estreou a "Abertura da Ópera Marielle" (2023) no segundo concerto, na Sala Cecília Meireles, uma obra de forte cunho social e político, que reflete a atuação contínua da Bienal em dialogar com o presente.
Obras de Aylton Escobar, Liduino Pitombeira e Marcelo Politano também integraram a vasta programação.
O concerto de encerramento, na Sala Cecília Meireles, contou com a participação da Orquestra Sinfônica de Barra Mansa.[20]
Tabela das Edições
| Edição | Ano de Realização | Locais Principais de Apresentação |
| I | 1975 | Sala Cecília Meireles (Sede e Organização) |
| II | 1977 | Sala Cecília Meireles |
| III | 1979 | Sala Cecília Meireles |
| IV | 1981 | Sala Cecília Meireles (1ª sob a FUNARTE) |
| V | 1983 | Sala Cecília Meireles |
| VI | 1985 | Sala Cecília Meireles |
| VII | 1987 | Sala Cecília Meireles |
| VIII | 1989 | Sala Cecília Meireles, Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Museu de Arte Moderna (MAM) |
| IX | 1991 | Sala Cecília Meireles (e outros espaços do Rio de Janeiro) |
| X | 1993 | Theatro Municipal, Sala Cecília Meireles, Escola de Música da UFRJ, Espaço Cultural Sérgio Porto |
| XI | 1995 | Theatro Municipal, Sala Cecília Meireles |
| XII | 1997 | Theatro Municipal do Rio de Janeiro (abertura), Sala Cecília Meireles |
| XIII | 1999 | Sala Cecília Meireles (e outros espaços) |
| XIV | 2001 | Sala Cecília Meireles (e outros espaços) |
| XV | 2003 | Sala Cecília Meireles, Palácio Gustavo Capanema, Sala Baden Powell |
| XVI | 2005 | Sala Cecília Meireles |
| XVII | 2007 | Sala Cecília Meireles |
| XVIII | 2009 | Sala Cecília Meireles |
| XIX | 2011 | Sala Funarte Sidney Miller, Teatro João Caetano (devido a obras na Sala Cecília Meireles) |
| XX | 2013 | Salão Leopoldo Miguez (UFRJ), Theatro Municipal do Rio de Janeiro (encerramento) |
| XXI | 2015 | Theatro Municipal do Rio de Janeiro (abertura), Sala Cecília Meireles |
| XXII | 2017 | Sala Cecília Meireles |
| XXIII | 2019 | Sala Cecília Meireles |
| XXIV | 2021 | Sala Cecília Meireles (principal, com transmissões online devido à pandemia) |
| XXV | 2023 | Sala Cecília Meireles (Concertos Orquestrais), Teatro Dulcina (Música de Câmara) |
Referências
- ↑ «Funarte divulga programação da XXV Bienal de Música Brasileira Contemporânea». 7 de dezembro de 2023
- ↑ Marcos Lacerda. «Sobre a Bienal de Música Brasileira Contemporânea». Funarte. Consultado em 18 de Dezembro de 2015
- ↑ a b «Documentário da Funarte conta a história da Bienal de Música Brasileira Contemporânea – Notícias Antigas – FUNARTE». sistema.funarte.gov.br. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- ↑ «Bienais de Música Brasileira Contemporânea - um breve histórico». musicabrasilis.org.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b «Bienais de Música Brasileira Contemporânea - um breve histórico». musicabrasilis.org.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Tim Rescala | Obras». www.timrescala.com.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «MUSICON - Guia da Música Contemporânea Brasileira - - C O M P O S I T O R E S -». unicamp.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Bienais de Música Brasileira Contemporânea - um breve histórico». musicabrasilis.org.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Bienais de Música Brasileira Contemporânea - um breve histórico». musicabrasilis.org.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Folha de S.Paulo - Música: Funarte divulga selecionados para Bienal - 01/10/2007». www1.folha.uol.com.br. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «TV Brasil e Rádio MEC divulgam obras apresentadas na XVIII Bienal de Música Brasileira Contemporânea – Notícias Antigas – FUNARTE». sistema.funarte.gov.br. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2025
- ↑ «19ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea termina dia 19 – Notícias Antigas – FUNARTE». sistema.funarte.gov.br. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 24 de abril de 2024
- ↑ «Bienal de Música da Funarte apresenta mais de 70 obras inéditas – Notícias Antigas – FUNARTE». sistema.funarte.gov.br. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 12 de maio de 2025
- ↑ «Mário de Andrade e Koellreutter se encontram na XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea da Funarte – Notícias Antigas – FUNARTE». sistema.funarte.gov.br. Consultado em 9 de novembro de 2025. Cópia arquivada em 15 de julho de 2025
- ↑ «XXI Bienal de Música Brasileira Contemporânea». 25 de setembro de 2015
- ↑ imprensa (25 de outubro de 2017). «Compositores da UFBA participam da 22ª Bienal de Música Brasileira Contemporânea». Universidade Federal da Bahia. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Funarte e UFRJ homenageiam Tim Rescala na Bienal de Música». Funarte. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «Divulgado o resultado final da seleção de obras para a XXIII Bienal de Música Brasileira Contemporânea». 16 de outubro de 2019
- ↑ «Funarte realiza a XXIV Bienal de Música Brasileira Contemporânea». Funarte. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ «XXV Bienal de Música Brasileira Contemporânea – Arte de Toda Gente». artedetodagente.com.br. Consultado em 9 de novembro de 2025