Baurusuchus
| Baurusuchus | |
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| Reconstrução esquelética | |
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| Crânio de baurusuchus salgadoensis | |
| Classificação científica | |
| Reino: | Animalia |
| Filo: | Chordata |
| Classe: | Reptilia |
| Clado: | Archosauria |
| Clado: | Pseudosuchia |
| Clado: | Crocodylomorpha |
| Clado: | †Notosuchia |
| Família: | †Baurusuchidae |
| Subfamília: | †Baurusuchinae |
| Gênero: | †Baurusuchus Price, 1945 |
| Espécie-tipo | |
| †Baurusuchus pachecoi Price, 1945
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| Espécies | |
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Baurusuchus é um gênero extinto de mesoeucrocodiliano baurussuquídeo, que viveu no Brasil de 90 a 83,5 milhões de anos atrás, no período do Cretáceo Superior. Era um predador terrestre, estimado em atingir até 113,4 kg de peso.[1] Baurusuchus viveu durante os estágios Turoniano a Santoniano, na formação Adamantina, Brasil.[2] Seu nome deriva do Grupo Bauru brasileiro ("crocodilo de Bauru"). Era aparentado ao Cynodontosuchus rothi, nomeado anteriormente, que era menor e com dentição mais fraca.[3] As três espécies são Baurusuchus pachecoi, nomeada em homenagem a Eng Joviano Pacheco, seu descobridor,[4] Baurusuchus salgadoensis (nomeada em homenagem ao município de General Salgado em São Paulo, Brasil)[5] e Baurusuchus albertoi (nomeada em homenagem a Alberto Barbosa de Carvalho, paleontólogo brasileiro).[2] A última espécie é disputada (ver seção de filogenia). Seus parentes incluem Stratiotosuchus, de tamanho semelhante, da formação Adamantina, e Pabweshi, da formação Pab [en] do Paquistão.
Paleoecologia

Baurusuchus salgadoensis é visto como um predador terrestre, vivendo em um clima quente e árido. A posição das narinas externas não era adequada para um estilo de vida anfíbio como nos crocodilianos modernos, e o focinho e os dentes são comprimidos lateralmente, como nos terópodes. Ambos os fatos apoiam a hipótese terrestre. A hipótese do ambiente quente baseia-se no estilo de vida dos crocodilianos modernos e na estratigrafia de Baurusuchus. B. salgadoensis foi encontrado em arenitos finos maciços que são interpretados como uma área de planície de inundação em um clima quente e árido. Baurusuchus provavelmente era capaz de cavar buracos para encontrar água em estações secas ou, como os alligatores modernos fazem, para termorregulação. A ocorrência de esqueletos muito completos em níveis estratigráficos correlacionados apoia isso. Tal estratégia o teria tornado menos dependente da água do que a maioria dos crocodilos modernos, permitindo-lhe viver em um clima mais continental. Os pterigoides fortemente curvados sugerem músculos poderosos que podiam fechar sua mandíbula muito rapidamente, mas com relativa fraqueza. A morfologia do crânio e dos dentes indica que as estratégias de mordida do Baurusuchus eram semelhantes às do dragão-de-Komodo, incluindo emboscar a presa, mordê-la e puxar para trás os dentes serrilhados em forma de lâmina. Talvez sacudisse a presa violentamente com suas mandíbulas, como os crocodilos modernos, auxiliado por seus espinhos neurais cervicais alargados, que serviam como grandes inserções musculares[6]. Baurusuchus provavelmente desempenhou um papel importante em seu ecossistema, competindo com os abelissaurídeos por alimento.[5]
Classificação

Baurusuchus é o gênero-tipo da família Baurusuchidae, uma família composta por crocodilianos com crânios alongados e comprimidos lateralmente.[4] Outros membros dessa família do Cretáceo da América do Sul incluem Stratiotosuchus e Cynodontosuchus, mas os baurussuquídeos também são conhecidos do Cretáceo da Ásia (Paquistão) e do Terciário da Europa.[5]
Um estudo de 2011 erigiu uma nova subfamília chamada Baurusuchinae [en]. Sete características diagnósticas para o grupo foram descritas, que incluem o tamanho moderado e os frontais largos. O artigo referiu apenas Stratiotosuchus maxhechti e Baurusuchus à subfamília, tornando Stratiotosuchus o parente mais próximo de Baurusuchus até agora.[7] No entanto, um estudo do ano de 2014 referiu uma nova espécie chamada Aplestosuchus sordidus à subfamília, mas apoiou uma relação mais próxima de Baurususchus com Stratiotosuchus do que com ela. A espécie Baurusuchus albertoi é uma exceção. O artigo não apoia sua afiliação a Baurusuchus e a vê como um parente próximo de Aplestosuchus. Este é o cladograma que eles apresentaram:[8]
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Fontes
- In the Shadow of the Dinosaurs: Early Mesozoic Tetrapods por Nicholas C. Fraser e Hans-Dieter Sues
- The Osteology of the Reptiles por Alfred Sherwood Romer
Referências
- ↑ Dumont Jr, Marcos V.; Santucci, Rodrigo M.; de Andrade, Marco Brandalise; de Oliveira, Carlos Eduardo Maia (2022). «Paleoneurology of Baurusuchus (Crocodyliformes: Baurusuchidae), ontogenetic variation, brain size, and sensorial implications». The Anatomical Record (em inglês). 305 (10): 2670–2694. ISSN 1932-8486. PMID 33211405. doi:10.1002/ar.24567. hdl:10923/19660
- ↑ a b Paulo Miranda Nascimento; Hussam Zaher (2010). «A new species of Baurusuchus (Crocodyliformes, Mesoeucrocodylia) from the Upper Cretaceous of Brazil, with the first complete postcranial skeleton described from the family Baurusuchidae» (PDF). Papéis Avulsos de Zoologia. 50 (21): 323‑361. doi:10.1590/s0031-10492010002100001
- ↑ Bonaparte, Jose F. (1996). «Cretaceous tetrapods of Argentina». Muncher Geowissenschaften, Abhandlungen. 30: 73–130
- ↑ a b Price, L.I. (1945). «A new reptile from the Cretaceous of Brazil». Rio de Janeiro. Departamento Nacional da Produção Mineral, Notas Preliminares e Estudos. 25: 1–8
- ↑ a b c Carvalho; Campos, Antonio; de Celso, Arruda; Nobre, Pedro Henrique (2005). «Baurusuchus salgadoensis, a new Crocodylomorpha from the Bauru Basin (Cretaceous), Brazil» (PDF). Gondwana Research. 8 (1): 11–30. Bibcode:2005GondR...8...11C. ISSN 1342-937X. doi:10.1016/S1342-937X(05)70259-8
- ↑ Montefeltro, Felipe C.; Lautenschlager, Stephan; Godoy, Pedro L.; Ferreira, Gabriel S.; Butler, Richard J. (2020). «A unique predator in a unique ecosystem: modelling the apex predator within a Late Cretaceous crocodyliform-dominated fauna from Brazil». Journal of Anatomy (em inglês) (2): 323–333. ISSN 1469-7580. PMC 7369189
. PMID 32255518. doi:10.1111/joa.13192. Consultado em 27 de agosto de 2025
- ↑ Felipe C. Montefeltro; Hans C. E. Larsson; Max C. Lange (2011). «A new baurusuchid (Crocodyliformes, Mesoeucrocodylia) from the Late Cretaceous of Brazil and the phylogeny of Baurusuchidae». PLOS ONE. 6 (7): e21916. Bibcode:2011PLoSO...621916M. PMC 3135595
. PMID 21765925. doi:10.1371/journal.pone.0021916
- ↑ Godoy PL, Montefeltro FC, Norell MA, Langer MC (2014). «An additional baurusuchid from the Cretaceous of Brazil with evidence of interspecific predation among Crocodyliformes». PLOS ONE. 9 (5): e97138. Bibcode:2014PLoSO...997138G. PMC 4014547
. PMID 24809508. doi:10.1371/journal.pone.0097138

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