Augusto Leopoldo da Câmara
Augusto Leopoldo Raposo da Câmara (Ceará-Mirim, 22 de agosto de 1856 - Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 1941) foi um advogado, juiz, jornalista e político brasileiro.
Nos tempos do Império, foi membro do Partido Conservador, do grupo da Botica. Já na República, foi membro do Partido Republicano do Rio Grande do Norte e, mais tarde, do Partido Republicano Constitucional.
Família e formação
Augusto Leopoldo Raposo da Câmara nasceu na cidade de Ceará-Mirim, província do Rio Grande do Norte, em 22 de agosto de 1856, filho de Manuel Lepoldo Raposo da Câmara e Antônia Carrilho Raposo da Câmara. Em Recife, província de Pernambuco, formou-se em direito pela Faculdade Federal em 1880, sendo redator, na época, do jornal O Protesto. Por seu pai ser chefe, em Ceará-Mirim, do Partido Conservador, retornou à cidade natal e logo se filiou ao partido.[1]
Carreira no Império
Grupo da Botica
Em 1882, partiu para Natal, capital da província, para assumir mandato de deputado provincial, biênio de 1882-1883. Lá, juntou-se ao grupo da Botica, facção do Partido Conservador assim nomeada em referência ao lugar onde seus membros se reuniam. Desse grupo, também faziam parte os juizes Francisco Amintas da Costa Barros e Fernandes Barros, além do advogado Antônio de Amorim Garcia.[2][3][4] Em 1885, foi nomeado chefe de Polícia, cargo que exerceria até o ano seguinte, quando se tornaria juiz municipal e de órfãos e capelas em Natal, posição que ocuparia até 1889.[1]
Carreira na República
Membro da Intendência de Natal e Deputado Estadual Constituinte
Desferida a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, não deixou a vida pública, seguindo o exemplo de seus amigos do antigo grupo da Botica. Em 1890, tornou-se redator do jornal Rio Grande do Norte e, em 1891, foi eleito membro da Intendência de Natal. Convocada, pelo seu colega Amintas Barros, agora presidente estadual, a Assembleia Estadual Constituinte, elegeu-se, ainda em 1891, para compor a Casa.[2] Na época, fora eleito pelo Partido Republicano do Rio Grande do Norte, mas por uma facção conservadora, apoiadora do marechal Deodoro da Fonseca. Com a queda de Deodoro e a ascensão do marechal Floriano Peixoto, seu grupo foi expulso do partido por Pedro de Albuquerque Maranhão.[5] Em 1895, foi nomeado pelo presidente Prudente de Morais procurador da República no Rio Grande do Norte. No ano seguinte, deixou o jornal Rio Grande do Norte.[1]
Deputado Federal
Em 1897, quando Nascimento Castro e Jerônimo Câmara, ex-aliados de Pedro Velho, fundaram o Partido Republicano Constitucional em oposição ao pedrovelhismo, logo se tornou seu membro.[6][7] Em 1901, deixou o cargo na procuradoria e, em 1905, durante a reorganização do PRC, tornou-se presidente do partido. No ano seguinte, tornou-se diretor do Diário de Natal. Foi em 1912 que se elegeu deputado federal pelo estado para a 29ª Legislatura da Câmara, de 1912 a 1914, tornando-se o primeiro parlamentar do partido. Durante o governo do marechal Hermes da Fonseca, apoiou a Política das Salvações, dirigida pelo senador pelo Rio Grande do Sul Pinheiro Machado. Nessa ocasião, apoiou a pretensão do capitão José da Penha Alves de Sousa em lançar à presidência estadual, em 1913, Leônidas Hermes da Fonseca, filho do marechal.[1]
Secretário Geral e Vice-Presidente do Rio Grande do Norte
Nessa eleição, fora eleito o ex-pedrovelhista Joaquim Ferreira Chaves que tratou de romper as estruturas políticas erguidas por essa corrente política que dominava o estado desde os primórdios da República.[8] Em 1920, Augusto Leopoldo, já fora da Câmara Federal, foi nomeado, por Ferreira Chaves, secretário geral, sendo reconduzido pelo presidente seguinte Antônio José de Melo e Sousa, ocupando o cargo até o final da última administração, em 1924. Nesse mesmo ano, elegeu-se vice-presidente potiguar ao lado de José Augusto Bezerra de Medeiros, eleito presidente estadual.[9] Quando convocada nova constituinte, em 1926, coube a Augusto Leopoldo presidi-la, assim como presidia, na função de vice-presidente que era, a Assembleia em seus trabalhos ordinários.[1]
Deputado Estadual e Diretor da Fazenda
Em 1928, terminado seu mandato, elegeu-se deputado estadual para a 34ª Legislatura, de 1927 a 1929, assumindo, por eleição especial, mandato tampão. Reelegeu-se para a 30ª Legislatura, dissolvida no mesmo ano de 1930, em decorrência da Revolução. Mesmo após o ocorrido, não deixou a vida pública, sendo nomeado, pelo interventor Herculino Cascardo, diretor da Fazenda potiguar, cargo que ocupou até 1932, quando Herculino fora substituído por Bertino Dutra da Silva. Também foi consultor jurídico do Banco do Rio Grande do Norte, presidente da Ordem dos Advogados no estado e presidente da Caixa de Aposentadoria dos Marítimos.[1]
Faleceu na cidade do Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 1941, já fora de atividade política. Fora casado com Maria Pia Pereira, deixando cinco filhos, entre eles Mário Câmara, interventor federal potiguar. Sua esposa era filha do comerciante Joaquim Inácio Pereira, um dos maiores comerciários do estado.[1]
- ↑ a b c d e f g PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Augusto Leopoldo da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Augusto%20Leopoldo%20da.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ a b PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Apenas em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Fernandes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Fernandes.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. GARCIA, Antônio. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GARCIA,%20Ant%C3%B4nio.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GARCIA,%20Ant%C3%B4nio.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ PEIXOTO, Renato Amado. CHAVES, Ferreira. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CHAVES,%20Ferreira.pdf. Acesso em: 30 de janeiro de 2026.
- ↑ MALIN, Mauro. AUGUSTO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/AUGUSTO,%20Jos%C3%A9%20(RN).pdf, Acesso em: 30 de janeiro de 2026.