Antônio de Amorim Garcia

Constituição brasileira de 1891, página da assinatura de Antônio de Amorim Garcia (vigésima terceira assinatura). Acervo Arquivo Nacional

Antônio de Amorim Garcia (Fortaleza, 2 de setembro de 1850 — Fortaleza, 27 de maio de 1913) foi um político brasileiro. Exerceu o mandato de deputado federal constituinte pelo Rio Grande do Norte em 1891.[1]

Família e Formação

Antônio de Amorim Garcia nasceu na cidade de Fortaleza, capital da província do Ceará, em 2 de setembro de 1850, filho de José Gervásio de Amorim Garcia e Rita Antunes de Amorim Garcia. Apesar de ter nascido em Fortaleza, foi criado, devido à mudança da família, em Recife, capital da província de Pernambuco. Por lá, permaneceu até a morte do pai, em 1858, quando se mudou, junto à mãe, para Natal, capital da província do Rio Grande do Norte. Voltaria à Recife apenas para ingressar na Faculdade de Direito, onde se formou em 1873.[1]

Carreira no Império

Atividades na Capital

No mesmo ano que se formou, seguiu para o Rio de Janeiro, onde assumiria cargo de promotor em Araruama. Todavia, dirigiu-se para a cidade do Rio de Janeiro, capital do Império, servindo de advogado na banca de Luís Antônio da Silva Nunes, ex-presidente da Paraíba, e do ex-ministro do Interior Paulino de Sousa, filho do Visconde do Uruguai. Retornou à Natal por curto período, biênio de 1874-1875, para assumir cadeira na Assembleia Provincial, para a qual fora eleito. Terminada a legislatura, retornou ao Rio, onde foi nomeado segundo delegado de Polícia da Corte. Pediu exoneração, ainda em 1875, desse último cargo para assumir a banca de advocacia de Silva Nunes, em decorrência de sua nomeação para a presidência da Bahia.[1]

Grupo da Botica

Retornou à Natal no final de 1879, abrindo sua própria banca de advocacia. Membro do Partido Conservador, era da facção conhecida como grupo da Botica, alcunha que fazia referência ao lugar onde se reuniam os membros, entre eles os juizes Fernandes Barros e Francisco Amintas da Costa Barros, além do jornalista Augusto Leopoldo da Câmara.[2][3][4] Em 1885, foi nomeado diretor geral da Instrução Pública da província e, em 1886, delegado especial dos Exames Preparatórios. Em 1888, passou a ser redator da Gazeta de Natal, consagrando-se como grande líder conservador da política potiguar.[1]

Carreira na República

Deputado Constituinte

Desferida a proclamação da República, seguiu os passos de outros monarquistas potiguares e continuou na vida pública, sendo nomeado, em 1890, chefe de Polícia e, novamente, no mesmo ano, diretor geral de Instrução Pública, ambas as vezes pelo presidente estadual Jerônimo Câmara. No decorrer desse ano, saiu da Gazeta de Natal e fundou o jornal Rio Grande do Norte, do qual foi redator-chefe, criticando, múltiplas vezes, o pedrovelhismo, linha política republicana liderada por Pedro de Albuquerque Maranhão e seguida por Câmara. Em 15 de setembro, elegeu-se deputado federal pelo estado para a 21ª Legislatura, de caráter constituinte, de 1890 a 1891.[1]

Particiou ativamente da elaboração da Constituição de 1891. Na eleição de 1891, apoiou o marechal Deodoro da Fonseca, candidato vencedor, enquanto o deputado Pedro Velho e o senador José Bernardo, ambos potiguares, apoiaram o senador por São Paulo Prudente de Morais.[5][6] Em 3 de março, apoiou a deposição do pedrovelhista Nascimento Castro e a nomeação do velho amigo Amintas Barros pelo marechal.[7] Também apoiou a eleição, pela Assembleia Estadual Constituinte, do deputado federal pelo Rio Grande do Norte Miguel Joaquim de Almeida Castro para a presidência do estado.[1]

Deputado Federal

Promulgada a Constituição, prosseguiu para a 22ª Legislatura, de caráter ordinário, de 1891 a 1893. No exercício dessa, tornou-se secretário da Mesa Diretora. Em 1893, votou contra o Estado de Sítio proposto pelo marcehal Floriano Peixoto, em virtude da Segunda Revolta da Armada. Opositor do presidente da República Floriano e do presidente estadual Pedro Velho, não conseguiu se reeleger para a 23ª Legislatura da Casa, de 1894 a 1896.[1]

Ingressou no Partido Republicano Constitucional do Rio Grande do Norte, fundado e dirigido pelo ex-presidente estadual Nascimento Castro, agora opositor do pedrovelhismo, corrente seguida pelo presidente estadual Joaquim Ferreira Chaves, candidatando-se novamente à Câmara, dessa vez para a 25ª Legislatura, de 1900 a 1902. Sua campanha se dava num aparente momento de fragilidade do pedrovelhimo em Natal, visto que a corrente política havia apoiado, para a eleição de 1898, o senador pelo Pará Lauro Sodré, que, derrotado, não conseguira maioria dos votos na capital, apesar de ter conquistado maioria no estado. Mesmo assim, Antônio Garcia não conseguiu se eleger. Após a derrota, abandonou a política, tornando-se juiz federal substitudo no Ceará.[1]

Faleceu em Fortaleza, capital do estado em que trabalhava, no dia 27 de maio de 1913. Apesar do seu jornal Rio Grande do Norte ter saído de circulação em 1896, é lembrado pela ilustre atividade jornalística, que abrangeu o jornal carioca A Luz, o Correio de Natal e o fluminense Jornal do Comércio.[1]

Referências

  1. a b c d e f g h i «Antônio de Amorim Garcia - CPDOC» (PDF). CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 22 de outubro de 2017 
  2. PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Fernandes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Fernandes.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
  3. PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
  4. PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA. Augusto Leopoldo da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Augusto%20Leopoldo%20da.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
  5. PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
  6. PEIXOTO, Renato Amado. BERNARDO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BERNARDO,%20Jos%C3%A9.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.
  7. PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 28 de janeiro de 2026.