Nascimento Castro

Manuel do Nascimento Castro e Silva, mais conhecido simplesmente como Nascimento Castro (Granja, 25 de dezembro de 1851 - Natal, 20 de janeiro de 1901) foi um promotor, juiz, jornalista e político brasileiro.

Presidiu o Rio Grande do Norte nos primórdios da República, ajudando a consolidar o pedrovelhismo nesse estado e se tornando, anos depois, seu maior rival.

Família e Formação

Manuel do Nascimento Castro e Silva nasceu na cidade de Granja, província do Ceará, no dia 25 de dezembro de 1851, filho de Antônio Gomes Ferreira e de Luzia Gomes Ferreira. Na cidade de Recife, província de Pernambuco, formou-se em direito na Faculdade Federal em 1880.[1]

Carreira no Império

Depois de formado, foi nomeado promotor público em Mossoró, tornando-se, mais tarde, juiz municipal em Natal e juiz de direito em Santana do Matos, todos na província do Rio Grande do Norte. Em 1885, passou a ser redator do jornal A Liberdade, posição que deixou em 1889, no mesmo ano em que foi nomeado, pelo presidente potiguar Antônio Basílio Ribeiro Dantas, diretor de Instrução Publica da Província.[1]

Carreira na República

Diretor de Instrução Pública e Chefe de Polícia

Proclamada a República, em 15 de novembro de 1889, Pedro de Albuquerque Maranhão assumiu posição de destaque como líder republicano que era, passando a presidir o estado em 17 de novembro. No poder, Pedro Velho dialogou com os antigos membros da estrutura monarquista, o que possibilitou a recondução de Nascimento Castro para a diretoria de Instrução Pública.[2] Com a nomeção do paulista Adolfo Gordo pelo Governo Provisório, em 6 de dezembro, deixou o cargo. Só voltaria a ocupar alguma posição quando, após as presidências de Jerônimo Câmara e Xavier da Silveira Júnior, reassumiu Pedro Velho, em 19 de setembro de 1890, passando a ser chefe de polícia do estado, cargo que também ocupou durante o mandato de João Gomes Ribeiro, iniciado em 11 de outubro.[3]

Presidente do Rio Grande do Norte

Quando Gomes Ribeiro passou a ser algoz do pedrovelhismo, Pedro Velho, então deputado federal pelo estado, e o mineiro Cesário Alvim, então ministro do Interior, interferiram no estado, levando à deposição do mandatário, em 7 de dezembro, e à ascensão de Nascimento Castro ao cargo.[2][3][4] Na presidência, publicou, por decreto, um Projeto de Lei Orgânica, conhecido como Constituição de Castro, e manteve sua aliança com Pedro Velho. Essa aliança, todavia, lhe custou o cargo quando o deputado apoiou o senador paulista Prudente de Morais na eleição de 1891, que foi derrotado pelo marechal Deodoro da Fonseca, o qual, por sua vez, tratou de se vingar do chefe potiguar. Assim, em 3 de março, transferiu o cargo para o antigo líder conservador Francisco Amintas da Costa Barros, opositor ferrenho do autoritário pedrovelhismo.[5]

No poder, Amintas Barros se desfez da Constituição de Castro e convocou a Assembleia Estadual Constituinte. Nascimento Castro, agora redator do jornal de Pedro Velho A República, passou a criticar os atos da Assembleia, além do presidente estadual eleito Miguel Joaquim de Almeida Castro, ex-deputado federal potiguar que assumiu o governo em 9 de setembro, e seus antecessores interinos Fernandes Barros, que assumiu em 14 de junho, e Francisco Gurgel de Oliveira, que assumiu em 6 de agosto.[6][7][8]

Junta Governativa de 1891

Após a renúncia de Deodoro à presidência da República, em 23 de novembro, Nascimento Castro, Pedro Velho e o senador pelo Rio Grande do Norte José Bernardo articularam um golpe contra Miguel Castro, em que esses dois últimos conspiracionistas lideraram o Exército para derrubar, prender e exilar o mandatário, que caiu em 28 de novembro.[2][9] Após o ocorrido, Nascimento Castro passou a compor uma junta governativa provisória com o juiz Joaquim Ferreira Chaves e Francisco Lima e Silva, que presidiu a junta.[10] A junta dissolveu o Congresso Estadual Constituinte e convocou outro em seu lugar, o qual, por sua vez, foi instalado em 20 de fevereiro de 1892 e elegeu Jerônimo Câmara presidente. Câmara, assim, assumiu a presidência estadual em 22 de fevereiro, dissolveu o governo provisório e, quando Pedro Velho foi eleito, pela Assembleia, presidente do Rio Grande do Norte, passou-lhe o governo em 28 do mesmo mês.[11]

Oposição a Pedro Velho

Durante a presidência de Pedro Velho, terminada apenas em 1896, passou a compor oposição ao governante, escrevendo ativamente nos jornais Rio Grande do Norte e Diário de Natal. Em 1897, ajudou a fundar o Partido Republicano Constitucional do Rio Grande do Norte, assumindo sua direção. No mesmo ano, quando o Partido Republicano Federal, o maior partido da República, entrou em cisão, apoiou o presidente da República Prudente de Morais contra o deputado federal por São Paulo e general Francisco Glicério, líder da maioria na Câmara e presidente do partido, apoiado pelo pedrovelhismo. Na eleição de 1898, apoiou, junto a Prudente e ao Partido Republicano Paulista, o presidente de São Paulo Campos Sales, enquanto Pedro Velho, já senador pelo Rio Grande do Norte, e Glicério apoiaram o senador pelo Pará Lauro Sodré, também do PRF.[1]

Após a vitória de Campos Sales, que conquistou maioria dos votos entre a população de Natal, saiu às ruas numa grande manifestação contra o pedrovelhismo e contra o então presidente Ferreira Chaves, eleito em 1895. Na eleição estadual de 1899, Nascimento Castro foi signatário do Manifesto do PRF que justificava a abstenção do partido durante o processo eleitoral, citando o autoritarismo dos governantes e as fraudes políticas como motivações. Foi eleito, nesse ano, Alberto Maranhão, irmão de Pedro Velho.[12]

Faleceu na cidade de Natal, capital do estado em que morava, no dia 20 de janeiro de 1901.

Referências

  1. a b c PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  2. a b c PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  3. a b PEIXOTO, Renato Amado. RIBEIRO, João Gomes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/RIBEIRO,%20Jo%C3%A3o%20Gomes.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026
  4. LANA, Vanessa. ALVM, Cesário. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/ALVIM,%20Ces%C3%A1rio.pdf. Acesso em; 26 de janeiro de 2026.
  5. PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Amintas. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Amintas.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  6. PEIXOTO, Renato Amado. BARROS, Fernandes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BARROS,%20Fernandes.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  7. PEIXOTO, Renato Amado. GURGEL, Francisco. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/GURGEL,%20Francisco.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  8. PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Miguel. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Miguel.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  9. PEIXOTO, Renato Amado. BERNARDO, José. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/BERNARDO,%20Jos%C3%A9.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  10. PEIXOTO, Renato Amado. CHAVES, Ferreira. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CHAVES,%20Ferreira.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  11. PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.
  12. PEIXOTO, Renato Amado. MARANHÃO, Alberto. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/MARANH%C3%83O,%20Alberto.pdf. Acesso em: 26 de janeiro de 2026.