João Gomes Ribeiro

João Gomes Ribeiro Júnior (Laranjeiras, 29 de fevereiro de 1840 - Maceió, 27 de outubro de 1897) foi um promotor, juiz, procurador, jornalista e político brasileiro.

Presidiu o Rio Grande do Norte nos primórdios da República brasileira, protagonizando-se algoz de Pedro de Albuquerque Maranhão.[1]

Família e Formação

João Gomes Ribeiro Júnior nasceu no Engenho Jesus, Maria, José, na cidade de Laranjeiras, província de Sergipe, no dia 29 de fevereiro de 1840, filho de João Gomes Ribeiro, deputado provincial, e de Maria Miquelina Ribeiro. Na cidade de Recife, província de Pernambuco, formou-se em direito na Faculdade Federal em 1862.[2]

Carreira no Império

Em 1863, foi nomeado promotor público de Lagarto, retornando à província natal. No ano seguinte, tornou-se curador geral dos órfãos na mesma comarca, sendo removido, a pedido, para a de Itabaiana, em 1865, e para a cidade natal, em 1866. Em 1867, foi nomeado juiz municipal de Pão de Açucar e Mata Grande, na província de Alagoas, mas pediu exoneração no mesmo ano. Mudou-se para Maceió, capital da província, onde foi nomeado Tesoureiro da Alfândega e, em 1868, procurador fiscal da Fazenda Geral, em caráter interino. No mesmo ano, conquistou o cargo de juiz de direito, além de uma cadeira como lente substituto no Liceu Alagoano de aritmética e geometria.[2]

Em Alagoas, participou do Movimento Abolicionista, fazendo parte da Sociedade Libertadora Alagoana e tornando-se, em 1871, procurador fiscal da Tesouraria Provincial Abolicionista. No ano seguinte, passou a compor as fileiras do Republicanismo, ingressando no Clube Republicano Radical e no Centro Republicano Federal de Alagoas. No mesmo ano, passou a atuar como jornalista, fundando o primeiro jornal republicano da província, o A República, sendo seu maior redator. Ajudou a organizar, na mesma época, a Revista do Instituto Hisstórico e Geográfico de Alagoas, sendo membro do primeiro corpo editorial.[2]

Ainda foi redator dos jornais O Século, de 1877, Gazeta de Alagoas e O Guttenberg, órgão do Centro Republicano Federal de Alagoas. Em 1881, passou a ser lente catedrático de filosofia do Liceu Alagoano, função que ocupou até 1882. Continou militante ativo nos derradeiros tempos do Império, acompanhando a proclamação da República, em 15 de novembro de 1889.

Carreira na República

República em Alagoas

Desferido o golpe contra o Império, liderado pelo marechal Deodoro da Fonseca, João Gomes Ribeiro foi enviado pelo Centro Republicano para negociar o afastamento do último presidente imperial alagoano, Pedro Ribeiro Moreira, que havia sido empossado no mesmo dia do golpe.[3] O negociador conseguiu sua retirada em 17 de novembro, possibilitando ao Centro Republicano o estabelecimento de um Governo Provisório composto pelo major Aureliano Pedra, Manoel Barreto de Menezes e pelo líder republiano alagoano Ricardo Brennand Monteiro.[4] Por influência do último, o Governo Provisório da República nomeou, em 21 de novembro, Tibúrcio Valeriano de Araújo presidente estadual, desfazendo a junta governativa. Tibúrcio assumiu, porém, em caráter provisório, na espera de que o coronel Pedro Paulino da Fonseca, irmão do presidente da República, assumisse o cargo.[5] Pedro Paulino veio a assumir o cargo em 2 de dezembro. Vale ressaltar que o marcehal Deodoro e sua família eram naturais de Alagoas.[6][7]

Presidente do Rio Grande do Norte

Em 11 de outubro de 1890, Gomes Ribeiro foi nomeado presidente do Rio Grande do Norte, substituindo Pedro de Albuquerque Maranhão, que havia sido eleito deputado constituinte pelo estado.[1] Quando Gomes Ribeiro assumiu, viu que os presidentes anteriores Jerônimo Câmara, Xavier da Silveira Júnior e Pedro Velho tinham perseguido a oposição.[8][9] Na verdade, isso fazia parte da estrutura pedrovelhista, que não tolerava críticas nem do jornalismo.[1] Gomes Ribero, porém, marchou contra essa ideologia, aproximando-se dos opositores do pedrovelhismo, nomeando-os para cargos públicos.[2]

Essas ações geraram um mal-estar na política do estado, principalmente quando Gomes Ribeiro veio a público criticar o autoritarismo de Pedro Velho, acusando-o de desviar dinheiro público em prol de sua campanha para o Congresso Nacional Constituinte. Seu posicionamento fez com que os jornais O Povo e A República, esse último do prório Pedro, iniciasem uma campanha pedindo o retorno do acusado à presidência estadual. Vários aliados do ex-mandatário passaram a compor essam campanha contra Gomes Ribeiro.[2] Por fim, o presidente sofreu com a intervenção do ministro do Interior Cesário Alvim, influenciado pelo ex-governante opositor, fazendo com que fosse substituído, em 7 de dezembro, com menos de dois meses de mandato, pelo seu chefe de polícia pedrovelhista Nascimento Castro.[10][11]

Fora do governo, resolveu retornar ao jornalismo, tornando-se redator chefe de O Nacional, de 1892. Também foi sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico de Alagoas. Faleceu na cidade de Maceió, em 27 de outubro de 1897. Foi casado com Augusta Ramalho Gomes Ribeiro, com quem teve João Gomes Ribeiro Filho, grande militar e ministro de Getúlio Vargas.[2]

Referências

  1. a b c PEIXOTO, Renato Amado. VELHO, Pedro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/VELHO,%20Pedro.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  2. a b c d e f PEIXOTO, Renato Amado. RIBEIRO, João Gomes. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/RIBEIRO,%20Jo%C3%A3o%20Gomes.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  3. BARROS, André Luiz Cabral. OS AGITADOS PRIMEIROS ANOS DA REPÚBLICA DE ALAGOAS. Disponível em: https://andrecabralhistoria.blogspot.com/2014/07/os-agitados-primeiros-anos-da-republica.html. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  4. BARROS, Reynaldo de. MONTEIRO, Ricardo Brennand. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/MONTEIRO,%20Ricardo%20Brennand.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  5. TICIANELI, Edberto. Tibúrcio Valeriano de Araújo, o primeiro governador da Alagoas republicana. História de Alagoas. Disponível em:https://www.historiadealagoas.com.br/tiburcio-valeriano-de-araujo-o-primeiro-governador-da-alagoas-republicana. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  6. BARROS, Reynaldo de. FONSECA, Pedro Paulino da. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/FONSECA,%20Pedro%20Paulino%20da.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  7. LEMOS, Renato. FONSECA, Deodoro. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/FONSECA,%20Deodoro%20da.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  8. PEIXOTO, Renato Amado. CÂMARA, Jerônimo. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/C%C3%82MARA,%20Jer%C3%B4nimo.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  9. PEIXOTO, Renato Amado. SILVEIRA, Xavier. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/SILVEIRA,%20Xavier%20da.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  10. LANA, Vanessa. ALVIM, Cesário. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/ALVIM,%20Ces%C3%A1rio.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.
  11. PEIXOTO, Renato Amado. CASTRO, Nascimento. FGV. Disponível em:https://cpdoc.fgv.br/sites/default/files/verbetes/primeira-republica/CASTRO,%20Nascimento.pdf. Acesso em: 22 de janeiro de 2026.