António Alberto Torres Garcia

António Alberto Torres Garcia
Nascimento30 de setembro de 1889
Vila Nova do Ceira
Morte9 de setembro de 1937
Vila Nova do Ceira
CidadaniaPortugal, Reino de Portugal
Alma mater
Ocupaçãopolítico, jornalista
Torres Garcia durante o serviço como tenente miliciano no Corpo Expedicionário Português.

António Alberto Torres Garcia[1] (Vila Nova do Ceira, 30 de setembro de 1889Vila Nova do Ceira, 9 de setembro de 1937)[2][3] foi um político e militar português que ocupou vários cargos sendo, nomeadamente, responsável pelas pastas do Trabalho, da Agricultura e das Finanças na Primeira República Portuguesa.

Biografia

António Alberto Torres Garcia nasceu em Várzea Grande, freguesia de Vila Nova do Ceira, a 30 de setembro de 1889, filho de Joaquim da Costa Garcia e Maria Augusta Torres Garcia. Faleceu, aos 48 anos de idade, a 9 de setembro de 1937, na casa onde nasceu.[4] Foi filho do proprietário rural Joaquim da Costa Garcia e de sua esposa, Maria Augusta Nazaré Garcia. Feitos os estudos primários na sua vila natal, concluiu o ensino liceal na cidade de Coimbra. Ingressou seguidamente na Universidade de Coimbra, em cuja Faculdade de Filosofia obteve o grau de bacharel em Filosofia no ano de 1911. Posteriormente frequentou o Instituto Superior Técnico, em Lisboa, sem concluir o curso.[5]

Ainda aluno em Coimbra, filiou-se no Partido Republicano Português, integrando o Centro Republicano Académico. Também adere à Maçonaria, sendo iniciado na loja Redenção sob o nome de Morral.[6] Foi professor liceal em Coimbra, tendo em 1913 sido eleito vereador da Câmara Municipal de Coimbra.

Assentou praça em 1916 como voluntário no Exército Português e no posto de alferes miliciano foi integrado no Corpo Expedicionário Português enviado para França durante a Primeira Guerra Mundial. Durante a guerra foi promovido a tenente miliciano no Batalhão de Artilharia da Costa, passando a capitão quando regressou da campanha. No regresso a Portugal, o Governo Francês quis mostrar o seu reconhecimento condecorando-o com a Ordem Nacional da Legião de Honra, mas Torres Garcia recusou, como recusou todas as condecorações nacionais, por ser maçon.[7]

Após o regresso da guerra, foi chefe da secretaria da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra, nomeado a 15 de maio de 1919, e 2.º assistente de Física (1920-1922) daquela Faculdade. Por esta altura iniciou uma fase de grande atividade política. Foi presidente e vogal da Câmara Municipal de Coimbra, a partir de 1920. No ano seguinte foi eleito deputado pelo círculo eleitoral de Coimbra ao Congresso da República, onde permaneceria nos períodos de 1921 a 1922 e de 1922 a 1925. Como deputado integrou as comissões parlamentares de Orçamento, Finanças, Comércio e Indústria e Guerra.

Nesse período final da Primeira República Portuguesa assumiu grande relevância política integrando sucessivos governos. Começou por ser indigitado para o cargo de Ministro da Instrução Pública do 32.º governo republicano, em outubro de 1921, mas não chegou a ser empossado. O mesmo aconteceu quando foi nomeado Ministro do Trabalho do 33.º governo republicano, em novembro do mesmo ano, não tendo também sido empossado. A sua primeira experiência efetiva como ministro ocorreu quanfo foi nomeado para a pasta de Ministro da Agricultura do 40.º governo republicano, tendo exercido as funções entre 22 de julho e 22 de novembro de 1924, num governo presidido por Alfredo Rodrigues Gaspar. Voltou às funções de Ministro da Agricultura no 43.º governo republicano, em funções entre 1 de julho e 1 de agosto de 1925, presidido por António Maria da Silva. Foi Ministro das Finanças do 44.º governo republicano, em funções entre 1 de agosto e 17 de dezembro de 1925, presidido por Domingos Pereira. O seu último posto ministerial foi novamente o de Ministro da Agricultura no 45.º governo republicano, o último da Primeira República Portuguesa, em funções de 17 de dezembro de 1925 a 30 de maio de 1926. Integrava assim o governo derrubado pelo golpe militar de 28 de maio de 1926.

Após o golpe militar de 1926, e já no período da Ditadura Militar, foi nomeado em 1926 para o cargo de secretário provincial da administração de Angola. Nessas funções, foi governador-geral interino de 26 de março a 17 de agosto de 1928. Após o fim das suas funções na administração colonial, permaneceu no mesmo território, onde exerceu ainda o cargo de diretor da Companhia de Pesca do Sul e obteve a demarcação de diversas propriedades, tendo requerido, em 1929 a concessão, na circunscrição da Quibala, Distrito do Cuanza-Sul (conforme descrito no Boletim Oficial de Angola), de uma vasta área de terrenos destinados a instalar uma exploração agrícola.[5]

Por sua iniciativa foi fundado em 1932, em Porto Alexandre, o Sindicato de Pesca, depois Grémio dos Industriais de Pesca, sendo, de longe a maior obra socioeconómica do distrito. As suas estruturas iniciais desta instituição foram mantidas inalteradas, no fundamental, até 1975.[5]

Regressado a Portugal, fixou-se em Coimbra, de cuja Câmara Municipal voltou a ser vereador em 1930. Dedicou-se à docência como professor no Liceu de José Falcão e na Escola Industrial e Comercial de Avelar Brotero, em Coimbra. Presidiu à Sociedade de Defesa e Propaganda de Coimbra, foi secretário-geral do Congresso Beirão, realizado em 1936, e foi membro do conselho directivo da Casa das Beiras. Foi diretor do Diário de Coimbra até falecer em 1937. Notabilizou-se como conferencista sobre assuntos coloniais, tendo realizado conferências na Sociedade de Geografia de Lisboa, na Associação Comercial do Porto e na Câmara Municipal de Coimbra.[5]

Foi o grande impulsionador do Caminho de Ferro de Arganil, mas, apesar dos seus esforços, a linha de caminho de ferro parou a 5 km da sua terra natal Vila Nova do Ceira, ficando reduzida ao Ramal da Lousã, com término em Serpins.

Referências

  1. «Ministério das Finanças e da Administração Pública» (PDF) [ligação inativa]
  2. «GARCIA, António Alberto Torres». Universidade de Coimbra. Consultado em 7 de agosto de 2023 
  3. «Apontamentos para a História do Quitexe - Torres Garcia». Quitexe. 19 de junho de 2010. Consultado em 7 de agosto de 2023 
  4. Portantiqua.
  5. a b c d Apontamentos para a História do Quitexe- Torres Garcia.
  6. «Página do Grémio Lusitano». Gremiolusitano.eu. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  7. «Biografia em Portal do Movimento». Cultura.portaldomovimento.com [ligação inativa]