Anre I ibne Adi

 Nota: Para outros significados, veja Anre.
Anre I ibne Adi
Rei do Reino Lácmida
ReinadoCE 268–295
Antecessor(a)Nenhum
Sucessor(a)Inru Alcais I
Dados pessoais
Descendência
Inru Alcais I
Dinastialácmida
PaiAdi

Anre ibne Adi ibne Nácer ibne Rabia (em árabe: عمرو بن عدي بن نصر بن ربيعة; romaniz.: ʿAmr ibn ʿAdī ibn Naṣr ibn Rabīʿa), comumente conhecido como Anre I, foi o primeiro rei semilendário do Reino Lácmida.

Biografia

Efígie de Narses (r. 293–302) em seu dracma

A maioria dos detalhes de sua vida de Anre lendária e fruto de invenções posteriores;[1] segundo Charles Pellat, “como a realidade histórica dessa personagem e dos acontecimentos [...] tornou-se obscura, a lenda se utilizou de seu nome para fixar a época de eventos deslocados de sua sequência histórica, e de histórias inventadas para explicar provérbios que haviam se tornado ininteligíveis”.[2] De acordo com os historiadores árabes medievais, o pai de Anre, Adi, conseguiu a mão de Racaxe, a irmã favorita do rei tanuquita Jadima Alabraxe, por meio de um estratagema.[2][3] Diz-se que Anre foi raptado quando criança por um gênio, antes de ser devolvido ao seu tio.[2] Diz-se, então, que foi deixado como regente por Jadima, que marchou contra Azaba (Zenóbia), a rainha árabe de Palmira. Quando seu tio foi morto em batalha, Anre jurou vingar sua morte; mesmo depois de Zenóbia lhe negar essa chance ao cometer suicídio, ele golpeou o cadáver dela.[1][2][a]

Após a morte de seu tio, Anre rompeu com a suserania tanuquita e estabeleceu a dinastia lácmida independente.[5] Segundo o historiador do século X Atabari, Anre repovoou a cidade abandonada de Hira e reinou ali por 118 anos — embora em outro trecho Atabari dê toda a vida de Anre como 120 anos — antes de ser sucedido por seu filho Inru Alcais I como rei cliente em nome do Império Sassânida.[1][2] A maioria dos historiadores árabes medievais concorda com isso, e apenas Iacubi dá a duração de seu reinado como um plausível período de 55 anos.[1] Anre foi, sem dúvida, uma figura histórica, mas é difícil estabelecer fatos exatos sobre seu reinado, além de que ele viveu no final do século III (Armand-Pierre Caussin de Perceval sugeriu seu reinado como o período de 268–288).[2] As evidências arqueológicas apoiam sua existência, mas são contraditórias: uma inscrição encontrada em Namara menciona Anre e seu filho, mas como clientes do Império Romano, e não dos persas, enquanto a inscrição de Paiculi indica que Anre era vassalo do xainxá Narses (r. 293–302). A explicação geralmente aceita é que o filho de Anre, em algum momento, desertou para o lado dos romanos.[1][6]

Maniqueísmo

Os historiadores assumem que Anre seja o rei Amaro registrado em várias cartas maniqueístas escritas em copta que foram encontradas em Medinete Maadi, em Faium, no Egito. Esses documentos confirmam-no como um proeminente patrono do maniqueísmo durante o reinado de Narses, de modo que o convenceu a parar a perseguição aos maniqueístas. Sua capital Hira tornar-se-ia um refúgio momentâneo aos perseguidos.[7] No entanto, logo que Hormisda II (r. 303–309), a perseguição foi renovada.[8]

Notas

  1. As fontes árabes atribuem a queda de Zenóbia a Anre e ignoram completamente as guerras históricas entre Zenóbia e o imperador romano Aureliano.[2][4]

Referências

  1. a b c d e Turner 2010.
  2. a b c d e f g Pellat 1960, p. 450.
  3. Shahîd 1985, p. 36.
  4. Shahîd 1985, p. 36 (note 21).
  5. Shahîd 1985, p. 374.
  6. Shahîd 1985, pp. 374, 375.
  7. Lieu 2015, p. 37.
  8. Pettipiece 2009, p. 86.

Bibliografia

  • Lieu, S. N. C. (2015). Manichaeism in Mesopotamia and the Roman East. Leida: Brill 
  • Pellat, Ch. (1960). «ʿAmr b. ʿAdī». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. Leida: E. J. Brill. doi:10.1163/1573-3912_islam_SIM_0631 
  • Pettipiece, Timothy (2009). Pentadic Redaction in the Manichaean Kephalaia. Leida: Brill. ISBN 9789047427827 
  • Shahîd, Irfan (1985). Byzantium and the Arabs in the Fourth Century. Washington, D. C.: Biblioteca de Pesquisa e Coleção Dumbarton Oaks. ISBN 0-88402-116-5