Angolanidade
| Artigos relacionados com a |
| Cultura de Angola |
|---|
![]() |
| História |
| Línguas |
| Culinária |
Angolanidade é a identidade nacional de Angola.[1][2] Também pode ser descrita como um patriotismo cultural angolano.[3] Muito do que hoje é considerado angolanidade foi criado pelos intelectuais angolanos como um esforço consciente para realçar uma visão idealizada do que significa ser angolano.[4]
História e construção do conceito
A angolanidade começou a se desenvolver nas décadas de 1940 e 1950, quando os angolanos negros começaram a diferenciar-se dos colonos brancos ao abraçar e reivindicar os aspetos da cultura tradicional africana.[5] A angolanidade adotou alguns aspetos da negritude.[5] As ideias defendidas pelo movimento negritude foram adaptadas à cultura angolana pelos intelectuais angolanos, como os poetas Mário Pinto de Andrade e Viriato Clemente da Cruz. Da Cruz codificou o conceito em 1948 como um movimento literário com a frase de efeito "Vamos Descobrir Angola!", apoiado pela publicação da revista "A Mensagem".[6][7] No entanto, foi o sociólogo português Alfredo Margarido que primeiramente identificou, em 1962, a partir da análise das publicações das revistas "A Mensagem", "O Imbondeiro" e "Cultura", bem como dos trabalhos da Sociedade Cultural de Angola, da Casa dos Estudantes do Império e do Centro de Estudos Angolanos, que o conceito de angolanidade ultrapassava os aspectos literários e tornava-se a expressão completa de uma cultura angolana.[5] Outros nomes associados ao surgimento da angolanidade como expressão mais ampla estão o radialista e produtor fonográfico Sebastião Coelho Ferreira e o jornalista e ensaísta Leonel Cosme, que conceituaram a necessidade do despertar da autonomia angolana pela cultura, como uma forma de reterritorialização.[5] O professor, radialista e pensador marxista Adolfo Maria, por sua vez, revestiu a angolanidade de uma densa roupagem política, como instrumento de resistência ao colonialismo e à libertação plena do povo angolano, removendo o aspecto tribalista e dando a angolanidade a sua visão plurirracial que se tornou a base para a construção da nacionalidade angolana.[5]
Os escritores do movimento, incluindo António Jacinto, Alda Lara, José Luandino Vieira, Pepetela e Agostinho Neto, este que mais tarde seria presidente de Angola, identificaram e destacaram a vibrante cultura dos musseques angolanos, como um contraponto direto à perspetiva do governo colonial de que tais lugares eram miseráveis e cheios de crimes. A partir desta mesma perspectiva, os três nomes iniciais da construção da angolanidade musical foram Lourdes Van-Dúnem, Belita Palma e Liceu Vieira Dias, seguidos por Ruy Mingas, Bonga, Carlos Lamartine, Waldemar Bastos e David Zé.[5] A construção da angolanidade em outras expressões culturais se deu com José Mena Abrantes, Andiki, Ndunduma wé Lépi, Ruth Lara e Raúl Indipwo.[5] Embora o movimento tenha diminuído em grande parte na década de 1960, muito graças às prisões e perseguições promovidas pelo salazarismo aos nacionalistas em Angola, a sua influência cultural permaneceu. Na época da Guerra da Independência de Angola, de 1961 a 1974, abraçar a angolanidade e declarar autonomia cultural tornou-se uma forma de empurrar para trás a opressão do colonialismo.
Aspetos culturais
A literatura, a dança, a música, e a moda são os principais aspetos de como a angolanidade é criada, perpetuada e expressa. Especialmente na capital de Luanda, que foi historicamente associada a colonos, os angolanos negros foram encorajados a usar o vestuário tradicional como uma forma de distinção cultural e a construir um sentimento de nacionalismo entre as pessoas. Optar por usar roupas tradicionais também indicava uma recusa em se assimilar e, portanto, perder a cultura ao colonialismo.
Música e dança
A música e dança são o centro da angolanidade. A historiadora Marissa Moorman argumenta que "através da música popular urbana, e não das canções em si, mas da cena musical e das relações sociais desenvolvidas em torno da produção e do consumo de música, produzida inicialmente nos musseques ao redor de Luanda, angolanos e angolanas forjaram a nação e desenvolveram expetativas sobre o nacionalismo".[7] A música angolana começou a ser explicitamente política na década de 1950, apoiando os movimentos de libertação angolanos que estavam começando a criar raízes.[3] Alguns cantores angolanos eram membros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) e as suas experiências policiais influenciavam a sua música, o que por sua vez influenciava o seu público. Ao usar instrumentos locais e línguas nacionais como o quimbundo e umbundo na música, os músicos angolanos rejeitaram a assimilação e reforçaram o conceito de angolanidade.
Ver também
Referências
- ↑ «angolanidade». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Priberam Informática. Consultado em 8 de outubro de 2018
- ↑ Martin James, W. (2004). Historical Dictionary of Angola (em inglês). Lanham: The Scarecrow Press. p. 28. ISBN 978-0810871939
- ↑ a b Siegert, Nadine; Alisch, Stefanie (22 de junho de 2012). «Angolanidade revisited – Kuduro». Buala.org
- ↑ Batsîkama, Patrício (10 de setembro de 2013). «Angolanidade: construção das identidades angolanas». Por Dentro da África
- ↑ a b c d e f g Rogério Santos (dezembro de 2020). A rádio colonial em Angola - Festas e rifas para comprar o emissor. [S.l.]: ECC – Estudos de Comunicação e Cultura / Sersilito – Empresa Gráfica, Lda. ISBN 9789725407448
- ↑ Jadwiga E. Pieper Mooney, e Lanza Fabio, ed. (2013). De-centering Cold War History: Local and Global Change (em inglês). Oxford: Routledge. p. 189. ISBN 978-0-415-63639-1
- ↑ a b Moorman, Marissa (2008). Intonations: A Social History of Music and Nation in Luanda, Angola, from 1945 to Recent Times (em inglês). Athens: Ohio University Press. p. 2. ISBN 978-0-8214-1823-9
Bibliografia
- J. Moss e L. Valestuk, ed. (2000). African Literature and Its Times (em inglês). Detroit: Gale Research International. ISBN 9780787637279
