Allosauridae

Allosauridae
Intervalo temporal: Jurássico Superior
155–145 Ma
Allosaurus fragilis
Classificação científica e
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Reptilia
Clado: Dinosauria
Clado: Saurischia
Clado: Theropoda
Clado: Allosauria
Família: Allosauridae
Marsh, 1878
Espécie-tipo
Allosaurus fragilis
Marsh, 1877
Gêneros[1]
Sinónimos
  • Antrodemidae Marsh, 1878
  • Labrosauridae Marsh, 1882

Allosauridae é uma família dos Carnosauria e pertence à ordem Theropoda, um grupo de dinossauros bípedes carnívoros do Jurássico Superior e Cretáceo Inferior.

Uma das principais características do grupo eram os espaços vazios no crânio, que o deixavam mais "leve". Eram dotados de grandes garras nas mãos que chegavam a cerca de 25 centímetros. Dentre suas principais presas havia saurópodes e estegossaurídeos.

Os dinossauros da superfamília Allosauroidea são diversos, amplamente distribuídos geograficamente e temporalmente, adequados para estudos de aquisição de caracteres, distribuição, biogeografia e qualidade do registro fóssil, evidenciando sua importância na paleontologia.[2]

Descrição

Ilustração de um crânio alongado grande, com cavidades relativamente grandes. Vista lateral, ventral e posterior dele.
Amostra do crânio de Allosaurus jimmadseni, exibindo extensão dos dentes que tipifica características do crânio de outros gêneros alossaurídeos

Os alossaurídeos possuem uma anatomia geral típica de outros dinossauros neoterópodes, contribuindo para a dificuldade em definir a composição da família. Um espécime típico de 8m de Allosaurus fragilis tinha um crânio de cerca de 0,85m. A pré-maxila tem cinco dentes e a maxila geralmente em torno de 16. O dentário também normalmente tem 16 dentes. Todos os dentes são serrilhados e substituídos continuamente ao longo da vida do animal. Os crânios dos alossaurídeos são caracterizados por dois conjuntos de cristas formados pelos ossos nasais e lacrimais, respectivamente. Essas cristas teriam sido cobertas por bainhas de queratina.[3] O crânio também exibe características consistentes com cinese craniana significativa: uma articulação sinovial entre a caixa craniana e os frontais e uma articulação frouxa entre o dentário e o angular/surangular.[4]

Os alossaurídeos têm cerca de 28 vértebras pré-caudais (9 cervicais, 14 dorsais, 5 sacrais) e cerca de 45–50 vértebras caudais.[4] O púbis é altamente alongado e se estende pelo ventre para formar um pé púbico que, como em outros grandes dinossauros, acredita-se ter sido usado para suportar o peso do corpo em posição agachada em repouso.[3]

Como a maioria dos outros terópodes, os alossaurídeos têm membros anteriores muito curtos em relação aos membros posteriores, com três dedos na mão e quatro no pé. O primeiro dedo da mão forma um polegar semi-oponível e os dedos 4 e 5 estão ausentes. Os dígitos 2–4 do pé são robustos, mas o dígito 1 é reduzido e não toca o solo e o dígito 5 está ausente.[5] Todas as falanges distais eram cobertas com garras grandes, as da mão eram especialmente longas e curvadas para facilitar a vasculhar e agarrar as presas.[3] As fórmulas falangeanas da mão e do pé são 4-3-4 e 2-3-4-5, respectivamente.[5]

Classificação

Em 2019, Rauhut e Pol descreveram o Asfaltovenator vialidadi, um alossauróide basal que exibe um mosaico de características primitivas e derivadas vistas em Tetanurae. Sua análise filogenética descobriu que Megalosauroidea tradicional representa um grau basal de carnossauros, parafilético em relação a Allosauroidea. O cladograma abaixo define essa relação de Allosauridae dentro de Carnosauria.[6]

Carnosauria

Spinosauridae

Megalosauridae

Allosauroidea

Piatnitzkysauridae

Asfaltovenator vialidadi

Metriacanthosauridae

Allosauria

Allosauridae

Carcharodontosauria

Neovenatoridae

Carcharodontosauridae

O estatuto de Epanterias[7] é debatido e poderá ser incluído no gênero Allosaurus.[8] Dentro da família Allosauridae há dois gêneros válidos atualmente, Allosaurus e Saurophaganax, porém ainda existe discussão sobre as relações internas e a inclusão de outros gêneros nesse clado.[9][2] O gênero Allosaurus é o mais relevante da família, pois é o terópode tetanurano (Tetanurae) basal de grande porte mais conhecido e abundante do mundo.[10]

Ilustração comparando o tamanho de um humano com três espécies de dinossauro, indo do maior para o menor, Saurophaganax maximus, Epanterias amplexus e Allosaurus fragilis.
Comparação de tamanho dos gêneros de Allosauridae.

Distribuição

Seus fósseis são encontrados na América do Norte, Asia, África e Europa.[11][10]

Paleobiologia e estilo de vida

Com as descobertas de estilo de vida dos Allosaurus infere-se que a família seria de predadores de topo, predando em grupo (comportamento gregário) ou sendo solitários e agressivos um com os outros. Eram animais territoriais, no caso de serem sociais provavelmente tinham cuidado parental e disputas para delimitar dominância no bando.[12][13]

Realizavam caça ativa, necrofagia ou emboscadas (especialmente em presas grandes).[12][13]

Ver também

Referências

  1. Carrano, M. T.; Benson, R. B. J.; Sampson, S. D. (2012). «The phylogeny of Tetanurae (Dinosauria: Theropoda)». Journal of Systematic Palaeontology. 10 (2): 211–300. doi:10.1080/14772019.2011.630927 
  2. a b Brusatte, Stephen L.; Sereno, Paul C. (1 de janeiro de 2008). «Phylogeny of Allosauroidea (Dinosauria: Theropoda): Comparative analysis and resolution». Journal of Systematic Palaeontology (em inglês) (2): 155–182. ISSN 1477-2019. doi:10.1017/S1477201907002404. Consultado em 9 de julho de 2025 
  3. a b c Madsen, James H., Jr. (1993) [1976]. Allosaurus fragilis: A Revised Osteology. Utah Geological Survey Bulletin 109 (2nd ed.). Salt Lake City: Utah Geological Survey.
  4. a b Paul, Gregory S. (1988). «Genus Allosaurus». Predatory Dinosaurs of the World. Nova Iorque: Simon & Schuster. pp. 307–313. ISBN 978-0-671-61946-6 
  5. a b Gilmore, Charles W. (1920). Osteology of the Carnivorous Dinosauria in the United States National Museum: With Special Reference to the Genera Antrodemus (Allosaurus) and Ceratosaurus. United States National Museum Bulletin Volume 110.
  6. Rauhut, Oliver W. M.; Pol, Diego (11 de dezembro de 2019). «Probable basal allosauroid from the early Middle Jurassic Cañadón Asfalto Formation of Argentina highlights phylogenetic uncertainty in tetanuran theropod dinosaurs». Scientific Reports (em inglês). 9 (1). 18826 páginas. ISSN 2045-2322. PMC 6906444Acessível livremente. PMID 31827108. doi:10.1038/s41598-019-53672-7 
  7. Matthew T. Carrano, Roger B. J. Benson & Scott D. Sampson (2012) The phylogeny of Tetanurae (Dinosauria: Theropoda) Journal of Systematic Palaeontology 10: 211-300.
  8. A Truly Exceptional Allosaurus, Smithsonian Magazine, 14 de Julho de 2011
  9. «A new species of Allosaurus from the Morrison Formation of Dinosaur National Monument (UT-CO) and a revision of the theropod family Allosauridae | Request PDF». ResearchGate (em inglês). Consultado em 9 de julho de 2025. Cópia arquivada em 27 de julho de 2024 
  10. a b Dalman, S. (2014). «Osteology of a large allosauroid theropod from the Upper Jurassic (Tithonian) Morrison Formation of Colorado, USA». Volumina Jurassica (em inglês) (no. 2). ISSN 1731-3708. doi:10.5604/17313708. Consultado em 10 de julho de 2025 
  11. «Mindat.org». www.mindat.org. Consultado em 10 de julho de 2025 
  12. a b Foth, Christian; Evers, Serjoscha W.; Pabst, Ben; Mateus, Octávio; Flisch, Alexander; Patthey, Mike; Rauhut, Oliver W.M. (12 de maio de 2015). «New insights into the lifestyle of Allosaurus (Dinosauria: Theropoda) based on another specimen with multiple pathologies». PeerJ (em inglês): e940. ISSN 2167-8359. PMC 4435507Acessível livremente. doi:10.7717/peerj.940. Consultado em 10 de julho de 2025 
  13. a b «Allosaurus Marsh, 1877». www.gbif.org (em inglês). Consultado em 10 de julho de 2025