Alabás ibne Iáia Azanati

Alabás ibne Iáia Azanati (em árabe: العباس بن يحيى الزناتي; romaniz.: al-ʿAbbās ibn Yaḥyā al-Zanātī) foi um nobre magraua, ativo no século XI.

Vida

Alabás ibne Iáia nasceu em data incerta ao longo do século XI e pertencia ao clã ialaíta dos magrauas, uma das tribos que compunham a confederação dos zenetas. Quando foi mencionado nos anos 1070, era emir de um principado autônomo centrado em Tremecém, que rivalizava com o Reino Hamádida de Bugia no Magrebe Central. Na segunda metade de 1079 (Vincent Lagardère datou a expedição em 1075[1]), o general Masdali ibne Tilancane, a serviço do emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106), recebeu o comando de 20 mil soldados e foi enviado para subjugar Tremecém. As forças almorávidas avançaram pelo vale do rio Mulucha, onde enfrentaram o inimigo — uma força armada dos ialaítas, em algum ponto entre o Mulucha e o . Masdali esmagou os inimigos zenetas e executou Ialá, um provável filho de Alabás.[2]

O cronista Ibne Abi Zar se contradiz nesse ponto ao afirmar que Masdali conquistou e arrasou Tremecém em 1080, enquanto em 1081 Iúçufe marchou contra ela e a conquistou. É provável que Masdali tenha conseguido capturar os territórios ao sul da cidade, mas não teve condições logísticas para conquistar a capital, talvez pela incapacidade de suas forças ou as baixas excessivas que pode ter sofrido no transcurso da expedição. É possível que tenha avançado em demasia em território inimigo, sem antes subjugar outros grupos hostis como os isnassanitas, que eram aparentados aos magrauas, e controlavam a cidade de Ujda. Ao contrário de outros períodos, os isnassanitas podem ter se unido momentaneamente e formado um bloco defensivo que impediu a concretização dos planos de Masdali.[3] Como consequência, Masdali retornou a Marraquexe para anunciar seus feitos.[4]

Com o retorno de Masdali, Iúçufe em pessoa conduziu uma grande campanha em 1081. Partindo de Fez, penetrou o Rife. Passando pelo corredor de Taza, alcançou o Mulucha por Agarsife (Guercife), que foi ocupada pela primeira vez pelos almorávidas. Seguindo o curso baixo do Mulucha até o Zá, submeteu as populações dessa região e, tomando a direção noroeste, penetrou no Rife e percorreu com seu exército toda a região compreendida entre o Mulucha e o uádi Guis, povoada pelas tribos zuagas, matematas, cabedanas, marnisas e outras. Tomou a cidade de Melilha e arrasou Necor. Refazendo o caminho, voltou a Guercife e dali a Sa, povoado no entroncamento das rotas de Ujda a Segelmeça e a Fez. Submeteu e ocupou totalmente o território dos isnassanitas, a leste do Mulucha, e, desdobrando suas forças pela planície dos Angade, entrou em Ujda. Em seguida, dirigiu-se a Tremecém e, apoderando-se da cidade, ordenou a execução de Alabás, os membros de sua família e a guarnição magraua.[5]

Referências

  1. Lagardère 1978, p. 53.
  2. Vilá & López 1998, p. 122-123.
  3. Vilá & López 1998, p. 123.
  4. Messier 2010, p. 65–66.
  5. Vilá & López 1998, p. 124.

Bibliografia

  • Messier, Ronald A. (2010). The Almoravids and the Meanings of Jihad. Santa Bárbara: Praeger/ABC-CLIO. ISBN 978-0-313-38590-2 
  • Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516