Isnassanitas

Os isnassanitas (em árabe: بني يزناسن; romaniz.: Banū Yaznāsan; em berbere: ⴰⵢⵜ ⵉⵣⵏⴰⵙⵙⵏ; romaniz.: Ayt Iznassen; em francês: Beni Snassen) são uma confederação tribal berbere zeneta do leste de Marrocos.

Nome

O etnônimo Iznassen é formado pelo segmento verbal ou nominal + afixo pessoal (neste caso, -sn, 3.ª pessoa do masculino plural, "deles, a eles"). A inicial i- do primeiro segmento pode ser analisada tanto como o índice de 3.ª pessoa do masculino singular de um verbo quanto como marca inicial do plural nominal. Izna pode ser tanto um verbo (no tema do pretérito, daí izna-sn = "ele lhes …") quanto um nome masculino plural (daí izna-sn, "os seus …").[1]

Localização

Os isnassanitas são uma confederação de tribos berberófonas zenetas, situada a leste da chamada zona rifiana (entre a fronteira argelina e o restante do bloco rifiano), insere-se num triângulo delimitado a leste pelo rio Quis e a oeste pelo Mulucha. Segundo Paul Renisio (1932), os subgrupos constitutivos da confederação são os caliditas (At Khaled), mancuxitas (At Menquš), atiquitas (At Aḥtiq) e urimixitas (At Urimmeš).[2]

História

Os isnassanitas são aparentados a outros grupos berberes historicamente dominantes do Magrebe, como os magrauas. No século XI, essa tribo controlava a cidade de Ujda. Com a gradual expansão do Império Almorávida ao longo dos anos 1070 e 1080, os isnassanitas aliaram-se às tribos vizinhas contra os invasores, o que dificultou a conquista almorávida da cidade de Tremecém.[3] Em 1081, o emir almorávida Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106) os subjugou e conquistou Ujda.[4]

Língua

Do ponto de vista linguístico, pertencem ao conjunto rifiano, mas com um caráter sensivelmente menos marcado das evoluções fonéticas próprias do restante desse domínio dialetal, o que levou muitos autores (especialmente os mais antigos, como Paul Renisio) a distingui-los dele. Não se observam entre eles tendências típicas do rifiano "padrão", como a confusão /l/–/r/, a vocalização de /r/ ou a palatalização (/ll/ > /ǧ/). Sob esse aspecto, o falar dos isnassanitas aproxima-se mais de seus vizinhos do sul/sudeste, exteriores à zona rifiana: esnussitas (na Argélia), uranitas e segruchenitas. A queda da vogal inicial dos nomes masculinos também é mais rara. Em contrapartida, a espirantização é muito avançada e afeta as dentais (/t/, normalmente realizado como [ṯ], por vezes evolui até o sopro laríngeo [h] (nihnin < niṯnin, "eles"); /d/ é normalmente realizado como [ḏ] (zḏem, "apanhar lenha")) e as palato-vela­res (/k/ é regularmente tratado como [ḵ] (aḵsum < aksum); /g/ > y > i (provavelmente longo [iː]) (isegres < isiːres, "manjedoura"; asegnu > asiːnu "agulha grande")). Inversamente, /y/, sobretudo em posição implosiva, evolui frequentemente para /š/ (ayt > ašt). Além disso, apresenta um tema verbal específico de aoristo intensivo negativo.[5]

Referências

  1. Chaker 1991, p. 1470.
  2. Chaker 1991, p. 1469.
  3. Vilá & López 1998, p. 122-123.
  4. Vilá & López 1998, p. 124.
  5. Chaker 1991, p. 1469-1470.

Bibliografia

  • Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516