Academia da Língua Nheengatu
| Tipo | Associação literária |
|---|---|
| Fundação | 30 de junho de 2020 (5 anos) |
| Sede | São Gabriel da Cachoeira, Amazonas, Brasil |
| Membros | 21 |
| Línguas oficiais | Nheengatu |
| Presidente | Edson Kurikanwe Baré |
Academia da Língua Nheengatu (ALN) é uma instituição literária brasileira criada em reuniões ocorridas virtualmente em junho de 2020, durante a pandemia de Covid, por escritores e professores indígenas e não indígenas, tais como Dadá Baniwa, Egídia Reis, Elias Yaguakãg, Edson Baré, George Borari e Yagurê Yamâ, que veio a ser formalmente instalada no início de 2022. É a primeira academia de letras criada no Brasil para a preservação de uma língua indígena autóctone da Abya Yala (ou seja, as Américas), sendo composta por vinte e um membros efetivos e perpétuos.[1]
Ao pretender padronizar as três diferentes ortografias do idioma que surgiram nas regiões linguísticas do Baixo Rio Negro e Baixo Rio Amazonas, ambas no estado do Amazonas, e na Bacia do Tapajós ("Nheengatu Tapajowara"), esta no Pará, esta pioneira entidade acadêmica busca valorizar e fortalecer o Nheengatu, a língua geral da Amazônia, que enfrenta desafios de preservação, ao promover a produção de materiais didáticos, criar e manter um dicionário unificado, uma biblioteca digital, além de reivindicar mais espaço para o idioma na educação e na internet.[1][2]
Sobre a língua Nheengatu
O nome do idioma Nheengatu procede da composição entre as palavras tupis nhe'enga ("língua", "idioma", "linguagem") e katú ("bom", "boa"), significando portanto "língua boa", devido à sua importância como língua franca de largo uso na região Norte do Brasil durante o período colonial.[3][4][5] Na virada do século 17 para o 18, esse idioma foi a principal língua falada região da Amazônia durante o período colonial.[1] O Nheengatu passou a ser referido por esta denominação somente no século XIX, possivelmente a partir da obra de Couto de Magalhães em 1876; antes disso, o idioma era chamado de tupinambá, língua geral ou língua brasílica.[4][2]
Objetivos da Academia
Os principais objetivos da Academia da Língua Nheengatu são:
- Produzir e atualizar um dicionário, ao propor o Dicionário Unificado e Ortográfico da Língua Geral Amazônica no Brasil;[1]
- Difundir o conhecimento sobre a língua por meio de uma biblioteca digital com materiais históricos, científicos e didáticos sobre o idioma;[1]
- Educar e ensinar por meio da promoção e apoio à produção de materiais didáticos para o ensino de nheengatu nas comunidades indígenas;[1]
- Promover o uso do idioma: Lutar por mais espaço para a língua em comunidades, escolas, universidades e na internet.[1]
Impactos sociais
- Um dos principais legados da ALN foi a tradução da Constituição Federal do Brasil para o Nheengatu no ano de 2023, à pedido da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em razão do reconhecimento institucional da relevância sociocultural desta instituição para sociedade brasileira, o que constitui um um marco importante para a garantia dos direitos linguísticos dos povos indígenas no país.[2][6][7]
Ver também
Referências
- ↑ a b c d e f g JANSEN, Roberta (20 de janeiro de 2022). «Academia quer reviver o nheengatu, a língua perdida dos indígenas da Amazônia». Portal Terra. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ a b c VICK, Mariana (29 de abril de 2024). «O aplicativo que ensina nheengatu, língua geral da Amazônia». Nexo Jornal. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ NAVARRO, Eduardo de Almeida (2013). Dicionário de Tupi Antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo: Global. p. 337. 680 páginas. ISBN 9788526019331
- ↑ a b AVILA, Marcel Twardowsky (2021). Proposta de dicionário nheengatu–português. São Paulo: Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo. pp. 381, 382, 567, 568 e 569
- ↑ ROBL, Affonso (1976). «Os momentos do tupi». Universidade Federal do Paraná. Revista Letras (25): 4. Consultado em 28 de março de 2022
- ↑ «Presidente do STF e do CNJ lançará no Amazonas a primeira Constituição Federal em língua indígena». STF. 17 de julho de 2023. Consultado em 9 de novembro de 2025
- ↑ Redação CONJUR (19 de julho de 2023). «'MUNDU SA TURUSU' WAÁ: Rosa Weber lança tradução da Constituição para idioma indígena nheengatu». Conjur. Consultado em 9 de novembro de 2025
