Abu Catada Alançari

Abu Catada Alharite ibne Ribi ibne Baldama Alançari Alcazeraji (em árabe: أبو قتادة الحارث بن ربعي بن بلدمة الأنصاري الخزرجي; romaniz.: Abū Qatāda al-Ḥārith b. Ribʿī b. Baldama al-Anṣārī al-Khazrajī; m. 674), mais conhecido apenas como Abu Catada Alançari, foi um dos companheiros de Maomé.

Vida

Abu Catada Alançari nasceu em data incerta. As fontes variadamente lhe atribuem nomes como Numane, Anre, Aune e Baldama. Era natural de Medina e pertencia ao clã dos salimaítas, da tribos dos cazerajitas. Embora seja considerada fraca a tradição que o inclui na Batalha de Badre (624), sabe-se que participou de todas as campanhas posteriores. Em 6 A.H. (628), teve êxito na Campanha de Algaba. Mais adiante, no mês de Xabã de 8 A.H. (novembro–dezembro de 629), comandou a Expedição de Hadira (al-Ḥaḍīra) contra os gatafanitas e, no mesmo ano, durante o mês de Ramadã, liderou a Expedição de Batne Idame; nesta segunda expedição, também se transmite que o comandante teria sido Abedalá ibne Abi Hadrade. Em razão do heroísmo demonstrado nas batalhas, conquistou a admiração de Maomé: "O melhor dos nossos cavaleiros é Abu Catada" (Muslim, Jihād, 132). Durante uma campanha em que a marcha noturna se prolongou até o amanhecer, Maomé começou a cochilar sobre sua montaria; Abu Catada o endireitou duas vezes sem despertá-lo, e, na terceira, o profeta acordou e lhe disse: "Que Deus te proteja, assim como protegeste o teu profeta" (Muslim, Masājid, 311).[1]

Relata-se que Abu Catada, por ordem de Omar (r. 634–644), participou de uma expedição e matou pessoalmente o governante da região de Pérsis, recebendo como espólio a valiosa armadura que ele usava. Ali (r. 656–661) o nomeou governador de Meca, mas posteriormente o destituiu, colocando em seu lugar Cutame, filho de seu tio Alabás. Quando Moáuia ibne Abi Sufiane chegou a Medina e se queixou a Abu Catada de que os ançares não haviam saído para recebê-lo por causa do favorecimento dado a seus parentes, Abu Catada defendeu os ançares e recordou que Maomé lhes dissera: "Depois de mim, vereis práticas de favoritismo". Moáuia perguntou então qual fora a recomendação do Profeta a esse respeito, e, ao ouvir que ele aconselhara a paciência, também passou a fazer essa recomendação. No período em que Maruane era governador de Medina sob Moáuia, percorreu com Abu Catada os locais onde o profeta e seus companheiros haviam combatido, colhendo dele informações sobre os acontecimentos ali ocorridos. Além de transmitir relatos de Maomé, Abu Catada transmitiu de Muade ibne Jabal e de Omar.[2]

O número total de hádices que Abu Catada transmitiu é de 170, dos quais onze se encontram nos dois Ṣaḥīḥs de Albucari e Muslim, dois apenas no Ṣaḥīḥ de Albucari e oito apenas no Ṣaḥīḥ de Muslim. Transmitiram dele hádices, além de Anas ibne Maleque e Jabir ibne Abedalá, também Saíde ibne Almuçaibe, Ata ibne Iassar, seus filhos Abedalá e Tabite, seu liberto Nafi ibne Alabás, entre outros. Seus relatos encontram-se reunidos no Musnade de Amade ibne Hambal (IV, 383; V, 295–311), e ʿAbd Allāh Marḥūl Sawālima preparou uma dissertação de mestrado sobre o tema, intitulada Marwiyyāt Abī Qatāda al-Anṣārī fī Musnad Aḥmad b. Ḥanbal (Universidade Umm al-Qurā, Meca, 1400/1980). Sendo um dos notáveis companheiros, Abu Catada faleceu em 54/674, em Medina. A tradição segundo a qual teria morrido em 38/658, em Cufa, e cuja oração fúnebre teria sido conduzida por Ali com sete taquebires, é considerada fraca. Relata-se que, tendo cerca de setenta anos ao morrer, Abu Catada conservava extraordinário vigor físico em virtude da súplica de Maomé por sua saúde e bem-estar.[3]

Referências

  1. Kandemir 1994, p. 174.
  2. Kandemir 1994, p. 174-175.
  3. Kandemir 1994, p. 175.

Bibliografia

  • Kandemir, Mehmet Yaşar (1994). «Ebû Katâde». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 10. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 1 de janeiro de 2026