São Luiz do Paraitinga

Estância Turística de São Luiz do Paraitinga
Hino
Gentílicoluizense[1]
Localização de Estância Turística de São Luiz do Paraitinga em São Paulo
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Estância Turística de São Luiz do Paraitinga está localizado em: Brasil
Estância Turística de São Luiz do Paraitinga
Localização de Estância Turística de São Luiz do Paraitinga no Brasil
Mapa de Estância Turística de São Luiz do Paraitinga
Coordenadas: 🌍
PaísBrasil
Unidade federativaSão Paulo
Região metropolitanaVale do Paraíba e Litoral Norte
Municípios limítrofesLagoinha (N), Cunha (NE), Ubatuba (SE), Natividade da Serra (SO), Redenção da Serra (O) e Taubaté (NO)
Distância até a capital171 km[2]
Fundação8 de maio de 1769 (256 anos)
Governo
  Prefeito(a)Alex Euzébio Torres[3][4] (PL, 2025–2028)
Área
  Total [5]617,315 km²
Altitude741 m
População
  Total (Censo 2022 IBGE)10 337 hab.
Densidade16,7 hab./km²
ClimaTropical de altitude
Fuso horárioHora de Brasília (UTC−3)
CEP12140-000
IDH (PNUD/2010[6])0,697 médio
PIB (IBGE/2023[7])R$ 252 579,14 mil
  Per capita (IBGE/2023[7])R$ 24 434,47
Sítiohttp://www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br (Prefeitura)

São Luiz do Paraitinga[nota 1] é um município brasileiro do estado de São Paulo. Sua população, segundo o Censo demográfico do IBGE de 2022, era de 10 337 habitantes.[5] O município é formado pela sede e pelo distrito de Catuçaba.[8][9]

É um importante destino turístico da região do Vale do Paraíba, em particular, devido ao seu Centro Histórico, tombado como Patrimônio Cultural Nacional,[10] e suas tradições caipiras, incluindo a Festa da Cozinha Caipira, Folia do Divino e o Carnaval de Marchinhas.[11]

Dentre seus atrativos, destacam-se, na área urbana, seu conjunto arquitetônico, com mais de 450 imóveis, numa área superior a 6,5 milhões de metros quadrados, declarados como Patrimônio Cultural Brasileiro pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[10]

Estância turística

Grupo de Congada de Mogi das Cruzes na Festa do Divino de São Luiz do Paraitinga, São Paulo. (2023)

São Luiz do Paraitinga é um dos 29 municípios paulistas considerados estâncias turísticas pelo Estado de São Paulo, por cumprirem determinados pré-requisitos definidos por lei estadual. Tal status garante a esses municípios uma verba maior por parte do estado para a promoção do turismo regional. Também, o município adquire o direito de agregar junto a seu nome o título de "estância turística", termo pelo qual passa a ser designado tanto pelo expediente municipal oficial quanto pelas referências estaduais.[12]

Toponímia

O nome "Paraitinga" é uma referência ao Rio Paraitinga. "Paraitinga" é originário do tupi antigo paraitinga, que significa "rio ruim e claro" (pará, "rio grande" + aíb, "ruim" + ting, "branco" + a, sufixo).[13]

História

Em 5 de março de 1688, foram concedidas as primeiras sesmarias no vale do rio Paraitinga pelo capitão-mor de Taubaté, Felipe Carneiro de Alcaçouva e Souza, ao capitão Mateus Vieira da Cunha e João Sobrinho de Moraes.[14][15]

Durante o governo de Luís Antônio de Sousa Botelho Mourão, o Morgado de Mateus, à frente da Capitania de São Paulo, entre 1765 e 1775, este recebeu dos moradores do Vale do Paraíba petições para criar uma povoação entre as vilas de Taubaté e Ubatuba. No contexto do início da decadência da mineração de ouro em Minas Gerais e da necessidade de ocupar novas terras e de estimular a produção agrícola vale-paraibana, em 2 de maio de 1769 o governador autorizou a fundação da povoação, com o nome de São Luiz e Santo Antônio do Paraitinga e seis dias depois, em 8 de maio, o sargento-mor Manuel Antônio de Carvalho foi nomeado fundador da povoação, cuja padroeira escolhida foi Nossa Senhora dos Prazeres, santa de devoção do criador da povoação.[14][15][16]

Com incentivos do governador, novos moradores, vindos de Guaratinguetá, Taubaté e Mogi das Cruzes, se fixaram na nova povoação de São Luiz e Santo Antônio do Paraitinga, a qual foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Taubaté, por ordem régia de 9 de janeiro de 1773, sendo instalada em 31 de março do mesmo ano.[14][15][16][17]

Com a mudança do padroeiro da vila para São Luís de Tolosa, o nome da vila foi alterado para São Luiz do Paraitinga.[15]

Inicialmente, a economia da vila era baseada na agricultura de subsistência. Na década de 1830, o ciclo do café, em alta no Vale do Paraíba Paulista na época, chegou a São Luiz do Paraitinga, gerando ali uma elite cafeicultora, mas os agricultores locais continuaram produzindo gêneros como milho e feijão.[14]

No século XIX, São Luiz do Paraitinga, elevada à categoria de cidade pela Lei Provincial nº 44, de 30 de abril de 1857, ficou conhecida como “Celeiro do Vale”, por ter se dedicado à cultura de feijão, milho, mandioca e cana, enquanto o restante da região e da província se dedicava ao cultivo do café. Como reflexo da pujança do município, as ruas foram calçadas com pedras e construiu-se uma nova Casa da Câmara e Cadeia e Igreja Matriz.[14]

Em 1873, com a visita do Imperador Pedro II à cidade, esta recebeu o título de Imperial Cidade e o Coronel Manuel Jacinto Domingues de Castro recebeu o título de “Barão de Paraitinga”.[14]

No final do século XIX, o ciclo do café entrou em decadência no município e a agricultura municipal foi bastante prejudicada pelo desgaste dos solos e o desmatamento. No início do século XX, a principal fonte de renda municipal passou a ser a policultura de subsistência e a pecuária leiteira.[14]

Ao longo de sua história, o território luizense sofreu perdas territoriais para a criação do município de Lagoinha (1880 e 1953).[17]

A Lei Estadual nº 11197 de 5 de julho de 2002, concedeu ao município o título de Estância Turística, dada a importância do turismo para ele.[15]

Inundação de 2010

Igreja Matriz São Luís de Tolosa em reconstrução

Nos primeiros dias de 2010, a cidade sofreu com uma forte enchente do Rio Paraitinga que a fez perder oito de seus edifícios históricos,[18] incluindo a Igreja Matriz do município, construída no século XVII.[19][20] A Igreja Matriz do município era o principal símbolo da cidade e desabou sobre si mesma devido à chuva. As imagens foram registradas por um cinegrafista amador e exibidas em vários telejornais do país.

Após as enchentes, para a reconstrução da cidade, foram recebidos cerca de R$ 15 milhões do Ministério da Integração Nacional para a contenção de encostas e reconstrução de pontes e estradas, e cerca de R$ 100 milhões do governo do estado para a reconstrução de prédios públicos, recuperação de estradas, reforma de escolas e construção de uma nova biblioteca.[21] Em dezembro de 2010, o Centro Histórico de São Luiz do Paraitinga foi declarado como patrimônio cultural nacional pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).[10] O tombamento permitiu a reconstrução de diversas construções históricas, incluindo a Igreja Matriz São Luís de Tolosa, reaberta em maio de 2014.[22]

Geografia

Localiza-se a uma latitude 23º13'18" sul e a uma longitude 45º18'36" oeste, estando a uma altitude de 741 metros. É um dos 39 municípios que integram a Região Metropolitana do Vale do Paraíba e Litoral Norte. Pertence à Região Imediata de Taubaté-Pindamonhangaba que, por sua vez, é uma das cinco regiões que integram a Região Intermediária de São José dos Campos.

Hidrografia

  • Rio Paraitinga
  • Rio Paraibuna
  • Rio do Chapéu

Rodovias

Demografia

População

Crescimento populacional
AnoPopulação
187213 894
189015 97515,0%
190019 91724,7%
191014 418−27,6%
192017 87023,9%
192518 5133,6%
193415 129−18,3%
193716 1746,9%
194011 127−31,2%
194622 767104,6%
195014 547−36,1%
195811 637−20,0%
196010 497−9,8%
197011 65511,0%
19809 750−16,3%
19919 9221,8%
200010 4295,1%
201010 397−0,3%
202210 337−0,6%
Est. 202510 487[23]1,5%
Fontes: [24][25][26][27]
Censos IBGE e Estimativas Fundação SEADE

Composição étnica

Em 2022, segundo dados do Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a população do município era composta por 7.697 brancos (74,46%), 2.312 pardos (22,37%), 297 pretos (2,87%), 22 amarelos (0,21%) e 6 indígenas (0,06%).[28]

Política e administração

O prefeito do município é Alex Euzébio Torres, eleito nas eleições municipais de 2024 pelo Partido Liberal (PL).[3][4]

Infraestrutura

Praça Oswaldo Cruz

Comunicações

O sistema de telefones automáticos foi inaugurado na cidade em 1982 pela Telecomunicações de São Paulo (TELESP), que também implantou o sistema de discagem direta à distância (DDD) em 1982 com o código de área (0122).[29] Anteriormente a cidade era atendida pela Companhia de Telecomunicações do Estado de São Paulo (COTESP).[30]

Na década de 90 o código DDD da cidade foi alterado para (012), para padronização do sistema telefônico com a telefonia celular que estava sendo implantada em todo o estado.[31]

Pessoas ilustres

  • Aziz Nacib Ab'Saber
  • Osvaldo Cruz
  • Elpídio dos Santos
  • Manuel Jacinto Domingues de Castro
  • Moradei
  • Judas Tadeu de Campos

Religião

Igreja Matriz São Luís de Tolosa.

De acordo com o Censo 2022 (IBGE), 93,67% da população do município é cristã, sendo 77,94% católicos e 15,73% evangélicos. Outras religiões representam 2,84% da população total.[32]

O Cristianismo se faz presente na cidade da seguinte forma:[33]

Igreja Católica

  • A igreja faz parte da Diocese de Taubaté.[34]

Igrejas Evangélicas

Entre as igrejas protestantes históricas, pentecostais e neopentecostais, encontram-se na cidade:[35]


Conjunto histórico do Largo do Teatro

Ver também

  • História de São Paulo
  • Parahytinga
  • Instituto Literário Luizense
  • Lista de municípios de São Paulo por data de criação
  • Lista de municípios de São Paulo por população (2022)
  • Lista de municípios de São Paulo por domicílios
  • Lista de municípios de São Paulo por área (2023)
  • Lista de municípios de São Paulo por CEP
  • Lista de municípios de São Paulo por DDD

Notas

Referências

  1. «Gentílico luizense». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 22 de setembro de 2018
  2. «Distâncias entre a cidade de São Paulo e todas as cidades do interior paulista». Consultado em 31 de janeiro de 2011
  3. 1 2 «Eleições 2024: Alex Torres, do PL, é eleito prefeito de São Luís do Paraitinga no 1º turno». G1. 7 de outubro de 2024. Consultado em 5 de janeiro de 2025
  4. 1 2 «Candidato». O Tempo. Consultado em 9 de janeiro de 2025
  5. 1 2 «População de São Luiz do Paraitinga (SP) é de 10.337 pessoas, aponta o Censo do IBGE». G1. 28 de junho de 2023. Consultado em 9 de janeiro de 2025
  6. «Perfil - São Luiz do Paraitinga (SP)». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Consultado em 3 de abril de 2023
  7. 1 2 «Produto Interno Bruto dos Municípios - São Luiz do Paraitinga (SP)». IBGE Cidades. Consultado em 3 de abril de 2026
  8. «Municípios e Distritos do Estado de São Paulo» (PDF). IGC - Instituto Geográfico e Cartográfico
  9. «Divisão Territorial do Brasil». IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
  10. 1 2 3 «São Luiz do Paraitinga (SP) é patrimônio cultural brasileiro». Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional. 10 de dezembro de 2010. Consultado em 5 de agosto de 2013. Arquivado do original em 22 de abril de 2014
  11. «Cultura caipira, folclore e marchinhas de Carnaval: São Luiz do Paraitinga vira animação sobre festas populares». G1. 27 de outubro de 2023. Consultado em 7 de março de 2026
  12. «Estâncias e MITs». Governo de São Paulo. Consultado em 7 de março de 2025
  13. NAVARRO, E. A. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 590.
  14. 1 2 3 4 5 6 7 «Aspectos Históricos e Econômicos». Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. Consultado em 3 de abril de 2026
  15. 1 2 3 4 5 «Como tudo começou». Prefeitura Municipal de São Luiz do Paraitinga. Consultado em 3 de abril de 2026
  16. 1 2 'Paraitinga Turismo - aventura & cultural. Disponível em http://www.paraitinga.com.br/slparaitinga/A_Cidade/Historico/88/Hist%C3%B3rico%20da%20Cidade Arquivado em 29 de abril de 2014, no Wayback Machine.. Acesso em 9 de março de 2013.
  17. 1 2 «São Luiz do Paraitinga (SP) - histórico». IBGE Cidades. Consultado em 3 de abril de 2026
  18. «Dois anos após enchente, Paraitinga investe em prevenção». Veja São Paulo. 9 de janeiro de 2012. Consultado em 5 de agosto de 2013
  19. «Obra de igreja atrasa em São Luiz do Paraitinga e inauguração será em 2014». Portal G1. 30 de julho de 2013. Consultado em 5 de agosto de 2013
  20. «Estimativas da população residente para os municípios e para as unidades da federação (2025) | IBGE». www.ibge.gov.br
  21. «Censos Demográficos (1991-2022) | IBGE». ibge.gov.br
  22. «Censos Demográficos (1872-1980) | IBGE». biblioteca.ibge.gov.br
  23. «Evolução da população segundo os municípios (1872-2010) | IBGE» (PDF). geoftp.ibge.gov.br
  24. «Biblioteca Digital Seade | Fundação Seade». bibliotecadigital.seade.gov.br
  25. «Tabela 9605: População residente, por cor ou raça, nos Censos Demográficos». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 27 de março de 2026
  26. «Área de operação da Telesp em São Paulo». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
  27. «Telesp vai servir mais 86 cidades do estado». Folha de S.Paulo. 12 de março de 1975. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
  28. «Telesp - Código DDD e Prefixos». www.telesp.com.br. Página oficial da Telecomunicações de São Paulo (arquivada). 14 de janeiro de 1998. Consultado em 18 de fevereiro de 2025
  29. «Tabela 6417: Pessoas de 10 anos ou mais de idade, por cor ou raça, segundo o sexo e a religião». sidra.ibge.gov.br. Consultado em 20 de março de 2026
  30. O termo "cristão" (em grego Χριστιανός, transl Christianós) foi usado pela primeira vez para se referir aos discípulos de Jesus Cristo na cidade de Antioquia (Atos cap. 11, vers. 26), por volta de 44 d.C., significando "seguidores de Cristo". O primeiro registro do uso do termo "cristianismo" (em grego Χριστιανισμός, Christianismós) foi feito por Inácio de Antioquia, por volta do ano 100. Tyndale Bible Dictionary, pp. 266, 828
  31. «Sul 1 Region of Brazil [Catholic-Hierarchy]». www.catholic-hierarchy.org. Consultado em 4 de março de 2026
  32. Cross, F. L.; Livingstone, E. A., eds. (1 de janeiro de 2009). «The Oxford Dictionary of the Christian Church». Oxford University Press (em inglês). ISBN 978-0-19-280290-3. Consultado em 4 de março de 2026
  33. «Campos Eclesiásticos». CONFRADESP. 10 de dezembro de 2018. Consultado em 24 de junho de 2025
  34. «Arquivos: Locais». Assembleia de Deus Belém – Sede. Consultado em 4 de março de 2026
  35. «Localidade - Congregação Cristã no Brasil». congregacaocristanobrasil.org.br. Consultado em 4 de março de 2026

Ligações externas