Pirâmides egípcias

Pirâmides do Egito são antigas estruturas feitas em alvenaria construídas pela civilização do Antigo Egito. Até novembro de 2008, existiam fontes citando entre 118 e 138 pirâmides egípcias identificadas.[1][2] A maioria delas foi construída como túmulos para os faraós e seus consortes durante os períodos do Reino Antigo e Médio.[3][4]
As mais antigas pirâmides egípcias conhecidas foram encontradas em Sacará, ao noroeste de Mênfis. A primeira delas foi a pirâmide de Djoser (feita entre 2630 a.C.-2611 a.C.), que foi construída durante a III dinastia egípcia. Esta pirâmide e o seu complexo circundante foram projetados pelo polímata, e o então arquiteto, Imhotep. Elas são geralmente consideradas as mais antigas estruturas monumentais do mundo construídas de alvenaria vestida.[5]
As mais famosas pirâmides egípcias são aquelas encontradas na Necrópole de Gizé, nos arredores da cidade de Cairo. Várias das pirâmides de Gizé estão entre as maiores estruturas já construídas desde a Antiguidade.[6] A pirâmide de Quéops, em Gizé, é a maior pirâmide egípcia, cuja altura original chegava a mais de 140 metros. É a única das Sete maravilhas do mundo que permanece de pé.
Desenvolvimento histórico

Até o momento do Período Arcaico, no início da história egípcia, aqueles com meios suficientes eram enterrados em estruturas conhecidas como mastabas.[7][8]
A segunda pirâmide egípcia historicamente documentada é atribuída ao polímata Imhotep, que arquitetou o que os egiptólogos acreditam ser um túmulo para o faraó Djoser. Imhotep é creditado como sendo o primeiro a conceber a noção de empilhamento de mastabas, que culminou na criação de um edifício composto por uma série de "degraus" que diminuíam de tamanho em direção ao seu ápice. O resultado foi a pirâmide de degraus de Djoser, que foi concebida para servir como uma escadaria gigantesca pela qual a alma do faraó falecido poderia ascender aos céus. Devido a grande importância da realização de Imhotep, ele foi deificado por egípcios posteriores.[9]
A fase mais producente e aplicada de construção de pirâmides coincidiu com o auge do governo faraônico absolutista. Foi durante essa época que as pirâmides mais famosas, aquelas próximas de Gizé, foram construídas. Com o tempo, a capacidade e a vontade de aproveitar os recursos necessários para a construção em grande escala diminuiu e as pirâmides posteriores passaram a ser menores, com menos cuidados na construção e, muitas vezes, feitas às pressas.[carece de fontes]
Muito tempo depois do fim do período de construção dessas pirâmides, uma construção sistemática iniciou-se no território do atual Sudão, depois de muito do Antigo Egito cair sob o domínio dos reis de Napata. Apesar de o regime napatano ter sido breve, terminando em 661 a.C., a influência egípcia deixou traços marcantes na sua cultura e, durante o reino sudanês de Meroé, na região da Núbia, houve um reflorescimento da construção de estruturas piramidais, período em que mais de 200 pirâmides que serviam como túmulos reais e inspiradas nas pirâmides egípcias, foram construídas nas proximidades da capital do reino.[carece de fontes]
Alaziz Otomão (1171–1198) tentou destruir as pirâmides de Gizé. Ele desistiu depois de danificar a Pirâmide de Miquerinos, visto que a tarefa revelou-se complexa demais.[9]
Simbolismo
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Acredita-se que a forma de pirâmides egípcias represente o monte primordial a partir do qual os egípcios acreditavam que a Terra foi criada. A forma piramidal representava os raios descendentes do Sol e a maioria das pirâmides eram revestidas por pedra calcária branca, polida e altamente reflexiva, o que dava a essas estruturas uma aparência brilhante quando vistas à distância.[carece de fontes]
Apesar de geralmente ser aceito que as pirâmides eram monumentos funerários, não há consenso sobre os princípios teológicos particulares que possam ter dado origem a elas. Uma sugestão é que estas estruturas foram concebidas como um tipo de "máquina de ressurreição".[10]
Os egípcios acreditavam que a área escura do céu noturno em torno do qual as estrelas pareciam girar era a porta de entrada física para os céus. Um dos eixos estreitos que se estende a partir da câmara funerária principal por toda a estrutura da Grande Pirâmide aponta diretamente para o centro desta parte do céu. Isto sugere a pirâmide pode ter sido criada para servir como um meio para lançar magicamente a alma do faraó falecido diretamente para a morada dos deuses.[10]
Todas as pirâmides egípcias foram construídas na margem ocidental do rio Nilo, local onde ocorre o pôr-do-sol, o que era associado ao reino dos mortos na mitologia egípcia.[11]
Construção das pirâmides egípcias

A construção das pirâmides egípcias pode ser explicada com factos científicos bem estabelecidos; no entanto, existem alguns aspetos que ainda hoje são considerados hipóteses controversas. As técnicas de construção utilizadas parecem ter evoluído ao longo do tempo; as pirâmides mais tardias não foram construídas da mesma forma que as anteriores. Acredita-se que pedras enormes eram esculpidas em pedreiras com ferramentas de cobre, sendo estes blocos depois arrastados e elevados para a sua posição. As divergências dizem respeito principalmente aos métodos utilizados para mover e colocar as pedras.
Para além dos muitos argumentos não resolvidos sobre as técnicas de construção, tem havido desacordos quanto ao tipo de força de trabalho utilizada. Os gregos, muitos anos após o evento, acreditavam que as pirâmides foram construídas por mão de obra escrava. Os arqueólogos acreditam agora que a Grande Pirâmide de Gizé (pelo menos) foi construída por dezenas de milhares de trabalhadores qualificados que acampavam perto das pirâmides e trabalhavam por um salário ou como uma forma de pagamento de impostos (recrutamento) até que a construção estivesse concluída, apontando para cemitérios de trabalhadores descobertos em 1990.[12] Para a pirâmide de Amenemhat II do Império Médio, existem evidências na pedra anais do rei de que foram empregados estrangeiros de Canaã.[13]
O campo pseudocientífico da piramidologia inclui muitas teorias arqueológicas marginais que tentam explicar como as pirâmides foram construídas.
Hipóteses históricas
Os escritos de Heródoto e Diodoro Sículo
Os primeiros relatos históricos da construção destes monumentos surgiram séculos após a era da construção das pirâmides, por Heródoto no século V a.C. e Diodoro Sículo no século I a.C. O relato de Heródoto afirma que os egípcios usaram uma máquina (agora referida como a "Máquina de Heródoto"), afirmando:[14]
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| “ | Esta pirâmide foi feita como escadas, que alguns chamam degraus e outros, patamares. Quando esta, a sua primeira forma, foi concluída, os operários usaram curtos troncos de madeira como alavancas para elevar o resto das pedras; eles içavam os blocos do chão para o primeiro patamar de degraus; quando a pedra tinha sido elevada, era colocada noutra alavanca que estava no primeiro patamar, e a alavanca era usada novamente para a levantar deste patamar para o seguinte. Pode ser que houvesse uma nova alavanca em cada patamar de degraus, ou talvez houvesse apenas uma alavanca, bastante portátil, que carregavam para cada patamar sucessivamente; deixo isto incerto, pois ambas as possibilidades foram mencionadas. Mas isto é certo, que a parte superior da pirâmide foi terminada primeiro, depois a seguinte abaixo dela, e por último de tudo a base e a parte mais baixa. | ” |
O relato de Diodoro Sículo afirma:[16]
| “ | E diz-se que a pedra foi transportada de uma grande distância da Arábia, e que os edifícios foram erguidos utilizando rampas de terra, uma vez que máquinas para elevação ainda não tinham sido inventadas naqueles dias; e o mais surpreendente é que, embora tais estruturas grandes tenham sido erguidas numa área cercada por areia, nenhum vestígio resta nem de rampas nem do acabamento das pedras, de modo que parece não ser o resultado do trabalho paciente dos homens, mas sim como se todo o complexo tivesse sido colocado inteiro sobre a areia circundante por algum deus. Ora os egípcios tentam fazer um prodígio destas coisas, alegando que as rampas eram feitas de sal e natrão e que, quando o rio se voltou contra elas, as derreteu completamente e apagou todos os seus vestígios sem o uso de trabalho humano. Mas, na verdade, certamente não foi feito desta forma! Em vez disso, a mesma multidão de operários que ergueu os montes devolveu toda a massa ao seu lugar original; pois dizem que trezentos e sessenta mil homens foram constantemente empregados na prossecução do seu trabalho, contudo o edifício inteiro mal estava terminado ao fim de vinte anos. | ” |
A descrição de Diodoro Sículo sobre o transporte da pedra da Arábia está correta, uma vez que o termo "Arábia" naqueles dias implicava a terra entre o Nilo e o Mar Vermelho,[17] de onde os blocos de calcário foram transportados de pedreiras do outro lado do rio Nilo.
Materiais
Da terceira dinastia à quinta
Durante o período mais antigo, as pirâmides eram construídas inteiramente de pedra. O calcário explorado localmente era o material de escolha para o corpo principal destas pirâmides, enquanto um calcário de maior qualidade, explorado em Tura (perto do atual Cairo), era usado para o revestimento exterior. O calcário originava-se de diferentes afloramentos da Formação de Mokattam, datada do Eoceno.[18]
O granito, extraído perto de Assuão, foi usado para construir alguns elementos arquitetónicos, incluindo a saracinesca (um tipo de porta) e os tetos e paredes da câmara funerária. Ocasionalmente, o granito também foi usado no revestimento exterior, como na Pirâmide de Miquerinos.
Nas pirâmides iniciais, as camadas de pedra (chamadas fiadas) que formavam o corpo da pirâmide eram assentadas inclinadas para dentro; no entanto, esta configuração foi abandonada em pirâmides posteriores. A Pirâmide Curvada em Dahshur parece indicar a aceitação de uma nova técnica numa transição entre estas duas técnicas de construção. A sua secção inferior é construída com fiadas inclinadas, enquanto na sua secção superior as pedras são assentadas horizontalmente.[carece de fontes]
Império Médio em diante
Durante o Império Médio, as técnicas de construção de pirâmides mudaram novamente. A maioria das pirâmides construídas nessa altura era pouco mais do que montanhas de tijolos de lama revestidas por uma camada de calcário polido. Em vários casos, as pirâmides tardias foram construídas sobre colinas naturais para reduzir ainda mais o volume de material necessário na sua construção. Os materiais e métodos de construção utilizados nas pirâmides mais antigas garantiram a sua sobrevivência num estado de conservação geralmente muito melhor do que o dos monumentos piridomais dos faraós posteriores.[carece de fontes]
Argamassa
As pedras que formavam o núcleo das pirâmides eram cortadas de forma grosseira, especialmente na Grande Pirâmide de Gizé. Para preencher as lacunas, eram necessárias enormes quantidades de gesso e cascalho.[19][20] :72,80
O preenchimento quase não tem propriedades aglutinantes, mas era necessário para estabilizar a construção. Para fazer a argamassa de gesso, este tinha de ser desidratado por aquecimento, o que requer grandes quantidades de madeira. Segundo os egiptólogos, os resultados dos Projetos de Radiocarbono das Pirâmides de David H. Koch de 1984 e 1995[21][22] podem sugerir que o Egito teve de desflorestar o seu território e aproveitar cada pedaço de madeira que tinha para construir as pirâmides de Gizé e outras pirâmides ainda mais antigas da IV Dinastia.
As amostras de datação por carbono de blocos do núcleo e outros materiais revelaram que as datas do estudo de 1984 eram, em média, 374 anos anteriores à cronologia aceite e a datação de 1995 era, em média, 100–200 anos anterior. Como sugerido pelos membros da equipa, "Pensámos que era improvável que os construtores de pirâmides usassem consistentemente madeira com séculos de idade como combustível na preparação da argamassa. Os resultados de 1984 deixaram-nos com poucos dados para concluir que a cronologia histórica do Império Antigo estava errada em quase 400 anos, mas considerámos isto pelo menos uma possibilidade". Os egiptólogos propõem que o problema da madeira antiga é responsável pela discrepância, alegando que as datas anteriores derivavam possivelmente da reciclagem de grandes quantidades de madeira com séculos de idade e outros materiais anteriores.[23]
Cobre arsenical
O principal material utilizado nos Impérios Antigo e Médio foi o chamado cobre arsenical ou bronze. É mais eficaz do que o cobre com impurezas menores, e pode ser tornado ainda mais duro por martelagem repetida.[24] Centenas de artefactos destes períodos foram feitos deste material.[25]
Todas as ferramentas de liga de cobre preservadas da era dos construtores de pirâmides do Império Antigo foram recentemente reunidas numa monografia.[26] A sua ocorrência foi também confirmada para o material de povoamento de Gizé, dos reinados de Khufu e Khafre.[27] Dados recentes da Ilha Elefantina do Império Médio indicam que este material era uma liga produzida intencionalmente, e resultado de uma tecnologia bastante complexa.[28]
Extração de pedra
Existem boas informações sobre a localização das pedreiras, algumas das ferramentas usadas para cortar pedra, o transporte da pedra para o monumento, o nivelamento da fundação e o nivelamento das fiadas subsequentes da superestrutura em desenvolvimento. Os operários provavelmente usavam cinzéis, brocas e serras de cobre para cortar pedras mais macias, como a maior parte do calcário. As pedras mais duras, como o granito, granodiorito, sienito e basalto, não podem ser cortadas apenas com ferramentas de cobre; em vez disso, eram trabalhadas com métodos demorados, como percussão com dolerito, perfuração e serragem com a ajuda de um abrasivo, como quartzo ou areia de corindo.[29][30] Isto ocorria num processo conhecido como abrasão por areia.[31]:229[32] Os blocos eram transportados por trenós, provavelmente lubrificados com água.[33]:196[34]
O nivelamento da fundação pode ter sido realizado pelo uso de valas cheias de água, como sugerido por Mark Lehner e I. E. S. Edwards, ou através do uso de um nível de esquadria rudimentar e agrimensores experientes.[35][36] :13-14
Transporte de blocos de pedra
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Um dos principais problemas enfrentados pelos primeiros construtores de pirâmides era a necessidade de mover enormes quantidades de pedra. O túmulo da XII Dinastia de Djehutihotep tem uma ilustração de 172 homens a puxar uma estátua de alabastro num trenó. Estima-se que a estátua pesasse 60 toneladas e Denys Stocks estimou que seriam necessários 45 trabalhadores para começar a mover um bloco lubrificado de 16 300 kg (35 900 lb), ou oito trabalhadores para mover um bloco de 2 750 kg (6 060 lb).[32]:196-197
Dick Parry e Mladjov sugeriram um método para rolar as pedras usando uma máquina tipo berço que foi escavada em vários templos do Império Novo.[37] Quatro desses objetos poderiam ser ajustados em torno de um bloco para que este pudesse ser rolado facilmente. Experiências feitas pela Obayashi Corporation, com blocos de betão de 0,8 metros (2 ft 7 in) de lado por 1,6 metros (5 ft 3 in) de comprimento e pesando 2,5 toneladas (5 500 lb), mostraram como 18 homens podiam arrastar o bloco sobre uma rampa com inclinação de 1 para 4, a uma velocidade de 18 metros por minuto (1 ft/s; 1 km/h). Esta ideia foi anteriormente descrita por John Bush em 1977,[38] e é mencionada na secção de Observações Finais do livro de Parry. Vitrúvio em De architectura[39] descreveu um método semelhante para mover pesos irregulares. Ainda não se sabe se os egípcios usaram este método, mas as experiências indicam que poderia ter funcionado usando pedras deste tamanho. Os egiptólogos geralmente aceitam isto para os blocos de 2,5 toneladas mais utilizados, mas não concordam sobre os métodos usados para os blocos de mais de 15 toneladas e vários blocos de 70 a 80 toneladas.
O Diário de Merer, diários de bordo escritos há mais de 4 500 anos por um funcionário egípcio e encontrados em 2013 por uma equipa de arqueologia francesa sob a direção de Pierre Tallet numa caverna em Wadi al-Jarf, descreve o transporte de blocos de calcário das pedreiras de Tura para Gizé por barco.[40][41]
Rampas




A maioria dos egiptólogos reconhece que as rampas são o mais sustentável dos métodos para elevar os blocos, contudo reconhecem que é um método incompleto que deve ser suplementado por outro dispositivo. Evidências arqueológicas para o uso de rampas foram encontradas na Grande Pirâmide de Gizé[42] e noutras pirâmides. O método mais aceite para auxiliar as rampas é a alavancagem.[43]:215-223
O registo arqueológico dá evidências de apenas rampas pequenas e calçadas inclinadas, não algo que pudesse ter sido usado para construir sequer a maioria do monumento. Para aumentar a incerteza, há evidências consideráveis demonstrando que métodos de construção não padronizados ou ad hoc foram usados na construção das pirâmides.[36]:98-99
Portanto, existem muitas rampas propostas e há uma quantidade considerável de discrepância sobre que tipo de rampa foi usada.[44] Um dos métodos amplamente desacreditados é a grande rampa reta, devido ao seu tamanho maciço, falta de evidências arqueológicas e enorme custo de mão de obra.[45] Outras propostas incluem rampas em ziguezague, rampas em espiral apoiadas na superestrutura ou rampas internas. Mark Lehner especulou que uma rampa em espiral externa poderia ter sido usada, embora estas pudessem cobrir o edifício e dificultar o traçado geométrico exato das arestas. Os blocos de pedra podem ter sido puxados em trenós ao longo das rampas lubrificadas com água.[46]
Como mostra um estudo recente, o desafio logístico era colocar cerca de 1 tonelada a cada 2–3 minutos para permitir a construção da Grande Pirâmide em 30 anos. O caso das extensões das pirâmides em Meidum sugere que sistemas de rampas tangenciais de 5 metros de largura eram eficazes. A mudança de inclinação da Pirâmide Curvada é provavelmente o resultado da descoberta de que gradientes íngremes não eram sustentáveis. Também essencial era a organização eficaz do estaleiro para permitir o fluxo constante de equipas de tração e o retorno de trenós vazios.[carece de fontes]
Alavancagem
Métodos de alavancagem são considerados a solução mais sustentável para complementar as rampas, baseando-se na descrição de Heródoto e no uso do shadoof. Na perspetiva de Lehner, as alavancas devem ser empregadas para elevar os 3% finais do material da superestrutura, que compreendem o terço superior da altura total do monumento.[43]:215-223
Existem métodos que elevam o bloco de forma incremental (inserindo calços de madeira ou pedra) e outros que usam uma alavanca maior para mover o bloco num único procedimento. Isler (1985) conseguiu elevar um bloco um nível em aproximadamente 1 hora e 30 minutos.[47] Julian Keable conseguiu realizar o seu método em aproximadamente 2 minutos usando paletes de madeira.[48] Scott Hussey-Pailos (2005) testou um dispositivo de alavancagem simples que elevou um bloco de 1 100 kg (2 500 lb) uma fiada em menos de um minuto.[49]
Canais de água
Os egípcios usaram braços do Nilo agora desaparecidos para o transporte. Um estudo de 2012 liderado por Hader Sheisha propôs que níveis de rio mais elevados há 4 500 anos facilitaram a construção do Complexo de pirâmides de Gizé.[50]
Em maio de 2024, investigadores mapearam o Braço de Ahramat, uma via navegável extinta de 64 quilômetros (40 mi) que fluía perto da Grande Pirâmide. Com cerca de 0,5 quilômetros (0,31 mi) de largura e 25 metros (82 ft) de profundidade, este canal foi crucial para o transporte de materiais e mão de obra, desaparecendo posteriormente devido à seca e desertificação.[51] Embora tenha sido sugerido o uso de eclusas hidráulicas para elevar barcaças, ainda há falta de evidências arqueológicas diretas sobre o uso de força hidráulica no local.[52]
Experiências de construção de pirâmides
Yoshimura
Em 1978, a Nippon TV financiou um projeto de construção de uma pirâmide concebido pelo arqueólogo Sajuki Yoshimura. Originalmente, foi planeado como um modelo à escala de 1 para 5 da Grande Pirâmide. Devido ao orçamento limitado, o tamanho teve de ser drasticamente reduzido quando o preço do calcário subiu à medida que o projeto ganhava publicidade. Teve de ser vertida uma fundação de betão, uma vez que o local selecionado não oferecia uma base de rocha firme. Com a ajuda de duas gruas e um empilhador, a pirâmide foi construída até atingir uma altura de 11 metros (36 ft), com uma base de 15 metros (49 ft). A estrutura acabou por ser desmontada e transportada para fora do local.[53]
Nova
Em 1992,[47] o egiptólogo Mark Lehner e o canteiro Roger Hopkins realizaram uma experiência de construção de uma pirâmide durante três semanas para um episódio do programa de televisão Nova. Eles construíram uma pirâmide de 6 metros (20 ft) de altura por 9 metros (30 ft) de largura, consistindo num total de 162 metro cúbicos (5 700 ft3), ou cerca de 405 toneladas. Foi feita de 186 pedras com um peso médio de 2,2 toneladas cada. Doze trabalhadores de pedreira esculpiram as 186 pedras em 22 dias, e a estrutura foi erguida por 44 homens. Como atalho moderno, utilizaram martelos de ferro, cinzéis e alavancas (os antigos egípcios limitavam-se ao uso de cobre e, mais tarde, bronze e madeira),[32]:58-63 mas Lehner e Hopkins fizeram experiências com ferramentas de cobre, notando que estas eram adequadas para a tarefa em questão, se houvesse mão de obra adicional disponível para as afiar constantemente; estimaram que teriam sido necessários cerca de 20 homens extras para essa manutenção.
Outro atalho tomado foi o uso de uma pá carregadora ou um empilhador, mas a maquinaria moderna não foi utilizada para terminar a construção. Utilizaram alavancas para elevar a pedra do topo (piramídio) a uma altura de 20 pés (6,1 m). Quatro ou cinco homens foram capazes de usar alavancas em pedras com menos de uma tonelada para as virar e transportar rolando-as, mas pedras maiores tiveram de ser rebocadas. Lehner e Hopkins descobriram que, ao colocar as pedras em trenós de madeira e ao deslizar os trenós sobre trilhos de madeira, conseguiam rebocar uma pedra de duas toneladas com 12 a 20 homens. A madeira para estes trenós e trilhos teria de ter sido importada do Líbano com grandes custos, uma vez que existia pouca, ou nenhuma, madeira no antigo Egito. Embora os construtores não tenham conseguido duplicar a junção precisa criada pelos antigos egípcios, Hopkins estava confiante de que isso poderia ter sido alcançado com mais prática.[47][43]:202-225
Ver também
- Lista de pirâmides do Egito
- História do Egito
- Pirâmides núbias
- Pirâmides chinesas
- Pirâmides mesoamericanas
Referências
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- ↑ «Japanese 'Pyramid' Rises in Egypt». The New York Times. 8 de março de 1978
Ligações externas
- Pirâmides Egípcias no BBC History (em inglês)
- Pyramids World Heritage Site in panographies (em inglês)
- Pirâmides do Egito (em inglês)


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