Pedro I da Rússia

Pedro I
Imperador e Autocrata de Todas as Rússias
Retrato por Jean-Marc Nattier, 1717
Czar da Rússia
Reinado7 de maio de 1682
a 2 de novembro de 1721
Coroação25 de junho de 1682
PredecessorTeodoro III
Co-monarcaIvã V (1682–1696)
RegenteSofia da Rússia (1682–1689)
Imperador da Rússia
Reinado2 de novembro de 1721
a 8 de fevereiro de 1725
SucessoraCatarina I
Dados pessoais
Nascimento9 de junho de 1672
Moscou, Rússia
Morte8 de fevereiro de 1725 (52 anos)
São Petersburgo, Rússia
Sepultado emCatedral de Pedro e Paulo,
São Petersburgo, Rússia
Nome completo
Pyotr Alexeievich Romanov
EsposasEudóxia Lopukhina
Marta Helena Skavronska
Descendência
Aleixo, Czarevich da Rússia
Ana Petrovna da Rússia
Isabel da Rússia
CasaRomanov
PaiAleixo da Rússia
MãeNatália Naryshkina
AssinaturaAssinatura de Pedro I

Pedro I (Moscou, 9 de junho de 1672São Petersburgo, 8 de fevereiro de 1725), apelidado de Pedro, o Grande, foi o Czar da Rússia de 1682 até à formação do Império Russo em 1721, continuando a reinar como imperador até à sua morte. Pouco depois da sua ascensão, até 1696, ele reinou junto com o seu meio-irmão mais velho Ivã V da Rússia. Pedro era o filho mais velho do czar Aleixo da Rússia com sua segunda esposa Natália Naryshkina, vivendo seus primeiros anos tranquilamente até chegar ao trono com apenas dez anos de idade depois de ser escolhido como o novo soberano pela população moscovita.

Sua escolha não satisfez a família da primeira esposa de seu pai e o exército Streltsi, que fomentaram uma sangrenta revolta junto com sua meia-irmã mais velha Sofia da Rússia que instaurou Ivã V da Rússia como co-monarca e ela como regente em seu nome. Pedro viveu sem ser incomodado no interior pelos sete anos seguintes ao mesmo tempo que Sofia governava a Rússia, finalmente tirando o poder das mãos dela durante uma revolta em 1689 aos dezessete anos. Ele mesmo assim não assumiu o governo pessoalmente, deixando sua mãe e boiardos cuidando do país em seu nome.

Foi importante na modernização e ocidentalização da Rússia, país que já estava muito defasado em relação às potências ocidentais. Também deu ao seu país grande poder depois de derrotar a Suécia na Grande Guerra do Norte, que ficou marcada pela sua grande vitória na Batalha de Poltava em 1709. Ao se aperceber de que a Rússia era socialmente e tecnicamente atrasada, resolveu abrir uma janela para o ocidente, já como czar, a fim de ingressar no país ideias europeias de progresso. Não sem antes recolher a irmã Sofia aos costumes no Convento das Carmelitas. Empreendeu um périplo de 18 meses pela Europa, em que se fez passar por marinheiro e trabalhar como carpinteiro num estaleiro da Holanda do Norte, aprendeu a retalhar a gordura da baleia, estudou anatomia e cirurgia observando dissecação de cadáveres, visitou museus e galerias de arte.

Início de vida

Nascimento

Pedro nasceu em Moscou à 1h00min do dia 9 de junho de 1672.[nota 1] Era o primeiro filho do czar Aleixo da Rússia e sua segunda esposa Natália Naryshkina,[1] filha de um pequeno proprietário de terras que tornara-se a protegida de Artemon Matveiev, ministro-chefe e amigo íntimo do czar.[2] Pedro foi nomeado em homenagem a São Pedro e ao nascer tinha olhos negros, cabelos castanho-avermelhados e media 48 centímetros de altura.[1] Ele foi batizado pelo confessor pessoal de Aleixo quatro semanas depois em 9 de julho, dia sagrado de São Pedro no calendário da Igreja Ortodoxa Russa. Um grande banquete foi servido pelo czar no dia seguinte no Kremlin de Moscou, tendo a presença de boiardos, comerciantes e outros cidadãos ilustres de Moscou.[3]

Pedro logo recebeu uma criadagem própria, que era formada por uma ama de leite — descrita como "uma mulher boa e limpa, com leite doce e saudável" — e uma equipe de anões para servirem de companheiros do jovem czarevich. Aos dois anos sua comitiva foi expandida com catorze damas de companhia.[3] Seus pais e Matveiev lhe enchiam de presentes, que incluíam um cavalo de madeira com sela de couro e rédeas enfeitadas com esmeraldas, e um livro com imagens criadas por pintores renomados. Entretanto, seus favoritos eram os brinquedos voltados ao mundo militar, como por exemplo soldados, fortalezas, barcos e armas em miniatura. Pedro era um menino saudável que começou a andar com apenas sete meses de vida, com Aleixo gostando de levá-lo para excursões por seus diferentes palácios e mansões nos arredores de Moscou.[4]

O czarevich tinha duas irmãs mais novas chamadas Natália e Teodora, com a segunda morrendo ainda criança,[5] e também dois meio-irmãos Teodoro e Ivã, além de outras meio-irmãs, do primeiro casamento de Aleixo com Maria Miloslavskaia.[6] A família Miloslavski tinha ascendido ao poder graças ao casamento de Maria com o czar, porém ela morreu em agosto de 1689 e consequentemente eles perderam influência para a família Naryshkin e também Matveiev, ressentindo o ministro-chefe e os filhos de Aleixo com a nova czarina junto com outras famílias boiardas cujas filhas foram preteridas em favor de Natália.[7]

Educação

Retrato de Pedro quando criança, por autor desconhecido.

Aleixo acabou morrendo repentinamente em janeiro de 1676. Ele foi sucedido por seu filho mais velho Teodoro III, então com quinze anos de idade, que apesar de frágil e semi-inválido fora reconhecido em 1674 como o herdeiro de seu pai e ascendeu ao trono sem oposição.[8] Os Miloslavski voltaram ao poder com a liderança de Ivã Miloslavski, tio do novo czar. Apesar de Teodoro nunca ter nutrido má vontade com Natália ou seus meios-irmãos, ele foi incapaz de impedir que a czarina e as crianças fossem tiradas da vida pública, enquanto os Naryshkin acabaram afastados do governo e Matveiev foi preso. Natália temia pela vida dos filhos, mas eles permaneceram intocados enclausurados dentro do Kremlin e aos poucos seus medos foram passando.[9]

A educação de Pedro começou aos seus três anos de idade enquanto seu pai ainda estava vivo, quando recebeu uma pequena cartilha para aprender o alfabeto cirílico. Aos cinco anos, Teodoro, que também era seu padrinho, nomeou o eclesiástico Nikita Zotov para ser o tutor do czarevich com a aprovação de Natália.[10] Sua tarefa era inicialmente ensinar Pedro a ler e escrever, com as primeiras aulas se centrando no estudo do alfabeto e de passagens da Bíblia. O czarevich mostrou-se bem curioso e Zotov passou a lhe dar aulas de canto, história russa e geografia, com livros ilustrados com figuras de lugares estrangeiros e um enorme globo terrestre sendo colocados nos aposentos de Pedro para ele aproveitar e se distrair quando estivesse cansado das lições tradicionais.[11][12]

Historiadores discordam sobre a qualidade do ensino dada por Zotov: enquanto Lindsey Hughes o criticou por providenciar uma educação que não ensinou Pedro como um czar deveria ser,[13] Robert K. Massie achou que foi a melhor possível para um menino curioso como o czarevich, ainda mais porque na época ele estava atrás de seu meio-irmão Ivã na sucessão e era improvável que se tornasse soberano. Apesar de ter sido inferior à educação dada a Teodoro por exemplo, ela foi muito melhor do que a recebida por um nobre russo comum da época e permitiu que Pedro se tornasse um autodidata na idade adulta. Zotov conquistou o afeto de seu aluno, que o manteve por perto durante toda a vida.[14]

Começo de reinado

Ascensão

Retrato moderno do jovem czar Pedro em em traje de coroação.

Teodoro conseguiu realizar uma reforma que aboliu o sistema de preferência de classes da Rússia, em que nobres só aceitavam cargos públicos ou ordens militares baseadas em sua posição social, diminuindo a burocracia e incompetência do governo.[14] Ele havia se casado duas vezes, primeiro com Agáfia Grushetskaia e depois com Marta Apraxina, afilhada de Matveiev que pediu a liberdade dele como condição de casamento. Mesmo com duas esposas, ele não teve herdeiros e morreu em maio de 1682 sem também nomear um sucessor.[15] Ivã e Pedro ficaram como os candidatos ao trono; apesar do primeiro fosse a opção mais lógica em circunstâncias normais como mais velho e filho da primeira esposa de Aleixo, ele era quase cego, coxo e com problemas de fala, enquanto Pedro era forte, inteligente e com uma altura acima da média para uma criança de dez anos. Independente da escolha, uma regência teria de ser estabelecida.[16]

Uma discussão começou entre os boiardos logo depois de deixarem o aposento onde o corpo de Teodoro estava. Alguns apoiavam os Miloslavski e a reivindicação de Ivã, enquanto outros achavam impraticável entregar o trono a uma criança enferma e favoreciam Pedro. Chegou-se ao consenso de que a decisão ficaria com a população moscovita que estava do lado de fora do palácio. O patriarca Joaquim foi para a sacada e indagou a multidão: "O czar Teodoro Alexeievich, de abençoada memória, está morto. Não deixa herdeiros, apenas irmãos […] A qual dos dois czarevichs vocês entregam o poder?" Os gritos em favor de Pedro foram maiores e o patriarca aceitou a decisão. Pedro inicialmente recusou, porém foi persuadido que o melhor a ser feito era aceitar, com Natália sendo nomeada regente.[17]

Apesar da czarina ser nominalmente a regente, esperava-se que o governo fosse na verdade comandado por Matveiev.[18] Ele era um homem que não pertencia à classe dos boiardos e tinha conseguido alcançar a posição de ministro-chefe durante o reinado de Aleixo por mérito, não por preferência social como antigamente. Além disso, Matveiev interessava-se em assuntos eruditos e pela cultura ocidental, tendo inclusive casado-se com uma escocesa chamada Mary Hamilton. Sua forma de vida e opiniões políticas e sociais eram um contraste com a tradicionalista sociedade russa da época, gerando suspeitas entre alguns boiardos.[19] Matveiev estava exilado na Sibéria quando Pedro tornou-se czar, voltando lentamente para Moscou e sendo bem recebido pelo caminho e até chegar na capital em 21 de maio. Pelos três dias seguintes ele recebeu em sua casa as visitas de comerciantes, amigos estrangeiros e boiardos lhe desejando felicidades e oferecendo seu apoio.[20]

Revolta dos Streltsi

Ilustração da Revolta dos Streltsi de 1682.

Além da família Miloslavski, outros dois elementos ficaram insatisfeitos com a ascensão de Pedro e proeminência de Matveiev: a czarevna Sofia Alexeievna da Rússia e os Streltsi. Sofia era uma das filhas de Aleixo e Maria Miloslavskaia, sendo uma mulher inteligente e ambiciosa que surpreendentemente tinha conseguido certa proeminência política durante o reinado de Teodoro e temia perder sua influência sob Pedro com os Naryshkin no poder, defendendo os interesses de Ivã.[21] Já os Streltsi eram um exército profissional criado por Ivã IV no século XVI para defender o governo, formado por "russos que viviam à moda antiga […] detestavam inovações e se opunham a reformas. […] Ignoravam a política, mas, quando acreditavam que o país estava se desviando dos caminhos tradicionais, convenciam-se facilmente de que sua interferência nos assuntos de Estado era necessária".[22] Eles acreditavam que os Naryshkin tinham matado Teodoro e forçado o afastamento de Ivã, algo que permitiria a chegada de estrangeiros no poder e o fim dos valores antigos, além da punição deles próprios.[23]

Ivã Miloslavski, Sofia e outros começaram a provocar os Streltsi para criar instabilidade.[24] A revolta estourou em 25 de maio quando dois apoiadores da czarevna espalharam a notícia falsa de que Ivã tinha sido morto pelos Naryshkin, explodindo a fúria dos Streltsi que partiram para o Kremlin com a intenção de matar a família da czarina. O governo foi pego de surpresa e não teve tempo de reação antes da força revoltosa chegar na frente do Palácio das Facetas.[25] Natália apareceu pouco depois no alto das escadas segurando as mãos de Ivã e Pedro para acalmar a agitação; ela tremia assustada, porém o jovem czar permaneceu calmo e não demonstrou medo.[26] Logo em seguida apareceram Matveiev e o patriarca Joaquim, que conversaram com a multidão calma e compreensivamente dizendo que eles tinham sido enganados e não havia motivo de preocupações. Os ânimos pareceram esfriar e os dois homens voltaram para dentro, porém o príncipe Miguel Dolguruki, filho do comandante dos Streltsi, tinha ficado furioso com o incidente e repreendeu asperamente os homens do alto da escada. Isso inflamou o exército novamente e eles partiram escada acima para atacar.[27]

Os Streltsi primeiro pegaram Dolguruki, que foi esquartejado ali mesmo. Em seguida eles entraram no palácio e pegaram Matveiev, arrastando-o para fora na frente de Pedro e Ivã até ser morto pela turba mesmo com as tentativas de Natália de impedir a violência.[28] Pelo resto do dia e nos dois dias seguintes, o exército tomou o palácio e matou boiardos e membros da família da czarina, incluindo seu irmão Afanásio, porém não foram capazes de encontrar seu objetivo principal: Ivã Naryshkin, irmão de Natália que havia falado mal dos Miloslavski, era alvo de rumores de que teria maltratado Sofia e envenenado Teodoro, e que ao longo da confusão tinha conseguido se esconder.[29] Durante todo esse tempo, Pedro permaneceu intocado isolado em um quarto.[30] Ao final do terceiro dia, os Streltsi exigiram a entrega de Ivã Naryshkin ou mais boiardos morreriam, com Natália sendo forçada a ceder e entregar o irmão, que foi torturado e amputado até finalmente ser morto.[31]

Co-monarcas

Dois czares, por Ilia Repin, 1900: pintura moderna retratando a Entrada Real dos czares Pedro I e Ivã V.

Os Streltsi receberam anistia por suas ações, foram pagos os salários atrasados e ganharam um memorial para comemorar sua revolta bem-sucedida.[32] Porém, mesmo com muitos Naryshkin mortos ou anulados politicamente, eles poderiam voltar ao poder quando Pedro ficasse mais velho, suplantando os Miloslavski novamente. Os Streltsi, sob as maquinações de Sofia e outros membros da sua família, enviaram uma exigência ao governo em 2 de junho para que Ivã fosse feito czar ao lado de Pedro com precedência por ser o mais velho, com o patriarca, arcebispos e boiardos não tendo alternativas senão aceitar. O próprio Ivã não desejava papel na política, mas foi forçado a acatar a decisão. Alguns dias depois os Streltsi vieram com uma última demanda, de que Sofia fosse nomeada regente no lugar de Natália devido a juventude e inexperiência dos dois meninos. O governo novamente estava sem alternativas e aceitou em 8 de junho.[33]

Sofia rapidamente se movimentou para consolidar a nova estrutura política e a dupla coroação de Pedro e Ivã foi organizada de maneira apressada, ocorrendo no dia 25 de junho na Catedral da Assunção. Dois tronos idênticos foram criados,[34] com os dois meninos sendo coroados pelo patriarca com a Coroa de Monômaco; primeiro Ivã e depois Pedro. Depois a coroa voltou para Ivã enquanto Pedro ficou usando uma réplica. Ao final da cerimônia eles foram para a Catedral do Arcanjo Miguel prestar homenagem nos túmulos dos czares do passado, terminando o dia na Catedral da Anunciação para um grande banquete de celebração.[35]

Toda a experiência de sua ascensão e a Revolta dos Streltsi marcaram Pedro profundamente por toda a vida. Ele odiou ver familiares, estadistas e boiardos sendo massacrados, além dele próprio o czar e sua família estando a mercê de soldados revoltosos. Pedro pegou uma repulsa contra o Kremlin e seus aposentos pequenos e mal iluminados, e também contra Moscou e seu grande conservadorismo. O czar não gostava da pompa e cerimônia da capital, com todos esses sentimentos tempos depois fazendo com que ele passasse anos sem entrar na cidade. Pedro assim deixou Moscou e foi crescer no interior.[36]

Regência

Crescimento

O barco que Pedro encontrou em 1688, hoje exibido no Museu Central Naval em São Petersburgo.

Os Naryshkin foram exilados politicamente e isso permitiu que Pedro ficasse longe de várias funções, exceto algumas ocasiões cerimoniais.[37] Ele passou a morar junto com sua mãe em Preobrajenskoye, nas margens do rio Yauza e perto de florestas e campos, tendo muito tempo livre para aproveitar seu passatempo favorito: brincar de guerra. Ele costumava encomendar uniformes, canhões e pólvora, pistolas e carabinas dos arsenais do governo para satisfazer seus desejos por diversão.[38] Enquanto crescia suas brincadeiras bélicas tornaram-se maiores; aos catorze anos ele formou um regimento militar próprio sediado em Preobrajenskoye formado por seus amigos filhos de boiardos e funcionários do governo ociosos. Posteriormente o regimento foi expandido para incluir também a vila próxima de Semyonovskoe e passou a permitir candidaturas de jovens de outras famílias nobres e classes sociais, com os exercícios militares ficando maiores e mais sérios, necessitando de consultores profissionais. Essa força eventualmente tornou-se o primeiro regimento da Guarda Imperial Russa e durou até o fim da monarquia em 1917.[39]

Além das atividades militares, nessa época Pedro também se interessou por navegação. Certa vez em 1688, enquanto vagava por uma das propriedades reais junto com Franz Timmerman, um imigrante holandês, o czar encontrou um antigo barco de maneira supostamente inglês guardado em um armazém. A embarcação chamou sua atenção porque era diferente daquelas usadas pelos russos na época, com Timmerman contratando o também holandês Karsten Brandt para repará-lo a fim de Pedro poder navegar com ela.[40][nota 2] Ele passou a navegar quase todos os dias, primeiros nos rios e depois no lago Plescheievo, aprendendo a usar as velas, o vento e até mesmo o sextante.[43] Pedro depois ordenou que mais barcos fossem construídos e assim Brandt, Timmerman e outros holandeses criaram para o czar uma pequena frota de barcos nas margens do Plescheievo. Estes homens acabaram tornando-se amigos próximos dele, com o czar vendo-os como grandes fontes de conhecimento e um meio de se aproximar do ocidente.[44]

Nesse período, Pedro também aprendeu a mexer em ferramentas como machados, martelos e cinzéis. Além disso, aprendeu a ser escultor, a operar um torno mecânico e tornou-se um bom artesão de madeira. Entretanto, toda essa liberdade fez com que sua educação formal fosse encerrada; seus tutores foram dispensados enquanto o czar centrava-se em atividades práticas em vez de teóricas. Consequentemente, sua caligrafia e ortografia permaneceram terríveis, ele nunca aprendeu idiomas estrangeiros com exceção de noções básicas de holandês e alemão, e nunca se interessou por teologia e filosofia. Apesar de suas experiências práticas terem lhe sido muito úteis posteriormente em sua vida, o próprio Pedro anos depois lamentou a falta de profundidade e refinamento de sua educação.[45]

Governo de Sofia

Moeda com os bustos de Pedro e Ivã de um lado, e o de Sofia no outro.

Assim que assumiu o governo, Sofia colocou seus apoiadores em posições importantes, principalmente seu favorito o príncipe Vassili Golitsyn, que foi nomeado chefe das relações exteriores e depois Guardião do Grande Selo.[46] Durante os primeiros anos de regência, a czarevna cumpria suas funções particularmente enquanto mantinha Pedro e Ivã como figuras cerimoniais, conseguindo manter a ordem interna e colocar oficiais estrangeiros no comando do exército. Enquanto isso o príncipe aproveitou os frequentes incêndios em Moscou para reconstruir as casas de madeira com pedra, porém foi incapaz de alcançar seu sonho de melhorar a conservadora sociedade russa. Externamente, Sofia procurou aceitar as perdas territoriais que o país tinha sofrido em conflitos passados e assim para este fim enviou embaixadores para Estocolmo, Varsóvia, Copenhague e Viena com o objetivo de reforçar acordos de paz e estabelecer as novas fronteiras da Rússia.[47]

Entretanto, o principal ponto de complicação era com a Polônia e a situação de Kiev. Esta era uma cidade ortodoxa que tinha sido entregue aos russos em 1667 durante o reinado de Aleixo, porém sob os termos do Tratado de Andrusovo ela deveria ser devolvida aos poloneses depois de dois anos. Isso nunca ocorreu e a Polônia recusava-se a abrir mão de sua reivindicação, enquanto a Rússia evitava quaisquer discussões a respeito e postergava a entrega. As coisas mudaram durante a regência de Sofia, quando o Império Otomano conseguiu uma série de vitórias militares contra a Polônia e o Sacro Império Romano-Germânico. Os poloneses e austríacos passaram a desejar ajuda russa, com uma enorme comitiva sendo enviada a Moscou procurando uma aliança. Sofia aproveitou-se da situação e aceitou prestar ajuda sob a condição de que Kiev fosse cedida definitivamente para a Rússia, algo que o rei João III Sobieski da Polônia aceitou relutantemente.[48]

Os russos e otomanos nunca tinham antes entrado em conflito.[49] Uma força foi enviada em maio de 1687 para a Crimeia combater os tártaros, vassalos do Império Otomano, com Golitsyn sendo forçado a assumir o comando da expedição.[50] Ele marchou para o sul e atravessou o rio Dniepre, encontrando campos queimados e nenhum alimento para as tropas, até finalmente avistar os tártaros na cidade de Perekop. Golitsyn decidiu recuar por causa da falta de suprimentos, porém enviou cartas a Moscou dizendo que a campanha tinha sido um sucesso e foi recebido como herói por Sofia ao retornar. Porém, a verdade logo chegou na Polônia e na Áustria, que forçaram a Rússia a cumprir com sua parte do acordo.[51] A czarevna novamente enviou o príncipe para uma nova expedição em março de 1689, que desta vez enfrentou os tártaros e conseguiu repelir alguns avanços, porém mais uma vez se viu sem suprimentos e tentou em vão chegar a um acordo de paz.[52] Como antes, Golitsyn enviou relatos de vitórias e outra vez foi recebido como herói, porém agora a insatisfação e desaprovação geral com Sofia eram muito maiores, especialmente vindas de Pedro.[53]

Tomada de poder

Retrato de Pedro, por Pieter van der Werff, c. 1690.

O descontentamento com Sofia e Golitysn cresceu com o anúncio da segunda expedição militar, com os opositores da regente se reunindo ao redor de Pedro. O czar desaprovou as campanhas do príncipe e recusou aceitar as supostas vitórias, expressando publicamente sua repulsa ao favorito.[53] Sofia ficou chocada pelas ações do meio-irmão e passou a sentir-se insegura,[54] tentando fortalecer sua posição avaliando com os Streltsi a possibilidade de ser coroada, criando e espalhando pela Europa um retrato seu usando o cetro, orbe e a coroa de Monômaco, além de contendo versos de um poema laudatório de suas realizações, e se intitulando autocrata da mesma forma que os czares. Essas ações alarmaram os apoiadores de Pedro,[55] e este começou a desafiar pessoalmente a meia-irmã ao destratá-la em cerimônias públicas. A tensão entre os dois lados subiu, com Sofia cada vez mais movimentando-se por Moscou cercada de guardas e bajulando os Streltsi em troca de apoio.[56]

A crise começou em 27 de agosto de 1689 quando uma carta anônima e falsa chegou na capital dizendo que o exército de brincadeira de Pedro em Preobrajenskoye atacaria Moscou naquela noite para matar Ivã e Sofia. Como precaução, os portões do Kremlin foram fechados e vários Streltsi foram convocados para defender o palácio.[57] Naquela noite um dos criados do czar foi entregar um despacho de rotina no Kremlin, porém sua aparição foi interpretada erroneamente pelos Streltsi como o prelúdio do ataque e ele foi espancado. Apoiadores de Pedro dentro do exército souberam do ocorrido e acharam que era o começo de um ataque por parte de Sofia, alertando Preobrajenskoye. Pedro foi acordado no meio da madrugada e partiu para refugiar-se no Mosteiro da Trindade-São Sérgio,[58] uma grande fortaleza e o lugar mais sagrado da Rússia naquela época.[59]

Da segurança do mosteiro, Pedro aproveitou sua posição como czar legítimo e enviou cartas aos comandantes Streltsi convocando-os até São Sérgio, porém Sofia proibiu que qualquer um deixasse Moscou sob a pena de morte. A regente enviou emissários para tentar uma reconciliação, porém sem sucesso.[60] Dias depois o czar enviou novas cartas pedindo a presença dos comandantes, desta vez com ameaças de morte, com as deserções do lado da czarevna aumentando.[61] Sofia foi pessoalmente para o mosteiro em 20 de setembro falar com o meio-irmão, porém sua entrada foi barrada. Logo depois de sua volta para a capital, novas cartas de Pedro chegaram denunciando uma conspiração contra sua vida. Aqueles ainda indecisos abandonaram a regente e foram para o lado do czar, quem apesar de tudo tinham jurado defender e obedecer,[62] com as últimas tropas leais a Sofia lhe abandonando em 22 de setembro. Sem apoio político e militar, ela aceitou a derrota e abriu mão da regência.[63] Em seguida vários de seus apoiadores foram executados,[64] Golitysn acabou exilado para o Ártico[65] enquanto a própria Sofia foi confinada ao Convento de Novodevichi pelo restante da vida.[66]

Imperador

Modernização da Rússia

Grande Embaixada

Retrato de Pedro, por Godfried Schalcken, c. 1703-1706.

O principal êxito de Pedro consistiu na modernização estrutural do Estado russo.[67] Pedro avaliou que a Rússia não possuía capacidade militar e estratégica para confrontar isoladamente o Império Otomano. Em março de 1697, realizou uma missão diplomática à Europa Ocidental, com duração aproximada de 18 meses, liderando uma ampla comitiva conhecida como "Grande Embaixada". Destaca-se que foi o primeiro czar a deixar o território russo em mais de um século.[68]

Um dos objetivos centrais da missão consistia na obtenção de apoio político-militar das monarquias europeias contra o Império Otomano, iniciativa que não obteve êxito. A França mantinha aliança tradicional com o sultanato otomano, enquanto a Áustria priorizava a estabilidade na fronteira oriental em razão de conflitos em curso no oeste europeu. Ademais, o contexto geopolítico era desfavorável, uma vez que as potências estavam concentradas na sucessão do trono de Carlos II da Espanha, que faleceu sem herdeiros, relegando a questão otomana a um plano secundário.[69]

Retrato moderno representando Pedro em sua visita aos Países Baixos, por Daniel Maclise, 1857.

Em Amsterdã, Pedro adquiriu experiência técnica em construção naval nos estaleiros da Companhia Holandesa das Índias Orientais. Participou diretamente da construção da embarcação Pedro e Paulo e promoveu o recrutamento de profissionais especializados, incluindo engenheiros navais, construtores de eclusas, fortificadores e marinheiros. Entre os recrutados, destaca-se Cornelis Cruys, que posteriormente atuou como conselheiro naval do czar. O conhecimento adquirido foi fundamental para o desenvolvimento da marinha russa.[70]

Retrato de Pedro, por Godfrey Kneller, 1698: este foi um presente de czar para o Rei da Inglaterra.

Durante sua estadia, também manteve contato com Frederik Ruysch, de quem recebeu instruções sobre técnicas de preservação de espécimes biológicos, evidenciando interesse científico compartilhado. Pedro também reuniu uma coleção de obras do artista Adam Silo, especialmente pinturas de temática marítima. Posteriormente, foi convidado pelo rei Guilherme III a visitar a Inglaterra. Em 11 de janeiro de 1698 (calendário juliano), Pedro chegou a Londres acompanhado por uma comitiva numerosa e diversificada. Em fevereiro, participou de inspeções navais em Deptford, onde permaneceu por aproximadamente três meses.[71] Durante esse período, recebeu instrução em astronomia aplicada por John Flamsteed no Observatório de Greenwich. Como parte de acordos diplomáticos e comerciais, Guilherme III concedeu-lhe uma escuna equipada, em contrapartida à autorização para que comerciantes ingleses comercializassem tabaco na Rússia.[72] Ao final de abril de 1698, Pedro deixou a Inglaterra, tendo adquirido, entre outras competências, conhecimentos em relojoaria.[carece de fontes?]

A missão prosseguiu por Leipzig e Dresden, onde encontrou o rei Augusto II da Polônia, e posteriormente por Viena, ocasião em que se reuniu com o imperador Leopoldo I do Sacro Império Romano-Germânico.[73] Contudo, a missão foi interrompida devido à notícia de uma segunda Revolta dos Streltsi em junho de 1698. A rebelião foi controlada antes do retorno de Pedro à Rússia, no início de setembro.[74]

Após seu retorno, Pedro adotou medidas repressivas severas contra os insurgentes: aproximadamente 4.600 indivíduos foram detidos, dos quais cerca de 1.182 foram submetidos à tortura e execução. Ademais, determinou a exposição pública dos corpos como instrumento de dissuasão política.[75] Como medida institucional, os Streltsi foram dissolvidos, e sua meia-irmã, Sofia Alexeievna, que havia tentado utilizá-los para ascender ao poder, foi confinada ao Convento de Novodevichy, onde permaneceu em reclusão até morrer.[76]

Reformas

Pintura moderna retratando Pedro vestindo um traje ocidental pela primeira vez diante de sua mãe, do Patriarca de Moscou e de seu tutor, por Nikolai Nevrev, 1903.

As visitas de Pedro ao Ocidente o convenceram de que os costumes europeus eram, em muitos aspectos, superiores aos da Rússia. Consigo traz cartas topográficas, livros, invenções de Isaac Newton, e uma visão mais modernista que se reflecte inclusivamente na nova forma de vestir que introduz na sua corte. As tradicionais barbas longas passaram a ser objecto de imposto — todos os nobres e homens de comércio que ostentassem semelhantes barbas teriam agora de pagar 100 rublos; todos os outros teriam de pagar 1 "kopeik".[77][78] Isso desagradou muito os boiardos e os Velhos Crentes (raskólniki), que eram muito apegados às suas barbas.[79]

Pedro mandou traduzir para russo diversas obras em francês, neerlandês, alemão e inglês. Em abril de 1702, Pedro aboliu os casamentos arranjados, declarando que todas as decisões referentes ao matrimônio deveriam ser voluntárias. O czar também proibiu o assassinato de recém-nascidos deformados. Os duelos também foram banidos. Para encorajar estrangeiros a servirem na Rússia, Pedro declarou que todas as leis anteriores restringindo os direitos de cidadãos estrangeiros a passarem pelas fronteiras como quisessem agora deixavam de existir. E ainda, todos os estrangeiros receberam promessa de liberdade religiosa total enquanto estivessem na Rússia.[80]

Cascata do Peterhof.

Afeicionado pelo barroco francês, Pedro expandiu seus planos para incluir um castelo real maior, com palácios e jardins mais para o interior, à semelhança do Palácio de Versalhes, na França. Este se tornaria o Palácio de Peterhof (do alemão Peterhof, "corte de Pedro"). O projeto inicial do palácio e de seu jardim foi feito pelo arquiteto francês Jean-Baptiste Le Blond.[81] A Grande Cascata é inspirada em uma construída para o rei Luís XIV da França em seu Castelo de Marly,[82] que também é memorializada em um dos anexos do parque. As fontes da Grande Cascata estão localizadas abaixo de uma gruta e em ambos os lados dela. Ao todo, são 64 fontes.[83] Peterhof ficou conhecido como "Versalhes russo".

Grande Guerra do Norte

Determinado a abrir o acesso da Rússia ao Mar Báltico e, assim, ao livre acesso à Europa Ocidental, Pedro fez as pazes com o Império Otomano[84] e declarou guerra à Suécia, então governada pelo rei Carlos XII. A Rússia formou uma coalizão com a Dinamarca, a Polônia, Brandemburgo e Hanôver.[85] O bem preparado exército sueco frustrou facilmente a primeira tentativa russa de tomar a costa do Báltico, vencendo a Batalha de Narva em 1700. O cerco de Narva expôs muitas das deficiências do exército russo em termos de organização, equipamento militar e suprimentos. Em meia hora, os 12.000 soldados de Carlos XII derrotaram um exército russo de 40.000 homens, capturando grande parte dos despojos e toda a artilharia russa.[85]

Mosaico moderno retratando Pedro na Batalha de Poltava, por Mikhail Lomonosov, 1986.

Nos anos seguintes à derrota, a Rússia absteve-se de atacar a Suécia novamente, permitindo que esta concentrasse seus esforços na conquista da Polônia e da Prússia. Pedro iniciou a reorganização de seu exército e a construção de uma marinha, fundamental para o enfrentamento de uma guerra naval contra a Suécia.[85] Por outro lado, os suecos começaram a enfrentar dificuldades logísticas, com seu principal comboio sendo interceptado e destruído. Buscando solucionar tais problemas e evitar os rigores do inverno russo, Carlos XII dirigiu-se à Ucrânia, recebendo apoio do hetmã Ivã Mazepa. No entanto, essa estratégia fracassou e, em 1709, sua marcha foi detida na fortificação de Poltava, onde sofreu uma derrota decisiva. Com apenas 1.500 homens, o rei da Suécia foi forçado a se refugiar no Império Otomano, onde trabalhou para convencer o sultão Amade III a ajudá-lo a retomar a guerra.[86] Durante sua ausência, a Suécia sofreu derrotas sucessivas, consolidando o declínio do país.

Nesse ínterim, Pedro, imprudentemente, declarou guerra aos otomanos em 1711, mas a campanha no sul foi tão malsucedida que a Rússia, para obter a paz, teve de ceder os portos do Mar Negro conquistados em 1697. Em troca, o sultão expulsou o rei da Suécia do seu império.[86] Entretanto, o exército russo reforçado já havia conquistado o território correspondente à atual Estônia, enquanto Carlos XII prosseguia com operações militares contra a Polônia e a Prússia. Entre 1701 e 1704, Pedro I capturou diversas fortalezas e cidades na região do Báltico, incluindo Dorpat, Narva e Ivangorod, e iniciou a construção de um estaleiro no lago Ladoga, estabelecendo uma frota para a guerra naval contra a Suécia.[85]

Pintura histórica retratando Pedro inspecionando a construção de São Petersburgo, por Valentin Serov, 1907.

Em 1714, o czar Pedro havia consolidado o controle sobre Livônia, Estônia, Íngria, Kexholm, Carélia e toda a Finlândia. No ano de 1703, fundou a cidade de São Petersburgo, em homenagem ao apóstolo São Pedro, que se tornaria a nova capital do Império Russo. Pedro proibiu a construção de edifícios de pedra fora dos limites da cidade, garantindo que todos os pedreiros fossem mobilizados na edificação da capital, que logo se tornaria o centro político e administrativo da Rússia.[84]

Em 1721, com a assinatura do Tratado de Nystad, encerrou-se formalmente a Grande Guerra do Norte. A Rússia adquiriu a Ingria, a Estônia, a Letônia[85] e uma porção significativa da Carélia, assegurando acesso ao Mar Báltico. Em contrapartida, a Rússia compensou a Suécia com dois milhões de riksdaler e cedeu a maior parte da Finlândia. O czar manteve o território finlandês próximo a São Petersburgo, já estabelecido como capital russa em 1712. Após o tratado, o Senado concedeu a Pedro os títulos de "Imperador e Autocrata de Todas as Rússias", além de ser reconhecido como "Pai da Pátria" e "O Grande". O então Czarado passou oficialmente a ser denominado Império Russo, consolidando o novo estatuto e autoridade de Pedro.[85]

Política militar

Retrato de Pedro, por Maria Giovanna Clementi.

Desde cedo que Pedro se interessou pela vida militar. Quando ainda era criança e durante a sua permanência fora da corte, ele ter-se-ia entretido com casernas militares para crianças e simulações de exercícios militares, com crianças vestidas com uniformes.[87][88]

Pedro acreditava na meritocracia, e preferia começar por um posto subalterno e alcançar postos de comando após comprovado mérito. De acordo com a Lista de Patentes de 1722, as patentes no serviço militar e civil passaram a ser concedidas não de acordo com a nobreza, mas de acordo com as habilidades e os serviços prestados.[89]

Na sua expedição pela Europa Ocidental, para além dos conhecimentos que lhe permitiriam construir uma armada. Os seus grande conflitos militares foram principalmente a Grande Guerra do Norte com Carlos XII da Suécia e as batalhas contra os otomanos. Nota-se, que apesar de alguns fracassos militares contra o Império Otomano, todo o exército fora reformado no Império, se adequando mais aos grandes exércitos europeus. A esquadra marítima, pela primeira vez no Império, ganhou importância e a diplomacia estabelecida com o resto da Europa colocou o Império Russo no cenário político da época o marcando como potência.[90]

Política fiscal

Efígie de Pedro em moeda de prata de 1 rublo, 1723.

Pedro criou, em 1708, um corpo de oficiais cuja tarefa consistia em encontrar novas formas de tributar os cidadãos. Chamados pelo nome estrangeiro de fiscal, eles recebiam ordens para "sentar-se e gerar receita para o Senhor Soberano".[91]

Novos impostos foram criados em toda uma gama de atividades humanas. Havia o imposto sobre o nascimento, o casamento, o funeral e o registro de testamentos. Havia impostos sobre o trigo e o sebo. Cavalos eram tributados, assim como o couro de cavalo e as rédeas. Havia o imposto sobre chapéus e o imposto para o uso de botas de couro. O imposto da barba foi sistematizado e aplicado, e um imposto sobre os bigodes foi acrescentado. Cobrava-se dez por cento de todas as tarifas de locomoção. As casas em Moscou pagavam impostos, assim como as colmeias em toda a Rússia. Havia o imposto do banho, o imposto da cama, o imposto da pousada, o imposto das chaminés de cozinha e da lenha que nelas ardia. Nozes, melões e pepinos passaram a ser tributados. Havia até mesmo um imposto sobre a água potável. A receita também provinha de um número cada vez maior de monopólios estatais.[92]

Esse arranjo, por meio do qual o Estado controlava a produção e a venda de uma mercadoria, definindo o preço que desejasse, era aplicado ao álcool, resina, sal, piche, peixe, óleo, giz, potássio, ruibarbo, dados, peças de xadrez, baralhos, pele de lobos, arminhos e zibelinas siberianos. Para reforçar o controle administrativo e aumentar a eficiência da arrecadação de impostos da enorme massa do império, em 1708 o czar dividiu a Rússia em oito grandes governos estaduais, entregando-os a seus amigos mais próximos. Cada governador tornou-se responsável por todas as questões civis e militares da região e, especialmente, pela arrecadação de receitas.[93]

Visões religiosas

Pintura moderna retratando o imperador Pedro recebendo uma doação em dinheiro do Bispo Mitrofan de Voronej, por Mikhail Ivanovich Terebenev, 1857.

Pedro foi criado na fé ortodoxa russa, mas tinha pouco respeito pela hierarquia da igreja, que submetia a um rígido controle governamental. Em janeiro de 1695, Pedro recusou-se a participar da tradicional cerimônia da Epifania Ortodoxa Russa e frequentemente agendava os eventos do seu "Sínodo Divertido e Bêbado dos Tolos e dos Bobos da Corte" – instituição criada por ele com o objetivo de zombar das práticas culturais e religiosas russas – para coincidir com as datas comemorativas da Igreja Ortodoxa Russa.[94]

Em 1700, Pedro impediu a eleição de um novo Patriarca e privou a Igreja Ortodoxa Russa do direito de ter um único líder espiritual. Ele reduziu o número e converteu todos os mosteiros com menos de 30 monges em escolas ou igrejas.[95] Em 1721, Pedro seguiu o conselho de Teófanes Prokopoviche e reformou o Santo Sínodo como um conselho de dez sacerdotes. Para a liderança da igreja, Pedro recorreu cada vez mais aos ucranianos, que eram mais abertos à reforma, mas impopulares entre o clero russo. Pedro promulgou uma lei que impedia qualquer russo de se tornar monge antes dos 50 anos. Ele acreditava que muitos homens russos capazes estavam sendo desperdiçados no trabalho sacerdotal quando poderiam ter se juntado ao seu novo e melhorado exército.[96]

Pedro também era indiferente ao islamismo e ao paganismo, ainda praticados em regiões do vasto Império Russo. Contudo, tinha visões antissemitas acerca dos judeus, os quais considerava como uma ameaça:

Morte

Pedro em seu leito de morte, por Ivan Nikitin, 1725.

No inverno de 1723, Pedro, que nunca havia gozado de uma saúde completamente robusta, começou a ter complicações em seu aparelho urinário e sua bexiga. No verão de 1724, uma equipe de médicos realizou uma operação na qual a urina obstruída foi esvaziada. Pedro permaneceu de cama até o final do outono. Contudo, na primeira semana de outubro, Pedro, inquieto e certo de que já estava curado, realizou uma viagem de inspeção para uma série de projetos. Há relatos de que, enquanto estava em Lakhta, ao longo do Golfo da Finlândia, o imperador avistou um grupo de soldados se afogando nas águas do rio Neva e pulou na água para resgatá-los.[98] Diz-se que a água gelada agravou seus problemas respiratórios e causou sua morte. Alguns historiadores encaram a história com ceticismo, já que o cronista alemão Jacob von Staehlin é a única fonte para ela.[99]

No início de janeiro de 1725, Pedro foi novamente acometido por uremia. Há relatos de que, antes de perder a consciência, Pedro pediu caneta e papel e rabiscou a carta inacabada: "Deixem tudo..." e então, exausto pelo esforço, pediu que sua filha Ana fosse chamada.[100] Baseados nesta história, alguns historiadores especularam que o desejo de Pedro era o de deixar o trono para Ana, mas isto não pode ser confirmado.

Pedro morreu em 8 de fevereiro (ou 28 de janeiro no calendário juliano) de 1725., entre quatro e cinco horas da manhã. Uma autópsia mostrou que sua bexiga havia sido afetada por gangrena.[101] O imperador tinha 52 anos e sete meses de idade e havia reinado por mais de 42 anos. Ele foi sepultado na Catedral de Pedro e Paulo.

Houve uma grande comoção na Rússia e na Europa com a notícia da morte de Pedro, embora a tristeza quase certamente não estivesse presente. Nas palavras do historiador russo P. Kolvayevski:

"Poderíamos ficar entusiasmados para sempre com as ações de Pedro e ainda não descrever sua plenitude, brilho e valor de tudo o que ele alcançou. Mas ao criar, destruiu. Causou dor a todos com quem ele entrou em contato. Destruiu a segurança, paz, prosperidade, interesses, força, bem-estar, direitos e dignidade de todos que o tocaram. Ele fez coisas desagradáveis ​​para todos. Doeu a todos. Ele tocou nos interesses intelectuais, políticos, sociais, financeiros, familiares, morais e espirituais. É possível amar um político assim? De maneira nenhuma. Esses homens são odiados."[102]

Legado

Busto original em bronze de Pedro, realizado por Marie-Anne Collot e utilizado como modelo para a estátua do "O Cavaleiro de Bronze". No Museu Russo, em São Petersburgo.

O estatuto póstumo de Pedro I da Rússia permanece objeto de controvérsia significativa na historiografia russa. Trata-se de uma figura historicamente complexa, cuja atuação é interpretada de forma divergente. Parte da literatura sustenta que suas reformas produziram fraturas sociais e espirituais. O historiador Nicholas Riasanovsky identifica uma "dualidade paradoxal" nas representações do governante, expressa em dicotomias como Deus/Anticristo, educador/ignorante, arquiteto da grandeza estatal/destruidor da cultura nacional, e pai da pátria/perseguidor das camadas populares.[103] Para os Velhos Crentes, Pedro foi associado ao Anticristo, em razão de reformas como a alteração do calendário e a introdução de tributação per capita. O próprio governante estabelecia paralelos simbólicos com figuras bíblicas como Rei Davi e Noé, atribuindo à sua atuação um caráter providencial.[104]

Em seu funeral, Teófanes Prokopoviche o comparou a Moisés e Salomão.[105] A biografia publicada por Voltaire em 1759 enquadra Pedro como representante do Iluminismo, enquanto o poema O Cavaleiro de Bronze, de Alexander Pushkin, constrói uma representação simbólica de caráter criador.[106][107][108] Em contraste, os eslavófilos do século XIX criticaram a ocidentalização promovida por suas políticas.[carece de fontes?]

Estátua de Pedro, erguida em 1782, em São Petersburgo, informalmente conhecida como "O Cavaleiro de Bronze". A Catedral de Santo Isaac pode ser observada ao fundo.

Após a Revolução Russa e a execução da família Romanov, a historiografia soviética — exemplificada por Mikhail Pokrovsky — adotou uma abordagem predominantemente crítica. Contudo, Josef Stalin valorizou aspectos como a centralização estatal, a administração em contexto de guerra, a diplomacia e o desenvolvimento industrial.[109] Consequentemente, a produção historiográfica soviética passou a combinar a ênfase nos avanços estruturais com a crítica à repressão social.[110]

Após 1991, com o colapso da União Soviética, observou-se renovação do interesse acadêmico e público pelo período petrino. O reinado de Pedro é frequentemente interpretado como marco estruturante da formação do Estado imperial russo. Persistem debates quanto ao grau de fortalecimento do absolutismo e à natureza institucional do Estado czarista, especialmente em função da limitação de sua burocracia.[111]

Retrato póstumo de Pedro, por Paul Delaroche, 1838.

No plano institucional, Pedro implementou reformas abrangentes nos âmbitos econômico, social, político, administrativo, educacional e militar, com impacto na superação de práticas tradicionalistas e na redução da centralidade institucional da religião. Entre os resultados, destacam-se a secularização do ensino, a reorganização administrativa com foco em eficiência governamental, a incorporação de tecnologias, o estímulo à industrialização, a modernização das forças armadas e a criação de uma marinha estruturada.[112]

Segundo J. Wodarski, tais reformas não configuraram um "salto" ao progresso, mas na verdade dificultaram o progresso da Rússia e "criaram condições em que ela ficou estagnada por um século e meio!"[113] Yevgeni Anisimov argumenta que o modelo autocrático consolidado por Pedro o posiciona como "o verdadeiro predecessor de Stalin".[114] Durante seu governo, estima-se que a população das camadas populares tenha sofrido redução aproximada de 20%, em decorrência de conflitos armados, repressão estatal, perseguições e deslocamentos forçados.[115]

De acordo com a Encyclopædia Britannica, embora Pedro "não tenha eliminado integralmente o diferencial entre a Rússia e as potências ocidentais, promoveu avanços relevantes em setores como economia, comércio, educação, ciência, cultura e política externa. A Rússia consolidou-se como potência europeia, com capacidade de influência em questões continentais. No plano interno, suas reformas geraram progressos de magnitude sem precedentes em comparação com iniciativas anteriores."[116]

Túmulo de Pedro, na Fortaleza de Pedro e Paulo, em São Petersburgo.

Adicionalmente, transformações culturais associadas ao período incluem alterações em padrões arquitetônicos e de vestuário. O historiador James Cracraft caracteriza o conjunto de reformas petrinas:

"A revolução de Pedro na Rússia – as muitas reformas militares, navais, governamentais, educacionais, arquitetônicas, linguísticas e outras reformas internas para fomentar a ascensão da Rússia a uma grande potência europeia – foi na verdade uma revolução cultural, que teve uma profunda influência na composição básica do Império Russo e no seu desenvolvimento subsequente."[117]


Aparência e personalidade

Mesmo na infância, Pedro destacava-se por sua estatura e proporções físicas. Com 2,3 m de altura, excedia a média populacional. Não apresentava deformidades posturais; utilizava calçados tamanho 39 e vestuário tamanho 48. As mãos eram pequenas e os ombros relativamente estreitos em relação ao corpo, assim como a cabeça, proporcionalmente menor que o tronco[118][101]

Contemporâneos registraram convulsões faciais intensas, observadas principalmente em situações de raiva ou tensão emocional. Algumas fontes atribuíram esses episódios a traumas sofridos durante a Revolta dos Streltsi ou a supostas tentativas de envenenamento promovidas pela Czarevna Sofia.[101]

Retrato moderno de Pedro, o Grande, por Sergei Kirillov, c. 1982-1984.

Durante viagens ao exterior, Pedro demonstrava comportamento direto e pouco cerimonioso, o que causava impacto em aristocratas europeus. Sofia, Eleitora de Hanôver, o descreveu:

"O czar é alto, possui traços faciais bem definidos e porte nobre, com raciocínio rápido e respostas corretas. Entretanto, apresenta rudeza comportamental. Do ponto de vista moral, reflete plenamente o caráter de seu país. Com educação mais adequada, teria potencial para se tornar um indivíduo exemplar, devido às suas virtudes e capacidades cognitivas excepcionais."[119]


Em 1717, durante uma visita do czar russo a Paris, Luís de Rouvroy, Duque de São Simão registrou:

"Era muito alto, de constituição robusta, magro, rosto redondo, testa alta, sobrancelhas bem definidas, nariz curto e ligeiramente largo na ponta, lábios grandes, pele rosada-escura, olhos negros, grandes, vivos e penetrantes. O olhar variava entre majestoso e bondoso ou severo, com espasmos faciais ocasionais que distorciam temporariamente a expressão, assustando observadores. Os espasmos duravam cerca de um segundo, após o qual o rosto retornava à normalidade. No conjunto, sua aparência transmitia inteligência, ponderação e presença física, mantendo caráter atraente."


Pedro apresentava características cognitivas e comportamentais complexas, combinando inteligência, agilidade e sociabilidade com episódios de agressividade e conduta violenta. Na juventude, participava de reuniões sociais com consumo de álcool. Durante estas ocasiões, podia aplicar violência física contra indivíduos presentes. Suas ações incluíam humilhação pública de membros da elite, especialmente "pessoas conhecidas" e "velhos boiardos", conforme registro de Boris Kurakin, "pessoas gordas eram arrastadas... muitas eram despidas e deixadas nuas." A instituição denominada "Sínodo Divertido e Bêbado dos Tolos e dos Bobos da Corte", criada por ele, tinha como objetivo a paródia ritualizada e era percebida como prática cultural interna aceita socialmente. Pedro desempenhou funções de executor durante a repressão da Revolta dos Streltsi. O diplomata dinamarquês Justus Juhl relata que, após a vitória de Poltava, durante sua entrada em Moscou, Pedro, com quadro de saúde grave e crises convulsivas, atacou um soldado por erro operacional e começou "a esfaqueá-lo cruelmente com a sua espada."[120]

Em 22 de julho (11 de julho no calendário juliano) de 1705, durante operações militares na Polônia, Pedro participou do serviço vespertino no Mosteiro Basiliano em Polotsk. Após o reconhecimento de Josafá Kuntsevytch como santo mártir pelos monges basilianos, o czar determinou a prisão dos religiosos. A resistência resultou na morte de quatro monges, em razão de seus discursos contrários aos interesses russos.[121]

Sexualidade

A sexualidade de Pedro tem sido objeto de especulação entre historiadores, com alguns credibilizando que ele pudesse ser bissexual.[122] Pedro manteve relacionamentos notórios com mulheres, incluindo dois casamentos — com Eudóxia Lopukhina e, posteriormente, Catarina I — e diversos filhos, legítimos e ilegítimos, que indicam uma vida heterossexual ativa. Contudo, houve um possível relacionamento homossexual com Alexandre Menshikov, seu amigo próximo e confidente, emergiram em relatos históricos, alimentando debates acadêmicos. Um testemunho frequentemente mencionado é o de Ivã Rokotov, soldado do Regimento Preobrazhensky, que em 1703 relatou uma cena observada durante a campanha de Azov, entre 1695 e 1696. Segundo Rokotov, enquanto estava de guarda na tenda real, viu o czar, vestindo apenas uma camiseta, beijar Alexandre Menshikov e, em seguida, deitar-se com ele para descansar.[123] As alegações de uma relação homossexual entre Pedro e Menshikov foram amplificadas por panfletos publicados por Martin Neugebauer, ex-tutor do filho de Pedro, que desertou para o lado sueco durante a Grande Guerra do Norte. Alguns historiadores apontam que Pedro pode ter mantido outros relacionamentos com homens, embora nenhum tenha recebido a mesma atenção que o vínculo com Menshikov.[124][125]

Casamentos e filhos

Família de Pedro I em 1717: Pedro I, Catarina I, o filho mais velho Aleixo — do primeiro casamento —, e os filhos mais novos — do segundo casamento —, Pedro, Ana e Isabel.

Pedro, o Grande, teve duas esposas, que lhe deram ao todo quinze filhos, dos quais apenas três chegaram à idade adulta. A mãe de Pedro escolheu sua primeira esposa, Eudóxia Lopukhina, quando ele tinha apenas 16 anos.[126] Isso estava de acordo com a tradição anterior dos Romanov, na qual se escolhia uma filha de uma família nobre menos importante, a fim de evitar conflitos entre famílias nobres influentes e trazer "sangue novo" para a família.[127] Quando Pedro retornou de sua viagem pela Europa Ocidental em 1698, pôs fim a esse casamento infeliz. Ele se divorciou da czarina e a obrigou a viver em um mosteiro. Ela lhe deu três filhos, dos quais apenas um chegou à idade adulta, Aleixo Petrovich, Czarevich da Rússia.

Seu amigo próximo e confidente, Alexandre Menshikov, apresentou-lhe Marta Helena Skavronska, nascida uma serva, filha de um camponês lituano com ascendência polonesa (ou sueca) e católico romano. Pedro e Marta se tornaram amantes em algum momento entre 1702 e 1704.[128] Marta adotou a fé ortodoxa russa e recebeu o nome de Catarina. Embora não haja registro disso, Pedro e Catarina teriam se casado em segredo entre 23 de outubro e 1 de dezembro de 1707, em São Petersburgo.[129] Pedro tinha grande estima por Catarina, e eles se casaram oficialmente em 19 de fevereiro de 1712.

Pedro, o Grande, interrogando o czarevich Alexei Petrovich em Peterhof, por Nikolai Ge, 1871.
Pedro Petrovich, Czarevich da Rússia, filho do segundo casamento de Pedro e brevemente seu herdeiro, entre 1715 e 1719.

Em 1718, seu filho Aleixo Petrovich, a quem ele considerava um rebelde, foi preso na Fortaleza de Pedro e Paulo.[130] Suspeitava-se que ele estivesse envolvido em uma conspiração para derrubar o governo do czar. Aleixo foi julgado e, sob tortura, confessou sua culpa. Foi considerado culpado e condenado à morte. A sentença só poderia ser executada com a assinatura de Pedro, e Aleixo morreu na prisão, pois acredita-se que Pedro hesitou em tomar a decisão. É muito provável que Aleixo tenha morrido devido aos ferimentos causados pela tortura.[131] A mãe de Aleixo, Eudóxia, também foi punida. Ela foi retirada de sua casa à força, acusada falsamente de adultério, açoitada em público e confinada em mosteiros, sendo proibida de se comunicar com outras pessoas.

Pedro ainda teve filhos ilegítimos documentados com suas amantes Anna Mons,[126] Letitia Cross, lady Mary Hamilton[132] e a princesa Maria Cantemir da Moldávia.[133]

As grã-duquesas Ana e Isabel (futura imperatriz Isabel da Rússia) – filhas do segundo casamento de Pedro com Catarina.
NomeNascimentoMorteNotas
Com Eudóxia Lopukhina
Aleixo Petrovich18 de fevereiro de 169026 de junho de 1718Czarevich da Rússia. Casou-se com Carlota Cristina de Brunsvique-Volfembutel, com descendência.
Alexandre Petrovich13 de outubro de 169114 de maio de 1692
Paulo Petrovich16931693
Com Catarina I da Rússia[134]
Pedro Petrovich17041707Nasceu e morreu antes da oficialização do casamento dos pais
Paulo Petrovich17051707
Catarina Petrovnadezembro de 1706junho de 1708
Ana Petrovna27 de janeiro de 170815 de maio de 1728Casou-se com Carlos Frederico, Duque de Holsácia-Gottorp, com descendência.
Isabel da Rússia29 de dezembro de 17095 de janeiro de 1762Imperatriz da Rússia de 1741 até 1762.
Maria Petrovna20 de março de 171327 de maio de 1715
Margarida Petrovna19 de setembro de 17147 de junho de 1715
Pedro Petrovich15 de novembro de 171519 de abril de 1719
Paulo Petrovich13 de janeiro de 171714 de janeiro de 1717
Natália Petrovna31 de agosto de 171815 de março de 1725
Pedro Petrovich7 de outubro de 1723

Notas

  1. A Rússia usava o calendário juliano durante a vida de Pedro. Entretanto, todas as datas apresentadas no artigo estão no calendário gregoriano.
  2. Pedro depois chamou esse pequeno barco de "O Avô da Marinha Russa". Não se sabe a verdadeira origem dele além de ser uma embarcação ocidental. Uma lenda disse que ele foi um presente da rainha Isabel I da Inglaterra para o czar Ivã IV, enquanto outros dizem que ele fora construído por carpinteiros holandeses imigrantes na Rússia. Seu impacto na vida de Pedro foi tão grande que ele ordenou que fosse preservado em 1701, primeiro sendo guardado no Kremlin e depois na Fortaleza de São Pedro e São Paulo em São Petersburgo.[41] Ele atualmente está em exibição permanente no Museu Central Naval.[42]

Referências

  1. 1 2 Massie 2015, pp. 25–26
  2. Massie 2015, pp. 21–22
  3. 1 2 Massie 2015, p. 26
  4. Massie 2015, p. 27
  5. Massie 2015, p. 28
  6. Massie 2015, p. 20
  7. Massie 2015, pp. 20, 23
  8. Massie 2015, p. 29
  9. Massie 2015, pp. 29–30
  10. Massie 2015, p. 30
  11. Massie 2015, p. 31
  12. Hosking, Geoffrey (1998). Russia: People and Empire, 1552–1917. Harvard: Harvard University Press. p. 77. ISBN 978-0-674-78119-1
  13. Hughes, Lindsey (1998). Russia in the Age of Peter the Great. New Haven: Yale University Press. pp. 3, 463. ISBN 978-0-300-07539-7
  14. 1 2 Massie 2015, p. 32
  15. Massie 2015, p. 33
  16. Massie 2015, p. 33–34
  17. Massie 2015, p. 34–35
  18. Massie 2015, p. 34
  19. Massie 2015, p. 21
  20. Massie 2015, p. 49
  21. Massie 2015, p. 41–43
  22. Massie 2015, p. 44–45
  23. Massie 2015, p. 46
  24. Massie 2015, p. 48
  25. Massie 2015, pp. 49–50
  26. Massie 2015, p. 51
  27. Massie 2015, pp. 52–53
  28. Massie 2015, p. 53; Riasanovsky 2000, p. 214
  29. Massie 2015, pp. 54–55
  30. Massie 2015, p. 54
  31. Massie 2015, pp. 55–56
  32. Massie 2015, p. 57
  33. Massie 2015, p. 58
  34. Massie 2015, p. 59
  35. Massie 2015, p. 60
  36. Massie 2015, pp. 60–61
  37. Massie 2015, p. 78
  38. Massie 2015, pp. 78–79
  39. Massie 2015, pp. 79–80
  40. Massie 2015, pp. 84–85
  41. Massie 2015, p. 86
  42. Cracraft, James (2003). The Revolution of Peter the Great. Cambridge: Harvard University Press. pp. 50–53. ISBN 0-674-01196-1
  43. Massie 2015, pp. 84, 86
  44. Massie 2015, pp. 87–88, 90
  45. Massie 2015, p. 83
  46. Massie 2015, pp. 94, 96
  47. Massie 2015, pp. 96–98
  48. Massie 2015, p. 99
  49. Massie 2015, p. 100
  50. Massie 2015, pp. 101–102
  51. Massie 2015, pp. 102–103
  52. Massie 2015, pp. 103–105
  53. 1 2 Massie 2015, p. 106
  54. Massie 2015, pp. 107–108
  55. Massie 2015, pp. 108–109
  56. Massie 2015, pp. 110–111
  57. Massie 2015, p. 112
  58. Massie 2015, p. 113
  59. Massie 2015, p. 115
  60. Massie 2015, pp. 116–117
  61. Massie 2015, p. 118
  62. Massie 2015, p. 119
  63. Massie 2015, pp. 121–122
  64. Massie 2015, p. 124
  65. Massie 2015, p. 123
  66. Massie 2015, p. 125
  67. Houaiss, Antônio (1979). Pequeno Dicionário Enciclopédio Koogan Larousse. Rio de Janeiro: Larousse do Brasil Ltda. p. 1508
  68. «Peter the Great | Royal Museums Greenwich». www.rmg.co.uk
  69. The History of Peter the Great, Emperor of Russia: To which is Prefixed a Short General History of the Country from the Rise of that Monarchy: and an Account of the Author's Life. Vol. I
  70. Massie 1980, pp. 183-188
  71. «Peter the Great trashed here». www.shadyoldlady.com. Consultado em 7 de maio de 2024
  72. «Peter the Great's favourite yacht found in the Baltic Sea». Consultado em 7 de maio de 2024
  73. Massie 1980, p. 191
  74. Gordon 1755, p. 307
  75. Riasanovsky 2000, p. 220
  76. J. Crull, M.D (1698). The Ancient and Present State of Muscovy (em inglês), vol. 2, Londres. p. 200
  77. Abbott, Peter (1902). Peter the Great (online) (em inglês). [S.l.]: Projeto Gutenberg
  78. O Panorama. [S.l.: s.n.]
  79. D'Or, O.L. «Russia as an Empire» (PHP). The Moscow News weekly. pp. Russian. Consultado em 21 de março de 2008. Cópia arquivada em 3 de junho de 2006
  80. Massie 2015, p. 420
  81. Massie, Robert K. (1986). Peter the Great: His life and world (em inglês). Nova York: Ballantine Books. p. 631.
  82. «The Quizzical Trick Fountains of Peterhof Palace». Outdoor Fountain Pros
  83. «Peterhof Fountains, St. Petersburg». www.saint-petersburg.com
  84. 1 2 Martínez, Laínez F. (2006). «Pedro I el Grande». Historia y Vida. 38 (461): 64–73
  85. 1 2 3 4 5 6 «Петар Велики. Образовање Руске Империје. -{www.znanje.org}-» (em russo). Consultado em 8 de abril de 2023
  86. 1 2 Riasanovsky 2000, p. 224
  87. Seiji, Toriyama (1978). 『『ピョートル大帝』 ["Pedro, o Grande "]. Col: 〈世界を創った人びと 20〉["Pessoas que Criaram o Mundo, n. 20"] (em japonês). [S.l.]: Heibonsha. p. 16. ISBN 4582470203
  88. Doi, Tsuneyuki (1992). 『ピョートル大帝とその時代 サンクト・ペテルブルグ誕生』 ["Pedro, o Grande e sua era: o nascimento de São Petersburgo"] (em japonês). [S.l.]: Chuko Shinsho. pp. 45–47. ISBN 978-4121010926
  89. Hambardzumyan, Victor (1983). "Pedro I, o Grande" (em armênio). Yerevan: Editora da Enciclopédia Soviética Armênia
  90. Cracraft, James (2003). The Revolution of Peter the Great (em inglês). [S.l.]: Harvard UP. p. 37. Consultado em 8 de setembro de 2017. Cópia arquivada em 8 de maio de 2021
  91. Massie 2015, p. 416
  92. Massie 2015, pp. 416-417
  93. Massie 2015, p. 417
  94. Bushkovitch, Paul A. (1990). «The Epiphany Ceremony of the Russian Court in the Sixteenth and Seventeenth Centuries». Blackwell Publishing on behalf of The Editors and Board of Trustees of the Russian Review. Russian Review. 49 (1): 1–17. ISSN 0036-0341. JSTOR 130080. doi:10.2307/130080
  95. Miate, Liana. «The Reforms of Peter the Great». World History Encyclopedia (em inglês). Consultado em 7 de maio de 2024
  96. Dmytryshyn, Basil (1974). Modernization of Russia Under Peter I and Catherine II (em inglês). [S.l.]: Wiley. p. 18
  97. Levitats, Isaac (1943). The Jewish Community in Russia, 1772-1844. Nova York: Columbia University Press. pp. 20–21
  98. Bain, Robert Nisbet (1905). Peter the Great and his pupils (em inglês). [S.l.]: Cambridge University. Consultado em 9 de fevereiro de 2008. Cópia arquivada em 26 de maio de 2007
  99. Stählin, Jacob von (26 de maio de 1785). Originalanekdoten von Peter dem Grossen: aus dem Munde angesehener Personen zu Moskau und Petersburg vernommen, und der Vergessenheit entrissen (em alemão). [S.l.]: J.G.I. Breitkopf. ISBN 978-0-4050-3064-2. OCLC 118987
  100. O conto "Deixe tudo..." („Оставете сѐ....“) apareceu pela primeira vez em Russkii arkhiv 3 (1865), de H.F. de Basavitsov. O historiador russo E.V. Anisimov afirma que o objetivo de Basavitsov era convencer o leitor de que Ana, e não a Imperatriz Catarina, havia sido declarada herdeira.
  101. 1 2 3 Hughes, John R. (2007). "The seizures of Peter Alexeevich". Epilepsy & Behavior (10:1). pp. 179—182
  102. Kolvayevski, P. (1992) "Piotr Veliki i ego geni". Dialog.
  103. Riasanovsky 2000
  104. Collis, Robert (2015). The Petrine Instauration: Religion, Esotericism and Science at the Court of Peter the Great, 1689–1725 (em inglês). [S.l.: s.n.] pp. 359, 364, 379 via www.academia.edu
  105. Wiener, Leo (1902). «Feofan Prokopovich's Funeral Sermon on Peter I». Anthology of Russian Literature From the Earliest Period to the Present Time (em inglês). Nova York: [s.n.] pp. 214–218
  106. Riasanovsky, Nicholas (1985) The Image of Peter the Great in Russian History and Thought (em inglês). pp. 57, 84, 279, 283
  107. A. Lenton, "Voltaire and Peter the Great" History Today (1968) 18#10 aanlyn Arquivado em 13 maio 2021 no Wayback Machine
  108. Kathleen Scollins, "Cursing at the Whirlwind: The Old Testament Landscape of The Bronze Horseman." Pushkin Review 16.1 (2014): 205–231 online Arquivado em 26 outubro 2020 no Wayback Machine.
  109. Hughes, Lindsey (1998). Russia in the Age of Peter the Great (em inglês). p 464
  110. Riasanovsky 1985, p. 305
  111. Zitser 2005
  112. «10 Major Accomplishments of Peter the Great». learnodo-newtonic.com. 21 de fevereiro de 2023. Consultado em 14 de julho de 2023
  113. Hughes 1998, p. 464
  114. Hughes 1998, p. 465
  115. Ralston, David B. (26 de junho de 1996). Importing the European Army: The Introduction of European Military Techniques and Institutions in the Extra-European World, 1600-1914. [S.l.]: University of Chicago Press. ISBN 978-0-226-70319-0 via Google Books
  116. «Peter I». Encyclopaedia Britannica. 29 de junho de 2023
  117. Cracraft, James (2010). "The Russian Empire as Cultural Construct", Journal of the Historical Society 10#2 pp. 167–188, p. 170.
  118. Riasanovsky, Nicholas (2000). A History of Russia (em inglês). Oxford: Oxford University Press. p. 216.
  119. С. М. Соловьёв. Публичные чтения о Петре Великом. — М., 1872. — p. 46.
  120. «Пётр I. Черты личности. Очерк// Н. Н. Фирсова. 1916». Consultado em 19 de janeiro de 2018. Cópia arquivada em 4 de janeiro de 2025
  121. Соловьёв, Сергей Михайлович История России с древнейших времён кн. 8 глава 3
  122. «MENSHIKOV AND CATHERINE - Part Three: The Great Northern War - Peter the Great: His Life and World - by Robert K. Massie». erenow.org (em inglês). Consultado em 9 de outubro de 2025
  123. «Gossip, Power and Myth: Peter the Great's Relationships in a New Light | University of Gothenburg». www.gu.se (em inglês). 19 de setembro de 2025. Consultado em 9 de outubro de 2025
  124. Hays, Jeffrey. «PETER THE GREAT | Facts and Details». factsanddetails.com (em inglês). Consultado em 9 de outubro de 2025
  125. «Was Peter the Great gay? | Homework.Study.com». homework.study.com (em inglês). Consultado em 9 de outubro de 2025
  126. 1 2 Hughes 2004, p. 134
  127. Hughes 2004, p. 133
  128. Hughes 2004, pp. 131, 134
  129. Hughes 2004, p. 136
  130. Collis, Robert (2015). The Petrine Instauration: Religion, Esotericism and Science at the Court of Peter the Great, 1689–1725 (em inglês). [S.l.: s.n.] p. 368 via www.academia.edu
  131. Massie 1980, pp. 76, 377, 707.
  132. Gordon 1755, pp. 308-309
  133. Panaitescu, Petre P. (1958). "Dimitrie Cantemir". Viața și opera (em romeno), col. Biblioteca Istorică, vol. III, Ed. Academiei RPR, Bucareste, p. 141
  134. Hughes 2004, p. 135

Bibliografia

  • Gordon, Alexander (1755). The history of Peter the Great, Emperor of Russia. To which is prefixed, A short general history of the country, from the rise of that monarchy: and an account of the author's life (em inglês). [S.l.: s.n.] OCLC 09104286. OL 17030794M 
  • Hughes, Lindsey (1998). Russia in the Age of Peter the Great (em inglês). New Haven: Yale University Press. ISBN 0-300-07539-1 
  • Hughes, Lindsey (2004). «Catherine I of Russia, Consort to Peter the Great». In: Campbell Orr, Clarissa. Queenship in Europe 1660–1815: The Role of the Consort (em inglês). Cambridge UP. pp. 131–54. ISBN 978-0-5218-1422-5 
  • Massie, Robert K. (1980). Peter the Great: His Life and World (em inglês). Nova York: Alfred A. Knopf. ISBN 978-0-3072-9145-5 
  • Massie, Robert K. (2015). Pedro, o Grande: Sua Vida e Seu Mundo. Barueri: Amarilys. ISBN 978-85-204-3765-0 
  • Riasanovsky, Nicholas (1985). The Image of Peter the Great in Russian History and Thought (em inglês). [S.l.: s.n.] 
  • Riasanovsky, Nicholas (2000). A History of Russia (em inglês) 6ª ed. Oxford: Oxford University Press 
  • Zitser, Ernest A. (2005). «Post-Soviet Peter: New Histories of the Late Muscovite and Early Imperial Russian Court». Kritika: Explorations in Russian and Eurasian History. 6 (2): 375–392. doi:10.1353/kri.2005.0032 
Pedro I da Rússia
Casa de Romanov
9 de junho de 1672 – 8 de fevereiro de 1725
Precedido por
Teodoro III

Czar da Rússia
7 de maio de 1682 – 2 de novembro de 1721
com Ivan V (1682–1696)
Império Russo
Czarado da Rússia
Imperador da Rússia
2 de novembro de 1721 – 8 de fevereiro de 1725
Sucedido por
Catarina I