Guerra Greco-Turca de 1919–1922
| Guerra Greco-Turca (1919–1922) | |||
|---|---|---|---|
| Parte da Guerra de independência turca | |||
Ataque grego | |||
| Data | 15 de maio de 1919 – 11 de outubro de 1922 | ||
| Local | Anatólia ocidental | ||
| Casus belli | Partilha do Império Otomano | ||
| Desfecho | Vitória turca; revolução de 11 de Setembro de 1922 na Grécia, queda do governo de David Lloyd George no Reino Unido, Tratado de Lausanne. | ||
| Mudanças territoriais | Terras cedidas inicialmente à Grécia e que pertenciam ao Império Otomano são devolvidas à República da Turquia. Troca de populações entre os dois países. | ||
| Beligerantes | |||
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| Baixas | |||
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A Guerra Greco-Turca de 1919–1922, também chamada de Guerra da Ásia Menor ou campanha grega da guerra de independência turca, foi uma série de confrontos militares ocorridos entre maio de 1919 e outubro de 1922, durante a partilha do Império Otomano, ocorrida ao término da Primeira Guerra Mundial. A guerra foi travada entre a Grécia e os revolucionários turcos do Movimento Nacional Turco, que posteriormente fundaria a República da Turquia
A campanha grega foi iniciada depois que os Aliados, especialmente o primeiro-ministro britânico David Lloyd George, haviam prometido à Grécia território que pertencia ao Império Otomano. Ao fim da guerra a Grécia foi forçada a devolver todos os territórios conquistados durante o confronto, e iniciou um processo de troca de populações com a recém-fundada República da Turquia, de acordo com o Tratado de Lausanne — processo que deixou marcas nas sociedades dos países, e acirrou ainda mais as rivalidades já existentes.
Antecedentes
Contexto geopolítico

O contexto geopolítico deste conflito está ligado à partilha do Império Otomano, que foi uma consequência direta da Primeira Guerra Mundial e do envolvimento dos otomanos no teatro do Médio Oriente. Os gregos receberam da Tríplice Entente a ordem para desembarcar em Esmirna como parte da partilha. Durante esta guerra, o governo otomano ruiu completamente e o Império Otomano foi dividido entre as potências vitoriosas da Entente com a assinatura do Tratado de Sèvres a 10 de agosto de 1920.
Existiram vários acordos secretos relativos à partilha do Império Otomano no final da Primeira Guerra Mundial. A Tríplice Entente fizera promessas contraditórias sobre os arranjos do pós-guerra no que dizia respeito às aspirações gregas na Ásia Menor.[7]
Os Aliados ocidentais, nomeadamente o Primeiro-Ministro britânico David Lloyd George, tinham prometido à Grécia ganhos territoriais à custa do Império Otomano se a Grécia entrasse na guerra do lado dos Aliados.[8] Estes incluíam a Trácia Oriental, as ilhas de Imbros (İmroz, desde 29 de julho de 1979 Gökçeada) e Tenedos (Bozcaada), e partes da Anatólia ocidental em redor da cidade de Esmirna, que albergavam populações consideráveis de etnia grega.
O repúdio italiano e anglo-francês do Acordo de Saint-Jean-de-Maurienne, assinado a 26 de abril de 1917, o qual estabelecia os "interesses no Médio Oriente" de Itália, foi anulado com a ocupação grega, uma vez que Esmirna fazia parte do território prometido a Itália. Antes da ocupação, a delegação italiana na Conferência de Paz de Paris em 1919, irritada com a possibilidade da ocupação grega da Anatólia Ocidental, abandonou a conferência e não regressou a Paris até ao dia 5 de maio. A ausência da delegação italiana na Conferência acabou por facilitar os esforços de Lloyd George para persuadir a França e os Estados Unidos a apoiarem a Grécia e a impedirem operações italianas na Anatólia Ocidental.
Segundo alguns historiadores, foi a ocupação grega de Esmirna que criou o movimento nacional turco. Arnold J. Toynbee argumenta: "A guerra entre a Turquia e a Grécia que rebentou nesta altura foi uma guerra defensiva para salvaguardar as pátrias turcas na Anatólia. Foi um resultado da política aliada de imperialismo a atuar num Estado estrangeiro, cujos recursos e poderes militares foram gravemente subestimados; foi provocada pela invasão injustificada de um exército de ocupação grego."[9] Segundo outros, o desembarque das tropas gregas em Esmirna fazia parte do plano de Elefthérios Venizélos, inspirado pela Megáli Idea, para libertar as vastas populações gregas na Ásia Menor.[10] Antes do Grande Incêndio de Esmirna, Esmirna tinha uma população grega superior à da capital grega, Atenas. Atenas, antes da troca de populações entre a Grécia e a Turquia, tinha uma população de 473.000 habitantes,[11] enquanto a kaza (distrito) central de Esmirna, de acordo com o censo otomano de 1914, possuía uma população grega de 73.676. Todo o Vilayet de Aidin (incluindo as modernas províncias de Esmirna, Manisa, Aydın e Denizli) tinha uma população grega de 299.096, ao passo que o sanjaco (subprovíncia) de Muğla contabilizava uma população grega de 19.923 habitantes.[12]
A comunidade grega na Anatólia
| Distribuição de nacionalidades no Império Otomano (Anatólia),[13] Estatísticas Oficiais Otomanas, 1910 | |||||||
| Províncias | Turcos | Gregos | Arménios | Judeus | Outros | Total | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Istambul (margem asiática) | 135.681 | 70.906 | 30.465 | 5.120 | 16.812 | 258.984 | |
| İzmit | 184.960 | 78.564 | 50.935 | 2.180 | 1.435 | 318.074 | |
| Aydın (Esmirna) | 974.225 | 629.002 | 17.247 | 24.361 | 58.076 | 1.702.911 | |
| Bursa | 1.346.387 | 274.530 | 87.932 | 2.788 | 6.125 | 1.717.762 | |
| Konya | 1.143.335 | 85.320 | 9.426 | 720 | 15.356 | 1.254.157 | |
| Ancara | 991.666 | 54.280 | 101.388 | 901 | 12.329 | 1.160.564 | |
| Trebizonda | 1.047.889 | 351.104 | 45.094 | – | – | 1.444.087 | |
| Sivas | 933.572 | 98.270 | 165.741 | – | – | 1.197.583 | |
| Kastamonu | 1.086.420 | 18.160 | 3.061 | – | 1.980 | 1.109.621 | |
| Adana | 212.454 | 88.010 | 81.250 | – | 107.240 | 488.954 | |
| Biga | 136.000 | 29.000 | 2.000 | 3.300 | 98 | 170.398 | |
| Total % | 8.192.589 75,7% | 1.777.146 16,4% | 594.539 5,5% | 39.370 0,4% | 219.451 2,0% | 10.823.095 | |
| Estatísticas do Patriarcado Ecuménico, 1912 | |||||||
| Total % | 7.048.662 72,7% | 1.788.582 18,5% | 608.707 6,3% | 37.523 0,4% | 218.102 2,3% | 9.695.506 | |
Uma das razões propostas pelo governo grego para o lançamento da expedição à Ásia Menor foi a existência de uma considerável população cristã ortodoxa de língua grega habitando a Anatólia, que necessitava de proteção. Os gregos viviam na Ásia Menor desde a antiguidade e, em 1912, havia 2,5 milhões de gregos no Império Otomano.[14] O Censo Otomano de 1906–1907 apresenta um número superior, estimando a população greco-ortodoxa total do império (incluindo albaneses ortodoxos, falantes de línguas eslavas (Grecomanos), valáquios e cristãos árabes ortodoxos) em 2.823.063 habitantes.[15] De acordo com o Censo otomano de 1914, a população greco-ortodoxa do Império Otomano, após a perda das suas províncias nas regiões dos Balcãs e das Ilhas do Egeu, era de 1.729.738 (incluindo 188.047 cristãos árabes ortodoxos dos territórios correspondentes às atuais Síria, Líbano e Israel).[15] A sugestão de que os gregos constituíam a maioria da população nas terras reclamadas pela Grécia tem sido contestada por vários historiadores. Cedric James Lowe e Michael L. Dockrill também argumentaram que as reivindicações gregas sobre Esmirna eram, na melhor das hipóteses, discutíveis, uma vez que os gregos constituíam possivelmente uma escassa maioria, ou mais provavelmente uma grande minoria no Vilayet de Esmirna, "o qual se situava numa Anatólia esmagadoramente turca."[16] A demografia precisa é ainda mais obscurecida pela política otomana de dividir a população de acordo com a religião em vez da ascendência, língua ou autoidentificação. Por outro lado, estatísticas britânicas e americanas da época (1919) apoiam a tese de que o elemento grego era o mais numeroso na região de Esmirna, contando 375.000 pessoas, enquanto os muçulmanos seriam 325.000.[17][18]
O Primeiro-Ministro grego, Venizélos, declarou a um jornal britânico que "a Grécia não está a fazer a guerra contra o Islão, mas contra o anacrónico governo otomano e a sua administração corrupta, ignominiosa e sanguinária, com vista a expulsá-lo daqueles territórios onde a maioria da população é constituída por gregos."[19]
Até certo ponto, o perigo supramencionado pode ter sido exagerado por Venizélos como um trunfo de negociação na mesa de Sèvres, a fim de obter o apoio dos governos aliados. Por exemplo, os Jovens Turcos não estavam no poder à época da guerra, o que torna essa justificação menos direta. A maioria dos líderes daquele regime tinha fugido do país no final da Primeira Guerra Mundial e o governo otomano em Constantinopla já estava sob controlo britânico. Além disso, Venizélos já havia revelado os seus desejos de anexação de territórios do Império Otomano nas fases iniciais da Primeira Guerra Mundial, antes destas atrocidades terem ocorrido. Numa carta enviada ao rei Constantino da Grécia em janeiro de 1915, escreveu que: "Tenho a impressão de que as concessões à Grécia na Ásia Menor... seriam tão extensas que outra Grécia igualmente grande e não menos rica será adicionada à Grécia duplicada que emergiu das vitoriosas guerras balcânicas."[20]
Através do seu fracasso, a invasão grega pode ter, em vez disso, exacerbado as atrocidades que supostamente deveria prevenir. Arnold J. Toynbee culpou as políticas seguidas pela Grã-Bretanha e pela Grécia, bem como as decisões da conferência de Paz de Paris, como fatores que conduziram às atrocidades cometidas por ambos os lados durante e após a guerra: "Os gregos do 'Ponto' e os turcos dos territórios ocupados pelos gregos foram, em certa medida, vítimas dos erros de cálculo originais do Sr. Venizélos e do Sr. Lloyd George em Paris."[21]
Irredentismo grego

Uma das principais motivações para iniciar a guerra foi a concretização da Megáli Idea (Grande Ideia), um conceito central do nacionalismo grego. A Megáli Idea era uma visão irredentista de uma restauração de uma Grande Grécia em ambos os lados do mar Egeu que incorporaria territórios com populações gregas fora das fronteiras do Reino da Grécia, o qual era inicialmente muito pequeno — cerca de metade do tamanho da atual República Helénica. Desde a época da independência grega do Império Otomano em 1830, a Megáli Idea tinha desempenhado um papel fundamental na política grega. Políticos gregos, desde a independência do Estado grego, tinham proferido vários discursos sobre a questão da "inevitabilidade histórica da expansão do Reino Grego."[22] Por exemplo, o político grego Ioánnis Koléttis expressou esta convicção na assembleia em 1844: "Existem dois grandes centros do Helenismo. Atenas é a capital do Reino. Constantinopla é a grande capital, a Cidade, o sonho e a esperança de todos os gregos."[23][24]
A Grande Ideia não era meramente o produto do nacionalismo do século XIX. Estava, num dos seus aspetos, profundamente enraizada na consciência religiosa de muitos gregos. Este aspeto era a recuperação de Constantinopla para a Cristandade e o restabelecimento do Império Bizantino cristão que tinha caído em 1453. "Desde essa época, a recuperação de Santa Sofia e da Cidade tem sido transmitida de geração em geração como o destino e a aspiração dos gregos ortodoxos."[22] A Megáli Idea, além de Constantinopla, incluía a maior parte das terras tradicionais dos gregos, nomeadamente Creta, Tessália, Epiro, Macedónia, Trácia, as Ilhas do Egeu, Chipre, as zonas costeiras da Ásia Menor e o Ponto no Mar Negro. A Ásia Menor era uma parte essencial do mundo grego e uma área de duradoura dominância cultural grega. Na antiguidade, desde o final da Idade do Bronze até à conquista romana, as cidades-Estado gregas chegaram a exercer o controlo político sobre a maior parte da região, exceto no período c. 550–470 a.C., quando a mesma fez parte do Império Persa Aqueménida. Mais tarde, durante a Idade Média, a região pertenceu ao Império Bizantino até ao século XII, altura em que as primeiras incursões dos Turcos seljúcidas a atingiram.
O Cisma Nacional na Grécia
O Cisma Nacional na Grécia consistiu numa profunda rutura na política e na sociedade gregas entre duas fações, uma liderada por Elefthérios Venizélos e a outra pelo Rei Constantino. Este conflito antecedeu a Primeira Guerra Mundial, mas agravou-se significativamente devido à decisão sobre qual o lado que a Grécia deveria apoiar durante a guerra.[25]
O Reino Unido esperava que considerações estratégicas pudessem persuadir Constantino a juntar-se à causa dos Aliados, mas o Rei e os seus apoiantes insistiram numa estrita neutralidade, especialmente enquanto o desfecho do conflito fosse difícil de prever. Além disso, laços familiares e laços emocionais dificultavam a Constantino a decisão sobre que lado apoiar durante a Primeira Guerra Mundial. O dilema do Rei agudizou-se ainda mais quando os otomanos e os Búlgaros, tendo ambos queixas e aspirações contra o Reino da Grécia, se juntaram às Potências Centrais.[26]
Apesar de Constantino se ter mantido decididamente neutro, o Primeiro-Ministro da Grécia, Elefthérios Venizélos, tinha decidido desde cedo que os interesses da Grécia seriam mais bem servidos juntando-se à Entente e iniciou diligências diplomáticas com os Aliados para preparar o terreno com vista a obter concessões após uma eventual vitória. O desacordo e a subsequente demissão de Venizélos pelo Rei resultaram numa profunda cisão pessoal entre os dois, que alastrou aos seus seguidores e à sociedade grega em geral. A Grécia ficou dividida em dois campos políticos radicalmente opostos, uma vez que Venizélos estabeleceu um estado separado no Norte da Grécia e, por fim, com o apoio dos Aliados, forçou o Rei a abdicar. Em maio de 1917, após o exílio de Constantino, Venizélos regressou a Atenas e aliou-se à Entente. Forças militares gregas (embora divididas entre apoiantes da monarquia e defensores do "Venizelismo") começaram a tomar parte em operações militares contra o Exército Búlgaro na fronteira.[26]
O ato de entrar na guerra e os acontecimentos precedentes resultaram numa profunda divisão política e social na Grécia do pós-Primeira Guerra Mundial. As principais formações políticas do país, os Liberais Venizelistas e os Monárquicos, já envolvidos numa longa e amarga rivalidade na política pré-guerra, chegaram a um estado de ódio declarado de uns para com os outros. Ambos os partidos viam as ações do outro durante a Primeira Guerra Mundial como politicamente ilegítimas e traidoras. Esta inimizade espalhou-se inevitavelmente por toda a sociedade grega, criando uma profunda fenda que contribuiu decisivamente para o fracasso da campanha da Ásia Menor e resultou em grande agitação social nos anos entre guerras.[27]
Expansão grega

O aspeto militar da guerra começou com o Armistício de Mudros. As operações militares da Guerra Greco-Turca podem ser divididas de forma aproximada em três fases principais: a primeira fase, abrangendo o período de maio de 1919 a outubro de 1920, compreendeu os desembarques gregos na Ásia Menor e a sua consolidação ao longo da costa do Mar Egeu. A segunda fase durou de outubro de 1920 a agosto de 1921 e caracterizou-se por operações ofensivas gregas. A terceira e última fase durou até agosto de 1922, quando a iniciativa estratégica passou a ser detida pelo Exército Turco.[carece de fontes]
Desembarque em Esmirna (maio de 1919)


A 15 de maio de 1919, vinte mil[28] soldados gregos desembarcaram em Esmirna e assumiram o controlo da cidade e das suas imediações a coberto das marinhas grega, francesa e britânica. As justificações legais para os desembarques encontravam-se no Artigo 7 do Armistício de Mudros, que permitia aos Aliados "ocupar quaisquer pontos estratégicos na eventualidade do surgimento de qualquer situação que ameace a segurança dos Aliados".[29] Os gregos já tinham levado as suas forças para a Trácia Oriental (à exceção de Constantinopla e da sua região).
A população cristã de Esmirna (principalmente gregos e arménios), de acordo com diferentes fontes, era quase igual[16][30] ou superior[31] à população turca muçulmana da cidade. O exército grego incluía 2.500 voluntários arménios.[32] A maioria da população grega que residia na cidade saudou as tropas gregas como libertadoras.[33]
Ofensivas gregas de verão (Verão de 1920)

Durante o verão de 1920, o exército grego lançou uma série de ofensivas bem-sucedidas nas direções do Vale do Rio Büyük Menderes (Meandro), Bursa (Prusa) e Alaşehir (Filadélfia). O objetivo estratégico global destas operações, que se depararam com uma resistência turca cada vez mais rígida, era fornecer profundidade estratégica à defesa de Esmirna. Com esse fim, a zona de ocupação grega foi estendida a toda a Anatólia Ocidental e à maior parte da Anatólia Noroeste.
Tratado de Sèvres (agosto de 1920)

Em troca da contribuição do exército grego do lado dos Aliados, os Aliados apoiaram a atribuição da Trácia Oriental e do millet de Esmirna à Grécia. Este tratado pôs fim à Primeira Guerra Mundial na Ásia Menor e, ao mesmo tempo, selou o destino do Império Otomano. Daí em diante, o Império Otomano deixaria de ser uma potência europeia.
A 10 de agosto de 1920, o Império Otomano assinou o Tratado de Sèvres, cedendo a Trácia à Grécia, até às linhas de Çatalca. Mais importante ainda, a Turquia renunciou a favor da Grécia a todos os direitos sobre Imbros e Tenedos, mantendo os pequenos territórios de Constantinopla, as ilhas do Mar de Mármara e "uma minúscula faixa de território europeu". Os Estreitos do Bósforo foram colocados sob uma Comissão Internacional, uma vez que estavam agora abertos a todos.
Além disso, a Turquia foi forçada a transferir para a Grécia "o exercício dos seus direitos de soberania" sobre Esmirna, além de "um considerável hinterland, retendo meramente uma 'bandeira sobre um forte exterior'." Embora a Grécia administrasse o enclave de Esmirna, a sua soberania permanecia, nominalmente, nas mãos do Sultão. De acordo com as disposições do Tratado, Esmirna deveria manter um parlamento local e, se no prazo de cinco anos pedisse para ser incorporada no Reino da Grécia, estava previsto que a Liga das Nações realizaria um plebiscito para decidir sobre tais assuntos.
O tratado nunca foi ratificado nem pelo Império Otomano[34][35] nem pela Grécia.[36][37][38]
Avanço grego (outubro de 1920)
Em outubro de 1920, o exército grego avançou ainda mais para o leste, para o interior da Anatólia, com o encorajamento de Lloyd George, que pretendia aumentar a pressão sobre os governos turco e otomano para que assinassem o Tratado de Sèvres. Este avanço começou sob o governo liberal de Elefthérios Venizélos, mas, logo após o início da ofensiva, Venizélos caiu do poder e foi substituído por Dimítrios Gúnaris. O objetivo estratégico destas operações era derrotar os nacionalistas turcos e forçar Mustafa Kemal a encetar negociações de paz. Os gregos em avanço, ainda mantendo a superioridade em número e em equipamento moderno nesta altura, esperavam uma batalha precoce na qual estavam confiantes em desbaratar as forças turcas mal equipadas. No entanto, depararam-se com pouca resistência, uma vez que os turcos conseguiram retirar-se de forma ordenada e evitar o cerco. Churchill afirmou: "As colunas gregas arrastaram-se ao longo das estradas rurais passando em segurança através de muitos desfiladeiros feios, e à sua aproximação os turcos, sob uma liderança forte e sagaz, desvaneceram-se nos recônditos da Anatólia."[39]
Mudança no governo grego (novembro de 1920)
Durante o mês de outubro de 1920, o Rei Alexandre, que tinha sido instalado no trono grego a 11 de junho de 1917, quando o seu pai Constantino foi forçado ao exílio pelos Venizelistas, foi mordido por um macaco mantido nos Jardins Reais e morreu dias depois de septicemia.[40][41] Tendo o Rei Alexandre morrido sem herdeiros, as eleições legislativas marcadas para 1 de novembro de 1920 tornaram-se subitamente o foco de um novo conflito entre os apoiantes de Venizélos e os Monárquicos. A fação anti-Venizelista baseou a sua campanha em acusações de má gestão interna e atitudes autoritárias por parte do governo, o qual, devido à guerra, permanecera no poder sem eleições desde 1915. Em simultâneo, promoveram a ideia de desvinculação na Ásia Menor, sem, contudo, apresentar um plano claro sobre como isso iria acontecer. Em contrapartida, Venizélos identificava-se com o prosseguimento de uma guerra que parecia não levar a lado nenhum. A maioria do povo grego estava cansada da guerra e do regime quase ditatorial dos Venizelistas, pelo que optou pela mudança. Para surpresa de muitos, Venizélos conquistou apenas 118 dos 369 lugares no parlamento. A derrota esmagadora obrigou Venizélos e vários dos seus apoiantes mais próximos a abandonarem o país. Ainda hoje é questionada a sua justificação para convocar eleições naquela altura.
O novo governo sob o comando de Dimítrios Gúnaris preparou-se para realizar um plebiscito sobre o regresso do Rei Constantino.
Um mês depois, um plebiscito apelou ao regresso do Rei Constantino. Logo após o seu regresso, o Rei substituiu muitos dos oficiais Venizelistas da Primeira Guerra Mundial e nomeou oficiais monárquicos inexperientes para cargos superiores. A liderança da campanha foi entregue a Anastasios Papoulas, enquanto o próprio Rei Constantino assumiu nominalmente o comando global. O Alto Comissário em Esmirna, Aristeidis Stergiadis, não foi, contudo, destituído.
Os governos britânico e francês prometeram aos gregos 850 milhões de francos de ouro,[42] mas devido à mudança de governo na Grécia e às pesadas baixas na Cilícia, o governo francês suspendeu o apoio aos gregos até um curto período entre a Batalha de Kütahya-Eskişehir e o fim da Batalha de Sakarya.[43] O governo britânico também estava apreensivo, mas preferiu aguardar. Os gregos, com receio de perder o apoio dos britânicos, não destituíram alguns oficiais Venizelistas, e a Grã-Bretanha continuou a prometer os 850 milhões de francos de ouro.[42]
Ofensiva de Gediz
Após a ofensiva de verão de 1920, as forças irregulares turcas atacaram o Exército Grego que se encontrava sob o comando de Constantinos Matenas.[44] Apesar de a ofensiva ter sido bem-sucedida, a oportunidade de cercar e destruir a 13.ª Divisão de Infantaria da Grécia (a divisão contava com perto de 15.000 homens) perdeu-se devido aos comportamentos arbitrários das Kuva-yi Seyyare sob o comando de Çerkes Ethem. Por causa destes eventos, a Grande Assembleia Nacional dos Nacionalistas Turcos começou a criar uma força regular. As forças regulares só viriam a perder a Batalha de Kütahya-Eskişehir contra as Forças Armadas Gregas.[45]
Batalhas de İnönü (dezembro de 1920 – março de 1921)

Em dezembro de 1920, os gregos já tinham avançado em duas frentes, aproximando-se de Eskişehir pelo Noroeste e a partir de Esmirna, consolidando a sua zona de ocupação. No início de 1921, retomaram o seu avanço com incursões de reconhecimento em pequena escala que depararam com uma rígida resistência por parte dos nacionalistas turcos entrincheirados, os quais estavam cada vez mais bem preparados e equipados como um exército regular.
O avanço grego foi travado pela primeira vez na Primeira Batalha de İnönü a 11 de janeiro de 1921. Embora se tenha tratado de um confronto menor envolvendo apenas uma divisão grega, revestiu-se de significado político para os jovens revolucionários turcos. Este desenvolvimento levou a propostas aliadas para emendar o Tratado de Sèvres numa conferência em Londres onde estiveram representados os governos revolucionário turco e otomano.
Embora se tenham alcançado alguns acordos com a Itália, França e Grã-Bretanha, as decisões não foram aceites pelo governo grego, que acreditava ainda reter a vantagem estratégica e que poderia ainda negociar a partir de uma posição mais forte. Os gregos iniciaram um novo ataque a 27 de março, a Segunda Batalha de İnönü, onde as tropas turcas resistiram ferozmente e travaram finalmente os gregos a 30 de março. O governo britânico apoiou os gregos com um obus de 6 polegadas durante a Segunda Batalha de İnönü.[46] As forças turcas receberam assistência em armamento da Rússia Soviética.[47]

Mudança de apoio a favor do movimento nacional turco
Por esta altura, todas as outras frentes já tinham sido resolvidas a favor dos turcos, libertando mais recursos para a principal ameaça que representava o Exército Grego. A França e a Itália celebraram acordos privados com os revolucionários turcos em reconhecimento da sua força crescente.[48] Viam a Grécia como um cliente britânico e vendiam equipamento militar aos turcos. O novo governo bolchevique russo tornou-se amigável para com os revolucionários turcos, como demonstrado no Tratado de Moscovo (1921). Os bolcheviques apoiaram Mustafa Kemal e as suas forças com dinheiro e munições.[49][50] Só em 1920, a Rússia bolchevique forneceu aos kemalistas 6 000 espingardas, mais de 5 milhões de cartuchos de espingarda e 17 600 granadas, bem como 200,6 kg (442,2 lb) de barras de ouro. Nos dois anos subsequentes, o montante da ajuda aumentou.[51]
Batalha de Afyonkarahisar-Eskişehir (julho de 1921)

Entre 27 de junho e 20 de julho de 1921, um exército grego reforçado de nove divisões lançou uma grande ofensiva, a maior até então, contra as tropas turcas comandadas por İsmet İnönü na linha de Afyonkarahisar-Kütahya-Eskişehir. O plano dos gregos consistia em cortar a Anatólia em dois, dado que as cidades supramencionadas se situavam nas principais vias ferroviárias que ligavam o interior à costa. Eventualmente, após quebrarem a tenaz defesa turca, ocuparam estes centros de importância estratégica. Em vez de perseguir e paralisar de forma decisiva a capacidade militar dos nacionalistas, o Exército Grego parou. Consequentemente, e apesar da derrota, os turcos conseguiram evitar o cerco e efetuaram uma retirada estratégica a leste do rio Sakarya, onde organizaram a sua última linha de defesa.
Esta foi a grande decisão que selou o destino da campanha grega na Anatólia. A liderança do estado e do exército, incluindo o Rei Constantino, o Primeiro-Ministro Dimítrios Gúnaris e o General Anastasios Papoulas, reuniram-se em Kütahya, onde debateram o futuro da campanha. Os gregos, com o seu moral vacilante agora rejuvenescido, não souberam avaliar a situação estratégica que favorecia a fação defensora; em vez disso, pressionada para uma "solução final", a liderança polarizou-se na arriscada decisão de perseguir os turcos e atacar a sua última linha de defesa perto de Ancara. A liderança militar mostrou-se cautelosa e pediu mais reforços e tempo para se preparar, mas não se opôs aos políticos. Apenas algumas vozes apoiaram uma postura defensiva, incluindo Ioánnis Metaxás. Por esta altura, Constantino detinha pouco poder real e não argumentou a favor de nenhum dos lados. Após um atraso de quase um mês, que deu tempo aos turcos para organizarem a sua defesa, sete das divisões gregas atravessaram para leste do rio Sakarya.
Batalha de Sakarya (agosto e setembro de 1921)

No seguimento da retirada das tropas turcas sob o comando de İsmet İnönü na batalha de Kütahya-Eskişehir, o Exército Grego avançou de novo até ao rio Sakarya (Sangários em grego), a menos de 100 quilômetros (62 mi) a oeste de Ancara. O grito de guerra de Constantino era "para Angira" e os oficiais britânicos foram convidados, por antecipação, para um jantar de vitória na cidade de Kemal.[52] Previa-se que os Revolucionários Turcos, que tinham evitado consistentemente o cerco, fossem atraídos para a batalha em defesa da sua capital e destruídos numa guerra de desgaste.
Apesar da ajuda soviética, os abastecimentos escasseavam à medida que o exército turco se preparava para enfrentar os gregos. Os proprietários de espingardas, armas e munições privadas tiveram de as entregar ao exército e foi exigido a todas as famílias que fornecessem um par de roupas interiores e sandálias.[53] Entretanto, o parlamento turco, insatisfeito com o desempenho de İsmet İnönü enquanto Comandante da Frente Ocidental, pretendia que Mustafa Kemal e o Chefe do Estado-Maior General Fevzi Çakmak assumissem o controlo.

As forças gregas marcharam 200 quilômetros (120 mi) durante uma semana através do deserto para alcançar as posições de ataque, pelo que os turcos as puderam ver chegar. Os mantimentos alimentares consistiam em 40 toneladas de pão e sal, açúcar e chá; o restante teria de ser encontrado no caminho.[54]
O avanço do Exército Grego deparou-se com uma resistência feroz que culminou na Batalha de Sakarya (23 de agosto – 13 de setembro de 1921), a qual durou 21 dias. As posições de defesa turcas estavam centradas numa série de elevações, e os gregos tiveram de as tomar de assalto e ocupá-las. Os turcos dominaram certos topos de colinas e perderam outros, ao passo que alguns foram perdidos e recapturados várias vezes. Ainda assim, os turcos precisavam de conservar os seus homens, pois os gregos detinham a vantagem numérica.[55] O momento crucial chegou quando o exército grego tentou tomar Haymana, 40 quilômetros (25 mi) a sul de Ancara, mas os turcos resistiram. Os avanços gregos para a Anatólia tinham alongado as suas linhas de abastecimento e comunicação, e as munições começavam a faltar. A ferocidade da batalha esgotou ambos os lados, mas os gregos foram os primeiros a retirar para as suas linhas anteriores. O troar dos canhões ouviu-se claramente em Ancara durante toda a batalha.
Esse foi o ponto mais longínquo na Anatólia até onde os gregos avançariam e, poucas semanas depois, retiraram-se de forma ordeira para as linhas que ocupavam em junho. O Parlamento turco concedeu a Mustafa Kemal e a Fevzi Çakmak o título de Marechal de campo pelo serviço prestado nesta batalha. Até aos dias de hoje, nenhuma outra pessoa recebeu este título de general de cinco estrelas por parte da República Turca.
Impasse (setembro de 1921 – agosto de 1922)

Tendo falhado em alcançar uma solução militar, a Grécia apelou à ajuda dos Aliados. No entanto, no início de 1922, a Grã-Bretanha, a França e a Itália decidiram que o Tratado de Sèvres não poderia ser aplicado e tinha de ser revisto. Em conformidade com esta decisão, e ao abrigo de tratados sucessivos, as tropas italianas e francesas evacuaram as suas posições, deixando os gregos expostos.
Em março de 1922, os Aliados propuseram um armistício. Sentindo que agora detinha a vantagem estratégica, Mustafa Kemal recusou qualquer acordo enquanto os gregos permanecessem na Anatólia e intensificou os seus esforços para reorganizar o exército turco para a ofensiva final contra os gregos. Simultaneamente, os gregos fortaleceram as suas posições defensivas, mas encontravam-se cada vez mais desmoralizados com a inatividade de permanecerem na defensiva e com o prolongamento da guerra. O governo grego estava desesperado por obter algum apoio militar por parte dos britânicos ou, pelo menos, garantir um empréstimo, pelo que delineou um plano mal concebido para forçar os britânicos diplomaticamente, ameaçando as suas posições em Constantinopla. Porém, isto nunca se materializou. A ocupação de Constantinopla teria sido uma tarefa fácil nesta altura porque as tropas aliadas ali aquarteladas eram em número muito inferior ao das forças gregas na Trácia (duas divisões). O resultado, contudo, foi, em vez disso, o enfraquecimento das defesas gregas em Esmirna ao retirar tropas. Em contrapartida, as forças turcas receberam assistência significativa por parte da Rússia Soviética. A 29 de abril, as autoridades soviéticas forneceram ao cônsul turco quantidades cruciais de armas e munições, suficientes para três divisões turcas. A 3 de maio, o governo soviético entregou 33 500 000 rublos de ouro à Turquia — o saldo do crédito de 10 000 000 rublos de ouro.[56]
As vozes na Grécia exigiam de forma crescente a retirada, e uma propaganda desmoralizadora espalhou-se entre as tropas. Alguns dos oficiais venizelistas afastados organizaram um movimento de "Defesa Nacional" e planearam um golpe de estado para se separarem de Atenas, mas nunca obtiveram a aprovação de Venizélos e todas as suas ações resultaram infrutíferas.
O historiador Malcolm Yapp escreveu que:[57]
Após o fracasso das negociações de março, o curso de ação óbvio para os gregos seria recuarem para linhas defensáveis em redor de Esmirna. No entanto, foi neste ponto que a fantasia começou a ditar a política grega: os gregos permaneceram nas suas posições e planearam apoderar-se de Constantinopla, embora este último projeto tenha sido abandonado em julho perante a oposição dos Aliados.
Contra-ataque turco
Dumlupınar

Os turcos lançaram um contra-ataque a 26 de agosto, o qual veio a ser conhecido pelos turcos como a "Grande Ofensiva" (Büyük Taarruz). As principais posições de defesa gregas foram invadidas a 26 de agosto, e Afyon caiu no dia seguinte. A 30 de agosto, o exército grego foi derrotado de forma decisiva na Batalha de Dumlupınar, com muitos dos seus soldados capturados ou mortos e uma grande parte do seu equipamento perdida.[58] Esta data é celebrada como o Dia da Vitória, um feriado nacional na Turquia e dia da salvação de Kütahya. Durante a batalha, os generais gregos Nikolaos Trikoupis e Kimon Digenis foram capturados pelas forças turcas.[59] O general Trikoupis só soube após a sua captura que tinha sido recentemente nomeado Comandante-em-chefe no lugar do general Hatzianestis. De acordo com o Estado-Maior do Exército Grego, os majores-generais Nikolaos Trikoupis e Kimon Digenis renderam-se a 30 de agosto de 1922 junto à aldeia de Karaja Hissar, devido à falta de munições, alimentos e abastecimentos.[60] Em 1 de setembro, Mustafa Kemal emitiu a sua famosa ordem para o exército turco: "Exércitos, o vosso primeiro objetivo é o Mediterrâneo, em frente!"[58] Após a derrota do exército grego em Dumlupınar, os soldados gregos prosseguiram uma política de "terra arrasada" durante a retirada.[61]
Avanço turco sobre Esmirna
A 2 de setembro, Eskişehir foi capturada e o governo grego pediu à Grã-Bretanha que arranjasse uma trégua que, pelo menos, preservasse o seu domínio em Esmirna. No entanto, Mustafa Kemal Atatürk tinha recusado categoricamente reconhecer sequer uma ocupação grega temporária de Esmirna, chamando-lhe uma ocupação estrangeira, e seguiu antes uma política militar agressiva.[62] Balıkesir e Bilecik foram tomadas a 6 de setembro, e Aydın no dia seguinte. Manisa foi tomada a 8 de setembro. O governo em Atenas demitiu-se. A estrada de Uşak até Esmirna encheu-se de cadáveres turcos.[61] A cavalaria turca entrou em Esmirna a 9 de setembro. Gemlik e Mudanya caíram a 11 de setembro, com a rendição de uma divisão grega inteira. A expulsão do Exército Grego da Anatólia foi concluída a 18 de setembro. Tal como o historiador George Lenczowski colocou a questão: "Uma vez iniciada, a ofensiva foi um sucesso deslumbrante. No espaço de duas semanas os turcos empurraram o exército grego de volta para o Mar Mediterrâneo."[63]
Entrada do exército turco comandado por Mustafa Kemal Paxá em Esmirna (İzmir) a 9 de setembro de 1922
Comandantes Militares Turcos na sede do Governador de Esmirna na manhã de 10 de setembro de 1922
O Comandante-em-chefe Muxir Mustafa Kemal Paxá chega a Esmirna com o Muxir Fevzi Paxá e o Ajudante de campo Major Salih Bey a 10 de setembro de 1922.
Mirliva Fahrettin Paxá na sua primeira visita a Esmirna com os comandantes turcos

As vanguardas da cavalaria turca entraram nos arredores de Esmirna a 9 de setembro. No mesmo dia, o quartel-general grego tinha evacuado a cidade. A cavalaria turca cavalgou para o interior da cidade por volta das onze horas da manhã de sábado, 9 de setembro.[64][65] Em 10 de setembro, face à possibilidade de desordem social, Mustafa Kemal foi lesto em emitir uma proclamação, condenando à morte qualquer soldado turco que fizesse mal a não-combatentes.[66] Alguns dias antes da captura da cidade pelos turcos, os mensageiros de Mustafa Kemal distribuíram panfletos com esta ordem escrita em grego. Mustafa Kemal afirmou que o governo de Ancara não seria responsabilizado por qualquer ocorrência de massacre.[67] A cavalaria turca não se envolveu em nenhum conflito com civis cristãos.[61]
A 13 de setembro, os bairros grego e arménio da cidade foram incendiados, enquanto os bairros turcos, assim como o judeu, permaneceram intactos.[68] Foram cometidas atrocidades contra as populações grega e arménia, e as suas propriedades foram pilhadas. A maioria dos relatos de testemunhas oculares identificou tropas do exército turco como tendo deitado fogo à cidade.[69][70]
Crise de Chanak
Após recapturar Esmirna, as forças turcas dirigiram-se para norte, para o Bósforo, o Mar de Mármara e os Dardanelos, onde as guarnições aliadas foram reforçadas por tropas britânicas, francesas e italianas vindas de Constantinopla.[62] Numa entrevista com George Ward Price, publicada no Daily Mail a 15 de setembro, Mustafa Kemal afirmou que: "As nossas exigências permanecem as mesmas depois da nossa recente vitória como eram antes. Pedimos a Ásia Menor, a Trácia até ao rio Maritsa e Constantinopla... Temos de ter a nossa capital e eu deverei, nesse caso, ser obrigado a marchar sobre Constantinopla com o meu exército, o que será um assunto de apenas alguns dias. Eu devo preferir obter a posse através de negociação, embora, naturalmente, não possa esperar indefinidamente."[71]
Por esta altura, vários oficiais turcos foram enviados para se infiltrarem secretamente em Constantinopla para ajudar a organizar a população turca residente na cidade, na eventualidade de uma guerra. Por exemplo, Ernest Hemingway, que era na altura correspondente de guerra para o jornal Toronto Star, relatou que:[72]
| “ | "Noutra noite um contratorpedeiro [britânico]... parou um barco cheio de mulheres turcas que estavam a atravessar vindas da Ásia Menor... Ao serem revistadas em busca de armas verificou-se que todas as mulheres eram homens. Estavam todos armados e mais tarde provou-se serem oficiais kemalistas enviados para organizar a população turca nos subúrbios em caso de um ataque a Constantinopla" | ” |
O gabinete britânico decidiu inicialmente resistir aos turcos se necessário nos Dardanelos e pedir ajuda francesa e italiana para permitir que os gregos permanecessem na Trácia oriental.[73] O governo britânico também emitiu um pedido de apoio militar aos seus Domínios. A resposta dos Domínios foi negativa (com a exceção da Nova Zelândia). Forças italianas e francesas abandonaram as suas posições nos estreitos e deixaram os britânicos sozinhos a enfrentar os turcos.
Em 24 de setembro, as tropas de Mustafa Kemal moveram-se para as zonas dos estreitos e recusaram os pedidos britânicos para que saíssem. O gabinete britânico dividiu-se sobre a matéria, mas acabou por se prevenir qualquer possível conflito armado. O General britânico Charles Harington, comandante aliado em Constantinopla, impediu os seus homens de dispararem contra os turcos e avisou o gabinete britânico contra qualquer aventura precipitada. A frota grega deixou Constantinopla a seu pedido. Os britânicos decidiram finalmente forçar os gregos a retirarem-se para trás do rio Maritsa na Trácia. Isto convenceu Mustafa Kemal a aceitar a abertura de conversações para um armistício.
Resolução

O Armistício de Mudanya foi concluído a 11 de outubro de 1922. Os Aliados (Grã-Bretanha, França e Itália) mantiveram o controlo da Trácia Oriental e do Bósforo. Os gregos teriam de evacuar estas áreas. O acordo entrou em vigor a partir de 15 de outubro de 1922, um dia depois de o lado grego ter concordado em assiná-lo.
O Armistício de Mudanya foi seguido pelo Tratado de Lausana. Separadamente deste tratado, a Turquia e a Grécia chegaram a um acordo que abrangia uma troca de populações. Mais de um milhão de cristãos ortodoxos gregos foram deslocados; a maioria deles foi reinstalada na Ática e nos territórios gregos recém-incorporados da Macedónia e da Trácia e foram trocados por cerca de 500.000 muçulmanos deslocados dos territórios gregos.
Fatores que contribuíram para o desfecho
Os gregos estimavam, apesar dos avisos de franceses e britânicos para não subestimarem o inimigo, que precisariam de apenas três meses para derrotarem sozinhos os já enfraquecidos turcos.[74] Exausta de quatro anos de derramamento de sangue, nenhuma potência aliada tinha vontade de se envolver numa nova guerra e confiavam na Grécia. Durante a Conferência de Londres em fevereiro de 1921, o primeiro-ministro grego Nikolaos Kalogeropoulos revelou que o moral do exército grego era excelente e a sua coragem indubitável, acrescentando que a seus olhos os kemalistas "não eram soldados regulares; constituíam meramente uma turba digna de pouca ou nenhuma consideração".[75] Ainda assim, os Aliados tinham dúvidas sobre a capacidade militar grega para avançar na Anatólia, enfrentando vastos territórios, longas linhas de comunicação, deficiências financeiras do tesouro grego e, acima de tudo, a tenacidade do camponês/soldado turco.[76][77] Após o fracasso grego em desbaratar e derrotar o recém-criado exército turco na Primeira e na Segunda Batalha de İnönü, os italianos começaram a evacuar a sua zona de ocupação no sudoeste da Anatólia em julho de 1921. Além disso, os italianos também alegaram que a Grécia tinha violado os limites da ocupação grega estabelecidos pelo Conselho dos Quatro.[77] A França, por outro lado, tinha a sua própria frente na Cilícia com os nacionalistas turcos. Os franceses, tal como as outras potências aliadas, tinham mudado o seu apoio para os turcos de forma a construírem um estado-tampão forte contra os bolcheviques após outubro de 1921 e procuravam sair.[78] Depois de os gregos terem falhado novamente em derrotar os turcos na decisiva Batalha de Sakarya, os franceses assinaram finalmente o Tratado de Ancara (1921) com os turcos no final de outubro de 1921. As forças aliadas, que tinham chegado ao Mar Negro em 1919, foram forçadas a sair pelas forças turcas por volta de 1920. Depois disso, suprimir os rebeldes pônticos revelou-se mais fácil para a 15.ª divisão turca. A Marinha Grega bombardeou alguns portos maiores (junho e julho de 1921 İnebolu; julho de 1921 Trebizonda, Sinope; agosto de 1921 Rize, Trebizonda; setembro de 1921 Araklı, Terme, Trebizonda; outubro de 1921 İzmit; junho de 1922 Samsun).[79] A Marinha Grega foi capaz de bloquear a costa do Mar Negro, especialmente antes e durante a Primeira e Segunda batalhas de İnönü, Kütahya–Eskişehir e Sakarya, impedindo o envio de armas e munições.[80]
Dispor de abastecimentos adequados era um problema constante para o Exército Grego. Embora não lhe faltassem homens, coragem ou entusiasmo, cedo se viu com falta de quase tudo o resto. Devido à sua economia débil, a Grécia não conseguiu sustentar uma mobilização a longo prazo. De acordo com um relatório britânico de maio de 1922, 60.000 gregos da Anatólia, arménios e Circassianos serviram armados na ocupação grega (deste número, 6.000–10.000 eram circassianos).[81] Em comparação, os turcos também tiveram dificuldades em encontrar homens aptos suficientes, em resultado de 1,5 milhões de baixas militares durante a Primeira Guerra Mundial.[82] Muito rapidamente, o Exército Grego excedeu os limites da sua estrutura logística e não teve forma de manter um território tão vasto sob ataque constante por parte de tropas turcas inicialmente irregulares e mais tarde regulares. A ideia de que uma força tão grande pudesse sustentar a ofensiva principalmente "vivendo da terra" provou estar errada. Embora o Exército Grego tivesse de reter um grande território após setembro de 1921, era mais motorizado do que o Exército Turco.[83] O Exército Grego tinha, para além de 63.000 animais para transporte, 4.036 camiões e 1.776 automóveis/ambulâncias,[83] (de acordo com a Direção de História do Exército Grego, o número total de camiões, incluindo ambulâncias, era de 2.500). Apenas 840 deles foram usados para o avanço em direção a Angora, além de 1.600 camelos e um grande número de carroças de bois e cavalos,[84] enquanto o Exército Turco dependia do transporte com animais. Tinham 67.000 animais (dos quais foram usados como: 3.141 carroças de cavalos, 1.970 carroças de bois, 2.318 tumbareis e 71 faetons), mas apenas 198 camiões e 33 automóveis/ambulâncias.[83]
À medida que a situação de abastecimento piorava para os gregos, as coisas melhoravam para os turcos. Após o Armistício de Mudros, os Aliados tinham dissolvido o exército otomano e confiscado todas as armas e munições otomanas,[85] pelo que o Movimento Nacional Turco, que estava em vias de estabelecer um novo exército, necessitava desesperadamente de armas. Além das armas ainda não confiscadas pelos Aliados,[86] usufruíam de apoio soviético vindo do exterior, em troca da entrega de Batum à União Soviética. Os soviéticos forneceram também ajuda monetária ao Movimento Nacional Turco, não na medida em que haviam prometido, mas numa quantia quase suficiente para compensar as grandes deficiências no fornecimento de armas prometido.[1] Uma das principais razões para o apoio soviético foi o facto de as forças aliadas estarem a combater em solo russo contra o regime bolchevique, pelo que a oposição turca era muito favorecida por Moscovo.[1] Os italianos ficaram amargurados pela perda do mandato de Esmirna para os gregos e usaram a sua base em Antália para armar e treinar tropas turcas a fim de ajudarem os kemalistas contra os gregos.[87]
Um adido militar britânico, que inspecionou o Exército Grego em junho de 1921, foi citado a dizer: "[É uma] máquina de combate mais eficiente do que alguma vez a vi."[88] Mais tarde escreveu: "O Exército Grego da Ásia Menor, que agora se encontrava pronto e ansioso por avançar, era a força mais formidável que a nação alguma vez tinha colocado em campo. O seu moral era alto. A julgar pelos padrões balcânicos, o seu estado-maior era capaz, a sua disciplina e organização eram boas."[89] As tropas turcas tinham um comando tático e estratégico determinado e competente, tripulado por veteranos da Primeira Guerra Mundial. O exército turco gozava da vantagem de estar na defensiva, executada na nova forma de 'defesa de área'.
Mustafa Kemal apresentou-se como revolucionário perante os comunistas, protetor da tradição e da ordem perante os conservadores, soldado patriota perante os nacionalistas e líder muçulmano perante os religiosos, conseguindo assim recrutar todos os elementos turcos e motivá-los a lutar. O Movimento Nacional Turco atraiu simpatizantes especialmente entre os muçulmanos dos países do extremo oriente.[90] O Comité Khilafet em Bombaim lançou um fundo para ajudar a luta nacional turca e enviou ajuda financeira, bem como constantes cartas de encorajamento. Nem todo o dinheiro chegou, e Mustafa Kemal decidiu não usar o dinheiro enviado pelo Comité Khilafet. O dinheiro foi guardado no Banco Otomano. Após a guerra, foi mais tarde utilizado para a fundação do Türkiye İş Bankası.[91]
Atrocidades e limpeza étnica por ambos os lados
Genocídios turcos de gregos e arménios
Rudolph J. Rummel estimou que, de 1900 a 1923, vários regimes turcos assassinaram entre 3.500.000 e mais de 4.300.000 Arménios, Gregos e Assírios.[92][93] Rummel calcula que 440.000 civis arménios e 264.000 civis gregos foram mortos pelas forças turcas durante a Guerra de Independência Turca, entre 1919 e 1922.[94] No entanto, no seu estudo (linha 488) ele também apresenta números entre 1.428 e 4.388 milhões de mortos, dos quais 2.781 milhões eram arménios, gregos, nestorianos, turcos, circassianos e outros. O historiador e jornalista britânico Arnold J. Toynbee afirmou que quando percorreu a região viu numerosas aldeias gregas que tinham sido arrasadas pelo fogo. Toynbee afirmou também que as tropas turcas tinham clara, individual e deliberadamente, incendiado cada casa nestas aldeias, despejando gasolina sobre elas e tomando o cuidado de garantir que ficavam totalmente destruídas.[95] Ocorreram massacres ao longo de 1920–23, no período da Guerra de Independência Turca, especialmente de arménios no Leste e no Sul, e contra os gregos na região do Mar Negro.[96] Em última análise, por volta de 1922, a maioria dos gregos otomanos da Anatólia tinha-se tornado refugiada ou tinha morrido.[97]
Os gregos sofreram nos batalhões de trabalho turcos. Muitas das deportações gregas envolveram principalmente mulheres e crianças, uma vez que, no início de 1915, a maioria dos homens gregos em idade militar tinha sido mobilizada para os batalhões de trabalho otomanos ou tinha fugido das suas casas para evitar o recrutamento.[98] De acordo com Rendel, as atrocidades tais como deportações envolvendo marchas da morte, fome em campos de trabalho, etc., eram designadas por "massacres brancos".[99] O funcionário oficial otomano Rafet Bey participou ativamente no genocídio dos gregos e, em novembro de 1916, o cônsul austríaco em Samsun, Kwiatkowski, relatou que ele lhe tinha dito: "Temos de acabar com os gregos como fizemos com os arménios... hoje enviei esquadrões para o interior para matarem todos os gregos que vissem".[100] De acordo com um relatório francês de 1918:
Os miseráveis homens dos batalhões de trabalho são dispersos em diferentes direções nos confins do Império, desde as costas da Ásia Menor e do Mar Negro até ao Cáucaso, Bagdade, Mesopotâmia e Egito; alguns deles para construir estradas militares, outros para escavar os túneis do caminho-de-ferro de Bagdade... Vi esses homens desgraçados nos hospitais de Konya, estendidos nas suas camas ou no chão, parecendo esqueletos vivos, ansiando pela morte para acabar com os seus sofrimentos... Para descrever esta situação desastrosa, concluirei dizendo que, em resultado do elevado nível de mortalidade, o cemitério de Konya está cheio de cadáveres dos soldados que serviam nos batalhões de trabalho, e em cada sepultura jazem quatro, cinco ou às vezes até seis cadáveres, exatamente como cães.[101]
O governador da província de Sivas, Ebubekir Hâzım Tepeyran, disse em 1919 que os massacres foram tão horríveis que ele não suportava relatá-los. Referiu-se às atrocidades cometidas contra os gregos na região do Mar Negro e, de acordo com o registo oficial, 11.181 gregos foram assassinados em 1921 pelo Exército Central sob o comando de Nurettin Paxá (tristemente célebre pelo assassinato do Arcebispo Crisóstomo). Alguns deputados parlamentares exigiram que Nurettin Paxá fosse condenado à morte e decidiu-se levá-lo a julgamento, embora o julgamento tenha sido mais tarde revogado pela intervenção de Mustafa Kemal. Taner Akçam escreveu que, de acordo com um jornal, Nurettin Paxá tinha proposto a morte de todas as populações gregas e arménias restantes na Anatólia, uma sugestão rejeitada por Mustafa Kemal.[102]
Existiram também vários artigos de jornais ocidentais da época que relataram as atrocidades cometidas pelas forças turcas contra as populações cristãs a viver na Anatólia, principalmente civis gregos e arménios.[103][104][105][106][107][108] Por exemplo, de acordo com o The Times de Londres, "As autoridades turcas declaram francamente ser sua intenção deliberada deixar todos os gregos morrer, e as suas ações corroboram a sua declaração."[103] Um jornal irlandês, o Belfast News Letter, escreveu: "A aterradora história de barbárie e crueldade agora praticada pelos turcos de Angora faz parte de uma política sistemática de extermínio das minorias cristãs na Ásia Menor."[108] De acordo com o Christian Science Monitor, os turcos sentiam que precisavam de assassinar as suas minorias cristãs devido à superioridade cristã em termos de laboriosidade e aos consequentes sentimentos turcos de ciúme e inferioridade. O jornal escreveu: "O resultado tem sido gerar sentimentos de alarme e ciúme na mente dos turcos, que em anos posteriores os levaram à depressão. Acreditam que não conseguem competir com os seus súbditos cristãos nas artes da paz e que os cristãos e os gregos, especialmente, são demasiado laboriosos e demasiado bem educados como rivais. Por conseguinte, de tempos a tempos, esforçaram-se por tentar reequilibrar a balança através de expulsões e massacres. Esta tem sido a posição nas últimas gerações na Turquia, mais uma vez, caso as Grandes Potências sejam suficientemente insensíveis e imprudentes ao tentarem perpetuar o mau governo turco sobre os cristãos."[109] Segundo o jornal The Scotsman, a 18 de agosto de 1920, no distrito de Feival em Karamusal, a sudeste de Ismid, na Ásia Menor, os turcos massacraram 5.000 cristãos.[104] Houve também massacres durante este período contra arménios, dando continuidade às políticas do Genocídio Arménio de 1915, de acordo com alguns jornais ocidentais.[110] Em 25 de fevereiro de 1922, 24 aldeias gregas na região do Ponto foram arrasadas pelo fogo. Um jornal americano, o Atlanta Observer, escreveu: "O cheiro dos corpos em chamas de mulheres e crianças no Ponto", dizia a mensagem, "serve de aviso para o que aguarda os cristãos na Ásia Menor após a retirada do exército helénico."[105] Nos primeiros meses de 1922, 10.000 gregos foram mortos pelas forças kemalistas em avanço, de acordo com o Belfast News Letter.[103][108] De acordo com o Philadelphia Evening Bulletin, os turcos mantiveram a prática da escravatura, capturando mulheres e crianças para os seus haréns e violando numerosas mulheres.[103][108][111] O Christian Science Monitor escreveu que as autoridades turcas também impediram missionários e grupos de ajuda humanitária de prestarem assistência aos civis gregos cujas casas tinham sido queimadas, deixando essas pessoas morrerem apesar da ajuda abundante. O Christian Science Monitor escreveu: "os turcos estão a tentar exterminar a população grega com mais vigor do que aquele que exerceram para com os arménios em 1915."[106] Diplomatas alemães e austro-húngaros, bem como o memorando de 1922 compilado pelo diplomata britânico George W. Rendel sobre os "Massacres e Perseguições Turcas", forneceram provas de uma série de massacres sistemáticos e limpeza étnica dos gregos na Ásia Menor.[99][112]
Henry Morgenthau, o embaixador dos Estados Unidos no Império Otomano de 1913 a 1916, acusou o "governo turco" de uma campanha de "terrível terrorismo, torturas cruéis, confinamento de mulheres em haréns, corrupção de raparigas inocentes, a venda de muitas delas a 80 cêntimos cada, o assassínio de centenas de milhares e a deportação para a inanição no deserto de outras centenas de milhares, [e] a destruição de centenas de aldeias e de muitas cidades", tudo isto como parte da "execução intencional" de um "plano para aniquilar os cristãos arménios, gregos e sírios da Turquia".[113] No entanto, meses antes da Primeira Guerra Mundial, 100.000 gregos foram deportados para ilhas gregas ou para o interior, facto sobre o qual Morgenthau afirmou: "na sua maior parte, estas foram deportações genuínas; isto é, os habitantes gregos foram efetivamente transferidos para novos locais e não foram sujeitos a massacres generalizados. Foi provavelmente a razão pela qual o mundo civilizado não protestou contra estas deportações".[114]
O Cônsul-Geral dos EUA George Horton, cujo relato tem sido criticado por académicos como sendo antiturno,[115][116][117] afirmou: "Uma das afirmações mais inteligentes postas a circular pelos propagandistas turcos é a de que os cristãos massacrados eram tão maus como os seus carrascos, que era '50-50'." Sobre esta questão, ele comenta: "Tivessem os gregos, após os massacres no Ponto e em Esmirna, massacrado todos os turcos na Grécia, o registo teria sido de 50-50 — quase." Como testemunha ocular, ele elogia também os gregos pela sua "conduta... para com os milhares de turcos residentes na Grécia, enquanto os ferozes massacres ocorriam", o que, na sua opinião, foi "um dos capítulos mais inspiradores e belos de toda a história daquele país".[118][119]
As atrocidades cometidas contra os gregos pônticos que viviam na região do Ponto são reconhecidas na Grécia e em Chipre[120] como o Genocídio Pôntico. De acordo com uma proclamação feita em 2002 pelo então governador de Nova Iorque (onde reside uma população considerável de americanos de origem grega), George Pataki, os gregos da Ásia Menor suportaram uma crueldade incomensurável durante uma campanha sistemática sancionada pelo governo turco para os desalojar; destruindo vilas e aldeias gregas e chacinando centenas de milhares de civis adicionais em áreas onde os gregos compunham uma maioria, como na costa do Mar Negro, no Ponto e nas áreas em redor de Esmirna; os que sobreviveram foram exilados da Turquia e hoje, eles e os seus descendentes, vivem por toda a diáspora grega.[121]

A 9 de setembro de 1922, o exército turco entrou em Esmirna, tendo as autoridades gregas partido dois dias antes. Seguiu-se uma desordem em grande escala, com a população cristã a sofrer ataques por parte de soldados e de habitantes turcos. O arcebispo grego Crisóstomo tinha sido linchado por uma turba que incluía soldados turcos e, a 13 de setembro, um incêndio deflagrado no bairro arménio da cidade alastrou-se à orla costeira cristã da cidade, deixando-a devastada. A responsabilidade pelo incêndio é uma questão controversa; algumas fontes culpam os turcos e outras culpam os gregos ou os arménios. Cerca de 50.000[122] a 100.000[123] gregos e arménios foram mortos no incêndio e nos massacres que o acompanharam.
Massacres gregos de turcos

O historiador britânico Arnold J. Toynbee escreveu que ocorreram atrocidades organizadas na sequência do desembarque grego em Esmirna a 15 de maio de 1919. Ele declarou ainda que ele e a sua mulher testemunharam as atrocidades perpetradas pelos gregos nas áreas de Yalova, Gemlik e Izmit, e que não só obtiveram abundantes provas materiais na forma de "casas incendiadas e saqueadas, cadáveres recentes e sobreviventes aterrorizados", mas que também presenciaram roubos perpetrados por civis gregos e fogo posto por soldados gregos fardados no momento em que decorriam.[124] Toynbee escreveu que, assim que o Exército Grego desembarcou, começou a cometer atrocidades contra os civis turcos, à medida que "devastavam o fértil vale do Menderes (Meandro)", e forçavam milhares de turcos a refugiarem-se fora das fronteiras das áreas controladas pelos gregos.[125] O Secretário de Estado das Colónias e posterior Primeiro-Ministro do Reino Unido, Winston Churchill, comparando estas atividades específicas com as políticas genocidas levadas a cabo pela parte turca, notou que as atrocidades gregas ocorreram a "uma escala menor" quando comparadas com as "terríveis deportações de gregos dos distritos de Trebizonda e Samsun".[126]
Durante a Batalha de Pérgamo, o exército grego cometeu um massacre contra civis turcos em Menemen, matando 200 e ferindo outras 200 pessoas.[127] Algumas fontes turcas afirmam que o número de mortos no Massacre de Menemen terá sido de 1.000 pessoas.[128][127] A 24 de junho de 1921, um massacre ocorreu em İzmit, resultando na morte de mais de 300 civis turcos de acordo com Arnold J. Toynbee.[129]
Ilías Venézis, no seu livro O Número 31328, afirma que o Exército Grego em retirada, pertencente ao 4.º regimento, encontrou cerca de 40 soldados gregos mortos e iniciou os seus "Grupos de Retaliação". Ele menciona que uma criança turca de Lesbos e uma mãe encontravam-se também entre os civis chacinados. Os crânios das pessoas vivas (turcos) foram lentamente serrados. Os braços foram esmagados com pesos e os olhos arrancados com quaisquer ferramentas que os soldados gregos tivessem à mão. Acrescenta ainda que os turcos estavam amontoados na barraca do Grupo, a observar e a aguardar na fila.[130] Em versões posteriores, esta parte foi eliminada e alterada apenas para "Houve muitas retaliações na altura".[131] Estes eventos são também mencionados pelo presidente da câmara de Soma, Osman Nuri, num telegrama datado de 20 de junho de 1919. Declarou que mais de 50 mil refugiados muçulmanos tinham chegado à sua jurisdição vindos dos arredores de Pérgamo, e que os soldados gregos haviam cometido atrocidades que eram muito piores até do que as atrocidades cometidas na Idade Média. Nestes eventos, acrescenta que os soldados gregos tinham voltado as suas atrocidades para os civis, transformando os assassínios, as violações e a pilhagem de lares num divertimento para si próprios.[132] Uma atrocidade semelhante foi presenciada pelo tenente Ali Rıza Akıncı na manhã de 8 de setembro de 1922, na estação ferroviária de Saruhanlı, o que provocou as suas unidades a incendiar os soldados gregos num celeiro próximo que tinham feito prisioneiros. Descreve as atrocidades com as seguintes palavras: <block>"Nove aldeões turcos foram mortos, os mortos foram manipulados para desgraçar a humanidade enquanto o mundo permanecesse imutável, e nove pessoas mortas foram transformadas numa argola colocando o dedo de um no rabo do outro, e os órgãos genitais de um na boca do outro."[133]</block>
Harold Armstrong, um oficial britânico que foi membro da Comissão Interaliada, relatou que à medida que os gregos eram repelidos de Esmirna, chacinavam e violavam civis, e incendiavam e pilhavam por onde passavam.[134] No entanto, outros oficiais britânicos não encontraram provas para esta alegação.[135]
Existem alguns testemunhos de atrocidades na Trácia Oriental. Numa aldeia, o exército grego teria exigido 500 liras de ouro para poupar a localidade; contudo, mesmo após o pagamento, a aldeia foi saqueada.[136] O roubo de civis muçulmanos também foi mencionado nas memórias de um grego natural de Şile. Ali, sargentos gregos, e os "desertores gregos", que tinham sido nomeados guardas da sua terra natal, iam às aldeias procurar espingardas. Nas aldeias, caçavam qualquer turco rico e torturavam-no pendurando a vítima de cabeça para baixo e queimando a erva por baixo para que revelassem onde tinham escondido as armas. Depois, um grego de Şile ia ter com a vítima e dizia: "Dá-me cem liras e nós salvamo-te".[137] O mesmo método de tortura e assassínio é também comprovado no relatório de Ziya Paşa, o último Ministro da Guerra Otomano, relativamente às atrocidades na Trácia Oriental datado de 27 de abril de 1921. O relatório referia que uma mulher muçulmana na aldeia de Hamidiye, Uzunköprü foi pendurada de cabeça para baixo numa árvore e foi queimada com o fogo debaixo de si, ao passo que foi colocado um gato dentro da sua roupa interior enquanto era forçada a confessar a localização das armas do seu marido. Além disso, o relatório incluía um exemplo semelhante da mesma atrocidade cometida a Efrahim Ağa, o muhtar principal da aldeia de Seymen, em Silivri. Só que, desta vez, a vítima foi pendurada direita e queimada a partir das pernas.[138]
A comissão inter-aliada, constituída por oficiais britânicos, franceses, americanos e italianos,O general Hare, o delegado britânico; o general Bunoust, o delegado francês; o general Dall'Olio, o delegado italiano; o almirante Bristol, o delegado americano</ref> e pelo representante da Cruz Vermelha Internacional de Genebra, M. Gehri, elaborou dois relatórios conjuntos distintos sobre as suas investigações dos Massacres da Península de Gemlik-Yalova. Estes relatórios concluíram que as forças gregas cometeram atrocidades sistemáticas contra os habitantes turcos.[139] Os comissários mencionaram ainda "o incêndio e pilhagem de aldeias turcas", a "explosão de violência de gregos e arménios contra os turcos", e "um plano sistemático de destruição e extinção da população muçulmana".[140] No seu relatório datado de 23 de maio de 1921, a comissão inter-aliada afirmava que "Este plano está a ser levado a cabo por bandos gregos e arménios, que parecem operar sob instruções gregas e por vezes até com a assistência de destacamentos de tropas regulares".[141] A comissão inter-aliada afirmava também que a destruição de aldeias, e o desaparecimento da população muçulmana, poderiam ter como objetivo criar nesta região uma situação política favorável ao Governo grego.[141] A investigação dos Aliados sublinhava ainda que os eventos específicos foram represálias pela opressão generalizada turca dos anos anteriores e, em especial, pelas atrocidades turcas cometidas na região de Mármara um ano antes, quando várias aldeias gregas tinham sido incendiadas e milhares de gregos chacinados.[142] Arnold J. Toynbee escreveu que eles obtiveram provas convincentes de que atrocidades semelhantes tinham sido cometidas em áreas mais vastas por todo o resto dos territórios ocupados pelos gregos desde junho de 1921.[124] Argumentou que "a situação dos turcos na cidade de Esmirna tinha-se tornado naquilo que poderia ser chamado sem exagero, um 'reino de terror'; devia deduzir-se que o tratamento a que foram sujeitos nos distritos rurais tinha piorado em proporção."[143]
Em muitos casos, comandantes do Exército Grego permitiram e encorajaram atrocidades. O soldado grego Hristos Karagiannis menciona nos seus diários que no verão de 1919, durante e após a Batalha de Aidin, o tenente-coronel Geórgios Kondílis, que mais tarde se tornou o Primeiro-Ministro da Grécia, concedeu aos seus soldados "o direito de fazerem tudo o que as nossas almas desejarem", o que levou a que alguns soldados de infantaria cometessem atrocidades.[144] Atrocidades também foram mencionadas no telegrama de Nurullah Bey, o secretário do Mutasarrıf de Aydın, datado de 9 de julho de 1919, dirigido à Administração de Assuntos Internos. No telegrama, é dito que o Exército Grego, bem como os bandos irregulares gregos locais, assassinaram muçulmanos inocentes, incluindo crianças, violaram mulheres secreta e abertamente, e queimaram a cidade com o auxílio de canhões. Durante o incêndio, mataram mulheres e crianças que fugiam das chamas com metralhadoras pesadas, e os que não conseguiram fugir foram queimados vivos. Durante a breve Libertação de Aydın (1919) pela Força Nacional Turca (Kuva-yi Milliye), as vidas e as propriedades dos gregos locais, mesmo os que participaram nos assassinatos, foram salvaguardadas. Após o regresso do membro da força nacional, o Exército Grego invadiu Aydın mais uma vez (desta feita mais vigorosamente) e "continuaram a sua brutalidade a partir de onde tinham ficado". Muçulmanos que atravessaram na direção de Çine e Denizli foram massacrados em massa e responsáveis proeminentes, incluindo o Mutasarrıf, foram detidos, e ignorava-se se estariam vivos ou não.[145] Outros exemplos onde os comandantes gregos deram aos soldados a liberdade para cometer todo o tipo de atrocidades incluem os eventos em Simav e nas suas redondezas. Hristos Karagiannis, nas suas memórias, menciona que o comandante da sua unidade deu-lhes a liberdade "para fazer o que a sua consciência e alma desejassem". As atrocidades contra os civis não tinham limites e não eram esporádicas, mas sim comuns e frequentes nestas zonas. Acrescenta ainda o seguinte sobre o estado das mulheres e crianças turcas: "As vozes e o choro das mulheres e crianças não param de dia nem de noite. Toda a floresta, e especialmente as zonas mais ocultas, estão cheias de pessoas e de roupas. Qualquer mulher, qualquer criança e qualquer local impossível estão à disposição de qualquer soldado grego.[...] Conheceram, como dizem, famílias inteiras, muitas mulheres, bonitas e feias. Umas choravam, outras lamentavam os seus maridos, a sua honra." A campanha terminou com o incêndio de todas as áreas habitadas, por vezes com os habitantes mais idosos lá dentro.[146] Contudo, nenhuma testemunha aliada se encontrava no interior. Estes eventos nos arredores de Demirci foram também mencionados nos relatórios e nas memórias de İbrahim Ethem Akıncı, o comandante das unidades turcas irregulares "Demirci Akındjis", e do Kaymakam de Demirci, datando de 22 de maio de 1921. A gravidade das atrocidades é descrita com as seguintes palavras: "Uma localidade inteira foi reduzida a cinzas e começaram a espalhar-se muitos maus cheiros. [...] As ruas não se podiam atravessar nem reconhecer. Muitos cidadãos jaziam martirizados em cada rua. Alguns tinham apenas os seus pés, outros apenas um braço, outros apenas a cabeça, e as outras partes do corpo tinham sido queimadas até ficarem negras. Yarab (Meu Deus!), que cenário é este? [...] Enquanto andávamos por ali, deparámo-nos mesmo com algumas mulheres que precisavam de uma testemunha para julgar que eram humanas. Foram violadas por todos os soldados inimigos e tinham os pés e os braços partidos, os seus corpos inteiros e caras estavam negras, e, tristemente, tinham enlouquecido. Face a esta tragédia, todos (Akindjis) soluçavam e choravam por vingança."[147] O incêndio da totalidade da cidade de Gördes por parte das forças de Ocupação Gregas (431 edifícios) foi também mencionado no memorando de İsmet Paşa, e a resposta de Venizélos não continha nenhuma declaração contrária a esta alegação.[148]
Por outro lado, o relatório dos Aliados concluiu que as atrocidades cometidas pelos turcos na península de Ismid "foram consideráveis e mais ferozes do que aquelas cometidas pelos gregos".[126] Em geral, tal como relatado por um serviço de informações britânico: "os habitantes [turcos] da zona ocupada aceitaram, na maior parte dos casos, a chegada do domínio grego sem objeções, e nalguns casos preferem-no, sem dúvida, ao regime Nacionalista [turco], que parece ter sido fundado no terrorismo". Militares britânicos constataram que o exército grego perto de Uşak foi calorosamente recebido pela população muçulmana por "os ter libertado da licenciosidade e opressão das tropas Nacionalistas [turcas]"; ocorriam "casos esporádicos de má conduta" pelas tropas gregas contra a população muçulmana e os perpetradores eram processados pelas autoridades gregas, enquanto os "piores malfeitores" eram "um punhado de arménios recrutados pelo exército grego", que foram depois devolvidos a Constantinopla.[135]
Uma testemunha ocular, um Assistente de Cirurgia do Exército Grego, Petros Apostolidis de Janina, que mais tarde foi feito prisioneiro de guerra em Uşak, pinta um quadro totalmente diferente. Nas suas memórias afirma que mencionará apenas 3 atrocidades e não mencionará o resto do tempo da ocupação, usando as seguintes palavras: "Velhos, mulheres e crianças foram fechados na mesquita. Alguns dos nossos soldados levaram a notícia a outros soldados gregos, mas como eram cobardes como toda a escória o é, não se atreveram, por causa da multidão, a arrombar a porta da mesquita e a entrar para violar as suas mulheres; juntaram palha seca, atiraram-na pelas janelas e deitaram-lhe fogo. Como o fumo os asfixiava, as pessoas começaram a sair pela porta, e então estes patifes (soldados gregos) puseram as mulheres inocentes e as crianças na linha de tiro e mataram bastantes. [...]Eles (soldados gregos) pregaram pregos grandes no chão, amarraram-lhes as tranças das mulheres para as imobilizarem e violaram-nas em grupo." Conta ainda a história de um seu colega médico militar, Giannis Tzogias, que, durante a retirada, por medo não impediu dois soldados gregos de violarem duas raparigas turcas, nem os alvejou, nem os denunciou ao seu comandante Trikoupis.[149] As memórias do Doutor Apostolidis relativamente ao estado de Uşak e à violação de raparigas turcas são também comprovadas por documentos oficiais otomanos de Uşak e de outras zonas de Ocupação. Um relatório elaborado pelo Kaymakam de Balya, enviado ao Ministério do Interior, afirmava que os soldados gregos andavam a violar raparigas com apenas 10 anos de idade, cometendo essas violações ao fechar os homens das aldeias (aldeias de Aravacık, Hacı Hüseyin, Mancılık, Deliler e Haydaroba) nas mesquitas com a ajuda de gregos locais que informavam os soldados sobre o paradeiro das raparigas e mulheres bonitas. Este relatório incluía os relatórios do diretor Mehmed Salih da madraça de Uşak, datados de 12 e 28 de maio de 1922. Ali o diretor afirma que centenas de mulheres e crianças, assim como 28 notáveis de Uşak, foram levados como prisioneiros para Atenas; muitas pessoas foram torturadas sendo queimadas enquanto as penduravam de cabeça para baixo; os civis foram forçados a abrir trincheiras; as sepulturas foram profanadas e as cabeças dos cadáveres foram arrancadas e usadas para brincadeiras pelos gregos locais e crianças arménias. O diretor afirma também que um grupo de 25 soldados gregos violou uma bela jovem muçulmana de 14 anos na aldeia de İslamköy perante os olhos dos pais, acabando ela por morrer; os pais foram apunhalados com baionetas e exigia-se que fosse urgentemente enviada uma comissão composta por países não-alinhados para testemunhar estas atrocidades.[150] Para além disso, Şükrü Nail Soysal, membro do pelotão de Parti Pehlivan, refere nas suas memórias que a 10 de julho de 1921 a sua aldeia, Ortaköy, foi pilhada e, depois de terem sido torturados, 40 a 50 homens (incluindo o seu irmão Mehmet) foram feitos prisioneiros, 30 dos quais levados para nunca mais serem vistos.[151]
O comportamento das tropas gregas na Trácia Oriental foi "exemplar".[135] De acordo com uma testemunha americana, quando o exército grego entrou em Bursa a 8 de julho, as tropas e os gregos de Bursa demonstraram um "autocontrolo perfeitamente maravilhoso" para com os habitantes turcos da cidade, "especialmente quando se pensa no que eles têm para se lembrarem dos males cometidos contra eles e as suas famílias".[135] Aristeidis Stergiadis, o alto-comissário de Esmirna, tentou apaziguar a violência étnica na região. Stergiadis castigou de imediato os soldados gregos responsáveis pela violência com tribunal marcial e criou uma comissão para decidir o pagamento às vítimas (constituída por representantes da Grã-Bretanha, França, Itália e outros aliados).[152] Stergiadis adotou uma posição rígida contra a discriminação da população turca e opôs-se aos líderes da igreja e à população grega local em várias ocasiões. Os historiadores divergem sobre se esta se tratou de uma postura genuína contra a discriminação,[153] ou se foi uma tentativa de apresentar uma imagem positiva da ocupação perante os Aliados.[152] Esta posição contra a discriminação da população turca colocou com frequência Stergiadis em confronto com alguns setores do exército grego. Era sabido que transportava consigo um pau pela cidade com o qual espancava gregos que estivessem a abusar de cidadãos turcos. As tropas desobedeciam, por vezes, às suas ordens de não maltratar a população turca, colocando-o em rota de colisão com os militares. Venizélos continuou a apoiar Stergiadis, não obstante alguma oposição.[152]
Justin McCarthy relata que, durante as negociações do Tratado de Lausana, o negociador principal da delegação turca, İsmet Paxá (İnönü), apresentou uma estimativa de 1,5 milhões de muçulmanos da Anatólia[148] que teriam sido exilados ou mortos nas zonas ocupadas pelos gregos.[154] McCarthy reduz a estimativa para 1.246.068 de perda populacional muçulmana entre 1914 e 1922 na Anatólia, e atribui arbitrariamente 640.000 destas perdas como tendo ocorrido em ambas as zonas de operação, grega e britânica, no período de 1919-1922.[97] O trabalho de McCarthy foi alvo de duras críticas por parte de estudiosos que caracterizaram as posições de McCarthy como injustificavelmente parciais a favor da Turquia e da posição oficial turca,[155] acusando-o igualmente de negacionismo de genocídio.[156][157][158] Outros investigadores, como R.J. Rummel e Micheal Clodfelter, apresentam estimativas bastante inferiores, indicando pelo menos 15.000 mortes de civis turcos, recusando-se no entanto a avançar com uma estimativa máxima.[159][160]
Como parte do Tratado de Lausana, a Grécia reconheceu a obrigação de pagar reparações pelos danos causados na Anatólia, embora a Turquia tenha concordado em abdicar de todas essas reivindicações devido à difícil situação financeira da Grécia.[161]
Política de terra arrasada grega

De acordo com diversas fontes, o exército grego em retirada levou a cabo uma política de terra arrasada enquanto fugia da Anatólia durante a fase final da guerra.[163] O historiador do Médio Oriente, Sydney Nettleton Fisher escreveu que: "O exército grego em retirada seguiu uma política de terra arrasada e cometeu toda a espécie de atrocidades conhecidas contra aldeões turcos indefesos que se encontravam no seu caminho."[163] Norman Naimark observou que "a retirada grega foi ainda mais devastadora para a população local do que a ocupação".[164]
O Exército Grego não se limitou a aplicar uma política de terra arrasada na sua retirada, tendo-o feito também durante o seu avanço. Isto pode ser constatado no diário do tenente grego natural de Creta, Pantelis Priniotakis de Rethymno. No seu diário datado de 13 de julho de 1921, relata que a sua unidade em avanço, após leve resistência, capturou e queimou a cidade de Pazarcık em poucas horas; parte da sua população mais idosa foi queimada viva, enquanto os restantes habitantes fugiram assim que viram o Exército Grego avançar.[165]
O mesmo tenente afirma também que a política de terra arrasada foi posta em prática na retirada do Exército Grego após a Batalha de Sakarya, segundo o seu diário datado de 17 de setembro de 1921. As unidades em retirada do Exército Grego iam queimando as aldeias no seu caminho, enquanto a população civil turca, cujas aldeias estavam a ser incendiadas, não ousava defrontar o Exército Grego. Diz também que os incêndios ocorreram enquanto os cereais ainda estavam nos campos, e resume as atrocidades cometidas pelos seus companheiros de armas com as seguintes palavras: "não faltaram desvios e violência por parte dos nossos soldados"[166] A gravidade dos crimes de guerra cometidos pelas tropas em retirada também foi mencionada por outro oficial do Exército Grego na Anatólia, Panagiótis Deméstichas, que nas suas memórias escreve o seguinte: "A destruição nas cidades e aldeias por onde passámos, os fogos postos e outras fealdades, não sou capaz de descrever, e prefiro que o mundo permaneça alheio a esta destruição."[167] O soldado grego Giannis Koutsonikolas declarou explicitamente que as suas unidades incendiaram Afyonkarahisar e, juntamente com ela, queimaram alimentos, equipamento e munições.[168]

O coronel Stylianós Gonatás afirma nas suas memórias que "a fúria da destruição e da pilhagem não distingue nacionalidades". Ele e as suas unidades passavam por Alaşehir quando esta estava a ser incendiada de uma ponta à outra. Enquanto a cidade era queimada pelo Exército Grego, nem os bairros turcos nem os gregos escaparam à destruição. Além disso, acrescenta que o Exército Grego saqueou casas gregas bem como casas turcas.[169] Gonatas acrescenta que todas as aldeias da planície a leste de Alaşehir foram queimadas e que as suas tropas não conseguiram encontrar viva nem uma única pessoa, nem ninguém para levarem consigo como guia. Refere ainda que Salihli e mais tarde Manisa foram incendiadas pelos gregos em retirada, retendo os habitantes turcos no interior da cidade. Refere também que a destruição de propriedades pelo Exército Grego incluiu até as casas de soldados gregos oriundos de Turgutlu. Conta que esses soldados testemunharam as suas próprias casas a arder, tal como as dos turcos, ao mesmo tempo que os turcos, de dentro das suas habitações em chamas, "disparando desesperadamente", mataram uma comitiva a cavalo do coronel.[170] Quando as unidades de Gonatas chegaram a Urla, os gregos locais chegaram a formar uma unidade de milícia para se protegerem da retirada do Exército Grego, bem como dos civis gregos e grupos arménios irregulares que o seguiam (como a unidade do General Turkum), e Gonatas afirma que esse foi um "ato prudente de previdência" por parte dos gregos de Urla.[171] Os arquivos militares turcos assinalam também que o Corpo de Exército do General Frangkou, ao qual pertencia o Coronel Gonatas, continuou a queimar as aldeias de Urla por onde passava, incluindo as suas aldeias gregas. Durante o Grande Incêndio de Esmirna, estas unidades encontravam-se a incendiar a aldeia de Zeytinler e as localidades em redor a oeste de Urla.[172]
Johannes Kolmodin era um orientalista sueco a residir em Esmirna. Ele escreveu nas suas cartas que o exército grego queimou 250 aldeias turcas.[173]
O escritor grego Ilías Venézis, no seu livro O Número 31328, afirma que Kırkağaç foi queimada a partir do bairro arménio pelo "inimigo" que partiu;[174] embora o livro seja de memórias, nas versões posteriores a palavra "inimigo" foi alterada para "grego".[175] Esta alegação é corroborada nos arquivos militares turcos. As unidades que incendiaram Kırkağaç mantiveram a sua política de terra arrasada e também queimaram Dikili na noite de 13 para 14 de setembro, altura em que estava a ocorrer o Grande Incêndio de Esmirna.[176] O memorando de İsmet Paşa durante as negociações de Lausana afirmou que 13.599 edifícios no Sanjaco de Esmirna, fora do centro da cidade, foram incendiados pelo Exército Grego. A resposta de Venizélos não contém qualquer declaração contrária a esta afirmação.[148]
O soldado grego Vasilis Diamantopoulos, que em 1922 estava colocado em Aydın e foi capturado quando ele e as suas unidades (18.º Regimento de Infantaria Grega) atingiram a periferia de İzmir a 10 de setembro de 1922, afirma que os gregos locais e outros cristãos de Aydın começaram a queimar as suas próprias casas na cidade antes da retirada oficial, para que os turcos não as encontrassem intactas. Afirma ainda que os esforços dos soldados gregos para extinguir o fogo foram infrutíferos.[177]
Kinross escreveu: "Àquelas alturas, quase todas as cidades do seu percurso estavam em ruínas. Um terço de Uşak já não existia. Alaşehir era agora apenas uma cratera negra e calcinada a desfigurar a encosta. Aldeia após aldeia tinham sido reduzidas a montes de cinzas. Dos dezoito mil edifícios na histórica e sagrada cidade de Manisa restavam apenas quinhentos."[178] O incêndio de Uşak é também aludido no diário militar de Nikos Vasilikos, soldado grego e estudante recrutado, originário da ilha de Tasos. Ele menciona a queima da localidade e refere que todas as aldeias vizinhas foram igualmente incendiadas. Descreve ainda que o fogo foi de tal magnitude que, ao concluírem a sua marcha de "doze horas seguidas" e ao entrarem numa aldeia, o terreno se mostrava "iluminado de forma selvagem e grandiosa pelas chamas". Afirma que o Exército Grego ardeu por completo as vilas e cidades sem poupar nem as mesquitas nem as igrejas. Ao atingir Kasaba, refere o seguinte: "Atingimos Kasaba, que está em chamas de uma extremidade à outra. O fogo avassalador lambe com a sua língua ígnea indiferentemente quer as torres das Igrejas quer os Minaretes das Mesquitas."[179] Conforme sublinhado pelo diplomata francês Henry Franklin-Bouillon, durante o incêndio de Manisa, apenas 1000 edifícios subsistiram na cidade de um total de 11 000.[180]
Num dos exemplos das atrocidades cometidas pelas forças de ocupação, no dia 14 de fevereiro de 1922, na aldeia turca de Karatepe na província de Aidin, após as habitações terem sido cercadas pelos gregos, os habitantes foram trancados na mesquita e a mesquita foi incendiada. Os poucos que se conseguiram salvar do incêndio foram abatidos a tiro.[181] O cônsul italiano, Sr. Miazzi, testemunhou que tinha chegado de uma visita a uma aldeia turca onde os gregos tinham chacinado sessenta mulheres e crianças. Esse relato viria depois a ser corroborado pelo cônsul francês, o Capitão Kocher.[182]
Política de terra arrasada grega

Segundo diversas fontes, o exército grego em retirada aplicou uma política de terra arrasada ao fugir da Anatólia durante a fase final da guerra.[163] O historiador do Médio Oriente, Sydney Nettleton Fisher, escreveu que: "O exército grego em retirada adotou uma política de terra arrasada e cometeu toda a espécie de atrocidades conhecidas contra aldeões turcos indefesos no seu caminho."[163] Norman Naimark observou que "a retirada grega foi ainda mais devastadora para a população local do que a ocupação".[164]
O Exército Grego não só executou uma política de terra arrasada durante a sua retirada, como também durante o seu avanço. Isto pode ser constatado no diário do tenente grego de Creta, Pantelis Priniotakis, de Rethymno. No seu diário datado de 13 de julho de 1921, relata que a sua unidade, durante o avanço, após uma ligeira resistência, capturou e incendiou a cidade de Pazarcık em poucas horas, enquanto alguns dos habitantes mais idosos foram queimados vivos e a restante população fugiu ao avistar o avanço do Exército Grego.[184]
O mesmo tenente afirma também que a política de terra arrasada foi aplicada na retirada do Exército Grego após a Batalha de Sakarya, segundo o seu diário datado de 17 de setembro de 1921. As unidades em retirada do Exército Grego incendiavam as aldeias no seu caminho, enquanto a população civil turca, cujas aldeias eram queimadas, não ousava defrontar o Exército Grego. Refere ainda que os incêndios ocorreram enquanto os cereais ainda estavam nos campos, e resume as atrocidades cometidas pelos seus companheiros com as seguintes palavras: "não faltaram desvios e violência por parte dos nossos soldados"[185] A gravidade dos crimes de guerra cometidos pelas tropas em retirada foi também mencionada por outro oficial do Exército Grego na Anatólia, Panagiótis Deméstichas, que nas suas memórias escreve o seguinte: "A destruição nas cidades e aldeias por onde passámos, os incêndios e outras fealdades, não sou capaz de descrever, e prefiro que o mundo permaneça alheio a esta destruição."[186] O soldado grego Giannis Koutsonikolas declarou explicitamente que as suas unidades incendiaram Afyonkarahisar e, com ela, queimaram alimentos, equipamento e munições em conjunto com a cidade.[187]

O coronel Stylianós Gonatás afirma nas suas memórias que "a fúria da destruição e da pilhagem não distingue nacionalidades". Ele e as suas unidades passavam por Alaşehir enquanto esta ardia de uma ponta à outra. Enquanto a cidade era queimada pelo Exército Grego, nem os bairros turcos nem os gregos foram poupados ao fogo. Além disso, acrescenta que o Exército Grego saqueou as casas gregas, bem como as turcas.[188] Gonatas acrescenta também que todas as aldeias da planície a leste de Alaşehir foram queimadas e que as suas tropas não conseguiram encontrar uma única pessoa viva, nem ninguém para levarem consigo como guia. Refere ainda que Salihli e, mais tarde, Manisa foram incendiadas pelos gregos em retirada, mantendo os habitantes turcos no interior da cidade. Acrescenta também que a destruição de propriedades pelo Exército Grego incluiu até as casas dos soldados gregos oriundos de Turgutlu. Conta que esses soldados testemunharam a queima das suas próprias casas, tal como as dos turcos, ao mesmo tempo que os turcos, de dentro das suas casas em chamas, "disparando desesperadamente", mataram uma comitiva montada do coronel.[189] Quando as unidades de Gonatas chegaram a Urla, os gregos locais chegaram mesmo a formar uma unidade de Milícia para se protegerem do Exército Grego em retirada e dos seus seguidores civis gregos e arménios irregulares (tais como a unidade do General Turkum), e Gonatas afirma que este foi "um ato sensato de previdência" por parte dos gregos de Urla.[190] Os arquivos militares turcos assinalam também que o Corpo de Exército do General Frangkou, sob o qual o Coronel Gonatas servia, continuou também a incendiar as aldeias de Urla no seu caminho, incluindo as suas aldeias gregas. Durante o Grande Incêndio de Esmirna, estas unidades estavam a queimar a aldeia de Zeytinler e as aldeias vizinhas a oeste de Urla.[191]
Johannes Kolmodin era um orientalista sueco a residir em Esmirna. Ele escreveu nas suas cartas que o exército grego havia queimado 250 aldeias turcas.[192]
O escritor grego Ilías Venézis, no seu livro O Número 31328, afirma que Kırkağaç foi queimada a partir do bairro arménio pelo "inimigo" que partiu;[193] embora este livro seja um relato de memórias, em versões posteriores a palavra "inimigo" foi alterada para "grego".[194] Esta alegação é também confirmada nos arquivos militares turcos. As unidades que incendiaram Kırkağaç prosseguiram com a sua política de terra arrasada e também queimaram Dikili na noite de 13 para 14 de setembro, enquanto o Grande Incêndio de Esmirna estava em curso.[195] O memorando de İsmet Paşa, durante as negociações de Lausana, referiu que 13.599 edifícios no Sanjaco de Esmirna, fora do centro da cidade, foram incendiados pelo Exército Grego. A resposta de Venizélos não contém qualquer declaração a contrariar esta afirmação.[196]
O soldado grego Vasilis Diamantopoulos, que em 1922 estava posicionado em Aydın e foi capturado quando ele e as suas unidades (18.º Regimento de Infantaria Grego) atingiram os arredores de Esmirna a 10 de setembro de 1922, afirma que os gregos locais e outros cristãos de Aydın começaram a queimar as suas próprias casas na cidade antes da retirada oficial, para que os turcos não as pudessem encontrar intactas. Além disso, acrescenta que os esforços dos soldados gregos para apagar o fogo foram em vão.[197]
Kinross escreveu: "Nessa altura, a maioria das cidades no seu caminho já estavam em ruínas. Um terço de Uşak já não existia. Alaşehir não era mais do que uma cavidade escura e calcinada, a desfigurar a encosta. Aldeia após aldeia tinham sido reduzidas a um monte de cinzas. Dos dezoito mil edifícios na histórica e sagrada cidade de Manisa, apenas quinhentos restavam."[178] A queima de Uşak é também mencionada no diário militar de Nikos Vasilikos, um soldado grego e estudante recrutado oriundo da ilha de Tasos. Ele refere o incêndio da cidade e o facto de todas as aldeias em redor terem sido queimadas. Acrescenta que o fogo foi de tais proporções que, quando terminaram a sua marcha de "doze horas contínuas" e chegaram a uma aldeia, o terreno estava "iluminado de forma selvagem e grandiosa pelas chamas". Afirma também que o Exército Grego incendiou a totalidade das cidades e vilas, não poupando nem as mesquitas nem as igrejas. Quando alcançou Kasaba, anotou o seguinte: "Chegámos a Kasaba, que está a arder de uma ponta à outra. O fogo avassalador lambe indiscriminadamente com as suas línguas de fogo quer as torres das Igrejas quer os Minaretes das Mesquitas."[198] Segundo o diplomata francês Henry Franklin-Bouillon, durante o incêndio de Manisa, apenas mil edifícios resistiram dos cerca de 11.000 existentes na cidade.[199]
Num dos exemplos das atrocidades gregas durante a sua Ocupação, a 14 de fevereiro de 1922, na aldeia turca de Karatepe, na província de Aidin, depois de terem sido cercados pelos gregos, todos os habitantes foram colocados dentro da mesquita e esta foi incendiada. Os poucos que conseguiram escapar às chamas foram abatidos a tiro.[200] O cônsul italiano, Sr. Miazzi, relatou que tinha acabado de visitar uma aldeia turca onde os gregos tinham chacinado cerca de sessenta mulheres e crianças. Este relatório foi mais tarde corroborado pelo Capitão Kocher, o cônsul francês.[201]
Troca populacional
De acordo com o tratado de troca populacional subscrito pelos governos de Ancara e de Atenas, a população da confissão greco-ortodoxa oriunda da generalidade de Turquia bem como de minorias helenas na comunhão turca islâmica presentes na Península e Continentes helénicos viram implementada sobre as respetivas facções uma política expurgadora materializada por uma massiva repatriação bi-focal sobrepondo aos seus quadros comunitários o forçoso desarraigamento migratório. Estes desvios encenaram nos territórios o arrasto transfronteiriço compulsório sobre os limiares de um milhão e meio de entidades Cristão-Ortodoxas cujas ramificações identitárias e nacionalistas helénicas originárias da Turquia sentiram e sofreram as condicionantes que a conjuntura infligiu perpassadas inclusive em meios milhão de devotos turco-muçulmanos provindos da região sob jurisdição grega a que estes não arredaram o passo mas sim retiraram face a instigados decretos da cúpula suprema expulsa de ambos os continentes sem margem de excepção.[202] A figura proeminente de M. Norman Naimark adiantaria inclusive sob afirmações claras os desígnios para fechar e traçar linhas a derradeiro sobre toda e qualquer investida numa dimensão de limpeza étnica cujo plano era a formulação de traçar delineações e feixes puros sem misturas provindas do núcleo formativo otomano de outrora a uma base genuinamente nacional de origem Turca.[203] Noutro plano análogo de reflexões e considerações, o historiógrafo de origem do autor na pessoa da Dinah Shelton atesta expressamente que o cume despoletou dos limites em deliberações em cima do balcão onde em Lausana seria transposto nas margens da obrigatoriedade toda a faceta turca nas expulsões da presença helena da localidade sem apelo ou constestações.[204]
Uma parcela considerável dos blocos populacionais helenos foi renegada do solo paterno provenientes e ancestrais de Jónia, região oriental e norte do Ponto contíguas ao sul até às margens da Trácia Oriental decorridos e englobados nos fluxos migratórios ocorridos entre o biénio referenciado dos tempos desde 1914 prolongando sobre os anos de rescaldos fechando as instâncias aos limites de 1922. Para com a referida comitiva emigratória renegada assim sendo de regresso na diáspora grega alocada em territórios norte americanos cuja identidade advém dos laços geográficos oriundos das imensidões regionais turcas seria bloqueada qualquer tentativa e possibilidade de interpor os traçados das premissas de fronteiras da localidade de ascendência para pisar em solo autóctone turco sob selamento inibidor dos preceitos firmados na chancelaria e tréguas em Lausana limitadoras do espaço contínuo.
Tratado de Paz
O Tratado de Lausanne foi negociado depois que as forças aliadas pressionaram pela renegociação do Tratado de Sèvres, após ver os revolucionários turcos vencerem-nas separadamente em três campanhas militares diferentes (além dos gregos, os armênios e os franceses foram derrotados pelos turcos). Este novo tratado reconheceu a independência da república turca e a sua soberania sobre a Trácia Oriental e a Anatólia.
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- Jeffrey Eugenides, Middlesex, romance vencedor do Prêmio Pulitzer de Ficção em 2003
- Panos Karnezis, The Maze romance de 2004
- Elia Kazan, America, America, filme de 1964 indicado ao Oscar de Melhor Filme
- Nikos Kazantzakis, Cristo Recrucificado (Ο Χριστός Ξανασταυρώνεται), romance de 1948
- Bohuslav Martinů, A Paixão Grega (Řecké pašije), ópera de 1961
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Quando se trata da perda de população muçulmana, as melhores estimativas são as de McCarthy, que argumenta a favor de uma perda de população estimada de 1.246.068 muçulmanos entre 1914 e 1922 na Anatólia, e atribui arbitrariamente 640.000 dessas perdas às zonas de operação gregas e britânicas em 1919–1922... Em última análise, o único resultado observável é que, em 1922, a maioria dos gregos otomanos da Anatólia ou se tinham tornado refugiados ou tinham perdido as suas vidas.
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- 1 2 Erhan, Çağrı (2002). Greek occupation of Izmir and adjoining territories: report of the Inter-Allied Commission of Inquiry (May–September 1919). [S.l.: s.n.] OCLC 499949038
- ↑ Yalazan, Talat (1994). Türkiye'de vahset ve soy kırımı girisimi: (15 Mayıs 1919 – 9 Eylül 1922). 15 Mayıs 1919 – 13 Eylül 1921 (em turco). [S.l.]: Genelkurmay Basımevi. ISBN 978-9754090079
- ↑ Toynbee 1922.
- ↑ Βενέζης, Ηλίας (1931). Το Νούμερο 31328: Σκλάβοι στα Εργατικά Τάγματα της Ανατολής: Ρομάντσο (em grego). Mitilene, Grécia: [s.n.] pp. 62–63.
Στην κατοχή, όξω απ' τήν Πέργαμο βρέθηκαν τα πτώματα, καμιά σαρανταριά φαντάροι δικοί μας, σφαγμένοι και πεταλωμένοι.Ύστερα πήγε εκεί το 4ο Σύνταγμα. Έγινε ένα "Συνεργείο Αντιποίνων". Τοποθετήθηκε ένα νέο παιδί, Μυτιληνιός. Ήταν μάνα. Σκαρφίζουνταν ένα σωρό πράγματα: Το κρανίο κόβεται σιγά-σιγά με το πριόνι, έναν κύκλο γύρω, τα χέρια λιανίζουνται με μιά βαριά, δύο μάτια βγαίνουν εύκολα με ό,τι να'ναι. Οι εχτροί κουβανιούνταν στην παράγκα του Συνεργείου, βλέπαν και περιμέναν σειρά
- ↑ Βενέζης, Ηλίας (2008). Το νούμερο 31328, Το βιβλίο της σκλαβιάς (em grego). Atenas: Εστία. 95 páginas. ISBN 978-9600510119.
Τον καιρό της ελληνικής κατοχής βρέθηκαν όξω απ' τήν Πέργαμο τά πτώματα -καμιά σαρανταριά φαντάροι δικοί μας, σφαγμένοι από τους Τούρκους και πεταλωμένοι.Ύστερα πήγε εκεί το 4ο ελληνικό σύνταγμα. Γινήκανε, τότες, αντίποινα πολλά.
- ↑ Binark, İsmet; Aktaş, Necati.; Gültepe, Necati; Yıldırım, Osman (1996). Arşiv belgelerine göre Balkanlar'da ve Anadolu'da Yunan mezâlimi (em turco). Ancara: T.C. Başbakanlık, Devlet Arşivleri Genel Müdürlüğü. 41 páginas. ISBN 9751910560.
Soma belediye re'îsinin 20 Haziran sene [1]335 târîhli telgrafnâmesi Bugün Bergama kasabası Yunan askeri tarafından işgâl edildiği, Menemen kazâsında kâ'im-i makâm da dâhil olduğu hâlde icrâ edilüb katli'âma bir nazîre yapılmak üzre Bergama kazâsının da işbu işgâli esnâsında, asâkir-i Yunaniyye fıtratlarında merkûz olan vahşeti zavallı ve ma'sûm slâm ahâlî üzerinde tatbîk etmek sûretiyle bütün âleme gösterdi. Binâ'en-aleyh bu mu'âmele-i elîme kazâ-yı mezkûrda erkek, kadın, genç ve ihtiyâr, çoluk ve çocuk elli bini mütecâviz halkın zelîl ve sefîl bir sûretde bütün dünyaca muhterem tutulan yalnız ırzlarının muhâfazası maksadıyla hicretlerine sebebiyet verdi. Yunan askerlerinin en birinci eğlence ve meserreti katl-i nüfûs, hetk-i nâmûs, nehb-i emvâl teşkîl ediyor. Kurûn-ı Vustâ'daki vahşetler, îkâ' edilmiş el-yevm îkâ' edilmekde bulunmuş olan şu mezâlime rahmet okuduyor. Ber-mûceb-i mütârekenâmeadâlet ve insâniyet ve merdliklerinden emîn olduğumuz Düvel-i Mu'azzama'ya i'timâd etmiş idik. Şu vahşetden Müslümanların ale'l-husûs Soma kazâsı ve Soma kasabası, müctemi' Bergama halkının vikâye ve tahlîsi âlem-i beşeriyyet nâmına hâdim-i insâniyyet ve hâmi-i beşeriyyet olan sizlerden taleb ve ricâ ve hicretemüheyyâ Soma halkının te'mîn-i efkârı içün tedâbîr-i lâzımenin tatbîk ve icrâsına intizâr eyleriz fermân. Soma Kasabası Ahâlîsi Nâmına Belediye Re'îsi Osman Nuri.
- ↑ Aksoy, Yaşar (2021). İstiklal Süvarisi – İzmir'in Kurtuluşu: Teğmen Ali Riza Akıncı'nın Hatıratı (em turco). Istambul: Kırmızı Kedi Yayınevi. pp. 99–100. ISBN 978-6052988022.
7 Eylül 1338 akşamını Kula'da geçirdik. İki sene evvelsi kasabada katliam yaparak ihtiyar müftüyü bile öldüren Rumlardan öç alma zamanı gelmişti. Sabaha kadar bunlarla hesabımızı gördük. [...] Kuşluk vakti Saruhanlı istasyonuna geldik. İstasyonda Yunan mezaliminin tüyler ürperten bir hadisesine daha şahit olduk. Dokuz Türk köylüsü öldürülmüş, insanlığa dünya durdukça beşeriyetin yüz karası olacak şekilde ölülerle oynanmış, birinin parmağı öbürünün kıçına, birinin edep yeri diğerinin ağzına verilmek suretliyle dokuz ölü bir halka haline getirilmişti. Bu bizim kinimizi kamçılamaktan başka bir işe yaramadı. O tabloyu görünce, yanımızda taşımakta olduğumuz elli kadar esiri hemen bir bağ kulesine kapatarak ateşe verdik. [...] otuz kırk kadar esir aldık ve kolorduya yolu açtık. [...] Halk kadın çocuk etrafımızı almış, esirleri bizden istiyorlardı. Tümen Kumandanı Zeki Albay, "Bize itimadınız yok mu? Türk kadını böyle pis canavarların kanı ile ellerini kirletmesin" diye kadınlara seslendiği bir esnada orta yaşlı bir kadın entrasinin önünü kaldırarak külotunu sıyırdı, kadın kanlar içinde idi. Bir gün önce düşman, Manisa'yı terk ederken Yunan jandarmalarının on yedi yaşındaki kızını kaçırırlarken, kızına sarıldığı anda yaralandığını ağlayarak anlattı. Hem kumandanımız, hem de biz süvariler berbat olduk. Kadın "Ne yaparsanız yapın" dedi ve ağlayarak tarlalara doğru koşur. Az ilerde yere devrildi. Ardından biz, kadınlarımızı serbest bıraktık. Ellerimizden, belimizden kılıçları kaptlar, bağ bıçakları ortaya çıktı. Teker teker Yunan askerlerinin işini gördüler. O anda bilenmiş Türk kadınının da neler yapacağını anladık. Etraftan topladıkları çalı ve otlarla ceset yığınlarını ateşe verdiler.
- ↑ Steven Béla Várdy; T. Hunt Tooley; Ágnes Huszár Várdy (2003). Ethnic Cleansing in Twentieth-Century Europe. [S.l.]: Social Science Monographs. p. 190. ISBN 978-0-88033-995-7
- 1 2 3 4 Morris, Benny; Ze'evi, Dror (2019). The Thirty-Year Genocide: Turkey's Destruction of Its Christian Minorities, 1894–1924. [S.l.]: Harvard University Press. pp. 400–402. ISBN 978-0674916456
- ↑ McCarthy, Justin (1995). Death and exile: the ethnic cleansing of Ottoman Muslims, 1821–1922. [S.l.]: Darwin Press. p. 264. ISBN 978-0-87850-094-9
- ↑ Τενεκίδης, Γεώργιος (1980). Η Έξοδος. Τόμος Α'. Μαρτυρίες από τις επαρχίες των Δυτικών Παραλίων της Μικρασίας (em grego). Atenas: Κέντρο Μικρασιατικών Σπουδών. p. 343.
Πήγαιναν στα χωριά, τάχα πως γυρεύαν τουφέκια, πιάναν κανέναν πλούσιο Τούρκο, τον κρεμούσαν ανάποδα κι άναβαν χόρτα από κάτω, για να μαρτυρήσει πού έχουν όπλα, κι ύστερα πήγαινε ένας Χηλήτης και του 'λεγε "δώσε εκατό λίρες να σε γλυτώσουμε"
Parâmetro desconhecido|editor-ultimo=ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido|editor-primeiro=ignorado (ajuda);|nome1=sem|sobrenome1=em Editors list (ajuda) - ↑ Binark, İsmet (dezembro de 1996). Arşiv belgelerine göre Balkanlar'da ve Anadolu'da Yunan Mezâlimi (em turco). Ancara: T.C. Başbakanlık, Devlet Arşivleri Genel Müdürlüğü. pp. 262–264. ISBN 9751910560.
Şark Hattı Askerî Komîserliği'nin 9/4/[13]37 târîh ve 194 numaralu raporu sûretidir. [...] Uzunköprü kazâsına tâbi' Hamidiye karyesinden bir İslâm kadını zevcinin silâhlarını söylemesi maksadıyla tehdîden bacaklarından bir ağaca asılarak donuna bir kedi konulmuş, altına yakılan ateşin dumanıyla iz'âc olunmuşdur.[...] 5 – Yunanlılar tarafından tevehhüm edilen Türk çetelerinin gûyâ mevki'lerini söyletmek içün Silivri'ye tâbi' Seymen karyesi Muhtâr-ı Evveli Efrahim Ağa koltuklarından asılmak ve ayakları altına ateş yakılmak sûretiyle ta'zîb edilmiş ve Muhtâr-ı Sânî Hasan Ağa dahi fenâ hâlde darbedilerek mahfûzan Fenar karyesine gönderilmişdir.
- ↑ Toynbee 1922, p. 285: M. Gehri declarou no seu relatório que "... o exército de ocupação grego foi empregue no extermínio da população muçulmana da península de Yalova-Gemlik."
- ↑ Naimark 2002, p. 45.
- 1 2 Toynbee 1922, p. 284.
- ↑ Shenk, Robert (2017). America's Black Sea Fleet: The U.S. Navy Amidst War and Revolution, 1919–1923. [S.l.]: Naval Institute Press. pp. 95–96. ISBN 978-1612513027
- ↑ Toynbee 1922, p. 318.
- ↑ Καραγιάννης, Χρήστος (1976). Το ημερολόγιον, 1918–1922 (em grego). Atenas: Private. pp. 134–135.
ο διοικητής μας Γεώργιος Κονδύλης μας δίνει το δικαίωμα να πράξουμε ό,τι βαστάει η ψυχή μας. Πράγματι, μερικοί φαντάροι άρχισαν να κάνουν πολλά έκτροπα σ' αντίποινα
- ↑ Binark, İsmet (dezembro de 1996). Arşiv belgelerine göre Balkanlar'da ve Anadolu'da Yunan Mezâlimi (em turco). Ancara: T.C. Başbakanlık, Devlet Arşivleri Genel Müdürlüğü. pp. 49–51. ISBN 9751910560.
Telgrafnâme Mahreci: Çine Numara: 64 Târîh: 9/7/[13]35 Gâyet aceledir Bir dakîka te'hîri gayr-ı câizdir. Aydın Muhâsebecisi Nurullah Bey'in Çine'den çekdii telgrafnâme Dâhiliye Nezaretine Aydın'ın târîh-i bidâyet-i işgâlinden beru Yunanlılar tarafından gerek doğrudan doğruya gerek tertîb etdiği yerli Rum çeteleriyle bir çok bî-günâh Müslümanların, ma'sûmların ve hattâ çocukların gizli ve âşikâr itlâf ve gaybûbet ve cebren fi'l-i şenî' icrâ edilmesi, İslâmların katli'âm edilmesi ve mahallelerinin yangına verilmesi istihzâratı gibi irtikâb etdişi mezâlim ve cinâyet, âlem-i medeniyyetin nazarında alacağı bir şekl-i vahşetdir. 28/6/[13]35'de Yunan kuvvetinin Aydın'ın dokuz kilometre cenûbundaki Menderes'in ve köprüsüne ta'arruz etmesi üzerine hâl-i müdâfa'ada burada bulunan ve müte'akiben etrâfdan gelenlere kuvvet olan Kuvve-i Milliyye ile başlayan, üç gün devâm eden muhârebe esnâsında Yunanlıların sahrâdan ric'at ederek şehrin minâreleri vesâ'ir hâkim binâlarını tutarak top isti'mâl etmesi yüzünden zuhûr eden yangın ve bilâ-lüzûm İslâm mahallâtına geruden ateş vererek şehrin nısfından ziyâdesiyle mahvetmiş ve bu miyânda yangından kurtarılmak üzre taşraya çıkmak isteyen İslâm kadın ve çocuklarının bilâ-lüzûm mitralyöz ateşleriyle itlâf ve bu korkudan hânesinden çıkmayanların yangında yanması ve bî-günâh İslâm erkek ve kadınlarının ve çocuklarının bilâ-sebeb mahvedilmesi ve gerilerde de aynı vahşetlerin irtikâb edilmesi el-yevm livâyı bir harâbe ve mütekallibeye çevirmişlerdir. Aydın'ın millî kuvveti tarafından tahlîsinde Rum ahâlînin, hattâ bunlar arasında bulunan Yunanlıların cinâyât ve şenâ'âtına iştirâk edenler ile [edenlerin bile] hayâtı, livâya yetişen Fırka Elli Yedi Kumandanı tarafından taht-ı te'mîne alınmış(?) ve i'âşe ve iskânlarına gayret edilerek muhâfaza-i hayâtları taht-ı te'mîne alınmış idi. Kuvve-i Milliye efrâdının tekrâr memleketlerine avdet etmesi ve kuvve-i askeriyyenin kâfî olamaması yüzünden Yunanlıların cem'etdiği fâ'ik kuvvetlerle Aydın tekrâr Yunanlıların yed-i zâlimânesine geçmiş; kalan slâm mahallelerine ve köylerine el-yevm yangınlar vererek mahvetmekde bulunmuşdur. Kable'l-muhârebe İslâm ahâlînin şehirden çıkmasına müsâ'ade etmemiş olmasından, şehrin istirdâdını müte'âkib Yunanlıların tekrâr gelmesi ihtimâline mebnî ahâlî-i slâmiyye Çine ve Denizli istikâmetine geçmeğe başlamış ve Yunanlıların tekrar gelmesi üzerine şehirde pek cüz'î bir kimse kalmış ve kalanların itlâfı tabî'î bulunmuşdur. Mutasarrıf Abdurrahman Bey dâhil olduğu hâlde rü'esâ-yı me'mûrînden cezâ re'îsi, müdde'î-i umûmî ve mu'teberân-ı ahâlîden dahi bir çok kimseler, evvelce Yunanlılar tarafından gâ'ib edilmiş olduğundan bi'l-umûm me'mûrîn-i hükûmet dahi perîşân bir hâlde bunlar da Aydın'ı terk ve Çine'ye gelmeye mecbûr kalmışdır. El-yevm Aydın'da hükûmeti temsîl edecek kimse yokdur, ahâlî kalmamışdır. Yunanlılar Nazilli ile Aydın arasında dahi aynı zamanda kuvvet çıkardıklarından bu civârda da mezâlim cârîdir. Bütün ovada ve dağlardaki evlerde ahâlî-i slâmiyyeye aynı şenâ'atler vekatli'âmlar yapılmışdır. Kurtulabilenler [d]e dağlara ve Menderes'in cenûbuna çekilmişdir. Etrâfa cân atan bu halk hâlâ sefîlânedir. Ve bu ahâlînin Yunan işgâli bulundukca yerlerine i'âdesi ve hayâtlarının te'mîni imkânı yokdur. Me'kûlâta ve mu'âvenete ve mu'âlecâta ve çadırlara ihtiyâc-ı şedîd vardır. Mahallinden te'mîni imkânı yokdur. Bu mu'âvenetin tesrî'-i infâzı ve ahâlînin bir an evvel memleketlerine i'âdesi livâdan Yunan işgâlinin insâniyet nâmına ref'i esbâbının istikmâlini ehemmiyetle istirhâm Aydın'dan Çine'ye kadar yayan gelmekden mütevellid yorgunluk ve şenâ'at ve vahşet-i meşhûreden mütehassıl heyecân-ı kalb zâ'il oldukca ve burada kalabildiğim müddetce tezâhür edecek mezâlim pey-der-pey arzedilecekdir. Çine'de Mukîm Muhâsebeci Nurullah
- ↑ Καραγιάννης, Χρήστος (1976). Το ημερολόγιον, 1918–1922 (em grego). Atenas: Private. pp. 290–297.
Οι φωνές και τα κλάματα των γυναικών και των παιδιών δεν παύουνε μέρα νύχτα. Ολο το δάσος, και ιδίως τα πιο κλειστά μέρη, είναι γεμάτα κόσμο και ρουχισμό. Κάθε γυναίκα, κάθε παιδί και κάθε αδύνατο μέρος είναι στη διάθεση του κάθε Ελληνα στρατιώτη. [...] Δεν έχουν τελειωμό οι διηγήσεις των φαντάρων τι είδανε και τι κάνανε σ' αυτό το διάστημα. [...] Συνάντησαν, λένε, ολόκληρες οικογένειες, πολλές γυναίκες, όμορφες κι άσκημες. Αλλες κλαίγανε, άλλες θρηνούσανε τον άντρα τους, την τιμή τους [...] να πράξουν ό,τι η συνείδηση κι η ψυχή τους βαστάει.
- ↑ Akıncı, İbrahim Ethem (2009). Demirci Akıncıları (em turco) 3rd ed. Ancara: Türk Tarih Kurumu. pp. 47–48. ISBN 978-9751621849.
22 Mayıs 1337–1921 Pazar: [...] Koca bir kasaba kül halini almış ve pek çok taaffünat başlamıştı. [...] Sokaklardan geçilemiyor, sokaklar bilinemiyordu. Her sokakta birçok vatandaş şehit edilmiş yatıyordu. Bazısının yalnız ayakları kalmış, bazısının yanlız bir kolu, bazısının yanlız bir başı kalarak diğer aksamı simsiyah halde yanmıştı. Yarab, nedir bu manzara? [...] Buralarda gezerken bazı kadınlara tesadüf ettik ki, insan olduğuna hükmetmek için şahit lazım idi. Bütün düşman askerleri tarafından ırzlarına tesallut edilmiş ve ayakları kolları kırılmış, bütün vücutları, yüzleri simsiyah olmuş ve maattessüf tecennün etmişlerdi. Bu mazara karşısında herkes hıçkırıkla ağlıyor ve intikam diye bağırıyordu.
- 1 2 3 Records of Proceedings and draft Terms of peace (em inglês). Londres: His Majesty's Stationery Office (HMSO). 1923. pp. 672–682
- ↑ Αποστολίδης, Πέτρος (1981). Όσα Θυμάμαι – Α': Γκαρνιζον Ουσιακ (1922–23) (em grego). Atenas: ΚΕΔΡΟΣ. pp. 19–21.
Γέροι, γυναίκες και παιδιά είχαν κλειστεί στο τζαμί. Τους πήραν χαμπάρι κάποιοι φαντάροι δικοί μας, αλλά θρασύδειλοι όπως είναι όλοι οι παλιάνθρωποι, δεν τόλμησαν λόγω του πλήθους παραβιάσουν την πόρτα του τζαμιού και να μπουν να βιάσουν της γυναίκες, μάζεψαν ξηρά άχυρα, τα 'ρίξαν από τα παράθυρα μέσα Βάζοντας τους φωτιά. Καθώς τους έπνιγε ο καπνός ο κόσμος άρχισε να βγαίνει έξω από την πόρτα τότε οι τιποτένιοι αυτοί βάλαν τα αθώα γυναικόπαιδα στη σκοποβολή και σκότωσαν κάμποσα. Το επεισόδιο αυτό λέγαν ότι έγινε κάπου γύρω από τό Ούσιάκ και έτσι νομίζω εξηγείται ή ίδιαίτερη σκληρότητα του πληθυσμού του Ούσιάκ άπέναντί μας τις πρώτες μέρες. [...]Κάρφωναν μεγάλα καρφιά στό πάτωμα, έδεναν σ' αυτά τις κοτσίδες των γυναικών για να τις ακινητοποιήσουν και τις βίαζαν ομαδικά.
- ↑ Binark, İsmet (1996). Arşiv belgelerine göre Balkanlar'da ve Anadolu'da Yunan Mezâlimi (em turco). Ancara: T.C. Başbakanlık, Devlet Arşivleri Genel Müdürlüğü. pp. 276–283. ISBN 9751910560.
Balya kazasını işgal eden Yunanlılar tarafından on yaşındaki kız çocuklarına dahi tecavüz edildiği, Aravacık köyü erkeklerinin camiye toplanarak evlerde kalan kadın ve kızların namuslarının kirletildiği, Hacı Hüseyin, Mancılık, Deliler ve Haydaroba köylerinde de aynı olayların yaşandığı, güzel genç kadın ve kızların evleri yerli Rumlardan öğrenilerek geceleri evlerinden alınıp dağa kaldırıldığı,[...] Uşak kaymakamı ve eşrâftan yirmi sekiz kişi dahil olmak üzere yüzlerce kadın ve çocuğun Atina'ya gönderildiği, pek çok kişinin ateş üzerinde baş aşağı asılmak gibi çeşitli işkencelerle öldürüldüğü,[...] ahalinin cepheye sevkedilip siper kazdırıldığı, Müslüman mezarlarının açılıp ölülerin kafalarının kopartılarak Rum çocuklarına top oynatıldığı,[...] Şabanköy'de Yunanlıların Kuva-yı Milliye'yi çağırdıkları ve Yunan askerlerini kırdırttıkları bahanesiyle Müslüman halktan, ateş üzerinde yakmak, boğazlamak, ırz ve namusa tecavüz etmek gibi işkenceler yaparak intikam aldıkları, tarafsız devletlerden oluşturulacak bir tahkik heyetinin acilen gönderilmesi gerektiği. 28 Haziran 1922
- ↑ Metin, Barış (2012). Esaretten Zafere (em turco). Uşak, Türkiye: AKY YAYINLARI. pp. 393–396. ISBN 978-6058685222
- 1 2 3 Smith 1999, p. 92.
- ↑ Clogg, Richard. A concise History of Greece, p. 93 . Cambridge University Press, 20 de junho de 2002 – 308 pp.
- ↑ McCarthy, Justin (1996). Death and Exile: The Ethnic Cleansing of Ottoman Muslims, 1821–1922. [S.l.]: Darwin Press Incorporated. pp. 295–297, 303–304. ISBN 0-87850-094-4.
De todas as estimativas do número de refugiados muçulmanos, os valores oferecidos por İsmet Pașa (İnönü) na Conferência de Paz de Lausana parecem os mais precisos. Ele estimou que 1,5 milhões de turcos da Anatólia tinham sido exilados ou tinham morrido na área de ocupação grega. Esta estimativa pode parecer elevada, mas encaixa bem nas estimativas feitas por observadores europeus contemporâneos. Além disso, os números de İsmet Pașa sobre os refugiados foram apresentados à Conferência acompanhados de estatísticas detalhadas de destruição na região ocupada, e estas estatísticas tornam a estimativa provável. İsmet Pașa, citando um censo realizado após a guerra, demonstrou que 160.739 edifícios tinham sido destruídos na região ocupada. Só as casas destruídas já explicariam muitas centenas de milhares de refugiados, e nem todas as casas de refugiados foram destruídas. Os relatos europeus sobre o número de refugiados eram forçosamente fragmentados, mas quando compilados sustentam a estimativa de İsmet Pașa. O agente britânico em Aydin, Blair Fish, registou 177.000 refugiados turcos em Aydin Vilâyeti a 30 de setembro de 1919, apenas quatro meses após o desembarque grego. O Alto-Comissário italiano em Istambul aceitou uma estimativa otomana de que havia 457.000 refugiados em setembro de 1920, não incluindo os novos refugiados no outono e inverno de 1920 para 1921. O Dr. Nansen afirmou que 75.000 turcos tinham chegado apenas à área de Istambul desde novembro de 1920. Tais números tornam a estimativa de İsmet Pașa ainda mais credível. Dado que cerca de 640.000 muçulmanos morreram na região ocupada durante a guerra, pode estimar-se que aproximadamente 860.000 foram refugiados que sobreviveram à guerra. Obviamente, muitos, se não a maioria, dos que morreram também eram refugiados. Se se estimar que metade dos muçulmanos que morreram eram refugiados, seria aproximadamente correto dizer que 1,2 milhões de refugiados muçulmanos da Anatólia fugiram dos gregos, e cerca de um terço morreu.
- ↑ Kieser, Hans-Lukas (2015). World War I and the end of the Ottomans: from the Balkan wars to the Armenian genocide. Kerem Öktem, Maurus Reinkowski. Londres: [s.n.] pp. 1–26. ISBN 978-0-85772-744-2. OCLC 944309903
- ↑ Auron, Yair. The Banality of Denial: Israel and the Armenian Genocide. New Brunswick, N.J.: Transaction Publishers, 2003, p. 248.
- ↑ Charny, Israel W. Encyclopedia of Genocide, Vol. 2. Santa Barbara, California: ABC-CLIO, 1999, p. 163.
- ↑ Hovannisian, Richard G. "Denial of the Armenian Genocide in Comparison with Holocaust Denial" in Remembrance and Denial: The Case of the Armenian Genocide. Richard G. Hovannisian (ed.) Detroit: Wayne State University Press, 1999, p. 210.
- ↑ Rummel, Rudolph J. (1998). Statistics of Democide: Genocide and Mass Murder Since 1900. [S.l.]: LIT Verlag Münster. p. 85. ISBN 978-3-8258-4010-5
- ↑ Clodfelter, Micheal (2017). Warfare and Armed Conflicts: A Statistical Encyclopedia of Casualty and Other Figures, 1492–2015 4.ª ed. [S.l.]: McFarland. p. 346. ISBN 978-1-4766-2585-0
- ↑ Lachenmann, Frauke; Wolfrum, Rüdiger (2017). The Law of Armed Conflict and the Use of Force: The Max Planck Encyclopedia of Public International Law. [S.l.]: Oxford University Press. p. 652. ISBN 978-0198784623.
Considerando que a Grécia reconheceu a obrigação de efetuar reparações por danos causados na Anatólia, a Turquia concordou em abdicar de todas as reivindicações devido à situação financeira da Grécia resultante da guerra.
Parâmetro desconhecido|autor-link2=ignorado (ajuda) - ↑ «Lausanne Conference on Near Eastern Affairs 1922–1923». Londres: His Majesty's Stationery Office. 1923 – via Internet Archive
- 1 2 3 4 Fisher 1969, p. 386.
- 1 2 Naimark 2002, p. 46.
- ↑ Πρινιωτάκης, Παντελής (1998). Ατομικόν ημερολόγιον. Μικρά Ασία, 1919–1922 (em grego). Atenas: Εστία. pp. 120–121. ISBN 978-9600505092.
Η φάλαγξ μας εσυνέχισε την πορείαν της προς Παζαρτζίκ, όπερ κατελάβομεν κατόπιν μικράς αντιστάσεως του εχθρού και το οποίον ο στρατός μας επυρπόλησε. Ητο κωμόπολις 3.500 κατοίκων περίπου, εις άκρον πλουσία και ωραία, ως εκ του τρόπου δε κατασκευής των οικιών του από σανίδας και ξύλα, κατεστράφη τελείως εκ της πυρκαϊάς εις διάστημα ολίγων μόνον ωρών. Οι κάτοικοι είχον εγκαταλείψει το χωρίον ευθύς ως αντελήφθησαν προελαύνοντα τα τμήματά μας, πλην ελαχίστων γερόντων τους οποίους ηναγκάσθησαν να αφήσουν εκεί λόγω του δυσχερούς της μεταφοράς των
- ↑ Πρινιωτάκις, Παντελής (1998). Ατομικόν ημερολόγιον. Μικρά Ασία, 1919–1922 (em grego). Atenas: Εστία. p. 144. ISBN 978-9600505092.
τα υποχωρούντα τμήματα του στρατού μας θέτουν πυρ εις χωρία εξ ων διερχόμεθα και εις τα εν αφθονία ευρισκόμενα ακόμη εις τους αγρούς σιτηρά. Οι κάτοικοι των διαφόρων χωρίων, περίτρομοι, συγκεντρωμένοι εις τας παρυφάς των χωρίων των, περίλυποι αλλά και μη τολμώντες ουδέν να πράξωσι, παρακολουθούσι το θέαμα. Δυστυχώς, δεν έλειψαν και παρεκτροπαί και βιαιότητες των στρατιωτών μας
- ↑ Δεμέστιχας, Παναγιώτης (2002). Αναμνήσεις (em grego). Atenas: Πελασγός. p. 104. ISBN 978-9605221409.
Τις καταστροφές στις πόλεις και τα χωριά απ' όπου περάσαμε, τους εμπρησμούς και τις άλλες ασχημίες, δεν είμαι ικανός να περιγράψω και προτιμώ να μείνουν στη λήθη
- ↑ Κουτσονικόλας, Γιάννης (2008). Απ' την Αράχωβα στα Κράσπεδα της Άγκυρας. Ημερολόγιο Εκστρατείας 1919–1922 (em grego). Atenas: Δήμος Αράχωβας. p. 213. ISBN 978-9608854222.
Το βράδυ μείναμε εις (Μπάλ Μαχμούτ), το Αφιόν το κάψαμε τρόφιμα, εφοδιασμός, πυρομαχικά τα κάψαμε.[...] διότι είμεθα μόνοι μας, οιδοποιθεντες ότι τα αλλά τμήματα οπισθοχώρησαν βαλωμένα εξ όλων των πλευρών, εφόνευσον τα κτήνη των πυροβόλων,
Parâmetro desconhecido|editor-primeiro=ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido|editor-ultimo=ignorado (ajuda);|nome1=sem|sobrenome1=em Editors list (ajuda) - ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] p. 209.
Διερχόμεθα διά Φιλαδελφείας, η οποία καίεται απ' άκρου εις άκρον. Η λύσσα της καταστροφής και της λεηλασίας δεν κάμνει διάκρισιν εθνικοτήτων. Καίεται η ελληνική συνοικία Φιλαδελφείας και λεηλατούνται αι ελληνικαί οικίαι, όπως και αι τουρκικαί
- ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] pp. 208–212.
Όλα τά χωρία τής πεδιάδος έκαίοντο άπό τούς προπορευομένους κατά τήν ύποχώρησιν φυγάδας καί δέν εύρίσκομεν ούτε ένα κάτοικον διά νά μας δώση μίαν πληροφορίαν ή νά τόν πάρωμεν ώς οδηγόν.[...]24 Αύγούστου. Το Σαλιχλή άπό τό όποίον διήλθομεν καίγεται.[...]25 Αύγούστου.[...] Άργά τήν πρωίαν έφθάσαμεν είς Κασαμπά.[...] Ή πόλις έκαίετο. Στρατιώται καταγόμενοι έκ Κασαμπά έβλεπον τάς οίκίας των καιομένας. Άλλά εύρέθησαν καί μερικοί Τούρκοι, οι όποίοι έν τή έπελπισία των, έπυροβόλουν έκ τών οίκιών των, ένας έφιππος στρατιώτης τής άκολουθίας μου έφονεύθη.[...]Ή Μαγνησία, κατοικουμένη υπό 80 χιλ. κατοίκων και μένεα πνέουσα διά τήν πυρπόλησίν της, δεν ήτο άκίνδυνος.
- ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] pp. 219–220.
Οι Βρυουλιώται έσχηματισαν πολιτοφυλακήν, ήτις φρουρεί τήν πόλιν των. Εάν αυτό έγινε δια την προφύλαξίν των από τήν λεηλασίαν τών ήμετέρων, ήτο σοφόν έργον προνοίας, αλλ' έάν νομίζουν ότι θά προφυλάξουν την πόλιν των και άπό τούς Τούρκους, μετά τήν άναχώρησιν μας, άπατώνται.
- ↑ Niş, Kemal; Söker, Reşat; Ercan, Tevfik; Anıt, Çetin (dezembro de 1995). Türk İstiklal Harbi II. Cilt Batı Cephesi 6. Kısım III. Kitap Büyük Taarruzda Takip Harekatı (31 Ağustos – 18 Eylül 1922) (em turco). Ancara: Genelkurmay Atase Başkanlığı Yayınları. pp. 198–199. ISBN 978-9754090598.
Kolordu komutanı Zeytinler köyünün doğu sırtlarına geldi. 15 Eylül 1922 günü de takibe devam edilmesini, Alaçatı – Ilıcaköy hattının tutulmasını saat 19.00'da emretti. Kolordunun harekât bölgesinde erzak, yem ve saman tedariki imkânsızdı. Çünkü buralardaki bütün köyler (Rum köyleri dahil) Yunanlılar tarafmdan yakılmıştı. Bu nedenle birlikler beraberlerinde taşıyabildikleri demirbaş yem ve erzakla idareye çalışıyorlardı.
- ↑ Özdalga, Elizabeth. The Last Dragoman: the Swedish Orientalist Johannes Kolmodin as Scholar, Activist and Diplomat (2006), Swedish Research Institute in Istanbul, p. 63
- ↑ Venezis, Elias (1931). Το Νούμερο 31328: Σκλάβοι στα Εργατικά Τάγματα της Ανατολής: Ρομάντσο (em grego). Mitilene, Grécia: [s.n.] p. 103
- ↑ Venezis, Elias (2008). Το νούμερο 31328: Το βιβλίο της σκλαβιάς (em grego). [S.l.]: Hestia Publishers. p. 145. ISBN 978-9600510119.
ΤΟ ΙΔΙΟ ΠΡΩΙ, άμα φύγαν οι μουσαφιραίοι, εμάς μας χώρισαν σε συντεχνίες. Μεγαλύτερη ανάγκη είχαν από χτίστες. Γιατί ο τόπος, εκεί κατά τ' Αρμένικα, ήταν καμένος απ' τον Έλληνα που είχε φύγει.
- ↑ Niş, Kemal; Söker, Reşat; Ercan, Tevfik; Anıt, Çetin (1995). Türk İstiklal Harbi II. Cilt Batı Cephesi 6. Kısım III. Kitap Büyük Taarruzda Takip Harekatı (31 Ağustos – 18 Eylül 1922) (em turco). Ancara: Genelkurmay Atase Başkanlığı Yayınları. pp. 206–207. ISBN 978-9754090598.
14 Eylül saat 06.00'da hareket eden 2 nci Süvari Tümeni, saat 12.30' da Dikili'ye vardı. Yunanlıların son kâfilesi 13/14 Eylül gecesi kasabayı yakarak vapurlarla Midilli'ye geçmiş olduklarından. Süvari Tümeni Yunan birliklerine rastlamadı. 14 ncü Piyade Tümeni 14 Eylül akşamı saat 18.00'de Dikili'ye geldi. Yunanlılar kasabada birçok cephane, bomba, gereç bırakmışlar, bir kısım hayvanları öldürmüşler ve 1000 kadar beygir, katır, öküz ile 3000 kadar koyunu başıboş bırakmışlardı.
- ↑ Διαμαντόπουλος, Βασίλης (1977). ΑΙΧΜΑΛΩΤΟΣ ΤΩΝ ΤΟΥΡΚΩΝ (1922–1923) (em grego). Atenas: Private. pp. 13–14.
Άπό την έπομένη, ένώ άκόμη δέν είχε δοθεί καμιά διαταγή γιά σύμπτυξη καί ύποχώρηση, οί έλληνες κάτοικοι της πόλης Άϊδίνι ώς καί άλλοι χριστιανοί, άνέβαιναν στους σιδηροδρομικούς συρμούς πού άναχωρούσαν γιά τή Σμύρνη, παρατώντας στό χώρο του σταθμού τα υπάρχοντά τους καί το χειρότερο βάζοντας φωτιά στα σπίτια των για να μή τα βρουν άκέραια οί τουρκοι. Προσπάθειες στρατιωτικών τμημάτων να σβύσουν τίς πυρκαγιές δεν έφερναν κανένα άποτέλεσμα.
- 1 2 Kinross 1960, p. 318.
- ↑ Βασιλικός, Νίκος (1992). Ημερολόγιο μικρασιατικής εκστρατείας (em grego). Atenas: Γνώση. pp. 182–187.
Το Ουσάκ καίεται. Ολα τα γύρω χωριά παραδίδονται εις τας φλόγας. Φωτιά, παντού φωτιά. [...] Μετά πορείαν δώδεκα συνεχών ωρών φθάνομεν εις το χωρίον Εϋνέκ, κείμενον εντός χαράδρας, φωτιζομένης με αγρίαν μεγαλοπρέπειαν από τας φλόγας του καιομένου χωρίου. [...] Φθάνομεν εις τον Κασαμπά, ο οποίος καίεται απ' άκρου εις άκρον. Το παμφάγον πυρ γλείφει με τας πυρίνας γλώσσας του αδιακρίτως τα κωδωνοστάσια των Εκκλησιών καθώς και τους μιναρέδες των τζαμιών»
- ↑ «Turks halt embarkation of all Smyrna refugees; Quit the neutral zone» (PDF). Rome Daily Sentinel. Consultado em 5 de setembro de 2022.
visiting the areas devastated by the Greeks. He declared that out of 11.000 houses in the city of Magnesia only 1.000 remained
- ↑ Citação: .
- ↑ Citação: .
- ↑ «Lausanne Conference on Near Eastern Affairs 1922–1923». Londres: His Majesty's Stationery Office. 1923 – via Internet Archive
- ↑ Πρινιωτάκης, Παντελής (1998). Ατομικόν ημερολόγιον. Μικρά Ασία, 1919–1922 (em grego). Atenas: Εστία. pp. 120–121. ISBN 978-9600505092.
Η φάλαγξ μας εσυνέχισε την πορείαν της προς Παζαρτζίκ, όπερ κατελάβομεν κατόπιν μικράς αντιστάσεως του εχθρού και το οποίον ο στρατός μας επυρπόλησε. Ητο κωμόπολις 3.500 κατοίκων περίπου, εις άκρον πλουσία και ωραία, ως εκ του τρόπου δε κατασκευής των οικιών του από σανίδας και ξύλα, κατεστράφη τελείως εκ της πυρκαϊάς εις διάστημα ολίγων μόνον ωρών. Οι κάτοικοι είχον εγκαταλείψει το χωρίον ευθύς ως αντελήφθησαν προελαύνοντα τα τμήματά μας, πλην ελαχίστων γερόντων τους οποίους ηναγκάσθησαν να αφήσουν εκεί λόγω του δυσχερούς της μεταφοράς των
- ↑ Πρινιωτάκις, Παντελής (1998). Ατομικόν ημερολόγιον. Μικρά Ασία, 1919–1922 (em grego). Atenas: Εστία. p. 144. ISBN 978-9600505092.
τα υποχωρούντα τμήματα του στρατού μας θέτουν πυρ εις χωρία εξ ων διερχόμεθα και εις τα εν αφθονία ευρισκόμενα ακόμη εις τους αγρούς σιτηρά. Οι κάτοικοι των διαφόρων χωρίων, περίτρομοι, συγκεντρωμένοι εις τας παρυφάς των χωρίων των, περίλυποι αλλά και μη τολμώντες ουδέν να πράξωσι, παρακολουθούσι το θέαμα. Δυστυχώς, δεν έλειψαν και παρεκτροπαί και βιαιότητες των στρατιωτών μας
- ↑ Δεμέστιχας, Παναγιώτης (2002). Αναμνήσεις (em grego). Atenas: Πελασγός. p. 104. ISBN 978-9605221409.
Τις καταστροφές στις πόλεις και τα χωριά απ' όπου περάσαμε, τους εμπρησμούς και τις άλλες ασχημίες, δεν είμαι ικανός να περιγράψω και προτιμώ να μείνουν στη λήθη
- ↑ Κουτσονικόλας, Γιάννης (2008). Απ' την Αράχωβα στα Κράσπεδα της Άγκυρας. Ημερολόγιο Εκστρατείας 1919–1922 (em grego). Atenas: Δήμος Αράχωβας. p. 213. ISBN 978-9608854222.
Το βράδυ μείναμε εις (Μπάλ Μαχμούτ), το Αφιόν το κάψαμε τρόφιμα, εφοδιασμός, πυρομαχικά τα κάψαμε.[...] διότι είμεθα μόνοι μας, οιδοποιθεντες ότι τα αλλά τμήματα οπισθοχώρησαν βαλωμένα εξ όλων των πλευρών, εφόνευσον τα κτήνη των πυροβόλων,
Parâmetro desconhecido|editor-primeiro=ignorado (ajuda); Parâmetro desconhecido|editor-ultimo=ignorado (ajuda);|nome1=sem|sobrenome1=em Editors list (ajuda) - ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] p. 209.
Διερχόμεθα διά Φιλαδελφείας, η οποία καίεται απ' άκρου εις άκρον. Η λύσσα της καταστροφής και της λεηλασίας δεν κάμνει διάκρισιν εθνικοτήτων. Καίεται η ελληνική συνοικία Φιλαδελφείας και λεηλατούνται αι ελληνικαί οικίαι, όπως και αι τουρκικαί
- ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] pp. 208–212.
Όλα τά χωρία τής πεδιάδος έκαίοντο άπό τούς προπορευομένους κατά τήν ύποχώρησιν φυγάδας καί δέν εύρίσκομεν ούτε ένα κάτοικον διά νά μας δώση μίαν πληροφορίαν ή νά τόν πάρωμεν ώς οδηγόν.[...]24 Αύγούστου. Το Σαλιχλή άπό τό όποίον διήλθομεν καίγεται.[...]25 Αύγούστου.[...] Άργά τήν πρωίαν έφθάσαμεν είς Κασαμπά.[...] Ή πόλις έκαίετο. Στρατιώται καταγόμενοι έκ Κασαμπά έβλεπον τάς οίκίας των καιομένας. Άλλά εύρέθησαν καί μερικοί Τούρκοι, οι όποίοι έν τή έπελπισία των, έπυροβόλουν έκ τών οίκιών των, ένας έφιππος στρατιώτης τής άκολουθίας μου έφονεύθη.[...]Ή Μαγνησία, κατοικουμένη υπό 80 χιλ. κατοίκων και μένεα πνέουσα διά τήν πυρπόλησίν της, δεν ήτο άκίνδυνος.
- ↑ Γονατάς, Στυλιανός (1958). Απομνημονεύματα Στυλιανού Γονατά 1897–1957 (em grego). Atenas: [s.n.] pp. 219–220.
Οι Βρυουλιώται έσχηματισαν πολιτοφυλακήν, ήτις φρουρεί τήν πόλιν των. Εάν αυτό έγινε δια την προφύλαξίν των από τήν λεηλασίαν τών ήμετέρων, ήτο σοφόν έργον προνοίας, αλλ' έάν νομίζουν ότι θά προφυλάξουν την πόλιν των και άπό τούς Τούρκους, μετά τήν άναχώρησιν μας, άπατώνται.
- ↑ Niş, Kemal; Söker, Reşat; Ercan, Tevfik; Anıt, Çetin (dezembro de 1995). Türk İstiklal Harbi II. Cilt Batı Cephesi 6. Kısım III. Kitap Büyük Taarruzda Takip Harekatı (31 Ağustos – 18 Eylül 1922) (em turco). Ancara: Genelkurmay Atase Başkanlığı Yayınları. pp. 198–199. ISBN 978-9754090598.
Kolordu komutanı Zeytinler köyünün doğu sırtlarına geldi. 15 Eylül 1922 günü de takibe devam edilmesini, Alaçatı – Ilıcaköy hattının tutulmasını saat 19.00'da emretti. Kolordunun harekât bölgesinde erzak, yem ve saman tedariki imkânsızdı. Çünkü buralardaki bütün köyler (Rum köyleri dahil) Yunanlılar tarafmdan yakılmıştı. Bu nedenle birlikler beraberlerinde taşıyabildikleri demirbaş yem ve erzakla idareye çalışıyorlardı.
- ↑ Özdalga, Elizabeth. The Last Dragoman: the Swedish Orientalist Johannes Kolmodin as Scholar, Activist and Diplomat (2006), Swedish Research Institute in Istanbul, p. 63
- ↑ Venezis, Elias (1931). Το Νούμερο 31328: Σκλάβοι στα Εργατικά Τάγματα της Ανατολής: Ρομάντσο (em grego). Mitilene, Grécia: [s.n.] p. 103
- ↑ Venezis, Elias (2008). Το νούμερο 31328: Το βιβλίο της σκλαβιάς (em grego). [S.l.]: Hestia Publishers. p. 145. ISBN 978-9600510119.
ΤΟ ΙΔΙΟ ΠΡΩΙ, άμα φύγαν οι μουσαφιραίοι, εμάς μας χώρισαν σε συντεχνίες. Μεγαλύτερη ανάγκη είχαν από χτίστες. Γιατί ο τόπος, εκεί κατά τ' Αρμένικα, ήταν καμένος απ' τον Έλληνα που είχε φύγει.
- ↑ Niş, Kemal; Söker, Reşat; Ercan, Tevfik; Anıt, Çetin (1995). Türk İstiklal Harbi II. Cilt Batı Cephesi 6. Kısım III. Kitap Büyük Taarruzda Takip Harekatı (31 Ağustos – 18 Eylül 1922) (em turco). Ancara: Genelkurmay Atase Başkanlığı Yayınları. pp. 206–207. ISBN 978-9754090598.
14 Eylül saat 06.00'da hareket eden 2 nci Süvari Tümeni, saat 12.30' da Dikili'ye vardı. Yunanlıların son kâfilesi 13/14 Eylül gecesi kasabayı yakarak vapurlarla Midilli'ye geçmiş olduklarından. Süvari Tümeni Yunan birliklerine rastlamadı. 14 ncü Piyade Tümeni 14 Eylül akşamı saat 18.00'de Dikili'ye geldi. Yunanlılar kasabada birçok cephane, bomba, gereç bırakmışlar, bir kısım hayvanları öldürmüşler ve 1000 kadar beygir, katır, öküz ile 3000 kadar koyunu başıboş bırakmışlardı.
- ↑ Erro de citação: Etiqueta
<ref>inválida; não foi fornecido texto para as "refs" nomeadas:12 - ↑ Διαμαντόπουλος, Βασίλης (1977). ΑΙΧΜΑΛΩΤΟΣ ΤΩΝ ΤΟΥΡΚΩΝ (1922–1923) (em grego). Atenas: Private. pp. 13–14.
Άπό την έπομένη, ένώ άκόμη δέν είχε δοθεί καμιά διαταγή γιά σύμπτυξη καί ύποχώρηση, οί έλληνες κάτοικοι της πόλης Άϊδίνι ώς καί άλλοι χριστιανοί, άνέβαιναν στους σιδηροδρομικούς συρμούς πού άναχωρούσαν γιά τή Σμύρνη, παρατώντας στό χώρο του σταθμού τα υπάρχοντά τους καί το χειρότερο βάζοντας φωτιά στα σπίτια των για να μή τα βρουν άκέραια οί τουρκοι. Προσπάθειες στρατιωτικών τμημάτων να σβύσουν τίς πυρκαγιές δεν έφερναν κανένα άποτέλεσμα.
- ↑ Βασιλικός, Νίκος (1992). Ημερολόγιο μικρασιατικής εκστρατείας (em grego). Atenas: Γνώση. pp. 182–187.
Το Ουσάκ καίεται. Ολα τα γύρω χωριά παραδίδονται εις τας φλόγας. Φωτιά, παντού φωτιά. [...] Μετά πορείαν δώδεκα συνεχών ωρών φθάνομεν εις το χωρίον Εϋνέκ, κείμενον εντός χαράδρας, φωτιζομένης με αγρίαν μεγαλοπρέπειαν από τας φλόγας του καιομένου χωρίου. [...] Φθάνομεν εις τον Κασαμπά, ο οποίος καίεται απ' άκρου εις άκρον. Το παμφάγον πυρ γλείφει με τας πυρίνας γλώσσας του αδιακρίτως τα κωδωνοστάσια των Εκκλησιών καθώς και τους μιναρέδες των τζαμιών»
- ↑ «Turks halt embarkation of all Smyrna refugees; Quit the neutral zone» (PDF). Rome Daily Sentinel. Consultado em 5 de setembro de 2022.
visiting the areas devastated by the Greeks. He declared that out of 11.000 houses in the city of Magnesia only 1.000 remained
- ↑ Citação: .
- ↑ Citação: .
- ↑ Twice A Stranger: How Mass Expulsion Forged Modern Greece and Turkey, por Clarke, Bruce (2006), Cambridge, Massachusetts: Harvard University Press. ISBN 978-0674023680.
- ↑ Naimark 2002, p. 47.
- ↑ Dinah, Shelton. Encyclopaedia of Genocide and Crimes Against Humanity, p. 303.
Bibliografia
- Akçam, Taner (2006). A Shameful Act: The Armenian Genocide and the Question of Turkish Responsibility. New York: Metropolitan Books
- Shaw, Stanford Jay; Shaw, Ezel Kural (1977). History of the Ottoman Empire and Modern Turkey. [S.l.]: Cambridge University Press
- Toynbee, Arnold J (1922). The Western question in Greece and Turkey: A study in the contact of civilisations. Boston: Houghton Mifflin
- Kinross, Lord (1960). Atatürk: The Rebirth of a Nation. [S.l.: s.n.]