Gary Cooper

Gary Cooper
Cooper em 1936
Nome completoFrank James Cooper
Nascimento
Morte
13 de maio de 1961 (60 anos)

Causa da mortecâncer de próstata
Nacionalidadenorte-americano
CônjugeVeronica Balfe (c. 1933; v. 1961)
Filho(a)(s)1
Ocupaçãoator
Período de atividade1925–1961
Websitegarycooper.com
Assinatura

Gary Cooper (nascido Frank James Cooper ; 7 de maio de 1901 – 13 de maio de 1961) foi um ator americano conhecido por sua forte presença no cinema mudo e por seu estilo de atuação discreto. Ele ganhou o Oscar de Melhor Ator duas vezes e recebeu outras três indicações, além de um Oscar Honorário em 1961 por sua filmografia. Figurou entre as 10 maiores personalidades do cinema por 23 anos consecutivos e foi um dos atores mais lucrativos por 18 anos. O American Film Institute (AFI) classificou o artista em 11º lugar em sua lista das 50 maiores lendas do cinema.

A carreira de Cooper abrangeu 36 anos, de 1925 a 1961, e incluiu papéis principais em 84 longas-metragens. Ele foi uma grande estrela de cinema desde o fim da era do cinema mudo até quase o fim da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. Sua presença em cena atraía fortemente tanto homens quanto mulheres, e sua versatilidade incluía papéis na maioria dos principais gêneros cinematográficos. Sua capacidade de projetar a própria personalidade nos personagens que interpretava contribuiu para sua aparência natural e autêntica na tela. Ao longo de sua carreira, manteve uma imagem que representava o herói americano ideal.

Cooper começou sua carreira como figurante e dublê de motociclistas, mas logo conseguiu papéis de ator. Depois de se estabelecer como um herói do faroeste em seus primeiros filmes mudos, ele se tornou uma estrela de cinema com sua primeira produção sonora, interpretando o papel principal em The Virginian (1929). No início da década de 1930, ele expandiu sua imagem heroica para incluir personas mais cautelosos em obras de aventura e dramas como A Farewell to Arms (1932) e Lanceiros da Índia (1935). No auge de sua carreira, interpretou um novo tipo de herói, um defensor do homem comum em filmes como Mr. Deeds Goes to Town (1936), Meet John Doe (1941), Sargento York (1941), Bola de Fogo (1941) , The Pride of the Yankees (1942) e Por Quem os Sinos Dobram (1943). Mais tarde, atuou em papéis mais maduros e em conflito com o mundo como The Fountainhead (1949) e High Noon (1952). Em suas últimas aparições no cinema buscou interpretar personagens não violentos em busca de redenção como em Friendly Persuasion (1956) e O Homem do Oeste (1958).

Vida pregressa

foto de Gary Cooper vestido de cowboy aos dois anos de idade
Cooper aos dois anos de idade, 1903

Frank James Cooper nasceu em Helena, Montana no dia 7 de maio de 1901, sendo o caçula de dois filhos dos imigrantes ingleses Alice (nascida Brazier) e Charles Henry Cooper.[1] pai de Cooper veio de Houghton Regis, Bedfordshire na Inglaterra [2]e tornou-se um proeminente advogado, fazendeiro e juiz da Suprema Corte de Montana.[3] Sua mãe era de Gillingham, Kent e casou-se com Charles em Montana.[4] Em 1906, Charles comprou o rancho de gado Seven-Bar-Nine, de 240 hectares (600 acres),[5][6] cerca de 80 quilômetros (50 milhas) ao norte de Helena, perto de Craig.[7] Cooper e seu irmão Arthur passavam os verões no rancho e aprenderam a andar a cavalo, caçar e pescar.[8][9] Cooper frequentou a Central Grade School em Helena.[10]

Alice queria que seus filhos tivessem uma educação britânica, então os levou de volta ao Reino Unido em 1909 para matriculá-los na Dunstable Grammar School em Dunstable. Enquanto estavam lá, Cooper e seu irmão moraram com os primos de seu pai, William e Emily Barton, em sua casa em Houghton Regis.[11][12] Estudou latim, francês e história inglesa em Dunstable até 1912.[13] Embora tenha se adaptado à disciplina escolar inglesa e aprendido as boas maneiras necessárias, ele nunca se acostumou com as golas formais de Eton que era obrigado a usar.[14] Ele recebeu sua confirmação na Igreja da Inglaterra na Igreja de Todos os Santos em Houghton Regis em 3 de dezembro de 1911.[15][16] Sua mãe acompanhou seus filhos de volta aos Estados Unidos em agosto de 1912 e Cooper retomou seus estudos em Montana, na Johnson Grammar School em Helena.[10]

Aos quinze anos, Cooper lesionou o quadril em um acidente de carro. Por recomendação médica, retornou ao rancho Seven-Bar-Nine para se recuperar com passeios a cavalo.[17] Os cuidados médicos equivocados o deixaram com sua característica marcha rígida e desequilibrada e um estilo de montaria ligeiramente angulado.[18] Ele deixou a Helena High School após dois anos, em 1918, e retornou ao rancho da família para trabalhar em tempo integral como vaqueiro.[18] Em 1919, seu pai providenciou para que o filho frequentasse a Gallatin County High School em Bozeman,[19] onde a professora de inglês Ida Davis o incentivou a se concentrar nos estudos e a participar de debates e peças teatrais.[20] Cooper mais tarde chamou Davis de "a mulher parcialmente responsável por [ele] desistir de ser vaqueiro e ir para a faculdade".[21]

Enquanto estava no ensino médio em 1920, Cooper fez três cursos de arte no Montana Agricultural College (atual Universidade Estadual de Montana) em Bozeman.[20] Seu interesse pela arte foi inspirado anos antes pelas pinturas retratando o Oeste americano de Charles Marion Russell e Frederic Remington. Cooper admirava e estudava especialmente Lewis and Clark Meeting Indians at Ross' Hole (1910) de Russell, que ainda está pendurado no prédio do Capitólio estadual em Helena.[22]

Cooper no Grinnell College (fileira de cima, segundo da esquerda), 1922

Em 1922, para dar continuidade à sua formação artística, Cooper matriculou-se no Grinnell College em Grinnell, Iowa e teve um bom desempenho acadêmico na maioria de seus cursos, entretanto, não fora aceito no clube de teatro da faculdade.[23] Seus desenhos e pinturas em aquarela foram exibidos por todo o dormitório e ele foi nomeado editor de arte do anuário da faculdade.[24] Durante os verões de 1922 e 1923, o futuro ator trabalhou no Parque Nacional de Yellowstone como guia turístico, dirigindo os ônibus amarelos de dois andares.[25][26] Apesar de um início promissor de 18 meses em Grinnell, acabou por deixar a faculdade repentinamente em fevereiro de 1924, passou um mês em Chicago procurando trabalho como artista e depois retornou a Helena,[27] onde vendeu charges editoriais para o jornal local Independent.[28]

No outono de 1924, o pai de Cooper deixou o cargo de juiz da Suprema Corte estadual e mudou-se com a esposa para Los Angeles para administrar o patrimônio de dois parentes,[29][30] e ele juntou-se aos pais lá em novembro, a pedido do pai.[29] Depois de trabalhar brevemente em uma série de empregos pouco promissores, Cooper conheceu dois amigos de Montana,[31][32] que trabalhavam como figurantes e dublês em filmes de faroeste de baixo orçamento para os pequenos estúdios de cinema da Poverty Row.[33] Eles o apresentaram a outro cowboy de Montana, o campeão de rodeio Jay "Slim" Talbot, que o levou para ver um diretor de elenco.[31] Querendo dinheiro para um curso profissional de arte,[29] Cooper trabalhou como figurante por cinco dólares por dia e como dublê por 10 dólares. Cooper e Talbot tornaram-se amigos íntimos e companheiros de caça; Talbot mais tarde trabalhou como dublê e substituto de Cooper por mais de três décadas.[33]

Carreira

Cinema mudo (1925–1928)

Cooper em The Winning of Barbara Worth, 1926

No início de 1925, Gary Cooper começou sua carreira no cinema em filmes mudos como The Thundering Herd e Wild Horse Mesa com Jack Holt,[34] Riders of the Purple Sage e The Lucky Horseshoe junto com Tom Mix[35][36] e The Trail Rider ao lado de Buck Jones.[35] Ele trabalhou para vários estúdios da Poverty Row, mas também para os grandes estúdios já emergentes, Famous Players–Lasky e Fox Film Corporation.[37] Embora sua habilidade com cavalos lhe garantisse trabalho constante em filmes de faroeste, o intérprete achava o trabalho de dublê, que às vezes feria cavalos e cavaleiros, "difícil e cruel".[34] Na esperança de se afastar do arriscado trabalho de dublê e obter papéis de ator, Cooper pagou por um teste de elenco e contratou a diretora de elenco Nan Collins para trabalhar como sua empresária.[38] Sabendo que outros atores estavam usando o nome artístico de "Frank Cooper", Collins sugeriu que ele mudasse seu primeiro nome para "Gary", em homenagem à sua cidade natal, Gary, Indiana.[39][40][41] O ator gostou imediatamente do nome.[42][a]

Gary Cooper também encontrou trabalho em diversos filmes não-western, aparecendo, por exemplo, como um cossaco mascarado em The Eagle (1925), como um guarda romano em Ben-Hur (1925) e um sobrevivente da enchente em The Johnstown Flood (1926).[35] Gradualmente, começou a conseguir papéis creditados que lhe ofereciam mais tempo em cena, em filmes como Tricks (1925), no qual interpretou o antagonista e o curta-metragem Lightnin' Wins (1926).[44] Como ator de destaque, ele começou a atrair a atenção dos principais estúdios de cinema.[45] Em 1º de junho de 1926, Gary Cooper assinou um contrato com a Samuel Goldwyn Productions por US$ 50 por semana.[46]

O primeiro papel importante de sua carreira no cinema foi um papel coadjuvante em The Winning of Barbara Worth (1926), estrelado por Ronald Colman e Vilma Bánky,[46] no qual ele interpreta um jovem engenheiro que ajuda um pretendente rival a salvar a mulher que ama e sua cidade de um desastre iminente em uma represa.[47] A experiência de Cooper vivendo entre os cowboys de Montana deu à sua atuação uma "autenticidade instintiva", de acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers.[48] O filme foi um grande sucesso com os críticos destacando o ator como uma "nova personalidade dinâmica" e futura estrela.[49][50] Goldwyn se apressou em oferecer a Cooper um contrato de longo prazo, mas ele resistiu por um acordo melhor – um contrato de cinco anos com Jesse L. Lasky na Paramount Pictures por US$ 175 por semana.[49] Em 1927, com a ajuda de Clara Bow, Cooper conseguiu papéis de destaque em Children of Divorce e Asas (ambos de 1927), sendo este último o primeiro longa-metragem a ganhar um Oscar de Melhor Filme.[51] Nesse ano, o intérprete também foi o protagonista de Arizona Bound e Nevada, ambos dirigidos por John Waters.[52]

A Paramount escalou Cooper e Fay Wray para contracenar em The Legion of the Condemned e The First Kiss (ambos de 1928), anunciando-os como os "jovens amantes gloriosos" do estúdio.[53] A química entre eles na tela não gerou muito entusiasmo no público.[53][54][55] A cada novo filme, as habilidades de atuação de Cooper melhoravam e sua popularidade continuava a crescer, especialmente entre o público feminino.[55] Nessa época, ele ganhava até US$ 2.750 por produção[56] e recebia 1.000 cartas de fãs por semana.[57] Buscando explorar o crescente apelo do artista junto ao público, o estúdio o colocou ao lado de atrizes populares como Evelyn Brent em Beau Sabreur, Florence Vidor em Doomsday e Esther Ralston em Half a Bride (todos de 1928).[58] Por volta da mesma época, atuou em Lilac Time (1928) com Colleen Moore para a First National Pictures, sua primeira produção sonora com música e efeitos sonoros sincronizados, tornou-se, um dos filmes de maior sucesso comercial de 1928.[58]

Estrelato em Hollywood (1929–1935)

o ator e Mary Brian em The Virginian (1929)

Gary Cooper tornou-se uma grande estrela de cinema em 1929, interpretando o papel principal em seu primeiro filme falado, The Virginian (1929), dirigido por Victor Fleming e coestrelado por Mary Brian e Walter Huston. Baseado no popular romance de Owen Wister, The Virginian foi um dos primeiros longa-metragem sonoros a definir o código de honra do Velho Oeste e ajudou a estabelecer muitas das convenções do gênero do cinema de faroeste que persistem até hoje.[59] De acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers , a imagem romântica do herói cowboy alto, bonito e tímido que personificava a liberdade, a coragem e a honra masculinas foi criada em grande parte pela caracterização do intérprete em The Virginian.[60] Ao contrário de alguns atores do cinema mudo que tiveram dificuldade em se adaptar ao novo meio sonoro, Cooper fez a transição naturalmente, com sua voz "profunda e clara" e "agradavelmente arrastada", que se adequava perfeitamente aos personagens que interpretava na tela.[61] Buscando capitalizar a crescente popularidade de Cooper, a Paramount o escalou para vários faroestes e dramas de guerra, incluindo Only the Brave, The Texan , Seven Days' Leave, A Man from Wyoming e The Spoilers (todos lançados em 1930).[62] Norman Rockwell retratou o ator em seu papel em The Texan para a capa do The Saturday Evening Post no dia 24 de maio de 1930.[63]

Lili Damita e Cooper em Fighting Caravans (1931)

Uma das atuações mais importantes no início da carreira de Cooper foi sua interpretação de um legionário taciturno no filme Marrocos (1930) de Josef von Sternberg com Marlene Dietrich em sua estreia para o público americano.[64][65] Durante a produção, o cineasta concentrou suas energias em Dietrich e tratou Cooper com desdém.[65] As tensões chegaram ao auge depois que von Sternberg gritou instruções para o intérprete em alemão. O ator de 1,91 m aproximou-se do diretor de 1,63 m, agarrou-o pela gola e disse: "Se você espera trabalhar neste país, é melhor aprender o idioma que usamos aqui".[66][67] Apesar das tensões no set, Cooper produziu "uma de suas melhores atuações", segundo Thornton Delehanty do New York Evening Post.[68]

Após retornar ao gênero western em Fighting Caravans (1931) de Zane Grey contracenando com a atriz francesa Lili Damita,[69] apareceu no filme policial City Streets (também de 1931) dirigido por Dashiell Hammett coestrelado por Sylvia Sidney e Paul Lukas, interpretando um homem do oeste que se envolve com gângsteres da cidade grande para salvar a mulher que ama.[70] Cooper encerrou o ano com participações em duas produções sem sucesso: I Take This Woman (também de 1931) ao lado de Carole Lombard e His Woman com Claudette Colbert.[71] As exigências e pressões de fazer 10 filmes em dois anos deixaram o artista exausto e com a saúde debilitada, sofrendo de anemia e icterícia.[65][72] Ele havia perdido 14 kg[72][73] sentindo-se deprimido por sua repentina fama e riqueza.[74][75] Em maio de 1931, Cooper deixou Hollywood e navegou para Argel e depois para a Itália, onde viveu durante o ano seguinte.[74]

Durante sua estadia no exterior, Cooper ficou hospedado com a Condessa Dorothy di Frasso, a antiga Dorothy Cadwell Taylor, na Villa Madama em Roma, onde ela o ensinou sobre boa comida e vinhos de safras antigas, como ler cardápios italianos e franceses e como socializar entre a nobreza e as classes altas da Europa.[76] Depois de guiá-lo pelos grandes museus e galerias de arte da Itália,[76] ela o acompanhou em um safári de caça de animais de grande porte de 10 semanas nas encostas do Monte Quênia, na África Oriental, onde foi creditado por mais de 60 abates, incluindo dois leões, um rinoceronte e vários antílopes.[77] Sua experiência de safári na África teve uma profunda influência sobre Cooper e intensificou seu amor pela vida selvagem.[77] Depois de retornar à Europa, a condessa e ele partiram em um cruzeiro pelo Mediterrâneo, pelas rivieras italiana e francesa.[78] Descansado e revigorado por seu exílio de um ano, retornou a Hollywood em abril de 1932 negociando um novo contrato com a Paramount para dois filmes por ano, um salário de US$ 4.000 por semana e aprovação do diretor e do roteiro.[79][80]

O ator e Helen Hayes em A Farewell to Arms (1932)

Em 1932, após concluir Entre Duas Águas com Tallulah Bankhead para cumprir seu antigo contrato[81], Cooper protagonizou A Farewell to Arms, a primeira adaptação cinematográfica do romance homônimo de Ernest Hemingway.[82] Coestrelado por Helen Hayes e Adolphe Menjou, o filme apresentou a Cooper um de seus papéis dramáticos mais ambiciosos e desafiadores,[83] interpretando um motorista de ambulância americano ferido na Itália, que se apaixona por uma enfermeira inglesa durante a Primeira Guerra Mundial.[84] Os críticos elogiaram sua atuação intensa e emocionante,[85][86] A Farewell to Arms se tornou um dos maiores sucessos comerciais daquele ano.[83] Em 1933, depois de fazer Today We Live com Joan Crawford e One Sunday Afternoon com Fay Wray, Cooper apareceu na comédia de Ernst Lubitsch, Design for Living baseado na peça de sucesso de Noël Coward.[87][88] Coestrelado por Miriam Hopkins e Fredric March, o longa-metragem foi um sucesso de bilheteria, figurando entre as 10 produções de maior bilheteria de 1933.[89] Todos os três atores principais – March, Cooper e Hopkins – receberam atenção por esta obra, pois estavam no auge de suas carreiras. A atuação de Cooper, como um artista americano na Europa competindo com seu amigo dramaturgo pelo afeto de uma bela mulher, é destacada por sua versatilidade e revelou sua genuína habilidade para comédias leves.[90][91] O ator mudou seu nome legalmente para "Gary Cooper" em agosto de 1933.[92]

Anna Sten e Cooper em The Wedding Night (1935)

Em 1934, Gary Cooper foi emprestado à MGM para o filme de drama da Guerra Civil Americana, Operator 13 com Marion Davies sobre uma bela espiã da União que se apaixona por um soldado confederado.[93] Apesar dos elogios a direção de Ryszard Bolesławski e da cinematografia de George J. Folsey, o longa-metragem teve um desempenho ruim nas bilheterias.[94]

De volta à Paramount, Cooper apareceu em seu primeiro dos sete filmes do diretor Henry Hathaway,[95] Now and Forever com Carole Lombard e Shirley Temple.[96] No filme, ele interpreta um vigarista que tenta vender sua filha para os parentes que a criaram, mas acaba sendo conquistado pela adorável garota.[97] Impressionado com a inteligência e o charme de Temple, Cooper desenvolveu uma amizade próxima com ela, tanto dentro quanto fora das telas.[95][b] O longa-metragem fora um sucesso de bilheteria.[94]

Em 1935, Cooper foi emprestado à Samuel Goldwyn Productions para aparecer no filme romântico de King Vidor, The Wedding Night, com Anna Sten[98] que estava sendo comercializada para ser "outra [Greta] Garbo".[99][100] No longa-metragem, ele interpreta um romancista alcoólatra que se refugia na fazenda de sua família na Nova Inglaterra, onde conhece e se apaixona por uma vizinha polonesa.[98] O ator entregou uma atuação de surpreendente amplitude e profundidade, de acordo com o biógrafo Larry Swindell.[101] Apesar de receber críticas geralmente favoráveis,[102] The Wedding Night não foi popular entre o público americano, que pode ter se sentido ofendido pela representação de um caso extraconjugal e seu final trágico.[101]

Ainda em 1935, Cooper apareceu em dois filmes de Henry Hathaway: o melodrama Sonho Eterno contracenando com Ann Harding, sobre um homem preso em um mundo de sonhos criado por seu amor por uma namorada de infância[103] e o longa-metragem de aventura Lanceiros da Índia, sobre um audacioso oficial britânico e seus homens que defendem sua fortaleza em Bengala contra tribos locais rebeldes.[104] Enquanto o primeiro, defendido pelos surrealistas,[105] se tornou mais bem-sucedido na Europa do que nos Estados Unidos,[106] o segundo foi indicado a sete Oscars na época virou um dos filmes de aventura mais populares e bem-sucedidos do intérprete.[107][108] O cineasta tinha o maior respeito pela capacidade de atuação de Cooper, chamando-o de "o melhor ator de todos eles".[95]

De Mr. Deeds a The Real Glory (1936–1939)

Cooper ao lado de Jean Arthur em Mr. Deeds Goes to Town (1936)

A carreira de Cooper deu uma importante guinada em 1936.[109] Depois de fazer o filme de comédia romântica de Frank Borzage, Desire, com Marlene Dietrich na Paramount, no qual entregou uma atuação considerada por alguns críticos contemporâneos como uma de suas melhores,[109] o astro retornou à Poverty Row pela primeira vez desde seus primeiros dias no cinema mudo para fazer Mr. Deeds Goes to Town de Frank Capra ao lado de Jean Arthur para a Columbia Pictures.[110] Neste longa-metragem interpreta Longfellow Deeds, um escritor de cartões de felicitações tranquilo e inocente que herda uma fortuna, deixa para trás sua vida idílica em Vermont e viaja para a cidade de Nova York, onde enfrenta um mundo de corrupção e engano.[111] Capra e o roteirista Robert Riskin conseguiram usar a persona bem estabelecida de Cooper nas telas como o "herói americano por excelência"[109] – um símbolo de honestidade, coragem e bondade[112][113][114] – para criar um novo tipo de "herói popular" para o homem comum.[109] [115]Ao comentar sobre o impacto do ator no personagem e na obra num geral, Capra observou:[116]

Assim que pensei em Gary Cooper, não foi possível imaginar mais ninguém no papel. Ele não poderia ser mais próximo da minha ideia de Longfellow Deeds, e assim que Bob Riskin conseguiu pensar nele também, ficou mais fácil desenvolver o personagem de Deeds em termos de diálogo. Então, tinha que ser Cooper. Cada linha em seu rosto exalava honestidade. Nosso Sr. Deeds tinha que simbolizar a incorruptibilidade, e na minha mente, Gary Cooper era esse símbolo.

Tanto Desire quanto Mr. Deeds Goes to Town estrearam em abril de 1936 com elogios da crítica e bom desempenho na bilheteria.[117] Em sua crítica no The New York Times, Frank Nugent escreveu que Gary Cooper estava "provando ser um dos melhores comediantes leves de Hollywood".[118] Por sua atuação em Mr. Deeds Goes to Town, o ator recebeu sua primeira indicação ao Oscar de Melhor Ator.[119]

Cooper com Jean Arthur em The Plainsman (1936)

Cooper apareceu em outros dois filmes da Paramount em 1936. Na aventura de Lewis Milestone, The General Died at Dawn, interpreta um soldado americano na China que ajuda os camponeses a se defenderem da opressão de um cruel senhor da guerra. Escrito pelo dramaturgo Clifford Odets, o longa-metragem foi um sucesso de crítica e público.[120][121][122] Logo após, atuou numa versão altamente ficcional de Wild Bill Hickok no épico faroeste de Cecil B. DeMille, The Plainsman.[123] A produção foi um sucesso de bilheteria ainda maior que seu antecessor,[124] em grande parte devido à representação definitiva de Jean Arthur como Jane Calamidade e à interpretação de Cooper de Hickok como uma figura enigmática de "crescente substância mítica".[125] Naquele ano, Cooper apareceu pela primeira vez na lista dos 10 maiores nomes do cinema feita por exibidores do Motion Picture Herald e nela permaneceu pelos próximos 23 anos.[126]

No final de 1936, a Paramount estava preparando um novo contrato para Cooper que aumentaria seu salário para US$ 8.000 por semana,[127] quando Cooper assinou um contrato com Samuel Goldwyn para seis filmes ao longo de seis anos com uma garantia mínima de US$ 150.000 por longa-metragem.[128] A Paramount entrou com uma ação contra Goldwyn e Cooper, e o tribunal decidiu que o novo contrato de Cooper com Goldwyn concedia ao ator tempo suficiente para também cumprir seu acordo com a Paramount.[129] O artista continuou a fazer filmes com ambos os estúdios e, em 1939, o Departamento de Tesouro dos Estados Unidos informou que Cooper era o ator mais bem pago do país, com US$ 482.819 (equivalente a US$ 11,18 milhões em 2025).[128][130][131]

Em contraste com sua produção no ano anterior, o ator apareceu em apenas uma produção em 1937, o filme de aventura de Henry Hathaway, Souls at Sea.[132] Cooper se referiu a ele como seu "quase filme",[133] dizendo: "Foi quase emocionante e quase interessante. E eu fui quase bom".[133] Em 1938, apareceu no filme biográfico de Archie Mayo, The Adventures of Marco Polo.[134] Atormentado por problemas de produção, tornou-se o maior fracasso da Goldwyn até então, perdendo US$ 700.000.[135][136] Durante esse período, o artista recusou vários papéis importantes,[137] incluindo o papel de Rhett Butler em Gone with the Wind (1939) sendo inclusive a primeira escolha do produtor David O. Selznick para o papel que fez várias propostas ao ator, mas Cooper tinha dúvidas sobre o projeto e não se sentia adequado para o papel.[138][139][126] O intérprete admitiu mais tarde: "Foi um dos melhores papéis já oferecidos em Hollywood [...] Mas eu disse não. Eu não me via como tão galante, e mais tarde, quando vi Clark Gable interpretar o papel com perfeição, soube que estava certo".[126][c]

O ator e Claudette Colbert em Bluebeard's Eighth Wife (1938)

De volta à Paramount, Cooper retornou a mais uma comédia romântica de Ernst Lubitsch, Bluebeard's Eighth Wife (1938).[136][142] Na qual, interpreta um rico empresário americano na França que se apaixona pela filha empobrecida de um aristocrata e a convence a se tornar sua oitava esposa, numa óbvia referência ao conto do Barba Azul.[143] Apesar do roteiro elogiado de Charles Brackett e Billy Wilder,[144] e a química dos protagonistas,[142] o público americano teve dificuldade em aceitar Cooper no papel de um mulherengo superficial. O filme obteve sucesso apenas no mercado europeu de bilheteria.[144] No outono daquele mesmo ano, apareceu na comédia romântica de H.C. Potter, The Cowboy and the Lady com Merle Oberon, sobre um cowboy de rodeio que se apaixona pela filha rica de um aspirante à presidência, acreditando que ela seja uma empregada doméstica pobre e trabalhadora.[145] Apesar dos esforços de três diretores e vários roteiristas, o longa-metragem recebeu análises mistas e desempenho morno nos cinemas.[146][147]

Nos dois anos seguintes, Cooper tornou-se mais criterioso quanto aos papéis que aceitava e realizou quatro filmes de aventura e faroeste de grande sucesso.[147] Na aventura Beau Geste (1939) de William A. Wellman, ele interpreta um dos três irmãos ingleses audaciosos que se juntam à Legião Estrangeira Francesa no Saara para lutar contra tribos locais.[148] Filmado nos mesmos locais do Deserto de Mojave que a versão original de 1926 com Ronald Colman,[147][149] Beau Geste proporcionou a Cooper cenários magníficos, ambientes exóticos, ação empolgante e um papel feito sob medida para sua personalidade e persona na tela sendo este foi o último dele contrato com a Paramount.[150] Em The Real Glory (1939), de Henry Hathaway, ele é um médico militar que acompanha um pequeno grupo de oficiais do Exército Americano às Filipinas para ajudar os filipinos cristãos a se defenderem contra radicais muçulmanos.[151] Muitos críticos de cinema elogiaram a atuação de Gary Cooper, incluindo o autor e crítico de cinema Graham Greene, que reconheceu que ele "nunca atuou melhor" antes deste personagem.[152]

De The Westerner a Por Quem os Sinos Dobram (1940–1943)

Cooper retornou ao western em A Última Fronteira (1940), de William Wyler com Walter Brennan e Doris Davenport, sobre um cowboy errante que defende colonos contra Roy Bean, um juiz corrupto conhecido como a "lei a oeste do Pecos".[152][153] O roteirista Niven Busch contou com o extenso conhecimento do ator sobre a história do Velho Oeste ao trabalhar no roteiro.[154] A Última Fronteira recebeu críticas positivas e teve um bom desempenho comercial com os críticos elogiando as atuações dos dois atores principais.[155][156] Naquele mesmo ano, o intérprete apareceu em seu primeiro longa-metragem totalmente em Technicolor,[157] North West Mounted Police realizada por Cecil B. DeMille e Arthur Rosson.[158][d] Nele, o artista faz um Texas Ranger que persegue um fora da lei no oeste do Canadá, onde une forças com a Real Polícia Montada do Canadá, que está atrás do mesmo homem, um líder da Rebelião de Saskatchewan.[161] Embora não tão popular entre a crítica especializada quanto seu antecessor,[162] foi outro sucesso de bilheteria, a sexta produção de maior bilheteria de 1940.[155][163]

Edward Arnold, Barbara Stanwyck, Cooper, e Walter Brennan em Meet John Doe (1941)

O início da década de 1940 foi o auge da carreira de Cooper como ator.[164] Em um período relativamente curto, apareceu em cinco filmes aclamados pela crítica e público, a qual produziram algumas de suas melhores performances.[164] Quando Frank Capra lhe ofereceu o papel principal em Meet John Doe (1941) antes mesmo de Robert Riskin desenvolver o roteiro, o artista aceitou a oferta do amigo, dizendo: "Tudo bem, Frank, eu não preciso de um roteiro".[165] No filme, Cooper interpreta Long John Willoughby, um jogador de beisebol decadente de uma liga amadora, contratado por um jornal para fingir ser um homem que promete cometer suicídio na véspera de Natal em protesto contra toda a hipocrisia e corrupção no país.[166] Considerado por alguns críticos como o melhor filme de Capra na época, Meet John Doe foi recebido como um "evento nacional"[167] com o ator aparecendo na capa da revista Time em 3 de março de 1941.[168] Em sua crítica no New York Herald Tribune, Howard Barnes chamou a atuação de Cooper de "uma interpretação esplêndida e totalmente convincente" e elogiou sua "atuação totalmente realista que se destaca com tanta autoridade".[169][168] Bosley Crowther do The New York Times, escreveu: "Gary Cooper, é claro, é 'John Doe' em todos os sentidos – tímido, confuso, não agressivo, mas um verdadeiro tigre quando provocado".[170]

Joan Fontaine e Cooper no Oscar 1942

Naquele mesmo ano, Cooper fez dois filmes com o diretor e amigo Howard Hawks.[171] O primeiro sendo o biográfico Sargento York na qual interpreta o herói de guerra Alvin C. York,[172] um dos soldados americanos mais condecorados da Primeira Guerra Mundial.[173] O enredo narra os primeiros dias de York no interior do Tennessee, sua conversão religiosa e subsequente piedade, sua posição como objetor de consciência e, por fim, suas ações heroicas na Batalha da Floresta de Argonne, que lhe renderam a Medalha de Honra.[172][174] Inicialmente, o intérprete estava nervoso e inseguro sobre interpretar um herói vivo, então viajou para o Tennessee para visitar York em sua casa, e os dois homens estabeleceram uma afinidade imediata e descobriram que tinham muito em comum.[175] Inspirado por essas conversas, Cooper apresentou uma atuação que Howard Barnes, do New York Herald Tribune, chamou de "uma de extraordinária convicção e versatilidade", e que Archer Winston, do New York Post, chamou de "uma de suas melhores performances".[176] Após o lançamento do filme, o artista recebeu a Medalha de Cidadania Distinta dos Veteranos de Guerras Estrangeiras por sua "poderosa contribuição para a promoção do patriotismo e da lealdade".[177] York admirou a atuação de Cooper e ajudou a promover o filme para a Warner Bros.[178] Sargento York tornou-se o longa-metragem de maior bilheteria do ano e foi indicado a 11 Oscars.[177][179] Ao aceitar seu primeiro Oscar de Melhor Ator de seu amigo James Stewart, Cooper disse: "Foi o Sargento Alvin York quem ganhou este prêmio. Puxa, estou na indústria há 16 anos e às vezes sonhava que poderia ganhar um desses. É tudo o que posso dizer ... Engraçado que quando eu sonhava, sempre fazia um discurso melhor".[179]

Barbara Stanwyck e Cooper em Bola de Fogo (1941)

O ator encerrou o ano de volta à Goldwyn com Howard Hawks para fazer a versão lúdica do conto da Branca de Neve, Bola de Fogo com Barbara Stanwyck.[180] No filme, Cooper interpreta um tímido professor de linguística que lidera uma equipe de sete acadêmicos que estão escrevendo uma enciclopédia. Enquanto pesquisam gírias, ele conhece a sedutora stripper burlesca Sugarpuss O'Shea, interpretada por Stanwyck, que tira a poeira de sua vida monótona dedicada aos livros. O roteiro de Charles Brackett e Billy Wilder proporcionou ao intérprete a oportunidade de exercitar toda a gama de suas habilidades em comédia leve.[181] Em sua crítica para o New York Herald Tribune, Howard Barnes escreveu que Cooper desempenhou o papel com "grande habilidade e ênfase cômica" e que sua atuação foi "absolutamente encantadora".[182] Embora de pequena escala, Bola de Fogo foi um dos filmes de maior bilheteria do ano e o quarto longa-metragem consecutivo do intérprete a figurar entre os 20 mais assistidos.[183]

A única aparição de Cooper no cinema em 1942 foi também a sua última sob o contrato com a Goldwyn.[184] Sendo este o drama biográfico dirigido por Sam Wood, The Pride of the Yankees na qual interpreta a estrela do beisebol Lou Gehrig,[185] que estabeleceu um recorde para o New York Yankees ao jogar em 2.130 partidas consecutivos.[186] Inicialmente o artista estava relutante em interpretar o sete vezes All-Star, que havia falecido apenas no ano anterior de esclerose lateral amiotrófica (agora comumente chamada de "doença de Lou Gehrig").[187] Além dos desafios de retratar efetivamente uma figura tão popular e reconhecida nacionalmente, o ator sabia muito pouco sobre beisebol e também não era canhoto como Gehrig.[188][187] Após a viúva de Gehrig visitar o ator e expressar seu desejo de que ele interpretasse seu marido,[187] Cooper aceitou o papel que abrangia um período de 20 anos da vida do atleta: seu amor precoce pelo beisebol, sua ascensão à grandeza, seu casamento amoroso e sua luta contra a doença, culminando em seu discurso de despedida no Yankee Stadium em 4 de julho de 1939, diante de 62.000 fãs.[189] Ele aprendeu rapidamente os movimentos físicos de um jogador de beisebol e desenvolveu movimentos nos membros superiores fluidos e convincentes.[190] A questão da lateralidade foi resolvida invertendo a cópia em certas cenas de rebatida.[191] The Pride of the Yankees frequentou várias listas de 10 melhores filmes do ano e recebeu 11 indicações ao Oscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (a terceira de Cooper).[192][193]

Ingrid Bergman e Cooper em Por Quem os Sinos Dobram (1943)

Logo após a publicação do romance Por Quem os Sinos Dobram de Ernest Hemingway, a Paramount pagou US$ 150.000 pelos direitos cinematográficos com a intenção expressa de escalar Cooper no papel principal de Robert Jordan,[194] um americano especialista em explosivos que luta ao lado dos republicanos lealistas durante a Guerra Civil Espanhola.[195] O diretor original, Cecil B. DeMille, foi substituído por Sam Wood, que contratou Dudley Nichols para escrever o roteiro.[194] Após o início das filmagens principais na Serra Nevada , no final de 1942, Ingrid Bergman foi contratada para substituir a bailarina Vera Zorina como protagonista feminina, uma mudança apoiada por Gary Cooper e o autor do romance.[196] A química entre o ator e Ingrid Bergman foi elogiada pelos críticos sendo descrita como "arrebatadora".[197][198] Howard Barnes, no New York Herald Tribune, escreveu que ambos atuam com "a verdadeira estatura e autoridade de estrelas.[199] Embora a adaptação tenha distorcido os temas políticos e o significado originais do romance,[200][201] Por Quem os Sinos Dobram recebeu boas avaliações da crítica e público, ganhando 10 nomeações para o Óscar, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator (a quarta indicação de Cooper).[198]

Atividades relacionadas à Segunda Guerra Mundial

Cooper autografando um cartão para uma militar em Brisbane durante sua turnê pelo Sudoeste do Pacífico, em novembro de 1943.

Devido à sua idade e saúde, Cooper não serviu no exército durante a Segunda Guerra Mundial,[164] mas, como muitos de seus colegas, envolveu-se no esforço de guerra entretendo as tropas.[192] Em junho de 1943, visitou hospitais militares em San Diego e frequentemente aparecia no Hollywood Canteen servindo comida aos militares.[202] No final de 1943, Cooper empreendeu uma turnê de 37.000 km (23.000 milhas) pela Oceania com as atrizes Una Merkel e Phyllis Brooks junto do acordeonista Andy Arcari.[192][202][203]

Viajando em um bombardeiro B-24A Liberator, o grupo percorreu as Ilhas Cook, Fiji, Nova Caledônia, Queensland, Brisbane – onde o General Douglas MacArthur disse a Cooper que estava assistindo Sargento York em um teatro de Manila quando as bombas japonesas começaram a cair[192]Nova Guiné e Jaiapura, depois por todas as Ilhas Salomão.[204]

O grupo frequentemente compartilhava as mesmas condições de vida precárias e rações K que as tropas. Cooper se encontrou com os militares, visitou hospitais militares, realizou apresentações e participou de esquetes ocasionais. Os shows terminavam com a comovente recitação de Cooper do discurso de despedida de Lou Gehrig. Quando retornaram aos Estados Unidos, visitaram também os hospitais militares por todo o país.[205] O ator mais tarde chamou seu tempo com as tropas de "a maior experiência emocional" de sua vida.[203]

Papéis maduros (1944–1952)

Cooper e Loretta Young em Along Came Jones (1945)

Em 1944, Cooper apareceu no filme de aventura de guerra de Cecil B. DeMille, Pelo Vale das Sombras, com Laraine Day – sua terceira parceria com o diretor.[206] Desta vez, encarna Corydon M. Wassell que lidera um grupo de marinheiros feridos através das selvas de Java até um local seguro. Apesar de receber críticas negativas, tornou-se uma das maiores bilheterias do ano.[207] Com seus contratos com a Goldwyn e a Paramount agora concluídos, Cooper decidiu permanecer independente e formou sua própria produtora, a International Pictures, com Leo Spitz, William Goetz e Nunnally Johnson.[208] A primeira oferta do estúdio iniciante foi a comédia romântica Casanova Brown, de Sam Wood estrelado por Teresa Wright, sobre um homem que descobre que sua futura ex-esposa está grávida de seu filho, justamente quando o protagonista está prestes a se casar com outra mulher.[209] Casanova Brown ganhou críticas negativas[210] com o New York Daily News chamando-o de "absurdo"[211] e Bosley Crowther criticando a "palhaçada um tanto óbvia e ridícula" do ator.[212] O filme também não foi lucrativo.[213]

Em 1945, Gary Cooper estrelou e produziu a comédia western de Stuart Heisler, Along Came Jones, contracenando com Loretta Young, para a International.[214] Nesta auto-paródia de sua "imagem heróica" de seus papéis no final dos anos 30 e início dos 40, ele faz o cowboy comicamente inepto Melody Jones, que é confundido com um assassino.[215] O público abraçou o personagem de Cooper, e o filme foi um dos maiores sucessos de bilheteria do ano – um testemunho do apelo ainda vital do artista junto ao público.[216] Along Came Jones era o maior sucesso da International Pictures antes de ser vendida para a Universal Studios em 1946.[217]

A carreira de Cooper durante os anos do pós-guerra tomou novos rumos à medida que a sociedade americana se transformava. Embora ainda interpretasse papéis heroicos convencionais, seus filmes agora dependiam menos de sua persona heroica nas telas e mais de histórias originais com cenários exóticos.[218] No mês de novembro de 1945, Cooper apareceu no drama de época do século XIX de Sam Wood, Saratoga Trunk, com Ingrid Bergman, sobre um cowboy texano e seu relacionamento com uma caçadora de fortunas.[219] Filmado no início de 1943, o lançamento foi adiado por dois anos devido ao aumento da demanda por propagandas de guerra. Apesar das críticas negativas, Saratoga Trunk teve um bom desempenho nas bilheterias e tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria do ano para a Warner Bros.[220][221] A única aparição do ator em 1946 é no suspense romântico O Grande Segredo de Fritz Lang, sobre um professor de física de temperamento ameno recrutado pelo Escritório de Serviços Estratégicos durante os últimos anos da Segunda Guerra Mundial para investigar o programa alemão de bomba atômica.[222] Interpretando um papel vagamente baseado no físico Robert Oppenheimer, Cooper se sentiu desconfortável com o papel e incapaz de transmitir o "senso interior" do personagem, o longa-metragem teve desempenho negativo na crítica e público.[223][224] Em 1947, o intérprete entrou pro elenco do épico de aventura de Cecil B. DeMille, Unconquered, com Paulette Goddard sobre um miliciano da Virgínia que defende colonos contra um comerciante de armas inescrupuloso e índios hostis na fronteira oeste durante o século XVIII.[225] Apesar das análises mistas, o notório detrator de B. DeMille, James Agee, o avaliou positivamente.[226] Este último dos quatro filmes feitos com DeMille foi o mais lucrativo de Cooper, rendendo ao ator mais de US$ 300.000 (equivalente a US$ 4.325.633 hoje) em salário e porcentagem dos lucros.[227]

O ator em The Fountainhead (1949)

Em 1948, após fazer a comédia romântica de Leo McCarey, Good Sam,[228] Cooper vendeu sua empresa para a Universal Studios e assinou um contrato de longo prazo com a Warner Bros. que lhe dava aprovação sobre o roteiro e o diretor, além de um valor garantido de US$ 295.000 (equivalente a US$ 3.953.082 hoje) por longa-metragem.[229] Seu primeiro filme sob o novo contrato foi o drama de King Vidor, The Fountainhead (1949), com Patricia Neal e Raymond Massey.[230] Na história, um arquiteto idealista e intransigente que luta para manter sua integridade e individualismo diante das pressões sociais para se conformar aos padrões populares.[231] Baseado no romance homônimo de Ayn Rand, que também escreveu o roteiro, The Fountainhead reflete sua filosofia e ataca os conceitos de coletivismo e promove o individualismo.[232] Para a maioria dos críticos, a escalação do ator foi uma escolha totalmente inadequada para o papel de Howard Roark.[233] Em sua crítica para o The New York Times, Bosley Crowther concluiu que ele era "o Sr. Deeds fora de seu elemento".[234] Cooper retornou a propaganda de guerra no drama de Delmer Daves, Task Force (1949), sobre um contra-almirante aposentado que relembra sua longa carreira como aviador naval e seu papel no desenvolvimento de porta-aviões.[235] A atuação do ator e as imagens de cinejornal em Technicolor fornecidas pela Marinha dos Estados Unidos fizeram do filme um dos mais populares da filmografia do artista durante esse período.[236] Nos dois anos seguintes, ele fez quatro filmes mal recebidos: o drama de época de Michael Curtiz, Bright Leaf (1950), o melodrama western de Stuart Heisler, Dallas (1950), a comédia de guerra de Henry Hathaway, You're in the Navy Now (1951), e o de ação de Raoul Walsh, Distant Drums (1951).[237]

Cooper abraçando Grace Kelly enquanto Katy Jurado os observa em High Noon (1952)

O filme mais famoso de Cooper durante os anos do pós-guerra foi o drama western de Fred Zinnemann, High Noon (1952), com Grace Kelly e Katy Jurado, para a United Artists.[238] No longa-metragem, o ator interpreta o xerife aposentado Will Kane, que está se preparando para deixar a cidade em lua de mel quando descobre que um fora da lei que ele ajudou a prender e seus três capangas estão retornando para buscar vingança. Incapaz de obter o apoio dos moradores assustados da cidade e abandonado por sua jovem esposa, Kane permanece na cidade para enfrentar os foras da lei sozinho.[239] Durante as filmagens, ele estava com a saúde debilitada e sentia muita dor devido a úlceras estomacais.[240] Seu rosto abatido e o desconforto em algumas cenas "fotografados como insegurança", segundo o biógrafo Hector Arce,[241] contribuíram para a eficácia de sua atuação.[240] Considerado um dos primeiros faroestes "adultos" por seu tema de coragem moral,[242] High Noon recebeu críticas entusiasmadas por sua cenografia, com a revista Time colocando-o no mesmo nível de Stagecoach (1939) e The Gunfighter (1950).[243] Bosley Crowther, no The New York Times escreveu que Cooper estava "no auge de sua forma",[244] e John McCarten, no The New Yorker afirmou que Cooper nunca esteve tão eficaz.[245] O longa-metragem arrecadou US$ 3,75 milhões nos Estados Unidos e US$ 18 milhões internacionalmente.[243] Seguindo o exemplo de seu amigo James Stewart,[246] ele aceitou um salário menor em troca de uma porcentagem dos lucros e acabou ganhando US$ 600.000.[247] O tom discreto de sua atuação foi amplamente elogiada e lhe rendeu seu segundo Oscar de Melhor Ator.[241][248][245][e]

Final de carreira (1953–1959)

o ator em Vera Cruz (1954)

Após aparecer no drama da Guerra Civil de Andre de Toth, Springfield Rifle (1952) que foi totalmente ofuscado por High Noon o ator participou de quatro filmes ambientados fora dos Estados Unidos.[249][250][251] No drama de Mark Robson, Return to Paradise (1953), Cooper interpreta um andarilho americano que liberta os habitantes de uma ilha polinésia do domínio de um pastor puritano.[252] Os bastidores foram difíceis e o intérprete suportou longas horas de trabalho e problemas de saúde durante os três meses de filmagens na ilha de Upolu na Samoa Ocidental.[253] O único ponto positivo de Return to Paradise para a crítica foi a cinematografia.[254] As três produções seguintes de sua filmografia foram gravadas no México.[251] Em Blowing Wild (1953) de Hugo Fregonese com Barbara Stanwyck ele é um explorador de petróleo no México, que se envolve com um executivo de uma companhia petrolífera e sua esposa inescrupulosa com quem ele já teve um caso.[255] Em 1954, apareceu no western de Henry Hathaway, Garden of Evil sendo o par de Susan Hayward cujo enredo é três mercenários no México contratados para resgatar o marido de uma mulher.[256] No mesmo ano, ele apareceu no faroeste de aventura de Robert Aldrich, Vera Cruz, com Burt Lancaster onde interpreta um aventureiro americano contratado pelo Imperador Maximiliano I para escoltar uma condessa até Veracruz durante a Rebelião Mexicana de 1866.[257] Todos essas produções receberam críticas ruins, mas tiveram bom desempenho nas bilheterias.[258] Por seu trabalho em Vera Cruz, Cooper ganhou US$ 1,4 milhão em salário e uma porcentagem da bilheteria.[259]

Durante esse período, Cooper enfrentou problemas de saúde. Ele sofreu uma grave lesão no ombro durante as filmagens de Blowing Wild (1953) quando foi atingido por fragmentos de metal de um poço de petróleo dinamitado, além de seu tratamento contínuo para úlceras. No meio das de Vera Cruz (1954), lesionou novamente o quadril ao cair de um cavalo e sofreu queimaduras quando Lancaster disparou seu rifle muito perto e a bucha do cartucho de festim perfurou suas roupas.[259]

O ator protagonizou a cinebiografia The Court-Martial of Billy Mitchell (1955) sobre o general de guerra homônimo que tentou convencer autoridades governamentais da importância do poder aéreo e foi submetido a uma corte marcial após culpar o Departamento de Guerra por uma série de desastres aéreos.[260] Alguns críticos acharam que Cooper estava mal escalado e sua atuação contida não combinava com a personalidade de Billy Mitchell.[261][262] No ano seguinte, o intérprete fora mais bem recebido pelos críticos em seu papel do quaker de Indiana em Friendly Persuasion, uma obra na qual aborda o conflito entre o pacifismo religioso e o dever cívico.[263][264] Por sua atuação, o artista recebeu sua segunda indicação ao Globo de Ouro de Melhor Ator em Cinema.[265] Friendly Persuasion foi nomeado a seis Oscars, recebeu a Palma de Ouro no Festival de Cannes de 1957 e arrecadou US$ 8 milhões de dólares internacionalmente.[264][266]

Cooper e Audrey Hepburn em Love in the Afternoon (1957)

Cooper viajou para a França em 1956 para filmar a comédia romântica de Billy Wilder, Love in the Afternoon, encenando com Audrey Hepburn e Maurice Chevalier.[267][268] Apesar de receber algumas críticas positivas, incluindo de Bosley Crowther, que elogiou as "atuações encantadoras" do elenco, a maioria concluiu que Cooper era velho demais para o papel.[269][270] Embora o público possa não ter gostado de ver a imagem heroica do ator nas telas "manchada" por ele interpretar um libertino decadente tendo um caso com uma jovem, Love in the Afternoon ainda foi um sucesso de bilheteria.[270] No ano seguinte, o intérprete entrou pro elenco do drama romântico Ten North Frederick de Philip Dunne baseado no romance homônimo de John O'Hara.[271][272] Nesta adaptação ele é um advogado cuja vida é arruinada por um político traidor e por seu próprio caso secreto com a jovem colega de quarto de sua filha.[271] Embora o artista tenha trazido "convicção e angústia controlada" à sua encenação, de acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers,[272] isso não foi suficiente para salvar o que Bosley Crowther chamou de "um filme infeliz".[273]

Screen capture of Gary Cooper
Cooper em O Homem do Oeste (1958)

Apesar de seus problemas de saúde contínuos e de várias cirurgias para úlceras e hérnias, Cooper continuou a trabalhar em filmes de ação.[274] Em 1958, apareceu no drama western de Anthony Mann, O Homem do Oeste (1958) com Julie London e Lee J. Cobb sobre um fora da lei e assassino reformado que é forçado a confrontar seu passado violento quando o trem em que viaja é assaltado por seus antigos companheiros de gangue.[275] Classificado de "o faroeste mais patológico" de sua filmografia, com seus temas de raiva impotente, humilhação sexual e sadismo.[272] De acordo com o biógrafo Jeffrey Meyers, Cooper, que lutava com conflitos morais em sua vida pessoal, "compreendia a angústia de um personagem que se esforçava para manter sua integridade [...] [e] trouxe sentimento autêntico ao papel de um homem encurralado e atormentado, mas essencialmente decente".[276] Inicialmente ignorado, posteriormente O Homem do Oeste ganhou um culto de seguidores entre fãs de cinema clássico e atualmente é visto como a última obra-prima da carreira de Gary Cooper.[277][273]

Após o término de seu contrato com a Warner Bros., Cooper formou sua própria produtora, a Baroda Productions, e realizou três filmes incomuns em 1959 sobre redenção.[278] No faroeste de Delmer Daves, The Hanging Tree ele interpreta um médico da fronteira que salva um criminoso de um linchamento e, posteriormente, tenta explorar seu passado sórdido.[279] Meyers afirma que o ator entregou uma atuação "poderosa e persuasiva" de um homem emocionalmente marcado, cuja necessidade de dominar os outros é transformada pelo amor e sacrifício de uma mulher.[280] Na aventura histórica de Robert Rossen, They Came to Cordura, contracenando com Rita Hayworth, o ator interpreta um oficial do exército considerado culpado de covardia e designado para a tarefa degradante de recomendar soldados para a Medalha de Honra durante a Expedição Pancho Villa de 1916.[281] Embora Cooper tenha recebido críticas positivas, a Variety e a Films in Review acharam que o ator velho demais para o papel.[282]

No drama de ação dirigido por Michael Anderson, The Wreck of the Mary Deare (1959), interpreta um oficial da marinha mercante em decadência que decide permanecer a bordo de seu navio cargueiro afundando para provar que a embarcação foi deliberadamente afundada e para redimir seu bom nome.[283] Assim como seus dois predecessores, a equipe de produção exigiu um desempenho físico elevado do artista. Cooper, que era um mergulhador treinado, fez a maioria de suas próprias cenas subaquáticas.[284] Jeffrey Meyers observou que, em todos os três papéis, Cooper transmitiu efetivamente o sentimento de honra perdida e o desejo de redenção[285] – o que Joseph Conrad em Lord Jim chamou de "as lutas de um indivíduo tentando salvar do fogo sua ideia do que sua identidade moral deveria ser".[285][286]

Vida pessoal

Casamento e família

Photo of Veronica Balfe and Gary Cooper
Veronica Balfe e Cooper, Novembro de 1933

Gary Cooper foi formalmente apresentado à sua futura esposa, a debutante nova-iorquina de 20 anos Veronica Balfe,[f] no domingo de Páscoa de 1933, em uma festa oferecida por seu tio, o diretor de arte Cedric Gibbons.[288][289][290] Chamada de "Rocky" por sua família e amigos, ela cresceu na Park Avenue e frequentou escolas de boas maneiras.[291] Seu padrasto era o magnata de Wall Street Paul Shields.[291] Cooper e Rocky se casaram discretamente na residência de seus pais na Park Avenue em 15 de dezembro de 1933.[292] De acordo com seus amigos, o casamento teve um impacto positivo no ator, que se afastou de indiscrições passadas e assumiu o controle de sua vida.[293] Atlética e amante da natureza, Rocky compartilhava muitos dos interesses de seu cônjuge, incluindo equitação, esqui e tiro ao álvaro.[294] Embora ela organizasse a vida social deles, sua riqueza e conexões sociais proporcionaram ao artista acesso à alta sociedade de Nova York.[295] Os dois possuíam casas na área de Los Angeles em Encino (1933–1936),[293] Brentwood (1936–1953)[293] e Holmby Hills (1954–1961).[296] Por um período, alugaram uma casa de férias em em Aspen, Colorado (1949–1953).[297][g]

A filha de Gary e Veronica Cooper, Maria Veronica Cooper, nasceu em 15 de setembro de 1937.[298] Segundo todos os relatos, ele era um pai paciente e afetuoso, ensinando Maria a andar de bicicleta, jogar tênis, esquiar e andar a cavalo. Compartilhando muitos dos interesses de seus pais, a criança os acompanhava em suas viagens e era frequentemente fotografada com eles.[298] Como seu progenitor, ela desenvolveu um amor pela arte e pintura.[299][h] A família passava as férias juntos em Sun Valley, Idaho, ficavam na casa de campo dos pais de Rocky em Southampton, Nova York e faziam viagens frequentes à Europa.[295] Cooper e Rocky se separaram legalmente em 16 de maio de 1951, quando o ator saiu de casa.[300] Por mais de dois anos, mantiveram uma vida familiar frágil e instável com a filha.[301] Cooper voltou para casa em novembro de 1953 e a reconciliação formal ocorreu em fevereiro de 1954.[302][303][259]

Relacionamentos românticos

Patricia Neal e Gary Cooper que contracenaram juntos em The Fountainhead (1949) tiveram um caso extraconjugal

Antes de seu casamento, Cooper teve uma série de relacionamentos românticos com atrizes de destaque, começando em 1927 com Clara Bow que impulsionou sua carreira ao ajudá-lo a conseguir um de seus primeiros papéis principais em Children of Divorce.[304] Bow também foi responsável por conseguir um papel para Cooper em Asas, o que gerou uma enorme quantidade de cartas de fãs para o jovem ator.[305] Em 1928, ele teve um relacionamento com outra atriz experiente, Evelyn Brent e se conheceram durante as filmagens de Beau Sabreur.[306] Em 1929, nos bastidores de The Wolf Song, o ator teve um caso com Lupe Vélez a qual foi o romance mais importante de sua juventude.[307] Durante os dois anos em que estiveram juntos, Cooper também teve breves casos com Marlene Dietrich durante as gravações de Marrocos em 1930[308] e com Carole Lombard durante as filmagens de I Take This Woman em 1931.[309] Durante o seu ano no estrangeiro em 1931-1932, o intérprete teve um caso com a condessa casada Dorothy di Frasso, a antiga Dorothy Cadwell Taylor, enquanto estava hospedado na sua Villa Madama perto de Roma.[76]

Após se casar em dezembro de 1933, Cooper permaneceu fiel à sua esposa até o verão de 1942, quando iniciou um caso com Ingrid Bergman durante a produção de Por Quem os Sinos Dobram e durou até a conclusão de Saratoga Trunk em junho de 1943.[310][311] Em 1948, após terminar o trabalho em The Fountainhead, começou um caso com Patricia Neal, sua colega de elenco.[312] Inicialmente, eles mantiveram o caso em segredo, mas eventualmente tornou-se uma fofoca em Hollywood, e a esposa do ator o confrontou com os rumores, que admitiu serem verdadeiros. Ele também confessou que estava apaixonado por Neal e continuou a vê-la.[313][314] Apesar de se separaram legalmente em maio de 1951 ele não pediu o divórcio.[300][315] Neal afirmou mais tarde que Cooper a ofendeu após descobrir sobre o encontro dela com Kirk Douglas e o ator providenciou um aborto para ela quando descobriu estar grávida dele, o caso entre eles acabou em 1951.[316][317] Durante os três anos de separação da esposa, boatos circularam dele ter tido casos com Grace Kelly,[318] Lorraine Chanel e Gisèle Pascal.[319][320]

Os biógrafos de Cooper exploraram seu relacionamento no final da década de 1920 com o ator Anderson Lawler a quem dividiu uma casa intermitentemente por um ano, enquanto ao mesmo tempo se encontrava com Clara Bow, Evelyn Brent e Lupe Vélez. Vélez certa vez contou a Hedda Hopper sobre o suposto caso de Lawler com Cooper; sempre que ele voltava para casa depois de encontrá-lo, ela o cheirava para sentir o perfume de Lawler.[321] A biógrafa de Vélez, Michelle Vogel, escreveu que a atriz consentiu com o suposto comportamento bissexual de Cooper com Lawler, mas apenas enquanto ela também pudesse participar.[322]

Mais tarde, Cooper envolveu-se com a figurinista Irene e, segundo ela, foi "o único homem que amou". Um ano após a morte dele, em 1961, Irene cometeu suicídio atirando-se do 11º andar do Hotel Knickerbocker, depois de contar a Doris Day sobre sua tristeza pela morte do ator.[323][324]

Amizades, interesses e personalidade

De acordo com o ator:[325]

...as coisas realmente gratificantes que faço me são oferecidas gratuitamente, sem nenhum custo. Já saiu no outono para caçar um pouco? Viu a geada na grama e as folhas mudando de cor? Passou um dia nas montanhas sozinho ou com bons companheiros? Contemplou um pôr do sol e o nascer da lua? Notou um pássaro no vento? Um riacho na mata, uma tempestade no mar, atravessou o país de trem e vislumbrou algo belo no deserto ou nas terras agrícolas? Gratuito para todos ...

Photo of Ernest Hemingway, Bobbi Powell, and Gary Cooper during a hunting trip
Ernest Hemingway, Bobbi Powell, junto com Gary Cooper em Silver Creek, Idaho (1959)

A amizade de 20 anos de Cooper com Ernest Hemingway começou quando se encontraram em Sun Valley durante o mês de outubro de 1940.[326] No ano anterior, Hemingway inspirou-se na imagem de Cooper ao criar o personagem Robert Jordan para o romance Por Quem os Sinos Dobram.[327] Os dois compartilhavam uma paixão pela natureza, e durante anos caçaram patos e faisões e esquiaram juntos em Sun Valley.[326] Ambos admiravam a obra de Rudyard Kipling — Cooper mantinha uma cópia do poema "If" em seu camarim — e conservaram, na vida adulta, o senso de aventura juvenil de Kipling.[328] Além de admirar as habilidades de caça do intérprete e seu conhecimento da natureza, o autor acreditava que seu personagem combinava com sua persona na tela,[326] certa vez falou: "Se você inventasse um personagem como o Cooper, ninguém acreditaria. Ele é bom demais para ser verdade".[328] Visitavam um ao outro com bastante frequência e a amizade permaneceu forte ao longo dos anos.[329][i]

A vida social de Cooper geralmente girava em torno de esportes, atividades ao ar livre e jantares com sua família e amigos da indústria cinematográfica, incluindo os diretores Henry Hathaway, Howard Hawks, William Wellman e Fred Zinnemann, e os atores Joel McCrea, Barbara Stanwyck, James Stewart e Robert Taylor.[330][331][332] Além da caça, gostava de cavalgar, pescar, esquiar e, mais tarde na vida, natação.[333][334] Ele nunca abandonou seu amor inicial pela arte e pintura, ao longo dos anos, ao lado de sua esposa adquiriram uma coleção particular de pinturas modernas, incluindo obras de Pierre-Auguste Renoir, Paul Gauguin e Georgia O'Keeffe.[335] O ator possuía várias obras de Pablo Picasso, a quem conheceu pessoalmente em 1956.[335] O intérprete também tinha uma paixão de longa data por automóveis, com uma coleção que incluía um Duesenberg de 1930.[336][337]

Cooper era naturalmente reservado e introspectivo, e adorava a solidão das atividades ao ar livre.[338] De forma semelhante à sua persona na tela, seu estilo de comunicação frequentemente consistia em longos silêncios com um ocasional "sim" e "droga".[338][339][340] Dizendo certa vez: "Se os outros têm coisas mais interessantes a dizer do que eu, eu fico quieto".[341] Seus amigos disseram que o ator também era um conversador articulado e bem informado sobre tópicos que variavam de cavalos, armas e história do Oeste americano a produção cinematográfica, carros esportivos e arte moderna.[341] Ele era modesto e despretensioso,[338] frequentemente minimizando suas habilidades de atuação e filmografia.[342] Seus amigos e colegas o descreveram como charmoso, educado e atencioso, com um senso de humor jovial e vibrante.[341] O intérprete manteve um senso de decoro ao longo de sua carreira e nunca abusou de sua fama de astro de cinema, nunca buscando tratamento especial ou se recusando a trabalhar com um diretor ou atriz principal.[343] O amigo íntimo de Cooper, Joel McCrea, lembrou: "Coop nunca brigou, nunca ficou bravo, nunca repreendeu ninguém que eu saiba; todos que trabalharam com ele gostavam dele".[343]

Ideologia política

Assim como seu pai, Cooper era um republicano conservador; votou em Calvin Coolidge em 1924 e em Herbert Hoover em 1928 e 1932, e fez campanha para Wendell Willkie em 1940.[229] Quando Franklin D. Roosevelt concorreu a um quarto mandato presidencial sem precedentes em 1944, o ator fez campanha para Thomas E. Dewey e criticou Roosevelt por ser desonesto e adotar ideias "estrangeiras".[344] Em um discurso radiofônico que ele mesmo pagou pouco antes da eleição, disse: "Discordo da crença do New Deal de que a América que todos nós amamos é velha, desgastada e acabada – e precisa tomar emprestado noções estrangeiras que nem parecem funcionar muito bem de onde vieram [...] Nosso país é um país jovem que só precisa se decidir a ser ele mesmo novamente".[344][345] Também compareceu a um comício republicano no Los Angeles Memorial Coliseum que atraiu 93.000 apoiadores de Dewey.[346] Em 1952, o artista, juntamente com Glenn Ford, Adolphe Menjou e John Wayne, apoiou Robert A. Taft em vez de Dwight D. Eisenhower nas primárias republicanas.[347][348]

Cooper foi um dos membros fundadores da Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals,[349] uma organização conservadora dedicada, segundo sua declaração de princípios, a preservar o "modo de vida americano" e a se opor ao comunismo e ao fascismo.[350] A organização (cujos membros incluíam Walter Brennan, Laraine Day, Walt Disney, Clark Gable, Hedda Hopper, Ronald Reagan, Barbara Stanwyck e John Wayne) aconselhou o Congresso dos Estados Unidos a investigar a influência comunista na indústria cinematográfica.[351] Em 23 de outubro de 1947, Cooper foi intimado a comparecer perante o Comitê de Atividades Antiamericanas da Câmara (HUAC) e questionado se havia observado alguma "influência comunista" em Hollywood.[352] O ator relatou declarações que ouvira sugerindo que a Constituição estava desatualizada e que o Congresso era uma instituição desnecessária, comentários que disse considerar "muito antiamericanos", e testemunhou que rejeitara vários roteiros porque achava que eles eram "impregnados de ideias comunistas". Ao contrário de algumas outras testemunhas, não nomeou nenhum indivíduo ou roteiro.[352][353]

Em 1951, durante as filmagens de High Noon (1952), Cooper fez amizade com o roteirista do filme, Carl Foreman, que havia sido membro do Partido Comunista Americano. Quando Foreman foi intimado pelo Comitê de Atividades Antiamericanas (HUAC), Cooper arriscou sua carreira para defendê-lo. Mesmo com John Wayne e outros ameaçarem o ator com a inclusão na lista negra e a perda de seu passaporte caso ele não abandonasse o longa-metragem, o intérprete deu uma declaração à imprensa em apoio a Foreman, chamando-o de "o melhor tipo de americano". Quando o produtor Stanley Kramer removeu o nome de Foreman como roteirista, Cooper e o diretor Fred Zinnemann ameaçaram abandonar o projeto se o roteirista não fosse creditado. Foreman relatou mais tarde que, de todos os seus amigos, aliados e colegas em Hollywood, "Cooper foi o único grande nome que tentou ajudar. O único".[354] Cooper chegou a se oferecer para depor em nome de Foreman perante o comitê, mas testemunhas de caráter não eram permitidas. Foreman sempre enviava roteiros futuros para que ele tivesse prioridade na escolha, incluindo A Ponte do Rio Kwai, The Key e Os Canhões de Navarone. Porém, o ator teve que recusá-los por causa de sua já avançada idade.[355]

Religião

Cooper foi batizado na Igreja de Todos os Santos, Houghton Regis em Bedfordshire, Inglaterra, em dezembro de 1911[15] mas foi criado na Igreja Episcopal nos Estados Unidos.[356] Embora não tenha sido um cristão praticante durante a maior parte de sua vida adulta, muitos de seus amigos acreditavam que ele tinha um lado profundamente espiritual.[357]

Em 26 de junho de 1953, Cooper acompanhou sua esposa e filha, que eram católicas romanas devotas, a Roma, onde tiveram uma audiência com o Papa Pio XII.[358][359] Na época, ainda estavam separados na época, mas a visita papal marcou o início de sua reconciliação gradual.[360] Nos anos seguintes, o ator contemplou sua mortalidade e seu comportamento pessoal e começou a discutir o catolicismo com sua família.[357][358][361] Ele começou a frequentar a missa regularmente com eles e se encontrou com o pároco, que ofereceu a Cooper orientação espiritual.[357][361] Após vários meses de estudo, foi batizado como católico em 9 de abril de 1959, diante de um pequeno grupo de familiares e amigos na Igreja do Bom Pastor em Beverly Hills.[356][361]

Últimos anos e morte

Foto do túmulo do ator no Cemitério de Southampton, New York

Cooper foi diagnosticado com câncer de próstata em 1960. Em 14 de abril de 1960, participou de uma cirurgia no Massachusetts General Hospital, em Boston, devido a uma metástase do câncer para o cólon.[362] Ele adoeceu novamente em 13 de maio e foi submetido a uma nova cirurgia no Hospital Cedars of Lebanon, em Los Angeles, no início de junho, para remover um tumor maligno do intestino grosso.[362] Após se recuperar durante o verão, levou sua família de férias para o sul da França[363] antes de viajar para o Reino Unido no outono para estrelar The Naked Edge.[362] Em dezembro de 1960, ele trabalhou no documentário da NBC The Real West,[364] que fazia parte da franquia Project 20 da emissora.[365][j]

Em 27 de dezembro de 1960, sua esposa soube pelo médico da família que o câncer de Cooper havia metastizado para os pulmões e ossos tornando-se inoperável.[367] Sua família decidiu não lhe contar imediatamente.[368] Em 9 de janeiro de 1961, o ator compareceu a um jantar oferecido em sua homenagem por Frank Sinatra e Dean Martin no Friars Club.[364] A cerimônia contou com a presença de muitos de seus amigos da indústria[369] e terminou com um breve discurso de Cooper: "A única conquista da qual me orgulho são os amigos que fiz nesta comunidade".[370]

Em meados de janeiro, Cooper levou sua família para Sun Valley para suas últimas férias juntos, caminhando pela neve com Ernest Hemingway pela última vez.[368][371] No mês de 27 de fevereiro, após retornar a Los Angeles, soube que estava morrendo.[372] Mais tarde, disse à sua família: "Vamos rezar por um milagre; mas se não houver, e essa for a vontade de Deus, tudo bem também".[373] Em 17 de abril, o ator assistiu à cerimônia do Oscar pela televisão e viu seu grande amigo James Stewart, que havia lhe entregado seu primeiro Oscar 19 anos antes, aceitar em nome de Cooper um prêmio honorário por sua trajetória – seu terceiro Oscar.[374] Contendo as lágrimas, Stewart disse: "Cooper, vou te entregar isso imediatamente. E Cooper, quero que você saiba que com isso se vai toda a nossa amizade, o carinho, a admiração e o profundo respeito de todos nós. Estamos muito, muito orgulhosos de você, Cooper. Todos nós estamos tremendamente orgulhosos".[374] No dia seguinte, jornais do mundo todo anunciaram que o intérprete estava em risco de morte.[329] Recebendo inúmeras mensagens de apreço e encorajamento, incluindo telegramas do Papa João XXIII e da Rainha Elizabeth II,[339][375] além de um telefonema do Presidente John F. Kennedy.[339][375]

Em sua última declaração pública em 4 de maio de 1961, Cooper disse: "Eu sei que o que está acontecendo é a vontade de Deus. Não tenho medo do futuro".[376] Por fim, recebeu os últimos sacramentos na sexta-feira, 12 de maio, e faleceu no dia seguinte.[377]

Um réquiem foi realizado em 18 de maio na Igreja do Bom Pastor, com a presença de muitos amigos de Cooper, incluindo Fred Astaire, Jack Benny, Marlene Dietrich, John Ford, Henry Hathaway, Audrey Hepburn, Bob Hope, Dean Martin, Joel McCrea, Walter Pidgeon, Edward G. Robinson, Randolph Scott, Frank Sinatra, James Stewart, Jack L. Warner e John Wayne.[378][k] O corpo do ator foi sepultado na Gruta de Nossa Senhora de Lourdes no Holy Cross Cemetery em Culver City, Califórnia.[380] Em maio de 1974, após sua família se mudar para Nova York, os restos mortais de Cooper foram exumados e reenterrados no Cemitério dos Sagrados Corações em Southampton.[381][382] Seu túmulo está marcado ao lado de uma pedra de três toneladas retirado de uma pedreira de Montauk.[381]

Estilo de atuação e reputação

É difícil [para mim] falar sobre naturalidade, mas acho que se resume a isto: você descobre o que as pessoas esperam do seu tipo de personagem e então dá a elas o que elas querem. Dessa forma, um ator nunca parece artificial ou afetado, não importa o papel que interprete.

Gary Cooper[383]

O estilo de atuação de Cooper consistia em três características essenciais: sua capacidade de projetar elementos de sua própria personalidade nos personagens que interpretava, de parecer natural e autêntico em seus papéis e de atuar de forma contida e discreta, calibrada para a câmera e a tela. O professor de atuação Lee Strasberg certa vez observou: "Os exemplos mais simples das ideias de Stanislavski são atores como Gary Cooper, John Wayne e Spencer Tracy. Eles tentam não atuar, mas ser eles mesmos, responder ou reagir. Eles se recusam a dizer ou fazer qualquer coisa que considerem incoerentes com seus próprios personagens".[178] O cineasta François Truffaut classificou Cooper entre "os maiores atores" por sua capacidade de entregar grandes performances "sem direção".[178] Essa capacidade de projetar elementos de sua própria personalidade em seus personagens produziu uma continuidade em suas performances a tal ponto que críticos e público estavam convencidos de que ele estava simplesmente "interpretando a si mesmo".[384] A capacidade de Cooper de projetar sua personalidade em seus personagens desempenhou um papel importante em sua aparência natural e autêntica na tela. O ator John Barrymore disse: "Este sujeito é o maior ator do mundo. Ele faz sem esforço o que o resto de nós passa a vida tentando aprender – ou seja, ser natural".[83] Charles Laughton que atuou ao lado de Cooper em Devil and the Deep, concordou: "Na verdade, aquele rapaz não tem a menor ideia de quão bem atua [...] Ele consegue isso de dentro para fora, de sua própria maneira clara de ver a vida". William Wyler, que encenou o artista em dois filmes, o chamou de "um ator soberbo, um mestre da atuação cinematográfica".[385] Em sua crítica à atuação dele em The Real Glory, Graham Greene escreveu: “Às vezes, seu rosto magro e fotogênico parece deixar tudo para a lente, mas não há dúvida de que ele não está atuando. Observe-o inocular a garota contra a cólera – a picada casual da agulha e o curativo aplicado enquanto ele fala, como se mil braços o tivessem ensinado onde espetar e ele não precisasse mais pensar".[83]

O estilo de Cooper de atuar de forma contida diante das câmeras surpreendeu muitos de seus diretores e colegas atores. Mesmo em seus primeiros filmes, ele reconhecia a capacidade da câmera de captar gestos sutis e movimentos faciais.[386] Comentando sobre a atuação dele em Sargento York, o diretor Howard Hawks observou: "Ele trabalhou muito, mas não parecia estar trabalhando. Ele era um ator estranho porque você o olhava durante uma cena e pensava ... isso não vai ficar bom. Mas quando você via as cenas gravadas na sala de projeção no dia seguinte, podia ler em seu rosto tudo o que ele havia pensado".[171] Enquanto Sam Wood relatou: "o que eu pensava ser uma atuação contida acabou sendo a abordagem certa. Na tela, ele é perfeito, mas no set você juraria que é a pior atuação da história do cinema".[387]

Os colegas atores admiravam suas habilidades como ator. Ao comentar sobre seus dois filmes atuando ao lado de Cooper, a atriz Ingrid Bergman concluiu: "A personalidade desse homem era tão enorme, tão avassaladora – e aquela expressão em seus olhos e em seu rosto, era tão delicada e tão sutil. Você simplesmente não percebia até ver na tela. Eu o achei maravilhoso; o ator mais discreto e mais natural com quem já trabalhei".[197] Tom Hanks declarou: “Em apenas uma cena do primeiro filme a ganhar o Oscar de Melhor Filme, vemos o futuro da atuação no cinema na figura de Gary Cooper. Ele é quieto e natural, de alguma forma diferente dos outros membros do elenco. Ele faz algo misterioso com os olhos e os ombros que é muito mais como 'ser' do que 'atuar'".[388] Daniel Day-Lewis diz: "Eu não gosto particularmente de faroestes como gênero, mas adoro certos faroestes. High Noon significa muito para mim – adoro a pureza e a honestidade, adoro Gary Cooper naquele filme, a ideia do último homem de pé".[389]

O ator Chris Pratt afirmou: "Comecei a assistir filmes de faroeste quando estava filmando em Londres, há uns quatro ou cinco anos. Me apaixonei por Gary Cooper e pelo trabalho dele. Isso me fisgou para o gênero. Antes, eu nunca me envolvia com a história. Eu só assistia de vez em quando, e lá estavam os caras a cavalo em preto e branco. Depois de 'High Noon', gostei do Gary Cooper. Mas gostei de 'O Homem do Oeste'. Esse é o meu favorito. Tenho o pôster dele pendurado em casa porque gosto muito desse filme".[390] Para Al Pacino, “Gary Cooper era um fenômeno – sua capacidade de pegar algo e elevá-lo, dar-lhe tanta dignidade. Uma das grandes presenças".[391]

Mylène Demongeot conheceu Gary Cooper na abertura da primeira escada rolante a ser instalada em um cinema, no Teatro Rex em Paris em 7 de junho de 1957. Ela declarou em uma entrevista filmada em 2015: "Gary Cooper [...] ele é sublime! Aaahhh (Mylène empurrando um grito de amor para não dizer êxtase) ele é sublime... Ah! Ah! Ah! Tenho que dizer, ele é uma das estrelas, tem o Gary Cooper, o Cary Grant, o John Wayne, esses grandes americanos que eu conheci, eles são caras realmente incríveis. Não existem mais ninguém como eles!".[l][392]

Avaliação da carreira e legado

P
estrela de Gary Cooper na Calçada da Fama de Hollywood

A carreira de Cooper durou trinta e seis anos, de 1925 a 1961.[393] Durante esse tempo, apareceu em oitenta e quatro longas-metragens como protagonista.[394] Ele foi uma grande estrela de cinema desde o fim do cinema mudo até a decadência da era de ouro do cinema clássico de Hollywood. Seu estilo de atuação natural e autêntico agradou muito tanto a homens quanto a mulheres,[395] e sua gama de performances incluiu papéis na maioria dos principais gêneros cinematográficos, incluindo faroestes, filmes de guerra, aventura, drama, policiais, romances, comédia e comédia romântica. Ele apareceu na pesquisa de exibidores do Motion Picture Herald sobre as dez maiores personalidades do cinema por vinte e três anos consecutivos, de 1936 a 1958.[126] De acordo com a pesquisa anual de Quigley, o artista foi uma das estrelas que mais arrecadou dinheiro por dezoito anos, aparecendo entre os dez primeiros em 1936–1937, 1941–1949 e 1951–1957, liderando a lista em 1953. Na lista de Quigley dos que mais arrecadaram dinheiro de todos os tempos, Cooper está listado em quarto lugar, depois de John Wayne, Clint Eastwood e Tom Cruise.[396] Na época de sua morte, especularam que seus filmes arrecadaram bem mais de US$ 200 milhões (equivalente a US$ 2,15 bilhões em 2025).[393]

Em mais da metade de seus filmes, Cooper interpretou homens do Oeste, soldados, pilotos, marinheiros e exploradores, todas profissões socialmente ligadas a masculinidade. No restante, atuou uma ampla gama de personagens, incluindo médicos, professores, artistas, arquitetos, escriturários e jogadores de beisebol.[384] A sua imagem heróica nas telas mudou a cada período de sua carreira.[397] Inicialmente encenava pistoleiros ingênuos e a medida que adquiriu mais fama essa personagem fora substituída por um herói mais cauteloso em produções de aventura e dramas. Durante o auge de sua carreira, de 1936 a 1943, ele interpretou um novo tipo de herói: um defensor do homem comum, disposto a se sacrificar pelos outros (Mr. Deeds, Meet John Doe e Por Quem os Sinos Dobram).[397] Após a segunda guerra mundial, tentou variações diferentes de que agora refletia um protagonista cada vez mais em desacordo com o mundo, que deve enfrentar a adversidade sozinho (High Noon).[398] No fim de sua carreira, os heróis de Cooper rejeitam a violência do passado e busca recuperar a honra perdida e encontrar a redenção (Friendly Persuasion e O Homem do Oeste).[399] A persona na tela que ele desenvolveu e manteve ao longo de sua carreira representava a masculinidade americana ideal [400]– um homem alto, bonito e sincero, de integridade inabalável que enfatizava a ação em detrimento do intelecto e combinava as qualidades heroicas do amante romântico, do aventureiro e do homem comum.[401]

Em 6 de fevereiro de 1960, Cooper recebeu uma estrela na Calçada da Fama de Hollywood, no número 6243 da Hollywood Boulevard, por sua contribuição à indústria cinematográfica.[402] Posteriormente, ganhou estrela na calçada em frente ao Ellen Theater em Bozeman, Montana.[403] No dia 6 de maio do ano seguinte, foi condecorado com a Ordem das Artes e das Letras da França em reconhecimento à sua significativa contribuição para as artes.[364] Em 30 de julho de 1961, o ator foi agraciado postumamente com o Prêmio Especial David di Donatello na Itália por sua filmografia.[404]

Em 1966, Cooper foi introduzido no Hall of Great Western Performers no National Cowboy & Western Heritage Museum em Oklahoma City.[405] Em 2015, ele foi introduzido no Hall da Fama do Cowboy e da Herança do Oeste de Utah.[406] O American Film Institute (AFI) classificou o ator em 11º lugar em sua lista das 25 maiores estrelas masculinas da Hollywood clássica,[407] três de seus personagens – Will Kane, Lou Gehrig e Sargento York – entraram na lista dos 100 maiores heróis e vilões, todos eles como heróis.[408] A frase dita por ele como Lou Gehrig, "Hoje, me considero o homem mais sortudo da face da Terra" foi incluída na lista de melhores frases do cinema americano.[409]

Mais de meio século após sua morte, o legado duradouro de Cooper, segundo o biógrafo Jeffrey Meyers, é sua imagem do herói americano ideal preservada em suas atuações no cinema.[410] Charlton Heston certa vez observou: "Ele projetava o tipo de homem que os americanos gostariam de ser, provavelmente mais do que qualquer outro ator que já existiu".[411]

Na canção de sucesso dos anos 1930 "Puttin' On the Ritz", Cooper é mencionado no verso "dress up like a million-dollar trooper/Tryin' hard to look like Gary Cooper, Super duper!". Mais de duas décadas após a sua morte, uma nova versão da música foi lançada em 1983 por Taco; a letra original foi mantida, incluindo as referências ao intérprete.[412] O escritor Ernest Hemingway inspirou-se na imagem de Cooper ao criar o personagem Robert Jordan para o romance Por Quem os Sinos Dobram, o que levou o artista a estrelar a adaptação cinematográfica.[327] No clássico japonês Banshun (1949) de Yasujiro Ozu, Masa (Haruko Sugimura) cita regularmente o nome do ator.[413]

Gary Cooper é frequentemente mencionado várias vezes na aclamada série de televisão The Sopranos, com o protagonista Tony Soprano perguntando: "O que aconteceu com Gary Cooper? O tipo forte e silencioso..." enquanto reclama de seus problemas para sua terapeuta Dra. Melfi.[414]

Patricia Neal nomeou o edifício do teatro ao ar livre na Abbey of Regina Laudis de The Gary-The Olivia em homenagem a Cooper e sua filha Olivia Dahl.[415] Há uma rua em San Antonio, Texas em homenagem ao ator.[416]

Filmografia

Notas

  1. A fama de Gary Cooper é em grande parte responsável pela popularidade do nome próprio Gary desde a década de 1930 até os dias atuais.[43]
  2. Gary Cooper comprou brinquedos para a atriz mirim e a ensinou a desenhar usando lápis de cor durante as filmagens. Ele achava um pouco irritante ser corrigido pela menina de cinco anos, que sabia as falas de todos.[95]
  3. Outros clássicos da era de ouro de Hollywood que Gary Cooper recusou naquela época incluem Stagecoach (1939) e Foreign Correspondent (1940)[140][141]
  4. Cooper apareceu anteriormente no longa-metragem com várias estrelas Paramount on Parade (1930), que incluía cenas em Technicolor de duas cores, incluindo sua sequência "Let Us Drink to the Girl of My Dreams".[159] Ele também apareceu a si próprio nos curtas-metragens em Technicolor Star Night at the Coconut Grove (1935) e La Fiesta de Santa Barbara (1936).[160]
  5. John Wayne aceitou o Oscar em nome de Cooper, que estava fora do país na época, dizendo: "Ele e eu somos amigos, caçando e pescando, há mais anos do que eu gostaria de lembrar. Ele é um dos caras mais legais que eu conheço. Não conheço ninguém mais legal".
  6. Balfe trabalhou brevemente como atriz em 1933 usando o nome profissional Sandra Shaw. Ela apareceu em pequenos papéis não creditados em No Other Woman, King Kong e Blood Money.[287]
  7. Após o casamento, Cooper e sua esposa viveram em um rancho de 4 hectares (10 acres) na Avenida White Oak, 4723, em Encino, de 1933 a 1936.[293] Em 1936, construíram uma grande casa branca em estilo bermudiano-georgiano na Rua Chaparal, 11940, em Brentwood, onde viveram de 1936 até 1953.[293] Em 1948, compraram 6,1 hectares (15 acres) de terra em Aspen, Colorado, e construíram uma casa com quatro quartos, onde passaram férias de 1949 a 1953.[297] Em julho de 1953, começaram a construir uma mansão luxuosa de 560 m² (6.000 pés quadrados) em um terreno de 0,61 hectares (1,5 acres) na Rua North Baroda, 200, em Holmby Hills, uma casa modernista de quatro quartos com planta aberta, janelas do chão ao teto e um jardim esculpido. Eles viveram lá de setembro de 1954 até a morte de Gary Cooper.[296]
  8. Maria frequentou o Chouinard Art Institute em Los Angeles durante quatro anos e tornou-se artista, com exposições em Los Angeles e Nova Iorque.[299]
  9. A amizade de Cooper com Ernest Hemingway é explorada no documentário Cooper & Hemingway: The True Gen (2013).
  10. Em março de 1961, Cooper viajou para Nova Iorque pra gravar a narração do documentário – seu último trabalho como ator.[366]
  11. Ernest Hemingway estava doente demais para comparecer ao funeral. Ele tirou a própria vida em 2 de julho de 1961, menos de dois meses após a morte do ator.[379]
  12. Tradução literal de: Gary Cooper [...] il est sublime! Aaahhh (Mylène empurrando um grito de amor para não dizer êxtase) il est sublime ... Ah! Ah! Ah! Là je dois dire que ça fait partie des stars, y'a Gary Cooper, Cary Grant, John Wayne, ces grands Américains que j'ai rencontrés comme ça, c'est vraiment des mecs incroyables Y'en a plus des comme ça!

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Ligações externas