Dreadnought

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O dreadnought foi o tipo predominante de couraçado no início do século XX. O primeiro de seu gênero, o HMS Dreadnought da Marinha Real Britânica, causou tamanho impacto quando foi lançado em 1906 que os navios de guerra semelhantes construídos depois dele passaram a ser chamados de dreadnoughts, enquanto os couraçados anteriores ficaram conhecidos como pré-dreadnoughts. Seu projeto apresentava duas características revolucionárias: um esquema de armamento monocalibre (do inglês all-big-gun)[a] com um número sem precedentes de peças pesadas, e a propulsão por turbinas a vapor.[b] À medida que os dreadnoughts se tornaram um símbolo crucial do poder nacional, a chegada desses novos navios de guerra renovou a corrida armamentista naval entre o Reino Unido e a Alemanha. Corridas armamentistas navais envolvendo embarcações do tipo dreadnought surgiram em várias partes do mundo, inclusive na América do Sul, e duraram até o início da Primeira Guerra Mundial. Os projetos sucessivos cresceram rapidamente em tamanho e incorporaram melhorias no armamento, na blindagem e na propulsão ao longo da era dos dreadnoughts. Em apenas cinco anos, novos couraçados já superavam o próprio Dreadnought. Esses navios mais poderosos ficaram conhecidos como superdreadnoughts. A maioria dos dreadnoughts originais foi desmontada após o fim da Primeira Guerra Mundial, conforme os termos do Tratado Naval de Washington, mas muitos dos superdreadnoughts mais novos continuaram em serviço durante toda a Segunda Guerra Mundial.
A construção de dreadnoughts consumiu recursos imensos no início do século XX, mas houve apenas uma grande batalha entre frotas compostas por esses navios. Na Batalha da Jutlândia, em 1916, as marinhas britânica e alemã se enfrentaram sem um resultado decisivo. O termo dreadnought caiu gradualmente em desuso após a Primeira Guerra Mundial, especialmente depois do Tratado Naval de Washington, já que praticamente todos os couraçados remanescentes compartilhavam as características desse tipo; o termo também pode ser usado para descrever os cruzadores de batalha, o outro tipo de navio surgido da revolução dreadnought.[6]
Origem
O característico armamento monocalibre dos dreadnoughts foi desenvolvido nos primeiros anos do século XX, à medida que as marinhas buscavam aumentar o alcance e o poder de fogo dos courados. O couraçado típico da década de 1890, hoje conhecido como “pré-dreadnought”, possuía como armamento principal quatro canhões pesados de 12 polegadas (300 mm), um armamento secundário de seis a dezoito canhões de tiro rápido entre 4,7 e 7,5 polegadas (119 a 191 mm), além de outras armas menores. Isso estava de acordo com a teoria predominante do combate naval, segundo a qual as batalhas começariam a certa distância, mas os navios se aproximariam para o confronto decisivo a curta distância (como ocorreu na Batalha da Baía de Manila), quando os canhões de menor alcance e maior cadência de tiro se mostrariam mais úteis. Alguns projetos incluíam ainda uma bateria intermediária de canhões de 8 polegadas (203 mm). Propostas sérias para um armamento composto apenas por canhões pesados circularam em vários países já em 1903.[7]
Os projetos de armamentos monocalibres começaram quase simultaneamente em três marinhas. Em 1904, a Marinha Imperial Japonesa autorizou a construção do Satsuma, originalmente projetado com doze canhões de 12 polegadas (305 mm). Os trabalhos de construção tiveram início em maio de 1905.[8][9] A Marinha Real Britânica iniciou o projeto do HMS Dreadnought em janeiro de 1905, e ele teve sua quilha batida em outubro do mesmo ano.[10] Por fim, a Marinha dos Estados Unidos obteve autorização para o USS Michigan, armado com oito canhões de 12 polegadas, em março de 1905,[10] com a construção começando em dezembro de 1906.[11]
A adoção de projetos com apenas canhões de grande calibre ocorreu porque um armamento uniforme e pesado oferecia vantagens tanto em poder de fogo quanto em controle de tiro, e a Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905 demonstrou que as futuras batalhas navais poderiam, e provavelmente seriam, travadas a longas distâncias.[c] Os mais novos canhões de 12 polegadas (305 mm) tinham maior alcance e disparavam projéteis mais pesados do que os de 10 ou 9,2 polegadas (254 ou 234 mm).[12] Outra possível vantagem era o controle de tiro: a grandes distâncias, os canhões eram ajustados observando-se os respingos causados pelos disparos em salva, e era difícil interpretar impactos produzidos por calibres diferentes. Ainda há debate sobre o quanto esse fator foi realmente importante.[13]
Artilharia a longa distância
Nas batalhas navais da década de 1890, a arma decisiva era o canhão de calibre médio, tipicamente de 6 polegadas (152 mm), de tiro rápido e empregado em distâncias relativamente curtas; na Batalha do Rio Yalu em 1894, os japoneses vitoriosos não abriram fogo até que a distância tivesse diminuído para 4 300 jardas (3 900 m), e a maior parte do combate ocorreu a 2 200 jardas (2 mil m).[14] Nessas distâncias, os canhões mais leves apresentavam boa precisão, e sua alta cadência de tiro proporcionava grande volume de projéteis sobre o alvo, fenômeno conhecido como “chuva de fogo”. A artilharia naval ainda era imprecisa demais para atingir alvos a distâncias maiores.[d]
No início do século XX, almirantes britânicos e norte-americanos passaram a esperar que os futuros couraçados se engajassem em combate a distâncias mais longas. Novos modelos de torpedos possuíam alcances superiores;[16] por exemplo, em 1903 a Marinha dos Estados Unidos encomendou o projeto de um torpedo eficaz até 4 mil jardas (3 700 m).[17][18] Tanto os almirantes britânicos quanto os norte-americanos concluíram que precisavam enfrentar o inimigo a maiores distâncias.[17] Em 1900, o almirante John Fisher, no comando da Esquadra do Mediterrâneo da Marinha Real, ordenou exercícios de tiro com canhões de 6 polegadas a 6 mil jardas (5 500 m).[18] Em 1904, o Naval War College dos Estados Unidos já considerava os efeitos, nas táticas de couraçados, dos torpedos com alcance variando de 7 mil a 8 mil jardas (6 400 a 7 300 m).[17]
O alcance dos canhões leves e de calibre médio era limitado, e a precisão deteriorava significativamente a longas distâncias.[e] Nessas condições, a vantagem de uma cadência de tiro elevada diminuía: a pontaria dependia da observação dos esguichos provocados pelos impactos das salvas anteriores, o que impunha um limite à cadência ideal de disparo.[7]
Em 10 de agosto de 1904, a Marinha Imperial Russa e a Marinha Imperial Japonesa travaram um dos duelos de artilharia de maior alcance até então, mais de 14 mil jardas (13 mil m), durante a Batalha do Mar Amarelo.[19] Os couraçados russos estavam equipados com telêmetros Lugeol, com alcance efetivo de 4 400 jardas (4 mil m), enquanto os navios japoneses dispunham de telêmetros Barr & Stroud, com alcance de até 6 600 jardas (6 mil m). Ainda assim, ambas as frotas conseguiram atingir-se mutuamente com disparos de canhões de 12 polegadas (305 mm) a uma distância de 14 mil jardas.[20] O feito chamou a atenção de engenheiros navais e estrategistas em todo o mundo.[21]
Navios monocalibre de armamento misto
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Um passo evolutivo consistiu em reduzir a bateria secundária de tiro rápido e substituí-la por canhões pesados adicionais, geralmente de 9,2 a 10 polegadas (234 a 254 mm). Navios concebidos dessa forma passaram a ser descritos como de conceito monocalibre com armamento de calibres mistos ou, posteriormente, como semidreadnoughts. Os semidreadnoughts possuíam várias peças secundárias pesadas montadas em torres laterais (wing turrets) próximas ao centro do navio, em vez dos canhões menores instalados em barbetas nos pré-dreadnoughts anteriores.
Entre as classes de semidreadnoughts estavam as britânicas King Edward VII e Lord Nelson; as japonesas Katori, Satsuma e Kawachi;[22] a francesa Danton; e a austro-húngara classe Radetzky.[23]
O processo de projeto desses navios frequentemente incluía a discussão de uma alternativa monocalibre de calibre único.[24][f] A edição de junho de 1902 da revista Proceedings do US Naval Institute trouxe comentários do principal especialista em artilharia da Marinha dos Estados Unidos, P. R. Alger, propondo uma bateria principal composta por oito canhões de 12 polegadas (305 mm) em torres duplas.[25] Em maio de 1902, o Bureau of Construction and Repair apresentou um projeto de couraçado equipado com doze canhões de 10 polegadas (254 mm) em torres duplas, duas nas extremidades e quatro nas laterais.[25] Em dezembro do mesmo ano, o tenente-comandante Homer C. Poundstone submeteu ao presidente Theodore Roosevelt um relatório defendendo a adoção de couraçados de maiores dimensões. Em um apêndice a esse relatório, Poundstone argumentou que um número maior de canhões de 11 e 9 polegadas (279 e 229 mm) seria preferível a uma quantidade menor de canhões de 12 e 9 polegadas (305 e 229 mm).[7] O Naval War College e o Bureau of Construction and Repair desenvolveram essas ideias em estudos realizados entre 1903 e 1905. Simulações de guerra iniciadas em julho de 1903 “mostraram que um couraçado armado com doze canhões de 11 ou 12 polegadas (279 ou 305 mm), dispostos em configuração hexagonal, seria equivalente a três ou mais navios do tipo convencional”.[26]
A Marinha Real Britânica pensava em termos semelhantes. Entre 1902 e 1903, foi elaborado um projeto para “um poderoso armamento de grande calibre em dois calibres distintos, a saber: quatro canhões de 12 polegadas (305 mm) e doze de 9,2 polegadas (234 mm)”.[27] O Almirantado, no entanto, decidiu construir mais três unidades da classe King Edward VII (combinando canhões de 12, 9,2 e 6 polegadas) no programa naval de 1903–1904.[27] O conceito de “todo armamento pesado” foi retomado no programa de 1904–1905, que originou a classe Lord Nelson. Restrições de comprimento e boca (largura máxima do casco) obrigaram a converter as torres médias de 9,2 polegadas em simples, resultando assim em um armamento de quatro canhões de 12 polegadas, dez de 9,2 polegadas e nenhum de 6 polegadas. O projetista responsável, J. H. Narbeth, apresentou um desenho alternativo mostrando um armamento composto por doze canhões de 12 polegadas, mas o Almirantado não aceitou a proposta.[28] Parte da justificativa para a decisão de manter armas de calibres mistos foi a necessidade de iniciar rapidamente a construção das unidades, em razão da situação tensa gerada pela Guerra Russo-Japonesa.[29]
Transição para projetos monocalibre
A substituição dos canhões de 6 ou 8 polegadas (152 ou 203 mm) por armas de 9,2 ou 10 polegadas (234 ou 254 mm) melhorou o poder de impacto de um couraçado, especialmente a longas distâncias. Um armamento uniforme de peças pesadas oferecia muitas outras vantagens. Uma delas era a simplicidade logística. Quando os Estados Unidos consideravam, por exemplo, se deveriam adotar um armamento principal de calibres mistos para a classe South Carolina, William Sims e Poundstone enfatizaram as vantagens da homogeneidade em termos de suprimento de munição e da transferência de guarnições de peças fora de ação para substituir artilheiros feridos em combate.[30]
Um calibre uniforme também ajudava a simplificar o controle de tiro. Os projetistas do Dreadnought preferiram um projeto monocalibre porque isso significava lidar com apenas um conjunto de cálculos para os ajustes de alcance dos canhões.[g] Alguns historiadores atuais defendem que a uniformidade era particularmente importante porque o risco de confusão entre as colunas d’água dos impactos dos projéteis de 12 polegadas e os de calibres menores dificultava a marcação correta da distância. Esse ponto de vista é controverso, pois o controle de tiro em 1905 ainda não era suficientemente avançado para empregar plenamente a técnica de disparo em salva, na qual essa confusão teria importância,[31] e a mistura das colunas d’água não parece ter sido uma preocupação real para aqueles que trabalhavam nos projetos monocalibre.[h] Ainda assim, a probabilidade de engajamentos a maiores distâncias foi decisiva para que os canhões mais pesados possíveis se tornassem o padrão, isto é, 12 polegadas em vez de 10.[i]
Os novos projetos de montagem dos canhões de 12 polegadas apresentavam uma cadência de tiro consideravelmente maior, eliminando a vantagem que antes favorecia os calibres menores. Em 1895, um canhão de 12 polegadas podia disparar um tiro a cada quatro minutos; em 1902, dois disparos por minuto já eram comuns.[12] Em outubro de 1903, o arquiteto naval italiano Vittorio Cuniberti publicou na Jane’s Fighting Ships um artigo intitulado “An Ideal Battleship for the British Navy”, no qual defendia um navio de 17 mil toneladas, armado com doze canhões de 12 polegadas, protegido por blindagem de 12 polegadas e com velocidade de 24 nós (28 mph; 44 km/h).[32] A ideia de Cuniberti — que ele já havia proposto à sua própria marinha, a Regia Marina — era aproveitar a alta cadência de tiro dos novos canhões de 12 polegadas para produzir um fogo rápido e devastador com armas pesadas, substituindo a “chuva de fogo” das peças mais leves.[12] Algo semelhante esteve por trás da mudança japonesa em direção a canhões mais pesados; em Tsushima, os projéteis japoneses continham uma proporção maior que o normal de alto explosivo e eram espoletados para detonar ao contato, iniciando incêndios em vez de apenas perfurar a blindagem.[33] O aumento da cadência de tiro lançou as bases para futuros avanços no controle de tiro.[12]
A construção dos primeiros dreadnoughts
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No Japão, os dois couraçados do programa de 1903–1904 foram os primeiros do mundo a terem a quilha batida como navios monocalibre, com oito canhões de 12 polegadas. A blindagem de seu projeto foi considerada demasiado fina, exigindo uma reformulação substancial.[34] As pressões financeiras da Guerra Russo-Japonesa e a escassez de canhões de 12 polegadas — que precisavam ser importados do Reino Unido — fizeram com que esses navios fossem concluídos com uma combinação de armamento de 12 e 10 polegadas. O projeto de 1903–1904 manteve as tradicionais máquinas a vapor de tripla expansão, diferentemente do Dreadnought.[9]
O avanço decisivo dos dreadnoughts ocorreu no Reino Unido em outubro de 1905. Fisher, então First Sea Lord, já defendia há muito tempo a adoção de novas tecnologias na Marinha Real Britânica e recentemente fora convencido da ideia de um couraçado monocalibre.[j] Fisher é frequentemente creditado como o criador do dreadnought e o pai da grande frota britânica desse tipo, uma impressão que ele próprio ajudou a reforçar. Alguns autores sugerem, contudo, que seu foco principal estava no ainda mais revolucionário cruzador de batalha, e não propriamente no couraçado.[36]
Pouco depois de assumir o cargo, Fisher criou um Comitê de Projetos para considerar futuros couraçados e cruzadores blindados.[10] A primeira tarefa do comitê foi avaliar um novo couraçado. A especificação previa uma bateria principal de 12 polegadas e canhões antitorpedeiros, sem calibres intermediários, além de uma velocidade de 21 nós, dois ou três nós superior à dos couraçados existentes.[37] Os projetos iniciais previam doze canhões de 12 polegadas, mas dificuldades no posicionamento dessas peças levaram o construtor-chefe, em certo momento, a propor um retorno a quatro canhões de 12 polegadas com dezesseis ou dezoito de 9,2 polegadas. Após uma avaliação completa dos relatórios da Batalha de Tsushima elaborados por um observador oficial, o capitão William Pakenham, o comitê decidiu por uma bateria principal de dez canhões de 12 polegadas, acompanhados por vinte e dois canhões de 12 libras como armamento secundário.[37] O comitê também concedeu ao Dreadnought propulsão por turbinas a vapor, algo inédito em um grande navio de guerra. A maior potência e o menor peso das turbinas permitiram atingir a velocidade projetada de 21 nós em um casco menor e menos oneroso do que seria possível com máquinas alternativas.[38] A construção foi extremamente rápida: a quilha foi batida em 2 de outubro de 1905, o navio foi lançado ao mar em 10 de fevereiro de 1906 e concluído em 3 de outubro de 1906, uma demonstração impressionante da capacidade industrial britânica.[10]
Os primeiros dreadnoughts dos Estados Unidos foram os dois navios da classe South Carolina. Os planos detalhados foram elaborados entre julho e novembro de 1905 e aprovados pelo Board of Construction em 23 de novembro de 1905.[39] A construção avançou lentamente: as especificações para os estaleiros foram emitidas em 21 de março de 1906, os contratos foram concedidos em 21 de julho de 1906,[40] e os dois navios tiveram suas quilhas batidas em dezembro de 1906, após a conclusão do Dreadnought.[41]
Concepção
Os projetistas dos dreadnoughts procuraram oferecer o máximo possível de proteção, velocidade e poder de fogo em um navio de tamanho e custo realistas. A marca registrada dos couraçados dreadnought era o armamento monocalibre, mas eles também possuíam blindagem pesada, concentrada principalmente em um cinturão espesso na linha d’água e em um ou mais conveses blindados. O armamento secundário, o controle de tiro, os equipamentos de comando e a proteção contra torpedos também precisavam ser acomodados dentro do casco.[42]
A consequência inevitável das exigências por velocidade, poder de impacto e autonomia cada vez maiores foi o aumento do deslocamento e, portanto, do custo dos dreadnoughts. O Tratado Naval de Washington de 1922 impôs um limite de 35 mil toneladas para o deslocamento dos navios capitais. Nos anos seguintes, os couraçados construídos sob o tratado foram projetados para atingir esse limite. A decisão do Japão de abandonar o tratado na década de 1930 e a chegada da Segunda Guerra Mundial acabaram tornando esse limite irrelevante.[43]

Armamento

Os dreadnoughts eram armados com uma bateria principal uniforme de canhões de grande calibre; o número, o tamanho e a disposição variavam conforme o projeto. O HMS Dreadnought era armado com dez canhões de 12 polegadas. Canhões de 12 polegadas já eram o padrão para a maioria das marinhas na era pré-dreadnought, e isso continuou na primeira geração dessas embarcações. A Marinha Imperial Alemã foi uma exceção, mantendo canhões de 11 polegadas em sua primeira classe de dreadnoughts, a classe Nassau.[44]
Os dreadnoughts também carregavam armamento mais leve. Muitos dos primeiros deste tipo possuíam uma bateria secundária de canhões muito leves, projetados para afastar barcos-torpedeiros inimigos. O calibre e o peso desse armamento secundário tenderam a aumentar à medida que o alcance dos torpedos crescia e também a capacidade de sobrevivência dos barcos-torpedeiros e contratorpedeiros que se esperava que os empregassem. A partir do fim da Primeira Guerra Mundial, os couraçados passaram a ser equipados com numerosos canhões leves como armamento antiaéreo.[45]
Os dreadnoughts frequentemente também levavam tubos lança-torpedos. Em teoria, uma linha de couraçados assim equipada poderia lançar uma salva devastadora de torpedos contra uma linha inimiga navegando em rumo paralelo. Isso era também um resquício da doutrina tática mais antiga de aproximar-se continuamente do inimigo e da ideia de que o fogo de artilharia, por si só, poderia ser suficiente para incapacitar um couraçado, mas não necessariamente afundá-lo, sendo então aplicado o golpe final com torpedos. Na prática, torpedos disparados por couraçados obtiveram pouquíssimos acertos, e havia ainda o risco de que um torpedo armazenado causasse uma explosão perigosa se fosse atingido por fogo inimigo.[46] De fato, o único caso documentado de um couraçado torpedeando com sucesso outro ocorreu na ação de 27 de maio de 1941, quando o couraçado britânico HMS Rodney alegou ter torpedeado o avariado Bismarck a curta distância.[47]
Posição das baterias principais
A eficácia dos canhões dependia em parte do arranjo das torres. O HMS Dreadnought, assim como os navios britânicos que o seguiram imediatamente, portava cinco torres: uma à proa, uma à ré e uma ao meio, na linha central da embarcação, além de duas nas laterais (“wings”), próximas à superestrutura. Essa configuração permitia que três torres disparassem à frente e quatro bordejassem. As classes Nassau e Helgoland de dreadnoughts alemães adotaram um arranjo “hexagonal”, com uma torre à proa e outra à ré, mais quatro torres laterais; isso significava que mais canhões eram montados no total, mas o mesmo número podia disparar à frente ou na borda em comparação com o HMS Dreadnought.[48]
Os projetos de dreadnoughts experimentaram diferentes disposições. A classe britânica Neptune deslocou as torres laterais, de modo que todos os dez canhões pudessem disparar na borda, característica também empregada pela classe alemã Kaiser. Essa solução gerava riscos de danos por rajada às partes do navio sobre as quais os canhões atiravam, além de impor grande tensão à estrutura da embarcação.[49]
Se todas as torres estivessem na linha central da embarcação, as tensões na estrutura do casco seriam relativamente baixas. Esse arranjo permitia que toda a bateria principal disparasse na borda, embora menos peças pudessem atirar de frente ou de ré. Significava, porém, que o casco seria mais longo, o que representava desafios para os projetistas: um navio mais extenso precisava destinar mais peso à blindagem para obter proteção equivalente, e os paióis que abasteciam cada torre interferiam na distribuição de caldeiras e máquinas.[50] Por essas razões, o HMS Agincourt, que portava um recorde de catorze canhões de 12 polegadas em sete torres na linha central, não foi considerado um sucesso.[51]
Um arranjo superfiring (torres sobrepostas) acabou sendo adotado como padrão. Isso envolvia elevar uma ou duas torres para que pudessem disparar sobre a torre imediatamente à frente ou à ré. A Marinha dos Estados Unidos adotou essa solução com seus primeiros dreadnoughts em 1906, mas as demais marinas foram mais lentas em fazê-lo. Como em outros arranjos, havia desvantagens: inicialmente, preocupava-se com o impacto da rajada das torres elevadas sobre a torre inferior. As torres elevadas aumentavam o centro de gravidade do navio, podendo reduzir sua estabilidade. Não obstante, esse layout otimizava o poder de fogo disponível a partir de um número fixo de canhões e acabou sendo adotado de forma geral.[49] A Marinha dos EUA usou o superfiring na classe South Carolina,[52] e a Marinha Real o incorporou com a classe Orion de 1910.[53] Na Segunda Guerra Mundial, o superfiring era inteiramente padrão.[carece de fontes]
Inicialmente, todos os dreadnoughts possuíam duas peças por torre. Uma solução para o problema de disposição das torres era colocar três ou até quatro canhões em cada uma. Menos torres significavam que o navio poderia ser mais curto ou destinar mais espaço às máquinas. Por outro lado, significava que, caso um projétil inimigo destruísse uma torre, uma proporção maior do armamento principal ficaria fora de ação. O risco de interferência das ondas de choque entre os diversos canos dentro da mesma torre reduzia ligeiramente a cadência de tiro dos canhões. A primeira nação a adotar a torre tripla foi a Itália, no Dante Alighieri, seguida em breve pela Rússia com a classe Gangut,[54] pela classe austro-húngara Tegetthoff e pela classe norte-americana Nevada. Os couraçados da Marinha Real Britânica só adotaram torres triplas após a Primeira Guerra Mundial, com a classe Nelson, e os couraçados japoneses só na classe Yamato do final da década de 1930. Vários projetos posteriores usaram torres quádruplas, incluindo as classes britânica King George V e francesa Richelieu.[carece de fontes]

Potência e calibre das baterias principais
Em vez de tentar instalar mais canhões em um navio, era possível aumentar o poder de cada peça. Isso podia ser feito aumentando o calibre da arma e, consequentemente, o peso do projétil, ou alongando o cano para elevar a velocidade de saída do disparo. Qualquer uma dessas soluções oferecia a possibilidade de aumentar o alcance e a capacidade de penetração da blindagem.[55]
Ambos os métodos tinham vantagens e desvantagens, embora, em geral, uma maior velocidade inicial implicasse maior desgaste do cano. À medida que os canhões disparam, seus tubos se desgastam, perdem precisão e, por fim, precisam ser substituídos. Em certos momentos isso se tornou problemático; a Marinha dos Estados Unidos chegou a considerar seriamente a interrupção dos disparos de instrução com peças pesadas em 1910 devido ao desgaste dos canos.[56] Já os canhões de maior calibre traziam outras limitações: tanto as armas quanto as torres precisavam ser mais pesadas; além disso, projéteis mais pesados, disparados a velocidades menores, exigiam projetos de torre que permitissem maior ângulo de elevação para atingir o mesmo alcance. Por outro lado, os projéteis mais pesados eram menos desacelerados pela resistência do ar, conservando maior poder de penetração a longas distâncias.[57]
As diferentes marinhas abordaram a questão do calibre de maneiras distintas. A marinha alemã, por exemplo, geralmente utilizava um calibre mais leve que o dos navios britânicos equivalentes, como 12 polegadas quando o padrão britânico já era 13,5 polegadas (343 mm). Como a metalurgia alemã era superior, o canhão alemão de 12 polegadas tinha melhor peso de projétil e velocidade inicial que o britânico de 12 polegadas; além disso, os navios alemães podiam receber mais blindagem para o mesmo deslocamento, porque seus canhões de 12 polegadas eram mais leves do que os de 13,5 polegadas exigidos pelos britânicos para obter efeito comparável.[57]
Com o tempo, o calibre dos canhões tendeu a aumentar. Na marinha britânica, a classe Orion, lançada em 1910, possuía dez canhões de 13,5 polegadas, todos dispostos sobre a linha central; a classe Queen Elizabeth, lançada em 1913, trazia oito canhões de 15 polegadas (381 mm). Em todas as marinhas, passou-se a empregar menos canhões de maior calibre. O número menor de peças simplificava sua distribuição, e as torres na linha de centro tornaram-se o padrão.[58]
Um novo salto foi planejado para couraçados projetados e com a construção iniciada ao final da Primeira Guerra Mundial. Os couraçados japoneses da classe Nagato, em 1917, montavam canhões de 410 mm (16,1 pol.), algo que logo foi acompanhado pela classe Colorado da Marinha dos Estados Unidos. Tanto o Reino Unido quanto o Japão também planejavam couraçados com armamento de 18 polegadas (457 mm), no caso britânico a classe N3. O Tratado Naval de Washington, concluído em 6 de fevereiro de 1922 e ratificado posteriormente, limitou o calibre dos canhões de encouraçados a no máximo 16 polegadas (410 mm),[59] e essas armas mais pesadas não chegaram a ser produzidas.[60]
Os únicos couraçados a romper esse limite foram os japoneses da classe Yamato, iniciados em 1937 (após a expiração do tratado), que carregavam canhões principais de 18,1 polegadas (460 mm). Em meados da Segunda Guerra Mundial, o Reino Unido ainda utilizava canhões de 15 polegadas mantidos como sobressalentes da classe Queen Elizabeth para armar o último encouraçado britânico, o HMS Vanguard.
Alguns projetos da época da Segunda Guerra Mundial chegaram a propor outro avanço rumo a armamentos gigantescos. Os projetos alemães H-43 e H-44 previam canhões de 20 polegadas (508 mm), e há indícios de que Hitler desejava calibres de até 24 polegadas (609 mm);[61] o projeto japonês chamado Super Yamato também previa canhões de 20 polegadas.[62] Nenhuma dessas propostas passou de trabalhos muito preliminares de projeto.[carece de fontes]
Baterias secundárias
Os primeiros dreadnoughts tendiam a possuir uma bateria secundária muito leve, destinada a protegê-los contra barcos torpedeiros. O HMS Dreadnought embarcava canhões de 12 libras; cada um dos seus 22 canhões de 12 libras era capaz de disparar pelo menos 15 projéteis por minuto contra qualquer barco torpedeiro em ataque.[63] Os couraçados da classe South Carolina e outros dreadnoughts norte-americanos iniciais estavam equipados de forma semelhante.[64] Nessa fase, esperava-se que aos barcos torpedeiros atacassem separadamente das batalhas de frota. Portanto, não havia necessidade de blindar a bateria secundária, nem de proteger as tripulações dos efeitos das rajadas dos canhões principais.[65]

Em poucos anos, a principal ameaça passou a ser o contratorpedeiro — maior, mais fortemente armado e mais difícil de destruir do que um barco torpedeiro. Como o risco representado pelos contratorpedeiros era muito sério, considerava-se que um único projétil da bateria secundária de um couraçado deveria afundar (e não apenas danificar) qualquer contratorpedeiro atacante. Diferentemente dos barcos torpedeiros, os contratorpedeiros deveriam atacar como parte do combate de frota, o que exigia que a bateria secundária fosse protegida contra estilhaços de projéteis dos canhões pesados e contra as rajadas do armamento principal. Essa filosofia de bateria secundária foi adotada pela marinha alemã desde o início; o Nassau, por exemplo, embarcava doze canhões de 5,9 polegadas (150 mm) e dezesseis de 3,5 polegadas (88 mm), e as classes subsequentes de dreadnoughts alemães seguiram esse padrão.[48] Essas peças mais pesadas tendiam a ser montadas em barbetes blindados ou casamatas no convés principal. A marinha britânica elevou sua bateria secundária dos canhões de 12 libras primeiro para peças de 4 polegadas (100 mm) e depois para 6 polegadas (150 mm), que se tornaram padrão no início da Primeira Guerra Mundial;[66] os Estados Unidos padronizaram o calibre de 5 polegadas durante a guerra, mas planejaram canhões de 6 polegadas para os navios projetados logo após.[67]
A bateria secundária cumpria vários outros papéis. Esperava-se que um projétil de calibre médio pudesse atingir os delicados sistemas de controle de tiro de um dreadnought inimigo. Além disso, considerava-se que ela poderia desempenhar um papel importante ao repelir cruzadores inimigos que atacassem um couraçado avariado.[68]
No geral, a bateria secundária dos dreadnoughts mostrou-se insatisfatória. Um impacto de peça leve não podia ser confiado para deter um contratorpedeiro. Peças mais pesadas também falhavam em acertar contratorpedeiros, conforme demonstrado na Batalha de Jutlândia. As montagens em casamatas das peças mais pesadas mostraram-se problemáticas: por ficarem baixas no casco, eram propensas a inundação, e em várias classes algumas foram removidas e seladas. A única maneira segura de proteger um dreadnought contra ataques de contratorpedeiros ou lanchas torpedeiras era fornecer uma esquadrilha de contratorpedeiros como escolta. Após a Primeira Guerra Mundial, a bateria secundária passou a ser montada em torres no convés superior e ao redor da superestrutura. Isso permitia amplo campo de tiro e boa proteção, sem os pontos negativos das casamatas. Ao longo das décadas de 1920 e 1930, as peças secundárias foram cada vez mais vistas como parte principal da bateria antiaérea, com a adoção crescente de canhões de dupla finalidade e grande ângulo de elevação.[69]

Blindagem
Grande parte do deslocamento de um dreadnought era ocupada pelas chapas de aço da blindagem. Os projetistas dedicaram muito tempo e esforço para fornecer a melhor proteção possível contra as diversas armas que os navios enfrentariam. Apenas uma quantidade limitada de peso podia ser destinada à proteção, sem comprometer velocidade, poder de fogo ou navegabilidade.[70]
Cidadela Central
A maior parte da blindagem de um dreadnought concentrava-se ao redor da cidadela blindada. Trata-se de uma caixa com quatro paredes blindadas e um convés blindado no teto, envolvendo as partes mais vitais da embarcação. Os lados da cidadela formavam o "cinturão blindado" do navio, que começava logo à frente da torre de proa e se estendia até logo atrás da torre de ré. Os extremos da cidadela eram fechados por duas anteparas blindadas, uma à frente e outra à ré, que se estendiam entre as extremidades do cinturão. O "teto" da cidadela era um convés blindado. Dentro dela ficavam as caldeiras, máquinas e paióis do armamento principal. Um impacto em qualquer desses sistemas poderia incapacitar ou destruir o navio. O "chão" da caixa era o fundo do casco, não blindado, embora fosse, na verdade, um fundo triplo.[71]
Os primeiros dreadnoughts foram concebidos para participar de batalhas campais contra outros couraçados a distâncias de até 10 mil jardas (9 100 m). Nesse tipo de confronto, os projéteis seguiriam uma trajetória relativamente plana, exigindo impacto na linha d'água ou pouco acima para atingir as partes vitais do navio. Por isso, a blindagem dos primeiros dreadnoughts concentrava-se em um cinturão espesso ao redor da linha d'água; que tinha 11 polegadas (280 mm) de espessura no Dreadnought. Atrás desse cinturão ficavam os paióis de carvão, oferecendo proteção adicional às casas de máquinas.[72] Em combates desse tipo, havia também menor risco de danos indiretos às partes vitais. Um projétil que atingisse acima do cinturão e explodisse poderia lançar estilhaços em todas as direções. Esses fragmentos eram perigosos, mas podiam ser detidos por blindagem bem mais fina do que aquela necessária para conter um projétil perfurante intacto. Para proteger os interiores do navio contra fragmentos de projéteis detonados na superestrutura, aplicava-se aço bem mais delgado aos conveses.[72]
A proteção mais espessa era reservada à cidadela central em todos os couraçados. Algumas marinhas estendiam cinturões mais finos e conveses blindados para cobrir as extremidades do navio, ou prolongavam um cinturão mais fino pela parte externa do casco. Essa blindagem "afunilada" foi usada pelas principais marinhas europeias — Reino Unido, Alemanha e França. Tal disposição protegia uma área maior da embarcação; nos primeiros dreadnoughts, quando o fogo de alto-explosivo ainda era considerado ameaça significativa, isso era útil. No entanto, tendia a resultar em um cinturão principal muito curto, protegendo apenas uma faixa fina acima da linha d'água; algumas marinhas descobriram que, com carga pesada, o cinturão ficava inteiramente submerso.[73] A alternativa era o esquema de proteção "tudo ou nada", desenvolvido pela Marinha dos Estados Unidos. O cinturão era alto e espesso, mas não havia proteção lateral nas extremidades do navio ou nos conveses superiores. O convés blindado também era engrossado. Esse sistema tudo ou nada oferecia proteção mais eficaz contra combates de muito longo alcance entre frotas de dreadnoughts e foi adotado fora da Marinha dos EUA após a Primeira Guerra Mundial.[74]
O projeto dos dreadnoughts evoluiu para enfrentar novos desafios. Por exemplo, os esquemas de blindagem foram alterados para enfrentar o maior risco de projéteis mergulhantes do tiro de longo alcance e a ameaça crescente de bombas perfurantes lançadas por aviões. Projetos posteriores levaram espessuras maiores de aço no convés blindado;[75] o Yamato possuía um cinturão principal de 16 polegadas (410 mm), mas um convés de 9 polegadas (230 mm).[76]
Proteção subaquática e compartimentação
O último elemento do esquema de proteção dos primeiros dreadnoughts era a subdivisão do navio abaixo da linha d'água em vários compartimentos estanques. Se o casco fosse aberto — por fogo de artilharia, mina, torpedo ou colisão —, teoricamente apenas uma área inundaria e o navio sobreviveria. Para tornar essa precaução ainda mais eficaz, muitos dreadnoughts não possuíam portas entre seções subaquáticas distintas, de modo que mesmo uma abertura inesperada abaixo da linha d'água não necessariamente afundaria o navio. Ainda assim, houve vários casos em que a inundação se propagou entre compartimentos submersos.[77]
A maior evolução na proteção dos dreadnoughts veio com o desenvolvimento da protuberância antitorpedo e do cinturão torpedeiro, ambos tentativas de proteger contra danos subaquáticos causados por minas e torpedos. O objetivo era absorver a força de uma detonação bem distante do casco final estanques. Isso implicava uma antepara interna ao longo do costado, geralmente levemente blindada para deter estilhaços, separada do casco externo por um ou mais compartimentos. Os espaços intermediários ficavam vazios ou eram preenchidos com carvão, água ou óleo combustível.[78]
Propulsão

Os dreadnoughts eram propelidos por duas a quatro hélices.[79] O próprio HMS Dreadnought e todos os dreadnoughts britânicos possuíam eixos de hélice acionados por turbinas a vapor. A primeira geração de dreadnoughts construída em outras nações utilizava o mais lento motor de expansão tripla, padrão nos pré-dreadnoughts.[80]
As turbinas ofereciam mais potência do que motores alternativos para o mesmo volume de maquinaria.[81][82] Isso, juntamente com uma garantia sobre a nova maquinaria do inventor Charles Parsons, persuadiu a Marinha Real a usar turbinas no Dreadnought.[82] Costuma-se dizer que as turbinas tinham a vantagem adicional de serem mais limpas e confiáveis que os motores alternativos. Em [83]1905, novos projetos de motores alternativos estavam disponíveis, mais limpos e confiáveis que os modelos anteriores.[81]
As turbinas também tinham desvantagens. Em velocidades de cruzeiro muito inferiores à velocidade máxima, as turbinas eram significativamente menos eficientes em combustível que os motores alternativos. Isso era particularmente importante para marinhas que necessitavam de grande autonomia em velocidades de cruzeiro — e, portanto, para a Marinha dos EUA, que planejava, em caso de guerra, cruzar o pacífico para enfrentar os japoneses nas Filipinas.[84]
A Marinha dos EUA experimentou turbinas a partir de 1908 no North Dakota,[85] mas só se comprometeu totalmente com turbinas na classe Pennsylvania em 1916. Na classe Nevada anterior, um navio, o USS Oklahoma, recebeu motores alternativos, enquanto o USS Nevada recebeu turbinas com engrenagens. Os dois encouraçados da classe New York de 1914 receberam motores alternativos, mas todos os quatro navios das classes Florida (1911) e Wyoming (1912) receberam turbinas.[carece de fontes]
As desvantagens das turbinas foram eventualmente superadas. A solução geralmente adotada foi a turbina com engrenagens, na qual engrenagens reduziam a taxa de rotação das hélices e aumentavam a eficiência. Essa solução exigia precisão técnica nas engrenagens e, portanto, era difícil de implementar.[86]
Uma alternativa foi a propulsão turboelétrica, na qual a turbina a vapor gerava energia elétrica que então acionava as hélices. Essa foi particularmente favorecida pela Marinha dos EUA, que a usou em todos os dreadnoughts de fins de 1915 a 1922. As vantagens incluíam baixo custo, oportunidade de compartimentação subaquática muito próxima e bom desempenho em ré. As desvantagens eram que a maquinaria era pesada e vulnerável a danos de combate, particularmente os efeitos de inundações nos elétricos.[k]
As turbinas nunca foram substituídas no projeto de encouraçados. Motores diesel foram eventualmente considerados por algumas potências, pois ofereciam excelente autonomia e ocupavam menos espaço longitudinal na engenharia. Eles eram, no entanto, mais pesados, ocupavam maior espaço vertical, ofereciam menos potência e eram considerados pouco confiáveis.[87][88]
Combustível
A primeira geração de dreadnoughts usava carvão para alimentar as caldeiras que forneciam vapor às turbinas. O carvão estava em uso desde os primeiros navios a vapor. Uma vantagem do carvão era ser bastante inerte (em forma de blocos) e, assim, poder ser usado como parte do esquema de proteção do navio.[89] O carvão também tinha muitas desvantagens. Era intensivo em mão de obra para ser carregado nos paióis do navio e depois alimentado nas caldeiras. As caldeiras entupiam com cinzas. Pó de carvão no ar e vapores relacionados eram altamente explosivos, possivelmente evidenciado pela explosão do USS Maine. Queimar carvão como combustível também produzia fumaça preta espessa que revelava a posição de uma frota e interferia na visibilidade, sinalização e controle de tiro. Além disso, o carvão era muito volumoso e tinha eficiência térmica comparativamente baixa.[carece de fontes]
A propulsão com óleo combustível tinha muitas vantagens tanto para arquitetos navais quanto para oficiais no mar. Reduzia a fumaça, tornando os navios menos visíveis. Podia ser alimentado nas caldeiras automaticamente, em vez de precisar de uma equipe de foguistas para fazê-lo manualmente. O óleo tem aproximadamente o dobro do conteúdo térmico do carvão. Isso significava que as caldeiras em si podiam ser menores; e para o mesmo volume de combustível, um navio a óleo teria alcance muito maior.[89]
Esses benefícios significavam que, já em 1901, Fisher inisitia nas vantagens do combustível de óleo.[90] Havia problemas técnicos com queima de óleo, relacionados à distribuição diferente do peso do óleo combustível em comparação ao carvão,[89] e aos problemas de bombear óleo viscoso.[91] O principal problema de usar óleo para a frota de batalha era que, com exceção dos Estados Unidos, todas as grandes marinhas teriam que importar seu óleo. Como resultado, algumas marinhas adotaram caldeiras de queima dupla, que podiam usar carvão pulverizado com óleo; navios britânicos assim equipados, incluindo dreadnoughts, podiam inclusive operar com óleo puro a até 60% de potência.[92]
Os EUA tinham grandes reservas de petróleo, e a Marinha dos EUA foi a primeira a adotar integralmente a queima de óleo, decidindo fazê-lo em 1910 e encomendando caldeiras a óleo para a classe Nevada, em 1911.[l] O Reino Unido não ficou muito atrás, decidindo em 1912 usar óleo puro na classe Queen Elizabeth;[92] tempos de projeto e construção britânicos mais curtos significavam que o Queen Elizabeth foi comissionado antes de qualquer navio da classe Nevada. O Reino Unido planejava voltar à queima mista com a subsequente classe Revenge, ao custo de alguma velocidade — mas Fisher, que retornou ao cargo em 1914, insistiu que todas as caldeiras deveriam ser a óleo.[93] Outras grandes marinhas mantiveram a queima mista de carvão e óleo até o fim da Primeira Guerra Mundial.[94]
Construção dos dreadnoughts
Os dreadnoughts surgiram como parte de uma corrida armamentista internacional de couraçados que havia começado na década de 1890. Embora a Marinha Real Britânica dominasse em número de couraçados pré-dreadnought, em 1906 sua vantagem em dreadnoughts era de apenas uma unidade.[95] Isso levou a críticas de que os britânicos, ao lançar o HMS Dreadnought, desperdiçaram uma vantagem estratégica.[96][97] Muitos dos rivais navais do Reino Unido já haviam considerado, ou até mesmo construído, navios de guerra com uma bateria uniforme de canhões pesados. Tanto a Marinha Japonesa quanto a Marinha dos Estados Unidos encomendaram navios monocalibre em 1904–1905, com o Satsuma e a South Carolina, respectivamente. O Kaiser Guilherme II da Alemanha já defendia desde a década de 1890 um navio rápido armado apenas com canhões pesados. Ao garantir uma largada antecipada na construção de dreadnoughts, o Reino Unido assegurou que sua supremacia nos mares continuasse.[98]
A corrida por couraçados logo se acelerou novamente, impondo grande peso às finanças dos governos envolvidos. Os primeiros dreadnoughts não eram muito mais caros que os últimos pré-dreadnoughts, mas o custo por navio continuou a crescer a partir daí.[m] Os couraçados modernos eram o elemento crucial do poder naval, apesar do preço. Cada couraçado sinalizava poder e prestígio nacional, de forma semelhante às armas nucleares hoje.[99] Alemanha, França, Rússia, Itália, Japão e Áustria-Hungria iniciaram programas de dreadnoughts, e potências navais secundárias — incluindo o Império Otomano, Grécia, Argentina, Brasil e Chile — encomendaram a estaleiros britânicos, franceses, alemães e norte-americanos a construção de dreadnoughts para si.[100]
Corrida armamentista anglo-alemã

A construção do HMS Dreadnought coincidiu com o aumento da tensão entre o Reino Unido e a Alemanha. A Alemanha havia iniciado a construção de uma grande frota de batalha nos anos 1890, como parte de uma política deliberada para desafiar a supremacia naval britânica. Com a assinatura da Entente Cordiale em abril de 1904, tornou-se cada vez mais claro que o principal inimigo naval do Reino Unido seria a Alemanha, que construía uma grande frota moderna sob as "leis de Tirpitz". Essa rivalidade deu origem às duas maiores frotas de dreadnoughts do período pré-1914.[101]
A primeira resposta alemã ao Dreadnought foi a classe Nassau, iniciada em 1907, seguida pela classe Helgoland em 1909. Juntamente com dois cruzadores de batalha — tipo pelo qual os alemães tinham menos admiração que Fisher, mas que podiam ser construídos sob a autorização para cruzadores blindados, não para navios capitais —, essas classes deram à Alemanha um total de dez navios capitais modernos construídos ou em construção em 1909. Os navios britânicos eram mais rápidos e poderosos que seus equivalentes alemães, mas uma proporção de 12:10 estava muito aquém da superioridade de 2:1 que a Marinha Real queria manter.[102]
Em 1909, o Parlamento britânico autorizou mais quatro navios capitais, na esperança de que a Alemanha estivesse disposta a negociar um tratado limitando o número de couraçados. Se nenhuma solução fosse encontrada, mais quatro navios seriam iniciados em 1910. Mesmo esse compromisso significava, junto com algumas reformas sociais, elevar os impostos o suficiente para provocar uma crise constitucional no Reino Unido em 1909–1910. Em 1910, o plano britânico de construção de oito navios prosseguiu, incluindo quatro superdreadnoughts da classe Orion, ampliados por cruzadores de batalha comprados pela Austrália e Nova Zelândia. No mesmo período, a Alemanha iniciou apenas três navios, dando ao Reino Unido uma superioridade de 22 navios contra 13. A determinação britânica, demonstrada por seu programa de construção, levou os alemães a buscar um fim negociado para a corrida armamentista. O Almirantado queria 22 contra 13 (60%); Tirpitz aceitava 17 contra 13 (50%). Negociações falharam por divergências sobre cruzadores coloniais britânicos e sobre a Alsácia-Lorena.[103]
A corrida dos dreadnoughts intensificou-se em 1910 e 1911, com a Alemanha iniciando quatro navios capitais por ano e o Reino Unido cinco. A tensão atingiu o ápice após a Lei Naval Alemã de 1912. Esta propunha uma frota de 33 encouraçados e cruzadores de batalha alemães, superando a Marinha Real em águas domésticas. Para piorar a situação do Reino Unido, a Marinha Imperial Austro-Húngara construía quatro dreadnoughts, enquanto a Itália tinha quatro e construía mais dois. Contra tais ameaças, a Marinha Real não podia mais garantir interesses vitais britânicos. O Reino Unido enfrentava a escolha entre construir mais encouraçados, retirar-se do Mediterrâneo ou buscar uma aliança com a França. A construção naval adicional era inaceitavelmente cara num momento em que a provisão de bem-estar social fazia exigências ao orçamento. Retirar-se do Mediterrâneo significaria uma enorme perda de influência, enfraquecendo a diplomacia britânica na região e abalando a estabilidade do Império Britânico. A única opção aceitável, e a recomendada pelo Primeiro Lorde do Almirantado Winston Churchill, era romper com as políticas do passado e fazer um acordo com a França. Os franceses assumiriam a responsabilidade de conter Itália e Áustria-Hungria no Mediterrâneo, enquanto os britânicos protegeriam a costa norte da França. Apesar de alguma oposição de políticos britânicos, a Marinha Real se organizou nessa base em 1912.[104]
Apesar dessas importantes consequências estratégicas, a Lei Naval de 1912 teve pouca influência nas proporções de forças de couraçados. O Reino Unido respondeu iniciando a construção de dez novos superdreadnoughts em seus orçamentos de 1912 e 1913 — navios das classes Queen Elizabeth e Revenge, que introduziram mais um avanço em armamento, velocidade e proteção — enquanto a Alemanha iniciou apenas cinco, concentrando recursos em seu exército.[105]
Estados Unidos
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Os couraçados estadunidenses da classe South Carolina foram os primeiros navios monocalibres concluídos por um rival do Reino Unido. O planejamento dessa classe começou antes do lançamento do Dreadnought. Há especulações de que contatos informais com oficiais simpáticos da Marinha Real influenciaram o projeto da Marinha dos EUA,[106] mas o navio americano era muito diferente.
O Congresso dos EUA autorizou a Marinha a construir dois couraçados, mas com no máximo 16 mil toneladas de deslocamento. Como resultado, a classe South Carolina foi construída com limites muito mais restritos que o Dreadnought. Para otimizar o peso disponível para armamento, todas as oito peças de 12 polegadas foram montadas na linha central, em pares superfiring proa e ré. Essa disposição dava uma bordada igual à do Dreadnought, mas com menos canhões; era a distribuição mais eficiente das armas e se tornou precursor da prática padrão das gerações futuras de couraçados. A principal diferença de peso em relação do Dreadnought veio da propulsão; o South Carolina manteve motores de expansão tripla e atingia apenas 18,5 nós (34,3 km/h) contra 21 nós (39 km/h) do Dreadnought.[107] Por esse motivo, a posterior classe Delaware foi considerada por alguns como os primeiros verdadeiros dreadnoughts da Marinha dos EUA;[108][109] poucos anos após sua comissionamento, a classe South Carolina não conseguia operar taticamente com os novos dreadnoughts devido à baixa velocidade, sendo forçada a operar com os antigos pré-dreadnoughts.[110][111]
Os dois navios de 10 canhões e 20 500 toneladas da classe Delaware foram os primeiros encouraçados americanos a igualar a velocidade dos dreadnoughts britânicos, mas sua bateria secundária era "molhada" (sofrendo com spray) e a proa ficava baixa na água. Um projeto alternativo de 12 canhões e 24 mil toneladas também tinha muitas desvantagens; os dois canhões extras e casamatas mais baixas traziam "custos ocultos" — as duas torres laterais planejadas enfraqueceriam o convés superior, seriam quase impossíveis de proteger adequadamente contra ataques submersos e forçariam os depósitos de munição a ficarem próximos demais das laterais do navio.[108][112]
A Marinha dos EUA continuou expandindo sua frota de batalha, iniciando dois navios na maioria dos anos seguintes até 1920. Os EUA continuaram usando motores alternativos como alternativa às turbinas até o Nevada, iniciado em 1912. Isso refletia, em parte, uma abordagem cautelosa na construção de encouraçados e, em parte, a preferência por grande autonomia em detrimento da alta velocidade máxima, devido à necessidade de operar no Oceano Pacífico.[113]
Japão

Com a vitória na Guerra Russo-Japonesa de 1904–1905, os japoneses preocuparam-se com o potencial conflito contra os EUA. O teórico naval Satō Tetsutarō desenvolveu a doutrina de que o Japão deveria ter uma frota de batalha com pelo menos 70% do tamanho da frota americana. Isso permitiria à Marinha japonesa vencer duas batalhas decisivas: a primeira no início de uma guerra prospectiva contra a Frota do Pacífico dos EUA, e a segunda contra a Frota do Atlântico dos EUA, inevitavelmente enviada como reforço.[114]
As primeiras prioridades do Japão foram modernizar os pré-dreadnoughts capturados da Rússia e completar os navios da classe Satsuma: Satsuma e Aki. Os Satsuma foram projetados antes do Dreadnought, mas a Guerra Russo-Japonesa deixou o Japão sem verba e sem canhões de 12 polegadas, resultando em armamento misto, sendo conhecidos como "semi-dreadnoughts". Estes foram seguidos por uma versão modificada do tipo Aki: Kawachi e Settsu da classe Kawachi. Esses dois navios tiveram a quilha batida em 1909 e concluídos em 1912. Estavam armados com doze canhões de 12 polegadas, mas de dois modelos diferentes com comprimentos de cano distintos, o que dificultaria o controle de tiro em longas distâncias.[115]
Brasil

O Brasil foi o terceiro país do mundo a iniciar a construção de couraçados do tipo dreadnought. Em 1906, o governo brasileiro encomendou três unidades ao Reino Unido, dotadas de uma bateria principal mais poderosa que a de qualquer outro couraçado em operação na época: doze canhões de 305 mm/45 calibres. O Minas Geraes teve a quilha batida nos estaleiros Armstrong, em Elswick, em 17 de abril de 1907; treze dias depois, seu irmão, o São Paulo, começou a ser construído pela Vickers, em Barrow.[116][117] Quando lançados, causaram enorme repercussão internacional. A própria imprensa técnica estrangeira reconheceu sua superioridade: a revista Scientific American descreveu o Minas Geraes como o “navio de guerra mais poderoso à tona”, refletindo a percepção contemporânea de que o Brasil, apesar de não ser uma potência naval tradicional, havia adquirido alguns dos mais formidáveis couraçados do mundo naquele momento.[118]
A aquisição desses dreadnoughts provocou intensa especulação na Europa e nos Estados Unidos. Diversas publicações navais sugeriam que o Brasil estaria agindo como intermediário de uma grande potência,[119][120] hipótese alimentada pelo fato de que, as tentativas do Brasil, em 1908, de obter um empréstimo de vários milhões de dólares com base no valor de sua safra de café não tiveram sucesso.[121] Ainda assim, ambos os navios foram efetivamente incorporados à Marinha do Brasil em 1910, consolidando o país como a terceira nação a operar dreadnoughts, atrás apenas do Reino Unido e dos Estados Unidos.[122][123] O terceiro navio da série, o Rio de Janeiro, estava quase concluído quando a queda abrupta dos preços internacionais da borracha comprometeu as finanças brasileiras. Incapaz de arcar com os custos finais, o governo decidiu vendê-lo em 1913 ao Império Otomano, encerrando assim a fase mais ambiciosa do programa naval brasileiro.[124]
Dessa forma, embora o Brasil não fosse uma potência naval no sentido clássico, isto é, com tradição de projeção global de força, chegou a possuir, no momento de sua incorporação, couraçados que figuravam entre os mais poderosos do mundo, tanto em armamento quanto em concepção técnica, alterando temporariamente o equilíbrio naval na América do Sul e projetando o país para o centro do debate estratégico internacional.[118][125]
Outros países

Comparadas às outras grandes potências navais, a França demorou a iniciar a construção de couraçados do tipo dreadnought, preferindo concluir a planejada classe Danton de pré‑dreadnoughts, cuja quilha foi batida em cinco unidades entre 1907 e 1908. Em setembro de 1910, o primeiro navio da classe Courbet teve a quilha batida, fazendo da França a décima‑primeira nação a entrar na corrida dos dreadnoughts.[126] Nas Estimativas Navais de 1911, Paul Bénazet afirmou que, de 1896 a 1911, a França caiu de segunda maior potência naval do mundo para a quarta; ele atribuiu isso a problemas nas rotinas de manutenção e à negligência.[127] A aliança mais estreita com o Reino Unido tornava essas forças reduzidas mais do que adequadas para as necessidades francesas.[128]
A Regia Marina italiana havia recebido propostas de um couraçado monocalibre de Cuniberti bem antes do lançamento do Dreadnought, mas a Itália só teve a quilha de um navio desse tipo batida em 1909. A construção do Dante Alighieri foi motivada por rumores de que a Áustria‑Hungria estaria construindo dreadnoughts. Outros cinco dreadnoughts das classes Conte di Cavour e Andrea Doria se seguiram, enquanto a Itália buscava manter sua vantagem sobre a Áustria‑Hungria. Esses navios permaneceram o núcleo da força naval italiana até a Segunda Guerra Mundial. Os subsequentes couraçados da classe Francesco Caracciolo tiveram sua construção suspensa (e mais tarde cancelada) com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.[129]
Em janeiro de 1909, almirantes austro‑húngaros circularam um documento pedindo uma frota de quatro dreadnoughts. Uma crise constitucional em 1909–1910 significou que nenhuma construção podia ser aprovada. Apesar disso, estaleiros bateram a quilha de dois dreadnoughts por conta própria — devido especialmente às enérgicas manobras de Rudolf Montecuccoli, chefe da Marinha Austro‑Húngara — posteriormente aprovados junto com outros dois. Os navios resultantes, todos da classe Tegetthoff, seriam acompanhados por mais quatro navios da classe Ersatz Monarch, mas estes foram cancelados com a entrada da Áustria‑Hungria na Primeira Guerra Mundial.[130]
Em junho de 1909, a Marinha Imperial Russa iniciou a construção de quatro dreadnoughts da classe Gangut para a Frota do Báltico e, em outubro de 1911, mais três dreadnoughts da classe Imperatritsa Mariya para a Frota do Mar Negro tiveram a quilha batida. Dos sete navios, apenas um foi concluído em até quatro anos depois de iniciada a construção, e os navios da classe Gangut eram considerados “obsoletos e ultrapassados” quando entraram em serviço.[131][132] Tirando lições de Tsushima e influenciados por Cuniberti, eles acabaram se parecendo mais com versões mais lentas dos cruzadores de batalha de Fisher do que com o Dreadnought, e mostraram‑se seriamente falhos devido a seus canhões menores e blindagem mais fina quando comparados aos dreadnoughts contemporâneos.[131][133]

A Espanha encomendou três navios da classe España, com o primeiro tendo a quilha batida em 1909. Os três navios, os menores couraçados dreadnought já construídos, foram construídos em estaleiros espanhóis com assistência britânica; a construção do terceiro navio, Jaime I, levou nove anos desde a data em que teve a quilha batida até sua conclusão, devido à não entrega de materiais críticos, especialmente o armamento, por parte do Reino Unido.[134][135]
Os Países Baixos pretendiam, por volta de 1912, substituir sua frota de navios couraçados costeiros de pré‑dreadnought por uma frota moderna composta de couraçados dreadnought. Após uma Comissão Real propor, em agosto de 1913, a aquisição de nove dreadnoughts, travaram‑se intensos debates sobre a necessidade de tais navios e — caso fossem mesmo necessários — sobre o número exato que deveria ser adquirido. Esses debates se prolongaram até agosto de 1914, quando um projeto de lei autorizando recursos para quatro dreadnoughts foi finalizado, mas a eclosão da Primeira Guerra Mundial interrompeu o ambicioso plano.[136][137]
O Império Otomano encomendou dois dreadnoughts a estaleiros britânicos, o Reshadiye em 1911 e o Fatih Sultan Mehmed em 1914. O Reshadiye foi concluído e, em 1913, o Império Otomano também adquiriu um dreadnought praticamente pronto do Brasil, que se tornou o Sultan Osman I. No início da Primeira Guerra Mundial, o Reino Unido apreendeu os dois navios concluídos para a Marinha Real. Reshadiye e Sultan Osman I tornaram‑se HMS Erin e Agincourt, respectivamente (o Fatih Sultan Mehmed foi desmantelado). Esse ato ofendeu profundamente o Império Otomano. Quando dois navios de guerra alemães, o cruzador de batalha SMS Goeben e o cruzador SMS Breslau, ficaram encurralados em águas otomanas após o início da guerra, a Alemanha “presenteou‑os” ao Império Otomano (embora eles tenham permanecido tripulados por alemães e sob ordens alemãs). A apreensão britânica e o “presente” alemão foram fatores importantes para a entrada do Império Otomano na guerra ao lado das Potências Centrais, em outubro de 1914.[138]
A Grécia havia encomendado o dreadnought Salamis na Alemanha, mas o trabalho foi interrompido com a eclosão da guerra. O armamento principal do navio grego fora encomendado nos Estados Unidos, e os canhões acabaram equipando uma classe de monitors britânicos. Em 1914, a Grécia comprou dois pré‑dreadnoughts da Marinha dos Estados Unidos, renomeando‑os Kilkis e Lemnos em serviço na Marinha Real Helênica.[139]
O Parlamento do Canadá, dominado pelo Partido Conservador, aprovou um projeto para a aquisição de três dreadnoughts britânicos por 35 milhões de dólares, destinados ao Serviço Naval Canadense, mas a medida foi rejeitada no Senado do Canadá, dominado pelo Partido Liberal. Como resultado, a marinha do país não estava preparada para a Primeira Guerra Mundial.[140]
Superdreadnoughts

Dentro de cinco anos após a entrada em serviço do HMS Dreadnought, uma nova geração de navios mais poderosos, os chamados superdreadnoughts, já estava sendo construída. A classe Orion britânica representou um salto sem precedentes de 2 mil toneladas no deslocamento, introduziu o canhão mais pesado de 13,5 polegadas (343 mm) e concentrou todo o armamento principal na linha de centro do navio (permitindo que algumas torres disparassem sobre outras em posição sobrelevada). Nos quatro anos entre o Dreadnought e o Orion, o deslocamento havia aumentado em 25%, enquanto o peso da bordada, isto é, o peso total de projéteis que podia ser disparado para um mesmo bordo em uma única salva, havia dobrado.[141]
Os superdreadnoughts britânicos logo foram acompanhados por navios equivalentes construídos por outras potências navais. A classe New York, da Marinha dos Estados Unidos, cuja construção teve início em 1911, foi armada com canhões de 14 polegadas (356 mm) em resposta ao avanço britânico, calibre que rapidamente se tornou o novo padrão. No Japão, dois superdreadnoughts da classe Fusō tiveram a construção iniciada em 1912, seguidos pelos dois navios da classe Ise, em 1914; ambas as classes eram armadas com doze canhões de 14 polegadas (356 mm). Em 1917 foi encomendada a classe Nagato, os primeiros superdreadnoughts equipados com canhões de 16 polegadas, tornando-se possivelmente os navios de guerra mais poderosos do mundo naquele momento. Esses couraçados passaram a ser construídos cada vez mais com componentes produzidos no próprio Japão, em vez de importados. Na França, os couraçados da classe Courbet foram seguidos por três superdreadnoughts da classe Bretagne, armados com canhões de 13,4 polegadas (340 mm); outros cinco navios da classe Normandie foram cancelados com a eclosão da Primeira Guerra Mundial.[142] Os dreadnoughts brasileiros anteriormente mencionados desencadearam uma corrida naval em menor escala na América do Sul, levando Argentina e Chile a encomendarem, respectivamente, dois superdreadnoughts aos Estados Unidos e ao Reino Unido. Os argentinos Rivadavia e Moreno possuíam armamento principal equivalente ao de seus equivalentes brasileiros, porém eram significativamente mais pesados e protegidos por blindagem mais espessa. O Reino Unido adquiriu os dois couraçados chilenos com o início da Primeira Guerra Mundial; um deles, o Almirante Latorre, foi posteriormente recomprado pelo Chile.[143][144]

Os superdreadnoughts britânicos posteriores, sobretudo os da classe Queen Elizabeth, eliminaram a torre de artilharia a meia‑nau, liberando peso e volume para caldeiras maiores, alimentadas a óleo. O novo canhão de 15 polegadas (381 mm) proporcionou maior poder de fogo apesar da perda de uma torre, e o navio recebeu um cinturão de blindagem mais espesso e proteção subaquática aperfeiçoada. A classe tinha velocidade de projeto de 25 nós (46 km/h; 29 mph) e é considerada a primeira geração de couraçados rápidos.[145]
A fraqueza de projeto dos superdreadnoughts, que os distingue dos navios posteriores a 1918, estava na disposição da blindagem. Eles privilegiavam a proteção vertical necessária em combates a curta distância, em que os projéteis atingem os costados, e partiam do pressuposto de que uma chapa externa de blindagem detonaria os projéteis inimigos, de modo que estruturas internas cruciais, como as bases das torres, precisariam apenas de uma proteção leve contra estilhaços. Isso acontecia apesar da capacidade de engajar o inimigo a 20 mil jardas (18 mil), distâncias em que os projéteis descreveriam trajetórias de até trinta graus em relação à horizontal (“tiro em mergulho”), podendo atravessar o convés atrás da chapa externa e atingir diretamente as estruturas internas. Projetos do pós‑guerra passaram a empregar tipicamente de 5 a 6 polegadas (130 a 150 mm) de blindagem de convés sobre uma única cinta vertical muito mais espessa para se defender desse tipo de ataque. O conceito de “zona de imunidade” tornou‑se um elemento central no pensamento sobre o projeto de couraçados. A falta de proteção subaquática também era uma fragilidade desses projetos anteriores à Primeira Guerra Mundial, concebidos antes de o emprego de torpedos se tornar generalizado.[146]
A Marinha dos Estados Unidos desenvolveu seus couraçados do tipo Standard (Standard-type battleships), a partir da classe Nevada, já prevendo combates a longa distância e tiro em mergulho; o primeiro deles teve a quilha batida em 1912, quatro anos antes de a Batalha da Jutlândia revelar aos europeus os perigos do tiro a grandes distâncias. Características importantes desses couraçados Standard eram a blindagem “tudo ou nada” (all or nothing) e a construção em balsa blindada (raft construction), uma filosofia de projeto segundo a qual apenas as partes do navio que valia a pena proteger ao máximo mereciam qualquer blindagem, e o bloco blindado resultante deveria reter flutuabilidade reserva suficiente para manter o navio inteiro à tona caso a proa e a popa desprotegidas fossem amplamente perfuradas e alagadas. Esse conceito provou seu valor na Batalha Naval de Guadalcanal, em 1942, quando uma manobra mal cronometrada do South Dakota o deixou recortado contra o horizonte para as baterias japonesas: apesar de receber 26 impactos, sua balsa blindada permaneceu intocada e o navio terminou o combate ainda flutuando e operacional.[147]
Em ação

Na Primeira Guerra Mundial, não houve batalhas decisivas entre frotas de couraçados como a de Tsushima. O papel desses navios acabou sendo secundário tanto no combate terrestre na França e na Rússia quanto na guerra comercial alemã (Handelskrieg) e no bloqueio aliado contra a Alemanha.[148]
Devido à sua posição geográfica privilegiada, a Marinha Real conseguiu manter a Frota de Alto-Mar alemã confinada ao Mar do Norte sem grandes dificuldades, mas não logrou superar a superioridade alemã no Mar Báltico. Ambas as marinhas sabiam que um confronto total terminaria, graças ao maior número de dreadnoughts britânicos, com vitória da Grã‑Bretanha. Por isso, a estratégia alemã buscava atrair os britânicos para um combate em condições favoráveis: ou separando uma fração da Grande Frota, ou travando batalha próxima à costa alemã, onde campos minados, torpedeiros e submarinos seus poderiam equilibrar o jogo.[149]
Nos dois primeiros anos de guerra, os embates no Mar do Norte se limitaram a escaramuças entre cruzadores de batalha, como nas batalhas de Heligoland e de Dogger Bank, e incursões contra a costa inglesa. Em maio de 1916, nova tentativa alemã de forçar um confronto vantajoso levou ao choque entre as duas grandes frotas, de 31 de maio a 1º de junho: a indecisa Batalha da Jutlândia.[150]

Nos outros teatros navais, não houve confrontos gerais decisivos. No Mar Negro, os couraçados russos e turcos se limitaram a escaramuças, sem maiores consequências. No Báltico, a ação se restringiu basicamente a ataques a comboios e instalação de campos minados defensivos.[151] O Adriático era, de certa forma, o espelho do Mar do Norte: a frota de dreadnoughts austro‑húngaros ficou confinada ao mar pelo bloqueio ítalo‑britânico‑francês, mas bombardeou os italianos em várias ocasiões, notadamente Ancona, em 1915.[152] No Mediterrâneo, o uso mais importante dos couraçados foi no apoio ao assalto anfíbio em Gallipoli.[153]
O desenrolar da guerra evidenciou a vulnerabilidade dos couraçados diante de armas mais baratas. Em setembro de 1914, a ameaça representada pelos submarinos U-boats contra os navios capitais foi demonstrada por ataques bem-sucedidos a cruzadores britânicos, incluindo o afundamento de três antigos cruzadores couraçados da Marinha Real pelo submarino alemão U-9, em menos de uma hora. As minas navais continuaram a representar perigo: um mês depois, o recém-comissionado superdreadnought britânico HMS Audacious atingiu uma dessas minas e afundou, ainda em 1914. Ao final de outubro, a estratégia e as táticas britânicas no Mar do Norte haviam sido modificadas para reduzir o risco de ataques de submarinos.[154] A Batalha da Jutlândia foi o único grande confronto entre frotas de couraçados tipo dreadnought da história, e o plano alemão para essa batalha baseava-se em ataques de submarinos contra a frota britânica. A fuga da Frota de Alto-Mar alemã do poder de fogo superior dos britânicos foi possível graças à ação de seus cruzadores e contratorpedeiros, que avançaram em direção aos couraçados inimigos, forçando-os a manobrar para evitar o risco de serem atingidos por torpedos. Novas tentativas de ataque de submarinos contra couraçados, ainda que malsucedidas, levaram a uma crescente preocupação dentro da Marinha Real quanto à vulnerabilidade desses gigantes navais.[155]
Do lado alemão, a Frota de Alto-Mar decidiu não enfrentar os britânicos sem o apoio de submarinos; contudo, como esses eram mais necessários para a guerra de corso, o ataque ao comércio marítimo inimigo, a frota permaneceu ancorada durante grande parte do restante do conflito.[156] Outros teatros da guerra também demonstraram o papel das pequenas embarcações na destruição ou neutralização de couraçados dreadnought: em novembro de 1918, dois desses navios austríacos foram perdidos em decorrência de ataques realizados por lanchas torpedeiras e por mergulhadores de combate italianos, conhecidos como “homens-rã”.[carece de fontes]
Construção de couraçados a partir de 1914
Primeira Guerra Mundial
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O início da Primeira Guerra Mundial interrompeu em grande parte a corrida armamentista dos dreadnoughts, pois recursos financeiros e técnicos foram desviados para prioridades mais urgentes. As fundições que produziam canhões de couraçado passaram a fabricar artilharia de campanha, e os estaleiros foram sobrecarregados com encomendas de pequenas embarcações. As potências navais menores envolvidas no Grande Conflito — França, Áustria-Hungria, Itália e Rússia — suspenderam completamente seus programas de couraçados. O Reino Unido e a Alemanha prosseguiram na construção de couraçados e cruzadores de batalha, mas em ritmo reduzido.[157]
No Reino Unido, Fisher retornou ao cargo de Primeiro Lorde do Almirantado; elevado a 1.º Barão Fisher em 1909, adotara o lema Fear God and dread nought. Isso, aliado a uma moratória governamental na construção de couraçados, resultou em ênfase renovada nos cruzadores de batalha. Fisher renunciou em 1915 após desavenças sobre a Campanha de Galípoli com o Primeiro Lorde da Almirantagem, Winston Churchill.[carece de fontes]
Os últimos navios das classes Revenge e Queen Elizabeth foram concluídos, embora os dois derradeiros couraçados da classe Revenge tenham sido redesignados como cruzadores de batalha da classe Renown. Fisher prosseguiu com a ainda mais radical classe Courageous, embarcações velozes e fortemente armadas, com blindagem mínima de 76 mm, classificadas como “grandes cruzadores leves” para contornar proibição cabinetária a novos navios capitais. Sua obsessão pela velocidade culminou na proposta do colossal e pouco blindado HMS Incomparable, um cruzador de batalha descomunal.[158]
Na Alemanha, duas unidades da classe Bayern, planejada antes da guerra, foram gradualmente completadas, mas as outras duas iniciadas permaneceram inacabadas ao fim do conflito. O Hindenburg, cuja quilha fora lançada antes do início da guerra, foi incorporado em 1917. A classe Mackensen, projetada em 1914–1915, teve suas unidades iniciadas, mas nunca finalizadas.[159]
Pós-guerra
Apesar da interrupção na construção de couraçados durante a Primeira Guerra Mundial, os anos de 1919–1922 trouxeram o risco de uma nova corrida armamentista naval entre Reino Unido, Japão e Estados Unidos. A Batalha da Jutlândia deixou marcas profundas nos projetos desse período. Os primeiros navios nesse contexto foram os britânicos da classe Admiral, desenhados em 1916. Jutlândia convenceu o almirantado da vulnerabilidade excessiva dos cruzadores de batalha com blindagem leve, o que levou ao reforço significativo da proteção no projeto final, elevando o deslocamento para 42 mil toneladas. O impulso para essa nova escalada veio das marinhas japonesa e americana. A Lei de Apropriações Navais de 1916 autorizou a construção de 156 novos navios nos EUA, incluindo dez couraçados e seis cruzadores de batalha, ameaçando pela primeira vez a liderança naval global britânica.[160] O programa avançou devagar, em parte para absorver as lições de Jutlândia, e nunca se completou por inteiro. Os novos navios americanos, couraçados das classes Colorado e South Dakota, além dos cruzadores de batalha da classe Lexington, avançaram qualitativamente sobre as classes britânicas Queen Elizabeth e Admiral ao adotarem peças de 406 mm.[161]
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Ao mesmo tempo, a Marinha Imperial Japonesa finalmente recebeu autorização para sua “frota oito-oito”. A classe Nagato, aprovada em 1916, era armada com oito canhões de 16 polegadas, iguais aos dos equivalentes americanos. O orçamento naval do ano seguinte autorizou a construção de mais dois couraçados e dois cruzadores de batalha. Os couraçados, que dariam origem à classe Tosa, seriam equipados com dez canhões de 16 polegadas. Os cruzadores de batalha, da classe Amagi, também com dez canhões de 16 polegadas, foram projetados para atingir 30 nós, superando tanto os britânicos da classe Admiral quanto os americanos da classe Lexington.[162]
Em 1919, Woodrow Wilson propôs uma expansão adicional da Marinha dos Estados Unidos, solicitando verbas para mais dez couraçados e seis cruzadores de batalha, além da conclusão do programa de 1916, incluindo a classe South Dakota, ainda não iniciada. Em resposta, a Dieta do Japão aprovou finalmente a “frota oito-oito”, incorporando mais quatro couraçados.[163] Esses navios, da classe Kii, teriam deslocamento de 43 mil toneladas; o projeto seguinte, conhecido como classe n.º 13, seria armado com canhões de 18 polegadas (457 mm).[164] Muitos oficiais da Marinha japonesa ainda se queixavam, defendendo uma “frota oito-oito-oito” composta por 24 couraçados e cruzadores de batalha modernos.
Empobrecidos pela Primeira Guerra Mundial, os britânicos enfrentavam o risco de perder a dianteira para os EUA e o Japão. Nenhum navio fora iniciado desde a classe Admiral, da qual apenas o HMS Hood havia sido concluído. Um plano do almirantado, de junho de 1919, delineava uma frota pós-guerra com 33 couraçados e oito cruzadores de batalha, estimando um custo anual de £171 milhões (cerca de £9,93 bilhões atuais), embora apenas £84 milhões estivessem disponíveis. O almirantado então exigiu, como mínimo, a construção de mais oito couraçados. Esses seriam os cruzadores de batalha G3, com canhões de 16 polegadas e alta velocidade, e os couraçados da classe N3, equipados com canhões de 18 polegadas (457 mm). Severamente limitada pelo Tratado de Versalhes, a Alemanha não participou dessa corrida naval tripla. A maior parte da frota de dreadnoughts alemães foi afundada voluntariamente pelos próprios tripulantes em Scapa Flow, em 1919; o restante foi entregue como prêmios de guerra.[n][165]
As grandes potências navais evitaram os programas de expansão extremamente caros ao negociar o Tratado Naval de Washington, em 1922. O tratado listou embarcações, incluindo a maioria dos dreadnoughts mais antigos e quase todos os novos em construção, destinadas à sucata ou à desativação definitiva. Além disso, estabeleceu uma “pausa na construção”, período durante o qual nenhuma quilha de couraçado ou cruzador de batalha seria lançada, exceto para a classe britânica Nelson. Os navios que sobreviveram ao tratado, entre os superdreadnoughts modernos das três marinhas, formaram o núcleo da força de navios-capitais internacionais durante o período entre guerras e, com modernizações, também na Segunda Guerra Mundial. As embarcações construídas sob os termos do tratado — e posteriormente sob os Tratados de Londres de 1930 e 1936, para substituir unidades obsoletas, ficaram conhecidas como couraçados-tratado.[166]
A partir desse momento, o termo dreadnought caiu em desuso. A maioria dos pré-dreadnoughts foi desmantelada ou convertida em pontões após a Primeira Guerra Mundial,[o] tornando a distinção entre eles e os novos navios menos relevante.
Notas e referências
Notas
- ↑ Na literatura acadêmica e militar em português, usa‑se a expressão “encouraçado monocalibre” para descrever o dreadnought como navio de guerra cujo armamento principal concentra‑se em um único calibre pesado, seguindo o conceito all‑big‑gun. Essa formulação aparece, por exemplo, em estudos da Marinha do Brasil, que contrastam o encouraçado monocalibre ou calibre único com os couraçados anteriores de calibres mistos.[2][3][4][5]
- ↑ O conceito de um navio monocalibre vinha sendo desenvolvido por vários anos antes da construção do Dreadnought. A Marinha Imperial Japonesa havia iniciado, em 1904, os trabalhos em um encouraçado monocalibre, mas acabou concluindo o navio com um armamento misto. A Marinha dos Estados Unidos também estava construindo navios com um esquema de armamento semelhante, embora o Dreadnought tenha sido lançado antes que qualquer um deles fosse concluído.
- ↑ Isso ocorreu por duas razões principais. As melhorias nos torpedos tornaram arriscadas as aproximações a curta distância contra navios inimigos. Ao mesmo tempo, em várias batalhas, tanto embarcações russas quanto japonesas conseguiram acertar alvos a distâncias consideravelmente maiores do que aquelas para as quais seus telêmetros haviam sido projetados.
- ↑ Em distâncias muito curtas, um projétil disparado por um canhão segue uma trajetória quase plana, permitindo que as peças sejam miradas diretamente em direção ao inimigo. Em alcances maiores, o artilheiro enfrenta um problema mais complexo, pois o canhão precisa ser elevado para que o projétil siga uma trajetória balística adequada e atinja o alvo. Isso requer uma estimativa, ou previsão, precisa da distância até o alvo, o que constituía um dos principais desafios do controle de tiro. A bordo dos navios de guerra, esses problemas eram agravados pelo fato de a embarcação sofrer naturalmente o movimento de balanço sobre as ondas.[15]
- ↑ Projéteis mais leves apresentam uma menor relação entre massa e área frontal, de modo que sua velocidade é reduzida mais rapidamente pela resistência do ar.
- ↑ Veja Friedman (1985), p. 51, para a discussão das propostas alternativas para a classe Mississippi.
- ↑ Uma vantagem adicional é obtida com a adoção de um armamento uniforme. Um armamento de calibres mistos exige controles separados para cada tipo de peça; por diversas razões, o alcance transmitido aos canhões de 12 polegadas não é o mesmo que convém aos de 9,2 ou aos de 6 polegadas, embora a distância ao alvo seja idêntica. Primeiro Adendo ao Relatório do Comitê de Projetos, citado em Mackay (1973), p. 322.
- ↑ No Reino Unido, Fisher não parece ter demonstrado interesse na capacidade de atingir um adversário a longa distância por meio da observação das salvas, e também é muito difícil compreender quando esse método foi oficialmente entendido pela primeira vez (Mackay, 1973, p. 322). Nos Estados Unidos, a possibilidade de confusão no tiro devido a dois calibres tão próximos quanto 10 polegadas (250 mm) e 12 polegadas (300 mm) jamais foi levantada. Por exemplo, Sims e Poundstone enfatizaram as vantagens da homogeneidade em termos de suprimento de munição e da transferência das guarnições das peças desengajadas para substituir artilheiros feridos (Friedman, 1985, p. 55).
- ↑ Em outubro, W. L. Rogers, do Naval War College, escreveu um memorando longo e detalhado sobre essa questão, observando que, à medida que as distâncias de combate aumentavam, a diferença de precisão entre canhões de 10 polegadas e de 12 polegadas tornava-se enorme (Friedman, 1985, p. 55). No mesmo sentido, o Relatório do Comitê de Projetos afirmava que “a vantagem a longa distância pertence ao navio que transporta o maior número de canhões do maior tipo” (Report of the Committee on Designs, citado em Mackay, 1973, p. 322).
- ↑ Fisher propôs pela primeira vez de forma firme a ideia monocalibre em um artigo de 1904, no qual defendia encouraçados armados com dezesseis canhões de 10 polegadas; em novembro de 1904, porém, ele já estava convencido da necessidade de empregar canhões de 12 polegadas. Uma carta de 1902, na qual sugeria navios poderosos “com fogo igual em todos os setores”, pode já indicar um conceito de projeto monocalibre. [35]
- ↑ [Friedman 1985], pp. 126–128. Friedman observa, por exemplo, a perda total de potência na propulsão turboelétrica do cruzador de batalha convertido USS Saratoga (CV-3) após apenas um impacto de torpedo na Segunda Guerra Mundial.
- ↑ [Friedman 1985], pp. 104–105. Embora o Nevada tenha sido projetado e concluído com turbinas a vapor a óleo combustível, o Oklahoma foi projetado e concluído com motores de expansão tripla a óleo combustível.
- ↑ O Dreadnought (1906) custou £1.783.000, em comparação com £1.540.000 por unidade da classe Lord Nelson. Oito anos depois, a classe Queen Elizabeth custava £2.300.000 por navio. Valores comparáveis em termos atuais seriam, respectivamente, 242 milhões, 209 milhões e 286 milhões. Os valores originais são de Breyer, Battleships and Battlecruisers of the World, p. 52 e 141; as conversões são de Measuring Worth – UK CPI.
- ↑ As classes Nassau e Heligoland foram distribuídas como prêmios de guerra. As classes Kaiser e König, bem como as duas primeiras unidades da classe Bayern, foram deliberadamente afundadas (embora o Baden tenha sido impedido de ir a pique pelos britânicos, que o encalharam, reflutuaram e o utilizaram como navio-alvo e em experimentos). Os couraçados que ainda se encontravam em construção foram desmantelados em vez de concluídos.
- ↑ Esse processo já estava bem avançado antes do Tratado Naval de Washington de 1922. Dezesseis pré-dreadnoughts serviram na Segunda Guerra Mundial em funções secundárias, como pontões, navios-ponto, alojamentos e navios de instrução; dois navios alemães de treinamento, Schlesien e Schleswig-Holstein, prestaram apoio de fogo naval no Báltico.
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Ligações externas
- Dreadnoughts britâncios e alemães (em inglês)