Vereda (Bahia)

Vereda
Município do Brasil
Hino
Gentílico veredense
Localização
Localização de Vereda na Bahia
Localização de Vereda na Bahia
Localização de Vereda na Bahia
Vereda está localizado em: Brasil
Vereda
Localização de Vereda no Brasil
Mapa de Vereda
Coordenadas 🌍
País Brasil
Unidade federativa Bahia
Municípios limítrofes Alcobaça, Itanhém, Medeiros Neto, Teixeira de Freitas, Itamaraju, Jucuruçu, Prado e divisa com o estado de Minas Gerais.
Distância até a capital 696 km
História
Fundação 24 de fevereiro de 1989 (36 anos)
Administração
Prefeito(a) Manrick Gregório Prates Teixeira[1] (Progressistas, 2021–2024)
Vereadores 9
Características geográficas
Área total [2] 828,700 km²
População total (Censo IBGE/2022[3]) 6 003 hab.
Densidade 7,2 hab./km²
Clima Subúmido a Seco
Altitude 100 m
Fuso horário Hora de Brasília (UTC−3)
Indicadores
IDH (PNUD/2010[4]) 0,577 baixo
PIB (IBGE/2020[5]) R$ 84 323,00 mil
 • Posição BA: 359°
PIB per capita (IBGE/2020[5]) R$ 13 704,37
Sítio vereda.ba.gov.br (Prefeitura)

Vereda é um município brasileiro do interior do estado da Bahia. Pertence ao território de identidade chamado Extremo Sul desse estado.[6]

História

A ocupação do território que compõe o contemporâneo município de Vereda se confunde com a do município de Prado, uma das “vilas de índios” criadas no século XVIII na Capitania de Porto Seguro e da qual viria a se desmembrar só no final do século XX.[6][7]

Levando em conta as particularidades da área litorânea e da parte mais interiorana, a ocupação humana do território veredense se deu, em tempos pré-colonização, por povos indígenas de língua não-tupi conhecidos pelo etnônimo de aimorés[6][8], dentre os quais se encontram os Krenak e os Pataxó.[9][10]

Durante todo o Brasil Colônia, os aimorés foram um dos povos que mantiveram uma resistência contínua ao colonizador português, inclusive com tentativas de escravização forçada. Este panorama histórico não se alterou após a independência política do Brasil em 1822, com muitos dos aimorés sendo expulsos de seus territórios, como é o caso dos situados em Vereda, e vindo a se estabelecer em áreas cada vez mais isoladas ou distantes.[7][9][10]

A população originária remanescente acabou se miscigenando com colonos de origem europeia que se estabeleceram em um local de mata fechada com grande concentração de pau-pólvora, às margens do rio Jucuruçu, o que levou a receber o nome inicial de Curindiba[11][12], denominação que ainda permanece na memória local veredense, a exemplo de festas populares como o "Arraial Curindiba".[13][14][15]

Posteriormente, com o aumento do fluxo de colonos brancos de ascendência portuguesa para a localidade, o povoado de Curindiba passou por uma mudança de nome, para atender à nova cultura colonialista que estava se impondo, e, então, começou a ser conhecido pela comunidade local como São Sebastião da Vereda. E manteve esta denominação até chegar à versão simplificada de Vereda, denominação contemporânea[12]. Durante esse período, a localidade permaneceu estagnada até a década de 1980, quando surge um crescimento econômico a partir do extrativismo madeireiro mais intenso na região.[11][16]

A partir da década de 1930, o povoado de Curindiba ou São Sebastião da Vereda passou a fazer parte do Distrito municipal de Jequitaia, o qual era pertencente ao histórico município de Prado, de acordo com o Decreto estadual nº 8.531, de 07 de julho 1933, que criou esse distrito.[17]

Novas mudanças ocorreram na região durante a década de 1950, as quais ocorreram no mesmo contexto em que se desenrolavam os conflitos entre as autoridades estaduais e municipais da região do Extremo Sul, os proprietários de terras locais e os povos indígenas, evento que veio a ser conhecido como "Fogo de 51", quando autoridades públicas e forças policiais de Porto Seguro e de Prado invadiram a Aldeia de Barra Velha.[7][18][19][20]

Durante o chamado "Fogo de 51", realizaram-se massacres étnicos contra a população situada na aldeia indígena de Barra Velha, o que incluiu a prisão ilegal de 38 pataxós e outras violências. Os acontecimentos em questão fizeram com que a maioria dos indígenas fugissem da área e se dispersassem pelos municípios do Extremo Sul. Ademais, a circulação das notícias criaram uma tensão regional entre populações indígenas e não-indígenas.[7][18][19][20]

Alguns anos depois, visando reforçar o controle estatal sobre a região e aperfeiçoar o ordenamento territorial do Município de Prado, o Estado da Bahia aprovou e promulgou a Lei estadual nº 628, de 30 de dezembro de 1953. Entre outras ações, a Lei 628/53 criou o distrito de São José do Prado e, incorporando a área do antigo distrito de Jequitaia, extinguiu-o.[17] Desta forma, o povoado de Vereda passou a fazer parte do distrito de São José do Prado.

Em 1989, durante o Governo de Waldir Pires, o Estado da Bahia aprovou e promulgou a Lei estadual nº 4.838, de 24 de fevereiro de 1989, que criou o Município de Vereda, ao elevar o povoado de mesmo nome à condição de cidade e estabelecer uma área desmembrada o município de Prado como seu território.[16][17][21]

Clima

O clima de Vereda é tropical (do tipo Aw na classificação climática de Köppen-Geiger), com muito mais chuva no verão do que no inverno e temperatura média anual de 24,7 °C. Junho é o mês mais seco do ano, apresentando média de 51 mm e novembro é o mês de maior precipitação, com 166 mm de média. O mês mais quente do ano é Janeiro com temperatura média de 26,5 °C, enquanto Julho é o mais frio, com média mensal de 22,1 °C. A precipitação média anual é de 1159 mm.[22]

Dados climatológicos para Vereda
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima média (°C) 31,4 31,3 31,5 29,8 28,8 27,3 26,6 27,5 30,1 29,2 29,4 30,7 29,5
Temperatura média (°C) 26,5 26,4 26,5 25,4 24,2 22,7 22,1 22,6 24,5 24,7 25,1 25,9 24,7
Temperatura mínima média (°C) 21,6 21,6 21,6 21,0 19,6 18,1 17,6 17,7 18,9 20,2 20,9 21,2 20,0
Precipitação (mm) 133 94 106 86 63 51 70 51 62 123 166 154 1 159
Fonte: Climate-Data (médias de temperatura).[23]

Referências

  1. Prefeito e vereadores de Vereda tomam posse Portal G1 - acessado em 2 de janeiro de 2021
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro de 2010 
  3. «Cidades e Estados». IBGE. 28 de junho de 2023. Consultado em 17 de julho de 2023 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 16 de agosto de 2013 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 10 de abril de 2023 
  6. a b c Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (2015). «Perfil dos Territórios de Identidade» (PDF). Salvador: SEI. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  7. a b c d Francisco Eduardo T. Cancela (27 de fevereiro de 2000). «História dos Pataxó no Extremo Sul da Bahia: Temporalidades, Territorializações e Resistências». Abatirá: Revista de Ciências Humanas e Linguagens. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  8. «ID:5848 (Vereda)». Biblioteca IBGE. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  9. a b José Augusto Laranjeiras Sampaio. «História e Presença dos Povos Indígenas na Bahia». Povos Indígenas da Bahia. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  10. a b «Etnia faz parte dos botocudos». Folha de São Paulo. 27 de fevereiro de 2000. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  11. a b «Aniversário de 34 anos de Vereda é comemorado com festa e muita alegria». bahiaextremosul.com.br. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  12. a b «CORONEL SE CONGRATULA COM POVO DE VEREDA». Assembleia Legislativa da Bahia. 27 de fevereiro de 2018. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  13. José Filho (28 de junho de 2024). «30º Arraiá da Curindiba promete grande festa em Vereda com atrações nacionais e valorização da cultura local». Zero Hora News. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  14. Franedir Góis (10 de julho de 2003). «Vereda festeja o IV São Pedro no Arraiá da Curindiba». Sulbahia News. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  15. Alexandro Sousa (26 de junho de 2025). «Quase tudo pronto para o 31º Arraiá da Curindiba em Vereda». Teixeira Urgente. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  16. a b «Vereda faz festa para comemorar seus 34 anos». caraecoroa.com.br. 24 de fevereiro de 2023. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  17. a b c «ID:5804 (Prado)». Biblioteca IBGE. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  18. a b «O Fogo de 1951». Instituto Socioambiental. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  19. a b Edwin Reesink, Maria do Rosário Gonçalves de Carvalho (2023). «A identificação étnica dos Pataxó de Barra Velha - Homenagem a Pedro Agostinho». Revista ANTHROPOLÓGICAS. doi:https://doi.org/10.51359/2525-5223.2023.262560 Verifique |doi= (ajuda). Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  20. a b Florent Kohler (2007). «Le monde sauvage et la terre des ancetres: les pataxó du Mont Pascal (Bahia, Brésil)». Nuevo Mundo Mundos Nuevos (em francês). doi:https://doi.org/10.4000/nuevomundo.12822 Verifique |doi= (ajuda). Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  21. BAHIA (Estado). (24 de fevereiro de 1989). «Lei estadual nº 4.838, de 24 de fevereiro de 1989». Casa Civil do Estado da Bahia. Consultado em 28 de dezembro de 2025 
  22. «Clima: Vereda - Gráfico climático, Gráfico de temperatura, Tabela climática - Climate-Data.org». pt.climate-data.org. Consultado em 8 de agosto de 2017 
  23. CLIMATE-DATA. «CLIMA: VEREDA». Consultado em 7 de agosto de 2017