Ribeira do Pombal
Ribeira do Pombal | |
|---|---|
| Município do Brasil | |
![]() | |
![]() Bandeira | |
| Hino | |
| Gentílico | pombalense |
| Localização | |
![]() | |
![]() Ribeira do Pombal |
|
| Mapa de Ribeira do Pombal | |
| Coordenadas | 🌍 |
| País | Brasil |
| Unidade federativa | Bahia |
| Municípios limítrofes | Tucano, Cícero Dantas, Ribeira do Amparo, Quijingue, Heliópolis e Banzaê |
| Distância até a capital | 271 km |
| História | |
| Fundação | 1667 (358–359 anos) |
| Emancipação | 19 de setembro de 1933 (92 anos) |
| Administração | |
| Distritos | Lista
|
| Prefeito(a) | Eriksson Santos Silva[1] (MDB, 2025–2028) |
| Características geográficas | |
| Área total [2] | 1 252,144 km² |
| • Área urbana (IBGE/2019[2]) | 14,26 km² |
| População total (Censo IBGE/2022) [3] | 54 010 hab. |
| • Posição | 39º |
| • Estimativa (IBGE/2025[3]) | 56 316 hab. |
| Densidade | 43,1 hab./km² |
| Clima | Tropical semiárido |
| Altitude | 230 m |
| Fuso horário | Hora de Brasília (UTC−3) |
| Indicadores | |
| IDH (PNUD/2010[4]) | 0,601 — médio |
| PIB (IBGE/2021[5]) | R$ 918 879,76 mil |
| • Posição | BA: 57° |
| PIB per capita (IBGE/2023[5]) | R$ 17 154,16 |
| Sítio | ribeiradopombal.ba.gov.br (Prefeitura) |
Ribeira do Pombal é um município brasileiro do estado da Bahia.
Topônimo
Em 1754, quando o povoado de Santa Teresa de Canabrava foi elevado à categoria de freguesia, deram-lhe o nome Pombal. Há duas versões sobre a origem desse nome. A primeira, que consta no site IBGE Cidades e na renomada Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, afirma que é uma homenagem ao seu pároco, o padre João Campos de Cerqueira Pombal, que parente do conhecido Marquês de Pombal, secretário de estado do Rei de Portugal D. José I. A segunda versão é de Ramos (2008, p. 404) e afirma que o topônimo Pombal é uma homenagem ao Marquês de Pombal.[6][7][8]
Por já existir um município homônimo no interior da Paraíba, o topônimo do município de Pombal foi alterado para Ribeira do Pombal por meio do decreto-lei estadual n° 141 de 31 de dezembro de 1943, ratificado pelo Decreto estadual n° 12.978, de 10 de junho de 1944.[7][8]
História
O território de Ribeira do Pombal começou a ser colonizado no século XVII, por meio da pecuária, realizada por vaqueiros ligados ao latifúndio da Casa da Torre, os quais entraram em conflito com os habitantes originários dessa área, os indígenas quiriris. Com isso, para proteger os povos autóctones dos forasteiros e também para catequizá-los, chegaram à região os padres jesuítas.[7][9][10]
Em 1667, os jesuítas João de Barros (1639-1691) e Jacob Roland (1638-1684) criaram, para a catequese dos quiriris, tendo como marco inicial a edificação de uma capela em louvor a Santa Teresa de Jesus, o aldeamento missionário de Santa Teresa de Canabrava (embrião da atual cidade de Ribeira do Pombal), cujo nome se deve à abundância da planta canabrava na região. Em 1672, continuou a obra missionária o Padre Jacques Cocle (1628-1710). Em 1675, o chefe da Casa da Torre, Francisco Dias d'Ávila, prometeu ajudar as missões e facilitar a criação de novas.[7][8][10][11][12]
Em 1695, os jesuítas criaram na região outra missão para a catequese dos quiriris, a de Saco dos Morcegos (atual Mirandela, Banzaê).[9][13]
Santa Teresa de Canabrava estava localizada na rota dos tropeiros, boiadeiros e viajantes que se dirigiam para o rio São Francisco, sendo um ponto de pouso para eles.[7][8][14]
No início do século XVIII, eram mantidas, pelo Colégio da Bahia, nas proximidades de Santa Teresa de Canabrava, algumas fazendas de gado bovino e de cultivos como mandioca e milho, o que desenvolveu a agropecuária local e favoreceu a colonização.[8]
Em 1754, o Arraial de Santa Teresa de Canabrava foi elevado à categoria de Freguesia, com o nome de Pombal, sendo subordinada à vila de Itapicuru de Cima. Por carta régia de 8 de maio de 1758, a freguesia de Pombal foi elevada à categoria de vila, desmembrando-se de Itapicuru de Cima, sendo instalada no mesmo ano. A criação da vila se insere no contexto da expulsão dos jesuítas do Império Português e a transformação de antigas missões em vilas.[6][7][8][15]
Em 1760, Saco dos Morcegos foi elevada à categoria de freguesia, dentro da vila de Pombal, com o nome Mirandela. Mirandela se tornou vila em data incerta, mas foi extinta pela Lei Provincial n° 51, de 21 de março de 1837, e reanexada a Pombal. A freguesia de Mirandela foi extinta por meio da Resolução provincial n° 185, de 12 de abril de 1843, e anexada à de Santa Teresa do Pombal.[7][8]
Em julho de 1797, a vila foi palco de um levante dos quiriris pela nomeação do indígena José Félix Cabral como capitão-mor da vila, conseguindo apoio de indígenas da vila de Mirandela, mas durou pouco tempo, pois o líder da revolta foi a Salvador exigir a nomeação e foi preso.[16] Entre outubro de 1797 e janeiro de 1798, os quiriris de Pombal, liderados por Victoriano Francisco, sobrinho de José Félix, se revoltaram novamente, exigindo a nomeação de Victoriano como capitão-mor da vila, com os revoltosos se refugiando em Mirandela.[17] Ambas as revoltas aterrorizaram os portugueses da região e os indígenas tinham como objetivo retomar as suas terras tomadas por fazendas de gado.[15][16][17]
Por meio de ato estadual de 31 de outubro de 1890, a Freguesia de Nossa Senhora do Amparo da Ribeira do Pau Grande, criada em 1848, foi desmembrada de Pombal e elevada à categoria de vila, com o nome de Amparo.[7]
Segundo a divisão administrativa de 1911, a vila de Pombal era constituída apenas do distrito-sede, mas, no censo de 1920, era constituída dos distritos sede, Mirandela e Pedras.[7][8]
Por meio dos Decretos Estaduais n.º 7.455 e n.º 7.479, datados respectivamente de 23 de junho e 8 de julho de 1931, a vila de Pombal foi extinta e seu território incorporado ao do município de Cipó, tendo sua autonomia restaurada por meio do Decreto-lei estadual n° 8.643, de 19 de setembro de 1933, e sendo reinstalada menos de um mês após a sua restauração, em 10 de outubro do mesmo ano.[7][8]
O decreto-lei federal n.º 311, de 2 de março de 1938, deu o título de cidade a Pombal, cujo nome foi alterado para Ribeira do Pombal por meio do decreto-lei estadual n° 141 de 31 de dezembro de 1943, ratificado pelo Decreto estadual n° 12.978, de 10 de junho de 1944.[7][8]
A pavimentação da BR-110, na década de 1960, foi um estímulo para o desenvolvimento de Ribeira do Pombal e, desde então, a cidade cresceu, com a migração de pessoas vindas da zona rural do próprio município e de municípios vizinhos. A urbanização foi mais intensa no século XXI.[18]
A Lei Estadual n° 4845, de 24 de fevereiro de 1989, extinguiu o distrito de Mirandela e criou, em seu lugar, o distrito de Banzaê, o qual foi, pela mesma lei, emancipado de Ribeira do Pombal como município.[8]
Geografia
O município de Ribeira do Pombal está localizado no nordeste do estado da Bahia, distante a 271 km da capital, Salvador. Faz limites com os municípios de Heliópolis, Ribeira do Amparo, Tucano, Quijingue, Banzaê e Cícero Dantas.[19] Está a uma altitude de cerca de 230 m.[7]
Possui um clima semiárido (Bsh segundo a Classificação de Köppen-Geiger), com temperatura média anual de 24,9°C e uma pluviosidade média anual de 501 mm.[20]
O relevo do município, moldado em rochas sedimentares da bacia do Tucano, é caracterizado por ser um vasto planalto com tabuleiros e mesas, interrompidos por vales profundos e estreitos drenados por rios, riachos e córregos pertencentes à bacia hidrográfica do rio Itapicuru, formando áreas circulares de erosão, os anfiteatros. A vegetação típica da região é a Caatinga.[19]
Infraestrutura
Saúde
O município possui o Hospital Regional Santa Tereza que, em 2018 teve sua configuração administrativa alterada para passar a ser um hospital regional gerida por um consórcio de municípios da região Nordeste II, nordeste da Bahia.
A taxa de mortalidade infantil média é de 15.02 para 1.000 nascidos vivos. Conta com 13 unidades de saúde municipais espalhados pelos bairros e povoados e 15 unidades de saúde particulares.
Apresenta 26.5% de domicílios com esgotamento sanitário adequado, 73.6% de domicílios urbanos em vias públicas com arborização e somente 6.9% de domicílios urbanos em vias públicas com urbanização adequada (presença de bueiro, calçada, pavimentação e meio-fio).
No dia 28 de junho de 2019 foi realizado em Ribeira do Pombal o primeiro transplante de córnea do semiárido baiano, realizado pela equipe da médica oftalmologista Grazielly Peixoto.[21][22]
Tem também equipe de resgate ANR e Bombeiro/Instrutor Credenciado pelo Corpo de Bombeiros Militar do Estado de São Paulo Igor Santos (Iguinho).
Referências
- ↑ «Eleições 2024 – Perfil do Prefeito Eleito Eriksson Silva». O Tempo Eleições. Consultado em 14 de setembro de 2025
- ↑ a b IBGE Cidades. «Ribeira do Pombal (BA) - panorama». Consultado em 15 de novembro de 2023
- ↑ a b «Ribeira do Pombal (BA) - panorama». IBGE Cidades. Consultado em 26 de dezembro de 2025
- ↑ «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil» (PDF). Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 11 de agosto de 2013
- ↑ a b «Produto Interno Bruto dos Municípios - Ribeira do Pombal (BA)». IBGE Cidades. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ a b Ramos, Ricardo Tupiniquim (2008). Toponímia dos municípios baianos: descrição, história e mudanças (Tese de doutorado). Salvador: UFBA. p. 404
- ↑ a b c d e f g h i j k l Enciclopédia dos Municípios Brasileiros (PDF). Rio de Janeiro: IBGE. 1958. pp. 160–161
- ↑ a b c d e f g h i j k «Ribeira do Pombal (BA) - histórico». IBGE Cidades. Consultado em 15 de novembro de 2023
- ↑ a b Bandeira·, Maria de Lourdes (1972). Os kariris de Mirandela - um grupo indígena integrado (PDF). [S.l.]: UFBA. pp. 19–22
- ↑ a b Ribeira do Pombal (BA) (PDF) (Monografia). [S.l.]: IBGE. 1958. 11 páginas
- ↑ Cerqueira, João Batista de (2020). Villa de Soure: o berço da prática do termalismo na Bahia oitocentista (PDF). [S.l.]: X Encontro Estadual de História
- ↑ Martins, Francisco José Corrêa (1 de junho de 2011). «Compilar para conhecer: alguns mapas do território colonial brasileiro da mapoteca do Arquivo Histórico do Exército». Arquivos do Museu de História Natural e Jardim Botânico da UFMG. 20 (2). ISSN 2525-6084
- ↑ «CONDER recupera igreja do século XVIII em Banzaê». CONDER-BA. 2 de agosto de 2021. Consultado em 23 de janeiro de 2024
- ↑ Mattoso, Kátia (1992). Bahia, Século XIX: Uma Província no Império. Rio de Janeiro: Nova Fronteira. p. 62
- ↑ a b Santos, Fabrício (2024). «A conjuração dos Kiriris: sublevação indígena e disputa de terras no sertão da Bahia no final do século XVIII (1797-1798)». Boletim do Museu Paraense Emílio Goeldi. Ciências Humanas. 19: e20230041. ISSN 1981-8122. doi:10.1590/2178-2547-BGOELDI-2023-0041
- ↑ a b «Levante dos Kiriris». Impressões Rebeldes. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ a b «Conjuração dos Kiriris». Impressões Rebeldes. Consultado em 28 de dezembro de 2025
- ↑ Teles, Roberval Ferreira dos Santos (2020). A expansão da malha urbana nos últimos 15 anos no município de Ribeira do Pombal-BA (PDF) (Trabalho de Conclusão de Curso). Laranjeiras: UFS
- ↑ a b Vieira, Ângelo Trevia; et al. (2005). Projeto Cadastro de Fontes de Abastecimento por Água Subterrânea: Diagnóstico do Município de Ribeira do Pombal - Bahia (PDF). Salvador: CPRM/PRODEEM. pp. 3–5
- ↑ «Clima Ribeira do Pombal (Brasil)». Climate Data. Consultado em 14 de setembro de 2024
- ↑ Blogdojoilsoncosta (29 de junho de 2019). «BLOGDOJOILSONCOSTA: TRANSPLANTE DE CÓRNEA EM RIBEIRA DO POMBAL». BLOGDOJOILSONCOSTA. Consultado em 2 de julho de 2019
- ↑ «Clínica de Ribeira do Pombal faz primeiro Transplante de Córnea da história do semiárido baiano». A Voz do Campo. Consultado em 5 de julho de 2019





