Spiro Agnew

Spiro Agnew
39º Vice-Presidente dos Estados Unidos
Período20 de janeiro de 1969
a 10 de outubro de 1973
PresidenteRichard Nixon
Antecessor(a)Hubert Humphrey
Sucessor(a)Gerald Ford
55º Governador de Maryland
Período26 de janeiro de 1967
a 7 de janeiro de 1969
Antecessor(a)J. Millard Tawes
Sucessor(a)Marvin Mandel
3º Executivo do Condado de Baltimore
Períododezembro de 1962
a dezembro de 1966
Antecessor(a)Christian Kahl
Sucessor(a)Dale Anderson
Dados pessoais
Nome completoSpiro Theodore Agnew
Nascimento9 de novembro de 1918
Baltimore, Maryland,
Estados Unidos
Morte17 de setembro de 1996 (77 anos)
Berlin, Maryland, Estados Unidos
ProgenitoresMãe: Margaret Marian Akers
Pai: Theodore Agnew
Alma materUniversidade de Baltimore
EsposaJudy Judefind (1942–1996)
Filhos(as)
  • Pamela
  • James
  • Susan
  • Elinor
PartidoRepublicano
ReligiãoEpiscopalismo
ProfissãoAdvogado
AssinaturaAssinatura de Spiro Agnew
Serviço militar
Serviço/ramoExército dos Estados Unidos
Anos de serviço1941–1945
GraduaçãoCapitão
ConflitosSegunda Guerra Mundial
CondecoraçõesEstrela de Bronze

Spiro Theodore Agnew (Baltimore, 9 de novembro de 1918 – Berlin, 17 de setembro de 1996) foi um advogado e político estadunidense que atuou como o 39º Vice-Presidente dos Estados Unidos de 1969 até sua renúncia em 1973, durante a presidência de Richard Nixon, tendo antes disso também servido como 55º Governador de Maryland de 1967 a 1969. Agnew nasceu e cresceu na cidade de Baltimore, sendo filho de um pai grego imigrante e de uma mãe estadunidense. Estudou química na Universidade Johns Hopkins, porém abandonou o curso e se formou em direito pela Universidade de Baltimore. Ele trabalhou como auxiliar do deputado federal James Devereux e foi nomeado em 1957 para o Conselho de Apelos de Zoneamento do Condado de Baltimore. Foi eleito Executivo do Condado em 1962 e quatro anos depois se elegeu governador.

Nixon pediu para que Agnew se tornasse seu companheiro de chapa durante a Convenção Nacional Republicana de 1968. Sua reputação como centrista interessava Nixon, enquanto a posição de lei e ordem que tinha assumido no início do ano diante de agitações civis chamou a atenção de vários auxiliares. Agnew cometeu diversas gafes no decorrer da campanha, porém sua retórica agradava muitos do Partido Republicano e ele pode ter feito a diferença em muitos estados importantes. Nixon e Agnew derrotaram Hubert Humphrey e Edmund Muskie do Partido Democrata na eleição presidencial de 1968. Como vice-presidente, ele frequentemente era convocado para atacar os inimigos do governo. Nesse período, Agnew foi ainda mais para a direita, apelando para os conservadores que suspeitavam das posturas moderadas de Nixon. Os dois foram reeleitos em 1972.

Agnew passou a ser investigado em 1973 pelo Procurador dos Estados Unidos para o Distrito de Maryland por suspeitas de conspiração criminosa, suborno, extorsão e fraude. Ele aceitou propinas de contratantes durante sua época como executivo do condado e governador. Essas pagamentos continuaram até seu período como vice-presidente. Agnew defendeu sua inocência por meses até declarar nolo contendere para uma única acusação de evasão fiscal, renunciando da vice-presidência logo em seguida. Nixon o substituiu pelo deputado federal Gerald Ford. Agnew voltou para Maryland e depois se mudou para a Califórnia, levando o restante de sua vida de forma calma e realizando poucas aparições públicas. Ele escreveu um romance e um livro de memórias que defendiam suas ações. Agnew morreu de uma leucemia não-diagnosticada em setembro de 1996 aos 77 anos.

Primeiros anos

Família

Cartão postal do centro de Baltimore por volta da época do nascimento de Agnew

Theophrastos Anagnostopoulos, o pai de Spiro Agnew, nasceu por volta de 1877 em Gargalianoi, na Messênia, Grécia.[1][2] A família talvez estava envolvida no plantio de olivas e se empobreceu por causa de uma crise na indústria na década de 1890.[3] Anagnostopoulos imigrou para os Estados Unidos em 1897[4] (alguns relatos dizem que foi em 1902)[3][5] e foi morar em Schenectady, em Nova Iorque, mudando seu nome para Theodore Agnew e abrindo um restaurante.[3] Agnew era um autoeducador apaixonado que manteve um interesse duradouro em filosofia, com um familiar comentando que "se ele não estivesse lendo alguma coisa para melhorar sua mente, ele não leria".[6] Se mudou para Baltimore, em Maryland, por volta de 1908 e comprou um restaurante. Foi onde conheceu William Pollard, que era o inspetor federal de carnes da cidade. Os dois se tornaram amigos, com Pollard e sua esposa Margaret sendo clientes regulares de seu restaurante. Pollard morreu em abril de 1917 e Agnew e Margaret começaram um relacionamento, casando-se em 12 de dezembro de 1917. Spiro Theodore Agnew nasceu onze meses depois em 9 de novembro de 1918.[3]

Margaret Pollard, cujo nome de solteira era Margaret Marian Akers, nasceu em 1883 em Bristol, na Virgínia, e era a mais nova em uma família de dez filhos. Mudou-se para Washington, D.C. quando adulta e conseguiu encontrar emprego em vários escritórios governamentais até conhecer e se casar com Pollard, indo então morar em Baltimore. Os Pollard tiveram um filho, chamado Roy, que tinha dez anos quando seu pai morreu.[3] A nova família Agnew se mudou para um pequeno apartamento localizado no número 226 da Rua Madison Oeste, perto do centro de Baltimore, após o casamento em 1917 e o nascimento de Spiro.[7]

Infância e início de carreira

O jovem Agnew, de acordo com os desejos de sua mãe, foi batizado na Igreja Episcopal em vez da Igreja Ortodoxa Grega. Mesmo assim, Theodore era a figura dominante dentro da família e foi uma grande influência para seu filho. A comunidade grega de Baltimore criou em 1969 uma bolsa de estudos em nome de Theodore Agnew e Spiro Agnew discursou dizendo: "Tenho orgulho de dizer que cresci sob a influência do meu pai. Minhas crenças são as dele".[8] Em 1973 continuou a se identificar como "um Episcopaliano".[9]

A Escola de Forest Park em 1930, por volta da época em que Agnew estudou

A família Agnew prosperou na década de 1920. Theodore comprou um restaurante maior, chamado de Piccadilly, e a família se mudou para uma casa no bairro de Forest Park, na região noroeste de Baltimore, onde Agnew estudou na Escola Secundária Garrison e depois na Escola de Forest Park. Esse período de afluência terminou com a quebra da bolsa de valores de Nova Iorque em 1929, com o Piccadilly sendo fechado. As economias da família desapareceram em 1931 quando um banco local faliu, forçando-os a vender a casa e se mudarem para um pequeno apartamento.[10] Agnew anos depois lembrou de como seu pai reagiu a esses infortúnios: "Ele simplesmente deu de ombros e continuou trabalhando com as mãos, sem reclamar".[11] Theodore vendeu frutas e vegetais de uma barraca de beira de estrada enquanto o jovem Agnew ajudava a família com empregos de meio período entregando compras e distribuindo panfletos.[10] Agnew foi cada vez mais influenciado por seus pares enquanto crescia e começou a se distanciar de sua ascendência grega.[12] Ele recusou a oferta de seu pai para ter aulas de grego e preferia ser chamado pelo apelido de "Ted".[8]

Se formou na escola em 1937 e foi aceito na Universidade Johns Hopkins em um bacharelato em química. Agnew, apenas alguns meses depois, achou a pressão do trabalho acadêmico cada vez mais estressante e se distraia pelos contínuos problemas financeiros de sua família. Além disso, ele também estava preocupado com a situação internacional, em que uma guerra era cada vez mais provável. Ele decidiu em 1939 que seu futuro estava no direito em vez da química, deixando a Johns Hopkins e começando aulas noturnas na Escola de Direito da Universidade de Baltimore. Agnew aceitou um emprego diurno como assistente de seguros na Maryland Casualty Company no bairro de Roland Park para se sustentar.[13]

Agnew passou três anos trabalhando na empresa e subiu até a posição de subscritor assistente.[13] Ele conheceu no escritório a jovem escriturária Elinor Judefind, mais conhecida pelo apelido de "Judy". Ela tinha crescido na mesma parte da cidade que Agnew, mas os dois não tinha se conhecido até então. Eles começaram a namorar e logo ficaram noivos, casando-se em Baltimore em 27 de maio de 1942. Tiveram quatro filhos:[14] Pamela Lee, James Rand, Susan Scott e Elinor Kimberly.[15]

Guerra e pós-guerra

Segunda Guerra Mundial

Agnew foi convocado para o Exército dos Estados Unidos e começou seu treinamento básico em Camp Croft, na Carolina do Sul, pouco depois do Ataque a Pearl Harbor em dezembro de 1941. Ele conheceu no local pessoas de diferentes origens: "Eu tinha tido uma vida muito protegida – Fiquei desprotegido muito rapidamente".[16] Foi enviado para a Escola de Candidatos a Oficiais em Forte Knox, no Kentucky, e comissionado como segundo-tenente em 24 de maio de 1942, três dias antes de seu casamento.[17]

Agnew teve uma lua de mel de dois dias e então voltou para Forte Knox. Serviu no local, ou no próximo Forte Campbell, por quase dois anos em uma variedade de funções administrativas, sendo então enviado para o Reino Unido em março de 1944 como parte do acumulo de forças pré-Desembarques da Normandia.[16] Permaneceu de prontidão em Birmingham até o final do ano, quando foi designado para o 54º Batalhão de Infantaria Blindada na França como oficial substituto. Serviu brevemente como líder de um pelotão de rifles e então assumiu o comando da companhia de serviço do batalhão. O batalhão tornou-se parte do Comando de Combate "B" da 10ª Divisão Blindada, que combateu na Batalha das Ardenas, incluindo no Cerco de Bastogne, ao todo por "trinta e nove dias no buraco da rosquinha", como um dos homens de Agnew definiu. O 54º Batalhão em seguida forçou seu caminho para dentro da Alemanha, combatendo em Mannheim, Heidelberg e Crailsheim, estando em Garmisch-Partenkirchen na Baviera quando a guerra terminou.[18] Agnew voltou para casa e foi dispensado em novembro de 1945, tendo sido condecorado com o Distintivo de Infantaria de Combate e a Estrela de Bronze.[16][18]

Pós-guerra

Agnew retomou seus estudos de direito depois de voltar para a vida civil e conseguiu um emprego como assistente de direito na firma Smith and Barrett de Baltimore. Até então ele praticamente não tinha se envolvido em política, tendo uma lealdade nominal ao Partido Democrata, seguindo as crenças do seu pai. Lester Barrett, o sócio majoritário da firma, aconselhou Agnew de que ele deveria se filiar ao Partido Republicano se quisesse levar adiante uma carreira na política. Barrett explicou que já existiam muitos jovens Democratas ambiciosos em Baltimore e nos seus subúrbios, enquanto Republicanos competentes e apresentáveis eram mais escassos. Agnew seguiu o conselho e se filiou ao Partido Republicano quando ele e sua família se mudaram para o subúrbio de Lutherville em 1947, porém ele não se envolveu em política imediatamente.[19][20]

O edifício do tribunal de Towson, a sede de condado do Condado de Baltimore.

Agnew se formou em 1947 com um Bacharelato em Direito e foi aprovado na prova da ordem dos advogados de Maryland. Ele começou a exercer a profissão no centro de Baltimore, mas não foi bem sucedido e assim aceitou um emprego como investigador de seguros.[20] Um ano depois foi trabalhar no Schreiber's, uma rede de supermercados, onde assumiu a função de detetive de loja.[21] Permaneceu nesse emprego por quatro anos, período brevemente interrompido em 1951 por uma convocação de volta ao exército depois do início da Guerra da Coreia. Agnew saiu do Schreiber's em 1952 e voltou a praticar direito, especializando-se em direito trabalhista.[22]

Barrett foi nomeado em 1955 como um juiz em Towson, a sede de condado do Condado de Baltimore. Agnew transferiu seu escritório para o local e ao mesmo tempo se mudou com a família para Loch Raven Village, uma subdivisão de Towson. Serviu como presidente da Associação de Pais e Professores da escola local do distrito e também se juntou à Kiwanis, participando de várias atividades sociais e comunitárias.[23] O historiador William Manchester resumiu Agnew nessa época: "Seu músico favorito era Lawrence Welk. Seus interesses de lazer eram todos de cunho midiático: assistir o Baltimore Colts na televisão, escutar Mantovani e ler o tipo de prosa que o Reader's Digest gostava de condensar. Era um amante da ordem e um conformista quase impulsivo".[24]

Início da vida pública

Despertar político

Agnew se voluntariou na década de 1950 para as campanhas do deputado federal James Devereux.[25] Agnew tentou em 1956 ser candidato para o Conselho do Condado de Baltimore. Foi recusado pelos líderes partidários locais, mas ele mesmo assim fez uma campanha vigorosa para a chapa do partido. A eleição resultou em uma inesperada maioria Republicana no conselho, assim Agnew, como recompensa, foi nomeado para um mandato de um ano no Conselho de Apelos de Zoneamento do condado com um salário de 3,6 mil dólares por ano.[26] Este era um cargo quase judicial e proporcionou uma fonte extra de renda em cima de sua prática normal do direito, com Agnew também gostando do prestígio relacionado com a nomeação.[27] Foi renomeado para o conselho em abril de 1958, desta vez para um mandato completo de três anos, e tornou-se seu presidente.[21]

Ele decidiu se candidatar ao tribunal de circuito nas eleições de novembro de 1960, contrariando a tradição local de juízes incumbentes se reelegerem sem oposição. Agnew fracassou, ficando em último dentre cinco candidatos.[4] Esta tentativa aumentou sua fama e ele foi considerado pelos Democratas como um Republicano em ascensão.[28] Os Democratas reconquistaram o controle do conselho do condado nas eleições de 1960 e uma de suas primeiras ações foi tirar Agnew do Conselho de Apelos de Zoneamento. Segundo Jules Witcover, o biógrafo de Agnew, "A publicidade gerada pela rude demissão de Agnew o fez parecer um servidor honesto injustiçado pela máquina".[29] Agnew tentou capitalizar esse humor e pediu para ser indicado como o candidato Republicano a deputado federal pelo 2º distrito congressional de Maryland. O partido acabou escolhendo o mais experiente J. Fife Symington Jr., mas mesmo assim queria aproveitar o apoio local a Agnew. Ele aceitou a proposta de concorrer a executivo do condado, que era o principal cargo executivo do Condado de Baltimore. Os Democratas ocupavam esse cargo e seu predecessor, o de Presidente do Conselho de Comissários do Condado, desde 1895.[4][29]

As chances de Agnew em 1962 foram melhoradas por uma briga entre os Democratas, pois Michael Birmingham, um ex-executivo do condado, se desentendeu com seu sucessor e o derrotou na primária. Agnew, diferente de seu oponente idoso, conseguiu fazer campanha como um "Cavaleiro Branco" prometendo mudanças; suas propostas incluíam uma lei antidiscriminação exigindo que comodidades públicas como parques, bares e restaurantes fossem abertos para todas as raças, uma política que Birmingham nem qualquer outro Democrata no estado poderia apresentar sem enfurecer seus apoiadores.[30][31] O vice-presidente Lyndon B. Johnson chegou a interceder por Birmingham,[32] mas na eleição Agnew venceu por 78 487 votos contra 60 993.[33] Symington perdeu para Clarence Long, deixando Agnew como o Republicano de maior cargo público em Maryland.[34]

Executivo de condado

O governo de Agnew foi moderadamente progressista, incluindo a construção de novas escolas, aumento dos salários dos professores, reorganização do departamento de polícia e melhoramentos nos sistemas de água e esgoto.[4][5][35] Seu projeto de lei antidiscriminação foi aprovado e isto lhe deu a reputação de liberal, mas o impacto foi mínimo em um condado cuja população era 97 por cento caucasiana.[36] Seu relacionamento com o cada vez mais militante movimento dos direitos civis foi complicado. Agnew, em várias disputas segregacionistas envolvendo propriedades, pareceu priorizar a lei e ordem, demonstrando aversão a protestos.[37] Sua reação a um ataque a bomba contra uma igreja negra no Alabama, em que quatro crianças morreram, foi se recusar a comparecer a um serviço memorial em Baltimore e criticar o protesto planejado em apoio às vítimas.[38]

Foi criticado algumas vezes como sendo muito próximo de empresários ricos e influentes,[5] sendo acusado de nepotismo após ignorar os procedimentos normais de licitação e designar três de seus amigos Republicanos como os corretores de seguros do condado, garantindo-lhes grandes comissões. A reação padrão de Agnew para tais críticas era demonstrar indignação moral, acusar seus oponentes de "distorções ultrajantes", negar qualquer irregularidade e insistir na sua integridade pessoal; segundo Cohen e Witcover, essas táticas foram depois reutilizadas quando Agnew precisou se defender as acusações de corrupção que acabaram com sua vice-presidência.[39]

Agnew foi contra Barry Goldwater, o favorito para conseguir a indicação Republicana para a eleição presidencial de 1964, e inicialmente apoiou o moderado senador Thomas Kuchel da Califórnia.[40] A candidatura do também moderado governador William Scranton da Pensilvânia fracassou na convenção partidária, assim Agnew deu seu apoio relutante para Goldwater, mas em particular opinou que a escolha de um candidato tão extremista quanto Goldwater custaria aos Republicanos qualquer chance de vitória.[41]

Governador de Maryland

Eleição

Resultados da eleição para governador em 1966 (Agnew em vermelho e Mahoney em azul)

Agnew, enquanto seu mandato de quatro anos aproximava-se do fim, sabia que suas chances de reeleição eram baixas já que os Democratas do condado tinham resolvido suas desavenças.[39] Em vez disso, ele tentou conseguir a indicação Republicana para governador, vencendo a primária em abril por uma grande margem depois de conseguir o apoio dos líderes partidários.[42]

O Partido Democrata tinha três candidatos – um liberal, um moderado e um segregacionista – e eles batalharam pela indicação, que para a surpresa geral foi para o segregacionista George P. Mahoney, alguém perpetuamente malsucedido a cargos eletivos.[43][44] A candidatura de Mahoney dividiu o partido e provocou um candidato de um terceiro partido, Hyman A. Pressman, o Corregedor da Cidade de Baltimore. Uma organização chamada "Democratas por Agnew" floresceu no Condado de Montgomery, a área mais rica do estado, e os liberais de Maryland apoiaram Agnew.[45] Mahoney era um ferrenho oponente de habitações integradas e explorou a tensão racial com o slogan "Sua Casa é Seu Castelo. Protege-a!".[46][47] Agnew o caracterizou como um candidato da Ku Klux Klan e disse que os eleitores deveriam escolher "entre a chama brilhante, pura e corajosa da justiça e a cruz de fogo".[45] Agnew venceu em novembro com setenta por cento do voto negro,[48] conquistando 455 318 votos (49,5 por cento) contra 373 543 para Mahoney e 90 899 para Pressman.[49]

Foi revelado após a campanha que Agnew não relatou três supostas tentativas de suborno feitas em nome da indústria de caça-níqueis, envolvendo quantias de vinte, 75 e duzentos mil dólares, caso ele prometesse não vetar uma legislação que mantinha as máquinas legalizadas no sul do estado. Agnew justificou seu silêncio dizendo que nenhuma oferta real tinha sido feita: "Ninguém sentou na minha frente com uma maleta de dinheiro".[50] Também foi criticado por sua copropriedade de um terreno próximo de uma planejada ponte sobre Baía de Chesapeake. Oponentes afirmaram que havia um conflito de interesse, pois alguns de seus parceiros na empreitada estavam simultaneamente envolvidos em negócios com o condado. Agnew negou qualquer conflito ou impropriedade, afirmando que o terreno estava fora do Condado de Baltimore. Mesmo assim, ele vendeu sua participação.[51]

Governo

Agnew c. 1966–1967

O governo de Agnew foi marcado por uma agenda política que incluiu reforma tributária, regulamentações de água potável e derrubada de leis contra casamentos interraciais.[4] Programas de saúde comunitários foram expandidos, bem como oportunidades de educação superior e emprego para pessoas de baixa renda. Medidas foram tomadas para acabar com a segregação em escolas.[52] Sua legislação para moradias justas foi limitada, aplicando-se apenas para novos projetos acima de um determinado tamanho.[53] Estas foram as primeiras leis do tipo aprovadas ao sul da Linha Mason–Dixon.[54] Suas tentativas de adotar uma nova constituição estadual foi rejeitada por um referendo.[55]

Agnew manteve-se um tanto distante da legislatura estadual,[55] preferindo a companhia de empresários. Alguns destes eram conhecidos de sua época como executivo do condado, como Lester Matz e Walter Jones, que foram alguns dos primeiros a encorajá-lo a concorrer a governador.[56] Sua proximidade com a comunidade empresarial foi percebida por funcionários públicos: "Parecia sempre haver pessoas ao redor dele que eram do ramo dos negócios". Alguns suspeitaram que, apesar dele próprio não ser corrupto, "deixou-se usar pelas pessoas ao seu redor".[34]

Ele apoiava os direitos civis publicamente, mas detestava as táticas militantes usadas por algumas lideranças negras.[57] Seu histórico lhe conquistou o apoio de Roy Wilkins, o líder da Associação Nacional para o Progresso de Pessoas de Cor, na eleição de 1966.[58] A tensão racial estava crescendo por todo o país impulsionada por um descontentamento dos negros e uma liderança de direitos civis cada vez mais assertiva. Ator de violências explodiram em várias cidades, inclusive em Cambridge em Maryland, causados por um discurso incendiário feito em 24 de julho de 1967 pelo estudante H. Rap Brown.[59] A principal preocupação de Agnew era manter a lei e a ordem,[60] acusando Brown de ser um agitador profissional, afirmando que "Espero que o prendam e joguem a chave fora".[61] Quando a Comissão Kerner, nomeada pelo presidente Lyndon B. Johnson para investigar as causas das agitações civis, relatou que o principal fator foi racismo institucional,[62] Agnew rejeitou essas conclusões, culpando o "clima permissivo e compaixão equivocado" e comentando: "Não foram os séculos de racismo e privação que culminaram num crescendo explosivo, mas sim... o fato de a transgressão da lei se ter tornado uma forma de dissidência socialmente aceitável e, por vezes, elegante".[63] Um boicote estudantil ocorreu em março de 1968 na Faculdade Estadual Bowie no Condado de Prince George, uma instituição historicamente negra, e Agnew novamente culpou agitadores externos e se recusou a negociar com os estudantes. Um comitê estudantil foi para Annapolis e exigiu um encontro com o governador, porém ele fechou a faculdade e ordenou mais duzentas prisões.[64]

Houve várias agitações e desordens pelos Estados Unidos depois do assassinato de Martin Luther King Jr. em 4 de abril de 1968.[65] O problema chegou em Baltimore em 6 de abril e pelos três dias seguintes a cidade ficou em desordem. Agnew declarou um estado de emergência e convocou a Guarda Nacional.[66] Seis pessoas morreram, mais de quatro quatro mil foram presas, houve mais de 1,2 chamados de incêndios e vários saques até a ordem ser restaurada.[65] Agnew convocou mais de cem lideranças negras moderadas para o Capitólio Estadual de Maryland, mas em vez do esperado diálogo construtivo, ele fez um discurso criticando-os duramente por sua incapacidade de controlar os elementos mais radicais e os acusando de uma retirada covarde ou mesmo cumplicidade.[67] Um dos delegados, o reverendo Sidney Daniels, respondeu ao governador, dizendo "Converse conosco como se fossemos damas e cavaleiros" antes de levantar e ir embora.[68] Outros fizeram o mesmo, com os restantes recebendo mais acusações enquanto Agnew rejeitava todas as explicações socioeconômicas para as desordens.[67] Muitos brancos dos subúrbios aplaudiram o discurso; mais de noventa por cento das nove mil respostas por telefone, carta ou telegrama o apoiaram, com Agnew conquistando homenagens de conservadores Republicanos como o governador John Williams do Arizona e o ex-senador William Knowland da Califórnia.[69] Esse encontro de 11 de abril foi um ponto de virada para os membros da comunidade negra. Eles sentiram-se traídos por terem elogiado as posições de Agnew sobre os direitos civis, com um senador estadual comentando: "Ele nos traiu ... ele pensa como George Wallace, ele fala como George Wallace".[70]

Candidato vice-presidencial

Antecedentes

A imagem de Agnew até os distúrbios de abril de 1968 era de um Republicano liberal. Desde 1964 ele tinha apoiado as ambições presidenciais do governador Nelson Rockefeller de Nova Iorque, tornando-se no início de 1968 o presidente do comitê popular "Rockefeller para Presidente".[71] Rockefeller chocou seus apoiadores em um discurso televisionado em 21 de março quando anunciou uma desistência aparentemente inequívoca da disputa, com Agnew sentindo-se consternado e humilhado; ele não tinha recebido nenhum aviso prévio da decisão apesar de seu papel bastante público na campanha de Rockefeller. Agnew considerou isso um insulto pessoal e um golpe contra sua credibilidade.[72][73]

Agnew, apenas dias depois, começou a ser cortejado pelos apoiadores do ex-vice-presidente Richard Nixon, cuja campanha para a indicação Republicana estava em andamento.[74] Agnew não tinha antagonismo algum contra Nixon e, após a saída de Rockefeller, indicou que Nixon poderia ser sua "segunda escolha".[73] Os dois se encontraram em Nova Iorque em 29 de março e estabeleceram uma boa relação.[75] As palavras e ações de Agnew depois das agitações de abril encantaram os membros conservadores de Nixon como Pat Buchanan, também tendo impressionado o próprio Nixon.[76] Rockefeller voltou para a disputa em 30 de abril e a reação de Agnew foi fria. Ele elogiou Rockefeller como um candidato potencialmente "formidável", mas não comprometeu seu apoio: "Muitas coisas aconteceram desde sua saída ... Acho que preciso reavaliar essa situação".[77]

Nixon foi entrevistado em meados de maio pelo jornalista David S. Broder do jornal The Washington Post e mencionou Agnew como um possível companheiro de chapa na eleição.[78] Agnew pelos meses seguintes continuou a se encontrar com Nixon e com seus principais auxiliares,[79] gerando a impressão para observadores que ele estava-se aproximando do lado de Nixon. Agnew ao mesmo tempo negou quaisquer ambições políticas maiores além de finalizar seu mandato de governador.[80]

Convenção

Agnew e Nixon na convenção

Nixon discutiu possíveis companheiros de chapa com sua equipe enquanto se preparava para a Convenção Nacional Republicana. Dentre os discutidos estavam o conservador governador Ronald Reagan da Califórnia e o mais liberal prefeito John Lindsay de Nova Iorque. Nixon achou que esses nomes de destaque poderiam dividir o partido, com Lindsay especialmente sendo inaceitáveis para os conservadores sulistas, assim procurou uma figura menos divisiva. Ele não indicou um preferido e o nome de Agnew não foi considerado nesta etapa.[81] Agnew tinha a intenção de ir para a convenção com a delegação de Maryland sem estar comprometido com um candidato.[82]

A convenção ocorreu em Miami Beach, na Flórida, entre 5 e 8 de agosto e Agnew abandonou sua posição e votou por Nixon.[83] Este conseguiu a indicação logo na primeira votação.[84] Nixon manteve-se em silêncio nas discussões que se seguiram sobre um companheiro de chapa enquanto as várias facções do partido achavam que poderiam influenciar sua escolha; o senador Strom Thurmond da Carolina do Sul chegou a afirmar em uma reunião que tinha poder de veto sobre o vice-presidente.[85] Estava claro que Nixon era um centrista, porém houve pouco entusiasmo quando ele propôs Agnew e assim outras possibilidades foram discutidas.[86] Alguns membros do partido achavam que Nixon tinha escolhido Agnew há algum tempo e que a consideração de outros candidatos era apenas uma farsa.[87][88] Nixon declarou que Agnew era sua escolha em 8 de agosto, após uma última reunião com conselheiros e líderes partidários, com isso sendo pouco depois anunciado para a imprensa.[89] Os delegados da convenção indicaram Agnew para a vice-presidência mais tarde no mesmo dia e então entraram em recesso.[90]

Agnew fez um discurso aceitando a indicação e falou para a convenção que tinha "uma profunda sensação da improbabilidade deste momento".[91] Ele ainda não era uma figura conhecida nacionalmente e a ampla reação sobre sua indicação foi "Spiro quem?"[92] Três pedestres foram entrevistados na televisão em Atlanta, na Geórgia, e reagiram quando perguntados se conheciam o nome: "É algum tipo de doença", "É algum tipo de ovo", "Ele é um grego que é dono daquela empresa de construção naval".[93]

Campanha

Pôster de campanha da chapa Nixon–Agnew na eleição de 1968

A chapa Nixon–Agnew enfrentou dois oponentes principais. O Partido Democrata, em uma convenção marcada por protestos violentos, indicou o vice-presidente Hubert Humphrey e o senador Edmund Muskie do Maine.[94] George Wallace, o segregacionista Governador do Alabama, concorreu como um terceiro candidato e a expectativa era que tivesse um bom desempenho no Sul Profundo.[95] Nixon se lembrava de suas restrições que tinha enfrentado como companheiro de chapa de Dwight D. Eisenhower nas eleições de 1952 e 1956, assim deu mais liberdade para Agnew deixou claro que ele tinha seu apoio.[96] Agnew também poderia interpretar o papel de "cão de ataque", como Nixon havia feito em 1952.[87]

Agnew inicialmente fez o papel de centrista, destacando seu histórico de direitos civis em Maryland.[97] Entretanto, ele rapidamente adotou uma abordagem mais beligerante à medida que a campanha progredia, adotando uma retórica forte de lei e ordem, um estilo que alarmou os liberais nortenhos do partido mas que foi bem recebido no sul. John N. Mitchell, o gerente de campanha de Nixon, ficou impressionado, porém alguns líderes partidários nem tanto; o senador Thruston Morton do Kentucky chegou a descrever Agnew como um "babaca".[98]

Agnew esteve nas notícias pelo decorrer do mês de setembro, geralmente como resultado daquilo que um repórter chamou de "banalidade ofensiva e algumas vezes perigosa".[99] Ele usou o termo derrogatório "polaco" para descrever poloneses-americanos, se referiu a um repórter nipo-americano como "o japa gordo"[100] e pareceu desconsiderar as más condições socioeconômicas ao afirmar que "se você viu uma favela, viu todas".[95] Agnew atacou Humphrey dizendo que este era leniente com o comunismo, um apaziguador como o ex-primeiro-ministro britânico Neville Chamberlain.[101] Agnew foi caçoado por seus oponentes Democratas, com um comercial de Humphrey mostrando o texto "Agnew para vice-presidente?" sobre uma trilha de gargalhadas prolongadas de histéricas que se transformavam em uma tosse dolorosa sobre a mensagem final de "Seria engraçado se não fosse tão sério..."[102] Seus comentários indignaram muitos, mas Nixon não o conteve; tal populismo de direita tinha um forte apelo nos estados sulistas e era uma resposta eficaz a Wallace. A retórica de Agnew também foi popular em algumas áreas do norte,[103] ajudando a estimular a "reação branca" em algo menos definido por raça e mais sintonizados com a ética suburbana definida pelo historiador Peter B. Levy como "ordem, responsabilidade pessoal, a sacralidade do trabalho árduo, a família tradicional e a lei e a ordem".[104]

Ele sobreviveu no final de outubro a um artigo publicado no The New York Times que questionava suas transações financeiras em Maryland, com Nixon defendendo seu companheiro de chapa e acusando o jornal de "a forma mais vil de política de quinta categoria".[105] Os Republicanos ganharam a eleição de 5 de novembro por uma pequena margem no voto popular: aproximadamente quinhentos mil votos de um total de 73 milhões. A decisão no colégio eleitoral foi mais decisiva: 301 para Nixon, 191 para Humphrey e 46 para Wallace.[106] Os Republicanos perderam em Maryland por uma pequena margem,[107] porém Agnew foi creditado pelo pesquisador Louis Harris como tendo ajudado seu partido a vencer em vários estados do sul que poderiam ter facilmente sido vencidos por Wallace – Carolina do Sul, Carolina do Norte, Virgínia, Tennessee e Kentucky – bem como ter aumentado o apoio de Nixon nacionalmente nos subúrbios.[108] Caso Nixon tivesse perdido nesses cinco estados, ele teria apenas o número mínimo de votos eleitorais, 270, e qualquer deserção de um único eleitor teria jogado a eleição para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, na época controlada pelos Democratas.[109]

Referências

Citações

  1. «Athens rules out pressure by U.S.». The New York Times. 10 de outubro de 1971. p. 10. Consultado em 5 de janeiro de 2026. (pede subscrição (ajuda)) 
  2. Moskos & Moskos 2014, pp. 118–119.
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Ligações externas