Eosinofilia
| Eosinofilia | |
|---|---|
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| Eosinófilo | |
| Especialidade | hematologia |
| Classificação e recursos externos | |
| CID-11 | 4B03 |
| CID-10 | D72.1 |
| CID-9 | 288.3 |
| CID-CID-O | 9650/3-9667/3 |
| DiseasesDB | D004802 |
| eMedicine | med/685 |
| MeSH | D004802 |
Eosinofilia é o aumento da concentração de eosinófilos no sangue, onde a contagem sérica de eosinófilos totais é maior que 350 células/mm3. De acordo com Epstein (1998)3, pode ser classificada em:
- Leve - 351 a 1500 células/mm3 de sangue
- Moderada - 1500 a 5000 células/mm3 de sangue
- Intensa - acima de 5000 células/mm3 de sangue.[1]
O processo inverso (diminuição da concentração de eosinófilos no sangue) denomina-se eosinopenia. A eosinofilia pode ser reativa (em resposta a outro estímulo como alergia ou infecção) ou não reativa. É muito grande o número de doenças que provocam eosinofilia, mas as situações mais comuns são as alergias e as verminoses. A liberação de interleucina 5 pelas células T, mastócitos e macrófagos estimula a produção de eosinófilos.
Causas
A eosinofilia, na maioria das vezes, é relacionada a processos inflamatórios, tais como reação a medicamentos, inflamação inespecífica, infecção por vírus, fungos ou bactérias, infestações parasitárias, doenças autoimunes, afecções endocrinológicas, tumores e reações alérgicas.[2]
- Síndrome de Bloch Sulzberger
- Síndrome hipereosinofílica
- Parasitas (helmintos)
- Alergia
- Ateroembolismo
- Síndrome de Churg-Strauss
- Algumas formas de leucemia mielóide aguda
- Leucemia Leucemia mielóide crônica
- Linfoma de Hodgkin
- Síndrome de Gleich
- Doença de Addison
- Clonorchis
- Dengue
- Isosporíase
Se a eosinofilia persistir por mais de 6 meses, e todas as causas secundárias forem excluídas (parasitas, , câncer, linfomas, e doenças alérgicas), pode ser feito o diagnóstico da eosinofilia idiopática.
Classificação
Eosinofilia familiar
A eosinofilia familiar é uma doença congénita rara caracterizada pela presença de elevações sustentadas nos níveis de eosinófilos no sangue, que atingem valores diagnósticos de eosinofilia ou, muito mais frequentemente, hipereosinofilia. É uma doença autossómica dominante na qual estudos familiares de mapeamento de genes de ligação genética localizam o gene responsável por ela no cromossoma 5, na posição q31–q33,[1] entre os marcadores D5S642 e D5S816. Esta região contém um cluster de genes [en] de citocinas que inclui três genes cujos produtos proteicos funcionam na regulação do desenvolvimento e proliferação de eosinófilos, a saber, interleucina 3, interleucina 5 e fator estimulador de colónias 2. No entanto, não são encontrados polimorfismos genéticos [en] de sequência funcional no promotor, exões ou intrões destes genes ou no potenciador genético comum para a interleucina 3 ou o fator estimulador de colónias 2. Isto sugere que o defeito primário na eosinofilia familiar não é uma mutação num destes genes, mas sim noutro gene dentro desta área cromossómica.[2] As manifestações clínicas e a destruição de tecidos relacionadas com a eosinofilia nesta doença são incomuns: a eosinofilia familiar tem tipicamente um fenótipo benigno em comparação com outras doenças eosinofílicas congénitas e adquiridas.[3][4][5][6]
Hipereosinofilia secundária
As eosinofilias secundárias (ou reativas) são aumentos não clonais nos níveis de eosinófilos no sangue causados por uma doença subjacente. Acredita-se que a patogénese da hipereosinofilia nessas doenças seja a liberação de uma ou mais citocinas (por exemplo, fator estimulador de colónias de granulócitos e macrófagos, interleucina 3, interleucina 5) que: a) fazem com que as células precursoras da medula óssea, ou seja, CFU-Eos, proliferem e amadureçam em eosinófilos; b) promovem a libertação de eosinófilos da medula óssea para a circulação, c) estimulam os eosinófilos circulantes a entrar nos tecidos e a libertar agentes que lesam os tecidos. Estas citocinas podem ser libertadas pelas células doentes ou as células doentes podem causar a libertação destas citocinas por células não doentes.[7]
Diagnóstico
- Hemogramas
- Testes bioquímicos
- Imunoglobulinas IgE
Para investigação de eosinofilia de causa inexplicada precisa considerar as doenças hematológicas e, para tanto, há necessidade de analisar a medula óssea por meio de testes específicos. Isso porque a condição pode ser também uma manifestação de diferentes neoplasias do sangue, como a leucemia eosinofílica crônica.
Referências
- ↑ «EOS eosinophilia, familial [Homo sapiens (human)] – Gene – NCBI»
- ↑ OMIM Entry - % 131400 - EOSINOPHILIA, FAMILIAL
- ↑ Klion AD, Law MA, Riemenschneider W, McMaster ML, Brown MR, Horne M, Karp B, Robinson M, Sachdev V, Tucker E, Turner M, Nutman TB (2004). «Familial eosinophilia: a benign disorder?». Blood. 103 (11): 4050–4055. PMID 14988154. doi:10.1182/blood-2003-11-3850

- ↑ Valent P, Klion AD, Horny HP, Roufosse F, Gotlib J, Weller PF, Hellmann A, Metzgeroth G, Leiferman KM, Arock M, Butterfield JH, Sperr WR, Sotlar K, Vandenberghe P, Haferlach T, Simon HU, Reiter A, Gleich GJ (2012). «Contemporary consensus proposal on criteria and classification of eosinophilic disorders and related syndromes». The Journal of Allergy and Clinical Immunology. 130 (3): 607–612.e9. PMC 4091810
. PMID 22460074. doi:10.1016/j.jaci.2012.02.019 - ↑ Prakash Babu S, Chen YK, Bonne-Annee S, Yang J, Maric I, Myers TG, Nutman TB, Klion AD (2017). «Dysregulation of interleukin 5 expression in familial eosinophilia». Allergy. 72 (9): 1338–1345. PMC 5546948
. PMID 28226398. doi:10.1111/all.13146 - ↑ Reiter A, Gotlib J (2017). «Myeloid neoplasms with eosinophilia». Blood. 129 (6): 704–714. PMID 28028030. doi:10.1182/blood-2016-10-695973

- ↑ Roufosse F, Cogan E, Goldman M (2004). «Recent advances in pathogenesis and management of hypereosinophilic syndromes». Allergy. 59 (7): 673–689. PMID 15180753. doi:10.1111/j.1398-9995.2004.00465.x

- Denise M. Mendes,et al. Revista brasileira de alergia e imunopatologia. disponivel em: http://www.asbai.org.br/revistas/Vol232/eosino.htm
- Fleury Medicina e Saúde.Eosinofilia:Edição: 2009 - Edição Nº 5. Disponivel em: http://www.fleury.com.br/medicos/educacao-medica/revista-medica/materias/Pages/eosinofilia-um-achado-comum-que-merece-ser-investigado.aspx
