Narses (irmão de Arácio)

Narses
Morte
543

Armênia
NacionalidadeImpério Bizantino
EtniaArmênia
OcupaçãoGeneral
Governador
FiliaçãoArácio (irmão)
Isaque (irmão)
ReligiãoCristianismo

Narses (em grego: Ναρσής; romaniz.: Narsés; em armênio: Ներսես; romaniz.: Nerses; 543) foi um oficial militar bizantino de origem armênia ativo no século VI, durante o reinado do imperador Justiniano (r. 527–565). Era irmão de Arácio e Isaque e possivelmente estava relacionado com a nobre família Camsaracânio. Servindo originalmente ao Império Sassânida, aparece pela primeira vez em 527, quando atacou os generais bizantinos Sitas e Belisário ao lado de Arácio. Em 530, após a Batalha de Satala, Arácio e Narses desertaram para os bizantinos e receberam alta quantia em dinheiro do sacelário Narses como recompensa.

Em 530/7 ou 541/2, embora mais provavelmente em 535, comandou tropas em Filas, onde recebeu ordens imperiais para destruir santuários pagãos, prender sacerdotes e confiscar imagens rituais dos nobácios e blêmios. Em 538, aparece entre os comandantes juniores que desembarcaram em Piceno, na Itália, sob comando do general Narses e pelos anos seguintes envolveu-se em várias operações contra os ostrogodos na guerra em curso. Em 543, reaparece no Oriente, onde morreu devido aos ferimentos recebidos durante a Batalha de Anglo.

Nome

Narses (Ναρσής, Narsḗs) ou Narseu (Narseus) são as formas grega e latina do nome. A atestação mais antiga ocorre nos Feitos do Divino Sapor, uma inscrição trilíngue do reinado do xainxá sassânida Sapor I (r. 240–270), onde ocorre em parta como Narse (𐭍𐭓𐭎𐭇𐭅, nrsḥw; Narseh) e em pálavi como Narse (𐭭𐭥𐭮𐭧𐭩, nrshy; Narsē). O nome deriva do avéstico Nairyō saŋha- (𐬥𐬀𐬌𐬭𐬌𐬌𐬋⸱𐬯𐬀𐬢𐬵𐬀), que literalmente significa "o de muitos discursos", ou seja, o mensageiro divino. Em armênio, ocorre como Nerses (Ներսես)[1] e em siríaco como Narsai (ܢܪܣܝ).[2]

Vida

Dracma de Cavades I (r. 488–496; 499–531)
Soldo de Justiniano (r. 527–565)

Nada se sabe sobre a origem de Narses, exceto que nasceu na Armênia e era irmão dos oficiais Arácio e Isaque.[3] Segundo os autores da PIRT, provavelmente eram membros da família nobre (nacarar) dos Camsaracânios, uma posição apoiada por outros autores.[4][5] Christian Settipani propôs que eram netos de Narses II,[6] enquanto Cyril Toumanoff propôs que eram netos de Fraates II ou Narses II.[7] Esses nobres tiveram papel central na revolta dos anos 480 de Vaanes I contra a autoridade do Império Sassânida na Armênia.[8] Narses originalmente serviu ao xainxá Cavades I (r. 488–496; 499–531) e aparece pela primeira vez em 527, quando, ao lado de Arácio, atacou os generais bizantinos Sitas e Belisário durante uma expedição deles contra a Armênia, no contexto da Guerra Ibérica. Em 530, após a derrota sassânida na Batalha de Satala, Narses e Arácio desertaram para os bizantinos e partiram, acompanhados por sua mãe, para o Império Bizantino, onde receberam uma alta soma em dinheiro que seria entregue pelo eunuco e sacelário Narses.[9][10]

Mais adiante, Narses é mencionado como comandante das tropas bizantinas estacionadas em Filas, no Egito, provavelmente como duque da Tebaida. Nesse ano, recebeu ordens do imperador Justiniano (r. 527–565) para destruir os santuários pagãos dos nobácios e blêmios, prender os sacerdotes e enviar as imagens cultuais à capital imperial de Constantinopla. O ano em que esses eventos ocorreram e que ele assumiu ofício no Egito são desconhecidos, sendo possível alguma data em 530/7 ou 541/2; os autores da Prosopografia sugerem 535, pois seu irmão Arácio assumiria o posto de duque da Palestina por volta de 535/6 e a carreira deles deve ser analisada em paralelo devido à sua similaridade. Seja como for, é certo que, em 538, Narses estava entre os comandantes juniores que desembarcaram em Piceno, na Itália, sob comando do general Narses. Eles faziam parte das tropas que haviam sido enviadas para reforçar as fileiras dos comandantes que estavam lutando na guerra contra o Reino Ostrogótico.[9]

Dracma de Cosroes I (r. 531–579)
Fronteira romano-persa entre os séculos IV-VII

É incerto qual posto Narses estava ocupando na ocasião, sendo provável que fosse mestre dos soldados ou conde dos assuntos militares. Presumivelmente esteve presente com os demais comandantes na Conferência de Firmo e era um dos três comandantes (os outros eram Herodiano e Ulíaris) subordinados ao almirante Ildígero enviados por Belisário para ajudar a levantar o Cerco de Arímino. Com a aproximação da frota imperial, os sitiantes góticos bateram em retirada e os bizantinos puderam ocupar o acampamento deles antes de Belisário se aproximar com o exército terrestre. Narses é citado no relato dos embates subsequentes na Itália ao lado de seu irmão Arácio, tendo ambos comandado tropas de origem armênia e um besso chamado Burcêncio. Narses esteve presente no Cerco de Áuximo de 539 e em 540 aparece em Ravena ao lado de Arácio, Bessas e João.[9] Foram expulsos da cidade pelo general Belisário que desconfiava deles por serem subordinados do eunuco Narses, que teria entrado na cidade imediatamente depois disso, em maio. Pelo final de 540, quando Belisário retornou ao Oriente, provavelmente Narses era um dos comandantes que permaneceram combatendo na península.[11]

No final do verão de 542 ou em 543, no contexto da Guerra Lázica contra os persas do Cosroes I (r. 531–579) Narses é citado no Oriente comandando tropas de origem armênia e hérula. Provavelmente como mestre dos soldados ou conde dos assuntos militares, estava presente, ao lado do mestre dos soldados da Armênia Valeriano, em Teodosiópolis. Quando um exército bizantino invadiu a Armênia em direção a Dúbio, após receber uma embaixada do bispo local,[12] chegaram a Narses informações equivocadas de que o exército iraniano, comandado por Nabedes, havia partido da fortaleza de Anglo. Ele, então, repreendeu seus cocomandantes pela falha. Na subsequente Batalha de Anglo, Narses e seu contingente hérulo foi o primeiro a atacar, conseguindo empurrar os persas para dentro da vila, mas foi emboscado e gravemente ferido. Ele foi levado da batalha por seu irmão Isaque, mas morreu devido aos ferimentos.[13]

Referências

  1. Fausto, o Bizantino 1989, p. 395.
  2. Saint-Laurent 2016.
  3. Martindale 1992, p. 928.
  4. Martindale 1992, p. 928-929.
  5. Toumanoff 2010, p. 455.
  6. Settipani 2006, p. 372.
  7. Toumanoff 1976, p. 268.
  8. Lázaro de Farpe 1985, p. 262-265.
  9. a b c Martindale 1992, p. 929.
  10. Greatrex 2002, p. 91.
  11. Martindale 1992, p. 929-930.
  12. Greatrex 2002, p. 116.
  13. Martindale 1992, p. 930.

Bibliografia

  • Fausto, o Bizantino (1989). Garsoïan, Nina, ed. The Epic Histories Attributed to Pʻawstos Buzand: (Buzandaran Patmutʻiwnkʻ). Cambrígia, Massachusetts: Departamento de Línguas e Civilizações Próximo Orientais, Universidade de Harvard 
  • Greatrex, Geoffrey; Lieu, Samuel N. C. (2002). The Roman Eastern Frontier and the Persian Wars (Part II, 363–630 AD). Londres: Routledge. ISBN 0-415-14687-9 
  • Lázaro de Farpe (1985). Bedrosian, Robert, ed. Ghazar P'arpec'i's History of the Armenians. Nova Iorque: Sources of the Armenian Tradition 
  • Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambrígia e Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 0-521-20160-8 
  • Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8 
  • Toumanoff, Cyril (2010). Enciclopédia Irânica Vol. XV, Fasc. 5. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia. pp. 453–455 
  • Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila