Arácio
| Arácio | |
|---|---|
| Nascimento | século VI Armênia |
| Morte | Prefeitura pretoriana da Ilíria |
| Nacionalidade | Império Bizantino |
| Ocupação | General |
| Religião | Catolicismo armênio |
Arácio (em latim: Aratius; em grego: 'Αράτιος; romaniz.: Arátios; m. 552) foi um oficial militar bizantino de origem armênia do século VI, ativo sob o imperador Justiniano (r. 527–565). Irmão dos oficiais Isaque e Narses e provável membro da família Camsaracânio, inicialmente serviu ao Império Sassânida sob o xá Cavades I (r. 488–496; 499–531). Durante os primeiros anos da Guerra Ibérica, combateu com Narses as tropas do Império Bizantino que penetraram a Armênia sob comando de Belisário e Sitas.
Em 530, desertou com seus irmãos para os bizantinos e foram incorporados no exército imperial. Em meados da década de 530, foi nomeado duque da Palestina e teve papel ativo na supressão dos ataques das tribos sarracenas à província. No final da década de 530 e provavelmente durante a década seguinte inteira, esteve envolvido em operações militares na Itália contra o Reino Ostrogótico e na década de 550 foi enviado aos Bálcãs para confrontar tribos hostis que estavam invadindo a região. Foi morto numa emboscada em 552. As fontes primárias sobre ele incluem Corício de Gaza e Procópio de Cesareia.[1]
Nome
Arácio (Aratius; 'Αράτιος, Arátios) é uma variante tardia das grafias Fraates (Φραάτης, Phraátēs; Phraātēs), Afraates (Aφραάτης, Aphraátēs; Aphraātēs) ou Fraoates (Φραõάτης, Phraoátēs). Esse nome originou-se no parta Fraate (𐭐𐭓𐭇𐭕, Frahāt), que derivou do iraniano antigo Fraata (*Frahāta-), "adquirido".[2] Foi registrado em siríaco como Afraate (ܐܦܪܗܛ, Ap̄rahaṭ), em armênio como Heraate (Հրահատ, Hrahat) e em persa novo como Afraate (فرهاد, Afrahāt) e Farade (فرهاد, Farhād).[3][4]
Biografia
Arácio era nativo da Armênia e irmão de Isaque e Narses. Corício de Gaza descreve-o como originário de uma boa família, cujo nome não é citado, e que tinha irmãos distintos. Historiadores modernos sugerem que poderiam fazer parte da família Camsaracânio, da qual o general eunuco Narses fazia parte. Segundo os autores da PIRT, provavelmente eram membros da família nobre (nacarar) dos Camsaracânios, uma posição apoiada por outros autores.[1][5] Christian Settipani propôs que eram netos de Narses II,[6] enquanto Cyril Toumanoff propôs que eram netos de Fraates II ou Narses II.[7] Esses nobres tiveram papel central na revolta dos anos 480 de Vaanes I contra a autoridade do Império Sassânida na Armênia.[8]
Guerra Ibérica


Arácio e Narses foram mencionados pela primeira vez em 527, quando estavam lutando pelo Império Sassânida na Guerra Ibérica (526–532). Ambos conseguiram a vitória sobre os comandantes bizantinos Belisário e Sitas. A batalha foi brevemente descrita por Procópio: "e os romanos, sob a liderança de Sitas e Belisário, fizeram incursão na Armênia, um território sujeito aos persas, onde saquearam uma grande extensão do país e então retrocederam com uma grande multidão de armênios cativos. Estes dois homens eram ambos jovens e usavam suas primeiras barbas, guarda-costas do general Justiniano, que mais tarde dividiu o império com seu tio Justino I (r. 518–527). Mas quando uma segunda incursão foi feita pelos romanos na Armênia, Narses e Arácio inesperadamente os confrontaram e engajaram-se em batalha. Estes homens não muito tempo depois disso vieram para os romanos como desertores, e fizeram a expedição à Itália com Belisário; mas nesta ocasião eles juntaram batalha com as forças de Sitas e Belisário e ganharam vantagem sobre eles."[1][9]
No verão de 530, Arácio e Narses desertaram ao Império Bizantino e levaram suas mãe. Foram acolhidos e recompensados pelo eunuco Narses, um companheiro persarmênio; naquele momento este Narses ainda não era um general, mas um sacelário. Logo, foram acompanhados por seu irmão Isaque. Procópio narra: "Narses e Arácio, que no começo desta guerra, como já disse acima, tiveram um encontro com Sitas e Belisário na terra dos persarmênios, vieram junto de sua mãe como desertores para os romanos; e o mordomo do imperador, Narses, recebeu-os (por também ser persarmênio de nascimento), e presenteou-os com uma grande soma de dinheiro. Quando isto veio para o conhecimento de Isaque, o irmão mais jovem deles, ele secretamente abriu negociações com os romanos, e entregou-lhes a fortaleza de Bolo, que fica perto dos limites de Teodosiópolis. Pois ordenou que os soldados deviam ser escondidos em algum lugar nas proximidades, e recebeu-os na fortaleza de noite, abrindo sorrateiramente um pequeno portão para eles. Assim, ele também veio para Bizâncio."[1][10]
Palestina
Arácio ressurgiu em 535/6, como duque da Palestina, quando Corício compôs um panegírico para Arácio e o arconte Estêvão, o governador da Palestina. Esta obra foi composta pouco antes de Estêvão ser promovido a procônsul da Palestina Prima, fato ocorrido em 1 de julho de 536. O texto inclui menções às atividades de Arácio nos anos seguintes. A inscrição lisonjeira de Corício caracterizou-o como homem capaz, misericordiosíssimo na administração da justiça e honesto em questões financeiras. A ele foi creditado o fim de uma revolta de desertores religiosos nas proximidade de Cesareia, feito que aparentemente conseguiu sem apelar à força. Foi mencionado uma segunda vez como o estratego responsável por capturar uma fortaleza inimiga, que foi considerada inexpugnável. É incerto quem eram os inimigos, mas podem ter sido árabes hostis. Em sua terceira menção apareceu liderando uma força de cerca de 20 homens para abrir uma passagem que foi mantida fechada por ataques árabes, supostamente sem batalha. Em sua próxima menção foi citado restaurando o controle bizantino sobre Iotabe (Tirã), anteriormente ocupada por tribos vizinhas. Arácio foi finalmente capaz de localizar o reduto destas tribos no continente, atacá-lo e capturá-lo. É particularmente elogiado pela receita trazida de Iotabe através das taxas aduaneiras pagas lá.[1]
Guerra Gótica

Procópio mencionou outra vez Arácio em 538. Foi enviado à Guerra Gótica na península Itálica, liderando um grupo de reforços para Belisário. O seu título daquele momento não foi registrado, mas pode ter sido mestre dos soldados ou conde dos assuntos militares. Provavelmente chegou na primavera ou verão daquele ano. Belisário ordenou que montasse seu acampamento próximo de Áuximo com mil homens. A cidade era reduto dos ostrogodos e a missão de Arácio era vigiar suas atividades.[1] Passou o inverno de 538-539 em Firmo, continuando sua vigília. Em 539, ele e seu irmão Narses lideraram uma força armênia durante o cerco a Áuximo. Em 540, Arácio, seu irmão Narses, Bessas e João caíram em desgraça com Belisário e foram enviados para longe de Ravena. Isto se deu porque naquele momento houve um atrito entre Belisário e o eunuco Narses, tendo o primeiro suspeitado que estes oficiais estariam servindo seu rival. Logo, porém, foi chamado de volta à Itália. Arácio presumivelmente continuou a lutar na Guerra Gótica, mas suas atividades ao longo da década seguinte não foram, em sua maioria, registradas.[11]
Anos finais

Sua próxima ação foi em 549, quando, ao lado de Buzes, Constanciano e João, liderou uma força de 10 mil cavaleiros para ajudar os lombardos em seu confronto com os gépidas. Esta campanha foi de curta duração, pois os adversários concluíram um tratado de paz, fazendo desnecessária a presença das forças bizantinas. No começo de 551, Arácio foi um dos comandantes militares enviados para enfrentar os esclavenos que estavam saqueando os Bálcãs. Escolástico foi o líder geral da campanha. As forças bizantinas sofreram uma grande derrota nas proximidades de Adrianópolis, mas depois reagruparam-se e conseguiram uma vitória. Seus oponentes foram forçados a sair da área. Mais tarde naquele ano, Arácio foi mencionado como estratego. Os cutrigures invadiram, atuando como agentes dos gépidas. Justiniano I enviou Arácio para negociar a retirada deles e os bizantinos foram informados que a terra dos cutrigures haviam sido invadida pelos utigures.[12]
Em 552, Arácio, Amalafredo, Justino, Justiniano e Suartuas foram enviados numa nova missão aos lombardos para ajudá-los contra os gépidas. Amalafredo continuou com a missão, mas o resto foi logo chamado de volta pelo imperador. Conflitos religiosos irromperam em Ulpiana e eles foram necessários para restaurar a ordem.[13][14] No mesmo ano, os generais ostrogóticos Ildigisal e Goar invadiram a prefeitura pretoriana da Ilíria. Arácio, Arimudo, Leoniano e Recitango foram incumbidos de detê-los, mas foram emboscados enquanto bebiam num rio e foram facilmente mortos.[12]
Referências
- ↑ a b c d e f Martindale 1992, p. 103.
- ↑ Schmitt 2005.
- ↑ Kia 2016, p. 160.
- ↑ Ačaṙyan 1942–1962, p. 106.
- ↑ Toumanoff 2010, p. 455.
- ↑ Settipani 2006, p. 372.
- ↑ Toumanoff 1976, p. 268.
- ↑ Lázaro de Farpe 1985, p. 262-265.
- ↑ Procópio de Cesareia 1914, p. livro I; cap. XII.
- ↑ Procópio de Cesareia 1914, p. livro I; cap. XV.
- ↑ Martindale 1992, p. 103-104.
- ↑ a b Martindale 1992, p. 104.
- ↑ Martindale 1992, p. 104; 751.
- ↑ Bury 1958, p. 304.
- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Aratius», especificamente desta versão.
Bibliografia
- Ačaṙyan, Hračʻya (1942–1962). «Հրահատ». Hayocʻ anjnanunneri baṙaran [Dictionary of Personal Names of Armenians]. Erevã: Imprensa da Universidade de Erevã
- Bury, John Begnell (1958). History of the Later Roman Empire. From the Death of Theodosius I to the Death of Justinian, Volume 2. Nova Iorque e Londres: Dover Publications. ISBN 0-486-20399-9
- Kia, Mehrdad (2016). The Persian Empire: A Historical Encyclopedia [2 volumes]. Santa Bárbara: ABC-CLIO. ISBN 978-1610693912
- Lázaro de Farpe (1985). Bedrosian, Robert, ed. Ghazar P'arpec'i's History of the Armenians. Nova Iorque: Sources of the Armenian Tradition
- Martindale, John R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1992). «Aratius». The Prosopography of the Later Roman Empire - Volume III, AD 527–641. Cambrígia e Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Cambrígia. ISBN 0-521-20160-8
- Schmitt, Rüdiger (2005). «Personal names, Iranian iv. Parthian Period». Enciclopédia Irânica. Nova Iorque: Imprensa da Universidade de Colúmbia
- Settipani, Christian (2006). Continuité des élites à Byzance durant les siècles obscurs les princes caucasiens et lempire du VIe au IXe siècle. Paris: de Boccard. ISBN 978-2-7018-0226-8
- Procópio de Cesareia (1914). Henry Bronson Dewing, ed. History of the wars - Livros I-II. 1. Cambrígia: Imprensa da Universidade de Cambrígia
- Toumanoff, Cyril (2010). «Kamsarakan». Enciclopédia Irânica Vol. XV, Fasc. 5. Nova Iorque: Columbia University. pp. 453–455
- Toumanoff, Cyril (1976). Manuel de généalogie et de chronologie pour le Caucase chrétien (Arménie, Géorgie, Albanie). Roma: Edizioni Aquila