Zviadistas
Zviadistas foi um nome informal dado aos apoiadores do ex-presidente da Geórgia, Zviad Gamsakhurdia, que foi deposto e morto durante a Guerra Civil Georgiana.[1]
Guerra civil
O primeiro presidente da Geórgia Zviad Gamsakhurdia foi deposto em um sangrento golpe de Estado que destruiu o centro de Tiblíssi entre 20 de dezembro de 1991 e 6 de janeiro de 1992, forçando Gamsakhurdia a fugir para a vizinha Chechênia. Os partidários de Zviad Gamsakhurdia, os zviadistas realizaram manifestações contra o governo pós-golpe liderado pelo ex-líder comunista Eduard Shevardnadze em várias partes da Geórgia e organizaram grupos armados que impediram que as forças governamentais assumissem o controle de Mingrélia, a província natal do ex-presidente. As escaramuças entre as forças pró e anti-Gamsakhurdia duraram ao longo de 1992 e 1993 e evoluíram para uma guerra civil em grande escala com o retorno de Gamsakhurdia à Geórgia Ocidental em setembro de 1993.[2] Os rebeldes zviadistas foram derrotados em novembro de 1993[3] e Gamsakhurdia foi provavelmente assassinado em 31 de dezembro de 1993.[4]
O corpo de Gamsakhurdia foi recuperado e sua morte foi confirmada em 15 de fevereiro de 1994.[5]
Pós-guerra civil e morte de Gamsakhurdia
Após a morte de Gamsakhurdia, alguns zviadistas migraram para a resistência clandestina na Geórgia Ocidental, especialmente na Mingrelia.[6] Os zviadistas nunca criaram um único partido, porém se uniram em várias organizações políticas e movimentos sociais, embora algumas continuassem a lutar contra o governo de Eduard Shevardnadze.
Com o fim da guerra civil, Mingrelia permaneceu um reduto dos zviadistas. Parte dos mingrelianos foi alienada do governo de Eduard Shevardnadze devido às represálias conduzidas contra a população da região durante a guerra civil pelos paramilitares que o apoiavam, incluindo o Mkhedrioni de Jaba Ioseliani. Shevardnadze e seu governo, por outro lado, permaneceram desconfiados dos mingrelianos.[6]
Após a morte de Gamsakhurdia, muitos zviadistas continuaram suas atividades políticas e enfrentaram repressão e perseguição pelas autoridades. Em 1994, várias manifestações da oposição foram dispersadas pela polícia, e prisioneiros políticos zviadistas foram submetidos a tortura e violações do devido processo legal. [7] Mingrelia foi colocada sob estado de emergência em outubro de 1993 e permaneceu assim até 5 de outubro de 1994, quando o Comitê Provisório para Situações de Emergência na Geórgia Ocidental foi abolido por Eduard Shevardnadze. [8] Em 1996 e 1997, os zviadistas realizaram manifestações para marcar o dia da independência, mas foram violentamente reprimidos pela polícia. Em contraste, a manifestação de 31 de março de 1998, no dia do referendo da independência, decorreu sem quaisquer incidentes.[9]
Em novembro de 1996, Loti Kobalia, comandante das forças paramilitares zviadistas durante a guerra civil, foi condenado à morte por "alta traição, banditismo e prática de assassinatos premeditados". Os ex-deputados Jambul Bokuchava, Zviad Dzidziguri e Nugzar Molodinashvili também foram condenados por acusações semelhantes. Os réus argumentaram no tribunal que estavam defendendo o "poder legítimo do Estado contra sua usurpação por Eduard Shevardnadze".[10]
O Presidium do Conselho Supremo da Geórgia, deposto em 1992, continuou a realizar reuniões no exterior e funcionou como governo no exílio. O Conselho Supremo declarou as eleições de 1995 na Geórgia como "nulas e sem efeito". A diáspora zviadista formou-se nos países bálticos, Rússia e Finlândia, com esta última concedendo oficialmente asilo político aos zviadistas. No entanto, a diáspora zviadista não exerceu muito poder e concentrou-se principalmente no apoio financeiro aos prisioneiros zviadistas na Geórgia, na divulgação de informações sobre os prisioneiros às organizações internacionais de direitos humanos e no apoio financeiro aos jornais zviadistas.[11]
Alguns zviadistas juntaram-se a vários movimentos políticos e sociais para se opor ao governo de Eduard Shevardnadze e participaram das eleições.
Outros zviadistas continuaram a resistência armada contra o governo de Eduard Shevardnadze. Em 9 de fevereiro de 1998, atacantes armados com um lançador de granadas e uma metralhadora emboscaram a comitiva do presidente Shevardnadze em Tiblíssi em uma tentativa fracassada de assassinato, que resultou na morte de um atacante e um guarda-costas de Shevardnadze.[12] Em 16 de fevereiro, as autoridades georgianas prenderam cinco zviadistas acusados de orquestrar a tentativa de assassinato, enquanto procuravam outros dois. [13] O militante checheno Salman Raduyev assumiu a responsabilidade pelo ataque,[13] e, de fato, em abril de 1997, Raduyev prometeu libertar a Geórgia do "regime de Shevardnadze". [14] No entanto, mais tarde, as forças de segurança georgianas alegaram não ter encontrado nenhuma evidência do envolvimento de Raduyev no ataque. [15] Mais tarde, Shevardandze culpou a Rússia pela tentativa de assassinato, e em particular o ex-ministro da Segurança do Estado da Geórgia, Igor Giorgadze, que foi acusado da tentativa anterior de assassinato contra Shevardnadze em 29 de agosto de 1995 e fugiu para a Rússia.[16]
Em 19 de fevereiro de 1998, quatro observadores das Nações Unidas e outros reféns foram feitos prisioneiros por zviadistas em Jikhashkari, Mingrelia. O líder do grupo zviadista era Gocha Esebua, oficial da Guarda Nacional da Geórgia sob o presidente Gamsakhurdia. Ele afirmou que o objetivo deles era atrair atenção para os prisioneiros zviadistas aprisionados pelo governo de Shevardnadze. [17] Apesar disso, os reféns foram bem tratados, com os zviadistas convidando-os para uma ceia, bebendo vinho e fazendo brindes com eles.[18] Em 26 de fevereiro, os zviadistas se renderam, com Esebua e outros sendo autorizados a escapar pelas autoridades.[19] No entanto, em 1 de abril, Gocha Esebua foi morto em um tiroteio com a polícia perto de Zuguedidi. [20]
Em 19 de outubro de 1998, 200 soldados do exército georgiano organizaram um motim contra o governo de Shevardandze, sob a liderança do Tenente-Coronel Akaki Eliava, um ex-oficial zviadista que foi anistiado em 1994 e cooptado para o exército. Akaki Eliava e Nemo Burchuladze emitiram uma declaração conjunta durante o motim, afirmando que estavam "restaurando o poder legítimo na Geórgia". O motim começou na base militar de Senaki, em Mingrelia, com os soldados avançando para Kutaisi, a segunda maior cidade georgiana. No entanto, os amotinados foram logo reprimidos por uma força governamental muito maior, sob o comando do Ministro da Defesa, Davit Tevzadze. Depois disso, os amotinados concordaram em retornar aos quartéis. Shevardnadze acusou os amotinados de tentar sabotar a construção do oleoduto Baku-Supsa para transportar petróleo do Cáspio através da Geórgia.[21] Eliava, que conseguiu escapar, exigiu a renúncia de Eduard Shevardnadze e a restauração do "governo legal" formado por Gamsakhurdia.[22] Akaki Eliava continuou a dar ultimatos a Shevardandze. Em 3 de novembro, exigiu a libertação dos 34 prisioneiros presos após o motim e a condenação oficial do golpe de Estado de 1991-1992, ameaçando outra campanha militar contra Shevardnadze.[23]
Referências
- ↑ «Secuestraron en Georgia a cuatro oficiales de la UN». lanacion.com. 20 de fevereiro de 1998
- ↑ «MINGRELIA: GEORGIA'S NEW "HOT SPOT"?». The Jamestown Foundation. 17 de abril de 1998
- ↑ «Shevardnadze aide declares end of civil war» (em inglês). UP News. 9 de novembro de 1993. Consultado em 10 de fevereiro de 2023
- ↑ «New version of president Gamsakhurdia's death». The Messenger. 24 de fevereiro de 2011
- ↑ GEORGIA: BODY OF OUSTED PRESIDENT ZVIAD GAMSAKHURDIA EXHUMED. Reuters Screenocean. 17 de fevereiro de 1994
- ↑ a b «How unstable is western Georgia?». Reliefweb. 13 de julho de 2000
- ↑ United States Congress (1994). Country Reports on Human Rights Practices. [S.l.]: U.S. Government Printing Office. p. 880. ISBN 978-0-16-043627-7
- ↑ «Shevardnadze Annuls Western Emergency Committee». United States Foreign Broadcast Information Service. Tbilisi Radio: 53. 5 de outubro de 1994
- ↑ Parliamentary Assembly Documents 1999 Session (First part, January 1999) Volume I. [S.l.]: Council of Europe. 1999. p. 8. ISBN 9789287139573
- ↑ «Georgian "Zviadists" Sentenced». The Jamestown Foundation. 20 de novembro de 1996
- ↑ «'Georgian Government in Exile' Meets at Moscow Location». United States Foreign Broadcast Information Service. Moscow NTV. 1996
- ↑ «Shevardnadze foils assassins once again». Tampa Bay Times. 10 de fevereiro de 1998
- ↑ a b «Georgian police arrest several in attack against Shevardnadze». Tampa Bay Times. 16 de fevereiro de 1998
- ↑ «Why Georgia wants to Cultivate the Relations with Chechnia». Central Asia and the Caucasus Information and Analytical Center. Central Asia and the Caucasus. 2: 160. 2000.
Indeed, in February 1997 Salman Raduyev promised "to deliver Georgia of Shevardnadze's regime" in his interview to the Lithuanian newspaper Respublika and admitted that he was engaged in knocking together an armed corps of Zviadists in georgia. Throughout 1997 Raduyev was talking about a possible military operation in Georgia.
- ↑ «Russia detains a rebel leader, but Chechens undaunted». The Christian Science Monitor. 15 de março de 2000
- ↑ «A Defiant Satellite, Georgia Finds Paternalistic Russia's Orbit Inescapable». The New York Times. 3 de março de 1998
- ↑ «Georgia gunmen allow TV access to U.N. hostages». Tampa Bay Times. 22 de fevereiro de 1998
- ↑ «Flat Earth». The Independent. 1 de março de 1998
- ↑ «World News Briefs; Gunmen Surrender, Ending Georgia Standoff». New York Times. 26 de fevereiro de 1998
- ↑ «"Zviadist" Chieftain Killed». The Jamestown Foundation. 1 de Abril de 1998
- ↑ «A Zviadist Mutiny in the Georgian Army». The Jamestown Foundation. 20 de outubro de 1998
- ↑ «Newsline - October 20, 1998». Radio Liberty. 20 de outubro de 1998
- ↑ «Newsline - November 3, 1998». Radio Liberty. 3 de novembro de 1998
- Jonathan Wheatley (2005), Georgia from National Awakening to Rose Revolution: delayed transition in the former Soviet Union. Ashgate Publishing, Ltd., ISBN 0-7546-4503-7.