Zainabe binte Isaque
| Zainabe binte Isaque | |||||
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| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | século XI | ||||
| Cônjuge |
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| Casa | Almorávida | ||||
| Pai | Isaque | ||||
| Religião | Islamismo | ||||
Zainabe binte Isaque (em árabe: زينب بنت إسحاق; romaniz.: Zaynab bint Isḥāq), também identificada pelo nisba Nefezauia (em francês: El Nefzaouia; em árabe: النفزاوية, al-Nafzāwiyya), foi uma nobre berbere do século XI, conhecido por ter se tornado a esposa de Abu Becre ibne Omar (r. 1056–1087) e depois de Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106), dois emires do ascendente Império Almorávida do Magrebe.
Vida


Zainabe nasceu ao longo do século XI. Com base em seu nisba, é sabido que pertenceu à tribo dos nefezauas. Seu náçabe sugere que era filha de certo Isaque, que pode ter sido um dos imigrantes que chegaram em Agmate, no Magrebe, fugindo da turbulência política da Ifríquia.[1] Em data incerta, tornar-se-ia concubina de Iúçufe ibne Ali, xeique dos úricas de Agmate. Depois, foi desposada por Lacute ibne Iúçufe, chefe dos magrauas. Em 1058, os almorávidas, liderados por Abu Becre ibne Omar, atacaram Agmate. Lacute morreu em combate e a cidade foi conquistada. Zainabe então foi desposada por Abu Becre.[2] Após realizar uma campanha em Fazaz, Abu Becre regressou a Agmate, onde permaneceu alguns meses com sua esposa. Deve ter sido ali que recebeu a notícia da revolta dos massufas contra os lantunas e decidiu marchar contra eles. O ano desse evento não é consensual, mas sugere-se que tenha sido após a fundação de Marraquexe, que foi datada em 1062 (Ibne Abi Zar e Ibne Caldune)[3] ou mais provavelmente em 1070 (Ibne Idari).[4]
Antes de partir em campanha, e transcorrido o período legal prescrito pelo Alcorão, Abu Becre divorciou-se de Zainabe, que se casaria com o primo de seu ex-marido, Iúçufe ibne Taxufine (r. 1061–1106). Segundo Vincent Lagardère, esse evento ocorreu em maio de 1071.[5] Quando Abu Becre retornou dois anos depois, Iúçufe recusou-se a devolver-lhe o poder. Por intermédio de Zainabe, Iúçufe concordou em dar-lhe grande quantidade de presentes para dissuadi-lo.[6] Desejando evitar um novo conflito no seio do movimento, Abu Becre aceitou os presentes partiu ao sul para combater os Estados negros do deserto.[7] Iúçufe teve ao menos 13 filhos, quatro dos quais com Zainabe: Sir (Abu Becre), o mais velho, que morreu em Ceuta em 1086; Almuiz, que nasceu em 1072, serviu como vizir e envolveu-se com a conquista de Ceuta em 1083/4;[8] Alfadle, que nasceu em 1076/7 e serviu em funções administrativas e militares; e Ali (r. 1106–1143), que nasceu em 1086 e sucedeu Iúçufe como emir do Império Almorávida.[9][5] Em Rawḍ al-Qirṭās, Ibne Zar sugeriu erroneamente que Zainabe morreu em 463 A.H. (entre 29 de setembro de 1071 e 16 de setembro de 1072).[10]
Zainabe foi descrita como uma mulher inteligente e culta, que, segundo certos cronistas, também era feiticeira. Reuniu em torno de si um círculo literário em Agmate e introduziu aos seus maridos lantunas vindos do Saara, bem como suas esposas, um modo de vida mais intelectual e sedentário. Quando Marraquexe foi fundada e se tornou a capital do Império Almorávida, muitos membros desse círculo seleto de Agmate para lá se transferiram, o que marcou o início do declínio da cidade.[1] Diz-se que Zainabe também era dotada de perspicácia política, o que a tornava uma boa conselheira de Abu Becre e uma eficaz cogovernante de Iúçufe. Foi ela, por estar familiarizada com um modo de vida mais sedentário, que aconselhou-os diplomaticamente sobre a política da região à qual estava habituada.[11] Além disso, segundo o al-Bayān al-Mughrib de Ibne Idari, era rica e doou toda a sua fortuna a Iúçufe, a qual ele utilizou para equipar soldados e organizar suas tropas.[12]
Referências
- ↑ a b Lévi-Provençal 1960, p. 251.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 88-89.
- ↑ Hrbek & Devisse 2010, p. 411, nota 54.
- ↑ Kennedy 2014, p. 159.
- ↑ a b Lagardère 1989, p. 80.
- ↑ Chalmeta 1993, p. 585.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 98.
- ↑ Lagardère 1978, p. 59.
- ↑ Lagardère 1978, p. 60.
- ↑ Vilá & López 1998, p. 89, nota 90.
- ↑ Lebbady & El Hilali 2020, al-Nafzaouiya, Zaynab.
- ↑ Lagardère 1989, p. 80-81.
Bibliografia
- Chalmeta, P. (1993). «al-Murābiṭūn». In: Bosworth, C. E.; van Donzel, E.; Heinrichs, W. P.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume VII: Mif–Naz. Leida: E. J. Brill. ISBN 978-90-04-09419-2
- Hrbek, Ivan; Devisse, Jean (2010). «Capítulo XIII. Os almorávidas». História Geral da África. Vol. III: África do século VII ao XI. São Carlos e Paris: UNESCO e Universidade Federal de São Carlos
- Kennedy, Hugh (2014). Muslim Spain and Portugal: A Political History of al-Andalus. Londres e Nova Iorque: Routledge
- Lebbady, Hasna; El Hilali, Hiam (31 de março de 2020). «al-Nafzaouiya, Zaynab». Oxford Research Encyclopedia of African History. Oxônia: Editora da Universidade de Oxônia
- Lagardère, Vincent (1978). «Le gouvernorat des villes et la suprématie des Banu Turgut au Maroc et en Andalus de 477/1075 à 500/1106». Revue de l'Occident musulman et de la Méditerranée. 25 (1): 49–65. ISSN 0035-1474. doi:10.3406/remmm.1978.1803
- Lagardère, Vincent (1989). Les Almoravides: Jusqu'au Règne de Yūsuf B. Tāšfīn (1039-1106). Paris: Editions L'Hatmattan
- Lévi-Provençal, Évariste (1960). «Aghmāt». In: Gibb, H. A. R.; Kramers, J. H.; Lévi-Provençal, E.; Schacht, J.; Lewis, B.; Pellat, Ch. The Encyclopaedia of Islam, Second Edition. Volume I: A–B. 1. Leida: E. J. Brill
- Vilá, Jacinto Bosch; López, Emilio Molina (1998). Los almorávides. Granada: Editorial Universidade de Granada. ISBN 9788433824516