Zaíde ibne Suane
Zaíde ibne Suane (em árabe: زيد بن صوحان; romaniz.: Zayd ibn Suḥān) foi um companheiro do profeta islâmico Maomé.
Vida
Zaíde ibne Suane era um dos notáveis dos abuceus e aceitou o Islã ainda no período de Maomé, embora não tenha chegado a vê-lo. A informação segundo a qual teria sido enviado como emissário ao profeta (Ibne Açaquir, XIX.429) não foi aceita. Em razão de sua profunda admiração por Salmã, o Persa, a quem serviu como discípulo por longo tempo em Almadaim, passou também a usar a cúnia Abu Salmã (Ibne Hajar, I.583). Após a conquista do Iraque, estabeleceu-se em Cufa. No califado de Omar (r. 634–644), integrou a delegação que se deslocou de Cufa a Medina; encontrou-se com o califa e obteve sua aprovação. Omar, que se expressou de modo elogioso a seu respeito, recomendou também às pessoas ao seu redor que lhe demonstrassem consideração. Nesse período, participou das batalhas de Cadésia, Jalula e Niavende. Em uma dessas batalhas — Cadésia (Ibne Hajar, I.583), Jalula (Ibne Abede Albar, I.557) ou Niavende (Ibne Sade, VI.124) — perdeu a mão esquerda. Durante o governo de Salmã em Almadaim, ingressou, juntamente com seu irmão Sassa, no círculo de discípulos de Salmã, sofrendo grande influência sua em diversos aspectos. Em certo momento, dedicou-se a uma vida ascética e a práticas devocionais voluntárias e negligenciou sua família; Salmã advertiu-o então de que o excesso na adoração, a ponto de colocar a família em dificuldade, não era religiosamente apropriado. No mesmo período, por ordem de Salmã, passou a fazer exortações antes da oração de sexta-feira, ministrou aulas de Alcorão sob sua supervisão e atuou como imã.[1]
No tempo de Otomão (r. 644–656), esteve entre os opositores descontentes com a administração e, segundo algumas narrativas, entre aqueles que dirigiram advertências ao califa. No ano 33 (653–654), quando certas palavras e atitudes do governador de Cufa, Saíde ibne Alas, provocaram tumultos na cidade, integrou o grupo de nove ou dez pessoas que, acusadas de instigar os acontecimentos, foram exiladas para Damasco por ordem do califa (Ibne Catir, X.258–260). O governador de Damasco, Moáuia ibne Abi Sufiane, permitiu algum tempo depois que deixassem a cidade. Embora os membros do grupo tivessem enviado um representante a Otomão, prometendo não retomar suas atividades anteriores, ao regressarem a Cufa voltaram a agir em oposição. Entre os insurgentes que, vindos de várias cidades, se reuniram diante de Medina com o objetivo de afastar Otomão do califado, Zaíde figurava como um dos líderes dos cufanos. Narra-se que, no dia em que Otomão foi martirizado, Zaíde teria dito: "Hoje foi lançada entre as pessoas uma semente de ódio tal que, até o Dia da Ressurreição, não conseguirão mais amar-se mutuamente” (Ibne Catir, X.277–278, 339). Durante as perturbações posteriores, recusou tanto a proposta de Aixa para juntar-se a ela quanto o convite para permanecer em Cufa fazendo propaganda contra Ali. Na Batalha do Camelo, em que combateu ao lado de Ali, foi um dos porta-estandartes dos abuceus. Ele e seu irmão Saiane morreram nesse confronto (36/656). Relata-se que, nos momentos finais, expressou arrependimento por suas ações contra Otomão (Ibne Açaquir, XIX.445), e que Aixa, ao receber a notícia de sua morte, manifestou tristeza (Ibne Abede Albar, I, 557).[2]
Zaíde, além de seu papel nos acontecimentos políticos, é também uma figura relevante do ascetismo islâmico primitivo, sendo mencionado entre os primeiros zaiditas (Ali Sami Anassar, III.255). No califado de Otomão, mandou construir um edifício especial para que os devotos de Baçorá que não possuíam meios de subsistência pudessem dedicar-se tranquilamente à adoração, designando funcionários para atender às suas necessidades (Ibne Açaquir, XIX.441); assim, estabeleceu um dos primeiros exemplos das instituições que mais tarde se desenvolveriam no sufismo. Certos elogios atribuídos a Maomé a seu respeito — embora de autenticidade questionável (cf., por exemplo, Ibne Sade, VI.123; Alcatibe Albaguedadi, VIII.440; Ibne Hajar, I.582–583) — contribuíram para reforçar a imagem de sua personalidade espiritual. Zaíde, que transmitiu poucos hádices e é considerado um transmissor confiável (Ibne Sade, VI, 126), relatou tradições de Omar, Ali, Ubaia ibne Cabe e Salmã. Dele transmitiram hádices figuras como Abu Uail Xaquique ibne Salama, Aizar ibne Hurais e Salim ibne Abi Aljade. Assim como Zaíde, seus irmãos Sassa e Saiane também foram oradores proeminentes dos abuceus, sendo Sassa ainda um célebre opositor no período de Moáuia. Menciona-se também que Zaíde teve uma filha chamada Ume Alaçuade (Ibne Açaquir, XIX, 435).[3]
Referências
- ↑ Özkan 2013, p. 323.
- ↑ Özkan 2013, p. 323-324.
- ↑ Özkan 2013, p. 324.
Bibliografia
- Özkan, Halit (2013). «Zeyd b. Sûhân». TDV İslâm Ansiklopedisi’nin [Enciclopédia Islâmica TDV]. 44. Istambul: Turkiye Diyanet Vakfi Islâm Ansiklopedisi [Fundação Religiosa Turca Enciclopédia Islâmica]. Consultado em 4 de janeiro de 2026