Via arterial

Via arterial é uma via que proporciona alta mobilidade para viagens de média e longa distância, com tráfego predominantemente de passagem.[a] Distingue-se de via local, voltada ao acesso a propriedades e com tráfego local, e de via coletora, que adentra certas áreas — tipicamente residenciais, mas também industriais, recreativas, ou povoações rurais dispersas — e equilibra as funções de acesso e mobilidade, distribuindo o tráfego oriundo de vias arteriais para vias locais, ou coletando-o e transferindo-o para vias arteriais.[1][2][3] As vias arteriais formam um pilar da rede viária e são projetadas para terem um nível de serviço relativamente alto.[4]

América do Norte e Europa

Page Mill Road em Palo Alto na Califórnia, uma típica estrada arterial em área suburbana nos Estados Unidos.

As vias arteriais geralmente são construídas para exercer essa função, mas também podem ser adaptadas a partir de vias preferenciais existentes. Na América do Norte, as interseções das vias arteriais com vias coletoras geralmente são em nível[b] e possuem semáforos. Já na Europa, grandes rotatórias são mais comuns em cruzamentos movimentados.[carece de fontes?]

Embora a Administração Federal de Autoestradas e a AASHTO, nos Estados Unidos, definam padrões técnicos ideais para cada tipo funcional de via (que influenciam os padrões técnicos adotados no Brasil),[2] esses padrões variam conforme as necessidades e valores das comunidades locais. Há sobreposições entre os padrões técnicos de diferentes tipos funcionais, e, além disso, atribuir função às vias não é uma ciência exata.[5][6]

Brasil

A importância funcional de uma via é proporcional ao volume de tráfego e à distância média percorrida pelos veículos. Em área rural, essa importância também é proporcional ao porte (demográfico, político ou econômico) das povoações atendidas pela via.[3]

O DNIT usa o termo arterial para designar diferentes tipos de vias com função de mobilidade nos contextos urbano e rural.[2][3]

Sistema arterial rural

O sistema arterial rural proporciona alto nível de mobilidade para grandes volumes de tráfego, liga cidades e centros geradores de tráfego que atraem viagens longas, fornece acesso a áreas desenvolvidas e densamente povoadas a distâncias razoáveis — viabilizado por espaçamento adequado — e integra municípios, estados e países vizinhos. O sistema se divide em:[7]

  • Sistema arterial principal rural: liga cidades com mais de 150 mil habitantes e atende às viagens internacionais e inter-regionais (entre as regiões do Brasil). Essas vias geralmente têm alto padrão técnico e alta velocidade, correspondendo às classes de projeto 0 (controle de acesso total), IA (pista dupla e controle de acesso parcial) ou IB (pista simples de alto padrão).[3]
  • Sistema arterial primário rural: liga cidades com mais de 50 mil habitantes e atende às viagens inter-regionais e inter-estaduais.
  • Sistema arterial secundário rural: liga cidades com mais de 10 mil habitantes e atende às viagens inter-estaduais.

Sistema arterial urbano

O sistema arterial urbano atende à maior parte do tráfego rodoviário. As vias arteriais urbanas fornecem continuidade entre subdivisões urbanas, tais como bairros e vizinhanças residenciais, sem entrarem nelas como as vias coletoras, e geralmente têm nível de serviço e velocidade relativamente altos. São tipicamente projetadas para velocidades de 60 km/h em áreas com desenvolvimento urbano moderado, 50 km/h em áreas de alta densidade, e até 80 km/h em áreas pouco desenvolvidas, mas a velocidade de projeto também varia conforme a topografia. Suas interseções com vias arteriais e coletoras geralmente contam com semáforos ou rotatórias. Elas diferem das vias expressas urbanas por possuírem a maioria das interseções em nível,[b] menor capacidade e velocidade, e algum grau de acesso a propriedades, além de geralmente não disporem de acostamento. Normalmente não incluem medidas de moderação de tráfego, que são mais típicas de vias coletoras e locais. Elas se dividem em duas subcategorias:[2][8]

  • Vias arteriais primárias urbanas: geralmente apresentam tráfego direto, percurso contínuo, restrições frequentes ao estacionamento e controle de acesso a propriedades para minimizar o atrito lateral, exercido por restrições aos retornos possíveis e por entradas/saídas com projeto especial nas vias de alta velocidade e, nas demais, por meio-fio vertical elevado, inibindo a transposição por veículos.
  • Vias arteriais secundárias urbanas: distribuem o tráfego por áreas menores e oferecem maior acesso às propriedades, mas com mobilidade menor.

Os padrões técnicos mínimos modernos aplicam-se a novas vias e orientam a melhoria das vias existentes. Devido a restrições orçamentárias, algumas rotas escolhidas para transformação em vias arteriais urbanas podem incorporar partes do sistema de ruas atual. Com alguma frequência, vias urbanas coletoras e locais são usadas como arteriais, comprometendo a qualidade de vida local e causando sérios problemas para pedestres e para o atendimento às propriedades.[2]

Sistema arterial principal

O sistema arterial principal é composto por: vias arteriais principais rurais, vias expressas urbanas, e vias arteriais primárias urbanas. Esse sistema constitui os principais corredores de tráfego, fornece acesso direto aos principais geradores de tráfego, transporta grande parte do tráfego urbano e distribui tráfego oriundo de vias expressas. [2]

Espaçamento

As vias do sistema arterial principal como um todo, independentemente do tipo, são tipicamente espaçadas entre si de 1,6 km em centros urbanos a 8 km em áreas suburbanas. Já as vias arteriais secundárias urbanas, que complementam o sistema arterial principal, são tipicamente espaçadas de 0,2 km em áreas centrais a 5 km nos subúrbios.[2]

Exemplos

Os exemplos a seguir ilustram a diversidade de características que vias arteriais podem apresentar no território brasileiro. Dependendo das condições e do contexto local, vias com padrão técnico inferior ou superior aos padrões modernos podem exercer função arterial.

Impacto ambiental

Devido aos altos volumes de tráfego em velocidades moderadas, as vias arteriais geram quantidades significativas de poluição atmosférica, poluição sonora e escoamento superficial de poluentes hídricos.[9][10]

História

Na Idade Média, fortalezas e cidades muradas eram construídas com rotas de evasão que permitiam fuga ou ataques surpresa em caso de cerco. Essas vias por vezes formavam eixos visuais para estruturas importantes, como a Champs-Élysées para o Arco do Triunfo, a Straße des 17. Juni para o Portão de Brandemburgo e The Mall para o Palácio de Buckingham. Muitas delas deixaram de ser vias arteriais na definição moderna.[carece de fontes?]

Ver também

Notas e referências

Notas

  1. Tráfego em que a maioria dos veículos usa a via apenas para passar por uma área, com origem e destino fora dela.
  2. a b No mesmo nível, ou seja, sem passar por cima ou por baixo da outra via.

Referências

  1. «Road classification» Classificação de estradas. Comissão Europeia (em inglês). Consultado em 10 de abril de 2025. Cópia arquivada em 19 de dezembro de 2024 
  2. a b c d e f g DNIT (2010). Manual de projeto geométrico de travessias urbanas (PDF). Col: IPR, 740. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 37–39, 41–54, 204–206, 314–316, 371, 372. 390 páginas. Consultado em 10 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 7 de abril de 2025 
  3. a b c d DNIT (2010). Manual de implantação básica de rodovia (PDF). Col: IPR, 742 3ª ed. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 40–43. 617 páginas. Consultado em 10 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  4. ITE (Institute of Transportation Engineers) (Setembro de 1992). «Roadway Geometric Design» [Projeto Geométrico de Rodovias]. In: Pline, James. Traffic Engineering Handbook [Manual de Engenharia de Tráfego] (em inglês) 4th ed. Englewood Cliffs: Prentice-Hall. p. 155. 704 páginas. ISBN 978-0-13-926791-8 
  5. FHWA (Fevereiro de 2023). Highway Functional Classification Concepts, Criteria and Procedures [Conceitos, Critérios e Procedimentos de Classificação Funcional de Rodovias] (PDF) (em inglês) 2023 ed. Washington, D.C.: FHWA. p. 43. 64 páginas. Consultado em 10 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de outubro de 2023 
  6. FHWA (1997). «Functional Classification» [Classificação Funcional]. Flexibility in Highway Design [Flexibilidade no Projeto de Rodovias] (PDF) (em inglês). Washington, D.C.: FHWA. pp. 46–49, 51, 52. 193 páginas. FHWA-PD-97-062. Consultado em 11 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 25 de setembro de 2012 
  7. DNER (1999). Manual de projeto geométrico de rodovias rurais (PDF). Col: IPR, 706. Rio de Janeiro: DNER. pp. 11–19. 195 páginas. Consultado em 14 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  8. DNIT (2010). Manual de projeto e práticas operacionais para segurança nas rodovias (PDF). Col: IPR, 741. Rio de Janeiro: DNIT. pp. 142, 156, 164–167, 234, 235, 242. 280 páginas. Consultado em 11 de abril de 2025. Cópia arquivada (PDF) em 5 de julho de 2021 
  9. «Air Quality Dispersion Modeling - Preferred and Recommended Models» [Modelagem de Dispersão da Qualidade do Ar - Modelos Preferenciais e Recomendados]. Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (em inglês). Consultado em 10 de abril de 2025 
  10. Hogan, C. Michael (Setembro de 1973). «Analysis of highway noise» [Análise de ruído rodoviário]Subscrição paga é requerida. Water, Air, and Soil Pollution (em inglês). 2 (3): 387–392. ISSN 0049-6979. doi:10.1007/BF00159677 

Ligações externas

  • AASHTO (American Association of State Highway and Transportation Officials) (2018). «Functional Classification for Motor Vehicles» [Classificação Funcional para Veículos Motorizados]. A Policy on Geometric Design of Highways and Streets [Uma Política de Projeto Geométrico de Rodovias e Ruas] (em inglês) 7th ed. Washington, D.C.: AASHTO. 157 páginas. ISBN 978-1-56051-676-7